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 Wir Schließen Uns Ein

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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:28 pm

 111 






Estava dentro de uma carrinha a caminho do porto onde iam apanhar o barco com destino a alto mar para Tom e Bill desfrutarem do prazer da sua prenda de anos. Dreia estava sentada ao lado de Tom, sentia o corpo dele contra o seu, e não conseguia evitar de se sentir nervosa e estremecer ocasionalmente, principalmente quando em curvas o corpo dele pendia sobre o seu e ela sentia o peso e o cheiro dele mais próximos de si. Bea e Bill estavam sentados à sua frente. Tom olhava para ela casualmente na tentativa de fazer com que Dreia o confrontasse de uma vez por todas, estava farto de a ver agir como uma criança, como se nada tivesse acontecido.

- Estás muito calada hoje… -
disse Tom colocando uma mão sobre a perna de Dreia sabendo que assim lhe ia chamar a atenção.

Dreia sentiu o toque dele sobre a sua perna e desejou que aquela mão pudesse dar asas ao desejo que ela sentia no seu interior. Olhou para Tom e sentiu-se queimar por dentro, ele era irresistível, um perigo ao seu lado, principalmente depois da noite anterior.

- Estou a pensar… - disse Dreia para desviar as atenções.
- Posso saber em quê? – perguntou Tom passando a língua sobre o seu piercing num gesto de desejo.
- Não é nada de importante… - disse Dreia sorrindo ao ver a língua dele fazer aquele gesto tão tentador.

- Estou tão desejoso de chegar… - disse Bill com um sorriso eléctrico no rosto, abraçando Bea e puxando-a para si.
- Nem acredito que me deixei convencer a vir… - disse Tom.
- Não seja maricas Tom! – disse Bea a rir – És um homem ou um rato?
- Nenhum dos dois… -
disse Tom sorrindo de forma atrevida e olhando de soslaio para Dreia acrescentou, levantando uma sobrancelha – Sou um Gott…. Um Sex Gott!
- Ai esse ego! –
disse Bea a rir revirando os olhos para cima.
- Tenho razões para isso… - disse Tom passando a língua pelo piercing.

- Tens? – perguntou Dreia provocando-o. Estava a achar demasiadamente excitante aquele jogo de sedução em frente a Bea e Bill.
- Devias saber disso… - disse Tom sorrindo-lhe de forma sedutora – Mas se precisares que te avive a memória…

- És sempre a mesma coisa. Falas, falas e depois não te vejo a fazer nada! –
disse Bea rindo-se do ego de Tom.
- Acredita que não me fico só pela fama… - disse Tom levantando uma sobrancelha a Bea com um sorriso tentador na cara que a fez lembrar-se Bill.

- Não sei… - disse Bill picando Tom – Se assim fosse a Dreia não tinha ido dormir com o Andi esta noite e tinha ido dormir contigo…
- Pois era… tens razão… -
disse Tom a rir ao perceber que o irmão e Bea nem sequer sonhavam da noite que Dreia tinha tido nos seus braços – Mas conta lá Dreia… como é que foi a noite com o Andi?
- Pequena… -
disse Dreia sentindo-se corar.
- Pequena? – perguntou Tom espantado. Estaria ela a falar realmente da sua noite com Andreas ou deles os dois? – Ele não chegou para ti?
- Não… -
disse Dreia sorrindo.

Não acreditava que ela estava a insinuar que a noite não tinha sido absolutamente maravilhosa. Ele sabia-o, nada do que ela dissesse o ia fazer acreditar do contrário. Voltou a ver a sua cabeça ser assombrada por pensamentos do porquê dela ter saído a correr do seu quarto, do porquê de ela ter procurado os braços de Andreas para passar a noite. Sentia o seu orgulho ferido. Era a sua masculinidade que estava em jogo.

- Mas isso com o Andreas é a sério? – perguntou Tom olhando-a directamente nos olhos de gata que adoptavam um tom acastanhado naquela manhã.
- Isso o quê? – perguntou Bea que estava a ver que lhe andava a escapar alguma coisa.
- Sim, isso o quê? – perguntou Dreia olhando para os lábios de Tom e sentindo uma vontade imensa de os beijar. O fruto proibido era sem dúvida o mais apetecido.
- O vosso caso… - disse Tom reparando no modo como Dreia olhava para os seus lábios e humedecendo-os para a tentar.

- Caso? – perguntou Bill espantado – Não me disseram nada…
- Ah tu também não sabias? Pensei que fosse o único que não sabia de nada… -
disse Tom sentindo-se melhor por saber que não era o único a quem andavam a esconder coisas.
- Pensei que fosse a gozar! Vocês têm mesmo um caso? – perguntou Bill contente por imaginar Dreia e Andreas juntos.

- Não! – disse Dreia – Eu só dormi com ele porque ele estava bêbado e alguém precisava de ficar com ele pelo sim, pelo não, para ver se ele passava bem a noite…
- Sim sim… -
disse Bill que não acreditava que não se tivesse passado nada – E acordaram agarradinhos um ao outro…
- Sim… -
disse Dreia muito corada, e olhando para Tom acrescentou – …Pensei que fosse outra pessoa!

Tom viu os olhos dela direccionados para si e percebeu imediatamente a mensagem. Mordeu o seu lábio inferior na zona do piercing sentindo uma onda de desejo percorrer-lhe o corpo. Adorava aquele jogo de sedução em frente a outras pessoas. Afinal ela não tinha tido nada com Andreas, e se tivesse era a pensar em si. Sentiu o seu ego e orgulho crescerem a pique novamente.

- Outra pessoa? Hmmm… anda passarinho por aí? – perguntou Bill levantando a sobrancelha contente por ver a amiga a interessar-se por alguém novamente.

Bea observava o modo como Dreia falava, como Tom a interrogava, como os seus corpos estavam demasiadamente colados com tanto espaço livre para se sentarem à vontade e começou a pensar no pior. Seria possível que Dreia e Tom…? Mas porque é que a amiga não lhe tinha dito nada? A verdade é que estavam os dois com um sorriso radiante na cara, e uma boa disposição de meter inveja. Não podia ser. Ela tinha passado a noite com Andreas, ela própria tinha dito isso.

- Ela estava a pensar em mim… - disse Tom sorrindo.
- Eu só penso em ti! – disse Dreia olhando para ele retribuindo o sorriso que a deixava maluca.

- Oh Meu Deus… tu foste para a cama com ele, não foste? – pergunto Bea em português para que Tom e Bill não percebessem. Eles estavam nitidamente a seduzirem-se mutuamente à frente dos seus olhos.

Dreia olhou para a amiga espantada. Como é que ela sabia? Estavam há dez minutos na carrinha. Era assim tão óbvio? Não foi capaz de negar. Não foi capaz de dizer nada, nem precisava, Bea tinha a certeza, estava na cara dos dois e na cumplicidade deles.

- Tu és maluca! – disse Bea chocada com a revelação.

- Ok…ainda existem duas pessoas neste carro que não percebem português e que gostavam de entrar na conversa… – disse Tom.

- Ele vai partir-te o coração de novo… - disse Bea em português olhando para a amiga imaginando e antecipando a dor que ela iria sentir.
- O meu coração já está partido à tanto tempo Bea… - disse Dreia percebendo a preocupação da amiga consigo.

- Esta é aquela parte em que elas devem estar a dizer mal de nós e nós não percebemos… – disse Bill para Tom.
- De ti, não sei! Mas de mim é de certeza… - disse Tom percebendo o peso no olhar de ambas.

- E agora? – perguntou Bea
- Não sei! Não quero pensar! Pensei durante muito tempo, resisti durante muito tempo quando tudo o que queria era estar ao lado dele… E foi…- disse Dreia abanando a cabeça da direita para a esquerda tentando escolher palavras que conseguissem descrever aquilo que tinha vivido com Tom na noite anterior - … Nunca tinha sido assim… foi perfeito…
- E quando ele te aparecer à frente com uma groupie? –
pergunto Bea que não desejava mal à amiga, mas não a queria ver a sonhar em demasia para depois a queda não ser maior.

- Groupie… - disse Bill estranhando – Elas estão a falar de groupies?
- Pelos vistos… -
disse Tom com medo que Dreia estivesse a revelar o segredo que lhe tinha confiado – Em alemão se faz favor… - Pediu Tom.

- Não quero pensar… - disse Dreia.
- Não é por não pensares, que ele não vai andar com outras… - disse Bea chamando-lhe a atenção.
- Foi uma vez sem exemplo… Eu precisava dele… Aconteceu… agora é continuar a minha vida! – disse Dreia.
- Sim, porque agora é que tu vais mesmo conseguir esquecer o Tom, depois de teres tido uma noite perfeita ao lado dele no dia em que ele faz vinte anos! – disse Bea ironizando a situação para Dreia ver o quão ridículo era aquilo que ela estava a dizer.

- Tom… - repetiu Bill que estava atento à conversa que elas estavam a ter e ouviu Bea referir o nome do seu irmão gémeo – Elas estão mesmo a falar de ti…
- Eu não disse? –
disse Tom que já tinha percebido e que até sabia qual era o tema da conversa. Tinha de contar ao irmão. Ele contava sempre tudo ao irmão… Mas como?

- Não sei o que te diga… - disse Bea – Estás disposta a passar por tudo de novo?
- Não vou passar por nada, porque não vai haver mais nada. Também tenho direito a ter uma one night stand, ou não? –
perguntou Dreia que estava tão feliz e não queria ser recriminada pelo que tinha acontecido.

Bill ouviu a palavra one night stand e ligou-a a groupies e Tom. Olhou para o irmão levantando uma sobrancelha e viu no olhar de Tom a resposta à sua dúvida. Abanou a cabeça da direita para a esquerda de forma negativa, condenando-o pelos seus actos e Tom baixou o olhar para o chão. Sabia que Bill detestava o seu estilo de vida, e que as groupies eram o seu pior pesadelo, gente interesseira que procurava dinheiro e fama fácil às custas deles.

- Tens direito a fazer o que quiseres! Mas só quero que saibas que tudo o que se faz tem uma consequência, quer queiras, quer não! – disse Bea – E eu fico preocupada contigo porque já te conheço a ti e ao Tom o suficiente para saber quais serão as consequências da vossa noite perfeita. Mas... quem sou eu para te julgar. Estarei aqui para quando precisares de mim…
- … Obrigada –
disse Dreia sentindo-se triste por pensar que um dia ia precisar do ombro de Bea para chorar... Sabia que Tom não era perfeito, nem nunca seria. Mas tinha sido bom, muito bom mesmo e queria apenas desfrutar da recordação daquele momento sem se ter de preocupar com a dor que viria a seguir.
- Estes Kaulitz sinceramente… - disse Bea em forma de desabafo.

- Ela sabe? – perguntou Tom com uma cara séria a Dreia.

Dreia limitou-se a abanar a cabeça de forma afirmativa, confirmando que Bea tinha descoberto tudo o que se tinha passado entre eles, e pelo seu olhar era claro que a reacção de Bea não era a melhor. Sentiu-se com coragem para contar a verdade ao irmão, afinal de contas queria contar-lhe e se toda a gente já sabia não valia a pena estarem a ter conversas cruzadas.

- Eu dormi com a Jill em Miami… - disse Tom à espera da reacção do irmão.
- O QUÊ? – perguntou Bea olhando furiosa para Tom espantando todos os presentes na carrinha excepto Dreia.
- Com aquela porca? – perguntou Bill ao mesmo tempo que Bea.

- … Ela não sabia disso! - disse Dreia olhando para Tom directamente nos olhos.
- Tu disseste que ela sabia… - disse Tom muito espantado com o que se estava a passar.
- De nós! – disse Dreia como se fosse a coisa mais lógica do mundo.
- De vocês? – retorquiu Bill espantado sem perceber nada do que se estava a passar.

A carrinha parava perto do porto de Toronto onde um barco já esperava por eles. Tobi abriu a porta da carrinha permitindo que eles saíssem. Estavam os quatro com cara de poucos amigos. Mantiveram as aparências até chegarem ao barco. A caminho das coordenadas onde iriam realizar o mergulho Bea não se conteve mais e continuou a conversa.

- Tu sabias que ele tinha ido para a cama com outra em Miami? – perguntou Bea a Dreia.
- Sim… - disse Dreia sentindo um peso ao recordar aquele momento.
- Por isso é que me mandaste aquele bilhete… - disse Bea relacionando tudo – Mas claro… ele pediu-te segredo e tu guardas-te tudo para ti… Podias ter confiado em mim, não precisavas de ter sofrido sozinha… – disse Bea imaginando a dor que a amiga devia ter sentido e percebendo aquele vazio que tinha visto no seu olhar.
- Tu sabes que eu não nunca te iria contar um segredo que ele me pedisse para não contar… - disse Dreia.

- Não estou a perceber nada… - disse Bill que se sentia excluído do que se estava a passar.
- Estás a fazer um filme Bea… - disse Tom sem paciência.

- Filme? Meu… tu foste para a cama com a Jill. A Jill é uma porca, capaz de lamber o chão por onde nós passamos para te saltar para cima... – disse Bill ainda a pensar na revelação do irmão – Mas não te dava jeito lembrares-te que da última vez que dormiste com ela, ela dormiu com a crew inteira até chegar a ti, pois não?
- Apeteceu-me! -
disse Tom que utilizava as suas vontades como razão para tudo.
- Não te digo mais nada… Não vale de nada… Tu não ouves! Sabes o que é que te apetece fazer? Merda… Tu só fazes merda… - disse Bill irritado – Tu andas a brincar com a tua saúde Tom…. É que nem tens noção…

- Vês porque é que eu queria que fosse segredo? – disse Tom a Dreia.
- Desculpa… - disse Dreia sentindo-se culpada pela confusão.
- A culpa não é tua Dreia… é deste idiota que só sabe fazer merda… - disse Bill.
- Vamos com calma… - disse Bea reparando que Bill começava a tornar-se agressivo na maneira como falava – Vocês hoje fazem anos, é para se divertirem e aproveitarem o dia da melhor forma, não é para discutirem…
- Sim! –
disse Dreia prontamente.

- É isto que te espera… - disse Bea sentindo pena da amiga, por ver que até Bill que já conhecia Tom desde sempre e estava habituado a ele, perdia a cabeça com a vida que o irmão levava.
- O que lhe espera? – perguntou Bill que ainda não tinha percebido a história toda.
- Sim… ela e o Tom dormiram juntos! – disse Bea pensando que Bill já tinha percebido o que se tinha passado.

Bill olhou para Tom e sentiu uma vontade imensa de lhe espetar um murro na cara. Como é que ele conseguia ser tão idiota, e tantas vezes seguidas. Que decepção.

- Também te apeteceu, não foi? – perguntou-lhe ironicamente.
- Sim… - disse Tom sem medo de enfrentar a raiva que via espelhada nos olhos do irmão – Porquê? Também não posso dormir com a Dreia? Não posso dormir com ninguém? É suposto o quê, arranjar uma namorada e virar santo?
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:28 pm

- Tu nunca percebeste que ela gosta mesmo de ti, pois não estúpido? – perguntou Bill directamente – Só fazes merda…
- Isso foi há séculos. Além disso, foi só uma paixoneta… –
disse Tom que se lembrava de a ter confrontado com o amor que ela dizia sentir por ele e Dreia lhe ter dito que se tinha enganado no sentimento, e que não era amor.
- És tão ingénuo às vezes… - disse Bill incrédulo com o irmão.

Bea e Dreia mantinham-se caladas. Dreia não sabia o que dizer. Também Tom tinha sido alvo das suas mentiras no passado. Amava-o, sempre o tinha amado. Não era paixão, era mesmo amor, algo que a corroía e não a deixava avançar nem ser feliz nos braços de mais ninguém. Tom olhou para Dreia percebendo que o irmão lhe queria dizer algo. Viu nos olhos dela um pesar e tristeza misturados com uma vergonha tímida muito característica dela.

- É verdade? – perguntou Tom confrontando-a.
- O quê? – perguntou Dreia sentindo o corpo estremecer por se ver confrontada com aquela pergunta que ela sabia muito bem qual era.
- Gostavas mesmo de mim? – perguntou Tom.
- Gostavas??? Oh Tom… abre os olhos… - disse Bill a passar-se com ele.

Tom olhou para Dreia e sentiu algo. Não sabia o quê, mas sentiu um peso no seu coração ao sentir que ela se declarava a ele através da expressão do seu olhar felino. Era a segunda vez que ela o fazia. A primeira em casa de Gustav, quando não estava à espera de ouvir alguém dizer que o amava e tinha sido apanhado desprevenido. E agora através da expressão do seu olhar. Sentiu-se assustado e sem saber o que fazer. Não acreditava no amor, não se regia pelas leis de algo em que não acreditava. Mas percebia agora porque é que estar nos braços dela numa noite como a que tinham vivido tinha um sabor especial, porque é que olhava para ela e a via desfrutar de um modo diferente daquilo que viviam em conjunto, havia algo no seu interior que a preenchia, que dava vida àquele corpo e ao seu toque.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Mar 05, 2009 12:29 pm

 112 





O dia tinha sido cansativo. Os gémeos estavam sentados no bar do hotel a descansar e a beber um copo com os amigos mais próximos. Contavam as aventuras que tinham vivido em alto mar.

Dreia tinha passado o resto do dia a pensar na conversa que tinham tido na carrinha a caminho do porto de Toronto. Sabia que Bea tinha razão, e que não tinha sido feita para traições. Gostava de Tom por inteiro e não aceitava partilhá-lo com ninguém por uma razão de princípios e respeito por si mesma. Mas não se arrependia daquela noite, não se conseguiria arrepender por mais que tentasse. Como nunca se tinha arrependido do seu passado com Tom, apenas tinha pena que o sentimento que a habitava e acorrentava a ele não fosse mútuo, talvez um dia quando Tom assentasse (se esse dia chegasse) a procurasse, e aí sim poderiam viver uma história a dois. Por enquanto, estava farta de viver histórias singulares. Observava o modo como Tom contava entusiasmado a história de como tinha sido emocionante fazer mergulho, e de como gostaria de voltar a repetir a experiência. O brilho nos olhos dele, o sorriso que radiava, a cumplicidade com o irmão, tudo nele o fazia ser ele, singular e único. O seu Sex Gott. Deu consigo a sorrir não pelo que ele contava (não estava a prestar atenção) mas a sorrir pela pessoa maravilhosa que ele era, e por aquilo que a fazia sentir. Tom olhou para Dreia e viu-a sorrir, piscou-lhe um olho de forma atrevida, para que todos os presentes pudessem ver e sorriu-lhe. Dreia sentiu-se derreter. Algo em Tom parecia querer supor que as coisas tinham voltado ao que eram antigamente, e por mais que Dreia quisesse (e como queria) nada era igual ao passado. Não era capaz de erradicar da sua cabeça a dor e o sofrimento que ele lhe tinha causado, mesmo que a felicidade e amor que sentia por ele tentassem atordoar essa dor na esperança de que ele mudasse e fosse melhor de uma segunda vez. Tinha de falar com ele, só assim poderia por tudo em pratos limpos.

- … e depois antes de darmos por isso tinha acabado! – disse Bill sorrindo.
- Pois… - disse Tom olhando para o irmão continuando o raciocínio de ambos – Mas havemos de voltar. É lindo! E quando formos devíamos combinar para irmos todos juntos, vocês têm mesmo de experimentar!
- Eu e o Georg chegámos a experimentar uma vez, não foi? –
perguntou Gustav a Georg.
- Mas não era como o deles… O deles parece bem mais fixe! Temos de combinar isso… – disse Georg curioso por experimentar a aventura dos Kaulitz.

- E o que é que vocês fizeram? – perguntou Andreas a Bea e Dreia.
- Olha, não fizemos nada! – disse Bea a rir – Mas é giro, sempre dá para por a conversa em dia e apanhar sol.
- Sim, ainda nos bronzeámos um bocadinho! –
disse Dreia sorrindo.
- Eu também passei o dia na piscina com a Nathalie… – disse Andreas que exibia um bronzeado considerável.
- Estás mesmo bronzeado… - disse Dreia rindo e passando a mão sobre o braço a descoberto de Andreas.

- E o que é que vocês andaram a fazer? – perguntou Bill a Gustav e Georg.
- Nem queiras saber… - disse Gustav soprando para o céu.
- Então? – perguntou Bill rindo da cara do amigo.
- O Georg meteu na cabeça que queria comprar não sei o quê, e olha foi um filme, corremos a cidade toda… - disse Gustav com uma expressão enfadada, enquanto Georg se ria.
- Mas encontrámos! – disse Georg a rir vitorioso.
- Depois de andar metade da cidade a pé! Se não encontrássemos, nunca mais saía contigo para lado nenhum sempre que me perguntasses se queria ir fazer compras contigo! – disse Gustav

Os amigos riam. Pela cara de Gustav, e pelo que já conheciam de Georg, devia ter sido uma tortura, mas Gustav já estava habituado aos devaneios de Georg, queixava-se sempre, mas passados uns dias, já fazia piadas com o sucedido.

