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 Wir Schließen Uns Ein

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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qua Fev 18, 2009 12:51 pm

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Bea tinha conversado com Dreia sobre o rumo daquela noite. Ambas sabiam o quão importante ela era, e Dreia não queria de forma alguma privar Bea de passar uma noite de sonho nos braços do seu leão. Uma noite pela qual ela aguardava à um mês e meio. Acordou em ficar a dormir no hotel. Os rapazes tinham reservado o terceiro piso do Pestana Palace para eles, de modo a evitar que outras pessoas tivessem acesso àquele piso. Andreas tinha convidado Dreia a dormir no seu quarto. Tinha duas camas individuais, e só uma estava a ser utilizava. Dreia já conhecia Andreas à bastante tempo, tanto quanto conhecia Tom, e sabia que ele era de confiança, mais do que Tom. Acabou por aceitar dormir no seu quarto, mas ao contrário do que estava à espera, pouco dormiu. Passou a noite inteira a falar com Andreas e a ouvir histórias daquilo que se tinha passado na tour. Dreia ria com vontade das histórias divertidas que Andreas contava. Nunca tinha tido a oportunidade de privar com ele assim desta forma, mas estava surpresa. Sempre o tinha julgado tímido e muito reservado, mas ele era bastante divertido e revelava-se uma grande surpresa.

Estavam já deitados, mas ainda a falar, quando o telefone do quarto tocou. Andreas esticou o braço e atendeu.

- Sim… - disse Andreas entusiasmado pela conversa que estava a ter.
- Interrompi alguma coisa? – perguntou Tom levantando uma sobrancelha a pensar que o amigo estava a ter sorte naquela noite.
- Não! – disse Andreas mais sério – Isto são horas para telefonar a alguém? O que é que queres?
- O meu iPod. Ficaste com ele na tua mala e não mo deste… –
disse Tom.

- Eu? – perguntou Andreas espantado.
- Sim, tu! – disse Tom com certeza.
- Eu dei-to! – disse Andreas.
- Não deste nada… - disse Tom que tinha a certeza.

- E não posso dar-to amanhã? – perguntou Andreas – Já estou deitado, e não me apetece nada levantar-me!
- Precisava dele agora… Se ainda não estás a dormir o que é que te custa levantares-te e vires-mo entregar? –
perguntou Tom.
- Olha que lata! O iPod é teu, eu fiz-te um favor, se quiseres vem tu buscá-lo! – disse Andreas.
- Fogo Andi estás no mesmo corredor que eu, custa-te muito? – perguntou Tom.
- Tanto quanto a ti! – disse Andreas a rir.
- Ok… vou aí buscá-lo! Levanta-me esse rabo e vai abrir a porta! – disse Tom desligando o telefone.

- O Tom vem aí buscar o iPod dele… - disse Andreas a avisar Dreia.

Dreia sentiu o coração parar de bater. Tom? Porquê? Estava tão bem com Andreas, porque é que Tom tinha de ir estragar a sua noite? Tinham estado tão bem no Lux como dois amigos, mas duvidava que Tom se conseguisse comportar normalmente ao vê-la deitada no quarto de Andreas. Ele tinha sempre a capacidade de estragar tudo, quando tudo parecia estar bem. Ouviu bater à porta e Andreas levantou-se, só de calções, e foi descalço até à porta. Ao ouvir Andreas abrir a porta, Dreia respirou fundo e rezou para que Tom não entrasse no quarto.

- Não tens vergonha de andar em trajes menores em frente a uma menina? – perguntou Tom a gozar com Andreas.
- Muita… - disse Andreas a rir.

Andreas estendeu uma mão para o interior do quarto em forma de convite a Tom. Tom entrou no quarto e foi direito à zona das camas, vendo Dreia deitada numa cama, embrulhada num lençol.

- Então o que é que se faz por aqui? – perguntou a ela sentando-se nos pés da cama.
- Fala-se… - disse Dreia sentindo-se intimidade por estar tão perto dele e sobre uma cama.
- Queres juntar-te a nós? – disse Andreas procurando na sua mala o iPod de Tom.
- Sabes que eu não consigo recusar um ménage! Mas a minha cena é mais com duas raparigas… - disse Tom a rir.
- Ah Ah Ah… – disse Andreas fingindo-se ironicamente muito divertido com o que Tom dizia – Toma! – disse Andreas entregando o iPod na mão de Tom.
- Gostava muito de ficar, mas tenho de dormir que amanhã temos as entrevistas, o concerto e uma viagem longa pela frente. Vai ser um dia daqueles… - disse Tom levantando-se da cama – Durmam bem e falem muito… – disse Tom piscando o olho a Andreas, acenando de seguida com a mão a Dreia à medida em que Andreas o expulsava do seu quarto empurrando-o.


king king king king king king king king king king king king king king king king king king king king king king king


Estavam deitados sobre a cama entre toques, carícias e beijos apaixonados. Mãos que exploravam o corpo um do outro de olhos fechados. Conheciam-se bem. Um mês e meio, não conseguiria apagar a lembrança viva daqueles cheiros e curvas que os possuíam por completo, que os deixavam com o desejo à flor da pele. Bea estava deitada sobre ele, com uma perna de cada lado do seu tronco. As suas mãos percorriam a cara e o cabelo de Bill, queria senti-lo, conter os seus beijos apaixonados para sempre, brincar com o seu piercing e matar a saudade que se apoderava de si. Bill passava as suas mãos sobre o rabo de Bea apertando-o para si, desejava ser parte dela, estar unido a ela para sempre, para que visse, ouvisse e vivesse tudo aquilo que ela ouvia, via e vivia. Nunca tinha desejado tanto ser de alguém. Rodou o corpo dela sobre a cama e colocou-se sobre ela. Assistiu aos lábios dela formarem um sorriso e procurarem a sua boca, à medida que as pernas dela se cruzavam sobre as suas costas. Fugiu com os lábios aos dela e viu nos seus olhos uma expressão de quem estava provocada, e desejosa por o ter. Ameaçou tomar os lábios de Bea com os seus, mas desviou-os em direcção ao seu pescoço, beijando-o até à orelha, onde se entreteve a brincar com o lóbulo dela entrelaçando a sua língua nele, provocando em Bea arrepios e a exteriorização de sons de prazer que o deixavam excitado. Assaltou novamente os lábios dela com um apetite voraz de quem os queria comer e deixou a sua mão direita entrar por baixo do top dela procurando o toque macio da sua pele. Deixou-se ficar assim um bom tempo, desfrutando apenas do seu corpo e daquilo que ele lhe dava. Parou de a beijar inspirando fundo uma lufada de ar fresco. Estava ofegante. Sentia os seus lábios pulsarem da força com que a beijava. Ajoelhou-se a cama, apoiando o rabo sobre as pernas e olhou para ela abanando a cabeça da direita para a esquerda incrédulo.

- Que sonho… - disse Bill sorrindo.

Bea ajoelhou-se à frente dele e sorrindo tomou a cara dele com as mãos e beijou-o de forma terna e carinhosa.

- Tu é que és um sonho! – disse ela abraçando-o.
- Acho que mereces a primeira prenda… - disse Bill ao seu ouvido enquanto rodeava a cintura de Bea com os seus braços e a apertava com força contra si – … A tua prenda está em mim… descobre-a!

Bea afastou-se dele e franziu a testa sorrindo ao mesmo tempo.

- Em ti? – perguntou ela espantada – Esteve contigo a noite toda?

Bill sorriu assentindo com a cabeça. Bea trincou o lábio inferior e olhou para ele com curiosidade. Sorriu e olhando para ele de forma provocadora começou a passar as suas mãos por cada centímetro do corpo dele, à medida que o via sorrir deliciado com a brincadeira. Passou com as mãos sobre os braços, e tronco de Bill, sentindo-o com as suas mãos, abraçou-o de modo a chegar-lhe às costas e a senti-las também. Apalpou os bolsos das calças de Bill, aproveitando os bolsos de trás para apalpar o seu rabo e beijá-lo uma vez mais, sentindo os braços dele contornarem o seu corpo e a língua de Bill embrenhar-se na sua boca à procura da dela. Continuou a procurar no corpo dele a sua prenda, passando as mãos pelas suas pernas e meias, mas sem efeito. Bill ria-se sedutoramente, entretido com aquele jogo. Bea sorria mas com uma ponta de frustração, não encontrava nada. Pegou na t-shirt de Bill e tirou-a, olhando para o seu tronco nu e marcado pelas tatuagens e pelos vincos que a faziam perder a cabeça. Colocou ambas as mãos sobre o cinto de Bill e viu-o levantar uma sobrancelha com uma expressão de desejo e luxúria e sorriu ao pensar que talvez a prenda dele estivesse ali mesmo, entre as suas pernas. Puxou-lhe as calças para baixo e confirmou que o corpo dele continuava igual desde há um mês e meio. Tirou-lhe as meias e mandou-as para o chão, com o resto da roupa dele. Bill continuava a sorrir, olhando para ela de forma desafiadora. Bea sorriu e colocou as mãos, uma de cada lado da cintura de Bill e puxou-lhe os boxers para baixo, mando-os para o chão. Olhou para ele de alto a baixo mas não viu nada de diferente. Continuava o mesmo Bill de sempre que a deixava a sonhar. Bill ria entretido com a situação. Bea começou a pensar na hipótese de ele ter feito uma nova tatuagem e procurou sinais dela, mas nada. Lembrou-se de procurar atrás do seu pescoço, onde ele tinha o símbolo dos Tokio Hotel tatuado e colocou-se atrás dele. Levantou-lhe os cabelos e certificou-se que o símbolo permanecia no mesmo sítio de sempre e sozinho. Beijou-o, sentindo Bill arrepiar-se e voltou a colocar-se à frente de Bill com uma expressão frustrada.

- Olha mais de perto… - disse Bill provocando Bea com o olhar.

Bea humedeceu os lábios com a sua língua e olhou para Bill sorrindo. Empurrou-o e sentou-se sobre o seu corpo nu. Passou os dedos sobre os lábios de Bill, sentindo-o beijá-los e substituiu os dedos pelos seus lábios. Beijou-o, fazendo os seus dedos entrarem no cabelo dele de forma aliciante. Bill pegou numa mão dela e colocou-a sobre o seu peito, na zona do coração. Bea sorriu e passou a mão no tronco dele, demorando-se na estrela que habitava o seu corpo. Sentia-se bem agora que a tinha novamente nas mãos, a sua estrela, o seu corpo, a sua marca. Passou dois dedos sobre os vincos, até eles se desvanecerem, vendo e ouvindo Bill soltar um gemido à medida que mordia o lábio inferior contendo o desejo que sentia em si. Saiu de cima do corpo dele e passou a mão pela sua lateral esquerda, pela tatuagem que cobria aquela zona do seu corpo. Leu parte da frase que ali estava inscrita para sempre “Wir kehen zum Ursprung zurück(Nós voltamos às origens) e pensou em como o corpo dele era a sua origem, como se sentia completa com ele e ao lado dele, como um mês e meio separada dele tornavam aquela frase tão mais sentida e verdadeira. O seu corpo estrelado, a sua origem. Estava de volta à origem.

- Frio! – disse Bill levantando uma sobrancelha como quem a provocava para jogar ao jogo do quente e frio.

Bea olhou para ele e sorriu. Passou a mão direita sobre o peito dele.

- Frio! – disse Bill mordendo o lábio inferior.

Passou a mão sobre a barriga dele, sobre a estrela, os vincos e o seu umbigo.

- Frio! – disse Bill a rir.

Baixou um pouco mais a mão, passando-a sobre as virilhas de Bill.

- Quente…. Muito quente! – disse Bill revirando os olhos para cima à medida que mordia o lábio inferior - … Mas frio!

Bea desatou-se a rir. Levou os lábios até ao tronco de Bill e beijou-o. Passou ambas as mãos sobre cada uma das pernas de Bill.

- … Frio! – disse Bill a rir.

Bea já estava a desesperar, já tinha procurado no corpo dele. Já o tinha despido, apalpado… Que mais lhe faltava fazer? Olhou para ele frustrada. Será que ele estava a gozar consigo?

- Ainda não me despiste totalmente… - disse Bill para a ajudar.
- Não? – perguntou Bea espantada ao ouvi-lo dizer aquilo quando ele estava totalmente nu à sua frente.
- Não… - disse Bill esticando a sua mão direita na direcção de Bea.

Bea olhou para a mão de Bill e percebeu aquilo que ele queria dizer. Bill ainda tinha em si os anéis, colares e pulseiras que usava naquele dia. Pegou na mão de Bill e ouviu-o dizer:

- Frio!

Tirou-lhe os anéis e colocou-os em cima da mesa-de-cabeceira. Ignorou o fio que Bill tinha sempre ao pescoço, sabia que ele nunca o tirava e que tinha um significado muito especial para si, e pegou num fio de prata que Bill tinha usado nesse dia ao pescoço, ouvindo-o novamente proferir a palavra:

- Frio!

Olhou para as pulseiras que Bill tinha no pulso esquerdo e pegou-lhe na mão. Bill sorriu de forma rasgada, e Bea percebeu que tinha acertado.

- … Quente! – disse Bill sorrindo de forma ternurenta e apaixonada.

Olhou melhor para o pulso de Bill e viu que nele estavam duas pulseiras iguais. Olhou para ele e ele acenou afirmativamente com a cabeça. Bill tirou uma pulseira do seu pulso e colocou-a à volta do pulso de Bea. Era uma corrente grossa em ouro branco, que ficava justa ao pulso dela. A seguir ao fecho tinha um B de cada lado. Bea reparou naquele pormenor e olhou para ela emocionada. Ele pensava em tudo.

- B de Bill e Bea… - disse Bill juntando o seu pulso ao dela, mostrando-lhe como as pulseiras era exactamente iguais.
- Nem sei o que dizer… - disse Bea sem palavras com aquele gesto. Era a melhor prenda que alguma vez tinha recebido. A pulseira deles, a pulseira que os unia, que unia o seu amor.
- Diz que gostaste… - disse Bill pegando na mão de Bea e beijando-a.
- Eu não gostei… eu amei. É perfeita! É a melhor prenda que alguma vez me deram… - disse Bea – Isso e o facto de estares aqui comigo novamente!

Bill pegou na cara dela com as mãos e beijou-a ternamente. Amava-a tanto, via nos seus olhos que o que ela dizia era absolutamente verdade.

- Não precisava de te ter despido todo… - disse Bea a rir da situação.
- Pois não… mas tu não consegues manter as mãos longe de mim… - disse Bill a rir – Agora é a minha vez…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Fev 23, 2009 10:07 am

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Acordou com o telefone do quarto a tocar. Tinha um toque irritante e estridentemente alto. Apetecia-lhe mandar o telefone contra a parede. Pegou no auscultador e ouviu Jost do outro lado a pedir que ele estivesse pronto às 8 horas para o pequeno-almoço. Desligou o telefone e virou-se para ela. Estava virada de lado, de costas para si. Encaixou o seu corpo das costas dela, abraçando-a e entrelaçando as suas pernas nas delas fazendo-lhe carícias com os pés. Bea sorriu. Que saudades de acordar com o seu corpo estrelado ao lado. Virou-se para ele e abraçou-o, encostando a cabeça ao seu ombro, sentindo-o colocar os seus lábios quentes sobre a sua testa, num beijo carinhoso. Bea apertou-o com força.

- Bom dia… – disse Bill passando a mão esquerda sobre os cabelos dela.
- Bom dia leão… - disse Bea a rir, recordando os momentos em que na noite anterior eles tinham desbravado os domínios do prazer.

Bill sorriu e imitou o rugido de um leão atacando o pescoço de Bea numa dentada que a fazia lembrar um vampiro. Bea riu-se da energia que ele tinha logo pela manhã e das cócegas que os lábios dele faziam contra a pele sensível do seu pescoço. Pegou na cara dele com ambas as mãos e deu-lhe um beijo rápido nos lábios e de seguida levou os seus lábios ao piercing que Bill tinha na sobrancelha e beijou-o. Bill sorriu, deu-lhe mais um beijo nos lábios e outro no pescoço e levantou-se da cama cheio de energia, cantando e dirigindo-se para a casa de banho. Bea aninhou-se na sua almofada e fechou os olhos, ao mesmo tempo que sorria contagiada com a felicidade e alegria de Bill. Ouviu a água do chuveiro começar a correr e percebeu que Bill ia tomar banho. Voltou a ouvir Bill a entrar no quarto a cantar e a vir directo a si. Abriu os olhos e viu-o esticar um braço na sua direcção. Bea sorriu e puxou o lençol sobre si. Queria dormir. Ouviu Bill parar de cantar e começar a rir. Bill pegou no lençol que cobria Bea e puxou-o para trás deixando-a a descoberto. Bea contorceu-se numa posição fetal a rir e Bill pegou num braço dela puxando-a, de forma a arrastá-la para fora da cama. Bea fez força para não se deixar ir e segurou-se na cabeceira com a mão que tinha livre. Ambos riam divertidos com a situação.

- Só te dou a outra prenda se vieres tomar banho comigo… - disse Bill chantageando-a ao mesmo tempo que se ria.
- Ahhhh… pois é! Estás a dever-me uma prenda! – disse Bea largando a cabeceira da cama e olhando para ele com um olhar excitado de uma criança.
- Interesseira! – disse Bill a rir.
- Tu é que disseste que tinhas duas prendas para mim…. Deixaste-me curiosa! – disse Bea rindo.

- Só ta dou se vieres tomar banho comigo… - disse Bill cruzando levantando uma sobrancelha.
- E eu só vou tomar banho contigo, se ma deres! – disse Bea a rir – E agora?
- Agora não me dás outra alternativa… vou ter de te dar a prenda… -
disse Bill cedendo aos desejos dela para que os seus se cumprissem também.

Bea sentou-se na cama de pernas cruzadas a ver Bill abrir uma das malas que tinha a um canto do quarto. A mala estava repleta de sapatos soltos, e num cantinho tinha uma caixa de sapatos em que Bill pegou. Sentou-se ao lado de Bea e esticou-lhe a caixa com um sorriso nos lábios, mas a expressão dos seus olhos estava um pouco reticente, como se assustada ou com medo da sua reacção. Bea gostava do Bill que conhecia, não achava muita piada ao Bill versão estrela de rock, com cabelo espetado, e um gosto um pouco mais arrojado que o normal para a roupa. Era o estilo dele, mas às vezes, havia uma ou outra peça de roupa que ela não sabia como é que ele era capaz de usar. Talvez por isso Bill estivesse nervoso ou preocupado com a reacção dela aos sapatos que lhe oferecia, mas Bea estava confiante de que ele tinha escolhido bem, utilizando o seu bom gosto, e que seriam os seus sapatos preferidos a partir daquele momento. Deu um beijo na boca de Bill e abriu a caixa de sapatos, pousando a tampa sobre a cama. Deixou-se ficar a olhar para o interior sem perceber ao certo o que aquilo era. Olhou para Bill e viu nele uma expressão séria e preocupada. Posou a caixa em cima da cama e tirou do seu interior um molho de folhas soltas. Deviam ser cerca de quinze folhas dobradas em três, como se fossem cartas. Bea sorriu sem perceber o que aquilo era e olhou para Bill que parecia impaciente e expectante por ver a reacção dela. Abriu uma folha e viu que estava contido nela todos os seus dados pessoais, e que se encontrava perante um bilhete de avião electrónico. Abriu a boca espantada e colocou a mão direita sobre a boca. Olhou para Bill com os olhos muito abertos, e viu-o tentar perceber se aquela reacção era de felicidade. Abriu as outras folhas e viu que todas elas eram bilhetes de avião. Traçavam um caminho que seria percorrido por Bill na tour. Olhou para ele sentindo o corpo estremecer.

- Quero-te ao meu lado… – disse Bill.

Bea olhou para ele e abraçou-o pelo pescoço. Apertou-o com toda a força que o seu corpo lhe permitia. Queria estar com ele, mais do que com qualquer outra pessoa no mundo inteiro. Não aguentava estar afastada dele tanto tempo. Sabia que o seu amor era eterno e que era forte, mas não queria ser assim tão forte, queria ceder e estar do seu lado. Beijou os lábios dele sentindo o coração palpitar a um ritmo descontrolado no seu interior.

- Isso quer dizer que sim? – pergunto Bill.
- Isto quer dizer que te amo… e que não estava nada à espera desta surpresa, pensei que fosse impossível tornares-me mais feliz do que já estava… Mas conseguiste! … Consegues sempre! – disse Bea emocionada.
- A tua felicidade também é a minha! – disse Bill sorrindo de forma carinhosa – Daqui a duas semanas vamos para os Estados Unidos e arranjei maneira de fazermos escala em Portugal para te levar connosco… diz que vens?
- Claro que vou… -
disse Bea sorrindo com uma felicidade incalculável no seu interior.

Saltou para cima dele, fazendo com que Bill caísse sobre a cama deitado, e colocou-se sobre ele dando-lhe beijos longos e morosos. Bill passou as mãos sobre as costas de Bea. Ia tê-la consigo… dois meses a viajar pela América do Norte, do Sul e pela Alemanha. O que mais podia querer? As próximas duas semanas iam ter de passar a correr, para poder estar novamente nos seus braços e viver uma lua-de-mel antecipada.

- Mereço ou não mereço que venhas tomar banho comigo? – perguntou Bill.
- Mereces tudo… - disse Bea levantando-se de cima dele e pegando na sua mão puxando-o.
- Hmmm… gosto disso… - disse Bill levantando a sobrancelha direita – Olha que vais ter de me aturar dois meses seguidos e eu depois posso usar isso a meu favor!
- Dois meses a acordar contigo a cantar e a puxar-me para o banho? –
perguntou Bea puxando-o em direcção à casa de banho.
- Dois meses bem compridos… – disse Bill a rir.
- … Vai saber a pouco! – disse Bea entrando para baixo do chuveiro e puxando-o até si.


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- O Bill diz que está um bocado atrasado… - disse Tom ao aproximar-se da grande mesa de pequeno-almoço preparada para os Tokio Hotel e a sua crew.
- Muito? – perguntou Jost.
- Não sei… - disse Tom.
- Ele é sempre o que demora mais… - disse Jost – Se não estiver cá em baixo às 8h30 a Nathalie vai lá fazer-lhe o cabelo e a maquilhagem antes que se demore mais. Ele que coma enquanto ela o prepara.

- Calma… Estás stressado hoje… -
disse Tom pegando no seu prato.
- Vocês têm de ir fazer o sound check às 16h e até lá têm entrevistas com a comunicação social. A primeira é já às 9h30! – disse Jost.
- Dá na boa. Ainda são só 8h… - disse Tom encaminhando-se para as mesas do pequeno-almoço para escolher aquilo que ia comer naquela manhã.

Olhava para a comida sem grande fome, mas a procurar encontrar algo que lhe despertasse vontade de comer. Optou por comer cereais. Pegou numa taça e estava a servir-se de leite quando ouviu Andreas e Dreia entrarem na sala a rirem. Pareciam muito íntimos e grandes amigos. Ela estava tão à vontade com ele como se o conhecesse desde sempre e ele fosse o seu melhor amigo de infância. Estranhou aquela reacção, mas manteve-se na sua vida a servir-se do leite e dos cereais. Passado pouco tempo viu Dreia dirigir-se para a mesa onde estava a vasta variedade de pães, doces, manteigas, queijos e fiambres, entre outros e foi até essa mesa. Cumprimentou-a com dois beijinhos, e reparou que ela estava bastante sorridente naquela manhã. Será que ela e Andreas…?

- Dormiste bem? – perguntou Tom.
- Muito bem… Estas camas são tão confortáveis! – disse Dreia – Só é pena ter de acordar tão cedo. Acabei por não dormir nada…

- O que é que andaste a fazer? –
perguntou Tom curioso.
- Passei a noite toda a falar com o Andi… - disse Dreia a rir pela conversa ter sido tão animada e divertida.
- A falar? – perguntou Tom levantando uma sobrancelha mostrando-se desconfiado.
- Sim… - disse Dreia servindo-se de pão.
- Falar deixa-te assim tão feliz? – perguntou Tom.
- Depende da conversa… - respondeu Dreia olhando para a gama de doces que tinha à sua frente.

- Ele também te emprestou uma t-shirt para dormires? – perguntou Tom.
- Não foi preciso… - disse Dreia olhando para ele a tentar perceber se aquelas perguntas era uma pontada de ciúmes.
- Claro que não foi preciso… - disse Tom desviando o olhar dela para a comida que estava na mesa.
- Pois não… - disse Dreia sorrindo por ver que Tom estava a ficar picado – Podias ter ficado a falar connosco ontem à noite, foi super divertido.
- Já percebi que sim… -
disse Tom com ciúmes da cumplicidade dela com Andreas – Mas tinha mesmo que dormir, hoje tínhamos de acordar cedo e vai ser um dia puxado e sem pausas…
- Foi muito giro! –
disse Dreia indo até à zona dos sumos buscar um sumo de laranja, vendo que Tom a seguia.

- E falaram sobre o quê? – perguntou Tom.
- Sobre a vossa tour, sobre experiências… - disse Dreia desfrutando – Temos muito em comum…
- A sério? –
perguntou Tom.
- Sim… - disse Dreia sorrindo a Tom e vendo que ele não se servia de nada, perguntou – Queres mais alguma coisa?
- Não… por agora vou só comer cereais… -
disse Tom.
- Então, vens para a mesa? – perguntou Dreia.
- Sim… - disse Tom encaminhando-se para a grande mesa destinada aos Tokio Hotel, sendo seguido por Dreia.

Sentou-se ao lado de Jost, e reparou que Dreia não se sentava ao seu lado. Sentava-se ao lado de Andreas que estava do lado de Nathalie. O que quer que tivesse acontecido naquele quarto, tinha sido muito estranho. Duvidava que uma conversa pudesse gerar uma amizade assim do nada, eles praticamente nunca se tinham falado e de repente não se largavam. Sentia um pouco de ciúmes por ver o seu amigo preferir estar sentado ao lado de Dreia, do que ao seu lado. Sentia um pouco de ciúmes ao ver que Dreia já não lhe ligava como antigamente. Gostava de saber que tinha as raparigas na mão, e esta parecia estar a fugir-lhe do alcance…

Bill entrava na sala de mão dada com Bea. Traziam um sorriso que não escondia a felicidade de nenhum dos dois. Foram direitos à mesa do pequeno-almoço e pegaram num prato enchendo-o de comida para reabastecer as energias que tinham perdido na noite anterior e naquela manhã. Trocavam beijos e carícias que espelhavam o afecto e amor que tinham um pelo outro. Quando se acabaram de servir, sentaram-se ao lado de Tom e deram os bons dias a todos.

- Isso é que é felicidade… - disse Nathalie sorrindo.
- Sim! – disse Bill com um sorriso rasgado – A Bea vem connosco para os Estados Unidos… ela aceitou!
- Vens connosco cunhadinha? Vais sofrer tanto no meio dos rapazes… -
disse Tom a rir.
- Ela não vai estar sozinha. Vai ter a Nathalie… - disse Andreas
- E a Dreia… se quiser… e se a Dreia puder… - disse Bill olhando para as duas.

Dreia abriu a boca espantada, e olhou para Bill como se a perguntar se o que ele dizia era verdade. Bill sorriu confirmando as suas dúvidas. Bea olhava para Bill espantada. Como é que era possível ele não parar de a surpreender?

- Não posso… não tenho dinheiro para isso… - disse Dreia – Mas posso lá ir ter convosco num fim de semana ou assim.
- És nossa amiga! Se te estou a convidar não é para pagares nada, fica por nossa conta! Só tens de te preocupar em convencer os teus pais a deixarem-te viajar connosco! –
disse Bill.

- Sim… até podes dormir no meu quarto se quiseres… – disse Andreas sorrindo.
- Ou no meu! - disse Tom piscando o olho a Dreia.
- Ohhhh… não posso aceitar… é muito tempo! Iam deixar de ter privacidade. Conviver dois meses com uma rapariga não é fácil… - disse Dreia ficando espantada com a reacção de Tom e Andreas.

- Mas podes ficar comigo… - disse Nathalie.
- Não te importavas? – perguntou Dreia.
- Não! – disse Nathalie sorrindo.
- Eu não acredito!!! – disse Dreia pensando que estava a sonhar. Fazer parte da tour dos Tokio Hotel com eles e com a sua melhor amiga. Poder assistir a todos os concertos. Conhecer a América de lés a lés sem pagar um tostão. Só podia ser mesmo um sonho, mas um daqueles sonhos em que esperava não acordar nunca - Vou telefonar aos meus pais assim que acabar o pequeno-almoço!
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Fev 23, 2009 10:08 am

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Bea estava na plateia do Pavilhão Atlântico a assistir ao sound check. O Pavilhão estava vazio. No palco estava Bill, Tom, Georg e Gustav, e de um lado para o outro andavam elementos da equipa técnica a preparar os últimos pormenores e a afinar os instrumentos para que tudo corresse bem naquela noite. Bea estava absolutamente derretida com o modo como Bill cantava. Os olhos dele brilhavam, a sua voz saia melodiosa e doce, as suas mãos gesticulavam e as suas expressões davam a entender que sentia cada palavra que era proferida. Bea nunca o tinha visto cantar ao vivo, parecia impossível, já o conhecia há dez meses e nunca tinha ido assistir a um concerto dos Tokio Hotel. Estava desejosa de ver o porquê de tanto entusiasmo com eles como banda ao vivo, mas sabia que independentemente da música, eram os seus amigos e o seu namorado que estavam em cima do palco, e isso iria tornar a experiência muito mais interessante, bem como, o facto de estar a vê-los pela primeira vez na sua cidade natal. Sempre que a música parava e ajustes eram feitos ao som e às luzes, ouviam-se os gritos entusiasmados dos milhares de fãs que esperavam à porta do Pavilhão Atlântico para entrar. As filas eram absolutamente colossais e estendiam-se à já uma semana.

Dreia estava sentada ao lado de Bea. Tinha assistido a alguns concertos dos Tokio Hotel em Nova Iorque, incluindo o primeiro concerto após a operação de Bill às cordas vocais, no festival de Bamboozle. Era uma fã incondicional deles, mas já não os via tocar a mais de um ano. Sentia falta daquela energia e daquele nervosismo que sentia sempre que os via em cima do palco. Nem acreditava que estava realmente ali. Nunca na sua vida, tinha pensado que um dia teria a oportunidade de assistir a um sound check deles, muito menos na condição de sua amiga. E agora que sabia que ia andar em tour com eles pelo pais que a vira crescer, sentia uma alegria e felicidade que não conseguia conter dentro de si. Estava a viver o sonho de qualquer rapariga. Era uma sortuda. Observava o modo como Bill cantava para Bea e sorria, eles estavam realmente apaixonados, pareciam cola. Desejava que alguém naquele palco tocasse ou cantasse para si com aquela garra e paixão que via espelhada nos olhos de Bill. Olhou para Tom e viu-o absorto a tocar guitarra e a falar com Georg. Porque é que Tom não podia ser mais parecido com o seu gémeo?

No fim do sound check, Bea e Dreia tiveram de ir para o camarim dos rapazes, já que ia começar o Meet & Greet com as fãs, e elas não podiam ser vistas ao pé deles para não criar problemas. O Meet & Greet teria a duração aproximada de 10 minutos, Bea e Dreia sentaram-se num dos sofás do grande camarim que estava destinado aos Tokio Hotel a conversar.

- Eu acho que o Tom ficou com ciúmes de eu ter dormido no quarto do Andi – disse Dreia a sorrir.
- É capaz… ele deve ter pensado que aconteceu alguma coisa entre vocês – disse Bea – Sabes que com o Tom é quase impossível não acontecer nada numa situação dessas…
- Sei… nem que seja em sonhos… –
disse Dreia a rir recordando a noite em que eles tinham partilhado o sofá da sala de Bea.
- Mas deixa-o pensar que aconteceu alguma coisa… Ele que fique com ciúmes! É bem feita, para ver que não manda em ti, e para perceber o valor que tens e o que ele anda a perder! - disse Bea muito confiante.

- Ele bem pode rastejar aos meus pés que quem não quer nada com ele agora sou eu… - disse Andreia.
- Por incrível que pareça até acredito no que dizes… - disse Bea espantada – É esquisito ver-te dizer isso do Tom, mas é bom!

Dreia respirou fundo e sorriu. Talvez não pudesse garantir a 100% que seria capaz de resistir a Tom, mas por o menos já o via como um amigo e isso facilitava o processo de esquecimento. Sentia-se estranhamente nervosa. A sua vida tinha mudado tanto desde que tinha ido viver para Berlin com os seus pais, nem acreditava que estava prestes a ver e ouvir os Tokio Hotel ao vivo em Lisboa, no país que a tinha visto nascer. Sentia uma mistura de sentimentos. Se por um lado estava totalmente à vontade ao pé deles enquanto amigos, por outro, quando via Bill de cabelo em pé a assumir a pose de vocalista dos Tokio Hotel, sentia um nervosismo na sua barriga. Estava perante os seus ídolos. E aquela noite era a primeira de muitas que se avizinhavam repletas de nervosismo. Será que no fim da tour se sentiria mais calma por os ver ao vivo, ou continuaria a sentir o seu corpo descontrolado e nervoso? Não tinha fome, não tinha calor, não tinha sede, nem nada. O seu corpo estava adormecido e tudo o que pedia era para os ver ao vivo uma vez mais.

