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 E se eu não quiser lembrar? #1

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gwen



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Data de inscrição : 16/11/2008

MensagemAssunto: E se eu não quiser lembrar? #1   Ter Dez 09, 2008 6:00 am

regras - Drama

Resumo - Excertos de um capítulo:

Entramos em casa lentamente. Parece não estar ninguém. Êl deixa o casaco em cima da sua cama e vai ao quarto de Tom, pareceu-lhe ouvir um riso de criança vindo do fundo do corredor. A cena com que nos deparamos ao chegar à porta de Tom não podia ser mais estranha: Tom está sentado no chão, com uma boneca na mão e sorri a uma criança com cerca de três ou quatro anos que circula pelo quarto falando sem parar em português.
Êl estremece ao ver o rosto da menina, que acaba por se sentar de costas para nós, sem nos ter visto. Tom dá pela nossa presença e levanta-se assustado com a expressão dolorosa que Êl ostenta.

(...)

Êl olha a menina com um olhar distante.
- Êl? O que se passa?
- É ela, Tom… A menina com que costumo sonhar… O bebé que nos meus sonhos ajudo a aprender a andar… Está maior, mas é natural se pensarmos que desapareci há um ano…
Êl entra no quarto e senta-se no chão, frente à menina, que finalmente dá pela sua presença.
- Olá. - Diz-lhe Êl, tentando parecer animada.
- Olá. Estava a brincar com o Tom. Ele não percebe nada do que eu digo, mas não faz mal. Eu sei quem tu és.
- Sabes?
- Sei. Há muitas fotografias tuas lá em casa. Eu não me lembro de ti porque era muito pequenina quando desapareceste, mas a tia Petra telefonou a dizer que te tinha encontrado e viemos ver-te.

(...)

- Não minha querida… Estou feliz, muito feliz, por tu gostares de mim, mesmo que eu não me lembre do teu nome…
A menina levanta-se, abraça Êl pelo pescoço, dá-lhe um beijo leve na testa e sussurra-lhe ao ouvido.
- Chamo-me Inês. - Depois afasta-se e procura Tom. Quando o vê à porta dirige-se a ele e pega-lhe na mão puxando-o de volta para o quarto. Solta-o para se sentar no chão e bate com a mão no tapete para que ele se sente. Depois coloca-lhe uma boneca nas mãos e volta a brincar, como se não tivesse havido qualquer interrupção.



# 1


Hamburg, 22 de Janeiro de 2009

Está frio, muito frio. Mas as tardes de Janeiro são sempre frias na Alemanha, mesmo em dias de céu limpo, como hoje.
Estamos fora de casa há duas horas e devemos volta em breve. Êl está sentada num banco de jardim, reclinada, a cabeça ligeiramente deitada para trás. Ela gosta de sol, por isso deixa que os seus raios lhe acariciem a face morena.
Eu estou um pouco afastado, junto ao rio, a ver a água correr. De onde estou consigo ouvir o que dizem, ou conseguiria, caso falassem. Desde que chegámos, Êl ainda não falou, tem estado apenas a apanhar sol. Dizem que o sol de Inverno faz mal, mas a médica não lhe disse que fugisse do sol, portanto ela não foge – ela gosta tanto do sol… E do rio. É por isso que estamos aqui – ela gosta de ver a água do rio correr, ou ouvi-la. Hoje não pode ouvir o rio, porque estamos na cidade, mas quando podemos afastamo-nos. Então, sentamo-nos junto ao rio, fechamos os olhos e ficamos a ouvi-lo, só os dois.

Agora já não estou a ver o rio, estou a observar Êl. Está mais bonita. Sempre foi, mas agora que as cicatrizes começam a desvanecer-se e a sua cara parece ter desinchado por completo, está ainda mais bonita.
É magra, muito magra, talvez mais do que deveria. Mas o que é que eu percebo disso? Agora não se nota, por causa das várias camadas de roupa que foi obrigada a vestir. Mas deviam vê-la no Verão, eu não conheço nenhum outro ser humano que tenha tantos ossos! Se bem que agora está melhor. Engordou consideravelmente nos últimos meses, mas mesmo assim continua magra, muito magra.
O sol parece gostar da sua face morena. Eu prefiro o seu cabelo – longo, preto, escadeado. Hoje está a usá-lo esticado, porque gosta de se ver assim, mas eu prefiro vê-la com canudos, parece uma princesinha oriental. Mas do que as pessoas realmente gostam nela é dos seus olhos. Ninguém sabe de que cor são, variam entre o verde, o azul e o cinzento. Parece que o estado do tempo e do seu espírito os influenciam, mas ninguém, nem mesmo a própria Êl, sabe como. Hoje estão verdes, não é um verde límpido, nunca é, há sempre algo de cinzento neles.