- Bem… Eu acho que me vou recolher para os meus aposentos… – disse Bill espreguiçando-se – Estou mesmo cansado…
- É a idade a começar a pesar… -
disse Bea a rir de Bill.
- Estás-me a chamar velho??? – perguntou Bill atacando Bea com um abraço e uma mordidela no pescoço.

- É melhor não o chamares de velho, porque se ele for velho, tu também és… - disse Nathalie.
- E o que é que isso faria de ti, não é verdade? – disse Bea picando Nathalie sem sequer dar conta disso.
- Desculpa? – perguntou Nathalie à espera que Bea repetisse aquilo que tinha dito.
- Bem… eu se calhar também vou indo… - disse Dreia para acalmar os ânimos – Foi um dia cansativo….

- Vai toda a gente? –
perguntou Andreas.
- Não eu ainda devo ficar um bocado – disse Georg
- Eu também… - disse Nathaie.
- Então também fico… não me apetece ir já para o quarto! – disse Andreas animado.
- Eu também vou… – disse Gustav ao ver os amigos levantarem-se para ir embora. Gostava de se deitar e levantar cedo, e o dia seguinte prometia, com mais entrevistas, Meet & Greet e concertos – Vens ou ficas? – perguntou Gustav a Tom que era o único que ainda não se tinha decidido.
- … Vou! – disse Tom ao ver que Dreia também se ia embora. Estava cansado, mas não o suficiente para recusar um encore da noite anterior.

Os cinco dirigiram-se até ao elevador. Tom ia mais atrás a seguir o grupo, olhava fixamente para a maneira de Dreia andar, o modo como o seu corpo parecia dançar, mexendo-se e dando volume àquelas curvas que lhe enchiam as medidas. Ninguém falava. Apenas se encaminhavam para o elevador. Bill ia abraçado a Bea, sorridente. Estava feliz. Estava nos braços dela. Embora cansado, imaginava o momento de poder chegar ao seu quarto e dar uso à prenda que Bea lhe tinha dado naquela manhã, testando a sua sorte tirando um papel da caixa de sapatos da Adidas. Gustav foi o primeiro a chegar aos elevadores. Chamou o elevador e olhou para os amigos percebendo pela primeira vez na noite que eles estavam diferentes. Mais calmos e calados que o habitual, coisa que nos gémeos era praticamente impossível. Não deu grande importância, podia ser só do cansaço e agitação do dia que tinham vivido. O elevador chegou e já vinha ocupado por um casal, mas os cinco resolveram entrar, e tentar a sua sorte, encolheram-se um bocadinho e couberam todos. Dreia tinha o seu corpo comprimido contra uma das paredes do elevador, e à sua frente, colado a si estava Gustav, com Tom atrás. Olhou por cima do ombro de Gustav para o modo como Tom humedecia os seus lábios à espera que a porta fechasse e sorriu. Era irresistível.
O alarme do elevador soou. O elevador tinha peso a mais.

- Estás a mais Tommi… - disse Bill rindo-se
- Baza! – disse Gustav a gozar.

Tom desatou-se a rir e conformou-se com o facto de ter de ir alguém de outra levada, e como ele tinha sido o último a entrar e estava mesmo à porta, saiu do elevador e olhou para eles ganharam espaço lá dentro. Dreia tinha pena de não poder compartilhar aquele espaço reduzido com Tom. Gostava daquela proximidade, embora soubesse que iria gostar mais se Gustav não estivesse entre eles. Olhou para Tom uma última vez, como se, se despedisse dele. Quando as portas começavam a fechar, por impulso, Tom enfiou o braço dentro do elevador e puxou Dreia para fora. Dreia foi apanhada de surpresa. Olhou para Tom com espanto, sem saber o que dizer nem fazer. Tom não costumava ser assim. Por o menos o Tom que ela conhecia, ou julgava conhecer.

- Tu vens comigo… - disse Tom com um ar sério depois de a ter puxado.
- … Ok … – disse Dreia sem reacção, mas sentindo o seu corpo estremecer levemente.

Bill e Bea olharam para Tom com algum receio do que se estava a passar pela sua cabeça. Mas não valia a pena baterem mais na mesma tecla. O que tivesse de acontecer ia acontecer, e ambos sabiam que não havia nada que pudessem fazer para o impedir.


[Flashback]

Tinham acabado de fazer o mergulho. A experiência tinha sido absolutamente incrível. A ligação que unia os gémeos era forte demais para os manter de chateados um com o outro por um dia que fosse, principalmente num dia tão importante como aquele. Mesmo debaixo de água, sem poderem falar, Bill e Tom trocavam olhares e pensamentos que os apegavam e os fazia viver aquela experiência com toda a intensidade com que ela merecia ser vivida. Bea e Dreia mantinham-se no barco a apanhar banhos de sol enquanto falavam sobre tudo aquilo que se tinha passado com Tom. Estavam preocupadas que os gémeos ficassem chateados com aquilo que se tinha passado no seu dia de anos, não era suposto haver mau ambiente entre eles, mal elas sabiam que entre Tom e Bill nunca nada ficava por resolver. Os ânimos agitavam-se, palavras e ofensas eram proferidas, objectos voavam se necessário, mas nunca ficavam chateados um com o outro.

Quando Bill e Tom regressaram à superfície, vinham com um sorriso e uma paz interior incrível. Assim que conseguiu livrar-se do peso da botija de oxigénio, Bill abraçou-se imediatamente a Bea.

- Adorava que tivesses vindo – disse Bill beijando Bea – É inexplicável… é lindo… temos de mergulhar juntos um dia destes.
- Adorava! –
disse Bea abraçando o corpo escorregadio de Bill.
- É sem dúvida uma das melhores prendas que já recebi… - disse Bill com um sorriso que não escondia a felicidade que sentia no seu interior.

- Então e tu Tom? O que é que achaste? – perguntou Bea observando o modo desenrascado como Tom já se tinha livrado do fato de mergulhador.
- Inacreditável… - disse Tom com uma cara de espanto e felicidade – Brutal…
- Ahhhh… eu sabia que ias de gostar! –
disse Bea contente.
- Obrigado! – disse Tom a Bea e Dreia – Se não fosse por vocês nunca teria vindo, e valeu mesmo a pena!

Dreia limitou-se a sorrir, observando com interesse o corpo de Tom. Tinha bem presente na sua mente o poder daquele corpo em si. Ainda o sentia…

- Tommi…. – disse Bill chamando a atenção do irmão e desprendendo-se do corpo de Bea para ir de encontro a Tom.

- Não precisas de pedir desculpa… - disse Tom que já tinha feito as pazes com o irmão em baixo de água, mesmo sem falar. Estava tudo resolvido entre eles.
- Preciso, porque não te devia ter falado como falei… - disse Bill – Não quero estar chateado contigo no nosso aniversário!
- Mas eu também fiz muita porcaria… eu sei… eu sou assim… -
disse Tom sorrindo.
- E eu gosto de ti na mesma… - disse Bill – Mas nem sabes como às vezes fico triste ao ver-te descer tão baixo, e passares ao lado da felicidade com a facilidade com que passas sem sequer te dares ao trabalho de olhá-la nos olhos duas vezes… Eu sei que podias ser mais feliz do que és, se deixasses…
- Eu sei o que é que vais dizer… -
disse Tom interrompendo o irmão – Mas tu sabes que eu não sou assim… deixa-me viver como sei, e como gosto!
- Ok! –
disse Bill – Mas não me peças para compactuar com o teu estilo de vida, nem para não te chamar a atenção! És meu irmão, e enquanto eu te puder tentar meter juízo na cabeça, não vou desistir de o fazer!
- Eu sei… Já te conheço… -
disse Tom abraçando o corpo do irmão por sentir a preocupação dele e o seu amor.

Bea e Dreia assistiam àquela cena enternecidas. Agora sim podiam respirar fundo. O laço que os unia nunca seria desfeito por um erro. Nunca seria desfeito por nada, nem ninguém.

- Lembras-te quando em Lisboa me disseste que eu iria compreender a tua reacção de teres de mentir à Bea no dia que visse que tinha magoado e decepcionado alguém de quem gostava muito? – perguntou Tom.
- Sim… - disse Bill lembrando-se daquele dia. O dia em que Bea tinha feito vinte anos.
- Hoje na carrinha, percebi o que querias dizer… - disse Tom sentido.


[Flashback]


Deixou-se ficar imóvel a olhar para as portas do elevador a fecharem-se. Viu a mão de Tom atingir o botão que chamava o elevador, e apercebeu-se que estava sozinha com ele. O seu corpo começava a dar sinais disso: o desejo exacerbado e acrescido por aquela manifestação de algo (que Dreia não percebia o que era), os tremores. Olhou para ele e viu que Tom a olhava com intensidade.

- Gostava de falar contigo… - disse Tom humedecendo os lábios e ajeitando o boné.
- Ok… - disse Dreia hipnotizada pelo olhar dele e pelo toque da sua mão.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Mar 09, 2009 1:37 pm

 113 







- Gostava de falar contigo… - disse Tom humedecendo os lábios e ajeitando o boné.
- Ok… - disse Dreia hipnotizada pelo olhar dele e pelo toque da sua mão.



O elevador chegou. Tom deu espaço para que Dreia passasse (como um cavalheiro) e entrou de seguida, pressionando o botão que dava acesso ao último andar.

- Enganaste-te… - disse Dreia ao ver que ele carregava no botão errado.
- Vamos dar uma volta… - disse Tom sorrindo.

Dreia começou a achar o espaço daquele elevador demasiado grande e ao mesmo tempo demasiado pequeno para eles os dois. Algo a puxava na direcção de Tom. A essência de Tom tomava conta do ar que os circundava. Tom notou que Dreia estava a corar. Estava na sua mão. Aproximou-se do corpo dela olhando fixamente para os seus lábios para que ela percebesse que ele a desejava naquele momento. Dreia deu um passo para trás na esperança de conseguir ganhar forças e espaço para fugir àquele beijo, mas tudo o que encontrou foi uma parede que amparou as suas costas. Viu o ar guloso com que o corpo dele vinha na direcção do seu e percebeu que não tinha por onde escapar (nem queria ter). Humedeceu os seus lábios esperando ansiosamente pelos dele, e sentiu as mãos de Tom tomarem a sua cintura num toque leve e delicado. Olhou-o nos olhos e antes de conseguir pensar sentiu os lábios dele apoderarem-se dos seus. Abraçou o corpo dele, passando as mãos pelas suas costas magras e compridas, enquanto sentia as mãos dele descerem até ao seu rabo provocando-lhe uma onda de arrepios. Os lábios de Tom vinham de forma diferente, mais cuidada, mais estudada, mais branda que o costume. Preenchiam os seus de forma perfeita, como se tivessem sido desenhados para esse efeito. E o piercing dava conta da sua existência de forma sensual. Tornava os seus beijos ainda melhores. Introduziu a língua na boca dela e provocou a língua de Dreia com um toque ao de leve afastando de seguida os seus lábios dos delas, deixando-a desejosa por mais… muito mais… Tom sabia-a provocar. Dreia queria tomar novamente os seus lábios quando sentiu o elevador chegar ao último piso. Soltou-se do corpo de Tom e afastou-se dele como se nada tivesse acabado de acontecer. Quando as portas se abriram Dreia saiu e ficou espantada ao deparar-se com um bar no topo do hotel. O espaço era incrível. Estava decorado com sofás brancos, plantas e poucas luzes, que lhe conferiam um ar sensual. Mas o que mais impressionou Dreia foi a vista. A vista do topo do hotel era absolutamente fenomenal, de cortar a respiração. Como é que Tom conhecia aquele espaço e não tinha dito nada?

- Gostas? – perguntou Tom sorrindo.
- Wow! – exclamou Dreia impressionada, aproximando-se do parapeito do terraço para ver melhor a vista – Podíamos ter vindo tomar um copo cá a cima…
- Estamos aqui agora… -
disse Tom sorrindo – Vou arranjar uma mesa!

Dreia deixou-se ficar a observar a paisagem. Era incrível. O poder daquela cidade à noite, do barulho citadino, das luzes e cores que iluminavam a cidade. Estava rendida. Procurou Tom com o olhar e reparou que ele já estava sentado numa mesa com dois sofás individuais. O bar estava praticamente vazio, só tinha três ou quatro pessoas. Encaminhou-se até à mesa que Tom tinha escolhido e respirou fundo. O beijo que ele lhe tinha dado no elevador tinha-lhe tirado as forças. Sentia as suas pernas bambas com a proximidade dele. Sentou-se no sofá que estava em frente a Tom e viu nele um olhar muito peculiar, aquele olhar de desejo que tão bem conhecia. Tom encomendou uma cerveja para si e Dreia não quis nada. Estava intrigada, não percebia o porquê de Tom a ter levado ali.

- Porque é que me trouxeste para aqui? - perguntou Dreia curiosa.
- Gostava de falar contigo… - disse Tom.
- … De falar? – perguntou Dreia a rir. Aquele beijo que ele lhe tinha dado não parecia o início de uma conversa.
- Sim… - disse Tom rindo-se de forma atrevida. Claro que queria muito mais que apenas conversar, mas a conversa podia ser um bom início para o que viria a seguir.

O bartender aproximou-se da mesa e serviu uma cerveja a Tom. Tom deu um gole pelo gargalo da garrafa, ignorando a presença de um copo e fazendo com que Dreia se sentisse dominada pelo desejo de ver aqueles lábios perfeitos tomarem os seus novamente como tomavam aquela garrafa de forma sedutora. Até no simples acto de beber, Tom era sedutor e libertava sex appeal por todos os poros.

- Então, e queres falar de quê? - disse Dreia sorrindo de forma nervosa.
- De nós… - disse Tom chegando-se à frente e colocando os braços cruzados sobre a mesa apoiando o seu corpo neles – Gostei muito da tua prenda de anos…
- A sério? Que bom! Um dia tenho que experimentar. Deve haver algum sitio lá em Berlim que dê para fazer mergulho… -
disse Dreia pensando alto.

- Não foi dessa prenda… - disse Tom sorrindo e bebendo mais um gole da sua cerveja – Gostei da prenda que me deste ontem à noite…
- Isso não foi uma prenda… -
disse Dreia corando.
- Adoro ver-te corar… - disse Tom humedecendo os lábios enquanto olhava para ela de forma sedutora, deixando Dreia ainda mais atrapalhada – Para mim foi uma prenda, estava mesmo a precisar dela…
- É melhor não ires por aí… -
disse Dreia que não estava a gostar do modo como Tom conduzia a conversa, como se ela fosse uma das suas pegas que lhe tinha ido fazer um trabalhinho para o aliviar.

- Porquê? – perguntou Tom espantado. Sempre tinha pensado que as raparigas gostavam dos seus elogios.
- Porque não o fiz por ti… - disse Dreia evitando olhar para Tom e fugindo com o seu olhar para a vista da cidade de Toronto.
- Então? – perguntou Tom levantando uma sobrancelha.
- Então? – perguntou Dreia retoricamente. Quão egocêntrico conseguia Tom ser? – Fi-lo porque quis fazê-lo!

- Porque gostas de mim? –
perguntou Tom directamente orgulhoso de si mesmo e dando mais um gole na sua cerveja.
- Porque me apeteceu… como costumas dizer! – disse Dreia.
- Devia-te apetecer mais vezes… - disse Tom piscando-lhe o olho.

Dreia conteve o sorriso que queria esboçar. Era impossível apetecer-lhe mais vezes se passava dia e noite a pensar nele e naquilo que ele lhe dava e fazia sentir. Mas Tom não precisava de saber isso.

- Mas… gostas de mim? – perguntou Tom olhando directamente nos olhos de Dreia à procura de apurar a verdade.
- Claro que gosto! – disse Dreia sentindo o corpo estremecer.

- … Por amor? – perguntou Tom.
- Por tudo… - disse Dreia tentando escapar à pergunta de Tom.

- Incluindo amor? – perguntou novamente Tom.
- Incluindo… amor… – disse Dreia a muito custo. Não queria dar-lhe a faca e o queijo para as mãos, mas também não lhe queria mentir. Ele tinha de saber o que ela sentia, só assim saberia o jogo que jogava.

Tom esboçou um sorriso. Sabia que era verdade. Tinha tido a certeza daquele amor no olhar dela no início de tarde. Sentiu uma força revigorar o seu coração. Não era apenas desejado. Era amado. Sentia na pele o que era ser amado. Agora sabia o que o irmão sentia quando ia para a cama com alguém que o amava, como Bea. Era diferente de sexo, era algo mais, mesmo que da parte dele não houvesse esse amor, a sensação, a entrega, o prazer era maior. Ele sentia a diferença, por isso é que ela era especial, não era somente um corpo, não era somente a sua amiga, era também o amor que sentia ela dar naquela entrega.

- Mas não te preocupes com isso… - disse Dreia que estava assustada pela pausa de Tom e pelo facto de não o ver a ter nenhuma reacção verbal ou gestual – Não faço tenções de andar atrás de ti, nem de dificultar a vida na tour com as tuas conquistas…
- Eu não disse nada… -
disse Tom.
- Eu sei! Mas eu estou a dizer. Ontem à noite… foi um devaneio… Apeteceu-me… Foi bom… foi muito bom, mas continua tudo igual. Não te precisas de preocupar… – disse Dreia.

- E o beijo no elevador? – perguntou Tom a querer assegurar-se de que aquilo que ela dizia era sentido.
- … Foi um beijo! - disse Dreia encolhendo os ombros dando a entender que não tinha significado mais que isso.
- Então podemos beijar-nos, mas ir para a cama não? – perguntou Tom confuso – Um beijo não significa nada?
- Não, não é isso… -
disse Dreia atrapalhada. Tudo contava, até um simples olhar contava… – Um beijo tem significado… - Não sabia como lhe explicar o que sentia - Tom não vale a pena! Ficamos assim, sem beijos, sem sexo, sem nada. Assim não há confusões. Somos amigos e chega!

- E se me apetecer ir ter contigo? –
perguntou Tom bebendo um gole da sua cerveja. Sentia o desejo pulsar.
- Porque é que te haveria de apetecer ir ter comigo? – perguntou Dreia que sabia o quanto ele gostava de variar a companhia da sua cama.
- Porque sim… - disse Tom sem se justificar, mas vendo que Dreia olhava para ele com uma cara inquiridora acrescentou – Porque gosto do teu sexo!
- Do meu sexo? –
perguntou Dreia espantada com a resposta egoísta de Tom que pensava somente em satisfazer-se – Tenho a certeza que a tua fila de pretendentes não vai acabar. Não te precisas de preocupar, vais estar muito bem ocupado durante a tour. Nem te vais lembrar de mim…

- Não acreditas que gosto do teu sexo? –
perguntou Tom.
- Tom… sexo é sexo! Para o que tu o queres, tanto serve ser comigo como com outra qualquer, desde que o tenhas! – disse Dreia sentindo o seu coração despedaçar-se com as suas próprias palavras.
- Tu sabes que isso não é verdade… - disse Tom estranhando as palavras de Dreia – Quando estavas com o 2 chegaste a dizer-me várias vezes que ele era melhor que eu! Sexo é sexo, mas há bom sexo, e há mau sexo… e o teu é bom, e eu gosto!

- Mas só gostas dele agora… -
disse Dreia pensando no passado e ignorando o comentário relativo a Tom 2, como é que ela podia saber a diferença se nunca tinha ido para a cama com 2? Só sabia que ele não a estimulava e não a conseguia fazer sentir-se como Tom fazia.

- Não! Sempre gostei… - disse Tom passando a língua sobre o piercing – Mas se tu achas que eu sou assim tão mau e não estás disposta a passar outra noite comigo…
- Não tem nada a ver com isso. Se fosses assim tão mau, ontem à noite não tinha sentido uma vontade incontrolável de te ir bater à porta, acredita! –
disse Dreia sentindo o coração pulsar a uma velocidade incrível no seu interior – Mas o que é que eu ganho em ir para a cama contigo se tu vais andar ocupado com outras? Eu não mudei Tom… Gosto muito de ti, ao ponto de não querer partilhar-te com mais ninguém! Quando se gosta de alguém não se precisa de procurar outros…

- Então não queres mais nada comigo? –
perguntou ele.
- Assim não… - disse Dreia pegando na cerveja de Tom e dando um gole para aliviar a dor da sua alma.