- Posso-te ser sincera? – perguntou Bea.
- …Claro! – disse Dreia que estava perdida nos seus pensamentos.
- Fico mesmo contente que venhas comigo na tour, vai ser óptimo ter-te do meu lado… Mas detesto a ideia de dormires no quarto da Nathalie! Ela não é de confiança… se ela te deixar na mão ou fizer alguma coisa, nem sei o que lhe faço! – disse Bea.
- Achas? – perguntou Dreia – A Nathalie é fixe… vai correr tudo bem!
- Fixe??? Existem imensas palavras que definem a Nathalie, mas fixe não é uma delas… -
disse Bea.
- Dizes isso porque és pior que o Bill… Vocês os dois são uns ciumentos… – disse Dreia a gozar com a amiga – Vais ver que corre tudo bem!
- Estou para ver isso… -
disse Bea desejosa para que Nathalie lhe desse razões para se chatear. Ao menos agora ia poder estar de olho nela o tempo todo.


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- 10 minutos! – gritou Tobi.

Bill andava de um lado para o outro do camarim de olhos fechados. Bea assistia ao modo como ele aquecia a voz, esforçando-se para atingir cada vez notas mais altas Sentia-se nervosa, por si e por ele. Olhava à sua volta e via Tom sentado num sofá a bater o pé freneticamente no chão com uma guitarra ao colo. A sua cara tinha uma expressão nervosa e atenta, nunca o tinha visto assim tão nervoso, nem nunca tinha pensado que ele se deixasse levar tanto pelo nervosismo antes de um concerto, parecia sempre tão seguro de si mesmo. Via Gustav a fazer aquecimentos, preparando os músculos das pernas e braços para duas horas de pura adrenalina e muito ritmo, parecia excessivamente calmo e confiante ao contrário dos gémeos e de Georg que dobrado no chão em cócoras com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça enterrada entre as mãos fazia exercícios de respiração para se acalmar. Olhou para Dreia e viu uma expressão diferente nos seus olhos. Olhava fixamente para Tom e exibia nos seus olhos uma expressão nervosa e preocupada, como se estivesse a viver tudo aquilo que Tom sentia.

Levantou-se e foi ter com Bill, não aguentava aquela pressão e aquele nervosismo todo à sua volta. Bill abraçou-a com força. Bea sentiu o corpo dele estremecer ligeiramente. Olhou para os olhos de Bill e o modo como os seus lábios entreabertos respiravam de forma um pouco descontrolada e achou-o sedutoramente atraente. Há quatro anos que ele subia para o palco em frente a plateias tão grandes ou maiores que a que o aguardava no Pavilhão Atlântico e no entanto, apresentava-se tão nervoso como se, se tratasse do primeiro dia em que se apresentava ao público com a sua banda. Sorriu-lhe e recebeu em retorno um sorriso contido. Voltou a abraçar Bill e a depositar-lhe um beijo demorado e sentido nos lábios, um beijo que carregava nele a força do seu amor e a coragem que sentia que ele estava a precisar naquele momento.

Bill chamou Tom, Gustav e Georg para o centro da sala. Colocaram os braços em cima dos ombros uns dos outros, em forma de abraço e desejaram boa sorte, dando de seguida o seu grito de guerra, cada qual de maneira diferente.

- 5 minutos! – gritou Tobi para os avisar.

Bill foi ter com Bea e voltou a abraçá-la.

- Deseja-me boa sorte… - pediu Bill nervoso.
- Boa Sorte leão! Rock on… - disse Bea piscando-lhe o olho.
- Estou tão nervoso hoje… - disse Bill abraçando-a.
- Não tens razões para isso… - disse Bea apertando o corpo dele contra o seu - Vai lá e mostra aos portugueses o poder do rock alemão!

- Hoje a sala está vazia… só te vou ver a ti… -
disse Bill beijando-a – Vou cantar para ti… Nem acredito que me vais ouvir pela primeira vez…
- Quem não acredita sou eu… vai correr tudo bem! A vossa fama tem de vir de algum lado, e não é só da tua cara bonita… -
disse Bea sorrindo e abraçando novamente Bill para tentar acalmá-lo um pouco.
- Amo-te schatzi! – disse Bill tomando a cara de Bea nas suas mãos e beijando-a de forma apaixonada.

Tom esfregava as mãos com força uma na outra. Ajeitava o boné. Puxava as calças para cima. Aclarava a voz e dava pequenos pulinhos preparando-se para sair do camarim em direcção ao palco. Os seus olhos cruzaram-se com os olhos de uma gata de um verde vidrado. Dreia sorriu-lhe, num gesto que lhe dava força e apoio para o concerto. Tom expeliu a quantidade de ar que tinha contida no seu interior pela boca, soprando e sorriu-lhe em resposta. Acenou-lhe com a cabeça num gesto que transmitia que a força tinha chegado ao seu destinatário e era bem-vinda.

- Vamos… - disse Tobi abrindo a porta do camarim para que eles saíssem.

Bea deu a mão a Bill e sentiu a força com que ele a apertava. Saíram os dois do camarim de mão dada. Bea olhava para ele impressionada. Estava tão nervoso e tão atraente, gostava daquele Bill. O Bill vulnerável e concentrado em dar o seu melhor sentindo o nervosismo todo à flor da pele. Acarinhou a mão dele com o seu polegar dando-lhe força para aquilo que se ia passar dentro de minutos. Estava feliz, era capaz de se imaginar ao lado dele a apoiá-lo e a acalmar o seu nervosismo para o resto da vida. Olhou para trás e reparou que o resto da banda vinha atrás deles, com uma expressão concentrada e focada no trabalho que iam realizar. O trabalho que lhes dava tanto prazer. Reparou que Dreia ia atrás de Georg com Andreas e Nathalie. Ninguém falava, estavam todos concentrados naquilo que se ia passar dentro de instantes. Chegaram ao palco. Bea e Dreia iam ver o concerto ali mesmo. Andreas e Nathalie iam voltar para o camarim. Bill ia ficar com elas até ser altura de tomar o palco de assalto. Gustav e Georg passaram por eles. Bea e Dreia deram dois beijinhos a cada um e desejaram boa sorte. Subiram para o palco e ocuparam o local que lhes era devido. Tom preparava-se para subir as escadas que davam acesso ao palco quando Bea o segurou por um braço e abraçou-o.

- Boa Sorte Tom… – disse Bea dando-lhe um beijo sentido na bochecha direita.
- Obrigado… - disse Tom abraçando a cintura de Bea e retribuindo o beijo que ela lhe tinha dado.

- Boa Sorte… - disse-lhe Dreia sentindo um nervosismo enorme na sua barriga.
- Obrigado… - disse Tom olhando para Dreia e sorrindo debilmente.

Dreia foi até Tom e sorrindo depositou-lhe um beijo igual ao de Bea na bochecha esquerda. Não queria entrar em contacto demasiado intimo com ele, mas precisava de lhe tocar. Sentia o seu corpo pedir pelo dele, as suas mãos queriam experimentar aquele Tom diferente e fragilizado que tinha diante dos seus olhos, como se um hímen se apoderasse de si naquele momento e a impelisse com uma força impossível de controlar em direcção ao corpo dele. Sentiu a mão firme e grande de Tom ladear a sua cintura e puxá-la até ele e quando o seu corpo embateu contra o dele sentiu os lábios carnudos e metálicos de Tom beijarem a sua cara. O cheiro dele, a firmeza e segurança do seu beijo, o toque das rastas dele sobre o seu corpo, a consistência dura do seu piercing, a convicção da sua mão faziam daquele beijo, um beijo de Tom. Sentiu-se estremecer e não conseguiu conter o impulso de o abraçar e desejar uma vez mais boa sorte ao seu ouvido. Tom sorriu. Afastou-se do corpo dela e subiu as escadas em direcção ao seu lugar.

Bea assistiu àquela cena impressionada. Nunca tinha visto Dreia e Tom tão íntimos desde que tinham acabado. Seria possível que a amizade estivesse finalmente a florescer entre eles? Esperava que sim…

- Boa Sorte Bill! – disse Dreia abraçando-o e depositando-lhe um beijo de boa sorte na bochecha direita.
- Obrigada Dreia… - disse Bill abraçando-a e beijando-a de volta – Espero que gostes!
- Eu sei que gosto! – disse Dreia entusiasmada e nervosa com o inicio do concerto. O som no Pavilhão Atlântico era ensurdecedor, não sabia como é que o som dos instrumentos e da voz de Bill conseguiriam passar os decibéis das suas fãs.

Os primeiros acordes começaram a fazer-se ouvir. Bill olhou para Bea com uma expressão profunda e doce nos olhos. Beijou-a uma última vez e abraçou o corpo dela sussurrando-lhe ao ouvido.

- Tu e a música foram a melhor coisa que me aconteceu na vida. Ter-vos às duas juntas faz com que esta noite seja perfeita… - disse Bill sorrindo-lhe.

Bea ficou sem reacção. Queria retribuir as palavras dele, dizer-lhe que sentia exactamente o mesmo por ele, mas antes que conseguisse dizer algo assistiu a Bill subir as escadas que davam acesso ao palco e a entrar nele com uma energia que não mostrava de todo o nervosismo e insegurança que sentia naquele momento. Corria de uma ponta a outra do palco cantando com uma voz determinada e agressiva para acompanhar os acordes ásperos que se faziam ouvir em todo o Pavilhão Atlântico. Quando a primeira música acabou, o barulho das palmas, gritos e assobios dos fãs dos Tokio Hotel era ensurdecedor. A energia que se vivia naquela sala de espectáculos era inacreditável. Bea sentia os pelos dos braços e do pescoço levantar. Estava totalmente arrepiada e rendida à força que eles tinham em palco. Estava totalmente rendida àquele vocalista que comunicava com o público de todas as maneiras possíveis, que sentia a música e a transmitia com intensidade na sua voz, nos seus gestos, na maneira como dançava, na expressão dos seus olhos. Acabava de ser apaixonar novamente, desta vez por Bill Kaulitz, o vocalista dos Tokio Hotel.

Bill olhava para o público colocando uma mão sobre os olhos a tapar as luzes que incidiam sobre ele, para que pudesse ver aqueles que naquela noite se juntavam aos Tokio Hotel para comemorar o poder da sua música. Mordia o lábio inferior sorrindo para o público ao mesmo tempo que lia alguns dos cartazes que algumas fãs levantavam. Olhou em redor e reparou que a sala estava cheia, o público receptivo e a energia ao rubro.

- Lizbouaaaa! – gritou Bill a puxar pelo público recebendo uma resposta ruidosa que o fez sorrir.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Fev 23, 2009 10:08 am

Ouviu Gustav dar os primeiros acordes da música que se seguia e foi até Tom. Colocou uma mão sobre o ombro do irmão enquanto olhava para ele a tocar e dançava. Olhou para as escadas de onde tinha subido e viu Bea com uma expressão enternecida a olhar para si. Sorriu-lhe e começou a cantar fechando os olhos de forma a sentir cada palavra intensamente a ecoar dentro de si. Correu até meio do palco e nos seus olhos via-se uma expressão apaixonada pela música, uma expressão intensa que vibrava com a energia que o público lhe transmitia, com a energia que Bea lhe transmitia, com a energia que os seus companheiros de banda lhe transmitiam, com a energia que sentia brotar dentro de si.

Cantava para ela, por ela e a pensar nela. Cada palavra era sentida ao mais ínfimo pormenor, cada palavra recordava-lhe um momento em que junto dela tinha sido feliz, cada palavra almejava o momento em que ia poder estar com ela novamente, em que cruzariam o seu futuro, em que viveriam a sua paixão.


Uma hora e meia depois, os Tokio Hotel abandonavam o palco. Bill foi o primeiro a descer as escadas e lançar-se nos braços de Bea. Estava totalmente encharcado em suor, mas morto por sentir os lábios dela sobre os seus. Bea esperava por aquele momento à hora e meia, abraçou-se ao corpo suado de Bill e beijou-o entrelaçando a sua língua na dele, num beijo selvático e apaixonado que o desejava possuir ali mesmo em frente de todos. Bill bebeu água e limpou parte do suor que tinha no seu corpo. Mudou de roupa à frente dela, provocando em Bea uma vontade enorme de se dar, ao ver o corpo dele ofegante e suado, e aproveitou o resto do tempo que tinha até voltar ao palco para o encore, nos braços dela, a libertar a excitação e energia que sentia contida dentro de si e que necessitava de libertar.

Gustav fazia alongamentos. Georg limpava o suor e bebia água, tal como Tom, que estava particularmente enérgico naquela noite. Andava de um lado para o outro do palco e violava a sua guitarra branca mais que uma vez durante o concerto com agressividade, sentindo cada movimento da sua pélvis em direcção a ela. Estava com a energia à flor da pele, sentia-se excitado e com vontade de exteriorizar aquilo que sentia. Tocava guitarra com força e dedicação, cantava as vozes de fundo com devoção e quando sentia picos de energia muito altos mandava um grito para o meio da multidão para a libertar do seu interior. Quando acabou de beber água, olhou para o irmão e viu-o nos braços de Bea. Desejou ter alguém que o beijasse. Alguém em quem pudesse descarregar a excitação que sentia consumir o seu interior, e lembrou-se de Dreia, mas ela estava com Gustav a ajudá-lo a alongar os músculos das pernas. Sentia uma vontade enorme de fazer sexo. Precisava de sexo, estava demasiado excitado para o encore que se esperava calmo. Dreia olhou para ele e sorriu, na cabeça passaram-lhe uma quantidade infindável de fantasias, mas lembrou-se que ela era sua amiga, e que na condição de amigo não a devia desejar tanto quanto desejava naquele momento. Ele queria sexo, com ela ou com qualquer outra rapariga que lhe aparecesse à frente naquele momento, estava sem dúvida no modo Sex Gott. Queria prazer.

Tom e Bill voltaram a entrar em conjunto para cantarem a primeira parte do encore em acústico. No Pavilhão Atlântico soava apenas a voz de Bill ao som da guitarra acústica de Tom. A acompanhá-los, soavam milhares de vozes que enchiam o Pavilhão Atlântico em uníssono. Bill segurava no microfone com gentileza, inclinava-se sobre ele, numa dança com aquele objecto, como se fizesse amor com ele. Naquela noite, o microfone era Bea, e ele beijava-o, provocava-o, envolvia-se nele e fazia amor com ele perante o olhar atento das suas fãs portuguesas. Cada palavra que saia da sua boca era uma dedicatória de amor para ela…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Fev 23, 2009 10:08 am

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De volta à solidão.
De volta à tristeza.
De volta à falta, à saudade, à dor que corrói a alma e não desvanece.

Bill tinha partido na noite após o concerto no Pavilhão Atlântico em direcção a Atenas, a capital da Grécia. A tour continuava pela Europa por mais duas semanas, até se mudarem para o continente americano. Não tinha conseguido despedir-se de Bill como desejava. A confusão de fãs à porta do Pavilhão Atlântico, do Pestana Palace, do Aeroporto de Lisboa, e a falta de tempo que tinham para sair do país, tinha dificultado a despedida entre Bea e Bill. Dreia tinha partido no dia seguinte ao concerto. Tinha de regressar a Coimbra, como estava combinado, para casa dos seus avós, onde iria passar as próximas duas semanas na companhia deles, para depois regressar a Lisboa e seguir rumo para Nova Iorque, a cidade que a tinha visto crescer.

A semana já ia a meio. Na cabeça de Bea corriam imagens de quão perfeita tinha sida a passagem de Bill por Lisboa, de quão perfeita era a presença dele em palco, e de como afinal de contas era capaz de gostar dos Tokio Hotel. Depois daquele concerto cheio de energia e vitalidade, era capaz de se afirmar uma fã. Fã do seu namorado, do seu cunhado, dos seus amigos e da sua música. Sentia a saudade arrebatar o coração, como se aqueles dois dias vividos ao lado de Bill não passassem de um sonho, bom demais para ser realidade. Ainda não acreditava que tinha realmente estado com ele. Olhou para o seu pulso e viu nele a pulseira que Bill lhe tinha oferecido. Passou o indicador sobre os dois Bs que habitavam ao lado do fecho e sorriu, era o presente mais bonito e com mais significado que alguma vez lhe tinham dado. Era como um tesouro, ia tratá-la como tal para o resto da vida.


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Existiam inúmeras diferenças entre Portugal, Estados Unidos e Alemanha. O que mais gostava em Portugal era das pessoas, da segurança, da comida, do modo como toda a gente a compreendia e de estar com a sua família. Para Dreia Portugal era sinónimo de liberdade, poder sair com os seus primos para todo o lado, chegar tarde a casa, e aproveitar ao máximo o bom tempo para fazer muita praia e piscina.

Mantinha a cabeça ocupada com todas as actividades que exercia no seu dia a dia, mas não conseguia tirar da cabeça o sonho que ia viver dentro de uma semana e meia. Tinha contado aos primos que ia viajar com um grupo de amigos para a América, mas não tinha tido coragem de contar a verdade, como por exemplo: quem eram os seus amigos, o tempo que ia ficar por lá, as viagens que ia fazer, as cidades que ia conhecer. Sabia que se contasse que ia em tour com os Tokio Hotel, eles ou não iriam acreditar na sua palavra ou então aproximar-se-iam dela (mesmo que não sendo pensado ou com intenção) para chegar mais perto deles. Agora era assim, vivia uma vida secreta. Mas não se importava, nem trocava a sua vida por nenhuma outra. Ia aproveitar ao máximo a semana e meia que ainda lhe restava em Coimbra, sabia que o dia de regressar a Lisboa estava próximo, e que com esse dia viveria novamente um reencontro emocionado com os seus amigos com quem partia para a aventura. Gostava daquela sensação, de ir à aventura. No entanto, sabia que tinha de ter muito cuidado, o facto de estar a viajar com os rapazes fazia com que qualquer aparição em público com eles pudesse dar origem a um boato que lhes podia trazer problemas com as fãs, por isso teria de se manter sempre distante deles sempre que eles saíssem à rua. Mas ia valer a pena…

Sentia-se impaciente.
Sentia-se expectante.
Sentia-se repleta de uma felicidade arrebatadora, de desejos e de um sentimento de pertença como se estivesse destinada ao que a aguardava.


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De volta à paz.
De volta ao sossego.
De volta ao descanso e ao conforto de um dia sem obrigações nem responsabilidades.

As entrevistas tinham acabado. Tom estava sentado na cama do quarto de Gustav a jogar playstation. A Finlândia era um sítio lindo, mas depois de ter passado por Espanha, Portugal e Grécia, era um sítio demasiado frio (mesmo em pleno Verão) para andar a passear pela cidade como Georg e Bill faziam. Preferia ficar no quentinho do hotel a aventurar-se pelas ruas de Helsínquia. Tinha o resto do dia livre e não tencionava sequer por um pé fora do hotel. Andava cansado com as viagens, os concertos, as entrevistas de rádio, televisão e imprensa. Andava farto dos paparazzi, das sessões de autógrafos, dos Meet & Greet e da perseguição das fãs que não o deixavam sair à rua em paz, como uma pessoa normal. Não que ele não gostasse do tipo de vida que levava, mas às vezes aquela azáfama fartava, e em dias como aquele em que podia parar para descansar sentia necessidade de se alienar do mundo e da fama e ser somente Tom, um rapaz normal que gostava de ficar em casa a curtir a preguiça a jogar playstation.

- Tenho fome… - disse Tom pousando na cama o comando da playstation ao ser derrotado mais uma vez por Gustav.
- Queres sair para comer alguma coisa? – perguntou Gustav com um sorriso na cara por sair uma vez mais vitorioso no confronto com Tom.
- Não me apetece sair… - disse Tom deitando-se sobre a cama de Gustav.

- És tão preguiçoso Tommi! - disse Gustav a rir-se.
- A preguiça é minha amiga… - disse Tom sorrindo – Podíamos encomendar qualquer coisa para comer no quarto!
- Por mim… -
disse Gustav pegando na carta do restaurante para ver o que havia no menu – Peixe cru…. Peixe fumado…. Peixe com legumes…. Peixe… Peixe…. E mais peixe…
- Estou a ver que a decisão vai ser fácil…. –
disse Tom torcendo o nariz a tanto peixe junto.

- Encomendamos uma pizza? – perguntou Gustav a sorrir.
- Pede logo duas… estou cheio de fome! – disse Tom sentando-se novamente na cama e pegando no comando da televisão para fazer zapping.
- Ah pois é… já me esquecia que tu precisas de muita energia para logo à noite… - disse Gustav a rir-se.
- Nem por isso. Não tenciono fazer nada que gaste energia hoje… - disse Tom mudando de canal à procura de um canal alemão.

- Não? – perguntou Gustav espantado.
- Não… hoje sou só eu e a minha preguiça… - disse Tom.
- Então e as finlandesas que estão desejosas de experimentar o Sex Gott? – perguntou Gustav a rir – Está tanto frio, elas iam adorar aquecer-te!
- Eu sei… mas vai ter de ficar para uma próxima vez, hoje o Sex Gott está de folga para tudo e todos… -
disse Tom parando num canal finlandês que dava um talk show onde a apresentadora exibia umas longas pernas, descobertas por uma mini saia azul eléctrica e um decote até ao umbigo que mostrava uns seios fartos e apetecíveis – Quer dizer… se ela quisesse juntar-se à minha preguiça, acho que o Sex Gott ainda dava cartas na Finlândia…
- Gostava de ver isso… -
disse Gustav a rir.

- Gusti… sabes que não gosto de voyers… - disse Tom a rir.


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- Adoro o teu anel… - disse Nathalie pegando na mão de Bill e aproximando-a da sua cara para ver mais de perto o anel que Bill tinha comprado.
- É lindo… - disse Bill sorrindo, feliz com a compra que tinha acabado de fazer.
- Importas-te que compre um igual? Ele é mesmo bonito… – perguntou Nathalie.
- Claro que não… - disse Bill sorrindo e tirando o anel do seu dedo estendendo-o a Nathalie para que ela o experimentasse – Eu acho é que é uma peça única, mas experimenta…

Nathalie tirou o anel da mão de Bill e experimentou-o no seu dedo. Era lindo. Ficava perfeito na sua mão. A mistura do preto e do prateado pareciam iluminar ainda mais as suas unhas pintadas da cor preta. Olhou para Bill e sorriu, estendeu-lhe a mão abanando os dedos à frente dos seus olhos.

- Obrigada! – disse Nathalie sorrindo na brincadeira com Bill.
- Querias! – disse Bill a rir assaltando a mão de Nathalie e tirando-lhe o anel, colocando-o de volta no seu dedo.

Georg aproximou-se da mesa onde Bill e Nathalie estavam sentados e pousou os três cappuccinos na mesa, sentando-se de seguida.

- Está mesmo frio… - disse Georg aquecendo as mãos na chávena – Voltamos para o hotel a seguir?
- Sim. Quero ver se telefono à Bea daqui a um bocado… -
disse Bill bebendo um gole do seu cappuccino.
- A tua vida agora anda ao ritmo da vida da Bea! – disse Nathalie.

- Que exagerada… - disse Bill franzindo a testa.
- Exagerada? Quem é que a convidou para vir em tour connosco? – perguntou Nathalie – Tens noção que vai ser um perigo tê-la connosco, vão andar a seguir-nos para todo o lado quando descobrirem que ela está contigo?
- E? –
perguntou Bill
- Ainda não saiu nenhuma foto vossa juntos… mas prepara-te porque quando alguém vos apanhar, não vos larga mais… - disse Nathalie.

- E? – perguntou novamente Bill levantando a sobrancelha direita indignado.
- E é isso que queres? Ser perseguido? – perguntou Nathalie – Acho que não foi boa ideia tê-la convidado…
- Nós já somos perseguidos para todo o lado, qual é a diferença? –
perguntou Georg – Quando arranjar uma namorada também vou querer que ela venha comigo em tour e não vou deixar de a convidar pelo que a comunicação social possa dizer sobre isso. Se o Bill já assumiu o namoro há meses, porque é que não há-de ser visto com ela em público?
- Sim… é normal que estejamos juntos… Ela é minha namorada! -
disse Bill como sendo a coisa mais lógica e irrefutável a face da Terra.

- Tu é que sabes, mas acho que é muito arriscado. As fãs vão ficar chateadas… - disse Nathalie bebendo um gole do seu cappuccino.
- As fãs não têm nada se ficar chateadas. O Bill tem direito a ter uma namorada e de estar com ela. Se as fãs se importarem tanto com a vida privada dele ao ponto de não ouvirem a nossa música por causa disso, bem que podem não ir aos concertos… não fazem falta… - disse Georg que não gostava de atitudes extremistas.
- Pois… é porque não são fãs verdadeiras… - disse Bill completando o raciocínio de Georg.

- E estás disposto a perder fãs por causa da Bea? – perguntou Nathalie impressionada.
- Perder? – perguntou Bill espantado – Mas é preciso perder alguém só porque tenho namorada?

- Sabes bem que vais perder muitas fãs… -
disse Nathalie.
- Eles andam juntos à meses, as fãs já tiveram tempo para se habituar à ideia… - disse Georg.
- Mas nunca viram provas concretas. Nunca os viram juntos… - disse Nathalie.
- Há sempre uma primeira vez para tudo… - disse Georg defendendo o amor de Bill e Bea a todo o custo. Era um romântico incurável e esperava um dia encontrar a sua Bea e poder viver com ela todo o amor que via espelhado nos olhos dos Bs.

- O que é que queres que eu faça? Que deixe de viver? Que me esconda e viva uma farsa? – perguntou Bill – Eu não sou assim… seria incapaz de não estar com ela por um capricho de marketing, ou por perder, ou ganhar mais fãs por causa disso. Eu gosto da Bea e se depender de mim, ela vai estar ao meu lado para sempre…
Sentia-se injustiçado.
Sentia-se preso a um estereótipo da sociedade.
Sentia-se amado e cheio de vontade de amar, contra tudo e todos, com força de enfrentar quem se opusesse à razão que ditava o seu coração.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Fev 23, 2009 10:10 am

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Sentia o coração nas mãos. Estava a dois dias de se encontrar com Bill, e a um dia de se encontrar com Dreia. Uma bomba tinha rebentado. Explodido no interior do seu peito como se quisesse consumir toda a felicidade que a proximidade de Bill lhe trazia. Ficou sem reacção. Não queria acreditar. Não podia acreditar. Não havia provas concretas, mas haviam fotos… fotos bastante íntimas e reveladoras. Não conseguia acreditar que Bill lhe pudesse ter feito aquilo. Ele não seria capaz de a trair daquela forma. Sentiu duas lágrimas rolarem sobre a sua cara, e os seus olhos ficarem pesados. Queria desaparecer, cancelar a viagem, fechar-se em casa e nunca mais sair. Dava graças a Deus por ter sido recusada a sua transferência para a Humboldt, seria uma tortura ter de viver um ano inteiro revivendo os momentos felizes que tinha vivido naquela cidade. Bill era igual ao irmão. Aliás, era pior que o irmão, porque ao menos Tom fazia tudo às claras, assumia-se como mulherengo. Bill não, andava com ela e fingia-se muito apaixonado, declarando o seu amor aos sete ventos, mas nas costas, quando ela não estava do seu lado, era infiel e não era de confiança. Estava destroçada, devastada, arrasada, danificada. Uma vez mais tinha depositado todo o seu amor em alguém que a traía de forma tão cruel. Talvez não devesse confiar tanto nas pessoas. Talvez ninguém merecesse o seu voto de confiança. Tinha caído uma segunda vez no mesmo erro…

Bea ergueu a cabeça e limpou as lágrimas que escorriam na sua cara, tentando acalmar-se. Ele não merecia. Ninguém capaz de a trair merecia as suas lágrimas. Tinha aprendido a sua lição. Ele não era perfeito. Ninguém é perfeito, e Bill estava longe da perfeição. Era falso, mentiroso, um traidor igual a todos os outros. Como é que ele tinha tido coragem de lhe fazer aquilo? E logo com Nathalie, a sua inimiga número um. Apetecia-lhe matar Bill… apetecia-lhe matar Nathalie.

Pensou nele… amava-o tanto. Tinha-lhe dado tudo, talvez tivesse sido esse o seu problema. Imaginou-o nos braços de Nathalie e não conseguiu conter as lágrimas que espreitavam nos seus olhos, por imaginar ele a beijá-la, a abraçá-la, a cantar para ela como lhe fazia. Imaginava-a a percorrer o corpo dele com as suas mãos, com os seus lábios, a possuir a sua estrela, a experimentar os seus vincos. Colocou ambas as mãos sobre a cara e enrolou-se sobre a sua cama. Sentia uma raiva imensa no seu interior, desejava poder nunca o ter conhecido. Nunca ter conhecido a perfeição. Como é que ia viver, sabendo que nunca poderia alcançar novamente a felicidade plena? Sabia-o. Bill tinha sido tudo aquilo que ela julgava não existir, agora sobravam as cinzas daquele amor, e uma história para contar de como tinha sido feliz em tempos. Se ao menos nunca o tivesse conhecido…

Ouviu o telemóvel tocar pela terceira vez. Era ele. Sentiu um aperto no coração. Não queria falar com ele. Recusava-se a atender o telefone a alguém que lhe tinha feito aquilo. Só lhe tinha pedido uma coisa, desde o início do seu namoro: que ele lhe dissesse no dia em que deixasse de gostar de si. Já tinha sido enganada tempo demais, mas pelos vistos, era a sua sina… Tirou a pulseira que Bill lhe tinha oferecido nos anos e mandou-a contra a parede do seu quarto.


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- Estou a ficar preocupado com a Bea… é a terceira vez que lhe telefono e ela não atende… - disse Bill com um ar preocupado, desligando o telefone.
- Não deve ser nada… - disse Tom.
- Não… ela não costuma fazer isto… passasse alguma coisa… - disse Bill impaciente por não conseguir falar com ela.

Bill ouviu bater à porta do seu quarto. Levantou-se da poltrona onde estava sentado e foi até à porta. Ao abrir viu Gustav com uma cara apreensiva e ficou preocupado.

- O que é que foi Gusti? – perguntou Bill a ver Gustav entrar no seu quarto e a ir ter com Tom e Georg dizendo-lhes algo que não conseguiu perceber o quê. Fechou a porta do quarto e foi até eles – O que é que se passa?

- Não te passes… -
disse Gustav passando a Bill a revista que tinha encontrado na entrada do hotel.

Bill pegou na revista e na capa estava uma fotografia dele com Nathalie em Helsínquia, sentados num café. Ambos sorriam entretidos com a brincadeira de Nathalie a tentar roubar-lhe o anel. Bill segurava na mão dela tirando-lhe o anel do dedo. Como título podia-se ler “Paixão em Helsínquia – Bill Kaulitz tem novo amor”. Bill sentou-se na cama perplexo. Não podia ser. Abriu a revista e procurou o artigo. Lá dentro viu diversas fotografias dele e de Nathalie a sorrirem, de mãos dadas, e legendas que davam ênfase aos sorrisos cúmplices, e ao facto de Bill ter trocado de namorada recentemente e andar envolvido com uma mulher mais velha.

- Scheisse… - disse Tom largando tudo e colocando-se atrás do irmão para ler a noticia.
- Pois… - disse Gustav preocupado com a reacção de Bill.
- … Mas isto é tudo mentira! – disse Bill sem saber como reagir.
- As fotos parecem bem convincentes… - disse Tom – Só falta mesmo o beijo!
- Scheisse… -
disse Bill transtornado.

- Eu estava lá… porque é que não apareço? – perguntou Georg.
- Foi quando foste buscar os cappuccinos… - disse Bill de boca aberta – Assim até parece que estava a ter um encontro romântico com ela…. Eu não acredito! Scheisse... Scheisse… Scheisseeeee….

- … Achas que a Bea já viu a revista? –
perguntou Tom agora sim preocupado com o facto dela não ter atendido o telemóvel ao irmão.
- … Eu não acredito! – disse Bill levantando-se e mandando a revista para cima da cama com violência. Passeou-se de um lado para o outro do quarto com as mãos na cabeça sobre o olhar atento dos amigos que não conseguiam proferir uma única palavra ao vê-lo naquele estado.

Sem avisar, Bill pegou no telemóvel e telefonou a Dreia.