Está um amigo connosco, o seu melhor amigo, aquele em quem ela confia sempre, o primeiro de quem ela se lembra – é por isso que ela confia nele, ele é a sua memória mais antiga.
Tem estado sentado junto de Êl, a observá-la, a certificar-se que a sua respiração está regular. Acha que este sol lhe vai fazer mal, mas não se atreve a dizer-lho, não quer irritá-la… Ela gosta tanto de sol. E depois, de que lhe adiantaria dizer-lhe o que quer que fosse? Já conhece a resposta dela: A médica não disse para fugir do sol. Raio da médica.
Confesso que até eu já não posso ouvir falar na médica, mas ela sabe que só assim poderá ter alguma liberdade. Depois do disparate que fez, os seus amigos tornaram-se ainda mais super-protectores – não querem perdê-la.
Ele continua a observá-la, mas agora de pé. É melhor voltarmos para casa. Os dias de Inverno são pequenos e o sol já está baixo. Começam a formar-se nuvens a norte e a temperatura está a descer – amanhã vai nevar outra vez.
Continuam em silêncio. Êl nem se mexeu, apesar de saber que o amigo se levantou. Ele não quer dizer-lhe que têm de ir… Não quer voltar a discutir… Não hoje… Já chegou de manhã…

Foi enquanto tomavam o pequeno-almoço.
- Hoje quero sair, ver o rio, tenho saudades do rio.
Ficou um silêncio terrível naquela cozinha. Êl ainda não tinha saído de casa, a não ser para ir ao médico, desde que voltara do hospital, quatro dias antes. E foram dias penosos:
A médica não disse que tinha de ficar na cama!
Cá em casa está quentinho e a médica não disse que não podia andar descalça!
E não estou descalça! Estou a usar umas meias grossas!

Ouvimos coisas deste género todos os dias, durante todo o dia.
Enfim, Êl tem estado insuportável. O facto de estar fechada em casa e de lhe terem tirado os cabos do computador, para que não possa trabalhar, deixam-na irritada. Para piorar, tem dormido ainda mais mal do que o costume – ainda lhe custa respirar à noite. E a Êl com sono é impossível de aturar.
Alguém ia ter de quebrar o silêncio daquela cozinha. Foi Êl. Olhou directamente para os olhos dele.
- Nem penses em dizer que não. Tu ouviste o que a médica disse ontem, já estou muito melhor. E não posso passar a vida trancada nesta casa.
- Mas tu adoras esta casa… – começou Mark.
- Não te atrevas a ficar do lado dele! Não sou nenhuma criança para me tratarem como tal. E também não sou feita de cristal para andarem comigo ao colo. Se cair não parto, levanto-me.
Voltou a olhar para ele. Ele seria o mais difícil. Era sempre.
- Mas Êl, tu ainda estás fraca e…
- E o quê? A médica não disse para continuar em casa, logo, já posso sair.
- Mas Êl, está tanto frio…
- Visto mais roupa. Toda a roupa que quiseres e luvas e cachecóis e gorros e meias, montes de meias – tudo o que quiseres.
- Se calçares montes de meias não vai haver calçado que te sirva.
Ele não devia ter dito aquilo. Tentar fazê-la rir não foi uma boa opção. Êl levantou-se, deitando a cadeira ao chão, com a respiração alterada.
- Êl, querida, por favor, acalma-te. Olha a tua respiração. – Disse ele levantando-se devagar.
- Acalmo-me? Achas que é fácil para mim? Não consigo respirar bem. Não consigo dormir bem. Voltei a ter pesadelos! – Gritou ela.
Ficámos todos quietos. Os pesadelos de Êl nunca são bons, sobretudo aqueles em que não acorda aos gritos – são os piores. Ninguém se atreveu a aproximar-se, ela não ia deixar que lhe tocassem, a não ser, talvez, ele… Talvez…
A respiração de Êl começou a normalizar-se. Os minutos passavam devagar, ninguém falou. Tinha de ser ela a dar o primeiro passo.
- Eu sei que fiz asneiras a semana passada. Eu sei que estão preocupados comigo. Mas eu estou bem e já prometi que não volto a magoar-me, seja de que maneira for. Eu cumpro sempre o que prometo.
Êl parou. Precisava recuperar o fôlego. Os seus olhos estavam muito verdes e marejados de água. Por momentos pensei, que fosse chorar, mas não, ela quase nunca chora, mesmo quando lhe apetece, ela não chora, a não ser quando não aguenta mais. Quando voltou a falar, a sua respiração estava quase normal.
- Eu preciso sair daqui. – Recomeçou com a voz insegura. – Só um bocadinho. Eu adoro-vos. E adoro estar em casa convosco. Mas estou aborrecida. Nem sequer posso trabalhar para me distrair. E hoje não está tanto frio. Esta noite não nevou e está um sol tão lindo. Já viram o sol?
Êl continuou a fitá-lo com ar de súplica. Por fim, ele cedeu. Estava a doer-lhe vê-la tão desanimada.
- Está bem. Esta tarde, depois de almoço, saímos um bocadinho. Vamos ver o teu rio. Mas vestes ainda mais roupa do que quando vamos ao médico. Se bem te conheço vamos passar pelo menos uma hora junto àquele rio e não podes arrefecer. Ah! E eu conduzo.
Ela sorriu. Um sorriso triste, são sempre assim os seus sorrisos. Estava calma, a sua respiração voltara ao normal. Os olhos continuavam verdes, mas já não tinham água.
- Está bem. Vou tomar banho. É verdade, Mark a tua mãe telefonou logo de manhã. Pediu para lhe ligares assim que acordasses. – Êl é quase sempre a primeira levantar-se.
- Eu não acredito! Ainda ontem saí de casa e ela já está a chatear-me. – Todos riram. Até Êl.



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