- Ou seja… Eu não te posso procurar, mas se te apetecer… está tudo bem? – perguntou Tom confuso com a conversa.
- Basicamente! – disse Dreia vendo que aquilo não fazia grande sentido, mas eram as regras do jogo que estava disposta a jogar – Quando me apetecer. Se me apetecer esquecer por momentos que tu és um Sex Gott muito ocupado e com uma vida sexual muito activa… Eu procuro-te…

- Nada de beijos, nada de sexo? –
perguntou Tom só para ter a certeza.
- Sim… - disse Dreia

- Só se tu me procurares? – perguntou Tom com um sorriso malandro na cara.
- Nem mais… - disse Dreia sorrindo de forma provocadora.

- E se nessa noite estiver ocupado? – perguntou Tom levantando uma sobrancelha e mordendo ligeiramente o piercing que tinha no seu lábio.
- … Quem perde és tu! – disse Dreia tentando provocá-lo.
- Tens noção que isso só me deixa mais excitado? – perguntou Tom tocando com o seu pé direito na perna de Dreia por baixo da mesa.
- Tenho… - disse Dreia afastando a sua perna do pé dele – Tens noção que isso não me interessa? E que não vale esse tipo de toques por baixo da mesa…

- Isso são muitas regras para eu me lembrar… -
disse Tom sorrindo de forma sedutora passando a língua sobre o piercing.
- São só três Tom! – disse Dreia sorrindo – Não me tocas, não me beijas e não esperas por mim à noite!

- Estás a brincar com o fogo… -
disse Tom encostando-se para trás com a sua garrafa de cerveja na mão sorrindo e denotando o desejo e o prazer que estava a retirar daquela conversa. Gostava de sexo, gostava do desafio. Gostava de falar sobre sexo e de se sentir preso a ele.

- Não tenho medo de me queimar… - disse Dreia sem saber de onde lhe vinha aquela força de provocar tão claramente Tom. Ela não costumava ser assim, mas a conversa excitava-a e Tom, os gestos de Tom e as suas expressões estavam sem dúvida a provocar a femme fatal que não sabia ter dentro de si.

Este seria um momento em que Dreia estaria disposta a largar tudo e saltar para os braços de Tom repetindo a noite anterior. Estava sedenta por ele, e extremamente aliciada, seduzida e arrebatada pela conversa que tinham acabado de ter. Saber que ele estava desejoso de a ter também e que não tinha tido ninguém desde a última vez em que tinham estado juntos, deixava-a ainda mais atraída ao corpo dele. Mas não podia. Não naquela noite. Ia mostrar a Tom que quem mandava na relação que eles acabavam de desenvolver era ela, e por mais excitado que ele estivesse, ela é que fazia as regras do jogo e não cedia a provocações (embora no seu interior, não desejasse outra coisa).
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Mar 09, 2009 1:37 pm

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Estavam há cinco semanas em tour com os Tokio Hotel. Os concertos corriam às cinco maravilhas, era incrível o sucesso e fama que os rapazes tinham no continente Americano, fosse nos Estados Unidos, no Canadá ou no México (onde se encontravam presentemente). Em qualquer país ou cidade que visitassem havia fãs em todo o lado: no aeroporto, à porta do hotel, das estações de televisão, ou em qualquer outro local onde houvesse um boato de que eles lá pudessem estar.

Mais uma vez, tinham um dia de folga, e a razão era mais que merecida, Gustav fazia anos, e o grupo estava novamente todo reunido com a crew, para um jantar especial, num restaurante escolhido por Gustav - Bistro Mosaico, um restaurante tipicamente mexicano.

Tom olhava insistentemente para Dreia. Há uma semana que tinha ficado alerta desde que tinha tomado conhecimento das regras do jogo que ela pretendia jogar. Há uma semana que andava curioso e atento a cada movimento dela, e Dreia parecia perceber, porque o tentava e provocava continuamente, ou por menos era assim que Tom interpretava cada movimento dela. Dreia reparava que desde a conversa em Toronto que Tom a olhava de forma diferente, como se tentasse perceber o que ela queria e se queria algo dele. Gostava de sentir aquele poder sobre ele (talvez fosse esse o poder que ele sentia sobre as suas presas, e fosse esse mesmo poder que o deixava tão extasiado e sedento por mais), e talvez por isso mesmo ainda não o tivesse procurado, porque tinha uma vontade imensa de estar com ele, mas não queria simplificar as coisas, não queria que ele pensasse que podia ter algum tipo de controlo naquilo que se passava entre eles. Dreia estava levantada, andava de um lado para o outro do restaurante com um empregado a recolher os pedidos de cada pessoa, já que somente ela e Bea percebiam espanhol. De vez em quando olhava para Tom e via-o olhar para si. Nunca antes Tom tinha-se comportado daquela forma, nunca o tinha visto tão preso a si e aos seus movimentos. Quando terminou a ronda e se preparava para voltar ao seu lugar, optou por ir à casa de banho antes, e reparou que Tom se levantava do seu lugar e a seguia. Optou por fingir que não o via e uma vez chegada à zona comum da casa de banho, onde estavam os lavatórios cruzou os braços e olhou para trás com curiosidade.

- Porque é que me estás a seguir? – perguntou Dreia sorrindo divertida com a situação. Tom a segui-la? Só podia estar a sonhar.
- Vinha à casa de banho… - disse Tom sorrindo de forma provocadora.
- Fazer o quê? – perguntou Dreia rindo.
- Só depende de ti… e daquilo que tu quiseres fazer … - disse Tom aproximando-se um pouco dela passando a língua sobre o piercing.

- De mim? – perguntou Dreia a rir à medida que se afastava dele – Eu não mando na tua vontade…
- Pois não, mas mandas na tua… -
disse Tom piscando-lhe um olho.
- Não vale a pena Tom… - disse Dreia virando-se de costas para ele, olhando o seu reflexo no grande espelho que estava pendurado na parede, vendo a imagem de Tom ser reflectida nele também, e o modo como Tom passava os olhos sobre o seu corpo – Hoje não vais ter sorte!
- Eu faço a minha sorte… -
disse Tom aproximando-se por trás do corpo de Dreia, mas não conseguindo tocar-lhe porque Dreia se desviava da trajectória dele.
- Nem toda… - disse Dreia afastando-se de Tom.

- Vais-me dizer que não queres nada... – disse Tom olhando para Dreia com uma expressão de quem era capaz de a comer ali mesmo.
- Quero ir à casa de banho, por isso é que vim para aqui… - disse Dreia a rir mas percebendo muito bem onde ele queria chegar – Não era isso que ias fazer também?
- Era, mas agora que já estou na casa de banho, pensei que me podia entreter… -
disse Tom aproximando-se um pouco mais de Dreia.
- Andas assim tão desesperado que precisas de te entreter sozinho? – perguntou Dreia afastando-se novamente de Tom.
- Não era essa a minha ideia… - disse Tom humedecendo os lábios.

- Então e as tuas fãs? Não dão conta do recado? - perguntou Dreia.
- Tu és minha fã… porque é que não dás o exemplo? – perguntou Tom sorrindo de forma aliciante na esperança que Dreia cedesse.
- Eu não dou exemplos… - disse Dreia não gostando do modo como ele reduzia tudo simplesmente a sexo – E tu não mandas nas regras do jogo!

- Não disseste que não te podia provocar… Não entrava no contrato… -
disse Tom sedutoramente olhando para Dreia de alto a baixo – Ainda te posso olhar e provocar à vontade…
- Mas isso não quer dizer que leves nada… -
disse Dreia sorrindo excitada com a conversa de Tom – Aliás, já estás avisado que hoje não levas nada, por isso se quiseres podes parar de te esforçar e tentar engatar uma mexicana…

- E se eu sair daqui com uma mexicana? –
perguntou Tom para a testar.
- O que é que tem? – perguntou Dreia agindo de forma superior.
- Não te vais chatear? Não vais desejar ser tu na minha cama? – perguntou Tom aproximando-se de Dreia encurralando-a contra um canto, sem nunca lhe tocar.

Dreia sentia a respiração de Tom sobre si de tão perto que estavam, as suas caras e os seus corpos estavam a escassos centímetros de distancia. Tom provocava, mas Dreia estava decidida a não lhe dar nada. Tinha quase a certeza que Tom não tinha dormido com ninguém desde que tinham estado juntos, e isso deixava-a ainda mais excitada, mas com vontade de apertar mais o cerco e de o fazer respeitá-la a ela e às suas regras ainda mais.

- Se eu quisesse estar na tua cama, estava! – disse Dreia olhando-o directamente nos olhos, sentindo-se totalmente hipnotizada por eles.
- E se eu não te quiser lá? – perguntou Tom olhando para os lábios de Dreia como se os fosse beijar de seguida.
- Se não me quisesses lá, não tinhas vindo atrás de mim… - disse Dreia a rir ao sentir-se em controlo de Tom – Agora deixa-me ir à casa de banho. Quero voltar lá para dentro para estar com o Gusti…

Tom saiu da frente de Dreia e deixou-a passar seguindo-a com o olhar, humedecendo os lábios aos mesmo tempo que o fazia.

- Eu não sou de ferro, sabes? – disse Tom sentindo-se excitado com aquela situação toda mas humilhado por ser recusado. Tom Kaulitz nunca era recusado – Tenho as minhas necessidades, e eventualmente hei-de procurar alguém que queira estar comigo e que as queira satisfazer, não vou ficar à tua espera… - disse Tom enquanto Dreia entrava na casa de banho das senhoras.
- Nem isso nunca me passou pela cabeça… - disse Dreia fechando a porta.

Ficar à tua espera…” Pensou Dreia. Era isso que ele estava a fazer? Estava à espera dela? À espera que ela cedesse? Dreia mordeu o lábio inferior e sentiu o coração tremer no seu interior. Tom estava à sua espera? Quem diria… Agora tinha a certeza que Tom não tinha estado com mais ninguém. Sentiu-se especial. Tom podia não querer admitir, mas para esperar por ela é porque algo no seu interior lhe dizia que valia a pena, que ela era especial. Começou a gostar ainda mais da ideia de ter começado aquele jogo com Tom. Quando saiu da casa de banho e voltou à sala onde a festa decorria, Tom já estava sentado e falava efusivamente com Georg. Dreia sorriu. Sentia o seu ego em alta, como se tivesse um poder especial que até então não tinha sido descoberto. Sentou-se ao lado da Bea com um sorriso radiante que não dava para esconder que algo se tinha passado.

- Conta-me tudo… - disse Bea em português para que ninguém percebesse.
- O quê? – perguntou Dreia espantada com a amiga.
- Tu e a ovelha negra… na casa de banho… - disse Bea fazendo olhinhos a Dreia.
- Não aconteceu nada… - disse Dreia sentindo-se corar, rindo nervosamente – Mas ele queria… - disse Dreia suspirando.

- Nem um beijinho? – perguntou Bea duvidando que o tempo que eles tinham passado na casa de banho não tinha dado em nada.
- Nada… nem um toque… - disse Dreia orgulhosa de si.
- Estás mesmo a levar as regras do jogo à risca… - disse Bea impressionada com a amiga.
- Eu disse que ia ser assim, e é assim que vai ser! – disse Dreia orgulhosa de si mesma.
- Também ainda só dura à uma semana… quero ver quanto tempo aguentas… - disse Bea a rir.
- Não sei… Não sei… - disse Dreia extasiada por reparar que o olhar de Tom recaia sobre si.
- Estou a ver que viraste femme fatale…- disse Bea sorrindo.
- Totalmente! Não sei bem como, mas estou a gostar da sensação! – disse Dreia a rir da sua nova faceta.

- Mas tens noção que provocar a ovelha negra não é esquecê-la!? – disse Bea usando um nome de código para que ninguém percebesse do que elas falavam e chamando a atenção à amiga para o facto de Dreia inicialmente ter dito que queria esquecer Tom.
- Eu sei… - disse Dreia – Mas estou a gostar deste jogo… Deixa-me divertir-me um bocadinho!
- Eu deixo querida… Até porque o Tom não é nada de se deitar fora, por isso diverte-te à vontade, mas com precaução, porque não quero que saias desse jogo pior do que entraste nele… -
disse Bea.
- Acho difícil… - disse Dreia pensando em como antes sofria por Tom e como agora se sentia especial perto dele.

Bea sentiu as mãos de Bill procurarem a sua cintura e sorriu à amiga, como que pedindo desculpas por estar a ser raptada por Bill naquele momento. Virou-se para o outro lado e Bill conversava com Nathalie de forma animada. Bea não gostava nada do facto de Nathalie ter ficado sentado ao lado de Bill, mas desde que ela não fizesse nada estúpido, não ia proibir Bill de se sentar ao lado da sua amiga. Olhou para Nathalie e viu que ela estava totalmente derretida e enternecida a olhar para Bill, sentiu uma vontade imensa de a ver pelas costas, mas não podia fazer nada. Olhou para Bill e ele sorria divertido com a conversa que estava a ter com Nathalie, e olhando agora para si.

- Como é que se chamava aquele actor que encontrámos em Nova Iorque que tu disseste que gostavas muito? – perguntou Bill fazendo carícias a Bea com as suas mãos que pendiam na cintura dela.
- Edward Norton… – disse Bea sem perceber porque é que Bill lhe perguntava aquilo.
- É isso… - disse Bill agradecendo a Bea e dando-lhe um beijo rápido nos lábios virando-se de imediato para Nathalie para continuar a conversa.

Bea viu o olhar de Nathalie recair sobre si com uma força vitoriosa, como se lhe quisesse transmitir que Bill a preferia a ela. Bea sentiu-se a ser desafiada e não aceitou aquela provocação de bom grado. Aproximou-se do corpo de Bill pelas costas e abraçou a cintura dele com ambas as mãos colocando o seu queixo no ombro de Bill, fazendo com que ele sorrisse e procurasse os lábios dela para lhe depositar outro beijo. Bea permaneceu naquela posição olhando para Nathalie e ouvindo a conversa que eles iam tendo. Nathalie olhava para Bea com desdém, e Bea estava a adorar saber que estava a estragar aquele momento em que Nathalie julgava ter Bill só para si. Beijou o pescoço de Bill e voltou a pousar o queixo sobre o ombro de Bill soltando um suspiro absolutamente sensual e sentido, que fez com que Bill parasse de falar por momentos, e se desconcentrasse daquilo que dizia a Nathalie. Bea sorriu. Nathalie podia querer algo que ela tinha, mas no final do dia, quem tinha Bill nos braços era ela e continuaria a ser assim por muito tempo. Não tardou muito para que Bill arranjasse maneira de terminar a conversa com Nathalie e se virasse para Bea procurando os seus lábios. Queria senti-la. Aquele suspiro tinha desperto nele uma vontade de a sentir, e só mesmo ela seria capaz de apagar a fagulha que tinha acendido no seu interior.

Assim que Bill teve a primeira oportunidade de se levantar da mesa e deixar um espaço vazio entre Bea e Nathalie, o inevitável aconteceu.

- Que truque baixo… só o consegues mesmo agarrar pelo sexo! – disse Nathalie sorrindo de forma maquiavélica.
- E tu nem com isso vais lá… não é triste? – perguntou Bea rindo-se de Nathalie na sua cara.
- Quem te disse isso? – perguntou Nathalie.
- Está à vista, não preciso que mo digam! – disse Bea sorrindo.
- Quem sabe um dia não tenhas uma surpresa… - disse Nathalie.
- Se achas que o Bill é o tipo de pessoa que vai cair aos teus pés por causa de sexo, enganaste-te no Kaulitz! Lamento informar-te mas existe vida para além de sexo… - disse Bea.

- Os homens querem todos o mesmo… - disse Nathalie – Nenhum resiste!
- Aí está o teu primeiro grande erro. Julgares que o Bill é um homem como qualquer outro… -
disse Bea abanando a cabeça da direita para a esquerda em forma de negação – O Bill é especial, é diferente, e os teus truques não funcionam com ele. Procura outra maneira de subires na vida!
- Acreditas assim tão cegamente nele? –
perguntou Nathalie.
- Se não acreditasse porque é que estaria ao lado dele? – perguntou Bea.

- Queres apostar que se eu me fizesse a ele, ele não resistia? – perguntou Nathalie desafiando Bea,
- Não preciso de fazer apostas para saber a resposta! – disse Bea.
- Estás com medo? – perguntou Nathalie desafiando.
- Não tenho porquê ter medo! – disse Bea.

- Achaste assim tão segura de ti mesma? – perguntou Nathalie.
- Não sei se já reparaste, mas não estou a falar de mim, estou a falar do Bill. Estou segura do Bill, não tenho sequer razões para duvidar que sempre que ele diz que me ama o sente, e não o diz por dizer. E quem ama, não traí… - disse Bea – Pelos vistos não conheces o teu amigo assim tão bem! A essência dele passa-te totalmente ao lado, e devo confessar que não tenho pena nenhuma que isso aconteça!
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Mar 09, 2009 1:38 pm

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- Eu avisei! – disse Nathalie cruzando os braços olhando para Bill com uma expressão arrogante.

Bill estava sentado numa cadeira do seu quarto de hotel, em frente a um grande espelho, enquanto Nathalie fazia o seu cabelo. Folheava a Bravo que Nathalie tinha trazido para lhe mostrar. Numa página encontrou fotos suas com Bea no dia dos seus anos, fotos deles no porto de Toronto, com Tom e Dreia. As primeiras fotos dos Bs juntos, e um título que dizia “Bill Kaulitz – Amor em Toronto” e lá dentro uma noticia que evidenciava o facto do vocalista dos Tokio Hotel, que sempre tinha parecido um santo, actualmente ter uma namorada em cada canto do mundo, esclarecendo ainda que a companhia dos seus anos (Bea) era a sua ex-namorada portuguesa, deixando em aberto a pergunta de um possível reaproximamento por parte do casal. E para completar aquela maravilhosa noticia, um novo rumor de que a outra rapariga presente nas fotos (Dreia) era a namorada de Tom e que os quatro tinham passado uma tarde animada e romântica em alto mar. Bill estava impressionado com a quantidade de coisas que a imprensa sabia e especulava. Não conseguiu evitar de rir ao imaginar a cara de Tom quando visse que lhe tinham arranjado uma namorada. As conquistas iam diminuir significativamente. Nathalie olhava para ele impressionada. Estava à espera de qualquer reacção menos que se risse ao ver as fotos.

- Estás-te a rir? – perguntou Nathalie espantada com a reacção de Bill.
- Claro! – disse Bill controlando o riso – O Tom vai-se passar quando souber que tem uma namorada…
- Não tem graça nenhuma! –
disse Nathalie.
- Não stresses… temos de levar isto na boa… - disse Bill optimista – Nada do que aqui está é mentira… a não ser o facto de o Tom e a Dreia andarem juntos, e de eu alguma vez ter acabado com a Bea!

- Eu disse-te que a Bea vir connosco era arriscado, que ainda ia dar problemas! –
disse Nathalie apontando para a revista que estava nas mãos de Bill.
- Que problemas? – perguntou Bill.
- Agora não vos vão largar… - disse Nathalie voltando ao trabalho e a concentrar-se no cabelo de Bill.

- E eu já te tinha dito que isso para mim não é um problema! – disse Bill levantando uma sobrancelha sem perceber porque é que Nathalie continuava a bater na mesma tecla – Se assumi publicamente o nosso relacionamento não é para me andar a esconder a toda a hora. É para ter paz e viver a minha vida normalmente. Não me importo nada que me vejam com ela, até acho muito bem, que vejam que aquela mulher linda e espectacular é minha e de mais ninguém! Além disso eram os meus anos, claro que eu ia querer estar com ela…

- Mas agora não vão parar de nos seguir… -
disse Nathalie.
- Nunca pararam… - disse Bill franzindo a testa – Não estou minimamente preocupado se queres que te diga… Mas acho que o Tommi vai ficar… – disse Bill a rir.

Bea acabava de sair da porta da casa de banho. Vinha enrolada somente numa toalha. Aproximou-se da cadeira onde Bill estava sentado e sentou-se no seu colo, abraçando o pescoço dele e depositando-lhe um beijo demorado nos lábios.

- Depois namoram… agora deixem-me terminar o meu trabalho! – disse Nathalie entendendo aquele gesto de Bea como pura provocação.
- Não sejas assim… - disse Bea rindo-se ao ver a reacção de inveja de Nathalie.
- Ela não interfere com o cabelo… - disse Bill abraçando a cintura de Bea, dando-lhe um beijo na bochecha.
- Mas não tarda muito vou passar à maquilhagem… - disse Nathalie.
- E quando isso acontecer eu saio… - disse Bea sorrindo vitoriosa.