- Estou? – atendeu Dreia.
- Estou Dreia. Tudo bem? – perguntou Bill.
- Tudo e contigo? – respondeu ela contente. Estava a fazer a mala para ir para Lisboa ter com Bea.
- Tudo mal… saiu uma noticia minha com a Nathalie, a insinuarem que nós temos um caso e que ela é a minha nova namorada … - disse Bill directamente.
- Que estupidez… - disse Dreia largando a roupa que tinha na mão e sentando-se na cama – Porque raio é que haveriam de inventar uma coisa dessas?

- Porque nos apanharam a tomar café juntos, entre “sorrisos e olhares cúmplices” segundo a revista… –
disse Bill.
- Que cena… - disse Dreia impressionada.
- Dreia preciso que me faças um favorzão… - disse Bill andando de um lado para o outro do quarto sem conseguir parar um segundo quieto – Preciso que ligues à Bea e lhe digas que é tudo mentira. Diz-lhe que não tenho, nem nunca tive nada com a Nathalie e pede-lhe por favor que ela me atenda o telemóvel… Preciso muito de falar com ela.
- Eu posso tentar, mas já sabes como é a Bea, ela deve estar muito magoada se já viu a revista, nem sequer me disse nada… deve estar de rastos… –
disse Dreia sentindo pena da amiga – Mas eu vou ver o que consigo fazer…
- Obrigado Dreia… -
disse Bill desligando o telemóvel de seguida e olhando para Tom que tinha uma expressão angustiada nos seus olhos.


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- Ele não tinha nada de te telefonar a pedir favores… - disse Bea zangada com a atitude de Bill.
- Eu também sou amiga dele. Ele jurou-me que era tudo mentira. Fala com ele, dá-lhe ao menos a oportunidade de ele te explicar o que aconteceu… - disse Dreia.
- Ele jura sempre, mas depois acontece sempre qualquer coisa a confirmar que aquilo que ele diz é mentira… - disse Bea zangada. Já não acreditava que nada do que Bill dizia era verdade.

- Achas que o Bill te ia trocar pela Nathalie? – perguntou Dreia impressionada com a falta de confiança que Bea tinha no seu relacionamento.
- Eu esperava que não… mas pelos vistos estava enganada! – disse Bea.
- Por amor de Deus… pensa Bea… achas que ele te ia trair? O Bill? – disse Dreia afectada pelas palavras da amiga.

- Ele é pior que o Tom… - disse Bea.
- O Tom? Tu estás a comparar o Bill ao Tom? – disse Dreia incrédula – Não tem comparação possível… O Bill seria incapaz de fazer o que o Tom faz… o Bill é diferente!
- Eu também pensava o mesmo até ver aquelas fotografias… -
disse Bea a chorar – Elas não deixam margem para dúvida. Eu tive tantos avisos… fui tão estúpida… ela atendia-lhe o telemóvel, punha a mão na perna, dava-lhe abraçinhos e eu feita estúpida a acreditar que eles era só amigos…que estúpida!
- Estás a exagerar… Fala com ele… –
disse Dreia tentando de tudo para que a amiga falasse com Bill – Não vais ficar sem falar com ele para sempre…

- Só falo com ele se for para acabar tudo… -
disse Bea sentindo a raiva à flor da pele.
- Então… acaba com ele se é isso que sentes que deves fazer… - disse Dreia rezando para que Bill lhe conseguisse dar a volta uma vez que falasse com ela ao telefone.

Bea sentiu aquelas palavras de Dreia ecoarem dentro de si. Acabar com Bill? Era como ter algo a rasgar-lhe o seu interior de forma tão violenta. Precisava dele para viver… como é que ia acabar com ele? Não sabia se ia ter coragem para isso, mas tinha de lhe telefonar a dizer algo sobre a viagem…


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Já tinham passado vinte minutos desde que tinha telefonado a Dreia, sentia o seu corpo estremecer com o nervosismo e a ideia de poder perder Bea por causa de uma notícia maldosa de uma revista cor-de-rosa. A verdade é que as fotografias estavam bastante intimas e bem tiradas, parecia realmente que eles tinham um caso, mas era mentira, e ele não merecia ser crucificado por ela. Se dependesse de si nunca mais sairia sequer à rua acompanhado por Nathalie. Pegou no telemóvel e tentou ligar uma vez mais a Bea. Fechou os olhos e desejou com todas as suas forças que ela atendesse…

- Diz… - atendeu Bea num tom que Bill nunca lhe tinha ouvido.
- Bea… - disse Bill sentindo o coração nas mãos.
- Diz… - repetiu Bea sentindo os olhos encherem-se de lágrimas – Qual é a desculpa desta vez?
- Não é desculpa… é a verdade… -
disse Bill – Fomos tomar café com o Georg e eu tinha comprado um anel, e ela estava a vê-lo…
- Oh Bill… -
disse Bea sentindo uma raiva imensa dentro de si tomar posse do seu coração – Pára! Tenta arranjar uma desculpa melhor!

- É verdade… -
disse Bill sentindo-se triste e magoado – O Georg está aqui… ele pode confirmar tudo!
- O Georg é teu amigo… vai dizer aquilo que tu quiseres que ele diga… -
disse Bea – Estou tão farta…
- Eu sei que parece que estávamos só nós os dois e que era um encontro romântico ou assim, mas não era de todo… é um mal entendido! –
disse Bill.
- É sempre tudo um mal entendido… - disse Bea – Desde que regressaste da promoção do álbum que nada do que vejo é verdade… Estou farta destes mal entendidos… Estou farta de sofrer, sem saber se vale a pena sofrer…
- Vale a pena… -
disse Bill – Nós valemos a pena!

- Diz-me uma coisa Bill, quanto tempo pensaste que ias conseguir andar comigo e com a Nathalie ao mesmo tempo? Ao menos o teu irmão conseguiu manter as aparências e enganar a Dreia… -
disse Bea magoada.
- Eu nunca te traí… NUNCA! – disse Bill ofendido com aquelas acusações – Eu nunca traí ninguém e não faço tenções de trair. Eu prometi-te que no dia em que deixasse de gostar de ti, que te dizia…
- Pois foi Bill… tu prometeste! Pensei que já nem te lembrasses das promessas que fazes, mas como pelos vistos não és um homem de palavra, não admira que faças promessas em vão… -
disse Bea zangada.
- Sabes porque é que nunca te disse nada? Porque cada dia que passa gosto mais de ti e tenho mais a certeza absoluta que esse dia nunca irá chegar. Nunca vou deixar de gostar de ti, aconteça o que acontecer! – disse Bill sentindo um peso no coração.

- Não sei se consigo acreditar nisso… - disse Bea que estava demasiado magoada – Não consigo lutar por um amor em que não acredito. Não tenho forças para isso neste momento…

- Acredita… -
disse Bill suplicando-lhe.

- Não consigo… - disse Bea sentindo uma lágrima quente escorrer no seu rosto - … Não contes comigo para te acompanhar na tour

- Não me faças isso… -
disse Bill – Eu preciso tanto de ti!
- Devias ter pensado nisso antes… -
disse Bea sentindo-se desfazer.

- Vem por o menos ter comigo ao aeroporto. Fala comigo, olha-me nos olhos e diz que não queres ir comigo, que não acreditas em mim. Eu sei que quando me vires vais ver que não te minto… - disse Bill sentindo os olhos encherem-se de lágrimas com o fim do sonho que vivia [b]– Acredita em mim… acredita em nós… Se te perder…. Não sei o que será de mim… Não serei capaz de cantar novamente, não terei vontade de o fazer se não te tiver do meu lado… Não acabes com os nossos sonhos, nem com a nossa felicidade, eu sei que tu me amas e que no fundo acreditas em mim… cede ao teu orgulho… não sejas casmurra, sê somente minha, como sempre foste! Vem ter comigo ao aeroporto…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Fev 23, 2009 10:10 am

- Não sei… - [/b]disse Bea
- Pensa nisso… - pediu Bill – Não perdes nada em ir lá ter! Não te estou a pedir para entrares no avião, só te peço que vás ao aeroporto…
- Vou pensar… -
disse Bea desligando o telefone na cara de Bill, não aguentava mais ouvir a sua voz.

Ouviu Bea desligar o telefone e deixou-se cair sobre a poltrona do seu quarto. Sentiu uma lágrima escorrer-lhe sobre o rosto. Sentiu cada superfície seca tornar-se molhada pela passagem dela. Enterrou a cabeça nas mãos e deixou a dor corromper o seu interior sentindo-se próximo do seu fim. Ouviu a porta do quarto bater e levantou a cabeça, reparando que Gustav e Georg tinham abandonado o quarto. Na cama estava sentado Tom com uma expressão de dor sentida, sabia que o irmão o compreendia, que sentia aquilo que ele estava a sentir no seu interior, como de todas as outras vezes em que um deles sofria. Dos olhos vermelhos de Bill, escorriam lágrimas silenciosas e negras, fruto da dor que sentia. A sua maquilhagem começava a desaparecer, tal como a esperança de ser feliz novamente.

- Ela vai… - disse Tom sentindo uma dor apoderar-se de si ao ver o irmão naquele estado. Nunca o tinha visto assim – Depois daquilo que lhe disseste ela vai! – Tom sentiu os seus olhos encherem-se de lágrimas. Não se lembrava da última vez que tinha chorado, mas a dor que sentia em si, a dor que via espelhada nos olhos do irmão maceravam o seu interior como se o quisessem consumir – Eu ia…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Ter Fev 24, 2009 5:26 pm

আ 99 আ






Tinha sido chantageada para ir ao aeroporto. Dreia tinha ameaçado desistir de viajar com os Tokio Hotel no caso de Bea não fazer o check in e entrar no aeroporto para falar com Bill. Bea não tinha alternativa. O facto da sua vida se estar a desmoronar não queria dizer que tivesse de levar Dreia atrás. Sabia o quão importante aquela viagem era para Dreia, e seria incapaz de fazer fosse o que fosse que a fizesse desistir de viver aquele sonho. Realizou o check in com Dreia, sem levar malas, não ia lá para fazer as pazes com Bill, ia apenas para que Dreia entrasse no avião.

Passou pelos detectores de metal e encaminhou-se para a zona das lojas. Viu na televisão que o embarque para o avião com destino para Nova Iorque ia ser feito na porta 39. Faltava precisamente uma hora até ao avião descolar. Passavam à porta da loja do Harrods quando ouviu uma voz chamar por si. Olhou para o interior da loja e viu Georg lá dentro.

- Vou procurá-los… Depois vai lá ter… - disse Dreia virando costas a Bea deixando-a sozinha à porta da loja. Sabia que Georg faria os possíveis para por juízo na cabeça dela. Ele era mais velho e tinha assistido ao incidente de Bill e Nathalie em Helsínquia, teria com certeza uma palavra amiga e sensata para trocar com Bea.

Bea assentiu com a cabeça e entrou na loja. Cumprimentou Georg com dois beijinhos e um abraço apertado. Estava tão nervosa. Tinha o coração aos saltos e o corpo a tremer. Sentia-se tão mais perto de Bill ao abraçar Georg, um dos seus melhores amigos. Sentia-se consolada nos seus braços.

- Então miúda? Como é que estás? – perguntou Georg com uma expressão preocupada nos olhos.
- Vou indo… - disse Bea sorrindo de forma ténue. Não se sentia de todo bem, nem fazia tenções de tentar enganar aqueles que já a conheciam. Que conheciam a expressão feliz que os seus olhos tinham quando estava ao lado de Bill.
- Detesto ver-te assim… - disse Georg olhando para o aspecto acabado de Bea.
- Eu também me detesto sentir assim… - disse Bea.
- Não tens porquê sentir-te assim… - disse Georg colocando uma mão sobre cada ombro de Bea e olhando-a directamente nos olhos – Andamos em tour à quatro anos, e posso-te garantir que o Bill nunca teve nada com a Nathalie. Posso-te garantir que ele nunca sequer mostrou qualquer tipo de interesse por ela. Eles são só amigos!

- E as fotografias? –
perguntou Bea sentindo o coração apertar no seu peito.
- Foram maldade dos paparazzi… - disse Georg respirando fundo – Eu estava lá, fomos passear pela cidade e parámos para beber qualquer coisa quente, para aquecer. Não aconteceu absolutamente nada entre eles, nem nunca vai acontecer! Esperaram que eu não estivesse na mesa para tirar fotografias que parecessem comprometedoras…
- Que parecessem? –
perguntou Bea semicerrando os olhos. Bea sabia muito bem o que tinha visto.
- Eu sei que pode parecer algo mais, mas não é! O Bill tinha acabado de comprar um anel e estava a emprestá-lo à Nathalie para ela o experimentar… - disse Georg levantando o queixo de Bea que estava para baixo, enquanto ela fixava o chão com os olhos vidrados – Não aconteceu nada… O que é que vês nas fotos? Sorrisos, mãos dadas… que mais?
- Não é preciso mais… -
disse Bea triste.
- Os amigos não se riem? Não dão as mãos? – perguntou Georg olhando para o modo como Bea estava fragilizada, e abraçando-a disse – Eu abraço-te… dou-te um beijo na cara e pego-te nas mãos… Até te sorriu… - disse Georg fazendo tudo o que enumerava – Não quer dizer que goste de ti, nem que tenha nada contigo… Detestava ver-te afastar do Bill por um mal entendido. Vocês foram feitos um para o outro. No dia em que vocês acabarem, não há esperança para o comum dos mortais, como eu, que ainda acreditam no amor!

Bea sentiu uma lágrima cair no seu rosto. E se estivesse realmente a ser injusta com Bill? Ele devia estar a sentir-se tão mal ou pior que ela, ao ser julgado por algo que nunca tinha feito. Porque é que o amor tinha de ser complicado e mexer tanto com os sentimentos de uma pessoa? Seria tão mais fácil olhar de forma racional para tudo e acreditar pura e simplesmente nos sentimentos daqueles que dizem que nos amam. Olhou para Georg e sorriu ligeiramente limpando com uma mão uma lágrima que lhe caía no rosto. Georg abraçou-a, afagando o seu cabelo. Enterrou a cabeça no ombro amigo de Georg e recebeu aquele abraço que a enchia de coragem e começava a sarar a dor que existia no seu interior, começando a substitui-la por outra dor. A dor da injustiça, de ter sequer pensado arriscar a sua felicidade em nome de uma mentira sem escrúpulos de quem só queria vender revistas e lucrar com a fama de Bill. Estava imersa nos seus pensamentos quando viu Tom à porta da loja da Harrods a olhar para si e Georg abraçados, com uma cara absorta. Soltou-se dos braços de Georg e foi ter com Tom. Ao aproximar-se dele não se conteve em abraçá-lo. O seu cunhado. Era parte de Bill que estava a sua frente. O seu sangue. Sentiu os braços de Tom à volta do seu corpo. Como se regressasse à sua essência.

- Posso falar contigo? – perguntou Tom ao ouvido de Bea.

Bea limitou-se a abanar a cabeça de forma afirmativa. Estava emocionada. Nunca pensou que rever Georg e Tom lhe custasse tanto.

- Eu vou andando… - disse Georg passando por Tom e Bea – Pensa naquilo que te disse…

Bea acenou novamente de forma afirmativa com a cabeça. As palavras de Georg iam com certeza influenciar o seu pensamento. Sentia um peso enorme no coração com a simples ideia de estar a ser injusta. Olhou para Tom e pediu para se sentar. Tom assentiu. Sentaram-se num banco em frente ao grande painel que mostrava todos os voos do Aeroporto de Lisboa. Bea olhou para Tom com uma expressão tão triste, confusa e perdida que deixou Tom sem reacção perante ela. Queria abraçá-la, protegê-la, dizer que tudo ia ficar bem, mas que ela estava a ser injusta, que não podia fazer aquilo com Bill... mas não conseguia. Não era como o seu irmão no que tocava a palavras e a expressar os seus sentimentos. Nunca o tinha feito, não sabia como fazê-lo.

- O Geo disse-me que não se passou nada… - disse Bea iniciando a conversa.
- Nada! – disse Tom olhando para ela com uma expressão triste – Nunca, jamais, em tempo algum…

- É tão complicado lidar com um sentimento de traição… -
disse Bea abanando a cabeça da direita para a esquerda – De rejeição… Lidar com as incertezas, com a distância, as dúvidas, os ciúmes…
- Eu acredito… -
disse Tom – Nunca tinha visto o meu irmão tão mal como ontem… Nem quando foi operado e corria o risco de perder a voz para sempre e de deixar de cantar… Tu és muito importante para ele! Ele está de rastos. Capaz de cometer qualquer loucura por ti, para que acredites nele.

- Nem sabes a sorte que tens em não te deixares envolver emocionalmente com as pessoas com quem te envolves… -
disse Bea.
- Depois do que vi e senti ontem, acredita que sei… - disse Tom sentindo um peso no coração. Sofria pelo amor do irmão.
- Mas perdes parte da essência da vida Tom. Não sentir é tão mais doloroso que sentir a dor que sinto neste momento – disse Bea sentindo os olhos em lágrimas – Não imagino um mundo sem o teu irmão…

- Isso quer dizer que o perdoas? –
perguntou Tom esperançoso.
- Mas há alguma coisa para perdoar? – perguntou Bea sinceramente olhando Tom nos olhos.
- Não! – disse Tom muito sério – Não tens nada para lhe perdoar…

- Eu gosto mesmo dele… -
disse Bea sentindo-se assolada com o sentimento que a consumia.
- Eu sei… - disse Tom – Por isso é que têm de fazer as pazes, vocês merecem ser felizes!
- E o que é que eu faço com esta dor que tenho dentro de mim? Esta raiva da Nathalie? –
perguntou Bea – Eu não quero prejudicar-vos na tour… não sou boa companhia neste momento!
- Lida com ela… enfrenta-a! Faz isso, ou habilitas-te a perder o Bill… -
disse Tom – Se estiveres do lado dele durante a tour não terás razões para ter ciúmes, se ficares em Lisboa, a tua cabeça vai andar por onde nós andarmos e vai-te consumir com dúvidas e incertezas…
- Eu sei… -
disse Bea fechando os olhos e respirando fundo.

- Vá lá… Faz o meu irmão feliz… Faz-te feliz… – disse Tom sentindo cada palavra que dizia de forma intensa – Faz-me feliz…
- A ti? –
perguntou Bea sorrindo por pensar que Tom estava prestes a mandar uma das suas famosas boquinhas com teor sexual.
- Se ele não estiver feliz eu não vou conseguir ser feliz… - disse Tom muito sério com uma expressão doce nos olhos.

Bea olhou para ele sentindo os olhos lacrimejarem e assentiu com a cabeça de forma afirmativa. Tom levantou-se e estendeu a mão a Bea para a ajudar a levantar. Bea tomou a mão de Tom e deixou-se levar até à 39ª porta de embarque do Aeroporto de Lisboa. Sentia o coração bater tão fortemente dentro do seu peito, como se quisesse saltar do seu interior. Sentia cada batida com uma força excruciante, as pernas tremiam, a barriga dava voltas e mais voltas num nervosismo sem fim. A primeira pessoa que avistou ao chegar ao corredor que dava acesso à porta de embarque foi Nathalie. Uma cabeça loira que andava de um lado para o outro. Sentiu uma raiva tão grande dentro de si, como nunca tinha julgado poder sentir por ninguém. Apetecia-lhe matá-la… fazer com que ela desaparecesse para sempre da sua vida. Olhou para os bancos e viu-o. Estava sentado com a cabeça encostada para trás contra a parede de olhos fechados. Tinha uma expressão triste, tão triste como nunca antes o tinha visto, nem quando ela tinha rejeitado vezes sem conta as suas declarações de amor. Nem a maquilhagem escondia as covas debaixo dos seus olhos. Sentiu o coração descontrolar-se ainda mais, só queria poder abraçá-lo e pedir-lhe desculpa por todo o sofrimento que lhe tinha causado, mas estava tão magoada e sentida com tudo o que se tinha passado. Tinha reagido por impulso. Não queria, não podia, nem admitia ser enganada.

Tom olhou para Bea incentivando-a a ir ao encontro de Bill. Esticou uma mão em direcção a Dreia que estava sentada ao lado de Bill pedindo por gestos para ela se levantar e dar lugar a Bea. Dreia levantou-se e foi até Tom, sentando-se com ele noutra fila de cadeiras, de modo a deixar Bea e Bill falarem a sós e à vontade.

Bea sentiu os olhos encherem-se de lágrimas novamente. Respirou fundo com dificuldade e sentou-se ao lado de Bill, colocando levemente a sua mão esquerda sobre a perna de Bill. Bill virou a cabeça na direcção dela e abriu os olhos com dificuldade, à espera de ver Dreia. Tinha os olhos raiados de veias, de quem tinha passado bastante tempo a chorar e a sofrer com a separação e discussão entre eles. Aquele olhar atingiu Bea como uma flecha no coração. Sentiu-se corroer por dentro de forma tão visceral, que era capaz de garantir que sentia a dor dele adicionar-se à sua naquele preciso momento. Bill pestanejou ao perceber que não era Dreia que estava sentada ao seu lado. Endireitou-se na cadeira e virou-se para ela, olhando-a fundo nos olhos, como se lhe lesse a alma e abrisse a sua alma frágil e vulnerável para que ela pudesse lê-la sem segredos nem omissões. Bea manteve-se calada a olhar para os olhos dele. Não sabia o que dizer. Sentia a dor dele, via nos seus olhos o quão injusta tinha sido. Ele tinha razão. Lembrou-se das suas palavras “Eu sei que quando me vires vais ver que não te minto…”. Sabia, via, sentia que ele não lhe estava a mentir. Não precisava de ter falado com Georg ou Tom, bastava olhar para aqueles olhos e sabia-o. Bill permanecia imóvel a olhar para ela. Não sabia o que dizer, tinha mil e uma coisas a passarem-lhe à velocidade da luz pela cabeça, queria dizer-lhe tanta coisa. Queria tanto beijá-la, abraçá-la, sentir-se dela mais uma vez e sentir que ela era sua novamente.

- Eu não… - começou Bill por dizer.
- … Eu sei! – disse Bea.
- Nunca! – disse Bill colocando o seu coração nas mãos dela.
- … Eu sei! – repetiu Bea olhando para as suas mãos com o nervosismo.

- Se tu te visses como eu te vejo, saberias como é impossível para mim olhar ou sequer pensar em alguém que não sejas tu… - disse Bill pegando numa mão de Bea e entrelaçando os seus dedos com os dela, fazendo-lhe carícias com a outra mão.

- Eu sei que me amas… Eu acredito em ti! E sei que vale a pena luta por nós, agora e no futuro. Nós valemos a pena… - disse Bea colocando a mão que ainda tinha livre sobre a mão de Bill que lhe fazia carícias – Mas é difícil… é difícil lutar contra a desconfiança, contra o ciúme, contra as minhas próprias inseguranças. E quando penso que está tudo bem, aparecerem aquelas fotografias que me mandam para o fundo do poço…
- Eu sei… -
disse Bill chegando o seu corpo um pouco mais perto do dela e colocando uma mão sobre a sua face acariciando-a. Ela era tão bonita, tão irresistível por dentro e por fora, como é que ele poderia olhar para mais alguém quando já tinha alcançado a perfeição?

- Mas tudo o que quero é estar do teu lado, se tu quiseres estar do lado de alguém tão insegura como eu… - disse Bea olhando-o nos olhos sentindo o seu corpo estremecer com o toque da mão dele sobre a sua face.
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Ter Fev 24, 2009 5:26 pm

Bill esboçou um sorriso sincero e tímido. Abarcou o rosto dela com as suas mãos e aproximou os seus lábios da face dela, fazendo com que Bea fechasse os olhos, e depositou-lhe um beijo sobre cada olho fechado. Não queria ver aqueles olhos chorarem mais, não os queria ver inchados, nem vermelhos. Não queria que ela sofresse nem pensasse mais naquilo. Bea abriu os olhos e viu-o olhar para si com um ar angelical. Sorriu ligeiramente e colocou ambos os braços à volta do pescoço dele abraçando o corpo dele com força contra o seu. Tinha tantas saudades daquele corpo, daquela alma que o habitava e que dava cor à sua vida. Sentiu os lábios de Bill perderem-se no seu pescoço provocando-lhe arrepios na espinha. Afastou-se dele e soube naquele momento que acontecesse o que acontecesse ele era seu na totalidade, e que nunca, nada, nem ninguém iria conseguir separá-los, e quem ousasse transpor-se no seu caminho, não teria a tarefa facilitada. Nunca mais iria supor coisas e ceder Bill de bandeja dada a alguém, fosse ela quem fosse. Ele merecia que lutassem por ele, e a partir daquele momento Bea iria lutar com todas as suas forças para que ninguém se intrometesse na sua felicidade. Fechou os olhos e deixou que os seus lábios procurassem a sua fonte de vida, enlaçando-os com os lábios de Bill que a beijavam lenta e apaixonadamente, sentindo cada centímetro da superfície dos seus lábios percorrerem os lábios carnudos dela, procurando tirar deles o maior prazer e estimulação possível. Quando se separaram voltaram a abraçar-se, unindo novamente aqueles corpos que separados não eram mais que o mesmo bater de um coração despedaçado que procurava sobreviver sem a sua outra metade.

Bill arregaçou a manga do casaco que trazia vestido e mostrou a Bea a pulseira deles que representava o seu amor, e sorriu-lhe.

- Ela está comigo… - disse Bill mostrando-a a Bea – Não a tenciono tirar…

Bea olhou para Bill sentindo um peso no peito. A pulseira tinha sido o primeiro objecto do qual se tinha desfeito, quando sentiu o coração desagregar-se do seu corpo pela dor que o ciúme e a desconfiança tinham lançado sobre si. Bill olhou para os olhos de Bea e reconheceu neles uma expressão pesada. Desviou o olhar para os pulsos a descoberto de Bea e reparou que a pulseira não ocupava o espaço que lhe pertencia à duas semanas atrás.

- Não a conseguia ter sobre o pulso, tive de a tirar… – disse Bea que sentia a pulseira queimar-lhe a pele com o seu toque e as lembranças do amor de Bill.
- Deitaste-a fora? – perguntou Bill franzindo a testa.

- A tua pulseira… - disse Dreia aparecendo ao pé deles e esticando na direcção de Bea a sua mão que trazia nela a prenda que Bill tinha dado a Bea à duas semanas atrás – Ias-te esquecendo dela em casa…
- … Obrigada –
disse Bea olhando para a amiga. Ela estava sempre do seu lado, guiando-a para o caminho mais acertado. Se não fosse ela…
- Deixa-me pôr-ta… - disse Bill tirando a pulseira da mão de Dreia e colocando-a novamente sobre o pulso de Bea fechando-a e olhando atentamente para os olhos de Bea que emocionados espelhavam tanto amor – Prometo que farei de tudo para que nunca mais a tenhas de tirar…

Bea beijou novamente Bill sentindo uma calma e paz instaurar-se dentro de si. Estava novamente com ele. Sentia-se completa.

- … Vens? – perguntou Bill timidamente. Só lhe faltava ouvir um sim, para que tudo ficasse bem.
- Eu não trouxe mala… - disse Bea percebendo a pergunta dele – Não tenho roupa…
- Quem é que precisa de roupa? –
disse Bill sorrindo e abraçando o corpo dela contra o seu deixando os seus lábios descansarem sobre o cabelo aloirado dela.

Dreia assistia à reconciliação de Bill e Bea emocionada. Eles não podiam ficar separados. O amor tinha de vencer, por o menos na história deles. Tinha encontrado naquela manhã a pulseira que Bill tinha oferecido a Bea jogada no chão. Pensou o quão doloroso devia ter sido para Bea desfazer-se dela. No fundo tinha esperanças que eles se reconciliassem e que tudo voltasse ao normal. A esperança era sempre a última a morrer, e enquanto houvesse amor, a esperança mantinha-se viva no seu interior. Não hesitou em apanhar a pulseira do chão e guardá-la na sua mala, podia ser precisa. Quando viu o olhar triste e surpreso de Bill ao reparar que Bea não usava o símbolo do seu amor, não teve duvidas que estava na altura certa de entrar em acção e ajudar os amigos. Levantou-se, entregou a pulseira a Bill e voltou ao seu lugar assistindo ao modo emocionado como eles se reconciliavam na plenitude. Ao seu lado estava Tom, que assistia à cena toda, com o coração nas mãos. Ao ver a atitude de Dreia para com os Bs ficou admirado com o gesto dela. Quando a viu regressar para o seu lado após dar a pulseira a Bill não conseguiu evitar de dizer-lhe:

- Foste espectacular…
- Não fiz mais que a minha obrigação… -
disse Dreia sorrindo com um sentimento de felicidade forte apoderar-se de si por ver Bea e Bill reconciliados.
- Fizeste tudo por eles… – disse Tom impressionado.
- É para isso que servem os amigos, para dar aquele empurrãozinho e aquela coragem quando ela nos falta… – disse Dreia emocionada com o modo como Tom olhava para si - Nunca me perdoaria se não fizesse os possíveis para eles ficarem juntos!
- A Bea tem muita sorte em ter uma amiga como tu… -
disse Tom.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Ter Fev 24, 2009 5:27 pm

‡ 100 ‡






- Temos de comemorar! – disse Gustav.

Gustav abria uma garrafa de champagne que estava no camarim para comemorarem o final de mais um concerto que tinha sido um sucesso. Estavam há duas semanas nos Estados Unidos e a tour estava a correr pelo melhor. Dreia e Bea estavam a viver um sonho. O relacionamento de Bea e Bill ia de vento em poupa. Bea confiava de olhos fechados em Bill mas fazia questão de não o largar um segundo que fosse, queria fazer questão que não dava espaço para que Nathalie se aproximasse dele de forma mais intima que estritamente profissional. Nathalie percebia o que Bea tentava fazer, e vingava-se no momento em que os rapazes saíam do hotel, uma vez que Bea não podia ir com eles, e aproximava-se de dele, mas Bill andava estranho consigo, parecia evitá-la. Dreia dormia com Nathalie no quarto, estavam a dar-se bem, Nathalie era pacifica e uma boa companheira de quarto, não falava muito, nem parecia muito interessada em conviver, mas desde que não houvesse mau ambiente, Dreia não se importava. Ao fim do dia, ela estava grata pelo quarto para dormir e por ter a oportunidade excelente de fazer a tour com os Tokio Hotel, nada mais importava. Estava a viver um sonho. O relacionamento de Tom e Dreia parecia ter finalmente atingido o ponto com que Dreia sempre tinha sonhado. Amizade e respeito. Dreia sabia que Tom a respeitava e que valorizava realmente a opinião dela como amiga e rapariga. Não podia desejar mais, estava a viver no paraíso.

O som da rolha a saltar soou, Gustav distribuiu champagne por todos os copos, e animados brindaram ao sucesso da tour.

- Vamos sair? – perguntou Andreas entusiasmado.
- Não me apetece… - disse Tom bebendo de seguida um gole – Estou cansado!
- Cansado? –
perguntou Bill que tinha o copo numa mão e a cintura de Bea na outra.
- Sim… as pessoas normais cansam-se não são como tu! – disse Tom.
- Estamos em Miami Tom… - disse Dreia abrindo os olhos para Tom como expressando espanto por ele não querer fazer nada.
- Eu sei… - disse Tom – mas mesmo em Miami eu canso-me…
- Estás a ficar fraquinho Tommi … -
disse Georg
- Estou a ficar igual a ti hobbit! – disse Tom sorrindo.
- Quem te dera a ti seres igual a mim… - disse Georg rindo.
- Sim, é o meu sonho de vida… chegar atrasado a todo o lado e ser mal cheiroso! – disse Tom a rir.

- Vá lá Tom… - insistiu Dreia – Anda sair!
- Esta noite não… -
disse Tom colocando um ar cansado.
- Deixa estar Dreia, vamos nós sair! Ele que vá dormir… - disse Bill.
- Sim… - disse Andreas colocando um braço sobre os ombros de Dreia – Vamos sair e divertir-nos imenso para fazer inveja ao Tommi!
- Esquece… Esta noite ninguém me convence a ir sair… -
disse Tom.
- Quem perde és tu… - disse Gustav.

Abandonaram o recinto separados. Bea e Dreia não podiam ser vistas com os rapazes. Saíram na frente com Andreas e foram para a marginal de Miami, onde estavam os bares mais badalados e conhecidos da cidade. Como estavam a meio da semana, não havia tanta gente como o habitual na rua. Encontraram a discoteca onde tinha sido filmado o filme Miami Vice e resolveram entrar para ver se tinha salas privadas onde os rapazes pudessem estar à vontade. Assim que confirmaram a existência de salas VIP, Bea enviou uma mensagem a Bill a avisar o local onde estavam. Cerca de meia hora depois, Bill, Gustav e Georg entravam na discoteca, após terem passado no hotel para deixar Tom que continuava a insistir em regressar ao hotel para descansar.