- Schatzi olha a noticia que saiu… - disse Bill mostrado a Bea a Bravo.
- Estamos mesmo com má cara! – disse Bea a rir da foto que tinha sido tirada a seguir à discussão de Bill e Tom na carrinha.
- Pudera, depois daquelas revelações… - disse Bill levantando uma sobrancelha ao recordar-se daquele momento – Mas olha isto… - disse Bill sorrindo e apontando para a parte da noticia que dizia que Dreia era namorada de Tom.

- Oh Meu Deus! – disse Bea tirando a revista das mãos de Bill – Quando a Dreia vir isto vai ficar maluca! Vai querer guardar esta revista para o resto da vida!
- E o Tom vai-se passar… -
disse Bill a rir.

- Acabei o cabelo… - disse Nathalie intrometendo-se na conversa de Bill e Bea.
- Eu também preciso de me vestir… - disse Bea dando um beijo na boca de Bill e saindo de cima do seu colo.
- Precisar não precisas, mas se tem de ser… - disse Bill piscando-lhe o olho.

Bea olhou para trás e viu Bill piscar-lhe o olho. Sorriu-lhe e deitou-lhe a língua de fora numa atitude de provocação. Foi até à mala e tirou de lá lingerie, uma saia e um top. O Brasil era um país solarengo por natureza, e ao lado de Bill, o calor tornava-se insuportável e não apetecia ter nada em cima do corpo. Quanto menos roupa, melhor. Pegou na roupa e passou em direcção à casa de banho para se vestir. Olhou para Nathalie e viu-a olhá-la com um ar de desprezo. Bea sentiu-se picada e resolveu provocar ainda mais e fazer um desvio no seu caminho para a casa de banho, passando pela cadeira onde Bill estava sentado e deu-lhe um beijo fugaz nos lábios, obrigando Nathalie a afastar-se dele por momentos e a olhar para Bea com uma ira notória na expressão do seu olhar. Bea afastou-se e continuou o seu caminho para a casa de banho com um sorriso nos lábios.


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Olhava-se ao espelho. Detestava o facto de saber que enquanto tomava banho Nathalie estava no seu quarto a sós com Bill. Aproximou-se da porta e colocou o ouvido direito rente a ela, na esperança de ouvir aquilo que se passava lá fora. E para seu espanto ouviu uma conversa que Nathalie estava a ter com Bill sobre umas fotos que tinham saído na Bravo. Nathalie parecia querer envenenar a sua relação cada vez que abria a boca. Bea sentia uma raiva imensa no seu interior. Porque é que Bill não podia ter uma amiga menos metida e interesseira? Detestava ver as pessoas a meterem-se na sua vida, ainda para mais para dizerem mal. Estava a preparar-se para sair da casa de banho e entrar no quarto de rompante para desmascarar de uma vez por todas Nathalie em frente a Bill quando ouviu Bill falar mais alto e de forma diferente da habitual. Encostou o ouvido novamente à porta e só percebeu ele dizer: “… Não me importo nada que me vejam com ela, até acho muito bem, que vejam que aquela mulher linda e espectacular é minha e de mais ninguém! Além disso eram os meus anos, claro que eu ia querer estar com ela…”. Bea sentiu o seu coração dar sinais de vida. Pulsava a um ritmo acelerado, só Bill para a deixar assim. Sorriu para a sua figura reflectida no espelho, era sem dúvida a mulher mais sortuda à face da Terra, nunca poderia imaginar que aquela rapariga com tendência para raptora de gatos, lhe iria trazer tamanha felicidade. Abriu a porta de forma efusiva e foi directa aos braços dele. Sentou-se no colo de Bill e abraçou-o pelo pescoço, beijando aqueles lábios suaves e macios que lhe davam a energia e vitalidade que necessitava para ser realmente feliz no seu dia-a-dia.


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O concerto tinha corrido bem segundo Tom, Gustav e Georg, mas Bill não estava satisfeito, algo o tinha impedido de se soltar como queria, não estava a sentir a energia que costumava sentir quando subia a palco e isso tinha-o deixado frustrado.

- Foste óptimo leão! – disse Bea pendurando-se no pescoço de Bill e beijando-o.
- … Não fui nada - disse Bill apertando o corpo de Bea contra o seu.
- Foste sim… - disse Bea passando uma toalha sobre o corpo de Bill para tirar parte do suor que ele tinha a escorrer pelo corpo.
- Não fui… podia ter sido tão melhor. E o público não merecia, não paravam de pular e bater palmas e cantar! Eles são incríveis…- disse Bill com pena de decepcionar os fãs.

- Nisso tenho de concordar… As brasileiras são absolutamente incríveis… - disse Tom esfregando uma mão na outra ao mesmo tempo que humedecia os lábios.
- Quem é que não é incrível para ti? – perguntou Andreas a rir.
- Hmmm… Boa pergunta… - disse Tom sorrindo.

- Acredita que o concerto correu super bem… - continuou Bea dizendo, à medida a que passava uma mão sobre a cara macia de Bill – Se não te estavas a sentir no topo das tuas potencialidades, não o fizeste transparecer. A multidão estava no auge e o concerto foi mesmo muito bom, tenho a certeza que não decepcionaste ninguém! Até deves ter ganho mais fãs!

Bill sorriu. Adorava ouvir Bea dizer aquelas coisas, por mais que soubesse que possivelmente não eram verdade, apaziguavam a sua mente e corpo. Mas custava saber que era o primeiro concerto que davam no Brasil e que não lhe tinha saído muito bem, mas se como Bea dizia, não se tinha reparado, melhor. Ao menos ficava a remoer sozinho o assunto e quando tivessem a possibilidade de voltar novamente ao Rio de Janeiro, iria dar o seu melhor e espantar todos aqueles que achavam que o concerto daquele dia tinha corrido bem.

- Não achas Dreia? – perguntou Bea à fã número um dos Tokio Hotel.
- Tenho a certeza! – disse Dreia sorrindo e apoiando Bea.

- E eu? Achas que também ganhei fãs esta noite? Achas que vou ter sorte? – perguntou Tom piscando-lhe o olho em clara provocação.
- Pensei que tu fizesses a tua própria sorte… - disse Dreia a rir.

- A sorte do Tom, é não precisar de ter sorte! – disse Andreas – Basta-lhe estalar os dedos que aparece sempre alguém…
- Ouviste Dreia? Basta estalar os dedos… -
disse Tom ajeitando o boné para lhe dar mais estilo.
- A sério? – perguntou Dreia a rir – Então porque é que não estalas os dedos a ver se aparece alguma brasileira toda boa que te dê sorte esta noite…

- Estás-me a provocar? –
perguntou Tom aproximando-se de Dreia, ficando a escassos centímetros dela, olhando-a directamente nos olhos.
- Não… Estou-te a desafiar! – disse Dreia sorrindo e olhando para os lábios tentadores de Tom.

Tom afastou-se de Dreia e passando a língua sobre o seu piercing estalou os dedos da mão direita, e para surpresa de todos, a porta do camarim abriu-se e por ela entrou Gustav cansado e desejoso de alongar os músculos das pernas. Começaram-se todos a rir. Gustav olhou para os amigos que estavam na sala e estranhou aquela recepção. Sentou-se num sofá e vendo que todos os olhos recaíam sobre si resolveu perguntar:

- O que é que foi? Porque é que estão a olhar para mim assim?
- Porque acabas de ser promovido a uma brasileira toda boa que vai comer o Tom esta noite… -
disse Andreas a rir.
- Não ligues Gusti, sabes como é o Tom… Acha que é só estalar os dedos e cai-lhe alguém aos pés… E ele estalou os dedos para testar a sua sorte e apareceste tu… - disse Dreia rindo-se para Tom em clara provocação.

- Fogo!! – disse Gustav com cara de pânico.
- A sorte de uns é o azar de outros… – disse Georg que assistia à conversa.

- Vês Tom… parece que esta noite não estás com sorte… - disse Dreia provocando-o.
- Talvez a minha sorte hoje não seja com uma brasileira… - disse Tom sorrindo.
- Pois, parece que é com um alemão… - disse Dreia a rir.

- Pensa positivo Tom… o Gustav tem uma bundinha mesmo boa… podes imaginar que ele é uma brasileira toda gostosa! – disse Georg a rir, provocando um ataque de risos em todos os presentes, menos em Gustav.

- Fogo… Vocês agora não sabem falar em mais nada a não ser no meu rabo? Estou a começar a ficar com medo… - disse Gustav levantando-se.
- Não tenhas medo Gusti…eu não deixo que eles se cheguem ao pé de ti! – disse Dreia abraçando Gustav.
- Ahhh assim sim… podem falar à vontade! – disse Gustav agarrando Dreia pela cintura e levantando-a levemente do chão.

- Olha ele a aproveitar-se da miúda… - disse Georg a rir – Sabes tanto!
- Estou a ver que quem vai ter sorte esta noite é o Gusti! –
disse Andreas.
- Saiu-lhe a sorte grande… - disse Dreia dando um beijo na bochecha de Gustav e rindo ao ver que Georg, Andreas e Tom olhavam para eles os dois especados.

- Não tem problema… ouvi dizer que as brasileiras são bem quentes e acolhedoras e que gostam de satisfazer os seus ídolos… - disse Tom levantando uma sobrancelha a Dreia.
- Já viste a sorte que vais ter esta noite? – perguntou Dreia largando Gustav.
- Ainda não… mas estou desejoso de ver… - disse Tom farto das provocações de Dreia.

- Bem… vocês parecem mesmo um casalinho! – disse Andreas.
- Não sabias que eu e a Dreia andamos? – perguntou Tom.
- O quê? – perguntou Andreas espantado olhando com uma expressão atenta para Dreia na esperança que ela confirmasse aquilo que Tom dizia.
- Ele está a mentir… - disse Dreia corando por ouvir Tom dizer aquilo daquela forma tão natural. Como desejava que fosse verdade.
- Não estou nada… Nos meus anos fomos num passeio romântico para alto mar com os Bs… - disse Tom aproximando-se de Dreia para lhe por um braço sobre os ombros expressando o companheirismo e intimidade entre eles.

Dreia afastou-se. Não queria que ele lhe tocasse. Tinha deixado bem claro que não haveria qualquer tipo de contacto entre eles, nem em público, nem em privado, e não fazia tenções de quebrar essa regra. Tom ficou a olhar para ela, ao vê-la afastar-se, com cara de espanto, não tencionava fazer nada de mal, só lhe ia colocar o braço em cima dos ombros, nem sequer era na cintura onde habitualmente fazia, mas Dreia mandou-lhe um olhar, que ele percebeu o que queria dizer, não precisava que ela explicasse que não lhe dava autorização para aquele tipo de intimidades e que como tal estava a infringir uma regra. Tom humedeceu os lábios, aquele jogo era demasiado excitante. Gostava particularmente das provocações e dos joguinhos de palavras dela, mas o facto de não lhe poder tocar estava a dar cabo de si. Há duas semanas que esperava que ela lhe batesse à porta do quarto sem receber nada em troca. Estava farto.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Mar 09, 2009 1:38 pm

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Abriu a porta para esboçar um sorriso. Mordeu o lábio inferior e afastou-se ligeiramente da porta, fazendo sinal com a mão para que ela entrasse e se sentisse bem-vinda nos seus humildes aposentos. Tom fechou a porta do quarto e observou o modo como ela andava pelo corredor que dava acesso ao seu quarto, à sua cama, sem olhar para trás. Vinha confiante e determinada. Adorava vê-la assim. Seguiu-a mantendo uma ligeira distância, e viu-a sentar-se sobre a cama. Encostou-se à mesa que tinha em frente à cama e cruzou os braços, olhando para ela de cima a baixo ao mesmo tempo que humedecia os lábios. Não queria fazer nenhum tipo de aproximação brusca. Não tencionava quebrar qualquer regra daquele jogo, estava a gostar de cada segundo dele. Ao ver que ela não lhe dirigia a palavra, apenas olhava insistentemente para ele com desejo, Tom resolveu iniciar uma conversa. Ultimamente gostava de falar, mais do que era costume, sentia-se à vontade para a provocar, aquele jogo de palavras deixava-o verdadeiramente excitado.

- Parece que afinal de contas sempre vou ter sorte esta noite… - disse Tom sorrindo – Os ares do Brasil fazem-te bem…
- Shiuuuuu… -
disse Dreia encostando o dedo indicador aos lábios, mandando Tom calar.

- Hmmm… não posso falar? – perguntou Tom olhando para os lábios carnudos dela e sentindo uma vontade imensa de os tomar com os seus – É um regra nova?
- Não fales… -
disse Dreia olhando para as rastas dele e para o modo como elas caiam sobre o seu corpo.

- Então o que é que é suposto fazer? – perguntou Tom levantando uma sobrancelha.
- Olha para mim… - disse Dreia que estava a gostar de sentir-se em comando daquela relação – Imagina o que me fazias…
- Imaginar não tem graça… -
disse Tom descruzando os braços e tirando o boné.

- Esforça-te… vais ver que gostas… - disse Dreia deitando-se para trás na cama de Tom, ficando apoiada pelos cotovelos no colchão.
- Mas estás aqui… porque é que vou imaginar algo que posso fazer? – perguntou Tom tirando a banda de tecido que tinha sobre a cabeça, deixando as suas rastas a descoberto. Sabia que Dreia gostava particularmente delas e que não lhe resistiria.

- Porque é que não me contas aquilo que me fazias? – pediu Dreia engolindo a seco ao ver aquelas rastas penderem sobre o corpo de Tom. Ele estava lindo.
- Queres mesmo que te conte? – perguntou Tom sentando-se ao lado de Dreia sem nunca lhe tocar.
- … Sim! – disse Dreia sentindo o seu corpo ser chamado pela proximidade com o dele.

- Passava uma mão sobre as tuas pernas… - disse Tom levantando uma mão e passando-a sobre as pernas de Dreia sem nunca lhe tocar, mantendo uma distância de centímetros com a pele dela - …pelo meio das tuas pernas… subia pela tua barriga… acariciava o teu peito…os teus ombros… o teu pescoço….

Dreia sentia-se arrepiar com as palavras e os gestos de Tom. Ele tinha uma capacidade incrível de a deixar sem saber o que fazer e pensar. Tinha abandonado totalmente a ideia de o provocar, não queria ficar na provocação, queria sentir aquela mão que passava sobre si, no seu corpo. Queria sentir os lábios dele sobre cada centímetro do seu corpo, mas queria também tudo o resto que sabia que ele lhe podia dar e que estava desejoso por o fazer.

- …os teus lábios… o teu cabelo – continuou Tom.
- Só? – perguntou Dreia sedenta de ouvir algo mais.

- Hmmm… Estás interessada que faça mais alguma coisa? – perguntou Tom despindo as t-shirts que tinha vestidas para a tentar ainda mais, vendo que tinha sortido efeito. Os olhos de Dreia não saíam da sua barriga – Não gosto muito de falar… gosto mais de fazer…

Dreia levantou-se da cama de Tom, afastando-se do corpo dele. Estava a sentir um calor imenso apoderar-se do seu corpo, o seu coração estava acelerado, a sua respiração já parecia estar descontrolada. Encostou-se à mesa, onde anteriormente Tom estava encostado, e olhou para o corpo dele. Era impossível não o desejar, e ele sabia provocá-la como ninguém. Mas estava decidida em mostrar-lhe que não era só quando ela queria, era como ela queria.

- Mas eu quero que fales… - disse Dreia olhando-o nos olhos mostrando-lhe quem mandava.
- Ok… então depois, levantava-me… puxava a tua saia para cima… tirava-te as cuecas e segurava-te pelas coxas… e o resto era história… - disse Tom sorrindo.

- Aqui em cima desta mesa? – perguntou Dreia passando a mão pelo tampo da mesa.
- Ou em qualquer outro sitio… - disse Tom olhando para a saia que Dreia trazia vestida que o estava a provocar.
- Parece que não estás muito decidido daquilo que queres… - disse Dreia sorrindo maliciosamente.
- Eu sei o que quero… só depende de ti dares-me ou não… - disse Tom levantando-se e aproximando-se de Dreia.

- Então porque é que ainda não me tocaste? – perguntou Dreia olhando para o tronco desnudado de Tom a vir na sua direcção.

- E as regras? – perguntou Tom parando.
- As regras são para ser quebradas a partir do momento que entro por aquela porta… - disse Dreia olhando para a porta do quarto de Tom.
- Não me tinhas explicado essa parte… - disse Tom sorridente.
- Não pensei que precisasses que te explicassem como é que as coisas são feitas… Um rapaz com tanta experiencia… - disse Dreia desencostando-se da mesa e andando em direcção à porta do quarto de Tom sobre o olhar atento e espantado do mesmo.

- Onde é que vais? – perguntou Tom.
- Vou embora… - disse Dreia sem olhar para trás – Volto numa noite em que estejas com vontade de ter sorte…

Tom deixou a boca abrir e ficou a olhar para ela sair do seu quarto. Quem era aquela mulher e porque é que não a tinha conhecido antes? Não fazia ideia que as regras dela estavam sujeitas a alterações dentro de quatro paredes. Não fazia ideia de quais eram verdadeiramente as regras do jogo, e gostava disso, deixava-o ainda mais excitado. Mas agora que estava acesso e desejoso de a ter ela não podia ir embora, não assim. Passou as mãos na cabeça e sentou-se na sua cama. Deitou o corpo para trás e sorriu a pensar que a Andreia que ele conhecia tinha mudado radicalmente, já não era a menina virgem que tinha chegado às suas mãos, era uma femme fatale que o deixava louco. Sabia exactamente o que queria e dava-lhe luta para o ter. Gostava das duas, mas esta era sem dúvida mais o seu estilo de mulher. Atrevida, sem medos, nem preconceitos. Ouviu o telefone do quarto tocar e estranhou. Rastejou na cama até à mesa-de-cabeceira e atendeu o telefone.

- Sim…
- Sozinho? –
perguntou uma voz feminina que Tom identificou imediatamente como sendo Dreia.
- Graças a ti… - disse Tom.
- Sentes-te mesmo com sorte hoje? – perguntou Dreia.
- Pensei que sim… mas parece que estava enganado… – disse Tom – Tu és má… o que fizeste não se faz a ninguém… deixar um rapaz neste estado!

- Que estado? –
perguntou Dreia mordendo o lábio inferior.
- Continuas a querer descrições? Estou farto de descrições… quero passar à acção… - disse Tom, e vendo que Dreia não dizia nada acrescentou – Não me deixes aqui somente com a minha imaginação, eu juro que não te faço arrepender… Vá lá…

- Ainda estás de tronco nu? –
perguntou Dreia.
- … Sim! – respondeu Tom confuso.
- … - Dreia não disse nada.
- Dreia? – perguntou Tom ao não ouvir qualquer reacção do outro lado do telefone – Dreia? – repetiu Tom.

Desligou o telefone ao perceber que tinha sido abandonado novamente, desta vez por telefone. Suspirou fundo. Não percebia as mulheres, não valia a pena, ainda bem que só se envolvia com desconhecidas que não eram complicadas, iam para sexo e era sexo que tinham, não precisava de falar, nem de entrar em jogos. Tom estava perdido nos seus pensamentos quando ouviu bater novamente à porta. Levantou-se e foi abri-la para esboçar um novo e esperançoso sorriso. Era ela. Tinha voltado atrás.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:45 pm

Dreia entrou no quarto de Tom, sem esperar ser convidada. Não fazia tenções de voltar ao quarto dele, mas também ela ansiava por aquele momento há duas semanas, e necessitava daquilo que ele tinha para lhe dar. Encaminhou-se para a zona da cama, e ouviu Tom fechar a porta atrás de si. Antes de chegar à cama sentiu o corpo de Tom tomá-la por trás num abraço forte e excitado. Uma das mãos de Tom circundava a sua barriga, à medida que a outra a segurava pelo pescoço e os seus lábios beijavam o pescoço de Dreia languidamente e com uma fome devoradora. Dreia fechou os olhos e entreabriu os lábios ao sentir o toque dele e deixou a cabeça cair para trás sobre o ombro de Tom. Os lábios dele sobre o seu pescoço pareciam colar-se a si com uma intensidade que provocavam cada célula do seu corpo até ao seu núcleo. Virou-se de frente para Tom, rodando sobre os seus braços e tomou a cara dele com ambas as mãos. Tom tentou atacar os lábios de Dreia mas ela evitou-os, olhando para eles com atenção, vendo como os seus lábios eram perfeitos, como se encontravam delineados com uma perfeição incrível, como o piercing que habitava neles parecia ter sido feito para os seus lábios, e como reluzia com o embater da luz do quarto, chamando por si.

- Seduz-me! – disse Dreia momentos antes de beijar os lábios de Tom com vigor e intensidade.

Tom beijou os lábios de Dreia procurando retirar deles todo o prazer que sabia que eles lhe podiam dar e andou em direcção à cama, arrastando o corpo de Dreia com ele. Deitou-a sobre a cama e olhou-a nos olhos sorrindo sedutoramente. Sentia o corpo de Dreia estremecer com o seu toque e passou a língua sobre os lábios vendo os olhos de Dreia, que adquiriam uma cor esverdeada, deslizarem até aos seus lábios observando cada centímetro de superfície labial a ser preenchida por aquela língua. Levou a sua mão esquerda à perna esquerda de Dreia e passou a mão por ela, subindo devagarinho, sentindo Dreia arrepiar-se e ficar em pele de galinha, passou a mão pelo interior da perna de Dreia, como tinha imaginado, e roçou a sua mão no meio das pernas de Dreia observando nela uma mudança de atitude. Tinha-a nas suas mãos. Passou a mão sobre a barriga de Dreia brincando sedutoramente com o seu umbigo, subiu um pouco mais até ao seu peito e acariciou-o deitando-se um pouco sobre o corpo de Dreia, fazendo com que ela sentisse o peso do corpo dele. Dreia adorava sentir o peso do corpo dele sobre o seu, bem como, o toque das rastas sobre a sua pele. Tom apoderou-se num toque firme do seu ombro e de seguida do seu pescoço, passando a mão nele provocando-lhe um sem fim de arrepios. Subiu pelo queixo de Dreia e foi até aos seus lábios, tocando neles com a ponta dos dedos e sentindo uma vontade imensa de os beijar. Substituiu os dedos pelos lábios e continuou caminho com a sua mão até aos cabelos de Dreia acariciando-os. Dreia sentiu a outra mão de Tom tomar conta da sua cintura e não resistiu a abraçar o corpo de Tom, incidindo com maior frequência nos abdominais dele, queria senti-los bem, a sua curvatura a sua consistência e rigidez. Tom introduziu a sua língua no interior de Dreia e brincou com a língua dela numa luta feroz por dominância, nenhum dos dois parecia querer-se render ao domínio do outro, o que estava a tornar aquela batalha deveras mais interessante. Dreia terminou o jogo em clara vitória, ao morder o piercing de Tom e ouvir dele um gemido de dor que lhe pareceu extremamente sedutor nas circunstâncias em que estavam. Dreia colocou ambas as mãos sobre o cinto das calças de Tom e desapertou-o em manifestação do seu desejo. Tom segurou nas calças por breves instantes e tirou de um dos bolsos a sua carteira, deixando que Dreia continuasse a puxar as suas calças para baixo. Abriu a carteira à medida que sentia as mãos de Dreia percorrerem as suas costas, fazendo com que Tom se arrepiasse e soltasse um gemido contido que deixou Dreia totalmente atraída aquele corpo nu que tinha sobre o seu. Tom retirou um preservativo que tinha no interior da carteira e mandou-a para longe, sem saber onde ela tinha ido cair, não se importava com pormenores como esse, quando tinha Dreia sedenta por o possuir. Sabia-o pelos seus olhos, aquela expressão que ela tinha, sabia-o pelo movimento do seu corpo contra o seu, da sua respiração, do modo como as mãos dela não paravam de o acariciar. Abriu a embalagem do preservativo e saiu momentaneamente de cima dela para o colocar. Dreia saiu de baixo de Tom e levantou-se da cama sentindo as pernas tremerem de forma descontrolada, estava totalmente pronta para o receber no seu interior, não queria esperar mais um segundo que fosse, mas queria que fosse como ele lhe tinha descrito, queria tudo aquilo que Tom tinha fantasiado. Encostou-se novamente à mesa do quarto de Tom como tinha feito anteriormente, abriu ligeiramente as pernas, até onde a sua saia permitia e olhou para Tom em forma de provocação. Queria-o ali, encima daquele tampo daquela mesa. Tom olhou para Dreia e sentiu-se ficar ainda mais excitado. Bendita hora em que ela o tinha provocado com a imaginação. Ia tornar a sua fantasia realidade, e estava a gostar bastante dessa ideia. Levantou-se da cama, andou até ela e abordou os seus lábios de forma selvagem, à medida que uma mão a segurava pelo pescoço e outra se introduzia por baixo da sua saia e se via livre das cuecas que ela trazia vestidas. Empenhou ambas as mãos a acariciarem as pernas de Dreia, e a puxarem a saia para cima até ver que o caminho estava totalmente livre para dar início à satisfação do seu prazer. Segurou nela pelas coxas e sentiu os olhos dela olharem para os seus com aquela expressão. Aquela expressão que tinha algo a mais que pura luxúria e prazer, aquele amor que dizia sentir por si. Tom sentiu-se ainda mais sedento de a ter, de ver a expressão dos olhos dele ser arrebatada e elevada ao expoente da loucura. Dreia sentiu Tom invadir o seu interior com calma, sentindo cada toque dele com precisão. Procurou os seus lábios enquanto sentia as mãos dele prenderem-se às suas pernas e a sua pélvis fazer movimentos ondulatórios que lhe davam um prazer acrescido a cada investida do seu corpo. Procurou a língua de Tom, queria senti-la naquele momento, queria sentir a pressão do seu piercing contra os seus lábios e a agressividade dos movimentos dele, queria o peso do seu corpo, a violência do seu desejo, queria tudo a que tinha direito, e só o queria com ele. Sentiu Tom atravessar a barreira da sua intimidade cada vez com mais firmeza e procurando ir mais fundo para retirar cada vez mais prazer daquilo que viviam, e segurou-se com uma mão ao tampo da mesa e com outra às costas de Tom. Gostava dele assim, com aquele dinamismo e energia. Tom insistia sobre Dreia e começava a aumentar o ritmo e a velocidade a que o fazia, Dreia via o seu corpo a ser avassalado contra o espelho que estava na parede e gemia com o prazer incalculável que Tom lhe dava, e com a dor de sentir as suas costas embaterem contra o espelho de vez em quando, mas não se importava. Queria-o ali mesmo e daquela maneira. Tom inclinava a cabeça para trás, de olhos fechados e lábios entreabertos, à medida que se sentia perto de atingir um orgasmo nos braços de Dreia. Soltava gemidos de puro prazer e lutava com o seu corpo para conseguir dar também a Dreia aquilo que lhe tinha prometido. Não a ia fazer arrepender-se de ter voltado atrás, ia fazê-la ver que o seu lugar era ali mesmo, do seu lado. Queria que ela sentisse falta do seu corpo, que almejasse e o desejasse todas as noites. Endireitou a cabeça ao ouvir Dreia soltar um gemido mais áspero que os restantes, e olhou para a expressão que ela tinha na cara. Não estava apenas feliz, nem contente ou repleta de prazer. Estava com aquela expressão nos olhos, uma expressão vidrada de quem se sentia completa, como se Tom tivesse complementado o espaço em vazio que ela tinha no seu interior com o complemento físico daquele amor que ela dizia sentir por ele. Mordeu o lábio inferior e continuou na sua missão, rendido a ela. O seu sexo era viciante, era diferente. Adorava fazê-la e vê-la vir-se. Dava-lhe um poder especial, o seu orgulho, o seu ego, e a sua masculinidade pareciam sair a ganhar sempre que se encontrava sexualmente com ela. Nos braços dela não se sentia apenas especial (como nos braços de todas as outras), nos braços dela sentia-se único. Sentiu Dreia abraçar o seu tronco nu e beijar-lhe os lábios , ao mesmo tempo que o seu corpo relaxou numa onda de prazer que sentiu percorrer-lhe dos pés à cabeça.

Dreia largou o corpo de Tom e deixou-se cair sobre o espelho que tinha nas suas costas, ofegando e tentando voltar à normalidade (embora não esperava conseguir fazê-lo em breve). Nunca era capaz de voltar à realidade depois de estar nos braços de Tom. Observou Tom afastar-se de si e retirar o preservativo, andando na direcção da casa de banho para o deitar para o lixo, e como que por impulso, levantou-se da mesa onde estava sentada e sentiu as pernas fracas e sem reacção. Puxou a saia para baixo e apanhou as suas cuecas que estavam no chão, colocando-as num dos bolsos da saia. Virou-se de frente para o espelho e prendeu o cabelo num rabo-de-cavalo para não o ter de arranjar. Respirou fundo e sentindo ainda a sua respiração descontrolada dirigiu-se para a porta do quarto de Tom, passando pela porta da casa de banho onde estava Tom a deitar o preservativo fora, tal como Dreia tinha previsto.

- Tens o dom de fazer a sorte jogar a teu favor… - disse Dreia colocando a cabeça dentro da casa de banho e observando pela última vez o corpo nu de Tom, piscando-lhe o olho. E ao ver que Tom se voltava para ela e lhe sorria como se, se vangloriasse daquilo que tinham acabado de fazer, acrescentou – Até amanhã! – disse Dreia saindo do quarto de Tom e fechando a porta com força para que ele percebesse que o jogo estava terminado.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:46 pm

• 117 •








Tinha acabado de contar tudo o que se tinha passado na noite anterior a Bea. Ok, não lhe tinha contado tudo. Há coisas que simplesmente não se contam, mas tinha contado tudo aquilo que era permitido contar, e tudo aquilo que achava que Bea devia saber sobre a sua relação com Tom. Bea estava de boca aberta a olhar para Dreia. Não conseguia imaginar Dreia a virar costas a Tom. Desatou-se a rir e deu os parabéns à amiga. Era sem dúvida uma vitória. Domar Tom Kaulitz, o Sex Gott insubmisso, e fazer vencer a sua vontade sobre a dele. Dava tudo para ver a cara de Tom quando Dreia tinha ido embora deixando-o logo após terem iniciado aquela que podia ter sido uma noite em grande para os dois.

- E o que é que ele disse? – perguntou Bea.
- Nem sei se disse alguma coisa, não lhe dei tempo para falar, virei costas e fui embora… - disse Dreia a rir-se, adorava sentir-se em poder.
- Tu és a minha heroína! - disse Bea sorrindo.
- Olha ele… - disse Dreia com os olhos a brilhar ao ver Tom entrar na sala com cara de sono.

Entrou na sala e dirigiu-se à mesa onde estava o irmão sentado. Era uma mesa de quatro, onde estava sentado Andreas e Nathalie. Tom estranhou mas aproximou-se e sentou-se na mesa, dando os bons dias a todos.

- Não te queres sentar comigo? Guardei-te lugar… - disse Bill.
- Não estás sentado aqui? – perguntou Tom meio ensonado.
- Não… estou com a Bea e com a Dreia, mas se não quiseres… - disse Bill que estava sentado naquela mesa apenas a por as cusquices em dia com Nathalie e Andreas.
- Ok... então vou para lá… - disse Tom levantando-se.
- Já lá vou ter… - disse Bill.

Tom passou pela mesa onde estava sentada Bea e Dreia e pousou o seu telemóvel no espaço que estava vazio dando os bons dias a ambas. Olhou para Dreia com um misto de felicidade e incerteza e dirigiu-se para a mesa dos pequenos-almoços para ir buscar o que comer.

- Viste a maneira como ele te olhou? – perguntou Bea.
- O que é que tem? – perguntou Dreia entusiasmada.
- Deste-lhe a volta… Ele está diferente… - disse Bea – Mas não mandes foguetes ao ar! Está diferente, mas não sei em que sentido, nem sei o que é que isso quer dizer…
- Eu sei… -
disse Dreia sorrindo por não ser a única a achar que Tom estava de alguma forma mudado – Ele continua igual, mas diferente… O Tom é um verdadeiro enigma!
- Mas aposto que neste momento tu és um enigma ainda maior para ele… -
disse Bea piscando o olho a Dreia.

Tom aproximou-se da mesa e Bea e Dreia pararam de falar. Tom percebeu que algo se passava e que deviam estar a falar dele. Bea sorriu-lhe com um ar cúmplice e diferente do normal, e teve certeza que Dreia já lhe tinha dito alguma coisa. As mulheres nunca conseguiam ficar caladas.

- Importas-te que fale um bocadinho a sós com a Dreia? – pediu Tom a Bea reparando que ela já tinha acabado o seu pequeno almoço.
- Não… - disse Bea sorrindo para Dreia e Tom e levantando-se para ir ter com Bill, Andreas e Nathalie à outra mesa.

Dreia ainda estava a comer. Sentiu-se ficar nervosa. A femme fatale da noite anterior tinha desaparecido com a noite de sono maravilhosa que tinha tido, agora era simplesmente Dreia, a portuguesa que era fã incondicional dos Tokio Hotel, que estava à frente de Tom.

- Aquilo é que foi sair a correr ontem… - disse Tom colocando uma colherada de cereais na boca.
- Não estava a fazer nada no teu quarto! – disse Dreia sentindo-se corar por ele tocar naquele assunto.
- Não me deste sequer tempo para recuperar… - disse Tom olhando para o olhar acastanhado de Dreia.
- Já era tarde… – disse Dreia justificando-se.

Tom olhava para Dreia observando que ela estava mais envergonhada e contida que na noite anterior, não era a Dreia segura e imperial que tinha conhecido. Enfiou outra colherada na boca enquanto a via beber um gole do seu sumo de laranja.

- Desta vez não tens o Andreas para te desculpar… - disse Tom.
- Não preciso de desculpas. Era tarde, quis ir embora e fui… - disse Dreia sentindo-se ganhar segurança ao ver que Tom não estava com o ego em cima – Já tinha feito o que tinha a fazer…

- Andamos muito liberais… -
disse Tom olhando-a com estranheza.
- Tenho tanto direito de ser liberal contigo, como tu com qualquer uma das tuas amiguinhas… - disse Dreia levantando as sobrancelhas.
- É verdade… - disse Tom continuando a comer – Agora vai ser sempre assim? Vais-me deixar sempre na mão?

- Precisaste de recorrer à mão? –
perguntou Dreia sorrindo maliciosamente.
- … Tu sabes o que eu estou a dizer! – disse Tom – Vais aparecer e desaparecer quando bem te apetecer?

- Porque não? –
disse Dreia sorrindo ao ver que ele continuava preocupado com as regras do jogo.
- Porque eu gosto de saber com o que posso contar… - disse Tom.
- Não me parece que sejas o tipo de rapaz que goste de noites planeadas! – disse Dreia a rir.
- Planeadas não! Mas não gosto de colocar a fasquia demasiado alta e ser deixado sozinho… - disse Tom com o orgulho ferido. Nunca, ninguém, em tempo algum abandonava Tom “Sex Gott” Kaulitz.

- Mas agora andamos juntos como dizia na revista? – perguntou Dreia divertida com aquela cena, de orgulho ferido, que Tom fazia. Não tinha pena dele. Andava realmente a divertir-se com Tom, e gostava de o ver rastejar aos seus pés.
- Claro que não! – disse Tom visivelmente ofendido pela pergunta que parecia querer roubar-lhe a liberdade – Mas quero instaurar uma nova regra…. Quero saber com o que posso contar…

- Não és tu que fazes as regras… –
disse Dreia a rir de Tom.
- Se estou a jogar também posso impor regras… - disse Tom.
- Quando se joga um jogo, joga-se com as regras existentes. Ou jogas por elas, ou não jogas, não dá para a meio do jogo decidires mudar as regras… – disse Dreia muito séria mas sentindo um gozo enorme com a conversa – Mas se quiseres propor regras novas… elas podem ser analisadas…
- Quero um aviso prévio antes de ires embora. Não quero acordar sozinho, nem ouvir a porta a bater sem saber de nada… -
disse Tom olhando fixamente para Dreia.

- Tu nunca me pediste para ficar contigo… - disse Dreia.
- E valia a pena? Antes de abrir a boca já tinhas saído do quarto! – disse Tom abrindo os olhos em espanto.
- Isso nunca saberás… - disse Dreia provocando-o.


Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink


Estavam no avião a caminho de Buenos Aires, capital da Argentina onde iam dar um dos últimos concertos no continente americano antes de regressarem à Alemanha. Já estavam cheios de saudades de casa. Há aproximadamente quatro meses que não paravam de percorrer o globo. Jost já estava a planear uma tour rápida pelo Japão e Austrália. Os Tokio Hotel iam finalmente concretizar o sonho de visitar a cidade que apadrinhava o seu nome, mas antes de partirem em viagem, iam ter tempo para descansar, e só no fim do ano é que iniciariam uma nova tour.

Bill ia sentado ao lado de Tom na viagem. Bea tinha-o incumbido de uma missão especial, e ia sentada com Dreia dois lugares atrás deles, para que os irmãos pudessem falar à vontade. Tom tinha os óculos de sol postos e ouvia iPod. Bill via o filme que estava a ser projectado no avião, mas sem grande atenção, passava maior parte do tempo a pensar numa maneira de abordar o tema Dreia com o irmão. Sabia que o irmão era liberal demais para admitir algum sentimento por ela. Mas também acreditava que ele não sentia nada por ela. Tom nunca se tinha interessado realmente por nenhuma rapariga, e no dia que isso acontecesse, Bill tinha a certeza que ele seria o primeiro a saber, e que Tom nem precisaria de lhe contar, bastaria um olhar. Tomou coragem e quando viu Tom retirar um phone do ouvido para o limpar aproveitou para lhe falar.

- O que é que estás a ouvir? – perguntou Bill para meter conversa com Tom.
- Samy Deluxe… - disse Tom – O filme é fixe?
- Não sei… não estou a prestar atenção! –
disse Bill.
- Bem me parecia… - disse Tom que já conhecia Bill bem – O que é que se passa? Problemas com a Bea?
- Não! –
disse Bill a rir – Eu e a Bea estamos muito bem…
- Então? –
perguntou Tom tirando o outro phone do ouvido e desligando o iPod.

- A Bea pediu-me para falar contigo… - disse Bill não conseguindo esconder do irmão a verdadeira razão pela qual ia falar com ele - … Por causa da Dreia!
- Da Dreia? –
perguntou Tom franzindo a testa – O que é que tem a Dreia?
- Ela está preocupada com o vosso envolvimento… -
disse Bill escolhendo com cuidado as palavras que usava para não afugentar Tom da conversa – Com as tuas intenções para com ela…

- Wow… -
disse Tom espantado com o desenvolvimento da conversa – Não há envolvimento nem intenção nenhuma…

- Eu sei… mas tipo… o que é que se passa com vocês? –
perguntou Bill
- Sexo! – disse Tom de imediato – Passa-se sexo e do bom, mais nada…
- Ok… -
disse Bill aceitando tudo o que Tom tinha para lhe dizer – Mas sexo descomprometido, género, apetece-me e tal?
- Mais ou menos… -
disse Tom – É mais sexo descomprometido do género apetece-LHE e tal… Eu já te tinha contado… ela tem as regras do jogo na mão, quando lhe apetece aparece!

- E tu tens estado com outras? –
perguntou Bill directamente.
- Não… Andamos à quatro meses fora de casa, ando cansado e só me apetece aterrar na cama quando chego ao hotel… - disse Tom justificando-se.
- E tens sentido necessidade de estar com outras? – perguntou Bill.
- Estou cansado, não me apetece estar com ninguém… - disse Tom
- Mas tens estado com a Dreia. Por o menos contaste-me duas vezes… - disse Bill.
- Foram as únicas vezes que estivemos juntos… - disse Tom.

- Ok… - disse Bill contente por o irmão falar daquilo naturalmente – E não vês possibilidade de sei lá…
- Não faças filmes… -
disse Tom travando o irmão – Não gosto dela, não quero namorar com ela. Não, não e não. Foi a Dreia que te pediu para perguntares isso? Ela quer alguma coisa?
- Não. Estou a perguntar por perguntar, ela não me pediu nada! –
disse Bill.
- Estava a ver… porque estamos a ir bem, gosto das coisas como estão! – disse Tom sorrindo – Quando estou com ela é diferente… ela entrega-se tanto, e goza tanto que mesmo que o sexo não fosse óptimo, valia a pena, só para a ver…

- Ela gosta mesmo de ti Tommi… -
disse Bill.
- Eu sei… - disse Tom – É como se não houvesse mais ninguém. Eu sei que ela só pensa em mim quando estamos juntos, e que sente as coisas de maneira diferente…

- E isso não é maravilhoso? –
perguntou Bill na esperança que o irmão visse com os seus próprios olhos que amar alguém não era algo mau como ele fazia parecer.
- É… mesmo incrível… - disse Tom sorrindo – Acho que estou viciado no sexo dela!
- Viciado? –
perguntou Bill sorrindo e levantando uma sobrancelha.
- Sim… é muito bom… é muito excitante… - disse Tom mordendo o lábio inferior – Os joguinhos que ela faz…
- Ok… -
disse Bill a rir – Estou a ver que gostas desta nova Dreia…
- Adoro… é o meu tipo de mulher! Atrevida, com vontade de explorar e ser criativa! –
disse Tom a rir.