O ambiente na discoteca estava ao rubro. Bea dançava abraçada a Bill desfrutando de cada centímetro da sua boca e do seu corpo. Gostava de estar com ele assim, no meio de uma multidão, rodeada de música, e no entanto em privado, entre amigos. Sentia as mãos fortes de Bill à volta do seu corpo e sentia-se segura. Gostava de ser guiada pelo ritmo do corpo dele e deixar-se simplesmente levar entre os beijos, sorrisos, olhares cúmplices e o efeito inebriante de uma bebida. Gostava de se sentir embriagada por ele. Bill estava cansado. Tinha acordado muito cedo, passado o dia em entrevistas, sound check, Meet & Greet e no concerto, mas tinha energia para dar e vender. Nos braços de Bea sentia-se sempre pronto para tudo. Tê-la do seu lado era como um sonho. As viagens pareciam ter um significado diferente. O amor que sentia parecia crescer de dia para dia. Acordar com ela do seu lado todas as manhã, viver com ela diariamente era uma dádiva, uma verdadeira lua-de-mel como tinha imaginado que seria. Com ela do seu lado, não se importaria de passar a vida em tour.

Dreia bebia um Redbull e convivia com Andreas, Gustav e Georg no sofá da sala. Os concertos estavam a correr tão bem, parecia realmente um sonho tornado realidade. Imaginava-se a viajar com eles para todo o lado para o resto da vida se pudesse. Estava mesmo a ponderar tirar um curso que possibilitasse viajar constantemente e fazer parte da crew dos Tokio Hotel. Tinha encontrado algo que a satisfazia totalmente, e não era só pelas pessoas que eram incríveis, era mesmo pelo puro prazer que retirava daquela correria que eles viviam diariamente.

- O Tom é mesmo totó, enfiar-se no hotel com uma noite espectacular como estas… – disse Andreas.
- Ele anda cada vez mais preguiçoso! – disse Gustav.
- Mas hoje tivemos um dia puxado… até eu estou cansado! – disse Georg.
- Sim, mas não precisamos de ficar aqui até às cinco da manhã. Podemos sair, beber um copo… e regressar ao hotel mais cedo… – disse Andreas.

- Por acaso fiquei com pena dele, estava com um ar tão abatido… - disse Dreia – Será que se passou alguma coisa?
- Não… o concerto correu bem! –
disse Georg.
- Deve ser mesmo só cansaço… amanhã ele está de volta… - disse Gustav.
- Espero que sim… - disse Dreia que gostava de o ver sempre com o humor característico de Tom.

Eram três da manhã quando Tobi apareceu a pedido de Bill para os escoltar de volta ao hotel. Bea e Dreia tiveram de se separar novamente do resto do grupo. Andreas ficou com elas. Juntos resolveram dar um passeio pela marginal de Miami para ver um pouco mais da noite enquanto esperavam que um carro os fosse lá apanhar. Ao regressarem ao hotel, Bea foi directa para o quarto ter com o seu leão. Os rapazes tinham mais uma vez reservado o piso do hotel para que pudessem estar à vontade na sua privacidade. Dreia e Andreas deixaram Bea a meio do corredor onde ficava o quarto de Bill e despediram-se dela, desejando-lhe uma boa noite entre sorrisos e piscadelas de olhos indiscretas.

- Agora é a tua vez… - disse Andreas entre risos.
- Nada disso! Desta vez sou eu que te levo até à porta do teu quarto! - disse Dreia que todas as noites era alvo do cavalheirismo de Andreas que sempre que iam sair fazia questão de levar Bea e Dreia até à porta do quarto.
- Ahhhh… parece-me bem! – disse Andreas todo contente encaminhando-se para o lado do corredor onde ficava o seu quarto – Valeu a pena sair, nem que fosse um bocadinho. Adorei aquela discoteca, era brutal!
- Mesmo! Mas agora já me sabia mesmo bem a minha caminha… -
disse Dreia a rir.
- Está quase… - disse Andreas sorrindo, e continuando o caminho até à porta do seu quarto Voilá! Estou entregue! Obrigada Dreia… dorme bem e descansa muito! – disse Andreas dando dois beijinhos a Dreia.
- Assim o farei… e tu vê se fazes o mesmo… – disse Dreia retribuindo os beijinhos a Andreas.
- Acho que vou cair redondo na cama… - disse Andreas abrindo a porta e entrando para o seu quarto – Até amanhã! – disse Andreas despedindo-se de Dreia e fechando a porta do quarto.

Dreia suspirou e virou costas, voltando a percorrer o caminho que tinha feito com Andreas até ao seu quarto. Quando se encontrava a cerca de cinco metros do quarto de Bill viu a porta em frente ao quarto dele abrir-se e de lá sair uma rapariga absolutamente linda, vestia um vestido vermelho bem curto que mostrava as suas pernas altas de modelo. Era morena, com uns olhos esverdeados tão claros e límpidos que quase pareciam irreais. Tinha os sapatos de salto alto nas mãos. Dreia sorriu, alguém estava a ter sorte naquela noite, e era sorte da grande, porque a rapariga era absolutamente linda. Demorou-se dois segundos a pensar de quem era aquele quarto, sem nunca parar de andar e percorrer o caminho que lhe faltava até à porta do seu quarto. Quando estava a apenas um metro da porta não se conteve e olhou de soslaio para a porta que estava aberta e viu Tom no interior do quarto, apenas de boxers. Olhou para ele sentindo um peso apoderar-se do seu coração. Reparou que a expressão da cara de Tom mudava, como se fosse uma criança que tinha sido apanhada em pleno delito. Virou a cara para a frente e seguiu caminho até ao seu quarto sem nunca olhar para trás. Quando chegou à porta do quarto, abriu-a sentindo as mãos tremerem e reparou que Nathalie já dormia. Enfiou-se na casa de banho e sentou-se no chão encostada à porta. Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas e o corpo ceder à dor que sentia no seu interior. Há tanto tempo que não sentia nada tão forte por Tom, que não sentia o seu coração bater ou sofrer por ele. Porque é que vê-lo com outra tinha de despertar aqueles sentimentos todos que estavam já mortos e enterrados? Era feliz sendo amiga dele, porque é que o seu coração ditava que precisava de algo mais vindo dele, que precisava do seu amor? Lembrou-se da expressão que tinha acabado de ver no rosto de Tom. Era para isto que ele tinha insistido tanto para voltar para o hotel? Não parecia ter um ar muito cansado, nem de quem não queria gastar energias naquela noite. Ele não mudava. Continuava o mesmo mulherengo inveterado de sempre, capaz de mentir para se satisfazer. Egoísta!

Porquê? Porque é que tinha de sentir aquela dor? Como se dentro dela habitasse parte dele. Se em tempos tinha pensado que nunca seria verdadeiramente feliz se não o tivesse ao pé de si, agora julgava ser possível viver na plenitude de uma amizade e ser feliz. Porque é que ele estragava sempre tudo? Porque é que tinha de ter passado naquele preciso momento pela porta do quarto dele? Porque é que tinha de ter assistido àquela cena? Porque é que a rapariga era perfeita? Porque é que o corpo dele lhe despertava aquele desejo e irracionalidade? A fazia tremer e ficar insana? Julgava-se capaz de viver do lado dele. Estava enganada. Estava adormecida. Preferia não saber que ele tinha alguém, ou que soubesse… mas que não visse. Olhos que não vêem, coração que não sente. Dreia tinha visto, e sentia… sentia tanto e de forma tão forte o palpitar do seu coração enfraquecido pelo reviver de uma paixão ao lado de Tom que nunca tinha sarado. Porque é que ele insistia em marcá-la como uma tatuagem? Há muito, muito tempo que não tinha nada com ele. Porque é que tinha de continuar a sentir aquele aperto? Porque é que continuava a sentir-se trocada e usada ao vê-lo com outra?

Sentiu o coração explodir, e as lágrimas rolarem pela sua cara abaixo num descontrolo emocional como nunca tinha tido. Precisava dele… precisava tanto dele. Precisava de Bea… queria desabafar, libertar o peso que estava contido no seu interior e ver-se livre de uma vez por todas da memória de Tom.

Levantou-se do chão, olhou-se ao espelho e limpou as lágrimas que escorriam no seu rosto. O seu reflexo dava-lhe ainda mais vontade de chorar e de sofrer. Era fraca, feia, gorda, horrível, medonha… era tudo de mal que alguém podia ser. Devia dar-se por contente por ter vivido uma aventura nos braços de Tom Kaulitz. Mas não conseguia evitar em pensar que a aventura podia ter sido diferente, se ele tivesse sido diferente. O seu reflexo dava-lhe pena. Saiu da casa de banho e foi até à mesa do seu quarto procurando não fazer barulho, tirou o bloco de notas do hotel e o lápis que estava junto a ele e saiu do quarto. No corredor, sobre a luz, escreveu uma mensagem para Bea.


[Mensagem de Dreia]

Bea,
Preciso muito falar contigo! Eu sei que é tarde, mas vem ter comigo ao meu quarto… por favor! Não aguento até amanhã!


[Mensagem de Dreia]


Não assinou… sabia que não era preciso. Mais ninguém sabia falar português, mais ninguém perceberia aquela mensagem. Dirigiu-se até ao quarto dos Bs e arrancou a nota que tinha acabado de escrever no seu bloco de notas, fazendo-a deslizar por baixo da porta, batendo de seguida três vezes com o punho na porta para que um dos Bs fosse até ela ver o que se passava.

Virou costas e encaminhou-se novamente para o seu quarto com o coração nas mãos e a esperança de que em breve pudesse desabafar. Sentia-se perdida, sem saber o que estava ali a fazer. Ouviu uma porta abrir atrás de si no corredor e pensou que fosse Bea. Olhou para trás e viu que era a porta do quarto de Tom. Tom estava já vestido com uma t-shirt e umas calças, com as rastas presas no cima da cabeça. Saía do quarto olhando para Dreia com uma expressão pesada. Dreia respirou fundo sentindo-se cada vez mais fraca e continuou a andar num passo firme e apressado para o seu quarto. Não queria nada com ele, tinha nojo dele, queria distância. Ouviu os passos dele atrás de si, mas evitou olhar para trás.

- Dreia… - chamou Tom.

Dreia ignorou aquele apelo e continuou o caminho até à porta do seu quarto. Quando chegou abriu a porta e viu que ele apressava o passo para chegar até ela a tempo.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Ter Fev 24, 2009 5:27 pm

 101 







- Dreia… - chamou Tom.

Dreia ignorou aquele apelo e continuou o caminho até à porta do seu quarto. Quando chegou abriu a porta e viu que ele apressava o passo para chegar até ela a tempo.



Enfiou-se dentro do quarto ignorando a presença de Tom e quando estava prestes a fechar a porta sentiu o pé de Tom travá-la, impedindo que ela fosse fechada. Dreia fez força para a fechar, mas Tom colocou uma mão na porta e abriu-a. Dreia tinha noção que a sua cara não devia ser das melhores. Não o queria ver naquele momento, queria distância dele. Sentia-se um lixo humano, e sabia que ele não tinha culpa de nada, afinal de contas eles não tinham nada há muito tempo, ele não era mais do que seu amigo, não deveria sentir tanta dor por tê-lo visto com outra. Enfrentou Tom cara a cara, olhando para ele com a expressão mais vazia que conseguia pôr naquele momento. Tom estava diferente. Mais sério que o habitual, com uma expressão preocupada de quem tinha feito algo que não devia.

- O que é que queres Tom? – perguntou Dreia mantendo-se séria e focada em despachá-lo.
- Quero falar contigo… - disse Tom muito sério - Porque é que estás a fugir de mim?
- Não tens nada para me dizer… Tu és livre, fazes o que quiseres… –
disse Dreia mantendo a postura fria.

- Não podemos falar? – perguntou Tom confuso com o que tinha acabado de acontecer.
- Não! – disse Dreia friamente empurrando a porta para a fechar, mas sendo travada novamente pela mão de Tom que a segurava e impedia de fechar.

- Vocês os dois… Vão discutir para outro lado que há quem queira dormir! – disse Nathalie meia ensonada, por ter acordado com Tom e Dreia a discutirem à porta do seu quarto.

- Desculpa Nathalie! – disse Dreia que sentia o corpo estremecer num descontrole que a incapacitava de falar seguindo uma linha de raciocínio
- Desculpa Nath… - disse Tom.
- É melhor ires embora… - disse Dreia virando-se para Tom.
- Deixa-me falar contigo… Vem ao meu quarto… - pediu Tom.

- Eu não entro no teu quarto! – disse Dreia com um tom que denotava repulsa e nojo.

- Então vamos para outro lado… - disse Tom arranjando alternativas.

- Scheisse… vão discutir para outro lado e deixem-me dormir! – gritou Nathalie.

Dreia respirou fundo e saiu do quarto, fechando a porta para que Nathalie pudesse descansar e ter privacidade. Olhou para Tom de forma hostil e encaminhou-se para as escadas de emergência sem dirigir uma palavra a Tom. Tom seguiu-a e viu-a sentar-se num degrau de braços cruzados, como se estivesse a fazer uma birra, à espera que ele falasse. Manteve-se em pé, andando de um lado para o outro, à medida que tirava um maço de tabaco do bolso e acendia um cigarro.

- Não podes fumar aqui! – disse Dreia recriminando-o.
- Apetece-me fumar… - disse Tom dando um bafo no cigarro.
- Apetece-te sempre muita coisa… - disse Dreia recriminando-o novamente de forma indirecta.

- Ouve… - começou Tom por dizer.
- Não sei o que é que queres que eu oiça! Não tenho nada a ver com a tua vida privada! – disse Dreia não dando possibilidade a Tom de falar – És livre… fazes muito bem em divertires-te! E ela era bem gira, deves ter tido uma noite e tanto…

- Mas ouve… -
disse Tom tentando travar a forma como Dreia falava sem parar.
- Nem precisavas de ter vindo ter comigo, percebo perfeitamente que queiras divertir-te e aproveitar a tour para fazer aquilo que mais gostas de fazer! Ainda por cima tens uma reputação a manter… - disse Dreia – E nós somos amigos, por isso…

- Somos? –
perguntou Tom fazendo com que Dreia parasse por momentos de falar.

- Somos… - respondeu Dreia olhando para ele sentindo-se vulnerável com aquela afirmação.

- Então posso pedir-te que guardes segredo daquilo que viste? – pediu Tom olhando para ela com um ar de quem estava preocupado que aquilo que ela tinha visto se espalhasse.

- Segredo? – perguntou Dreia franzindo a testa em espanto.
- Sim… - disse Tom dando um bafo no cigarro e pensando em como lhe ia contar o que se passava – Se o Bill souber que eu não fui sair com vocês porque tinha um encontro, vai ficar chateado…

- Tu já tinhas o encontro marcado? –
perguntou Dreia sentindo o coração diminuir significativamente no seu interior. Por momentos tinha pensado que tivesse acontecido por acaso, mas já devia saber que com Tom nada era por acaso…
- Sim! – disse Tom deitando o fumo que tinha no seu interior para fora, olhando para Dreia com um ar sério de quem suplicava para que ela guardasse segredo.

- Tu já conhecias a rapariga? – perguntou Dreia sentindo um peso sobre si.
- Sim… Ela segue-nos para todo o lado sempre que estamos nos Estados Unidos… – disse Tom com naturalidade.

- Ela é uma groupie? – perguntou Dreia abismada.
- Sim… - disse Tom colocando-se à frente dela de cócoras e apoiando ambas as mãos sobre os joelhos de Dreia – Não contas nada? O Bill detesta-a. A última vez que fui para a cama com ela levei tanto na cabeça…

- Não foi a primeira vez? –
perguntou Dreia incrédula sentindo os seus joelhos estremecerem com o toque das mãos dele, como se elas a queimassem.

- Foi a segunda… – disse Tom olhando para ela sentindo que Dreia não estava bem – O que é que foi? – e lembrando-se que tinha encontrado Dreia a passear no corredor àquela hora acrescentou - Estavas fora do teu quarto a estas horas… Aconteceu alguma coisa?
- Não foi nada… -
disse Dreia sentindo um mal-estar imenso em si por pensar que ele tinha ido para a cama com ela pela segunda vez. Afinal aquilo que eles tinham tido e que Dreia julgava ter sido exclusivo e especial, não o era, por mais que tivesse estado dois meses ao lado de Tom, ele parecia começar a gostar de ter presas fiéis – Não aconteceu nada… acabei de chegar. Fui levar o Andi ao quarto e estava a ir para o meu…
- Foste levar o Andreas ao quarto? Porquê? –
perguntou Tom estranhando e mandando o cigarro pelo buraco das escadas.
- Porque me apeteceu… - disse Dreia.

- Tu e o Andreas…? – perguntou Tom levantando-se.

- Apeteceu-me… a ti apetece-te umas coisas a mim apetece-me outras… Acho que somos crescidinhos e sabemos lidar com isso, ou não? – disse Andreia contra atacando sem responder à pergunta ridícula de Tom, mas deixando no ar a possibilidade de ter acontecido alguma coisa para que ele ficasse curioso.

- Claro… - disse Tom incrédulo por não se ter apercebido que a relação de Dreia e Andreas já estava tão desenvolvida. Talvez tivesse acontecido alguma coisa na discoteca… - Posso contar contigo? Não contas nada a ninguém?
- Não… -
disse Dreia suspirando sentindo o que restava do seu coração, despedaçar-se – Ninguém tem nada a ver com isso…
- Obrigado! – disse Tom esboçando um sorriso nervoso de quem sabia que podia confiar nela. Nada seria revelado.


silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent silent


Bill ouviu bater à porta e levantou-se para a ir abrir. Reparou que estava um bilhete no chão. Pegou nele e não percebeu nada do que lá estava escrito. Encaminhou-se para a cama e deitou-se tentando perceber alguma coisa. Estava endereçado a Bea, mas não estava assinado. E se fosse uma ameaça? Será que alguém tinha descoberto que Bea tinha ido em tour com ele? Até que ponto era seguro ela continuar do seu lado?

Ouviu a porta da casa de banho abrir e preparava-se para contar a Bea do bilhete que tinha encontrado, quando a viu surgir numa camisa de dormir de seda preta, bastante reduzida e com um decote que valorizava os atributos físicos que Bill tanto gostava. Abriu a boca olhando para ela de cima a baixo.

- Mein Gott… - disse Bill impressionado com a sua namorada.

- Aí está uma coisa que nunca me tinham chamado…. – disse Bea a rir.
- Tu estás… apetecível… - disse Bill largando o bilhete sobre a cama e estendendo os braços na direcção dela, convidando-a a juntar-se a ele na cama.
- Ainda bem que tive de comprar roupa nova… - disse Bea aproximando-se sedutoramente e fazendo aquela voz sensual que sabia deixar Bill maluco – Bendita hora em que não trouxe as malas…. – disse Bea sentando-se sobre o tronco de Bill com uma perna para cada lado do seu corpo, provocando os lábios dele com os seus – É impressão minha… ou está imenso calor aqui? – perguntou Bea abanado a mão de modo a fazer vento para a sua cara sendo atacada pelos lábios de Bill que não aguentavam mais estar separados dos dela.

Bill estava deveras excitado ao vê-la tão sedenta de o ter. “Bendita hora em que ela não trouxe as malas” pensou Bill, embora, se dependesse dele aquela camisa de dormir, que lhe ficava a matar, não iria ter o prazer de sentir a pele suave de Bea por muito mais tempo. Assaltou os lábios macios e carnudos de Bea beijando-a de forma provocadora e audaz. Queria-a, como em todas as outras noites que tinha estado do seu lado. Continuava a desejá-la com tanta vivacidade e excitação como no primeiro dia em que o desejo por ela tinha despertado dentro de si. Talvez até mais. Passou as mãos sobre as pernas de Bea, levantando-lhe a saia da camisa de dormir, massajou as pernas de Bea apalpando-a e puxando-a contra o seu corpo ardente e reparou que Bea não estava a usar cuecas. Ficou ainda mais excitado e apertou as nádegas dela com força, tomando os seus lábios de forma destemida e voraz. Bea sentiu Bill percorrer com a língua o seu pescoço e sentiu-se a ficar demasiado quente, estava verdadeiramente sedenta de o ter e de experimentar aquele corpo que tanto prazer lhe dava. Soltou um gemido tentadoramente sedutor e sentiu as mãos de Bill apertarem o seu corpo fazendo com que os seus níveis de excitação aumentassem com o toque apertado dele e desejou cada vez mais tê-lo em si. Pegou na t-shirt que Bill usava e tirou-a de forma apressada do seu corpo, passou as mãos pelo tronco desnudado de Bill e sentiu a pele dele arrepiar-se. Bill pegou em Bea pela cintura e deitou-a sobre a cama, colocando-se sobre ela e beijando o seu peito com vontade, à medida que Bea passava uma mão pela cabeça dele e a outra procurava agarrar-se aos lençóis da cama numa tentativa de controlar o impulso sexual que se apoderava de si de forma animal. Ao procurar agarrar-se aos lençóis foi de encontro a um pedaço de papel, fazendo um corte na folha e soltando um grito de dor. Bill levantou a cabeça do peito de Bea e olhou para ela sobressalto, não fazia tenções de a magoar. Viu Bea levar o dedo à boca.

- O que é que foi? – perguntou Bill olhando para a forma sensual como os lábios de Bea rodeavam o seu dedo magoado, sentindo um desejo vampiresco em si.
- Cortei-me… - disse Bea espantada.
- Deixa-me ver - pediu Bill pegando na mão de Bea e olhando para o dedo dela.

Bill olhou-a nos olhos e colocou o dedo dela na sua boca, roçando os lábios por ele e beijando-o de forma sensual. Bea revirou os olhos e sorriu mordendo o lábio inferior. Desejava cortar-se todos os dias para ter os lábios dele percorrerem as suas mãos de forma tão erótica e sensual. Tirou a mão da boca de Bill e colocou a sua mão no pescoço dele, puxando-o e forçando-o a tomar os seus lábios. Quando se soltou dos lábios de Bill empurrou o corpo dele ligeiramente para cima de forma a sair debaixo dele e provocá-lo tirando a sua camisa de dormir. Bill sentou-se com as pernas esticadas e abertas, apoiando as palmas das mãos sobre a cama e inclinando a cabeça ligeiramente para a esquerda à medida que humedecia os lábios num gesto de puro desejo. Bea estava ajoelhada à sua frente e preparava-se para tirar a camisa de dormir quando reparou na folha que estava sobre a cama. A folha onde à minutos atrás se tinha cortado. Interrompeu aquilo que fazia e inclinou-se sobre o corpo de Bill para ir buscar a folha, aproveitando para o beijar. Pegou na folha e antes de a mandar para o chão deu uma olhadela para matar a sua curiosidade e ver o que era. Leu a mensagem que Dreia lhe tinha escrito e a sua expressão facial mudou totalmente do dia para a noite, adoptando uma expressão preocupada e alarmada.

- De onde é que isto veio? – perguntou Bea olhando seriamente para Bill.
- Alguém veio deixar debaixo da nossa porta quando estavas na casa de banho… – disse Bill percebendo que algo se passava e que o bilhete não podia ser coisa boa.

Bea levantou-se da cama e procurou no quarto roupa que pudesse vestir para sair do quarto apresentável. Bill ficou espantado.

- O que é que aconteceu? – perguntou Bill.
- É da Dreia… ela não está bem… - disse Bea vestindo um vestido que tinha comprado em Nova Iorque – Preciso de ir ver como é que ela está… Desculpa leão… - disse Bea aproximando-se do corpo excitado de Bill e dando-lhe um beijo carinhoso nos lábios.

- Agora? – perguntou Bill de forma sofrida.
- Tem de ser… - disse Bea com pena de ter de sair – E já devo ir tarde….
- Ok… -
disse Bill suspirando. Já conhecia bem Bea e sabia que pelos amigos ela era capaz de fazer tudo, mesmo passar por cima de si própria e do seu desejo. O que fazia com que a admirasse ainda mais.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Ter Fev 24, 2009 5:28 pm

 102 







Saiu do quarto e foi direita à porta de Dreia. Bateu várias vezes sem que ninguém a abrisse. Insistiu. Sabia que a amiga estava lá dentro e não estava bem, precisava de si e ela precisava de saber o que se passava, estava demasiado preocupada com Dreia e com a mensagem que ela lhe tinha deixado, para virar costas e voltar para o seu quarto como se nada tivesse acontecido. Continuou a bater à porta até que finalmente uma Nathalie muito mal-humorada e ensonada abriu a porta e olhou para Bea com cara de poucos amigos.

- Tu! Mas hoje ninguém me deixa dormir… - disse Nathalie suspirando – O que é que queres? Estás com medo que o Bill esteja aqui escondido?
- Não sejas estúpida! Eu sei muito bem onde o Bill está, e no teu quarto não haveria de ser de certeza! Quero saber da Dreia… -
disse Bea sem paciência para as ironias e cinismos de Nathalie.

- Já não sabes levar uma brincadeira na boa? – disse Nathalie ironizando a situação.
- Eu não vim aqui para falar contigo, caso ainda não tenhas reparado. Tinha coisas muito melhores e mais interessantes para fazer do que perder o meu tempo contigo. Sabes, ou não da Dreia? – perguntou Bea directamente

- Está com o Tom – disse Nathalie ficando parva com a reacção de Bea.

- Vês? Custou muito? Doeu-te seres prestável? – disse Bea sem tolerância para Nathalie e os seus joguinhos falsos – Obrigada! – disse Bea virando costas.

- Tens os dias tão contados… - disse Nathalie de forma arrogante, fechando a porta do quarto de seguida.

Bea ouviu o comentário de Nathalie enquanto se afastava do quarto dela em direcção ao de Tom, mas optou por ignorar. Por o menos por agora. Valores mais altos levantavam-se, e uma vez que tivesse a certeza que estava tudo bem com Dreia, trataria de Nathalie.

Andou em direcção à porta do quarto de Tom e deteve-se um segundo antes de bater nela. E se Tom e Dreia tivessem voltado a estar juntos? E se Tom tivesse magoado novamente a sua amiga? Sentiu uma raiva enorme de Tom como costumava sentir na altura em que Dreia estava apaixonada por ele e ele se insinuava a si. Bateu com o punho cerrado contra a porta dele e quando se preparava para bater uma segunda vez, Tom abriu a porta. Bea reparou que ele estava totalmente vestido. Estranhou a rapidez e o modo como ele se apresentava à sua frente, afinal de contas, Tom já estava no hotel à mais de quatro horas e ainda estava vestido normalmente. Já para não falar de que, para quem dizia estar muito cansado e a precisar de descansar, estar a pé às cinco da manhã não era de todo normal!

- Então cunhadinha? É hoje que vais dar uma oportunidade ao Sex Gott? – perguntou Tom a estranhar a presença de Bea ali àquela hora, mas optando por brincar com o assunto.
- Poupa-me Tom! – disse Bea com cara de poucos amigos.
- Ai que o meu maninho não anda a dar conta do recado… Estás atiçada hoje! – disse Tom sorrindo – O que é que aconteceu? Em que posso ajudar-te?

- A Dreia? –
perguntou Bea directamente.
- Não sei… - disse Tom.
- Não estavas com ela? – perguntou Bea a pensar que Nathalie lhe tinha mentido.
- Sim… estivemos juntos nas escadas! – disse Tom.

- Thomas, tu foste para a cama com ela? – perguntou Bea directamente e de forma agressiva.
- Não! – exclamou Tom surpreso com aquela pergunta – Estivemos só a falar… Mas ela foi para a cama com o Andreas!

- O QUÊ? –
perguntou Bea absolutamente chocada.

- Pois… eu também não sabia que eles eram tão íntimos… - disse Tom mostrando-se espantado também.
- Ai, ai ,ai… não estou a perceber nada! – disse Bea em português e acrescentou em alemão para que Tom percebesse – Desculpa ter vindo bater aqui tão tarde… Obrigada na mesma!
- Na boa… Já sabes que quando quiseres… -
disse Tom piscando-lhe um olho e sorrindo.
- Já sei Tom… Obrigada por seres tão generoso – disse Bea abanando a cabeça de forma negativa, com a sorte grande, de cunhado que lhe tinha saído na rifa.
- Sempre às ordens… – disse Tom fechando a porta do quarto ao ver que Bea já se afastava.

Deteve-se no meio do corredor a pensar para onde ir. Deveria ir bater à porta do quarto de Andreas? Teria Dreia dormido com ele como Tom dizia? Que confusão… parecia estar no meio de um puzzle onde faltavam peças e não estava a perceber nada do que se estava a passar à sua volta. Talvez devesse voltar para o seu quarto, mas não conseguia fazê-lo, sabendo que Dreia estava mal e que precisava de si. Onde estaria ela?

Ouviu uma porta abrir. Olhou para trás e era a porta que dava acesso às escadas do hotel, e dela viu sair Dreia com uma cara miserável. Correu até à amiga e reparou que ela estava com um ar triste e pesado. Algo de muito grave devia-se ter passado, Dreia era uma rapariga forte e optimista, sempre que a via em baixo era porque algo realmente mau tinha acontecido.

- Dreiaaaaa… o que é que se passa? Estou há imenso tempo à tua procura! – disse Bea preocupada.
- Estava nas escadas… - disse Dreia de forma simples.
- O que é que aconteceu? – perguntou Bea preocupada.
- Nada… apetecia-me falar… - disse Dreia que fazia tenções de manter o segredo de Tom mesmo que isso significasse rasgar o seu coração vezes e vezes sem conta em mentiras à sua melhor amiga.

- Apetecia-te falar? E escreveste-me aquele bilhete por causa disso? – perguntou Bea que não acreditava no que Dreia dizia.
- Sim… desculpa! – disse Dreia de forma falaciosa.

- Não acredito… - disse Bea cruzando os braços e olhando para Dreia que estava visivelmente afectada com algo.

- Não é nada Bea… a sério! Apetecia-me falar… não estava para me enfiar no quarto, ainda era cedo! – disse Dreia evitando o olhar de Bea.
- Mas o teu bilhete dava a entender que se tinha passado alguma coisa! – disse Bea.
- Exagerei naquilo que escrevi! Desculpa! – disse Dreia forçando os seus lábios a sorrirem.

Bea olhava para Dreia sem acreditar numa única palavra que ela dizia. Seria possível que tivesse dormido com Andreas e não tivesse coragem de admiti-lo por vergonha ou arrependimento? Estaria a sofrer por ter tomado uma decisão errada? Bea nunca a iria julgar por o erro de uma noite, não era ninguém para o fazer. Além disso Andreas era um rapaz cinco estrelas, tinha a certeza que ele não seria como Tom e não a desrespeitaria na manhã seguinte se tivessem dormido juntos, pelo contrário, iria dar-lhe o valor que ela merecia, independentemente de a relação deles ter um futuro ou não.

- Foste para a cama com o Andreas? – perguntou Bea directamente.
- O quê??? Estás maluca??? – perguntou Dreia surpreendida com aquela pergunta.

- Foi o que o Tom me disse… - disse Bea mais descansada por ser mentira – Eu bem achei estranho… mas ele disse que sim e que tinha estado a falar contigo…
- Sim, estivemos a falar, mas eu nunca lhe disse que tinha ido para a cama com o Andi… –
disse Dreia contente por ter conseguido atingir Tom de alguma forma.

- Mas olha que ele ficou a pensar que sim… - disse Bea vendo um brilhozinho diferente nos olhos de Dreia à medida que falava – Estou a imaginar o que lhe deves ter dito…
- Só lhe disse que tinha ido deixar o Andi à porta do quarto, mas já sabes como é a mente perversa do Tom, supõe logo um filme… -
disse Dreia a sorrir.

- Haja paciência… - disse Bea suspirando.

- Não aconteceu nada, a sério… - disse Dreia – Desculpa ter-te feito levantar…
- Ainda não me tinha deitado por isso não tem problema… -
disse Bea – Mas fiquei mesmo preocupada contigo… Pregaste-me cá um susto! Não voltes a fazer uma destas…
- Não te preocupes… -
disse Dreia sorrindo.

Bea e Dreia encaminharam-se em direcção aos seus quartos. Bea sentia que não estava tudo bem e que Dreia lhe estava a esconder alguma coisa, mas não podia obrigá-la a falar se ela entendia que não o devia fazer. Sentiu pena que Dreia não se abrisse com ela, gostava de a poder ajudar. Aproximou-se da porta do seu quarto e colocou a chave à porta, abrindo-a.

- Boa noite! – disse Bea.
- Boa noite – disse Dreia com uma expressão entristecida no olhar – Obrigada por teres vindo ter comigo…
- Só gostava de ter sido mais útil… -
disse Bea que sabia que se passava alguma coisa.

Dreia desviou o olhar de Bea. Não tinha coragem de lhe mentir olhando-a nos olhos. Esboçou um sorriso algo tímido e virou costas andando em direcção ao seu quarto.

- Sabes que podes confiar em mim para tudo, não sabes? – disse Bea vendo Dreia a ir embora.