- Mas hoje estavas todo lixado porque ela te tinha deixado… -
disse Bill a rir do irmão.
- Fogo! E tu não ficavas? – perguntou Tom – Foi a segunda vez…
- Para a próxima ou lhe pedes para ficar ou amarra-la à cama! –
sugeriu Bill a rir.
- Sabes bem qual é a minha opção preferida! – disse Tom a rir.
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:46 pm

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Estava aflitinha para ir à casa de banho. Abanava as pernas freneticamente a tentar conter-se o máximo possível. Sabia que mais duas ou três músicas e Bill saia de palco. Queria estar ali para o receber quando tal acontecesse. Não queria que ele a procurasse com os olhos e não a visse no seu lugar do costume. Mas estava tão apertadinha que teve mesmo de se ausentar por breves instantes. Avisou Dreia (que assistia ao concerto em backstage consigo) que ia à casa de banho e não se demorava. Saiu a correr com pressa para chegar a casa de banho o mais rápido possível e não se demorar para que Bill não desse pela sua falta. Entrou no camarim de rompante, correndo em direcção à casa de banho, anunciando aos presentes o porque da correria, ouvindo Andreas rir.

Saiu da casa de banho e lavou as mãos. Ia concentrada em sair do camarim para receber o seu leão nos braços, como era costume há dois meses, quando Andreas a parou com uma pergunta.

- Está a correr bem? – perguntou Andreas.
- Muito bem! Devem estar quase a acabar… – disse Bea sorridente, mas esmorecendo o sorriso ao reparar que Nathalie, que estava sentada ao lado de Andreas, tinha vestido um casaco de Bill. Parou a sua trajectória em direcção à porta e apontando para o casaco perguntou – Esse casaco é do Bill?

- É… –
disse Nathalie sorrindo em forma de provocação e passando uma mão sobre o seu braço acariciando o casaco.
- E o que é que estás a fazer com o casaco dele vestido? – perguntou Bea semicerrando os olhos em raiva.
- Estava com frio… - disse Nathalie sorrindo.
- E não podias vestir o teu casaco? – perguntou Bea.
- Este estava mais à mão… - disse Nathalie.

Bea dirigiu-se para a mesa da maquilhagem e pegou no casaco de Nathalie que estava pousado em cima da mesa ao lado da sua mala e voltando-se para Nathalie que estava sentada num sofá com Andreas, mandou-lhe o casaco para cima dizendo:

- Agora já podes trocar!
- Mas agora não tenho frio… não preciso do meu casaco! –
disse Nathalie pegando no seu casaco e pousando-a no braço do sofá mostrando que não tinha qualquer tipo de intenção em vesti-lo.
- Claro que precisas do teu casaco… é para isso que as pessoas compram casacos. Para os usar! – disse Bea desafiando Nathalie com o olhar.
- Mas eu não tenho frio assim… - disse Nathalie enfrentando Bea com o olhar.

- Calma meninas… é só um casaco… - disse Andreas a tentar acalmar aquelas duas.
- Não… é o casaco do Bill! – disse Bea.
- Pois… foi o que eu disse… é só um casaco! – disse Andreas querendo acalmá-las e fazer ver que não passava de uma peça de vestuário e não de Bill em si.

- O que é que foi Bea? Estás com medo que eu te roube o namorado por estar vestida com o casaco dele? – perguntou Nathalie a rir – Se soubesses a quantidade de vezes que eu já vesti casacos dele… Mas parece que não estás muito segura de ti mesma!

- Nathalie! –
disse Andreas chamando-a à atenção com o olhar, de que estava a passar das marcas.
- É verdade Andi… - disse Nathalie ripostando.

- Tira o casaco… - disse Bea num tom imperativo.
- O casaco não é teu. Só tiro o casaco, se o Bill me pedir para o tirar! – disse Nathalie cruzando os braços - … Mas ele nunca pede! – disse Nathalie sorrindo.
- Nath, tira a merda do casaco e acaba com esta cena! – disse Andreas estupefacto com a confusão que o casaco estava a gerar.
- Não tiro! Era o que me faltava que agora, de um momento para o outro, chegasse aqui uma gaja vinda do nada e começasse a fazer escândalos por eu falar, tocar, ou vestir o casaco de um amigo meu… - disse Nathalie a Andreas ignorando a presença de Bea no camarim.

- Mas tu pensas que estás a falar com quem? – perguntou Bea aproximando-se de Nathalie para mostrar que se ela queria confronto, era confronto que teria, ali mesmo, em frente a Andreas.
- Contigo! Interesseira… - disse Nathalie levantando-se para enfrentar Bea sem medo – … Dois meses a viajar pelo mundo às custas do Bill, em troca de sexo…

- O que é que tu disseste? –
perguntou Bea fazendo-se de desentendida – Não tenho nada a ver com aquilo que costumas fazer com a tua vidinha… Lá que seja costume andares a viajar em troca de dinheiro e sexo, problema o teu. Sabes que as pessoas que vão para a cama em troca de sexo e favorezinhos têm um nome… - disse Bea totalmente passada com a atitude de Nathalie e pronta para lhe saltar para o pescoço e esganá-la até se certificar que ela estava mais que morta - Que eras uma grande puta já tinha reparado há muito tempo! Só não pensei que admitisses assim tão facilmente! Agora despe a merda do casaco antes que to tire.

- CALMA! –
gritou Andreas saltando do sofá e colocando-se entre elas para evitar uma cena de pancadaria – Despe lá o casaco!
- Já disse que não… -
disse Nathalie provocando – Se ela quer o casaco que o venha buscar que eu não tenho medo!

Bea sorriu provocada. Teria todo o prazer de lhe por as mãos em cima e fazê-la despir o casaco pessoalmente. Passou por Andreas sem que ele desse conta e foi directa aos cabelos de Nathalie, puxando-os com toda a força que sentia em si (que com a raiva que tinha acumulada era bastante) e ouviu Nathalie soltar um grito à medida que Andreas tentava fazer com que Bea largasse Nathalie.

- Tira a merda do casaco… - gritou Bea a ver se Nathalie percebia de uma vez por todas que ela não ia descansar enquanto o casaco de Bill não se encontrasse longe do seu corpo e veneno.

Nathalie não se mexia, apenas colocava as mãos sobre a cabeça, tentando aliviar a dor que sentia ao sentir os seus cabelos serem puxados com tamanha brutalidade. Soltava gritos de dor quando Bea os puxou ainda com mais força. Resolveu começar a dar aos pés a ver se conseguia acertar em Bea nas canelas, na esperança que o seu contra-ataque fosse sortir efeito. Andreas segurava com uma mão na cintura de Bea e com outra numa das mãos de Bea a tentar puxá-la e demovê-la de continuar com aquela cena. Estava absolutamente abismado com o ponto a que as coisas tinham chegado. Sabia que Nathalie e Bea andavam à muito em provocações e confrontos verbais, mas nunca tinha pensado que um dia elas fossem partir para a violência física. Bea não tinha razões para estar tão alterada, era mesmo um acumular de situações que a tinham deixado assim, mas Nathalie também não tinha de ter feito tanta fita por causa de um casaco, podia ter evitado aquele problema.

Bea sentiu um pé de Nathalie embater contra a sua canela e sentiu uma dor aguda apoderar-se de si. Se ela queria partir com tudo para cima, Bea não tinha qualquer tipo de problema com isso. Levantou o pé e dando balanço para trás deu um pontapé a Nathalie com toda a força que conseguiu, ouvindo Nathalie soltar um grito estridente, que soava a música para os seus ouvidos. Largou com uma mão o cabelo de Nathalie e colocou-a sobre o fecho do casaco de Bill, Andreas viu as mãos de Nathalie procurarem os cabelos de Bea e conseguiu-as travar a tempo de o atingirem. Já chegava o que se passava, não precisavam de piorar as coisas. Bea puxou o fecho do casaco para baixo e largou Nathalie, mas não lhe deu sequer tempo para respirar, pois empurrou-a com violência contra uma parede, (fazendo com que Nathalie embatesse de frente contra a parede) e pegando no casaco pelos colarinhos puxou o casaco de Bill para baixo, virando-o do avesso mas tirando-o do corpo de Nathalie. Afastou-se de Nathalie olhando sempre para trás, não fosse ela saltar-lhe para cima.

Bill abriu a porta do camarim, para ver Nathalie toda desgrenhada a correr em direcção de Bea pronta para a atacar. Só teve tempo de gritar um sonoro e sentido “HEY!” que fez com que Bea olhasse para Bill distraindo-se por segundos de Nathalie, dando a Nathalie margem de manobra sobre ela, mas Andreas que estava por perto saltou imediatamente no caminho de Nathalie e segurou-a pela cintura evitando o confronto. Bea virou o casaco de Bill ao contrário, e foi até ao sofá buscar o casaco de Nathalie que estava pousado sobre o braço do sofá. Pegou no casaco e mandou-o contra a cara de Nathalie, dizendo:

- Veste o casaquinho que está frio!

- Que merda é esta? –
perguntou Bill colocando-se entre Bea e Nathalie (que estava segura nos braços de Andreas).
- A tua namoradinha atacou-me! – disse Nathalie gritando enfurecida.
- E tu a mim… - disse Bea respondendo com calma e tranquilidade. Uma calma que parecia enervar ainda mais Nathalie.
- Mas não fui eu que te puxei os cabelos… - gritou Nathalie descontrolada.
- Mas tentaste! Não tenho culpa que eu seja mais rápida que tu! – disse Bea aproximando-se de Bill.

- O que é que aconteceu? – perguntou Bill perplexo com o que se passava.
- Ela tinha o teu casaco vestido e eu pedi-lhe para tirar… - disse Bea – Ela insistiu que não o fazia e começou a chamar-me nomes pouco simpáticos. Tive de a fazer tirar o casaco à força!
- Isto tudo por causa de um casaco? –
perguntou Bill impressionado.

- Pois…foi o que eu lhes disse… é só um casaco! – disse Andreas.
- Não é só um casaco… é o casaco do Bill… – disse Bea segurando o casaco dele nos braços – Se ela tem o casaco dela que o vista, não tem nada de andar a vestir o dos outros…

- Ela costuma vestir o meu casaco… -
disse Bill olhando para Bea com seriedade. Gostava que Bea fosse ciumenta, mas chegar ao ponto de partir para a violência física era demais.
- Vês! – disse Nathalie com um sorriso na cara.
- Vejo e não gosto… - disse Bea – Uma coisa era se não tivesses outro casaco, mas tendo o teu próprio casaco, vestires o do Bill é um abuso de confiança…

Georg entrava no camarim para se deparar com a confusão instaurada, não percebia o que se estava a passar, mas não se queria intrometer, ia esperar que os ânimos acalmassem para depois falar com alguém que lhe explicasse tudo. Foi buscar uma garrafa de água e uma toalha e sentou-se no sofá a descansar.

- Ok, ok… - disse Bill levantando ambas as mãos no ar para ver se acalmava aquela confusão toda – Nathalie para a próxima podes vestir o do Andreas?
- Estás a tomar partido dela? –
perguntou Nathalie abrindo a boca chocada.
- Sim ou não? – pergunto Bill sem paciência para escândalos.
- Bill! – disse Nathalie espantada com a reacção dele.
- Não dificultes as coisas, sim ou não? – perguntou Bill.
- … Sim! – disse Nathalie a muito custo.

- Ok… - disse Bill virando-se de seguida para Bea Schatzi, estás-lhe a dever um pedido de desculpas. Exageraste…
- O quê? –
perguntou Bea espantada – Queres que eu peça desculpas a uma pessoa que nos últimos dois meses tem feito de tudo para me provocar? Que tenta envenenar a nossa relação sempre que pode? Que me chamou nomes e me bateu? Não me parece…
- Vá lá, não sejas assim… -
disse Bill – Ela também te pede desculpa a seguir.
- Mas eu não lhe vou pedir desculpas Bill… -
disse Bea zangada.

Tom, acabava de entrar no camarim. Escorria suor por todos os poros. Reparou que se estava a passar algo e olhou para Georg que estava sentado no sofá a observar a cena com cara de caso, mas sem perceber nada. Georg abriu-lhe muito os olhos como que a dizer-lhe que não sabia o que se estava a passar, mas que era confusão da grande e que Tom não se deveria meter. Tom percebeu a mensagem e limitou-se a passar por Bill, Bea, Andreas e Nathalie, e ir até à mesa onde tinham comida, para comer alguma coisa.

- Não sejas casmurra… - disse Bill.
- Não! Recuso-me a pedir desculpas a uma pessoa que só está à espera da primeira oportunidade para me ver pelas costas… - disse Bea irritada.

- Estás a exagerar… - disse Bill a começar a ficar farto daquele filme.
- Não, não estou! E tu só não vês isso porque ela contigo é muito queridinha… - disse Bea – Eu posso nunca mais falar com ela, ou sequer olhar para ela, mas desculpa não lhe peço! Ela para mim morreu…
- Vês? A tua namoradinha é uma pirralha infantil… que nem sabe agir como uma adulta… Eu disse que ela só ia dar problemas! -
disse Nathalie soltando-se dos braços de Andreas e dirigindo-se para a casa de banho para se compor.

- Sanguessuga! – disse Bea entre dentes.


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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:47 pm

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Bea não tinha regressado. Bill já tinha saído de palco e tinha-se dirigido para o camarim para ir ter com ela. Dreia tinha visto no olhar dele uma expressão triste e pesarosa por não ter visto Bea ali à sua espera. Sabia que para Bill ter Bea a assistir aos concertos era uma força extra que tinha e uma inspiração para quando começava a ficar cansado, dar mais de si. Poder sair de palco directamente para os braços de Bea tinha-se tornado num ritual, que naquela noite tinha sido quebrado pela primeira vez. Tudo porque a amiga se tinha demorado tempo demais na casa de banho. Só esperava que não se tivesse passado mais nada.

Olhou para palco e viu Tom a tocar os últimos acordes antes de se despedir do público que se juntava em Santiago no Chile para ver os Tokio Hotel tocarem ao vivo pela primeira vez. Sorriu ao ver o modo como Tom sentia a guitarra nas suas mãos e o som que dela emanava. Era absolutamente sedutor. Tom dava força à expressão: tocar e encantar. Seria possível que tudo onde aquelas mãos tocassem se tornava em puro prazer para os seus ouvidos e corpo?

Tom e Georg despediram-se do público e saíram pelas escadas onde Dreia estava. Dreia olhava para Tom com admiração, adorava vê-lo tocar (adorava vê-lo fazer tudo). Quando ele estava em palco, a dedicação, a força, a sensualidade que ele revelava via-se a milhas de distância. O seu corpo suado, a sua excitação, o modo como violava a sua guitarra, o modo como interagia com Georg, Bill e Gustav. Tudo nele era absolutamente perfeito. Deu consigo a imaginar-se a guitarra dele. Gostava de se sentir tocada e usada por aquelas mãos. Tom sorriu ao ver Dreia ali parada e deixando Georg seguir caminho até ao camarim perguntou-lhe.

- Estavas à minha espera? – perguntou Tom humedecendo os lábios.
- Achaste assim tão importante? – perguntou Dreia sorrindo de forma nervosa para ele.
- Eu sou importante… e tu não consegues dizer que não! – disse Tom aproximando-se do corpo dela, vendo-a reagir e dar um passo para trás – Ahhh… é verdade… as regras! Estamos de volta ao jogo…

- Pois… as regras existem e são para ser cumpridas! –
disse Dreia sorrindo.
- … Mas não dentro de quatro paredes! - disse Tom sorrindo.
- Vês como já aprendeste? – perguntou Dreia picando-lhe o olho.
- Eu aprendo rápido… - disse Tom – Mas sabes que aqui e agora era um sitio perfeito para quebrar as regras…
- Era, não era? –
perguntou Dreia a rir do comentário de Tom – Temos pena…

- Então o que é que estás aqui a fazer? –
perguntou Tom.
- Vim ver um concerto dos Tokio Hotel… - disse Dreia rindo de Tom.
- Ouvi dizer que eles têm um guitarrista mesmo bom… - disse Tom passando a língua sobre o piercing.
- Eu prefiro o baterista… – disse Dreia apontando para a bateria onde Gustav estava a fazer um solo que levava a sala de espectáculos ao delírio.

- Ai és assim? –
perguntou Tom para picar Dreia – Olha que eu vou-me embora… Vais perder uma grande oportunidade de experimentar o Sex Gott no auge da sua excitação e actividade física.

- Eu não te procurei… -
disse Dreia diminuindo o comentário de Tom a algo insignificante – Quando me apetecer, procuro-te!
- Depois pode ser que não tenhas sorte… -
disse Tom andando na direcção do camarim.
- Tu é que precisas de sorte… não sou eu! – disse Dreia mordendo o lábio inferior ao vê-lo afastar-se de si com aquele andar que estava repleto por uma aura de estilo puro e simples.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:47 pm

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Tinha saído do recinto do concerto com Dreia, e tinham seguido caminho para o hotel. Bea tinha ido de imediato para o quarto, não lhe apetecia sequer falar com Dreia, contou-lhe apenas aquilo que se tinha passado no camarim e o porquê de não ter regressado ao backstage para ver o fim do concerto. Dreia estava chocada. Nunca tinha pensado que o arrufo entre Bea e Nathalie pudesse chegar àquele ponto.

Entrou no seu quarto e foi directa à casa de banho tomar um duche que a refrescasse e ajudasse a relaxar. Detestava Nathalie, nunca mais iria olhar sequer para a sua cara. Ela tinha morrido, ali naquele dia. Certificado de óbito passado. Lamentava que as coisas não tivessem sido de outra forma, mas estava farta, há dois meses que acumulava provocações e faltas de respeito e não tinha feitio nem paciência para aguentar mais. Só tinha pena que por causa dele a sua relação com Bill tivesse sido danificada. Era a terceira vez que se lembrava de ter discutido com Bill, e era a terceira vez que a culpa das discussões era de Nathalie. Odiava-a, desejava que ela desaparecesse da sua vida de uma vez por todas.

Saiu do banho e vestiu a sua camisa de dormir, deixando a descoberto uma nódoa negra que se começava a formar na sua canela direita, onde Nathalie lhe tinha acertado. Deitou-se sobre a cama, e cobriu-se com o lençol. Estava pensativa, triste e só. As coisas com Bill não tinham ficado bem. Ele parecia ter ficado decepcionado consigo. Mas Bea tinha ficado enraivecida com a atitude dele. Insistir para que ela pedisse desculpa a Nathalie depois de dois meses como os que tinha passado, era gozar com a sua cara, e não admitia que ele ou ninguém a obrigasse a fazer algo que não queria. Chamassem-lhe casmurra ou teimosa. Bea era racional, calculista e determinada, e não admitia que alguém passasse sobre si e se ficasse a rir. Amava Bill como nunca tinha amado ninguém, e talvez por isso estivesse neste momento a sofrer ao imaginar o que aquela discussão com Nathalie podia ter feito ao que tinha construído com Bill durante os últimos meses, mas não aceitava ser colocada contra a espada e a parede como Bill lhe tinha feito, ainda para mais à frente de Nathalie. Tinha abandonado o recinto sem sequer se ter despedido de Bill, sem lhe dar um beijo, ou um abraço. Isso pesava-lhe, por mais que o tivesse feito de livre vontade. Tinha visto o olhar dele procurá-la e adoptar uma expressão triste com a sua partida. Claro que queria que tudo se resolvesse com Bill o mais rápido possível, claro que ansiava poder estar nos braços dele novamente, mas ele tinha de perceber que aquilo que se tinha passado era grave e que não tinha gostado da atitude passiva dele.

Ouviu barulho vindo do corredor e percebeu que os rapazes tinham chegado. Apagou a televisão e a luz, deitando-se e aconchegando-se à sua almofada e lençóis. Não queria ter de o encarar naquela noite. Talvez uma noite de sono lhe desse uma clareza diferente, e uma vontade de resolver aquele conflito de outra forma. Fechou os olhos e fingiu que estava a dormir enquanto sentia Bill a meter a chave à porta e entrar no quarto pé ante pé para não fazer barulho, nem incomodar. Ouviu-o ir para a casa de banho e abriu os olhos. Suspirou fundo. Detestava estar naquela situação. Talvez não devesse fingir que estava adormecida, mas não tinha em si a força necessária para o confrontar naquela noite. Ouviu Bill sair da casa de banho e voltou a fechar os olhos. Bea estava deitada de lado, de costas para o lado direito da cama, onde Bill se costumava deitar. Sentiu-o deitar-se na cama e susteve a respiração desejando que ele estivesse demasiado cansado com o concerto e quisesse apenas descansar, mas rapidamente abandonou o seu pensamento, ao sentir o corpo de Bill aproximar-se do seu e a mão dele passar num toque ao de leve sobre o seu cabelo, Bea expirou o ar que tinha preso no seu interior, fazendo Bill perceber que ela estava acordada.

- Estás acordada? – perguntou Bill passando a mão gentilmente sobre o braço de Bea.

Bea queria ignorar o apelo de Bill, mas não conseguia. Abriu os olhos e virou-se ao contrário, ficando frente a frente com Bill. Olhou-o nos olhos e viu que ele tinha uma expressão triste e sentida no olhar. Como é que ia ser capaz de resistir àqueles olhos que lhe liam a alma e a purificavam?

- Foste embora sem dizer nada… - disse Bill passando de forma carinhosa as costas da mão esquerda sobre a face de Bea.
- Sim… - disse Bea quase de forma inaudível. Não conseguia projectar a voz.
- Ficaste chateada comigo? – perguntou Bill olhando-a nos olhos.
- Um bocadinho… - disse Bea enfrentando o olhar dele e sentindo o seu corpo estremecer com o simples poder do olhar de Bill.

- O que é que querias que fizesse? Eu detesto ver-vos zangadas, e hoje foi o cúmulo… - disse Bill num tom doce.
- Eu não aguento! O que ela faz é um desrespeito para comigo! Ela sabe que eu não gosto e ainda me provoca mais. Eu não ia conseguir ficar sentada a vê-la usar o teu casaco e a chamar-me puta na cara! – disse Bea sentindo novamente uma raiva por Nathalie apoderar-se de si.

- Ela chamou-te puta? – perguntou Bill franzindo a testa.
- Acho que é esse o nome que se dá a quem viaja às custas de alguém em troca de sexo… - disse Bea visivelmente chateada.

- … Eu hei-de ter uma conversa com ela! Não te preocupes! – disse Bill transtornado com as proporções baixas a que a coisa tinha chegado.
- Não me preocupo mesmo… Ela para mim morreu! E ai dela, que se atreva a dirigir-me a palavra ou voltar a meter-se contigo de que maneira for, porque da próxima vez não a aviso nem lhe dou a oportunidade de emendar os seus erros… - disse Bea.
- Não vai haver próxima vez… – disse Bill aproximando os seus lábios da testa de Bea.

Bea apercebeu-se que Bill lhe ia dar um beijo na testa e virou-se ao contrário, adoptando a posição que tinha inicialmente quando fingia estar a dormir, fugindo dos seus lábios. Bill ia ter de perceber que se ela tinha errado, ele também não tinha ficado atrás.

- Schatzi… - disse Bill espantado com a atitude de Bea. Bill não recebeu qualquer resposta por parte dela. Aproximou ao máximo o seu corpo ao de Bea e deu-lhe um beijo sentido no ombro desnudado – Não fiques chateada comigo, eu só queria que tudo se resolvesse. Ela é minha amiga. Tu és minha namorada. Já percebi que vocês não vão ser amigas, mas isso já nem me importa, desde que não se matem, estou por tudo…

Bea sentiu-se a derreter por dentro com o toque dos lábios dele sobre o seu ombro, Bill nem precisava de ter aberto a boca, só aquele pequeno gesto dizia tudo o que ela precisava de saber.

- Tu pediste-me para lhe pedir desculpa… - disse Bea.
- Eu trabalho com ela, e ela é minha amiga. O que ela fez, já o faz à anos, a sério que não é nada de mais… - disse Bill.
- Mas tu pediste-me para lhe pedir desculpa à frente dela… - disse Bea virando-se novamente de frente para Bill encontrando a cara dele a escassos centímetros da sua, sentindo-se enfraquecer pela proximidade com ele – Eu não gosto dela… Não gosto da vossa relação… Não confio nela…

- Não tens de confiar nela, tens de confiar em mim… -
disse Bill colocando a mão sobre a face de Bea e acariciando-a como sabia que ela gostava.
- Eu confio em ti… - disse Bea fechando os olhos para sentir somente o toque da mão dele.
- Confias? – perguntou Bill fechando os olhos e deixando os seus lábios guiarem-se até aos lábios de Bea para neles se unirem.

- Confio… - disse Bea abrindo os olhos e virando-se novamente de costas para Bill, aconchegando-se na almofada como se, se preparasse para dormir – Agora deixa-me dormir… estou cansada… - disse Bea sentindo um peso no coração.
- Não quero dormir chateado contigo. Não consigo… - disse Bill num tom de voz triste.

Como é que era possível resistir-lhe? Cada vez que tentava ser forte, ele desarmava-a, até com o tom da sua voz a conseguia fazer amolecer perante a sua teimosia e casmurrice. Procurou a mão de Bill com a sua, sem nunca se virar para ele, e puxou-a por cima da sua cintura, entrelaçando os seus dedos, nos dele, e colocando as mãos unidas sobre o seu peito, aconchegando-o a si. Sentiu Bill colar-se ao seu corpo e inspirar a essência do seu cabelo loiro. Adorava quando ele fazia aquilo. Levou a mão de Bill aos seus lábios, e beijou-a para que ele percebesse que tudo ia ficar bem depois de uma noite de sono nos seus braços.


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- Se estás mal, muda-te! – disse Nathalie aos gritos.
- Só estou a dizer que acho que o que fizeste à Bea não se faz… Eu não ia gostar de ter alguém em cima de mim e do meu namorado a toda a hora a provocar-me! – disse Dreia.

- Que namorado? – perguntou Nathalie de forma arrogante – Do Tom? Achas mesmo que o Tom te quer para alguma coisa? Ele só se está a divertir às tuas custas… Não passas de mais um brinquedinho para ele!

- Eu vou fingir que tu não disseste isso… -
disse Dreia abanando a cabeça da direita para a esquerda. Era preferível esquecer aquele comentário a ficar zangada com Nathalie naquele momento – Tu percebeste o que eu quis dizer…
- Vocês têm uma lata… Aparecem do nada na vida deles… Andam a comê-los e depois começam a fazer exigências… Era o que faltava! –
disse Nathalie a rir-se de forma irónica – Ainda por cima tu… à dois meses que te dou uma cama para dormires e tu ainda tens a lata de ser uma ingrata!

- Eu não estou a fazer exigência nenhuma, só te estou a dar a minha opinião… -
disse Dreia chocada com aquela Nathalie que via diante de si.
- E quem é que te disse que eu quero ouvir a tua opinião! – disse Nathalie – Tu não és minha amiga. Não te pedi opinião nenhuma… Achas mesmo que me interessa o que tu pensas?
- Ok… não queres falar, não falamos. Mas agora já sabes o que penso das tuas atitudes com o Bill… -
disse Dreia.

- O que é que tu andas a fazer connosco de um lado para o outro? És uma puta como ela… só serves para ir para a cama com o Tom… – perguntou Nathalie visivelmente enfurecida com o que se tinha passado naquela noite.


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Bateu à porta do quarto dele, embora não o quisesse fazer. Quando acordou naquela manhã não tinha pensado que aquele dia poderia alguma vez acabar daquela forma, mas não se importava. Preferia estar assim, com destino incerto, a ter de conviver com alguém que a tinha em tão pouca consideração. A porta abriu-se.

- Dreia! – disse ele espantado em vê-la ali àquelas horas.
- Tom! – disse Dreia ainda mais espantada – O que é que estás aqui a fazer?
- Estava a jogar com o Andi… -
disse Tom espantado por Dreia procurar o seu melhor amigo a meio da noite, como costumava fazer consigo. Estaria a escapar-lhe alguma coisa? E reparando na mala que Dreia tinha pousada ao seu lado acrescentou – Onde é que vais?
- Não sei… -
disse Dreia olhando para a mala – Posso entrar?
- Claro… -
disse Tom confuso com o que se estava a passar, abrindo espaço para que Dreia e a sua mala entrassem para dentro do quarto de Andreas.

- O Andi? – perguntou Dreia observando Tom fechar a porta.
- Está na cama… - disse Tom apontando para a zona onde estava a cama.

Dreia entrou sem pedir autorização e deparou-se com Andreas deitado em cima da cama apenas de boxers (como era seu costume) com o comando da playstation na mão. Ao vê-la entrar, colocou o jogo em pause e olhando-a espantado disse:

- Ah eras tu! Queres jogar?
- Não, obrigada… –
disse Dreia apercebendo-se que Tom a seguia e se sentava na cama olhando para ela com um ar intrigado.

- E o que é que te trás por cá? – perguntou Andreas sorrindo.
- Eu e a Nathalie zangámo-nos… – começou Dreia por dizer.
- Vocês também? – perguntou Andreas colocando as mãos na cabeça.
- Sim. Ela está maluca… Eu nem lhe disse nada de outro mundo e ela começou logo a chamar-me de tudo possível e imaginário e a dizer que eu não servia para nada e… Olha… Nem quero pensar nisso! – disse Dreia com um olhar amarelado e triste.
- Que cena! - disse Andreas chocado com o que se andava a passar com as raparigas da tour.

- Importas-te que durma contigo? – perguntou Dreia corando.
- Claro que não. Tenho uma cama a mais… Sabes que sempre que quiseres podes vir dormir comigo que és sempre bem-vinda! – disse Andreas.
- Eu sei. Por isso é que me lembrei de ti… - disse Dreia olhando para Tom para o ver olhá-la fixamente sem expressão.

- E depois quando voltarmos para a Alemanha? – perguntou Tom.
- Acho que vou ter de voltar para casa… Não tenho dinheiro para pagar três semanas em hotéis de luxo… - disse Dreia sentando-se numa cadeira que Andreas tinha no quarto.
- Não vais nada… - disse Andreas – Vais continuar comigo!
- Oh, mas é uma chatice, três semanas é muito tempo… -
disse Dreia.

- No fundo são só duas semanas e meia, porque depois é o concerto em Berlin e aí já estamos de volta a casa. E duas semanas passam a correr… - disse Andreas sorrindo.
- Tens a certeza que não tem problema? – perguntou Dreia que queria aproveitar e viver o seu sonho até ao fim.
- Claro que não! Já não é a primeira vez que dormimos juntos… - disse Andreas a piscar o olho a Dreia.
- Obrigada! – disse Dreia levantando-se da cadeira e aproximando-se de Andreas para lhe dar um abraço, sentida pelo gesto dele.

- Bem… Acho que vou indo… Já estou a mais… - disse Tom levantando-se da cama e dirigindo-se para a porta do quarto de Andreas – Boa noite! Vemo-nos amanhã no pequeno-almoço…
- Gute Nacht Tommi… -
disse Andreas acenando ao amigo com a mão.
- Adeus… - disse Dreia.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:47 pm

Dreia seguiu Tom até à porta, a sua mala tinha ficado lá pousada. Tom abriu a porta e saiu. Olhou para trás e viu Dreia mesmo atrás de si. Não resistiu em perguntar aquilo que estava a matutar na sua cabeça.

- Posso perguntar-te porque é que procuraste o Andreas e não foste ter comigo? – perguntou Tom colocando uma mão na ombreira da porta, inclinando o seu corpo para dentro do quarto de Andreas.

- Porque é que haveria de ir ter contigo? – retorquiu Dreia.
- Porque não? – disse Tom levantando uma sobrancelha – Pensei que fosse a tua primeira opção…
- O Andi é meu amigo, ele já me tinha oferecido o quarto uma vez… -
disse Dreia.
- E eu não? – perguntou Tom recordando-se que tinha feito o mesmo convite a Dreia e que também era seu amigo.

- A nossa amizade é diferente… - disse Dreia sorrindo de forma nervosa.
- Estou a ver que sim… - disse Tom sentindo o seu orgulho ferido.
- Não te faças de vitima Tom! – disse Dreia ao ver Tom adoptar uma postura diferente – Tu não ias querer uma rapariga a viver contigo três semanas seguidas…
- Nunca me perguntas-te… -
disse Tom.
- Nós não somos assim… - disse Dreia – Não era preciso perguntar!

- Se calhar tu é que não queres estar três semanas comigo… -
disse Tom passando a bola para o lado de Dreia.
- Se calhar… - disse Dreia fazendo-se de superior, quando tudo o que desejava era passar a sua vida fechada num quarto de hotel com Tom – Eu gosto de poder procurar-te quando me apetece…

- E como é que vai ser com o Andreas agora? –
perguntou Tom intrigado.
- Logo se vê… - disse Dreia deixando em aberto um mar de possibilidades – Não estou preocupada com isso!
- Acho que vais ter de considerar fazer umas alterações nas regras… -
disse Tom piscando-lhe o olho.

- Eu nunca disse que só te procurava à noite e no teu quarto… Eu disse, quando me apetecer! – disse Dreia sorrindo de forma sedutora para Tom.
- Ok, acabas de tornar isto ainda mais interessante… - disse Tom passando a língua sobre o piercing que habitava nos seus lábios – Tenho mesmo de me ir embora antes que infrinja todas as regras que possam ser infringidas…
- É melhor… -
disse Dreia a rir – Boa Noite…
- Boa Noite! Sonha comigo… –
disse Tom piscando o olho a Dreia e fechando a porta de seguida.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:48 pm

আ 120 আ





München, Stuttgart, Frankfurt, Hannover, Köln, Hamburg, Schwerin e Berlin. Oito concertos na sua terra natal. Bill respirava fundo o ar da sua Alemanha. Há quatro meses que não regressava a casa. Há quatro meses que estava longe da sua família e amigos. Estava desejoso de ir a Magdeburg, de abraçar a sua mãe, de brincar com Scotty e de passar um dia inteiro na cama. Sentia falta da sua cama, do seu quarto, do seu sofá. Estava a precisar de descansar, mas não muito. Só o suficiente para recarregar as baterias. A ideia de ir ao Japão tinha-lhe ficado na cabeça, era um sonho que queria e faria por tornar realidade.

- Importaste que ligue o teu computador para ver os mails? – perguntou Bea.
- Claro que não schatzi, depois deixa-o ligado que eu também quero ver o meu mail… – disse Bill abrindo uma das suas malas e tirando de lá de dentro um casaco mais quente que o protegesse do frio que já se fazia sentir em München.

Bea ligou o portátil de Bill e conectou-se à internet. Já não via o seu mail há imenso tempo, talvez à mais de três semanas. No meio de muito spam, reparou que tinha um e-mail de Gonçalo. Abriu-o.


[E-mail de Gonçalo]

Olá Bi,

Como estás? Tudo bem? Espero que sim. Já não me dás novidades há imenso tempo. Sei mais de ti através das revistas que por mail. Não acho isto normal, agora que viraste famosa, já não ligas aos teus amigos ; ) O que é que tens feito, para além de dares passeios românticos em alto mar com o teu namorado? (como vês ando bem informado).
Sempre é verdade que a Dreia e o Tom começaram a namorar? A minha irmã ficou desolada (acho que tinha esperanças que o Tom se estivesse a guardar para ela lol mas como ele continua a desmentir a noticia nas entrevistas que dá, acho que ela ainda tem esperança lol).
Por aqui está tudo normal… A Íris e eu estamos bastante bem, no próximo sábado ela vai participar num campeonato de surf no Algarve e vamos passar o fim-de-semana juntos. Vai ser o nosso primeiro fim-de-semana oficialmente juntos. Acho que promete… :p
Fico à espera de notícias.

Beijos

Gonçalo

PS – Fui à tua faculdade esta semana e eles disseram que as aulas começavam dia 8 de Outubro, mas que era só apresentação, as aulas mesmo a sério começam dia 12.


[E-mail de Gonçalo]


Bea não sabia que dia era. Há muito tempo que tinha perdido noção do tempo. Não sabia que dia da semana era, quanto mais do mês. Pegou no telemóvel e foi até ao calendário. Era dia 3 de Outubro. Tinha uma semana para estar nos braços de Bill e partir rumo à tristeza, infelicidade e solidão. E depois? Quando poderia regressar aos seus braços? Quando poderia sentir-se feliz novamente? Olhou para Bill e sorriu, estava debruçado sobre as malas à procura de algo, tinha uma expressão engraçada na cara, de alguém que estava totalmente perdido e baralhado. Talvez lhe devesse falar do futuro, não podia adiar mais, dentro de uma semana tinha de partir e Bill tinha o direito de saber com antecedência para se preparar para aquela separação dolorosa.

- O Gonçalo mandou-me um mail… - disse Bea não sabendo como abordar aquele tema.
- Como é que ele está? – perguntou Bill levantando-se e colocando as mãos na cintura olhando para as três malas que já tinha aberto com indignação.
- Está bom! Ia passar este fim-de-semana com a Íris, por isso deve estar muito bem! – disse Bea sorrindo – Diz que tem estado a par dos nossos passeios românticos em alto mar…
- A sério? –
perguntou Bill olhando para a Bea a sorrir.
- E que a irmã dele tem esperanças que o Tom não namore mesmo com a Dreia e que se esteja a guardar para ela… - disse Bea a rir.
- Pode esperar sentada… porque mesmo não namorando com a Dreia ele não se guarda para ninguém… - disse Bill a rir.
- Pois… - disse Bea pensando em como ia revelar a outra noticia de Gonçalo – E ao que parece as minhas aulas começam esta quinta-feira…

Bill virou-se totalmente para Bea abrindo muito os olhos. Não sabia o que dizer, mas sabia o que aquilo que Bea lhe dizia significava, mesmo que quisesse ignorar a realidade e continuar a viver na fantasia de que a sua vida com Bea era perfeita e nada os separaria, não podia. Há algum tempo que pensava naquele momento. No momento em que se teriam de separar novamente, afinal de contas a vida de Bea era em Lisboa. Desejava poder agarrá-la nos seus braços e não soltá-la nunca mais, desejava poder impedi-la de partir, mas sabia que não podia, ela tinha a sua vida pela frente, e ele não podia fazer nada. Mesmo que ela vivesse em Berlin a vida dele era inconstante e feita de viagem em viagem, nunca iria conseguir estar muito tempo com ela (por o menos o tempo que gostaria de estar), a não ser que ela deixasse os estudos e fosse com ele. Mas Bill nunca teria coragem de pedir a Bea para desistir do seu futuro, em detrimento do dele. Não tinha esse direito. Restava tentar balançar a vida a dois e a distância da melhor forma possível. O amor, esse nunca morreria. Aproximou-se da cadeira onde Bea estava sentada e humedeceu os lábios de forma nervosa, sem nunca parar de olhar para ela. Não sabia o que dizer…

- Tens de ir embora? – perguntou Bill.

Bea abanou a cabeça de forma afirmativa sentindo um peso imenso no coração, pela dor que sentia de o ter de abandonar, pela dor que sentia de ter de viver e estudar contrariada num sitio onde não queria estar, e pela dor que via espelhada nos olhos dele. Essa era a pior dor, a que ficaria cravada na sua memória como um punhal.

- Quando? – perguntou Bill ajoelhando-se aos pés de Bea e colocando ambas as mãos sobre os seus joelhos.
- Devia ir no sábado, para ter domingo para preparar as coisas… - disse Bea colocando a mão direita sobre os cabelos de Bill, acariciando-lhe a nuca.

- Temos uma semana… - disse Bill fazendo pressão sobre as pernas de Bea para que elas se abrissem, colocando-se no meio delas, abraçando a cintura de Bea e depositando-lhe um beijo esperançoso nos lábios.

- Vou ter tantas saudades tuas… - disse Bea sentindo os olhos encherem-se de lágrimas com a ideia de ficar afastada de Bill por tempo indeterminado.
- Eu também schatzi… - disse Bill beijando novamente Bea de forma ternurenta.

Nenhum dos dois sabia o que dizer. Aquilo que sentiam não era capaz de ser transmitido em palavras, nem por abraços ou beijos, era uma dor profunda, que atingia todas as capacidades e recantos dos seus seres. Era sentir o abismo aproximar-se. O vazio mais perto. Era querer lutar contra algo que não tinha luta possível. Era sentir aquele amor despedaçar-se mas ganhar uma força que não podia ser humana para aguentar a dor que se avizinhava deles.

- Não acredito que não vou acordar todos os dias ao teu lado… - disse Bea acariciando o pescoço de Bill – Que não vou ver os teus concertos…
- Não penses nisso… -
disse Bill colocando um dedo sobre os lábios de Bea para que ela não falasse – Vamos viver esta última semana como se fosse a primeira. Vamos aproveitá-la ao máximo…

- … E depois? –
perguntou Bea com medo da resposta de Bill.
- Depois logo se vê… - disse Bill passando a mão direita sobre os cabelos de Bea, olhando-a nos olhos com uma intensidade capaz de absorver a sua essência – Mas eu amute schatzi, e não há distância que mude isso. És a minha namorada, e só deixarás de o ser no dia que quiseres…
- Que quiser? -
perguntou Bea espantada com aquela afirmação de Bill.
- Sim, porque eu nunca te vou largar! E mesmo que queiras acabar comigo, eu não te vou deixar ir sem dar luta… - disse Bill sorrindo de forma doce.