Dreia parou. Olhou para trás e contendo as lágrimas que sentia quererem brotar dos seus olhos, sorriu e acenou afirmativamente com a cabeça. Bea teve a certeza que a amiga estava mal, mas que não queria falar. Observou o modo como ela se encaminhava até ao seu quarto e fechou a porta do seu quarto sentindo um peso no coração. Não gostava nada de a ver assim. Aproximou-se devagarinho da cama, e reparou que Bill estava adormecido. Sorriu ao vê-lo semi-nu, com a sua estrela a descoberto, e com um ar pacifico. Despiu o vestido que trazia vestido e deitou-se ao lado de Bill aconchegando-se ao ombro dele, colocando uma mão sobre o seu estômago. Fechou os olhos e pensou em Dreia. Se ao menos soubesse o que realmente se estava a passar poderia ajudá-la.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Fev 26, 2009 5:13 am

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Estavam a caminho da Califórnia, mais concretamente de Los Angeles. A noite anterior tinha criado um clima desagradável entre os intervenientes. Aqueles que já estavam no seu quarto no momento em que tudo tinha acontecido não percebiam o que se estava a passar nem o porquê de algumas pessoas se evitarem naquela manhã. Mas Bea não era uma dessas pessoas. Embora não soubesse totalmente o que se tinha passado, sabia que algo tinha acontecido e que o ambiente estava pesado.

Tinham apanhado um avião às 10h da manhã, o que queria dizer que às 8h já estavam no aeroporto. Bea não tinha dormido praticamente nada. Estava cansada e exausta. Esperava poder dormir um pouco durante a viagem para compensar a azáfama da noite anterior. Encostou a cabeça ao ombro de Bill e fechou os olhos. Tinha-lhe contado sucintamente o que se tinha passado na noite anterior e Bill parecia ter ficado confuso. Tão confuso como ela.

- Então tu achas que ela dormiu com o Andreas? – perguntou Bill baixinho para que mais ninguém ouvisse.
- Não sei… - disse Bea ajeitando a sua cabeça no ombro de Bill – Mas acho que se fosse isso, ela dizia-me…

- Isso é tudo muito esquisito… -
disse Bill encostando a sua cabeça sobre a de Bea – E o Tom estava vestido e acordado, e tinha estado a falar com ela… muito esquisito… Algo me diz que ele fez alguma…
- O teu irmão faz sempre alguma… -
disse Bea sorrindo.
- Também é verdade… - disse Bill sorrindo

- Mas sabes quem é que me irritou mesmo? – perguntou Bea levantando a cabeça do ombro dele e olhando-o com uma expressão de raiva.
- Até consigo adivinhar… - disse Bill.

- A sério se não fosse pela Dreia ontem…. - disse Bea rangendo os dentes.
- Tu acordaste-a, ela estava ensonada, foi só mau feitio. Se te acordassem a bater à porta insistentemente também não gostavas… – disse Bill.
- Não… aquilo é mais que mau feitio. Mau feitio tenho eu e não sou assim… - disse Bea.

- Se vocês falassem, ias ver como mudavas de opinião… - disse Bill.
- Não dá… já falei com ela várias vezes e a conversa acaba sempre por ir parar ao mesmo… - disse Bea – Mas por acaso gostava de lhe dar uma palavrinha hoje de manhã, já que ela já não tem a desculpa de estar ensonada…
- Acho que fazes muito bem… -
disse Bill sorrindo.

Bea levantou-se do seu lugar, sobre o olhar atento de Bill e disse que ia resolver os assuntos pendentes que tinha com Nathalie. Bill sorriu, ficava contente por saber que a namorada se esforçava por criar bom ambiente na tour. Mal sabia ele, que Bea não tinha qualquer tipo de intenção de passar a mão na cabeça de Nathalie.

Andou no corredor até ao local onde estava sentada Nathalie, ao lado de Dreia, e pediu para falar com Nathalie em privado. Nathalie estranhou, mas acabou por ceder. Estavam num avião cheio de gente conhecida e não queria dar mau aspecto ao parecer que tinha alguma coisa contra a namorada de Bill. Levantou-se com um sorriso na cara e seguiu Bea até à zona das casas de banho. Bea observou a expressão da cara de Nathalie mudar, adoptando um ar enjoado e cínico assim que estavam a sós, optou por adoptar também ela uma postura fria e calculista dizendo tudo aquilo que tinha para lhe dizer.

- Eu não quero que voltes a mandar-me boquinhas como as que me mandas-te ontem – disse Bea olhando Nathalie nos olhos, sem medo de a enfrentar.

- Tu não tens sentido de humor nenhum… - disse Nathalie provocando-a.
- Para ti? Não! Nenhum, por isso não vale a pena tentares armar-te em engraçadinha comigo… - disse Bea

- Tu chamaste-me estúpida. Acho que tive todo o direito de te dizer fosse o que fosse… - disse Nathalie fazendo frente a Bea num olhar seguro.
- Aí é que estás enganada. Tu não tens o direito de fazer insinuações sobre mim ou sobre o Bill. Que eu saiba ele ainda é teu patrão e ainda lhe deves respeito, por isso para a próxima pensa duas vezes antes de teres… sentido de humor… - disse Bea.

- Tu deves-te julgar muito superior só porque namoras com ele, não é? – perguntou Nathalie esboçando um sorriso irónico.
- Não. Ao contrário de ti eu tenho valor por mim mesma, não preciso de me associar a ninguém para o ganhar… – disse Bea.

Nathalie limitou-se a esboçar um sorriso e dar uma gargalhada irónica que fez com que Bea tivesse uma vontade louca de lhe pregar um par estalos, mas controlou-se, manteve-se calma, sem nunca perder a postura. Esperou que Nathalie parasse a sua encenação e mantendo o mesmo tom de voz que tinha tido até ali continuou o seu discurso.

- E não voltes a fazer-me ameaças… - disse Bea – Eu ouvi o que disseste quando fui embora.
- Era mesmo para ouvires –
disse Nathalie – Não tenho medo de ti…

- Se fosse a ti tinha… –
disse Bea desafiando-a – Considera-te avisada…
- Estou cheia de medo… -
disse Nathalie sorrindo.

Bea contentou-se em sorrir de forma falsa, como até ali Nathalie tinha feito e acenar-lhe com a cabeça num gesto de despedida. Tinha dito tudo aquilo que tinha para dizer a Nathalie. Daquela conversa tinha surgido um desafio. Se Nathalie queria provocá-la e roubar-lhe Bill ia ter de lutar muito e passar por cima de si. Bea era uma leoa, pronta para defender o seu leão. Se era guerra que ela queria, era guerra que ia ter. Virou costas a Nathalie e começou a andar em direcção ao seu lugar. O lugar que só pertencia a ela e a mais ninguém. O lugar ao lado do seu leão.

- Bea… - disse Nathalie chamando-a.

Bea parou. Virou o corpo para trás e olhou-a com um ar altivo.

- Tenho muita pena que não gostes da minha intimidade com o Bill… – disse Nathalie sorrindo sarcasticamente – Mas antes de apareceres na vida dele, eu já cá estava… E quando fores embora… Eu vou continuar cá!

Bea limitou-se a sorrir. Era um desafio que ela queria. Era um desafio que ia ter. Virou-lhe costas e foi até ao seu lugar. Quando chegou, sentou-se ao lado de Bill e abraçou o corpo dele, apoiando a cabeça no seu ombro à medida que ele acarinhava o seu cabelo. Nos braços dele estava bem e sentia-se segura, podiam vir três Nathalies que não se iriam entrepor entre eles.

Dreia tinha passado a manhã a evitar o olhar de Tom. No pequeno-almoço, no aeroporto e no avião. Não o queria encarar. Não estava preparada para isso. Na noite anterior tinha pensado por momentos que Tom a tivesse seguido por sentir ciúmes ou remorsos daquilo que tinha feito. Na sua história de contos de fada, Tom era um cavaleiro andante que se apercebia do seu amor incondicional pela princesa no momento em que a via passar à sua frente. Na vida real, Tom era apenas um rapaz que gostava de se satisfazer com qualquer uma, que não se apaixonava, nem se envolvia emocionalmente com ninguém, que tudo o que desejava era que o irmão não descobrisse os erros que cometia. Uma decepção. Uma prisão.

Tom pelo contrário tinha passado a manhã toda a procurar o olhar de Dreia, queria poder sentir que estava seguro nele. Que os seus segredos não seriam revelados. Dreia parecia aluada e um pouco em baixo. Tom apercebeu-se que Bea se tinha levantado e pensou que ela fosse falar com Dreia. Ao perceber que Bea tinha ido falar com Nathalie, pediu a Andreas (que o acompanhava na viagem) para trocar de lugares com Dreia um bocadinho para que eles pudessem falar. Andreas assentiu e foi até Dreia propor-lhe a troca de lugares. Tom assistia à conversa entre os dois. Dreia estava visivelmente reticente em trocar de lugar com Andreas, mas após insistência por parte dele, ela acabou por ceder.

Dreia aproximou-se do lugar ao lado de Tom e respirou fundo.

- O Andreas quer falar com a Nathalie, importas-te que fique aqui um bocadinho? – perguntou Dreia evitando olhar Tom nos olhos.
- Não é o Andreas que quer falar com a Nathalie, sou eu que quero falar contigo… – disse Tom fazendo sinal para que ela se sentasse ao seu lado.

Dreia quis fugir. Não queria estar ao pé dele, quanto mais voltar a falar sobre o tema da noite passada. Sentou-se ao lado de Tom, olhando sempre em frente, como se não se passasse nada e Tom não estivesse a falar com ela.

- Estás esquisita… - disse Tom virando-se de lado para olhar para ela.
- Não… - disse Dreia olhando sempre em frente.
- Ficaste chateada com o que te pedi ontem? – perguntou Tom
- Não tenho razões para ficar chateada. Passei no sitio errado, à hora errada, acontece… - disse Dreia olhando para as suas mãos para disfarçar.

- Eu estive a falar com o Andreas e ele disse-me que vocês não tiveram nada… - disse Tom inclinando um pouco a cabeça para a frente de maneira a que ela olhasse para ele, mas sem conseguir o efeito que esperava – Porque é que me disseste que tinhas ido para a cama com ele?

- Eu nunca te disse isso… -
disse Dreia olhando fixamente para as mãos.
- Fizeste-me acreditar que tinhas ido para a cama com ele… - disse Tom.
- Não… - disse Dreia.

- Porque é que estás a evitar olhar para mim? – perguntou Tom chateado com a atitude infantil de Dreia.
- Não estou a evitar nada… - disse Dreia levantando ligeiramente a cabeça e olhando de soslaio para Tom.

- O que é que se passa? – perguntou Tom de forma mais agressiva a ver se ela falava.
- Nada! – disse Dreia segurando o contacto visual por mais que um segundo com Tom.
- Estás tão esquisita desde ontem… - disse Tom – O que é que aconteceu na discoteca para ficares assim?
- Já te disse que não se passou nada! –
disse Dreia chateada por ele não parar de fazer perguntas – Porque é que se tinha de passar alguma coisa?

- Porque as pessoas não ficam assim de um dia para o outro! –
disse Tom como sendo algo muito lógico.

- Assim como? – perguntou Dreia.
- Sei lá… Tristes… – disse Tom – Os teus olhos estão diferentes…
- Os meus olhos são assim… -
disse Dreia olhando para trás para ver onde estava Bea, vendo-a a falar com Nathalie na cauda do avião e sentindo-se acurralada e presa àquele banco e à presença de Tom.

- Não queres falar, não fales! – disse Tom.

- Não tenho nada para te dizer… - disse Dreia.
- Fogo, ninguém vos compreende… Ás vezes são super simpáticas, outras vezes não dá sequer para falar… – disse Tom referindo-se às mulheres.
- Nós somos assim… - disse Dreia que não queria grandes conversas – Se fosses mais sensível, talvez percebesses…

- Sabes o que é que a minha sensibilidade me está a dizer? –
pergunto Tom retoricamente – Que havia uma maneira perfeita de te pôr um sorriso na cara em três tempos… – disse Tom sorrindo de forma atrevida a ver se Dreia se ria.

- Pois havia… - disse Dreia olhando para ele pela primeira vez enfrentando os olhos amendoados dele que a hipnotizavam – Deixando-me dormir que estou cansada…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Fev 26, 2009 5:14 am

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Desde aquela noite que nada era igual. Dreia sentia um peso arrastar-se sobre o seu coração que a impedia de conviver com Tom. Por mais que quisesse estar do lado dele, o seu corpo tinha-se fechado numa concha para a proteger de sofrer mais, já tinha sofrido o bastante nos braços de Tom, não queria prolongar o seu sofrimento longe dos braços dele. Ele tinha todo o direito de sair com outras pessoas e ser feliz. O facto de Dreia não conseguir encontrar felicidade longe dele, não queria dizer que ele tivesse de passar pelo mesmo. Teria Tom sido feliz nos seus braços? Nem isso sabia. Ele tinha uma capacidade sobre-humana de se fechar em si e esconder os seus sentimentos, mostrando sempre o lado mais machista e insensível que tinha dentro de si. Talvez ele nunca tivesse sentido a sua falta. Nunca tinha lutado por ela, nunca tinha mostrado ter saudades da cumplicidade que tinham. Talvez as bocas dele fossem só por pena ou para a provocar. Se chegasse à hora da verdade ele não seria capaz de fazer nada. Ele não a desejava. Nunca a tinha desejado como ela o desejava, sentindo um fogo arder na sua pele, uma sensação de plenitude e prazer extasiante. Dreia tinha sido uma entre muitas. Tom tinha sido um, num deserto imenso. Ninguém tinha conseguido enfeitiçá-la como ele. Estava hipnotizada. Tom era a sua droga, a sua dependência. Precisava dele. Um simples sorriso fazia com que não precisasse de mais nada. Mas desde aquela noite que não conseguia apaziguar a dor que sentia no seu interior. Tinha raiva de si mesma por ainda sentir algo por Tom, por de certa forma ter acreditado que estava curada do poder que ele exercia sobre si. Como é que era possível gostar tanto de alguém, mesmo depois de ter sofrido e de se ter sentido tão rebaixada?

Sentia-se esmagada por uma imensidão de sentimentos que não sabia gerir. Nunca lhe tinham ensinado a amar, nunca lhe tinham ensinado a viver a dor de um amor, e não tinha nascido ensinada. Lutava todos os dias por si mesma. Aquela noite tinha despertado os arrepios, os tremores, o descontrolo, o desejo exacerbado. Um simples passar pela porta do quarto dele. Um simples olhar para o seu corpo. Um simples pensamento de que ele se tinha envolvido com outra. Um simples pensamento de que tinha sido trocada por outra. Um simples tiro certeiro no seu coração. Tinha voltado a olhá-lo com outros olhos, mesmo que não da mesma forma como antigamente, mas estava desperta para cada movimento dele, cada gesto do seu corpo, cada palavra que saia da sua boca, cada olhar. Como é que alguém podia ser assim? Dreia tinha plena noção que ele era tudo aquilo que ela mais desejava, e tudo o que mais odiava (talvez por o amar tanto), tudo concentrado num só. Sabia que merecia mais, merecia alguém que gostasse dela, que a acarinhasse, que se preocupasse, que a ouvisse, que a desejasse como mulher e como pessoa, alguém em quem pudesse confiar de olhos fechados, sem ter medo de ser trocada ou traída no instante seguinte. Sabia de tudo isso, e sabia que Tom não era, nem nunca teria a capacidade de ser essa pessoa. Mas era por ele que o seu coração batia enfraquecido pelas suas acções. Era por ele que sentia o ar dos seus pulmões trazerem-lhe vida. Era por ele que acordava de manhã, na esperança de o ver, de o sentir perto de si. Era por ele que chorava à noite. Era por ele que mentia à sua melhor amiga. Era por ele que sofria.

Desde aquela noite que nada era igual. Não lhe falava. Sentia os olhos dele sobre si a todos os instantes. Sentia-se perseguida pelo olhar dele. Na noite anterior Tom tinha tentado uma aproximação dela, mas Dreia persistia em ser evasiva, não queria estar perto dele. Afastava-se nas refeições, nas saídas à noite e no camarim. Passava maior parte dos dias a passear pela cidade com Bea e Andreas, enquanto os rapazes trabalhavam. Tinham-se tornado uma tripla imbatível.

Dreia estava na piscina privada do hotel a apanhar sol e a ouvir música no seu iPod. Bea e Andreas estavam consigo. Portland era uma cidade bonita, mas a piscina do hotel, e os 37ºC que se faziam sentir, pareciam muito mais tentadores que uma cidade sem nada de especial para ver. Sempre que fechava os olhos e concentrava-se em apanhar sol pensava nele. Tom parecia persegui-la dia e noite, vivo no seu pensamento (à tempo demais). Dreia tinha a certeza que Bea já se tinha apercebido do que se passava, ou talvez não, as coisas com Nathalie andavam complicadas, e Bea tinha mais com que se preocupar do que com os seus problemas. A verdade é que três semanas tinham passado desde que estavam juntos em tour e para Dreia o que parecia ser um paraíso tinha-se tornado num inferno, um inferno demasiadamente tentador. Evitava-o, mas sentia-se corroer por dentro em raiva e pensamentos de exclusão.

Sentiu Andreas tocar-lhe no braço e abriu os olhos. Estava de volta à realidade. Colocou uma mão sobre os olhos para tapar o sol, e tirou um phone do ouvido direito. Andreas anunciou que ele e Bea iam dar um mergulho, Dreia sorriu, estava tão bem a apanhar sol, não lhe apetecia nada levantar-se. Deixou-se ficar na sua espreguiçadeira. Voltou a colocar o phone no ouvido direito e a fechar os olhos. Reconheceu os primeiros acordes da música que soava no seu iPod, a música dele. A música que numa noite a tinha impedido de cometer uma loucura ao dar-se a outro, que a tinha impossibilitado de violentar os seus sentimentos. An Deiner Seite… se Tom soubesse o significado daquela música para si, se Tom fosse capaz de perceber o significado de sentir, tudo seria tão mais fácil. Sentiu saudades de Tom 2, dos momentos em que ele a fazia sorrir, sentir-se amada, sentir-se alguém e sentiu os olhos ficarem aguados. Pegou no iPod e desligou-o de forma impulsiva e um tanto ou quanto violenta, não queria aquelas recordações, a ideia não era sentir-se pior, muito pelo contrário, precisava de coisas que a alegrassem e que lhe dessem vontade de viver e seguir em frente. Decidiu juntar-se a Bea e Andreas. Levantou-se e colocou o pé na água. Estava fria, ou o seu corpo estava quente, talvez fosse do seu corpo, já não sentia, não sabia distinguir as sensações que a habitavam, estava adormecida, como uma sonâmbula que vivia sem consciência daquilo que se passava à sua volta. Sentiu uma dor em si por já não se reconhecer, e por se deixar influenciar tanto peles sentimentos que ele lhe incutia. Ele não merecia. Mergulhou sentindo um calafrio ao entrar em contacto com a água. Veio à tona e passou as mãos sobre os olhos. Queria sentir, estava farta de estar presa a ele. Olhou na direcção da porta que dava acesso à piscina privada e viu-o aparecer. Ele e os outros. Mas que importância tinham os outros perante a perfeição que surgia diante os seus olhos? O poder daquele corpo sobre o seu era avassalador. Ele vinha somente de calções de banho e uma t-shirt, rastas presas no cima da cabeça e óculos de sol, uns óculos que lhe davam um ar misterioso e extremamente sensual, condizendo com o metalizado do piercing que animava os seus lábios. Viu-o despir a t-shirt, deixando a descoberto os abdominais que definidos a deixavam a divagar num oceano de sonhos. Viu-o tirar os óculos de sol e os chinelos que trazia calçados e sentar-se à borda da piscina com as pernas dentro de água, conversando alegremente com Bill sobre qual a melhor técnica para entrar na água. Sentiu-se hipnotizada pelos seus lábios, pelo sorriso tímido e atrevido que neles espreitava, e virou-se de costas, precisava de se controlar. Era somente Tom, o amigo que nunca conseguiria pertencer a essa categoria na totalidade.

Apoiou-se com as mãos na borda da piscina e introduziu o seu corpo na água. Estava boa. Bill tinha optado por se lançar num mergulho, Georg e Gustav tinham ameaçado Bill com uma bomba. Tom ria-se dos amigos. Preferia entrar mais calmamente, sem tanta agitação. Adorava água. Adorava sentir-se dentro de água, a liberdade, a tracção, a atracção, a sensualidade, o erotismo. Sentia-se sempre irremediavelmente excitado. Há muito tempo que não tinha relações dentro de água, sentia saudades desse tempo em que não era conhecido e podia fazer o que quisesse, onde quisesse. Olhou à sua volta e viu que o irmão já tinha encurralado Bea a um canto da piscina e que namorava com ela de forma provocante. Sorriu. Era sangue do seu sangue, só podia sentir-se excitado. Andreas brigava com Georg, e Gustav preparava-se para sair da piscina possivelmente para atacá-los aos dois com outra bomba. Nadou um pouco até meio da piscina e sentiu que as rastas estavam mal presas no topo da sua cabeça e ameaçavam cair. Nadou mais um pouco até à borda da piscina e prendeu-as melhor. Pensou em como era bom poder ter um pouco da tarde livre para nadar e apanhar algum sol. Preparava-se para nadar mais um pouco quando viu Dreia sair da piscina e ir para a espreguiçadeira. Gustav saltava novamente para dentro da piscina, não atingindo Andreas por escassos centímetros. Andava imparável. Tom riu-se do amigo. Nos dias em que Gustav estava animado, ninguém o parava. Adorava vê-lo assim. Olhou para Dreia e viu-a desviar o olhar de si. Sentiu-se mal. Há uma semana que ela não o olhava nos olhos, que não lhe dizia mais que sim ou não, sabia que ela o andava a evitar. Já tinha reparado que sempre que entrava numa sala onde ela estivesse, ou sempre que se tentava intrometer numa conversa em que ela estivesse a participar, ela mudava de atitude, passava a ser uma Dreia que ele não conhecia, e preferia não conhecer. Durava à uma semana. Sabia que a tinha desiludido, conseguia ver isso nos seus olhos, tinham uma expressão diferente. Aquele verde não enganava, já a conhecia bem demais para acreditar que não se passava nada. Estava desiludida, e era consigo. Só podia ter sido aquela noite. Só podia ter sido o segredo que lhe tinha pedido para guardar.

Há uma semana que não dormia com ninguém. Aquela noite também o tinha marcado. Tinha percebido que fazer uma tour só com os rapazes era totalmente diferente de fazer uma tour com Bea e Dreia, o olhar recriminador e decepcionado de Dreia tinham-no marcado. Talvez devesse pensar duas vezes antes de fazer algo, mas não queria, não se chamava Bill, chamava-se Tom, era impulsivo e gostava de o ser. Queria dormir com quem lhe apetecia, e não queria sentir olhares recriminatórios sobre si. Se Dreia o afastava por ele ser como era, então não poderiam nunca ser amigos, porque o dia em que iria mudar de maneira de ser, estava muito longe. Já tinha tentado falar com ela, e ela não parecia querer falar. Não lhe restava outra opção senão aceitar que ela se afastasse de si. Não percebia aquela atitude infantil de virar as costas a qualquer que fosse o problema que ela estava a ter. Ele não era assim. Mas ia respeitar. Tinha pena, ela tinha-se revelado ser incrível, estava a gostar de conhecer Dreia enquanto pessoa, mas talvez um dia ela decidisse encarar os seus problemas com frontalidade, e aí pudessem retomar a amizade que tinham construído, novamente. Olhou novamente para ela. Vestia um bikini em tons de verde, que combinava na perfeição com a cor dos seus olhos. Estava queimada pelo sol. O bikini desvendava pormenores daquele corpo que só ele conhecia. Lembrou-se de como era passar as mãos sobre aquelas curvas, de quão excitado aquele corpo o deixava, de como nunca tinha conhecido nenhum outro corpo feminino, como o dela. Lembrava-se perfeitamente daquele sinal no seu peito, e do modo como ela corava quando ele acercava o seu corpo. Demorou-se a olhar para o corpo dela, que praticamente nu, secava ao sol. Pensou em quão bom seria poder deitar-se sobre ela e satisfazer os desejos que sentia no seu interior. Sim, a água deixava-o irremediavelmente excitado e aquele corpo semi-nu também. Há uma semana que não dormia com ninguém. Talvez estivesse na hora de mudar isso.

Tom assistia a Andreas sair da água e ir pé ante pé ter com Dreia sacudindo o seu cabelo sobre ela. Dreia estava de olhos fechados a apanhar sol, abriu os olhos sobressaltada e num misto de espanto e horror, sorriu a Andreas ameaçando que lhe faria o menos quando ele menos esperasse. Andreas ria da cara dela. Quando Dreia voltou a encostar-se à espreguiçadeira e a fechar os olhos, Andreas deitou-se sobre ela fazendo com que Dreia ficasse toda molhada. Andreas ria divertido com a situação, enquanto Dreia gritava para que ele saísse de cima de si, por estar molhado e por ser pesado, mas Andreas insistia em rir, e Dreia tentava bater-lhe para que ele saísse, mas acabou por se render e rir da situação. Tom sorriu ao ver aquela cena. Ele teria feito o mesmo que Andreas. Mas não teria conseguido manter-se tão perto dela, estando tão excitado, sem procurar algo mais. Tinha de sair da água, estava a começar a ficar realmente afectado com a sua libido a atingir piques e não podia ser, não ali, não sozinho. Não gostava de se satisfazer sozinho.

Expulsou Andreas da sua espreguiçadeira e riu-se com vontade. Só ele e Bea a conseguiam fazer rir nos últimos dias. Gostava daqueles momentos, quase a faziam esquecer o turbilhão de dúvidas e sentimentos que a habitavam, mas logo se sentia afectar por Tom. Sentiu o coração parar momentaneamente ao vê-lo sair da piscina e dirigir-se para si com aquele corpo delicadamente musculado, sentiu um arrepio apoderar-se do seu corpo e a sua pele ficar em pele de galinha. Era este o efeito de Tom em si, mesmo que quisesse esquecer que psicologicamente ele a afectava mais que qualquer outro rapaz que alguma vez tinha conhecido, fisicamente ele deixava-a arrepiada e pronta para o receber, como se o hímen que sentia puxá-la para ele desse sinais de que precisava de se unir. Como se o mundo fosse apenas uma imensa bola onde ambos tinham sido colocados com o único intuito de se completarem um ao outro, de se unirem em prazer e deleite. Vê-lo assim, deixava-a realmente afectada, mais agora, que sentia um misto de sensações e sentimentos à flor da pele. Viu que Tom olhava para si e que esboçava um sorriso suave (ou talvez fosse da sua imaginação, talvez quisesse que aquele sorriso existisse e fosse somente seu), e quando sentiu o coração a pulsar com mais força e a sua face a corar intensamente, Tom mudou a sua trajectória passando-lhe em frente da espreguiçadeira e dirigindo-se para uma outra que ficava afastada da sua. Dreia sentiu o coração nas mãos. Não era a si que ele queria. Não era o seu alvo. Era apenas um entrave no seu caminho, parte do seu passado. Tom tinha uma maneira de encarar o futuro, o desconhecido e o novo com uma facilidade imensa. Porque é que ela se mantinha presa ao passado? Porque é que tinha desejado que ele viesse ter consigo?
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 01, 2009 12:10 pm

 105 





Mais um concerto que terminava. Mais uma plateia em êxtase.
Bill desceu as escadas do palco, directo para os braços de Bea. Tinha um sorriso desmedido. Sentia-se em paz. Tinha acabado de fazer aquilo que mais amava. Poder descansar nos braços de Bea a seguir, era perfeito. Vinha ofegante de cantar e correr de um lado para o outro do palco a despedir-se das suas fãs. Estava suado e extremamente excitado com a magia que se tinha gerado no Roseland Theatre em Portland. Beijou Bea com um sorriso de quem se sentia nas nuvens e abraçou-a pela cintura andando em direcção ao camarim. Quando entrou Dreia, Andreas e Nathalie conversavam animadamente.

- Como é que correu? – perguntou Dreia que à uma semana (desde o incidente com Tom em Miami) não via os concertos do backstage.
- Muito bem… - disse Bill tirando a t-shirt e passando uma toalha sobre o seu corpo encharcado em suor.

Bea sorriu. Bill ficava num estado de excitação, e ao mesmo tempo de paz, quando saia de um concerto, incrível. Como se fosse o único sitio à face da terra onde se sentia uno, onde se descobria e se dava sem medos. Adorava vê-lo assim. Conseguia absorver alguma dessa energia para si mesma e experienciar um pouco daquilo que ele mostrava sentir. Observou-o andar de um lado para o outro do camarim cheio de energia à procura de algo para comer. Deteve-se em frente à mesa de gomas, e tirou uma mão cheia de gummi bears. Foi até Bea e abraçou-a. Prendeu um ursinho entre os dentes e provocou-a com ele, beijando-a e lutando no interior da sua boca pela posse do mesmo. Bea gladiava-se entre o ursinho e o modo como o piercing de Bill invadia o seu interior. Abraçou as costas nuas de Bill e cravou as suas unhas nelas, fazendo com que ele se separasse dos seus lábios, olhando-a de forma provocadora. Sorriu e mordeu o lábio inferior, gostava quando Bea ousava. Atacou os lábios dela, mordendo o seu lábio inferior com força a mais, fazendo com que Bea soltasse um gemido de dor. Bill abraçou-a e deixou-se ficar assim um bocadinho, até voltar a atacar a mesa de doces. Bea sorria ao vê-lo tão enérgico, algo lhe dizia que aquela noite ia prometer. Desviou o olhar para o sofá e viu Nathalie a seguir o peito desnudado de Bill com um olhar guloso.

A porta do camarim abriu-se e por ela entravam Tom e Georg.

- O Tom tropeçou! – disse Georg a rir com vontade – Foi lindo!
- Que vergonha… -
disse Tom tirando o boné na cabeça e mandando-o para cima de uma mesa – Estava a tomar balanço para mandar a palheta para o público e quase ia com ela…
- Gostava de ter visto essa! –
disse Bill a rir.
- Deve ter sido lindo… - disse Bea a rir da cara atrapalhada de Tom.
- Foi lindo foi… - disse Tom abrindo uma garrafa de água, bebendo dela.

Dreia sorria disfarçadamente. Adorava ter visto Tom a colocar-se numa situação embaraçosa perante milhares de fãs. Adorava vê-lo ser humilhado e alvo de chacota. Desde que tinha voltado a admitir os seus sentimentos, que se sentia bem em rebaixá-lo, ou em vê-lo em situações daquelas, era a única altura em que se sentia superior àquele sentimento que a assombrava. Era mesquinho e maldoso, mas era o que sentia. O sentimento por Tom também não lhe fazia bem, e sentia-o na mesma. Olhou para Andreas e viu-o rir a bandeiras despregadas ao imaginar Tom a cair em cima da multidão e não conseguiu evitar de se rir também.

- Imagina o que era caíres para cima das fãs e seres totalmente violado.… – disse Andreas a rir da cara de pânico de Tom.
- Parece-me bem… - disse Tom.
- Não saías de lá com roupa… – disse Andreas a rir.
- Achas que me importava? – disse Tom entrando na brincadeira.
- Depois o Tobi ia lá buscar-te… - disse Andreas continuando a sua história – E tinhas de fugir pelo palco e mostrar às tuas fãs o teu corpinho sexy

- E aí acabava o sonho de milhares de raparigas quando vissem o Tommizinho… –
disse Georg a rir e gozar com Tom.
- Ou começava… – disseram Tom e Bill ao mesmo tempo, defendendo a sua anatomia idêntica.

Bea sorriu e abanou a cabeça de cima para baixo de forma afirmativa. Sem dúvida que os sonhos de muitas fãs começariam naquele preciso momento, isto se, como Dreia em tempos lhe tinha dito, o Sex Gott se comportasse à altura da sua alcunha e fosse tão dotado como o seu irmão gémeo. Olhou para Dreia e reparou que ela estava corada com o tema da conversa. Há uma semana que ela andava esquisita, e há muito tempo que não a via corar assim.

- O que é que preferias mostrar? O rabinho ou o Tommizinho? – perguntou Nathalie levantando-se e dirigindo-se para a mesa das gomas onde estava Bill.
- Sei lá… - disse Tom que não queria sequer colocar a hipótese de ter de mostrar alguma das duas coisas em público.

- Eu acho que tu mostravas o Tommizinho… - disse Bill a rir.
- Fogo… eu acho que me tapava com o baixo! - disse Georg
- Mas sabes que o Tom é um exibicionista, com a oportunidade de mostrar alguma coisa e ampliar a sua lista de fãs, ele não se tapava… - disse Andreas a rir.
- Depois deixava fãs traumatizadas para a vida… - disse Tom a rir – Já viste o que era elas verem o Tommizinho e depois ficarem com depressões para o resto da vida porque os namorados eram apenas uma amostra do Sex Gott?
- Mas isso era bom para ti, ias ter de dar mais trabalho ao Tommizinho para curar as depressões das meninas! –
disse Bea a rir.

- E tu? Mostravas o rabinho ou o Billizinho? – perguntou Nathalie dando uma palmada no rabo de Bill para o provocar.

- E o que é que tens a ver com isso? – perguntou imediatamente Bea a Nathalie aproximando-se de Bill para que ela percebesse que quem mandava ali era ela – Vai apalpar o rabo de quem quiseres mas deixa o do meu namorado… só eu é que lhe posso tocar.
- Só lhe dei uma palmadinha… -
disse Nathalie sorrindo com uma expressão de deleite nos olhos ao ver Bea picada.
- E já foi demais… - disse Bea puxando Bill por um braço e sentindo-o abraçar-se ao seu corpo por trás.

- É na boa… - disse Bill beijando o pescoço de Bea com um sorriso na cara, gostava de a ver com ciúmes seus, gostava de a ver lutar por si.
- Não, não é! Ela tem muitos rabos em que bater… por isso… que se divirta com outro! – disse Bea com um ar sério abraçando as mãos de Bill que circundava a sua cintura – Este já está tomado… e é meu! E o Bill não mostrava nada a ninguém!
- Faço minhas as tuas palavras schatzi… -
disse Bill apoiando o seu queixo sobre o ombro de Bea de forma ternurenta.

Gustav entrou na sala coberto em suor. Vinha ofegante e estoirado. Sentou-se no sofá ao lado de Dreia para descansar. Tom atirou-lhe uma garrafa de água e ali se deixou ficar, de olhos fechados alienado a tudo o que se estava a passar naquela sala até ouvir o seu nome.

- É só falar de rabos que aparece o Gustav… - disse Georg a rir.
- Vocês estavam a falar de rabos? – perguntou Gustav incrédulo.
- Sim, não queiras ouvir os disparates desta gente… - disse Dreia sorrindo-lhe.
- Tom, já te disse que essa tua amostra de rabo não enche sequer as calças… - disse Gustav gozando com Tom.
- Mas quem é que te disse que estávamos a falar do meu rabo? – perguntou Tom fazendo-se de inocente.
- Quem é que costuma ter este tipo de conversas? – perguntou Gustav.
- O Andreas… - disse Tom livrando-se do peso daquela conversa.

Gustav olhou para Andreas de soslaio e afastou-se ligeiramente de Dreia, afastando-se consequentemente de Andreas, provocando em todos vontade de rir.

- Mas a Nathalie é que queria apalpar o rabo do Bill… - disse Andreas descartando-se de parte da culpa.
- Dizes bem…queria! – disse Bea sorrindo de forma falsa para Nathalie.
- Mas não apalpou… - disse Bill.
- Eu não te ia apalpar! – disse Nathalie a Bill ignorando a presença de Bea.
- Eu sei… - disse Bill sorrindo.
- Eu não tinha tanta certeza! – disse Bea – Porque é que não apalpas o Gustav?

- Tinha de sobrar para mim… -
disse Gustav em forma de desabafo, levantando-se para ir buscar uma toalha e secar algum do suor que escorria por si.

- Ou o Tom… - disse Dreia sem pensar. Era a primeira vez que se dirigia a Tom por iniciativa própria desde aquele dia em Miami.

Tom não estava à espera que Dreia se referisse a ele, já estava habituado a ser excluído da sua visão e dos seus temas de conversa e divertimento. Olhou para Dreia espantado e surpreso. Mas ela não desviava sequer o olhar para si, falava dele como se ele nem sequer existisse e não estivesse presente naquela sala. Ela estava realmente mudada e amargurada.

- Olha por exemplo… - disse Bea como apoiando a ideia de Dreia.
- Deve ser parecido com o do Bill e ele não se importa que o apalpem… - disse Dreia.

Tom preparava-se para falar, mas Andreas ria de forma cúmplice com Dreia, fazendo-o sentir-se inferior, como se de alguma forma estivesse a ser alvo de chacota sem saber. Estava incrédulo, não esperava aquela reacção dela. Não gostava daquele tipo de brincadeira que parecia trazer maldade atrás.

- Tu lá sabes… - disse Andreas.
- Eu? Eu não sei de nada… - disse Dreia corando – Já foi à tanto tempo…
- Pois foi… -
disse Andreas apercebendo-se de como o tempo passava rápido – Mas o Tommi não muda…
- Isso de certeza! –
disse Dreia lembrando-se de todas as vezes em que o tinha visto com outras, inclusive à uma semana atrás.
- Até oferece o rabinho para que o apalpes mais vezes… - disse Andreas a rir, fazendo com que Nathalie se risse também.
- E pode ser que tenhas um bónus… - disse Dreia sentindo-se alvo dos olhos intrigados de Tom – Mas avisa-me porque não quero estar perto quando isso acontecer…
- É melhor, senão ainda és convidada a juntar-te à festa… -
disse Andreas a gozar com o gosto particular do seu amigo por ménages.
- E eu dispenso esse tipo de festas… - disse Dreia com cara de nojo.
- Podes ficar no meu quarto não te preocupes… - disse Andreas a rir.

- Vocês fazem com cada filme… – disse Nathalie a rir.
- Mesmo! – disse Tom vendo a maneira como Andreas e Dreia se riam e sentindo que algo se passava entre eles. Pareciam estar cada vez mais próximos – Aqui ninguém apalpa ninguém. A não ser o Bill e a Bea…

- Eu também te posso apalpar cunhado? –
perguntou Bea gozando com ele.

- Não acredito!!! – disse Tom espantado, mandando as mãos aos céus – Ela fez uma piada… Mein Gott… algo está para acontecer…

Bea sorriu com o comentário de Tom e rodou o corpo sobre os braços de Bill ficando frente a frente com ele. Encostou a cabeça ao tronco nu de Bill, e passou a mão esquerda pela tatuagem que preenchia aquele lado do seu corpo. Beijou o ombro dele e demorou-se nos seus lábios. Amava-o e não ia deixar que Nathalie se aproximasse dele. Estava disposta a dar luta, e não seria da fácil.

- Vou tomar banho… - disse Bill dando um último beijo em Bea e libertando-se dos seus braços.

Bill saiu do camarim em direcção aos duches, fazendo-se acompanhar pelo resto da banda e alguns seguranças. Bea ficava sozinha na sala com Nathalie e Andreas. Estava com uma raiva enorme de Nathalie, aquilo que ela tinha feito tinha sido a gota de água.

- Nem penses em voltar a fazer o que fizeste…. – disse Bea a Nathalie.
- Deves pensar que foi a primeira vez que lhe bati no rabo… - disse Nathalie a rir.
- Não. Mas foi a última… – disse Bea ameaçando Nathalie com o seu olhar e virando-se para Dreia disse em português – Posso falar contigo?
- Claro… -
disse Dreia levantando-se e seguindo Bea até ao exterior do camarim.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 01, 2009 12:12 pm

Bea encostou-se à parede do corredor e observou Dreia a sair do camarim. Quando viu os olhos da amiga cruzarem-se com os seus preparava-se para falar, mas foi travada por Dreia.

- Não leves tão a peito as cenas da Nathalie… - disse Dreia – Eles já se conhecem à anos, é normal que tenham estas brincadeiras entre eles!
- Muito gostas tu de desculpar a Nathalie… -
disse Bea espantada – Ela pode fazer o que quiser com quem quiser, mas se sabe que eu não gosto destas cenas, não tem nada de meter as mãos no meu namorado! É uma questão de respeito! Ela faz isto para provocar… A sério… cada vez estou mais farta dela!
- Pois… mas ela e o Bill dão-se muito bem, tens de te habituar a viver com isso… -
disse Dreia.

- É difícil… - disse Bea abanando a cabeça da direita para a esquerda – Se fossem só os ciúmes eu até lidava bem com isto, mas ela provoca tanto… Digo-te… só aguento até aos anos do Bill, depois estou-me a cagar, vou começar a responder-lhe na mesma moeda!
- Vê lá o que fazes, estamos na tour e eles estão a trabalhar… -
disse Dreia.
- Então ela que se comporte como alguém que está a trabalhar… Sanguessuga… - disse Bea libertando o ar que tinha dentro de si com pujança.

Dreia riu-se da afirmação da amiga. Não tinha nada contra Nathalie, embora reconhecesse que ela às vezes passava das marcas com o que dizia, mas isso era entre Bea e Nathalie, sempre tinha tentado manter-se fora desses assuntos porque Nathalie tinha sido impecável em oferece-lhe o seu quarto para ficar durante a tour. Não tinha nada para lhe apontar.

- Mas não foi por causa disso que te chamei… - disse Bea – O que é que se passa contigo? Há uma semana que andas assim…
- Nada… -
disse Dreia adoptando uma postura muito mais rígida.
- É por causa do Tom, não é? – perguntou Bea que já tinha reparado no distanciamento deles – Ele fez porcaria?
- Ele continua igual… -
disse Dreia em forma de desabafo.
- Vocês andavam tão amigos. Falavam, riam, divertiam-se juntos, e agora de um momento para o outro não olhas para ele, não lhe diriges a palavra a não ser para gozar com ele, ficas no camarim com o Andreas e a Nathalie e não vais assistir aos concertos… - disse Bea – O que é que aconteceu?

Dreia sabia que era difícil esconder algo da amiga, ela conhecia-a bem, tinha reparado em tudo o que se andava a passar. Sentia-se tão vazia, tão mesquinha. Talvez o mais acertado fosse contar o que se passava consigo, sem com isso violar o segredo que tinha com Tom. Precisava de desabafar com alguém, e ninguém conhecia tão bem a sua história com Tom como aquela que a tinha apresentado a ele, que tinha tornado o seu sonho realidade, que tinha visto o seu sonho desmoronar-se e transformar-se num pesadelo, que tinha acompanhado as suas tentativas de o esquecer, o seu reerguer, e que assistia agora sem saber, à sua recaída.

- Não sei… - disse Dreia sem saber abordar aquele tema de conversa – Não consigo explicar-te… Olhei para ele e foi como se tudo voltasse…

Bea olhou para os olhos de Dreia. Sabia perfeitamente do que ela estava a falar, sabia-o à tanto tempo, porque é que tinha ignorado todos os sinais que a amiga lhe tinha dado? Nunca tinha existido um Andreas na sua vida, como nunca tinha existido realmente Tom 2, porque Tom continuava a habitar o seu coração de forma permanente.

- Não posso fugir, mas posso evitar! – disse Dreia olhando timidamente para Bea.
- Não podes evitar querida… - disse Bea sentindo pena de Dreia, mas percebendo o efeito que os Kaulitz conseguiam ter sobre alguém – Nem deves fugir! Tens de encarar isto com naturalidade e viver a tua vida…
- Como? Tu não achas que eu me sinto mal quando estou ao pé dele? –
disse Dreia – E quando o evito e ignoro, achas que me sinto bem? Não… Mas não posso nem quero sofrer mais… vou fingir que nada aconteceu, e que não sinto nada…
- Mas quanto mais fingires que nada aconteceu, e que não sentes nada, mais estás a ser falsa contigo mesma, e a prender-te a esta situação. Aprende a lidar com isto! Quanto mais te esconderes como tens feito até agora, pior… -
disse Bea – Está na altura de encarares o teu problema de frente!

- E faço o quê? –
perguntou Dreia.
- Nada. Sê tu mesma… continua a falar com o Tom normalmente. Não deixes de ser quem és por ninguém, muito menos por alguém como o Tom que não merece que isso aconteça… - disse Bea.
- Eu sei que tens razão, mas é difícil… - disse Dreia.
- Ninguém disse que era fácil… - disse Bea sorrindo de forma amigável – Mas não é impossível… é tudo uma questão de tempo. Se eu ultrapassei o Gonçalo, tu irás ultrapassar o Tom.

- E se não ultrapassar? E se sempre que o vir me sentir assim? –
perguntou Dreia preocupada com os seus sentimentos.
- Talvez tenhas de aprender a viver assim… - disse Bea com pena da amiga.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 01, 2009 12:15 pm

 106 





Passavam quatro semanas desde que tinham entrado naquela aventura de seguir os Tokio Hotel na sua tour pela América e Alemanha. Iam precisamente a meio da viagem. Já estavam tão habituadas a viver com eles e a ouvirem as suas aventuras, que por vezes quase parecia que tinham assistido às histórias que eles contavam.

Bea continuava a viver um sonho do qual não queria acordar tão cedo, estar nos braços de Bill e vê-lo em palco, era como uma dose extra de oxigénio que fazia falta na sua vida, o misticismo e a energia que vivia dentro de si pareciam drogá-la em felicidade. Só uma coisa a faria estar 100% feliz, e prendia-se com o desaparecimento de alguém da sua vida, por mais cruel que isso pudesse parecer. Nathalie impedia-a de ser feliz na totalidade, impedia-a de se sentir tranquila. Sem ela seria tudo tão mais fácil.

Dreia sentia-se muito mais tranquila desde que tinha aberto o seu coração a Bea, a amiga ajudava-a diariamente a combater os seus fantasmas e medos, e já conseguia evitar fugir na presença de Tom, no entanto, continuava a desviar o olhar dele. Aquele olhar deixava-a demasiado entorpecida para o poder enfrentar sem ter medo das consequências que ele teria no seu coração.

Faltava um dia para os gémeos fazerem anos. O aniversário deles seria passado em Toronto, e para felicidade de todos, em folga. Não teriam qualquer obrigação. Nada de entrevistas, programas de televisão, concertos, sessões de autógrafos, nada! Seria apenas um dia em que poderiam fazer aquilo que bem entendessem.

Tinham saído directos de um concerto em Phoenix no Arizona, para o aeroporto. Era uma da manhã e tinham acabado de chegar a Toronto. Estavam exaustos e cheios de sono, e o dia que se seguia prometia ser uma correria para que tivessem a possibilidade de descansar no dia 1 de Setembro. As malas começavam a sair. Os seguranças enchiam trolleys com elas. Viajavam com cerca de cinquenta e cinco malas, entre a roupa deles e da crew. Bill não parava de abrir a boca, sentou-se num banco à espera que as malas saíssem todas e Bea seguiu o seu exemplo, estava praticamente a dormir acordada. Sentou-se no colo de Bill e encostou a sua cabeça à de Bill, abraçando o corpo dele e fechando os olhos, não via a hora de chegar ao hotel e aterrar na sua cama. Era a primeira vez que ia ao Canadá, mas naquele momento, nada no Canadá a faria trocar a sua cama de hotel. Tom estava sentado ao lado de Bill e Bea, queria manter-se acordado para dormir com maior facilidade uma vez que chegasse ao hotel, sabia que ia ter de acordar às sete da manhã e beber uma boa quantidade de RedBull para se manter acordado o dia todo. Gustav, Georg, Andreas, Nathalie e Dreia mantinham-se em pé a ajudar com as malas, talvez numa tentativa de não adormecerem. Tom fazia um esforço para não fechar os olhos, mas o sono parecia querer apoderar-se de si.

- Não feches os olhos… - disse Andreas batendo-lhe no boné com a mão.
- Hã? – murmurou Tom que estava a entrar numa fase pré-sono.
- Anda ajudar com as malas, assim não adormeces… - disse Andreas.
- Estou cansado… - disse Tom abrindo a boca.
- Mais uma razão… Anda! – disse Andreas puxando-o por uma mão.

Tom deixou-se puxar por Andreas até à zona onde saíam as malas. Bill e Bea permaneciam agora isolados, sentados num banco adormecidos. Tom ajeitou o boné, e sem grande vontade de participar na recolha das malas perguntou:

- Quantas faltam?
- …Onze –
disse Nathalie abrindo a boca.
- Olha a minhaaaaaa! – disse Dreia contente por ver que a sua mala tinha chegado ao Canadá.
- Eu ajudo-te… - disse Tom.
- Não é preciso…. – disse Dreia apressando-se para ir buscar a mala.

Tom não se deixou ficar, estava ali para ajudar e manter-se acordado, não ia ficar de braços cruzados à espera, ou então adormecia. Seguiu Dreia e ao ver que ela tinha dificuldade em puxar a mala do tapete rolante, colocou a sua mão sobre a dela e ajudou-a a puxar a mala para fora. Quando a pousou no chão olhou para Dreia e viu que as suas caras estavam apenas a escassos centímetros. Os olhos de Dreia pareciam ter um brilho diferente. As suas faces estavam rosadas. Ouviu-a agradecer a ajuda, mas com dificuldade, uma vez que a sua voz parecia não ter força para se exteriorizar. Dreia estava petrificada. Quando sentiu o toque da mão dele sobre a sua, sentiu também aquele mesmo toque no seu coração, como se Tom lhe tivesse segurado no coração com as mãos e o amparasse por momentos. Ao sentir a mão de Tom sair de cima da sua e olhar para ele para agradecer, deparou-se com aqueles olhos a centímetros dos seus, aquele olhar intenso que a hipnotizava, as rastas que pendiam e decoravam aquela cara que parecia ter sido desenhada, aqueles lábios carnudos e entreabertos tão sensuais. Era capaz de jurar que tinha sentido a respiração dele sobre si. Adorava sentir a respiração dele, principalmente em momentos em que ele ofegava, em alturas em que aqueles lábios entreabertos eram seus. Lembrava-se perfeitamente da última vez que os tinha sentido, lembrava-se perfeitamente do descontrole em que o seu corpo tinha ficado, no modo como tinha reagido àquele beijo, na dor que tinha sentido após ter sido esmagada pelo seu piercing, na força como as mãos dele tinham inspeccionado o seu corpo, no desejo exasperado que tinha sentido, e na vontade louca que tinha de se dar a ele e esquecer que era comprometida com Tom 2. Agradeceu a Tom pela ajuda, com a força que sentia as suas cordas vocais cederem, mas de seguida sentiu-se estúpida por não ter forçado um pouco mais a voz. Estava hipnotizada pela proximidade dele e do seu corpo, mas não queria fazê-lo transparecer.


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Estava finalmente deitada na sua cama, ia poder descansar. Mas não queria, nem conseguia. Na sua cabeça passavam imagens da cara de Tom colada à sua, da respiração de Tom sobre a sua face. Parecia que visionava um filme. Tinha romantizado o momento, e tinha plena noção disso, mas tinha sido tão perfeito vê-lo assim. Tinha sentido tanta vontade de largar tudo e ceder à tentação dos lábios dele… Mas não queria, nem o iria fazer. Já tinha passado por situações piores, como no sótão de Bea e na Berghain. Um simples toque da sua mão e um olhar tão próximo não poderiam nunca ultrapassar esses momentos. Acariciou com a sua mão esquerda as costas da mão direita, onde a mão do Tom, forte e firme, tinha segurado na sua para puxar a mala. Tom tinha preenchido todo o espaço da sua mão pequena. Tinha-a envolvido como em tempos fazia com os braços à volta do seu corpo. Adorava sentir os braços dele à volta do seu corpo. Adorava sentir tudo nele em si, não se lembrava de um único defeito ou imperfeição em Tom. Se pudesse alterar algo nele, não o faria. Até o seu feitio mulherengo permaneceria intacto. Gostava dele por ser exactamente como era, por mais que isso lhe desencadeasse um misto de raiva e fúria. Era Tom. Era o seu Tom. Era o que era pelas vivências e experiências da sua vida. Só tinha pena que ele não fosse verdadeiro consigo mesmo, com os seus sentimentos, que não fosse capaz de amar sem medo, de ser fiel, de deixá-la aproximar-se dele como Bill ou um dos rapazes. Gostava de ser verdadeiramente sua amiga dele, mas também sabia que não conseguiria lidar bem com essa intimidade. Quando se tinham aproximado mais, e o tinha visto em Miami com outra tinha sentido o seu coração despedaçado, e a mostra estava à vista, tinha passado quase duas semanas a evitá-lo, só agora, depois da conversa com Bea e de pensar no assunto racionalmente é que se dava conta que não podia fugir dele para o resto da vida, nem era isso que queria. Mas aquela mão… aquele toque… aquele olhar sobre si… aquela respiração… aqueles lábios… Se não se permitia sonhar acordada, ao menos a dormir que aproveitasse aquele corpo e aquela essência dele ao máximo. Aninhou-se na almofada e puxou o lençol sobre o seu corpo, tapando-se até às orelhas, segurou na mão direita e levou-a à boca, dando-lhe um beijo carente e sentido, como se a sua mão e o sitio onde ele lhe tinha tocado fosse um local sagrado de adoração. Entrelaçou as mãos e fechou os olhos, juntando as mãos ao peito, sobre a zona do coração.

Quando acordou não se lembrava do sonho que tinha tido, mas sabia que tinha sido com ele. Só podia ter sido com ele, ou o sorriso que estava na sua cara e a boa disposição, com apenas quatro horas de sono, não existiriam. Viu Nathalie preparar-se para ir ter com o resto da equipa e deu graças a Deus de só ter combinado com Bea e Andreas ao meio-dia no corredor. Ia poder dormir mais quatro horas. Aquela tarde prometia. Enquanto os rapazes passavam o dia em entrevistas, eles iam às compras.


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- Não estou a gozar… Vou comprar estes boxers… - disse Andreas a rir, mostrando a Bea e Dreia uns boxers em tons de branco, cheios de corações vermelhos pequeninos e um em grande sobre a zona das virilhas onde se podia ler Hot zone – É a cara do Tom!

Bea e Dreia não conseguiram evitar de rir. Só Andreas para aproveitar o aniversário dos gémeos para gozar com eles de forma tão explicita. Mas a verdade é que eles tinham tudo, e era difícil escolher uma prenda para lhes dar, uns boxers sempre eram uma solução divertida e com utilidade.

- E ainda vou encontrar aqui uns para o Bill, vão ver… - disse Andreas procurando boxers diferentes.
- Tu vê lá o que é que dás ao Bill! – disse Bea a rir.
- Não te preocupes… - disse Andreas revirando as prateleiras.

- Andiiiiiii…. Olha este… é perfeito! – disse Dreia sorridente por ter encontrado os boxers perfeitos para Bill.
- Eu não acredito!! – exclamou Bea boquiaberta ao ver os boxers que Dreia segurava. Era em tons de preto, com a imagem de um leão mansinho sobre a perna direita, e outro assanhado a rugir na perna esquerda, e na zona das virilhas um vistoso Rawr – É perfeitooooo!
- É mesmo esse! Ok… as minhas prendas estão despachadas… Agora só compro coisas para mim! –
disse Andreas a rir.

- Não faço ideia do que hei-de dar ao Bill… - disse Dreia desabafando com Bea e Andreas na esperança que eles a ajudassem.
- Ele vai gostar de qualquer coisa, acredita… - disse Andreas – Ele é mais fácil de contentar que o Tom.
- Já sabes o que é que vais dar ao Tom? –
perguntou Bea.
- Não, mas não estou muito preocupada com isso… - disse Dreia.
- Então? – perguntou Andreas.
- Não sei… preocupa-me mais o Bill… – disse Dreia disfarçando por Andreas estar com elas.
- Se quiseres podes dar comigo a prenda que tinha pensado para eles… - disse Bea.
- Não! Tu deves querer dar a prenda sozinha… – disse Dreia.
- E ia-te perguntar se a querias dar a meias comigo? – perguntou Bea levantando uma sobrancelha a Dreia.
- Tens a certeza? – perguntou Dreia.
- Claro… eles vão adorar! – disse Bea empolgada – E até me ajudas porque ela é um bocadinho para o cara…
- Sim…a prenda é mesmo muito boa, eles vão adorá-la de certeza! –
disse Dreia que já sabia aquilo que a amiga tinha planeado para eles – Por mim se não te importares…
- Não me importo mesmo nada! Eu depois ofereço outra coisinha ao Bill… - disse Bea piscando o olhos.

- Ohhh não vão acreditar, encontrei os boxers perfeitos para mim… - disse Andreas que continuava de volta das prateleiras.

Dreia e Bea desataram-se a rir ao ver que Andreas pegava nuns boxers azuis cheios de computadores, e sobre a virilha a mensagem Computer Genius.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:23 pm

 107 







Era quase meia-noite. Estavam num bar no coração da cidade de Toronto. Os gémeos estavam efusivos com o seu aniversário. Faziam vinte anos, era um número mágico e redondo. Nenhum dos dois se sentia preparado para aquela idade, nenhum dos dois tinha juízo para a assumir na totalidade, mas maior parte dos seus amigos já tinham passado por ela e continuavam sem qualquer tipo de juízo por isso, o número não iria com certeza ditar a razão da sua mente e da sua boa disposição.

Bea estava sentada ao lado de Bill, desejosa de lhe dar os parabéns e revelar as surpresas que tinha preparado com tanto carinho para ele. Não tinha muito jeito para fazer surpresas, mas tinha a certeza que ele ia adorar o que tinha preparado. Bill bebia uma lata de RedBull, não tinha dormido praticamente nada na noite anterior, e o cansaço e correria do dia começava a abater-se sobre ele. Não desejava nada para o seu vigésimo aniversário. Adorava receber prendas, mas a sua vida era perfeita, tinha tudo o que sempre tinha desejado, não podia pedir mais nada, qualquer coisa que lhe oferecessem não poderia chegar aos pés de ter à sua volta as pessoas mais importantes na sua vida. Nada substituía o valor das pessoas e o amor e carinho que elas lhe davam. A crew estava toda reunida. Eram demasiados para a parte privada do bar, mas Bill e Tom não queriam deixar ninguém de parte, queriam celebrar os seus vinte anos com toda a gente. Já que estavam afastados de casa, ao menos que se sentissem perto daqueles que mais lhes diziam. Tom bebia também um Redbull, estava desperto mas cansado e o seu corpo pedia-lhe aquela dose de energia extra para o fazer aguentar a noite. Há duas semanas que não dormia com ninguém. Sentia-se estranho, não era normal nas tours passar tanto tempo sozinho, geralmente era a altura em que mais one night stands tinha, mas esta tour estava a revelar-se diferente. Naquela noite, Tom estava decidido a dar-se a si mesmo a prenda que lhe andava a fazer falta. Tinha tudo o que desejava a nível material. Tinha uma família e uns amigos incríveis, não desejava ter nenhuma ligação emocional com ninguém (nem consigo mesmo), mas fisicamente faltava-lhe aquela sensação que tanto prazer e calma lhe trazia. Ao contrário dos rumores que circulavam a seu respeito, Tom não era a típica estrela do rock que dormia com groupies somente por prazer. O sexo era terapêutico, ajudava-o a descansar, a relaxar, a libertar-se mais, era a única altura (fora os concertos) em que se soltava e se deixava levar pela emoção. Era carnal, queria que fosse carnal, não desejava sequer que fosse de outra forma. Naquela noite seria fácil, não ia escolher, não ia fazer jogos. Queria sexo, e era sexo que ia ter.

Quando soou a meia-noite, entrou pela porta da sala privada um bartender com um bolo enorme com duas velas em forma de números. Bill juntou as mãos como se em prece e bateu palmas, não estava à espera de ter direito a um bolo de anos. Bea abraçou-se à cintura dele. Estava feliz por ver os olhos dele brilharem. Sentia-se grata por poder estar do seu lado naquele dia tão especial, o dia em que comemorava o seu vigésimo aniversário. Bendito dia em que o amor de duas pessoas se tinha unido para criar a pessoa mais maravilhosa à face da Terra, e consigo tinha trazido uma ovelha negra, que embora desmiolada, lhe era tão querida. Os amigos de Tom e Bill cantavam efusivamente os parabéns aos gémeos. Tom sorria de forma tímida, ficava sempre envergonhado quando lhe cantavam os parabéns, nunca sabia se devia cantar também. Olhou para Bill e viu que ele não cantava, decidiu não cantar, afinal de contas, Bill era o cantor da família e se ele não cantava, mais ninguém teria autoridade para o fazer. Os gémeos trocaram um olhar, um olhar que carregava a emoção daquele dia que se iniciava. Vinte anos. Vinte anos de alegrias e tristezas, de um crescimento em conjunto, de um laço que os unia de forma tão forte que ninguém o seria capaz de quebrar. Era para a vida, e era a única coisa que cada um deles tinha como certo na sua vida. No dia que um morresse a alma do outro ia com ele. Bill sorriu de forma expansiva, como era seu hábito, Tom humedeceu os lábios e abanou a cabeça da direita para a esquerda, olhando para o irmão gémeo. Quando a canção terminou, Bill e Tom prontificaram-se a apagar as velas. Bill soprou em avanço, para compensar o facto de no ano passado em Los Angeles Tom ter apagado as velas enquanto ele ainda se preparava para soprar. Tom olhou para Bill e sorriu-lhe, percebia perfeitamente o porquê daquela atitude do irmão. Percebia sempre o que ele queria dizer com os seus gestos ou palavras. Estendeu os braços a Bill e esperou que o seu corpo gémeo se unisse ao seu num abraço sentido, forte e fraterno. Eram uma gota de água naquele oceano imenso que era o mundo. Tinham sorte em terem-se um ao outro, em se compreenderem tão bem, em no meio de biliões de seres humanos terem alguém a quem pudessem chamar parte de si.

- Parabéns maninho… - disse Tom.
- Parabéns Tommi! – disse Bill sorrindo nos braços do seu irmão.
- Vinte… - disse Tom assustado com o peso da idade.
- Como é que tu fazes vinte anos? – perguntou Bill a rir da imaturidade do irmão.
- E tu? Só te falta casar e ter filhos… – disse Tom a gozar com o irmão.
- Fogo… calma… tenho muito tempo pela frente. Tudo com calma. A Bea não vai fugir para lado nenhum que eu não deixo… Daqui a dez anos quem sabe… - disse Bill a rir.
- Ao menos ainda tens juízo… - disse Tom aliviado.
- Alguém que mantenha o bom senso na família, já que tu o abandonaste há muito tempo! – disse Bill a rir.

- Champagneeeeeee…. – gritou Georg à medida que abria uma garrafa e fazia a rolha saltar e embater contra o tecto, provocando pânico em todos as pessoas presentes na sala.

Bill e Tom olharam para Georg e só tiveram tempo de colocar as mãos na cabeça com medo de serem atingidos pela rolha que saltava de forma descontrolada. Bea aproveitou o facto de Bill já ter trocado umas primeiras palavras com o irmão e abraçou-o. Bill sentiu as mãos de Bea à volta do seu corpo e virou-se de imediato para ela, agarrando o seu pescoço com ambas as mãos e puxando os lábios dela de encontro aos seus. À precisamente um ano atrás desejava que a sua vida tomasse um rumo diferente, lembrava-se nitidamente de desejar de alma e coração encontrar alguém que o acompanhasse. Alguém que fizesse o seu coração bater. Tinha-a encontrado, num dia frio, num consultório de um veterinário. Estava completo, agora não lhe faltava nada. Era feliz. Abraçou o corpo dela com força e ouviu-a dizer:

- Parabéns leão…. Amo-te tanto…
- Obrigado schatzi! Nem sabes o que desejei para que estivesses do meu lado neste dia. O quanto chamei por ti… -
disse Bill passando a sua mão direita nos cabelos dela – Alguém ouviu as minhas preces…
- Considera-me a tua prenda de anos… -
disse Bea sorrindo à medida que introduzia uma mão por baixo da t-shirt de Bill e sentia a pele das costas dele em contacto com a sua mão.
- Tu és mais que uma prenda de anos… - disse Bill – Tu és a prenda das prendas… Tipo o EuroMilhões que saí duas vezes seguidas…

Bea riu. Amava-o tanto. Sentia-se verdadeiramente feliz por poder celebrar o aniversário dele nos seus braços, entre os seus amigos. Alcançou os lábios dele com os seus e sentindo um formigueiro apoderar-se do seu coração, beijou-o, sentindo na perfeição o toque daqueles lábios que preenchiam os seus como se tivessem sido produzidos para esse efeito. Nunca iria imaginar à um ano atrás que estaria nos braços de outro rapaz que não Gonçalo, e mesmo que pudesse por essa hipótese, um dos últimos rapazes à face da Terra seria sem dúvida o vocalista dos Tokio Hotel, aquela mistura andrógina que não era rapaz, nem rapariga. Nunca se imaginaria nos braços da sua alma gémea. Sentiu as mãos dele apertarem-na com mais força para junto de si e a sua língua investigar o interior da sua boca. Bea não queria monopolizar Bill, uma vez que toda a gente o queria cumprimentar. Respondeu ao beijo de Bill sedenta por aqueles lábios e aquela língua e sugou o lábio inferior dele, dando-lhe um beijo rápido de seguida, soltando-se dos seus braços para que ele continuasse a cumprimentar os amigos. Virou-se para o lado e viu que Tom estava a cumprimentar Andreas e Nathalie. Aproximou-se e quando o viu olhar para si sorriu-lhe e abraçou-o com força, como se, se tratasse de Bill.

- Parabéns Tom… Desejo-te tudo de bom… - disse Bea sentindo verdadeiramente as palavras que lhe dizia – Eu sei que começámos mal a nossa amizade, mas quero que saibas que gosto muito de ti, e que para mim és como o irmão que nunca tive. Um pouco desmiolado, e com tendência a ser anormal e irracional… Mas não se escolhe os irmãos que se tem… e eu gosto de ti como és…

Tom sorriu espantado com as palavras de Bea. Não estava de todo à espera que ela sentisse tanto o seu aniversário. Não estava de todo à espera que ela lhe dissesse algo sequer parecido. Abraçou o corpo dela contra o seu com força.

- Já eu devo confessar que sempre gostei muito de ti cunhadinha… se o Bill não se puser a pau ainda te roubo… - disse Tom sorrindo – Desculpa se por vezes sou desmiolado e anormal
- Não é para pedires desculpa… -
disse Bea sorrindo – Eu gosto de ti assim!
- Desmiolado e anormal? –
perguntou Tom levantando uma sobrancelha espantado com a simpatia extrema de Bea.
- Ok… só desmiolado… o anormal dispenso! – disse Bea sorrindo.

Tom não conseguiu evitar de se rir. Soltou Bea dos seus braços e reparou que o irmão lhe sorria. Tinham percorrido um grande caminho até ganhar a confiança de Bea e sabia que o irmão dava valor a isso e gostava de os ver assim. Tom sorriu-lhe de volta. Olhou em frente e viu Dreia a olhar para si, trazia um sorriso tímido na cara, e estava ligeiramente corada. Não sabia o que fazer perante ela, andava tão estranha ultimamente que tinha medo de fazer algo que voltasse a estragar tudo. Dreia sentia-se emocionada, não conseguia evitar. Era ele. Era o dia dele. O dia em que tinha nascido aquele que para si iluminava o mundo, aquele que mantinha a esperança viva, e o amor intenso. Ele sorria-lhe, de forma tímida e receosa, mas sorria. Inclinou-se sobre ele e deu-lhe dois beijinhos.

- Parabéns! – disse Dreia sentindo o seu corpo estremecer.
- Obrigado – disse Tom.
- Vinte anos… - disse Dreia sem saber que mais lhe dizer.
- Vinte anos! – disse Tom sorrindo.
- Espero daqui a vinte anos cantar-te os parabéns novamente… – disse Dreia.
- Não vejo porque não… - disse Tom sorrindo sempre de forma cordial.

- Tens de ver a minha prenda… - disse Andreas intrometendo-se na conversa de Tom e Dreia.
- Dá cá isso… - disse Tom arrancando o presente da mão de Andreas e abrindo-o como uma criança para se deparar com os boxers brancos cheios de corações vermelhos pequeninos e um em grande sobre a zona das virilhas onde se podia ler Hot zone – Não acredito!

Tom ria-se agarrado à barriga. Tinha adorado. Só mesmo Andreas para lhe dar uma prenda daquelas, ele tinha sempre o dom de o espantar e divertir com as suas prendas. Tom chamou a atenção de Bill e mostrou-lhe a prenda de Andreas, Bill desatou-se a rir também. Já conhecia o tipo de prendas que Andreas dava e adorava-as.

- Tu também tens direito a uns… - disse Andreas estendendo a Bill um embrulho igual ao de Tom.

Bill abriu a sua prenda e ao ver o boxers em tons de preto, com a imagem de um leão mansinho sobre a perna direita, e outro assanhado a rugir na perna esquerda, e na zona das virilhas um Rawr, ergueu-os bem alto e olhou para eles de boca aberta. Eram a sua cara. Riu-se para Andreas agradecendo a prenda e mostrou a Tom os seus boxers.

- O Andreas também tem uns… - disse Dreia sorrindo ao ver o sucesso que os boxers tinham feito – Mostra-lhes…
- Queres que me dispa aqui em frente a toda a gente? –
perguntou Andreas com um ar espantado.
- Vá lá Andi… - disse Dreia.
- Ela até implora para que te dispas… A coisa vai bem para os teus lados… – disse Tom piscando o olho ao amigo.
- Eu sou assim… - disse Andreas imitando o ego do amigo. Abriu as calças e puxou-as ligeiramente para baixo para que Tom e Bill pudessem ver o seu Computer Genius.
- Lindooooo! – disseram Tom e Bill ao mesmo tempo à medida que se riam.

Nathalie aproximou-se de Bill, rindo da figura de Andreas, e olhando para Bill, abraçou-o sem proferir uma palavra que fosse. Apertou-o com força contra si. Já o conhecia à uns bons anos. Tinha-o visto crescer e tornar-se num homenzinho, num ser humano esplêndido, cheio de qualidades e interesses. Bill era daquelas pessoas com quem era capaz de passar um dia inteiro a falar e não se cansava, tinha um encanto e uma maneira de a fazer sentir-se envolvida em si mesma e nele diferente do normal. Era único, especial. O seu sorriso e o brilho dos seus olhos comprovavam-nos. Tinha crescido para se tornar um modelo a seguir.

- Parabéns Bill… – disse Nathalie ao seu ouvido – Quando te conheci eras tão novo… Agora olha para ti, tão alto e crescido…
- Obrigado Nath –
disse Bill sorrindo-lhe e retribuindo o abraço.
- Espero que a tua namorada ciumenta não me mate por te estar a abraçar… - disse Nathalie olhando pelo canto do olho para Bea que olhava para ela inspeccionando cada movimento que fazia.
- Não te preocupes… - disse Bill afastando o seu corpo do dela e olhando para Bea para a ver com uma expressão atenta.
- Que os teus vinte anos se revelem tão bons ou melhores que os dezanove. No que depender de mim, estarei aqui para que assim seja… - disse Nathalie sorrindo-lhe.
- Eu sei… - disse Bill sorrindo para Nathalie – Obrigado!

Nathalie parecia querer continuar a falar e a pôr as suas mãos em Bill, mas Dreia que se apercebia da cena pelo olhar insistente e controlado de Bea decidiu intervir para evitar que aquela conversa se prolongasse muito mais tempo.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:24 pm

- Parabéns! – disse Dreia chamando a atenção de Bill para si.
- Obrigado! – disse Bill sorrindo e abraçando o corpo de Dreia.
- Que contes muitos mais e sempre felizes! – disse Dreia abraçando Bill, e virando-se para Bea acrescentou – Damos-lhe já a prenda?
- Sim! –
disse Bill entusiasmado em receber mais uma prenda.
- Não sei se ele merece…. – disse Bea aproximando-se do namorado e da amiga com ar de quem tentava fazer-se passar por má – Ele fez-me sofrer até à ultima no meu dia de anos…acho que merece o mesmo tratamento!
- Ohhh, mas olha para ele… ele está curioso! –
disse Dreia rindo da amiga.
- Que pena! – disse Bea cruzando os braços e desafiando Bill com o olhar.
- Não sejas má! – disse Bill colocando as mãos sobre a cintura de Bea e puxando-a até si beijando os seus lábios e atacando o seu pescoço de forma a descontrolar Bea para que ela não lhe conseguisse resistir

- Isso não vale… – disse Bea tentando-se afastar dos braços de Bill.
- Vale tudo… - disse Bill rindo e fazendo força para que Bea não se conseguisse desprender dos seus braços.
- Damos já? – perguntou Dreia a rir.
- Tem de ser… - disse Bea sorrindo e abraçando Bill atacando os seus lábios. Não lhe conseguia resistir.
- Mas a prenda é para os dois… - disse Dreia.
- Tommiiiii! – chamou Bill, e captando a atenção do seu gémeo continuou com um sorriso na cara – Mais prendasssss!

Tom aproximou-se de Bill, Bea e Dreia com um sorriso na cara, estava curioso para saber o que tinha saído daquelas cabeças. Que prenda ofereciam as duas em conjunto e a eles?

- Para vocês… - disse Bea tirando do bolso das calças uma folha que tinha guardado lá antes da meia-noite – Espero que gostem…
- Se não gostarem… Troca-se… -
disse Dreia sorrindo timidamente.
- Entre aspas… - disse Bea olhando para Dreia – Não é que dê para trocar, mas talvez dê para remediar…

Bill pegou na folha. Estava dobrada em oito. Era apenas um pequeno pedaço de papel. Olhou para o irmão e Tom estava com um ar tão intrigado como o seu. Percebeu que tinha luz verde para abrir o papel e desvendar qual era a sua prenda. Abriu e leu o papel atentamente, abrindo bastante os olhos e a boca em espanto.

- Vocês! – exclamou Bill em espanto.
- Nós… - disse Bea sorrindo.
- Eu não acredito! – disse Bill.
- O que é que foi? – perguntou Tom curioso arrancando a folha da mão de Bill e lendo o que nela estava escrito em voz alta Open Water Dive? Isto é o que eu estou a pensar que é?

- Depende do que estás a pensar que seja! –
disse Bea sorrindo e sendo atacada por Bill num abraço e beijo profundo.
- Mergulho em alto mar? – perguntou Tom a Dreia.
- Sim… - disse Dreia sorrindo e tentando perceber se ele tinha gostado ou não da prenda.
- Deve ser giro… - disse Tom esboçando um sorriso – Mas não é perigoso?
- Não sejas mariquinhas Tom! –
exclamou Bea após soltar-se dos lábios de Bill.
- Sim, ninguém nos vai mandar para alto mar num barco a remos para o meio de tubarões e crocodilos… - disse Bill a gozar com Tom.

- Desculpa lá se não tenho vontade de morrer! – disse Tom que era sempre cauteloso.
- Que exagerado! – disse Bea rindo de quão diferente ele era de Bill.
- Mas não gostas? Se não quiseres fazer o mergulho… - começou Dreia por dizer.
- Quero… Deve ser lindo… - disse Tom que tinha um pouco de medo, mas a curiosidade de experimentar fazer mergulho ultrapassava-o – Vocês são loucas… isto deve ter sido caríssimo!
- Por acaso não foi… Pensei que fosse bem mais caro. Ainda por cima a dividir pelas duas, foi na boa! -
disse Bea.

- Adorei! – disse Bill entusiasmado com o que o esperava – E podemos fazer o mergulho quando quisermos?
- Sim… Tem é de ser amanhã! –
disse Dreia
- Fixe! – disse Bill animado – Vamos de manhã, para aproveitar o dia?
- Dizes isso agora! Quero ver quem é que te levanta amanhã de manhã da cama… -
disse Tom a rir.
- … Hora do almoço? – disse Bill.
- Está melhor… - disse Tom sorrindo e agradecendo a Bea e Dreia acrescentou com um sorriso honesto dando dois beijinhos a cada uma – Obrigado!
- Obrigado! –
disse Bill dando dois beijinhos a Dreia e abraçando Bea com força, levantando-a ligeiramente do chão e beijando-lhe o pescoço ao mesmo tempo.

Bill adorava aquele tipo de aventuras, era a prenda perfeita, iria com certeza desencadear um misto de emoções e recordações em si para o resto da vida. Tom era o oposto do seu irmão, gostava de aventuras dentro de quatro paredes, não gostava de se aventurar à toa sem se sentir seguro daquilo que fazia, embora uma sessão de mergulho devesse ser absolutamente incrível e inesquecível, possivelmente daquelas coisas que não se importaria de fazer regularmente (dependendo de como correria esta primeira experiencia).
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:24 pm

 108 





Tinha uma missão por cumprir, arranjar a sua prenda de anos. Tinha sido impossível no bar. Os amigos e a crew estavam demasiado em cima de si, e não tinha estado um segundo sozinho para poder inspeccionar as vistas de Toronto. Mas agora que estava de volta ao hotel há cerca de meia hora, estava na altura de fazer alguma coisa por si, sem que ninguém se pudesse intrometer nas suas vontades. Saiu do quarto e apanhou o elevador para o 1º andar que dava acesso ao bar do hotel. Ao entrar no bar, reparou que não havia muita gente, olhou para o relógio e viu que eram cinco da manhã, era normal que o bar não tivesse muita gente, principalmente um bar num hotel de luxo, onde os hóspedes eram maioritariamente gente com uma idade já mais avançada que tinha construído a sua fortuna pessoal e vivia com posses para estar ali. No bar via-se dois tipos de pessoas: os solitários (provavelmente homens de negócios que afastados da família, ou sem ela, não queriam permanecer muito tempo no seu quarto de hotel vazio e preferiam ir para o bar beber e conviver com desconhecidos) e os playboys (jovens ricos, às custas dos pais, que viajavam por prazer e gostavam de ir para o bar até altas horas da noite, com o intuito de engatar). Em que categoria se encaixava? Nas duas… sem dúvida que se encaixava nas duas.

Aproximou-se do bar e pediu uma Coca-Cola. Não queria beber, já tinha bebido vodka e champagne suficiente para aquela noite, e a razão que o levava até ao bar não era de todo para beber. Enquanto esperava pela sua bebida reparou que estava totalmente deslocado do seu ambiente normal, as pessoas olhavam-no de alto abaixo, talvez por se vestir com calças e t-shirts largas, e usar chapéu àquela hora da noite. Mas não se importava, nunca se tinha importado, não ia começar a importar-se no dia dos seus vinte anos. Observou o espaço à sua volta e reparou que não haviam mulheres no bar, sentiu-se estúpido por ter ido àquela hora e por não ter feito nada para arranjar companhia mais cedo. Mas o dia ainda agora começava, tinha muito tempo para se satisfazer, se não fosse agora, seria na manhã, tarde ou noite que o aguardavam após uma boa noite se sono. Mesmo que fosse no dia seguinte, não se importava, as prendas nem sempre vinham no dia de anos, embora aquela lhe estivesse a fazer falta naquele momento.

Preparava-se para pegar na sua bebida e voltar para o quarto quando ouviu uma gargalhada que conhecia bem. Virou-se de costas e seguiu o som daquela voz que ria descontroladamente. Atrás de uma grande coluna encontrou uma mesa que nem tinha reparado que existia, e nela estavam sentados Andreas e Dreia a rir de forma efusiva. Estranhou vê-los ali àquela hora, os dois, sozinhos. Parecia que toda a gente tinha arranjado uma companhia, menos ele. Olhou para Dreia e viu que ela tinha a mão de Andreas sobre a sua perna. Pelos vistos eles estavam mesmo a ter um caso às escondidas de toda a gente, por isso é que se encontravam clandestinamente, longe de olhares indiscretos. Sentiu-se traído. Porque é que Andreas que era o seu melhor amigo, nunca lhe tinha contado nada? Teria Dreia pedido para que ele mantivesse o seu relacionamento em segredo? Seria por isso que Dreia se tinha afastado tanto de si? Porque estava ligada ao seu melhor amigo e não queria que ele pensasse que ainda sentia alguma coisa por si? Acreditava que sim. Assim tudo ficava mais claro na sua cabeça. Sentia pena que ela não tivesse confiado em si. Tinha aberto o seu coração e confiado um segredo a ela, mas não podia exigir a confiança dela, sabia que já a tinha magoado muito no passado, era normal que a ferida demorasse a sarar e a permitir uma reaproximação. Olhou para os olhos de Dreia e viu que eles estavam animados, no entanto apreensivos. Olhava para Andreas abanando a cabeça da direita para a esquerda como que a repreender algo que ele tinha dito ou feito. Andreas ria descontroladamente, tão descontroladamente que Tom era capaz de jurar que ele estava bastante bêbado. Já conhecia bem o amigo e não era a primeira vez que o via naquele estado.

- TOM! – gritou Andreas ao vê-lo parado à sua frente.

Dreia olhou em frente e viu-o. Trazia uma expressão espantada na cara. Vinha de copo na mão. Pelos vistos ela e Andreas não eram os únicos que estavam a precisar de beber e desanuviar a cabeça. Viu nos olhos dele uma expressão um tanto ou quanto desiludida. Será que ele pensava que ela e Andreas…? Viu os olhos de Tom deslizarem para a mão de Andreas que estava sobre a sua perna, e num impulso pegou na mão de Andreas e tirou-a de cima de si. Não queria que Tom fizesse filmes, não mais do que os que já tinha feito até então.

- Tom… - disse Dreia sem acreditar que ele estava ali à sua frente, como se fosse uma visão – O que é que estás aqui a fazer?
- Vim beber qualquer coisa! –
disse Tom imóvel.
- Senta-te aí! Vamos pedir mais uma rodada… – disse Andreas estupidamente alegre.
- Não vamos pedir mais nada! Já bebeste demais… – disse Dreia impedindo que Andreas levantasse a sua mão para chamar o empregado de mesa.
- Ohhh não sejas assim… - disse Andreas colocando um braço à volta do pescoço de Dreia e dando-lhe um beijo na cara.

Dreia sentiu-se corar. Andreas estava totalmente bêbado, ainda bem que Tom tinha aparecido, porque parecia que ia começar a ter problemas para o tirar do bar, e a ajuda de Tom vinha mesmo a calhar. Afastou Andreas de si e olhou para Tom. Estava parado a beber e a olhar para eles os dois sentados. Não tinha qualquer tipo de expressão nos olhos, estava esquisito.

- Ajudas-me a tirá-lo daqui? – perguntou Dreia a Tom.
- Desmancha prazeres… - disse Andreas olhando para Dreia.
- Anda lá Andi… - disse Dreia levantando-se, segurando em Andreas com uma mão na esperança de o conseguir puxar sozinha da cadeira onde ele estava sentado, mas sem qualquer resultado a não ser despontar um ataque de riso em Andreas que estava tão pesado como um corpo morto – Ajuda-me Tom…

Tom achou aquela cena degradante. Como é que o amigo tinha-se deixado chegar àquele estado? Pousou o copo que ainda estava praticamente cheio sobre a mesa, e aproximando-se de Andreas colocou uma mão em cada axila dele e puxou-o para cima. Dreia afastou-se um pouco para o deixar acercar-se de Andreas à vontade. Tom era forte, o seu corpo era magro e franzino, mas os seus músculos comprovavam a força que ele tinha naqueles braços. Observou-o puxar Andreas para cima sentindo-se quente por estar corada. Assim que Andreas ficou de pé, Dreia aproximou-se dele e colocou um braço de Andreas sobre os seus ombros segurando-o pela cintura. Tom fez o mesmo do outro lado, e juntos saíram do bar, carregando Andreas pelos ombros até ao elevador e posteriormente até ao seu quarto. Tom procurou nos bolsos de Andreas a chave do quarto, abrindo-a e entrando sem autorização com Dreia, largando-o sobre a sua cama. Uma vez que o deixou olhou para Dreia e viu-a suspirar olhando para o corpo inerte de Andreas.

- Obrigada por me teres ajudado… - disse Dreia olhando para Tom com um ar aliviado de quem não sabia o que teria feito se Tom não tivesse aparecido no bar.
- Não precisas de agradecer. Para a próxima tenta é ver se o controlas… – disse Tom tirando os sapatos ao amigo – Ele quando está numa de beber a sério, não pára!
- Como um bom alemão! –
disse Dreia sorrindo.
- Pois… - disse Tom sorrindo, à medida que tirava também as meias a Andreas – É melhor dar-lhe um banho de água fria para ver se ele acorda um bocado. É perigoso ele ir dormir assim.
- Ok! –
disse Dreia que nunca tinha estado numa situação daquelas e não sabia o que se devia fazer.

Dreia pegou na t-shirt de Andreas e tirou-a, com dificuldade, pela sua cabeça, enquanto Tom desapertava as calças a Andreas.

- Computer Genius… - balbuciou Andreas rindo-se dos boxers que tinha vestido em honra dos gémeos.

Dreia e Tom não conseguiram evitar de trocar um olhar entre si e rirem-se da figura de Andreas, praticamente despido, e contente por ter uns boxers a dizerem Computer Genius. Tom pegou nas pernas das calças e puxou-as para baixo, mandando-as de seguida para o chão.

- Anda… vamos para o banho… - disse Tom segurando no corpo de Andreas com a ajuda de Dreia para o levarem para o chuveiro.
- Ménage Tommi… - disse Andreas rindo-se de estar somente de boxers entre Dreia e Tom.
- Hoje não Andi… - disse Dreia a rir da figura de Andreas, entrando na casa de banho.
- Sabes que eu só gosto de ménages com raparigas, não é nada pessoal contra ti amigo… - disse Tom rindo-se do amigo e abrindo a torneira de água fria para meter Andreas de seguida debaixo do chuveiro.

- Ahhhhhhh está friaaaaaaaaa… – disse Andreas tentando fugir do chuveiro molhando Dreia e Tom todos ao tentarem segurá-lo lá dentro.
- Faz-te bem… - disse Tom fazendo força para manter o amigo quieto.

Deixaram a água escorrer sobre Andreas até ele se acalmar e sentir-se mais desperto. Quando ele parecia estar melhor, Tom e Dreia, já todos encharcados, tiraram-no do chuveiro e sentaram-no no tampo da sanita limpando a água que escorria do corpo deles.

- Podias ir buscar-lhe uns boxers lavados e o pijama dele? – pediu Tom a Dreia.
- Ele dorme só de boxers… - disse Dreia que sabia disso por causa da noite que tinha passado no seu quarto em Lisboa.
- Então traz-me só uns boxers… - pediu Tom.

Dreia saiu da casa de banho directa às malas de Andreas para procurar uns boxers limpos. Sentiu-se pela primeira vez estremecer devido à proximidade com Tom. Vê-lo a tomar conta do amigo assim, mexia consigo, mexia com o seu coração. A forma carinhosa e atenciosa como tratava de Andreas, era incrível. Desejou por momentos ser Andreas, para sentir as mãos de Tom sobre a sua pele nua, segurando-a e limpando-a. Ele era incrível.

Tom permanecia em frente a Andreas a passar uma toalha sobre a sua cabeça molhada. Andreas e Dreia estavam mesmo a ter um caso. Porque é que nenhum dos dois lhe tinha contado nada? Será que Bill sabia? Devia saber de certeza, Dreia não ia manter esse segredo de Bea e Bea acabaria por contar a Bill. Porque é que Bill não lhe tinha dito nada? Sentia-se excluído do que se passava, e de certa forma traído. Porque é que ninguém confiava nele?

- Toma! – disse Dreia da porta da casa de banho mandando os boxers que tinha encontrado a Tom.

Tom apanhou os boxers e estranhou o facto de Dreia não entrar na casa de banho para o ajudar, (já que Dreia já deveria estar familiarizada com as partes mais intimas de Andreas) mas pensou que Dreia quisesse manter as aparências e como tal não dava jeito estar com ele naquele momento em que Tom trocava os boxers molhados de Andreas por uns novos e secos. Quando acabou, chamou Dreia e ambos levaram Andreas até à sua cama. Deitaram-no e puxaram o lençol sobre ele que já se estava a abrigar na cama e a preparar-se para dormir. Dreia olhou para o modo Tom tapava o amigo e sentiu-se uma vez mais com inveja de Andreas. Era isto que adorava em Tom, mesmo sendo um mulherengo inveterado sem coração, nem sentimentos, de vez em quando descia à Terra e mostrava o seu lado meigo e atencioso, (geralmente com Bill) e nesses momentos sentia-se tão próxima dele. Queria aquele Tom só para si. Andreas tinha muita sorte.


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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:25 pm

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Bea sentia-se entre a espada e a parede. Só que a espada era Bill, e não a queria forçar a nada, porque ela queria dar-lhe tudo aquilo que ele desejava, e muito mais. O modo como a língua dele percorria o seu pescoço, e o seu piercing brincava com as suas orelhas. O modo como os seus lábios se entrelaçavam em beijos sensuais e provocadores, bebendo deles toda a sua essência que parecia procurar a fonte da vida. O modo como as mãos dele passavam na sua barriga, provocando-lhe um misto de arrepios que não conseguia, nem queria controlar. Dava consigo a respirar de forma ofegante, soltando ligeiros gemidos de prazer. Desejava-o tanto, naquele dia e em todos os dias que estavam juntos ou separados. Bill enchia-lhe a alma e o coração com um amor imensurável, com algo que nunca antes tinha sentido. Poder estar nos seus braços no dia em que comemorava os seus vinte anos, parecia dar um novo significado ao seu toque. Sentia-se mais receptiva, mais sensível, e observava o modo como ele se dedicava a si e ao seu corpo e via que ele estava diferente também. Não pela idade. Mas pelo modo como sentia aquela noite. Colocou uma perna à volta do tronco de Bill e sentiu a mão dele alcançá-la e segurá-la. Massajava-a percorrendo as suas coxas de forma carinhosa. Os seus lábios abordavam os de Bea de forma mais suave. Queria-a, desejava-a. Poder viver aquela noite nos braços dela tinha um significado inexplicável para si. Tinha desejado aquele momento, tinha desejado aquela cumplicidade e intimidade, mas nunca tinha pensado encontrá-la nos braços de uma amiga, que se tinha revelado o grande amor da sua vida. Nunca tinha pensado que amar doesse tanto e trouxesse tantas alegrias, e tanto prazer. Tinha nascido para amar. Era sensível, carinhoso, dava toda a atenção aos pormenores, tinha sido feito para aquele sentimento. Tinha sido feito para ela, para os braços dela, para o corpo dela, para o seu pensamento, para a completar. Sentia-se nas nuvens.

Colocou ambas as mãos sobre a cara dela, afagando o seu cabelo que insistia em colar-se à sua cara com o suor que escorria do seu corpo, juntou os seus lábios aos dela beijando-a de forma carinhosa e suave, tentando retirar deles todo o prazer que conseguia. Sugou-lhe o lábio inferior e mordiscou-o levemente lembrando-se do dia em que de forma descontrolada e selvagem lhe tinha rasgado os lábios. Sorriu. Olhou para os grandes olhos castanhos de Bea e sentiu-se imerso e perdido neles. Voltou a abranger os seus lábios sentindo uma necessidade crescente em si de se unir com ela, de formalizar aquele amor que sentia no seu interior. Posicionou-se no interior das suas pernas e olhando-a nos olhos, penetrou no seu interior sentindo-a em si, e observando o modo como Bea lutava por manter os seus olhos abertos. Os seus lábios entreabertos arfavam quantidades de ar superiores ao normal, estava excitada, estava a senti-lo em si. Bill movimentava-se no interior dela a um ritmo lento, como se cantasse uma balada, sentida e profunda. Entrava nela sentindo cada toque e superfície de contacto. Estava dentro dela, unido a ela. O corpo juntava-se ao sentimento que arrebatava o seu coração, estavam ligados a todos os níveis. Não se sentia sozinho, nem acompanhado por alguém, sentia-se a viver uma vida a dois. A respiração dela, o bater do seu coração eram agora seus também. Tomou os lábios de Bea com os seus e beijou-os sugando gentilmente o lábio inferior dela, sentindo o seu corpo ceder cada vez que entrava no seu interior. Bea beijava-o com doçura. Estavam romanticamente ligados a um momento que superava o puramente físico, uniam-se em amor e sentimento e davam-se sem medo nem receio, conheciam-se demasiadamente bem e sabiam o que cada um gostava, e acima de qualquer pormenor físico, gostavam de se sentir assim, agregados um no outro mentalmente, a vibrarem ao som da mesma música, da mesma paixão. Bill insistia em entrar cada vez mais fundo nela, e percorria com a mão direita o seu peito, ao mesmo tempo que enterrava os seus lábios no pescoço dela e provava o suor que emanava do seu corpo. Tinha o sabor dela, da sua essência e do seu perfume, de tudo aquilo que amava. Sentiu-a percorrer e cravar as unhas nas suas costas e sentiu-se impulsionado para aumentar a cadência dos seus movimentos, deixando Bea em sofreguidão de imediato. Não estava à espera que ele se apoderasse do seu corpo daquela forma, mas gostou. Gostava sempre. Era ele, o poder dele, o peso dele. Segurou-lhe na cara e beijou-o procurando o piercing que a excitava ainda mais de cada vez que o sentia. Bill queria beijá-la mas sentia o seu corpo hirto e sedento de atingir o prazer de estar dentro dela, não conseguia concentrar-se em mais nada a não ser, em impulsionar o seu corpo sobre o dela e sentir-se cada vez mais perto de atingir um orgasmo. Mantinha os lábios entreabertos e os olhos fechados. Aumentou ainda mais o ritmo a que impelia e a contagiava com o seu amor e ao sentir-se prestes a desbravar os caminhos da felicidade plena abriu os olhos, e viu-a olhá-lo nos olhos, como se entendesse tudo aquilo que ele sentia e viva naquele momento. Encostou o queixo à cana do nariz dela e soltando um gemido que parecia uma mistura de alivio e prazer atingiu o orgasmo, deixando os seus lábios caírem sobre a testa de Bea, beijando-a, e o seu corpo descansar sobre o dela.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:26 pm

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- Ficas com ele? – perguntou Dreia a Tom.
- Acho que não é preciso… - disse Tom olhando para o modo como Andreas já dormia ferrado.
- E não é perigoso ele ficar sozinho? – perguntou Dreia – Se ele se sente mal a meio da noite?
- Pois… talvez seja melhor alguém ficar com ele! –
disse Tom pensando melhor – Queres ficar tu?
- Pode ser… -
disse Dreia lembrando-se que Tom fazia anos e que não haveria de querer tomar conta de um bêbado. Até porque se sentia de certa forma culpada por não ter impedido Andreas de beber tanto.
- Ok… então vou ver se tomo um banho e vou para a cama… - disse Tom encaminhando-se para a porta do quarto de Andreas – Se for preciso alguma coisa telefona-me para o quarto.
- Ok. Obrigada pela ajuda! –
disse Dreia observando Tom sair do quarto.

Ouviu a porta bater e deixou-se cair sentada sobre a cama de Andreas. Olhou para trás e viu que Andreas dormia que nem uma pedra aninhado na sua cama. Suspirou. “Que noite!” pensou Dreia. Estava toda molhada de ter dado o banho de água fria a Andreas. Devia mudar de roupa ou então ainda se constipava de certeza, mas não tinha roupa nenhuma ali consigo, estava tudo no seu quarto. Foi à mala de Andreas e tirou uma t-shirt e umas calças de fato de treino e foi à casa de banho, tomar um duche quentinho que a relaxasse para dormir.

Abriu a água do chuveiro, e lembrou-se de Tom. Do modo como Tom tinha sido forte e ao mesmo tempo gentil e atencioso com Andreas. No modo como o segurava, como o enxugava com a toalha, como olhava para o amigo e procurava ajudá-lo. Adorava aquele Tom, sentia-se derreter no seu interior só de imaginar aquelas mãos firmes e o poder delas. Prendeu o cabelo com o elástico que em tempos tinha prendido as rastas de Tom no dia em que Tom 2 o tinha drogado na Berghain e deixou-se possuir pelas lembranças daquele dia em que Tom estava vulnerável nos seus braços. No dia em que o tinha sentido excitado contra a sua pele, e no calor e descontrolo que tinha sentido. Não sabia como lhe tinha sido capaz de resistir. Talvez por desejar tanto uma amizade que agora via claramente que nunca poderia existir, não por enquanto, não tão cedo quanto tinha desejado. Entrou no chuveiro e lavou o corpo imaginando que as suas mãos eram as mãos de Tom, e massajou o corpo de forma lenta e sentida com o gel de banho, deixando-se ficar um pouco dentro de água. Adorava ouvir o som da água a cair e senti-la escorrer sobre o seu corpo.

Saiu do chuveiro e limpou o corpo a uma toalha, imaginando que era Tom quem a passava pelo seu corpo. Desejava-o tanto. Queria poder estar do seu lado. Queria poder senti-lo em si uma vez mais. Ser o centro do seu mundo, e inspeccionar todos os seus recantos revivendo a paixão e o amor que sentia, do lado dele. Era sua, sempre tinha sido, desde o dia em que o tinha visto pela primeira vez. Desejava-o loucamente, como se o hímen que sentia ter dentro de si, e que a atraía loucamente de encontro ao corpo dele, tivesse perdido o controlo das suas acções e estivesse pronto a cometer uma loucura em nome do amor que sentia pulsar no seu interior. Estava agitada e irrequieta. Estava a sentir aquilo que até àquele dia nunca nenhum outro rapaz tinha sido capaz de fazer com que ela sentisse. Aquele desejo, aquele fogo. E desta vez Tom não tinha feito absolutamente nada para a provocar, mas não era preciso, era ele e bastava. Era a personalidade dele, o corpo dele, o estilo dele, e tudo aquilo que nele a deixava rendida e subjugada aos seus encantos. Sentiu um impulso e uma vontade imensa de ser irracional, de esquecer os seus problemas e os seus pensamentos e dar-se a ele. Ele fazia anos, e isso estava a deixá-la ainda mais desejosa de estar com ele, do lado dele, de o fazer feliz, de se sentir parte da vida dele como em tempos. Desejava-o tanto. Não queria estar do lado de mais ninguém. Vestiu a roupa de Andreas e saiu da casa de banho, soltando o longo cabelo castanho sobre as costas. Olhou para Andreas e reparou que ele continuava na mesma posição em que o tinha deixado. Dormia pacificamente como se não tivesse bebido até cair para o lado. Queria ser impulsiva, queria ser irracional, o seu corpo estava a pedir que ela agisse perante o desejo. Andreas parecia estar bem. Estava farta de lutar contra si mesma, de lutar contra os seus desejos e os seus apelos. Se ela o desejava tanto, porque é que tinha de se conter e sofrer daquela forma? Já tinha tentado ignorá-lo, partir para outra, ser sua amiga, e nada funcionava. O seu corpo só pedia o dele, e não ia descansar enquanto não o pudesse ter. Para quê evitar o inevitável? O ser humano tem uma capacidade incrível de procurar a felicidade e a sobrevivência da espécie nos lugares mais estranhos. E a sua sobrevivência dependia de Tom naquela noite.

- Desculpa… - disse Dreia para Andreas mesmo sabendo que ele estava a dormir e que não a escutava, mas tinha de se desculpar de alguma forma pelo que ia fazer. Não aguentava mais.

Pegou na chave do quarto de hotel de Andreas, que estava em cima da mesa, e vestida com as suas roupas saiu do quarto em direcção ao quarto de Tom. Estava determinada. Não ia sequer pensar naquilo que estava a fazer, não queria ser racional, recusava-se a sê-lo. Queria-o, com afecto, com desejo, com todo o amor que sentia pulsar ao ritmo descontrolado a que o seu coração batia. Deixou-se ficar parada à porta do quarto de Tom. Sentia o corpo tremer de tal forma que pensou não ser capaz de se mexer para bater na porta. Respirou fundo e bateu três vezes com o punho na porta. Quando a porta se abriu Dreia julgou que ia ter um ataque de coração. Ficou petrificada a olhar para a figura de Deus grego que estava à sua frente. Tom apresentava-se perante os seus olhos com as rastas presas no topo da cabeça, o tronco nu e molhado e uma toalha branca enrolada à volta da cintura. Tinha acabado de tomar banho e estava absolutamente perfeito. Se o desejo que sentia pulsar nas suas veias, e o nervosismo em que sentia o seu corpo, estavam a fervilhar e a impedir que ela tivesse qualquer tipo de reacção que não fosse puramente animal, ao vê-lo assim ficou totalmente excitada e desnorteada. Não mandava em si, e não queria mandar. Tudo o que desejava era uma noite ao lado dele. Agora tinha a certeza de que o que estava a fazer era o melhor para si, precisava mesmo dele. Sentiu-se corar e perder o controlo das pernas e das mãos. Deteve-se a olhar para os abdominais dele com fome e vontade de o ter.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Tom espantado por a ver ali vestida com as roupas de Andreas.

Ao ouvir a voz de Tom, Dreia voltou à realidade. Era ele, e estava ali à sua frente. Olhou para os olhos de Tom e sentiu-se hipnotizar por eles. Não sabia o que lhe dizer. Não tinha nada para lhe dizer. A sua voz nem sequer iria ser projectada se, se esforçasse por dizer alguma palavra. Sentindo o coração rebentar no seu interior por não conseguir conter por muito mais tempo a explosão de sentimentos que tinha em si, deu um paço em frente fazendo com que Tom se desviasse ligeiramente do caminho para ela passar. Virou-se de costas para ele e colocou uma mão sobre a porta do quarto dele fechando-a. Encostou a testa à porta, respirando fundo. Parecia que estava a viver um sonho. “Por favor que seja verdade!” pensou Dreia. Virou-se de frente para Tom, deixando-se ficar encostada à porta, e viu a expressão assustada e ao mesmo tempo perplexa de Tom. Humedeceu os seus lábios olhando para ele com todo o desejo que sentia acumular há meses e ouviu-o perguntar:

- O que é que estás a fazer?
- Não sei… -
disse Dreia dando um passo em frente.

Estendeu a sua mão na direcção do tronco nu de Tom, fazendo com que Tom ficasse imóvel a vê-la aproximar-se de si. Imaginou como seria tocar naquele peito molhado uma vez mais, mas quando finalmente o fez a sensação superou em muito aquilo que tinha imaginado poder sentir. Passou a mão sobre o peito dele, fazendo-a deslizar para baixo em direcção aos seus abdominais. Levantou o seu olhar felino para os olhos dele e viu que Tom a olhava de um modo diferente do habitual, estava estupefacto e surpreso por aquela aproximação repentina de Dreia. Colocou a outra mão sobre o peito de Tom e fechando os olhos limitou-se a sentir o corpo dele contido nas suas mãos. Parecia um sonho. Não queria acordar. Queria viver naquele mundo para sempre. Só voltou a abrir os olhos quando pouco depois sentiu o corpo de Tom estremecer, olhou para ele e viu que ele tinha os lábios entreabertos, numa expressão que se lembrava tão bem de ver nele. Uma expressão de prazer, que deixava os seus lábios carnudos desprotegidos e que a atraía de tal forma que era capaz de ficar presa a eles por uma eternidade.

- Tens a certeza? – perguntou Tom reticente.
- Não… - disse Dreia olhando-o nos olhos e empurrando com as mãos o corpo de Tom para que ele andasse para trás em direcção à cama.

Tom deixou-se ir. Estava confuso. Mas queria. Era aquilo mesmo que ele queria naquela noite. Era aquele o motivo que o tinha levado ao bar. E com ela… com ela ia ter um sabor diferente. Conhecia bem aquele corpo. Nunca tinha conhecido um corpo tão bem como o dela. Não podia negar que ela o deixava excitado, e a ideia de ela lhe aparecer àquela hora à porta do seu quarto, quando já não estava à espera de ter companhia para passar a noite, e vir excitada e disposta ao prazer que juntos sabiam ir ter, deixava-o ainda mais intrigado e ao mesmo tempo desejoso de poder receber a sua prenda de anos personalizada.

- Mas… - disse Tom que queria ter a certeza que ela o fazia de consciência e que não traía o melhor amigo.
- Não fales… - disse Dreia que não queria falar, queria apenas ele, como nos velhos tempos.

Tom cruzou o seu olhar com o dela e passando a língua sobre o seu piercing sentiu os seus braços comandarem o corpo, passando uma mão sobre a face de Dreia, acariciando-a. Há tanto tempo que não fazia aquilo a ninguém, não tinha intimidades para tal. Mas com ela podia, e queria. Viu-a fechar os olhos e tombar ligeiramente a cabeça de encontro à sua mão, como uma verdadeira gata, e colocou a outra mão à volta da cintura dela puxando-a até si.

- … O Andreas? – perguntou Tom que estava convencido que ele e Dreia tinham um caso.
- Ele ficou bem… - disse Dreia sentindo-se estremecer nos braços fortes dele. Como tinha desejado senti-lo novamente assim tão perto. Como tinha desejado aqueles braços em si. Mas não chegava, precisava de mais. Naquela noite precisava de Tom em corpo e alma.

- Tu e ele… - começou Tom por dizer.
- Somos só amigos… - disse Dreia sentindo a sua respiração ficar descontrolada desejando de uma vez por todas que ele tomasse o seu corpo.

- Mas… - disse Tom que queria saber até que ponto ela estava envolvida com ele, para não magoar o amigo nas suas costas, traindo-o daquela forma.
- Não me deixes pensar… - disse Dreia não conseguindo aguentar mais estar tão perto dele e no entanto tão afastada.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:26 pm

Dreia abraçou o corpo de Tom passando as suas unhas pelas costas dele de forma tentadora, e olhando para aqueles lábios que tantas noites a tinham feito sonhar e a tinham tornado uma pessoa feliz, entreabriu os seus e perfê-los com os dele que responderam ao seu beijo ainda de uma forma meia adormecida de quem não estava totalmente inteirado do que se ia passar naquele quarto. Dreia fez as suas mãos deslizarem sobre as costas de Tom até ao seu rabo e arrancou dele a toalha que protegia as suas partes mais íntimas. Avançou sobre os lábios dele com uma sede de os beijar e possuir ao ponto de sentir dor com a pressão que o piercing dele fazia contra si, mas não se importava, desejava sentir aquela dor para o resto da vida se possível. Sentiu as mãos de Tom por baixo da t-shirt que trazia vestida, procurarem o seu peito e massajá-lo com força, sentindo o seu corpo deixar-se levar pela pressão que ele exercia sobre si. Dreia colocou as mãos sobre a t-shirt e tirou-a com rapidez, sedenta de sentir as mãos dele não só pelo seu peito, mas pelo corpo todo. Tom empurrou-a contra a parede do quarto e começou a beijar os seus lábios de forma mais agressiva. Estava excitado com toda aquela situação. Tinha desejado um corpo com o qual se entreter, mas não lhe tinha passado pela cabeça que fosse matar saudades daquele que lhe tinha enchido as medidas vezes sem contas no passado. Colocou uma mão de cada lado da cintura de Dreia e puxou-lhe as calças e as cuecas para baixo. Não queria perder tempo. Desejava-a e sentia-se excitado por aquele corpo que permanecia igual às suas recordações. Dreia ajudou com os pés a que as calças e as cuecas se soltassem do seu corpo e sentiu-se a perder a respiração quando começou a sentir Tom excitar-se. Tom percorria o corpo dela com as suas mãos, a sua silhueta em forma de viola. Cravou os seus lábios no pescoço de Dreia, beijando-o e lambendo-o languidamente, perscrutando cada centímetro da sua pele. Dreia sentia-se no céu, a força e segurança com que ele atacava o seu corpo de forma selvagem, fazia-a recordar uma plenitude e satisfação que não sentia desde que os seus corpos se tinham afastado. Só ele a conseguia fazer-se sentir tão conectada consigo mesma. Só ele conseguia infligir-lhe um prazer que ia para além do físico, mas que ao mesmo tempo era tão carnal e primário que a deixava rendida a seus pés. Pegou no elástico que prendia as rastas de Tom no topo da cabeça e soltou-o. Queria vê-las e senti-las sobre si. Aquelas rastas que provocavam o seu corpo tocando-a de forma sensível e superficial, provocando-lhe cócegas e arrepios. Não aguentava mais. Precisava de o sentir no seu interior. Abraçou o corpo de Tom tomando nas suas mãos aquele rabo pequeno e redondo que tanto gostava e arrastou-o para a cama, sentindo os lábios de Tom tomarem os seus com uma energia renovada que procurava consumir todas as forças que ela tinha no seu corpo. Sentiu a respiração dele sobre a sua pele e arrepiou-se. O cheiro de lavado que ele trazia no corpo. A força dos seus lábios e das suas mãos... Dreia estava em puro êxtase. Deitou o corpo dele para trás e sentou-se sobre ele. Beijou-lhe o peito e os abdominais, passando ao mesmo tempo as mãos pelas pernas dele. Lambeu o peito de Tom em direcção ao seu queixo e quando chegou a ele, viu as mãos de Tom procurarem na mesa-de-cabeceira uma caixa de preservativos que estava lá pousada. Passou as mãos na pele macia da cara dele, queria-o sentir. Tinha desejado aquele momento com todas as suas forças, só ele a deixava assim. Beijou os lábios dele com força, fazendo passar a sua língua sobre o piercing de Tom diversas vezes, e ao sentir a mão de Tom retomar ao seu corpo e vir acompanhada por um pequeno pacote de formato quadrado, sugou-lhe o piercing do lábio, levando o lábio dele atrás e provocando nele um desejo imenso de brincar com os lábios carnudos dela. Tom puxou com uma das mãos a cabeça de Dreia até aos seus lábios e beijou-a de forma veloz e descontrolada.

Tom segurou Dreia pela cintura e virou-a para o lado direito, adoptando uma posição de domínio sobre ela. Colocou uma mão entre as pernas dela e abriu-as o máximo que conseguia para ter espaço para se posicionar à vontade no interior delas. Sentia-se totalmente dominado por uma força animal. Não desejava apenas vir-se. Desejava tudo a que tinha direito. Queria ouvi-la gemer, gritar, contorcer-se em prazer, deixá-la de rastos, e matar a saudade do Sex Gott. Ia tornar aquele voto de confiança e aquela prenda de anos, absolutamente inesquecível para os dois. Ajoelhou-se na cama e rasgou a embalagem do preservativo, observando o modo como o peito dela subia e descia, ofegando e arquejando. Colocou o preservativo em si e deitou-se sobre Dreia, pondo uma mão sobre o peito dela. Entrou nela tão fundo e com tanta força que a ouviu soltar um grito que parecia ser de dor, mas que para Tom era puro prazer para os seus ouvidos e corpo. Voltou a fazer um movimento agressivo com a sua pélvis subjugando o corpo dela violentamente contra a cama e ouviu-a novamente a gritar. Olhou para Dreia e viu uma expressão na sua cara de puro prazer. De forma estudada e lenta afastou o seu corpo um pouco do dela, sem nunca sair do seu interior, e ofensivamente chocou com o seu corpo contra o dela ouvindo o embater deles e um gemido contido de Dreia que mordia o seu lábio inferior para não fazer muito barulho. Tom olhou para Dreia e reparou que ela estava a conter-se, e ele não queria aquele tipo de contenções, queria tudo o que ela tinha para lhe dar. Tomou os lábios dela obrigando-a a parar de mordê-los e beijou-os com força fazendo-se sentir novamente no seu interior de forma dura e penetrante. Dreia beijava os lábios de Tom quando o sentiu novamente e estremeceu gemendo de forma descontrolada. Tom estava realmente empenhado em dar-lhe todo o prazer com que ela tinha sonhado, Dreia nunca o tinha sentido assim. Colocou ambas as mãos sobre o rabo de Tom e impulsionou-o para que ele a tomasse com maior fluidez, rapidez e destreza, queria-o mais, cada vez mais, sentia o coração perder-se no seu interior e a sua respiração acelerar desmedidamente, queria mais, e mais rápido, queria-o no seu potencial máximo, como nunca antes o tinha experimentado. Tom sentiu as mãos de Dreia puxarem o seu corpo para dentro dela, e sem hesitar aumentou ainda mais a força e a velocidade com que a penetrava e possuía, fazendo com que ele mesmo se sentisse totalmente descontrolado e hirto e não conseguisse controlar o ritmo do seu coração e da sua respiração ofegante e ansiosa por sentir o máximo de prazer que conseguisse. Só sentia o movimento das suas ancas e a força com que Dreia fechava as mãos sobre o seu rabo, aleijando-o mas dando-lhe um prazer enorme. Afundou-se sentindo-a enrijecer colada ao seu corpo, e contorcer-se em prazer soltando gemidos sonoros que o deixavam ainda mais excitado e desejoso de a levar a atingir o clímax. Estava a perder a força, e o controlo do seu corpo quando viu os olhos de Dreia revirarem e os seus lábios abrirem de forma sedutora, insistiu uma vez mais sobre o corpo dela e deixou-se atingir por um orgasmo explosivo que tomava conta do seu corpo e o deixava totalmente viciado no sexo dela.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:27 pm

 110 






Olhava para ele contemplando o modo como vestia as calças mantendo o tronco a descoberto. Adorava vê-lo a vestir as calças. Mas gostava mais da forma como o seu cabelo comprido lhe tapava os olhos quando o fazia. Do modo como ele mexia as suas mãos, delicadas e perfeitas. As mãos mais bonitas que já tinha visto num homem. Gostava do modo como ele colocava o cabelo para trás das orelhas. Do modo como lhe sorria e andava e dançava e cantava. Mas nada superava os seus lábios, o toque deles era como um toque directo no seu coração. Ok. Talvez o piercing, a estrela, os vincos… Tinha uma lista infindável de coisas que gostava em Bill. Mas nada disso teria qualquer significado se ele não fosse quem era. O seu melhor amigo, simpático, divertido, carinhoso, espontâneo, teimoso, protector, seguro, confiante, generoso. Amava-o por tudo aquilo que ele era por dentro e por fora. Vinte anos de um ser humano incrível. Queria tornar aquele dia especial. Ele merecia. Viu-o vestir uma t-shirt, e ficou com pena de não poder contemplar mais o seu corpo a descoberto, mas tinham de se despachar, já estavam a começar a ficar atrasados para o pequeno-almoço especial que o hotel tinha preparado mais tarde (por serem os anos dos gémeos). Mas antes de sair gostava de lhe fazer uma surpresa que tinha preparado. O mergulho tinha sido a sua primeira ideia para uma prenda de anos diferente e original, como sabia que ele gostava de aventuras e desafios mesmo sendo um pouco mais caro queria poder oferecer-lhe essa experiência em conjunto com o seu irmão, no entanto, não lhe tinha sobrado muito dinheiro para comprar mais nada, mas queria dar-lhe um miminho. Bea tinha planeado tudo, tinha ido a uma sapataria e tinha pedido uma caixa de sapatos da mesma marca que a caixa que Bill lhe tinha dado nos seus anos (Adidas). Quando Bill colocou o boné na cabeça dizendo estar pronto para sair para o pequeno-almoço, Bea levantou-se e tirou de dentro de uma gaveta da sua mesa-de-cabeceira a caixa. Estendendo-a a Bill com um grande sorriso. Bill desatou-se a rir, não estava de todo à espera que ela tivesse mais alguma coisa para ele, muito menos uma caixa igual a que ele lhe tinha oferecido nos anos.

- Também me vais oferecer uns sapatos? – perguntou Bill a rir abraçando o corpo de Bea e dando-lhe um beijo nos lábios.
- Vês como sabes… - disse Bea a rir.
- Ainda por cima Adidas, iguais aos teus… - disse Bill a gozar com a situação – Já conheces tão bem os meus gostos!

Bea riu-se da cara de Bill e dos seus comentários. Bill tirou a tampa da caixa mordendo o lábio inferior com curiosidade para ver o que lá estava dentro e ao desvendar o que era soltou uma valente gargalhada que contagiou Bea.

- São bilhetes de avião rasgados aos bocadinhos para eu fazer um puzzle? – perguntou Bill com um sorriso rasgado na cara ao ver mais de metade da caixa cheia de pedaços de papel rasgados.
- Nada disso… - disse Bea a rir – Fecha os olhos e tira um….

Bill seguiu as instruções de Bea e fechando os olhos, com um sorriso tentador nos lábios, tirou um papelinho. Bea tirou-lhe a caixa da mão, pousando-a em cima da cama, e pediu para que ele abrisse os olhos novamente e lesse o que estava no papel.

- Beijo estrela??? – leu Bill a rir sem perceber o que aquilo significava.

Bea desatou-se a rir e abraçou o corpo de Bill, levantando-lhe sedutoramente a t-shirt como se fosse fazer-lhe um strip e baixou-se levando os seus lábios de encontro à estrela que habitava na sua barriga dando-lhe um beijo demorado, como se estivesse empenhada em beijar os lábios dele. Bill riu-se da ideia de Bea e abraçou o corpo dela com força beijando-a de seguida de forma sentida.

- Adorei! – disse Bill – Foi a prenda mais original que já me tinham dado…
- … E barata! –
disse Bea a rir-se.
- O dinheiro não me interessa para nada. Conseguiste dar-me algo que mais ninguém no mundo me daria, e se me desse eu não aceitava! – disse Bill abraçando o corpo dela e beijando a ponta do seu nariz.
- Acho bem… porque há alguns papéis que não convém mesmo que ninguém sequer sonhe em fazer o que lá está escrito contigo! – disse Bea beijando o queixo dele.

- Hmmm… e posso tirar um papel quando bem me apetecer? – perguntou Bill levantando a sobrancelha direita numa expressão de desejo.
- Sim. Só há uma regra… - disse Bea sorrindo - … O que sair… é para ser feito!
- Hmmm… parece-me que é sem dúvida a melhor prenda que já recebi! –
disse Bill beijando Bea de forma lenta e sensual, introduzindo a sua língua no interior da boca dela brincando com a sua num jogo de sedução – Algo me diz que este vai ser o melhor aniversário que já tive… Para começar foi absolutamente perfeito!
- O primeiro de muitos se depender de mim… -
disse Bea encostando a sua cabeça ao peito de Bill.


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Acordou com um sorriso na cara. Teria sido um sonho? Se fosse, tinha sido extraordinariamente bom. Nunca tinha imaginado que uma noite nos braços dela, o pudesse deixar assim. Mas o efeito surpresa, a excitação dela, do seu próprio corpo e a vontade de se satisfazer, tinham feito com que os seus vinte anos tivessem sido comemorados em grande. Virou-se ao contrário para ficar de frente para ela, mas tudo o que encontrou foi uma cama vazia. Tom estranhou o desaparecimento de Dreia. Porque é que ela se tinha ido embora sem dizer nada? Ela nunca lhe tinha feito aquilo. Nunca ninguém lhe tinha feito aquilo. Não estava à espera de conversar, mas quem sabe dar uso a mais um preservativo, ainda sobrava um na caixa para a poder deitar fora. Deitou-se de barriga para cima e colocou os braços cruzados por baixo da sua cabeça, olhando para o tecto. Há muito tempo que não tinha uma noite tão produtiva quanto a noite anterior. Dreia vinha esfomeada, e ele tinha muita vontade de comer. Já não se lembrava da sensação de conhecer tão bem o corpo que tinha à sua frente, de ter à-vontade e intimidade para fazer o que quisesse com ela. Já não se lembrava qual a sensação de sentir que dava prazer incalculável a alguém. Sabia que Dreia tinha gostado, sabia-o das três vezes que o tinham feito, ela não conseguia esconder a luxúria nos seus olhos e o modo como o provocava e pedia por mais. Será que agora podia contar com ela como sua companhia nalgumas noites? Esperava que sim. A frustração de ter de procurar alguém e não encontrar, era agora largamente compensada pela ideia de ter alguém do seu lado disponível para lhe dar prazer a qualquer altura. E agora, como deveria reagir perante ela? Nunca lhe tinha acontecido ter de conviver com uma one night stand mais que um dia seguido, e Dreia ainda ia estar com eles mais um mês…


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Acordou e não sentiu os braços dele à sua volta. Abraçou o tronco nu dele e colocou a cabeça no seu ombro abraçando a sua cintura com um braço. A noite anterior tinha sido absolutamente mágica e especial. Há muito tempo que não sentia nada igual. Ele estava consigo, de alma e coração. Dentro de si. Havia uma razão pela qual os seus corpos tinham sido feitos para estarem unidos, porque pertenciam um ao outro. Duvidava que alguém conseguisse fazê-la sentir aquilo que ela sentiu ao matar saudades do seu corpo. Duvidava que alguém lhe trouxesse a paz e felicidade plena como Tom tinha feito. Ele tinha sido perfeito. Parecia um sonho. Ainda não acreditava que tinha estado com ele a noite toda. Sentiu Tom erguer-se ligeiramente e sair de debaixo de si para se levantar. Abriu os olhos e viu Andreas com ambas as mãos na cabeça a andar em direcção à casa de banho.

Lembrou-se que já não estava no quarto de Tom, tinha regressado ao quarto de Andreas quando os seus corpos exaustos e extasiados de prazer pediam descanso. Dreia tinha esperado que Tom adormecesse e tinha-se levantado da cama olhando para ele com amor e devoção, tinha-lhe proporcionado uma noite sem igual. Bendita hora em que tinha cedido ao seu prazer e irracionalidade. Aquela noite sozinha, compensava toda a dor e sofrimento que tinha experienciado até à data. Tinha sido perfeita.

Sentiu receio de num acto de loucura ter cedido a Andreas por se imaginar ainda nos braços de Tom e levantou ligeiramente o lençol com medo daquilo que ia encontrar sobre o seu corpo, mas estava totalmente vestida. Suspirou de alívio. Sorriu para si mesma, não tinha feito nada de que se pudesse arrepender, apenas tinha abraçado o corpo do seu amigo, julgando ser o corpo do seu amante. Espreguiçou-se com um sorriso na cara. Sentia o corpo dorido da agressividade de Tom. Gostava daquela sensação. Não a trocava por nada. Observou Andreas voltar da casa de banho com os olhos semi-fechados e uma mão na cabeça.

- Bom dia! – disse Dreia com um sorriso na cara como à muito não acordava.
- Bom dia… - respondeu Andreas sentando-se na beira da cama, e inclinando-se para dar um beijo na testa de Dreia.
- Dói-te a cabeça? – perguntou Dreia a rir ao ver o ar aluado de Andreas.
- Sim… - disse Andreas massajando a testa a ver se as dores passavam.
- Tens de tomar alguma coisa para a ressaca ou então, com a quantidade de álcool que bebeste ontem, hoje não sais da cama o dia todo… - disse Dreia sentando-se na cama encostada à cabeceira.

- Dreia… nós estávamos agarrados um ao outro… - disse Andreas com uma cara muito séria – Mas eu não me lembro de nada…
- Tu não te lembras de nada? –
perguntou Dreia colocando uma cara ofendida para o assustar. Naquela manhã nada nem ninguém lhe tiraria a boa disposição.
- Desculpa… - disse Andreas com uma expressão pesarosa – Bebi demais…

- Mas não te lembras mesmo de nada, nada? – perguntou Dreia colocando uma mão sobre o peito como se estivesse magoada com ele.
- Não… - disse Andreas abanando a cabeça de forma negativa – Desculpa… Nem sabes como me sinto mal com esta situação… eu gosto muito de ti…
- Estás a dizer-me que o que aconteceu ontem não significou nada para ti? Depois de me teres jurado amor eterno, e de me teres levado para a cama? –
perguntou Dreia dando um toque dramático à situação.

- Mein Gott… eu fiz isso? – perguntou Andreas levantando-se da cama em pânico. Não se reconhecia – Nem sei o que te dizer… Não leves a mal, por favor! Eu não estava em mim. Tu és minha amiga e eu não quero…
- És igual ao Tom… -
disse Dreia desatando-se a rir na cara de Andreas por não conseguir mais conter a cara séria, e porque Tom naquela manhã era sinónimo de tudo de bom à face da Terra.

- Estás a gozar comigo? – perguntou Andreas ao ver a forma como Dreia ria.
- Claro que estou! – disse Dreia sorrindo - Mas estou a ver que és perigoso, não se pode estar ao pé de ti quando estás bêbado…
- Que susto! – disse Andreas sentando-se novamente na cama, aliviado com a noticia de que não tinha acontecido nada – Não era a primeira vez que acordava com alguém ao lado sem saber como, mas nunca me tinha acontecido com uma amiga. Fogo! Estava a ver que ias ficar chateada comigo e nunca mais me falavas…
- És mesmo totó! –
disse Dreia colocando uma mão sobre a cabeça loira de Andreas abanado o cabelo dele.

- Aiiiii… a minha cabeça! – disse Andreas que sentia a cabeça pesada.
- Oops… desculpa! Esqueci-me que és um bêbado! – disse Dreia animada.


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Entrou na sala de pequenos-almoços ouvindo os amigos e a crew chamarem pelo seu nome, batendo palmas ao mesmo tempo. Tom sorriu e levantou um braço acenando a todos a agradecer a recepção calorosa e desejando bons dias. Bill e Bea já estavam à mesa a comer, e pela cara deles, a noite tinha-lhes corrido bem, mas Tom também não se podia queixar. Bill tinha-lhe guardado um lugar ao seu lado, numa grande mesa redonda. Tom sentou-se no lugar que o irmão lhe tinha reservado e cumprimentou-o com um abraço caloroso. Olhou à volta e reparou que na sua mesa estavam sentados: Georg, Gustav, Andreas, Dreia e Nathalie, os seus amigos mais próximos. Demorou-se um pouco mais a olhar para Dreia, na esperança que os seus olhares se cruzassem, mas ela olhava fixamente para o prato ignorando a sua presença.

- Estou a ver que a noite correu bem… - disse Tom piscando o olho a Bill.
- Se bem te conheço a tua também não deve ter corrido muito mal… - disse Bill sorrindo.
- Não me posso queixar… - disse Tom sorrindo e olhando de soslaio para Dreia que falava com Andreas como se nada fosse – Deixa-me ir buscar comida que estou faminto…

Tom levantou-se e foi até à mesa do pequeno-almoço encher o seu prato. Estava realmente cheio de fome, tinha gasto uma quantidade considerável de energia e precisava de reabastecer as energias para o dia que o esperava. Estranhava a reacção de Dreia, ela fingia que nada tinha acontecido, nem sequer tinha olhado para si. Ela não costumava ser assim, não estava a perceber nada daquilo que se estava a passar. Voltou a tomar o seu lugar na grande mesa redonda ao lado de Bill e começou a comer. De vez em quando olhava para Dreia mas sem qualquer efeito, pois não conseguia fazer com que ela olhasse para si.
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:27 pm

- Onde é que tu dormiste esta noite? A tua cama estava por desfazer… – perguntou Nathalie a Dreia em frente a todos.
- Não dormiste no quarto? Uhhhh… – perguntou Bill piscando-lhe o olho.
- Dormi no quarto do Andi… - disse Dreia sentindo-se corar.
- É verdade… eu confirmo! – disse Andreas a rir.
- Uiiii, deve ter sido festa a noite toda! – disse Bea a imaginar aqueles dois juntos.
- Pode-se dizer que sim… - disse Andreas piscando o olho a Bea – Por o menos acordámos agarradinhos um ao outro…
- Andreas!!! –
disse Dreia muito espantada e olhando pela primeira vez para Tom para ver a sua reacção àquele comentário, que passou por pousar o pão que levava à boca e olhar para Andreas muito espantado com ambas as sobrancelhas levantadas – Isso não era para se dizer…

- Temos amor no ar… - disse Georg rindo.
- Não temos nada no ar! – disse Dreia sentindo-se quente e corada.
- Até coras! – disse Georg a rir de Dreia.
- É o efeito do Andi… - disse Bill a rir.

- Então e querem ir fazer o mergulho a seguir? – perguntou Tom mudando de assunto.

Tom não estava a achar piada nenhuma à conversa. Primeiro Dreia tinha-o abandonado no quarto, depois tinha fingido que ele nem sequer existia e agora Andreas deixava bem claro que eles tinham acordado abraçados, um ao outro. Será que eles tinham dormido juntos? Sentia-se de certa forma usado e traído. A noite tinha corrido mesmo muito bem, tão bem como há muito não se lembrava de correr. Tinha ficado desejoso de continuá-la noutro dia, sem qualquer tipo de compromissos, e agora descobria que afinal de contas não tinha tido sido assim tão bom para ela. Não tinha tido assim tanto valor. Dreia tinha aparecido no seu quarto na noite anterior de repente, para se saciar, e tinha desaparecido com a mesma rapidez. E pelos vistos três vezes não tinham sido as suficientes para a satisfazer, já que ela tinha procurado os braços do seu melhor amigo naquela mesma noite, para continuar aquilo que juntos tinham começado. Não estava a reconhecer Dreia. Ela não costumava ser assim. Tinha chegado ao ponto de na noite anterior lhe mentir sobre não ter nada com Andreas só para o levar para a cama. Ao menos Tom nunca mentia a ninguém (nem tinha necessidade de o fazer). Será que Andreas sabia do envolvimento deles? Saberia ele que Dreia não tinha dormido somente consigo naquela noite? Duvidava, senão o amigo não estava tão feliz.

- Sim! – disse Bill contente com o que o esperava, e virando-se para Bea acrescentou – Tu também vens, não é?
- Claro! Não vou mergulhar mas vou fazer-vos companhia… -
disse Bea abraçando o pescoço de Bill – E a Dreia também!
- Eu? –
retorquiu Dreia espantada.
- Sim. Eles podem levar um acompanhante! – disse Bea.

- Porque é que não vai o Andreas? – perguntou Dreia.
- Porque é que haveria de ir o Andreas? – perguntou Bea achando esquisita a reacção da amiga.
- Porque é o melhor amigo deles… - disse Dreia tentando-se esquivar.
- Ohhh… mas foste tu que nos deste a prenda! – disse Bill.
- Mas eu não me importo, se ele quiser ir é na boa… - disse Dreia tentando descartar-se de ter de enfrentar Tom.
- Por mim podes ir tu mesma! – disse Tom olhando-a directamente nos olhos pela primeira vez, lembrando-se da noite anterior ver o prazer e o desejo espelhados naqueles olhos felinos.
- Ela vai! – disse Bea decidindo pela amiga.

Dreia não sabia explicar o que se estava a passar consigo naquela manhã. Sentia-se efusiva, feliz, com vontade de sorrir por tudo e por nada, mas a presença de Tom deixava-a descontrolada, não conseguia falar decentemente. Não tinha fome, sentia um turbilhão de borboletas esvoaçarem dentro de si. Não conseguia olhá-lo nos olhos sem se sentir totalmente rendida e hipnotizada a ele. A noite anterior tinha sido verdadeiramente um sonho. Mas e agora? Como é que se devia comportar com Tom? O que é que ele esperava de si? Tinha sido impulsiva e não se arrependia um só segundo do que tinha feito, tinha tido a melhor noite da sua vida nos braços dele, mas agora que começava a pensar sobre o que se tinha passado, o que é que era suposto fazer numa situação daquelas?
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Hoje à(s) 1:06 am

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