- Eu nunca vou querer estar longe de ti… - disse Bea deixando uma lágrima solitária cair pelo seu rosto.
- Então não há distância que nos vá separar… - disse Bill passando a mão direita sobre a face de Bea limpando a lágrima que escorria do seu rosto, sentindo-se tocado pela intensidade daquele momento e daquele sentimento que vivia ao lado de Bea.
- Nunca… - disse Bea fiel ao que sentia no seu peito.

- Vamos fazer desta a melhor semana dos últimos dois meses… - disse Bill sorrindo e levantando-se – E vamos começar já…. – disse ele dirigindo-se novamente para juntos das suas malas.
- Do que é que andas à procura? – perguntou Bea olhando para Bill curiosa para saber o que ele procurava na mala.
- De uma certa caixa de sapatos… - disse Bill sorrindo e baixando-se para abrir outra mala.
- Não está nessa… - disse Bea que sabia perfeitamente onde a caixa estava. Levantou-se e foi até uma mala que ainda estava na entrada do quarto e abriu-a tirando de lá de dentro a caixa de sapatos, entregando-a a Bill.

- Hmmm… O que será que me vai sair… - disse Bill mordendo o lábio inferior e fechando os olhos para retirar um papel da caixa. Tirou o papel e abriu os olhos para ler – Banho… Parece-me excelente…

Bea desatou-se a rir ao ver a cara contente de Bill. Lembrava-se de só ter escrito um papel com aquele conteúdo, e se bem se lembrava no Brasil já tinha saído. Levantou uma sobrancelha ao perceber que Bill andava a fazer batota. Aproximou-se do corpo de Bill e abraçou-o beijando os seus lábios à procura do piercing que tanto gostava.

- É impressão minha ou os papéis nunca mais acabam? – perguntou Bea.
- Felizmente… - disse Bill fazendo olhinhos a Bea.

- Leão… Andas a fazer batota? – perguntou Bea confrontando Bill com um olhar ameaçador.
- Euuuuuu? – perguntou Bill sorrindo como uma criança apanhada a fazer algo que não devia.
- Batoteiroooooooooooooo! – disse Bea fazendo cócegas a Bill na zona da cintura.

- Eu disse que tinha gostado da tua prenda… - disse Bill fugindo às cócegas de Bea.
- Estou a ver que sim seu batoteiro! – disse Bea perseguindo Bill pelo quarto, pulando para cima da cama atrás de Bill.

- Ok… ok… tréguas! – disse Bill levantando os braços – Vá… só por causa disso podes tirar um papel que eu deixo!
- Que generoso… -
disse Bea abraçando o corpo de Bill beijando-lhe o pescoço.

Bill saltou da cama e foi buscar a caixa. Levou-a até Bea e ela fechou os olhos escolhendo um papel à sorte. Bill tirou o papel da mão de Bea e leu-o em voz alta.

- Massagem erótica… - disse Bill levantando a sobrancelha direita sorrindo de forma marota – Quando este me saiu, gostei bastante…

Bea riu e tomou os lábios de Bill com veemência. Ele era tudo o que sempre tinha desejado e julgava não existir. Era perfeito, mesmo com as suas pequenas imperfeições que eram praticamente inexistentes. Pegou no fecho do casaco que tinha vestido e desapertou-o tirando-o do corpo. Sentiu as mãos de Bill tomarem de imediato o top que trazia vestido e puxarem-no para cima, fazendo-o sair pela cabeça. Bea colocou as mãos sobre o cinto de Bill e começou a desapertá-lo à medida que Bill tirava a sua t-shirt e a fazia encaminhar-se para a casa de banho. Aquela semana seria memorável, não pela tristeza que habitava neles pela distância que se iria instaurar, mas pelo prazer que iriam ter por estarem nos braços um do outro.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:48 pm

‡ 121 ‡







Os dois concertos que já tinham dado na Alemanha tinham corrido bem. Sentiam-se em casa com o facto de poderem cantar na sua língua materna e de estarem dentro das fronteiras do seu pais. Em duas semanas estariam de volta a casa e poderiam descansar e prepararem-se para uma nova tour do outro lado do mundo.

Tom colocava o boné sobre a cabeça com um sorriso radiante. O concerto em Stuttgart tinha corrido muito bem, sentia-se demasiado excitado com a energia que se tinha gerado dentro da sala de espectáculos. Olhou em seu redor e viu que Dreia o admirava. Trazia nos olhos aquela expressão que não era somente de puro desejo, mas de algo mais que a fazia sentir-se ligada a ele emocionalmente. Sorriu e dirigiu-se a ela. Sentou-se no sofá do tour bus ao seu lado e viu-a sorrir de forma sedutora para si.

- Gostaste do concerto? – perguntou Tom.
- Sabes que gosto sempre… - disse Dreia sorrindo.
- Não tarda muito devemos esta a chegar a Frankfurt… – disse Tom humedecendo os lábios – E se esta noite ficasses comigo?
- Estás-me a convidar para passar a noite contigo? –
perguntou Dreia espantada.
- Se não quiseres dormir, não precisas… - disse Tom olhando fixamente para os lábios carnudos dela com desejo.

- Ahh já percebi. Estás-me a convidar para ir para a cama contigo…. – disse Dreia desviando o olhar de Tom.
- Sim! – disse Tom mordendo o lábio inferior – Prometo que não te arrependes… esta noite estou especialmente generoso…
- Que sorte a minha… -
disse Dreia ironicamente – Mas estás com azar… esta noite não quero nada contigo…

- Porquê? –
perguntou Tom indignado.
- Porque não… - disse Dreia olhando para os olhos dele.
- Porque não, não é resposta… - disse Tom franzindo a testa.

- Eu não te devo explicações da minha vida! – disse Dreia mantendo-se firma na sua posição – Não me apetece… Não quero… Não precisas de saber mais que isso!
- Estou a ficar farto destes teus joguinhos… -
disse Tom.
- Não enganas ninguém… - disse Dreia sorrindo por saber que Tom adorava os seus jogos.
- Não estou a gozar! – disse Tom muito sério – Eu gosto de ser espontâneo, não gosto de ter tudo planeado, nem de estar ao dispor das vontades dos outros!
- Só estás ao meu dispor porque queres… -
disse Dreia – E porque sabes que vale a pena…
- Fogo Dreia, porque é que estás a ser assim? Eu vi a maneira como me estavas a olhar, eu sei que me queres… -
disse Tom aproximando-se do corpo dela e colocando uma mão sobre a sua perna.

Dreia levantou-se evitando o toque de Tom.

- Assim não vale… - disse ela olhando para Tom e dirigindo-se para o fundo do tour bus, para a sala onde costumavam relaxar e ver um filme.

Tom levantou-se e seguiu Dreia. Não estava a compreender o porquê dela não admitir que queria estar com ele se era tão claro aos seus olhos que ela o desejava.

- Não me digas… infringi uma das regras? - disse Tom farto daquilo tudo.
- Vês como sabes… - disse Dreia fingindo que ele nem estava presente na sala.
- Dá-me só uma boa razão… - disse Tom sentando-se à frente de Dreia para que ela não o conseguisse evitar.
- Já te dei as razões que tinha para dar, agora deixa-me em paz… - disse Dreia que não queria ceder a Tom. Por mais próximos que estivessem ele tinha de perceber que ela continuava a mandar e que ele não tinha poder sobre as suas decisões. Não era quando ele queria, era quando ela queria.

- Para mim não me deste razão para nada… – disse Tom chateado com aquela conversa – Não queres mesmo que espere por ti esta noite?
- Não! –
disse Dreia olhando-o directamente nos olhos.
- Ok… - disse Tom – E queres que te diga se fui para a cama com outra?

Dreia sentiu o seu coração tornar-se pequeno no seu interior, estava tão apertado por aquela pergunta que tinha acabado de ouvir da boca de Tom que sentiu um arrepio sobre o corpo.

- Não… - disse Dreia tomando uma postura superior, como se aquilo nada lhe afectasse – A vida é tua, tu fazes o que quiseres com ela, ou estás à espera que eu te faça um relatório dos gajos com quem curto ou durmo?
- Não! –
disse Tom.
- Então, aí tens a tua resposta! – disse Dreia de forma altiva, mas sentindo-se corroer por dentro.

Tom observava o modo como Dreia falava. Fazia sentido, embora não conseguisse deixar de pensar que ela estava a exagerar e a levar as regras deste jogo demasiadamente à risca, quando ele só se queria divertir.

- Garanto-te que vou para a cama com alguém esta noite… - disse Tom.
- … Faz bom proveito! – disse Dreia sentindo um aperto ainda maior sobre o seu coração.


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- O que é que se passa contigo? – perguntou Andreas.
- Nada… não tenho sono – disse Dreia.
- É por causa da Bea? Por ela ter de ir embora amanhã? – perguntou Andreas.
- … Sim – disse Dreia não querendo admitir que as palavras de Tom lhe tinham custado a ouvir. E claro que ia sentir imensas saudades da amiga. A ideia de ficar sem Bea por tempo indeterminado não lhe agradava nada.

- Achas que ela vai mesmo embora? – perguntou Andreas.
- Como assim? – perguntou Dreia.
- Não sei… ela podia largar tudo e ficar com o Bill! – disse Andreas sorrindo e virando-se na cama para ficar de frente para Dreia.
- A Bea não é assim… - disse Dreia – Por mais lamechas que o Bill a tenha tornado, ela não ia largar tudo para viver um amor… Ela já fez isso com o Gonçalo e vê no que deu!
- Mas o Bill não é o Gonçalo! –
disse Andreas.
- Mas a Bea é a Bea! – disse Dreia sorrindo.

- Ahhhh… um sorriso! – disse Andreas contente – É assim que gosto de te ver… sempre a sorrir!
- Desculpa… mas hoje os sorrisos estão difíceis de sair… -
disse Dreia.
- Ohhh…anda cá… - disse Andreas chegando-se para o centro da cama e puxando Dreia para o centro também.

Andreas amparou Dreia com os seus braços fazendo com que ela descansasse a cabeça sobre o seu peito. Passou diversas vezes a sua mão direita sobre a cabeça de Dreia e deixaram-se ficar assim, unidos num abraço que espelhava a amizade e cumplicidade que tinham um com o outro. Aquele abraço significou tudo para Dreia. A sua cabeça estava longe, não em demasia. Estava num quarto de hotel, que ficava a escassos metros do seu, num quarto onde sabia que Tom deveria estar a dar asas ao desejo exacerbado que tinha em si. Sabia que as promessas de Tom não eram em vão, ele era mesmo assim, queria sexo e era sexo que iria ter, custasse o que custasse, magoasse quem magoasse. Pensou na possibilidade de ter sido demasiado inflexível, talvez devesse ter cedido ao desejo dele, até porque o desejo era mútuo, mas não queria dar parte fraca, e não queria que ele se sentisse em controlo da relação. Agora sentia-se nervosa, fraca, frágil e vulnerável. Aquilo que estava a acontecer no quarto de Tom, sem saber com quem, estava a devastar-lhe o pensamento. A simples ideia de ser com Tom e com alguém que não fosse ela dava-lhe a volta ao estômago. Queria tanto estar com ele, mas esta atitude só lhe mostrava que Tom não gostava realmente dela, somente do seu sexo, e se assim era, não podia fazer nada para o prender a si, ele era livre, e tinha o direito de o ser ao lado de quem queria. Dreia só tinha a certeza de uma coisa, que o amava mais do que gostaria de admitir, e que iria demorar algum tempo em aceitar ir para a cama com ele novamente. Antes de voltarem a ter o que quer que fosse, ia dar tempo a Tom para lavar o seu corpo diversas vezes. A ideia de o partilhar com outras era impensável. Talvez não voltasse a ficar com ele depois daquele dia, talvez não tivesse coragem para tal, ou então ia esperar até aos seus níveis de excitação estarem de tal forma altos que não conseguia recusar o corpo dele por demanda do seu próprio corpo. Não sabia o que o futuro lhe reservava, mas não estava a gostar do peso que sentia dentro de si.

Sentiu uma lágrima cair-lhe dos olhos sem aviso prévio, era o seu corpo a rejeitar aquelas ideias e a proclamar a dor que sentia no seu interior. Andreas sentiu aquela lágrima cair-lhe sobre o peito nu e olhou para a cara de Dreia. Estava petrificada. Um turbilhão de pensamentos deviam estar a assaltá-la de tal forma que somente o seu corpo estava naquele quarto. Limpou a cara de Dreia e viu-a sorrir timidamente. Porque é que sentia um peso em presenciar a tristeza dela? Porque é que era um peso superior ao normal de quando um amigo seu estava triste e precisava de ajuda? Dreia tinha-se aproximado muito de Andreas nos últimos dois meses. A cumplicidade, intimidade e amizade entre eles nunca tinha sido tão alta. Andreas sentia a dor dela de forma diferente e mais sentida. Apertou-a nos seus braços na esperança de apaziguar a dor que via espelhada nos seus olhos amarelados e vidrados. Não a queria ver assim. Dreia colocou o braço sobre o tronco desnudado de Andreas e abraçou-o, sentia-se bem e em paz ao lado dele. Era como estar nos braços de Tom, mas sentir que o que os unia era um carinho e amizade muito especial, e não o interesse do que poderia acontecer a seguir. Era um abraço sem segundas intenções. Fazia-lhe falta um abraço assim mais vezes.

- Não chores… ela vai vir-te visitar imensas vezes… - disse Andreas passando a mão sobre a face rosada de Dreia.
- … Eu sei – disse Dreia. Tinha a certeza que Bea estaria constantemente entre Lisboa e Berlin, por si e por Bill - Mas não consigo deixar de ficar triste…
- Eu sei. Não deve ser fácil! –
disse Andreas – Mas eu tomo conta de ti…

- Quem te disse que preciso que tomem conta de mim? –
perguntou Dreia levantando as sobrancelhas e erguendo ligeiramente a cabeça do peito de Andreas para olhar para ele com um sorriso na cara.
- Desculpa… não quis dizer… - começou por dizer Andreas atrapalhado.
- Então? – perguntou Dreia sorrindo por achar piada ao ar atrapalhado de Andreas.
- O que quero dizer é que, eu estou do teu lado, e não vou sair daqui. Não estás sozinha… - disse Andreas.

- Eu sei Andi! – disse Dreia sorrindo de forma amistosa – Foste a melhor surpresa que tive na tour, nunca pensei que nos fossemos dar tão bem!
- Eu posso dizer o mesmo… -
disse Andreas sorrindo – Ainda bem que vieste connosco, a tour não teria sido nem metade do que foi sem ti do meu lado…

- És um querido! –
disse Dreia abraçando Andreas.
- Tu também! Gosto muito de ti portuguesinha! – disse Andreas apertando Dreia no seu peito.

Dreia afastou-se do corpo de Andreas e sorriu-lhe. “Portuguesinha” que alcunha mais querida. Gostava de ser chamada de portuguesinha. Sentiu os olhos de Andreas sobre os seus com uma intensidade fora do normal, o modo como ele a parecia contemplar parecia absorver toda a sua essência bem como cada pedaço da sua face. Viu os lábios de Andreas procurarem os seus e não foi capaz de impedi-lo de o fazer, sentia-se frágil, queria atenção, queria amor, queria sentir-se amada e especial. Andreas conseguia fazê-la sentir tudo isso novamente. Tudo aquilo que Tom nunca tinha conseguido. Sentiu o toque dos lábios de Andreas sobre os seus como se assistisse a um filme em câmara lenta, como se ela não fosse a personagem principal e estivesse apenas do lado de fora a observar aquela cena. Fechou os olhos e deixou que os braços dele se fechassem à sua volta e os seus lábios se entrelaçassem de forma suave e doce.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 15, 2009 12:49 pm

 122 






Acordou primeiro que ele. Levantou-se, foi tomar banho e pensou naquilo que tinha acontecido na noite anterior.


[Flashback]

Fechou os olhos e deixou que os braços dele se fechassem à sua volta e os seus lábios se entrelaçassem de forma suave e doce. Sentiu o toque carinhoso dos lábios dele e uma carícia por parte das suas mãos nas costas, como se estivesse num filme romântico, em que ela era a protagonista e Andreas o cavalheiro que a tomava nos braços e lhe transmitia esperança num momento de dor e desespero. Sentiu os lábios dele afastarem-se dos seus e como que em câmara lenta, abriu devagarinho os olhos para encontrar um novo Andreas à sua frente. Nunca o tinha visto daquela forma, não sabia explicar exactamente o que tinha mudado, nem o porquê de se sentir tão à vontade nos braços dele. Era seu amigo, nada mais que isso. Mas era sem duvida um amigo especial, próximo, e de quem gostava bastante. Olhou-o nos olhos azulados sem saber o que dizer e percebeu que Andreas também estava surpreso pelo que tinha acabado de acontecer. Deixou-se ficar calada. Não precisava de falar, nem de o ouvir explicar aquilo que se tinha sucedido, só precisava de sentir, e Andreas tinha conseguido isso. Dreia sentiu-se novamente mais preenchida. Abraçou o corpo de Andreas e colocou a cabeça no seu peito fechando os olhos. Precisava de descansar e de se sentir segura, como Andreas a fazia sentir. Sentiu a mão dele afagar-lhe os cabelos e soube que tudo ficaria bem.

[Flashback]


Tinha sido um momento tão doce e terno. Não se lembrava de alguma vez ter vivido um momento assim tão espontâneo e afectuoso com ninguém. Estava a sentir-se fraca, frágil, vulnerável, carente. Sabia que naquele momento a sua cabeça não estava ali naquele quarto, mas o carinho e atenção de Andreas, aliado à amizade forte que nutriam um pelo outro tinha proporcionado aquele momento que mais não tinha sido que um sarar da sua ferida. Aquele beijo tinha livrado a sua cabeça dos pensamentos que a atormentavam, tinha limpo a sua alma. Mas naquela manhã em que se preparava para se despedir da sua melhor amiga, os problemas assombravam-lhe novamente a mente, a incógnita do que se teria passado com Tom não a deixava em paz, e a juntar àquele pensamento, a ideia de enfrentar Andreas naquela manhã e de conviver com ele por mais duas semanas, sem saber como encarar aquele beijo ou o que tinha realmente significado para ele deixavam-na nervosa.

Saiu da casa de banho e deparou-se com Andreas em pé a espreitar à janela do quarto. Parecia pensativo. Percebia-o bem.

- Bom dia… - disse Dreia timidamente.
- … Bom dia – disse Andreas virando-se de frente para ela.
- Dormiste bem? – perguntou Dreia para meter conversa com ele.
- O que consegui dormir… Sim… - disse Andreas dirigindo-se para as suas malas para de lá retirar roupa para se vestir – E tu?
- Dormi bem… -
disse Dreia sentando-se na cama a observar Andreas abrir as malas - … É suposto falarmos sobre o que aconteceu ontem à noite?

- Não sei, queres falar? –
perguntou Andreas olhando para Dreia com uma cara séria.
- É melhor… - disse Dreia olhando para ele e vendo-o sentar-se no chão ao lado das malas – Uma coisa que aprendi é que quem diz a verdade e não se esconde, está em vantagem para com os outros que vivem uma vida fabricada...

- … Desculpa ter-te beijado -
disse Andreas de forma envergonhada.
- Eu também te beijei… - disse Dreia assumindo parte da culpa – Estava carente…
- Mas eu abusei, era suposto dar-te um ombro amigo e não aproveitar-me da situação… -
disse Andreas.
- Eu sei… mas acho que foi o teu beijo que me deixou descansar e me afastou os pensamentos todos da cabeça, por isso de certa forma até foi bom! – disse Dreia sorrindo – Além disso somos amigos, não é um beijo que vai estragar a nossa amizade, pois não?
- Não! Claro que não! No que depender de mim nada pode estragar a nossa amizade, muito menos um beijo… -
disse Andreas.

- Mas eu preciso de saber uma coisa… - disse Dreia muito séria.
- … Diz – disse Andreas a medo.
- O que é que aquele beijo significou para ti? - perguntou Dreia timidamente.
- Como assim? – perguntou Andreas.
- Quando nos beijámos, o que é que sentiste? – perguntou Dreia.
- … Não te vou mentir… há muito tempo que não beijava ninguém, e aquele beijo soube-me muito bem! Foi tão… sei lá… parece que não foi real… que nem aconteceu... foi tão espontâneo… - disse Andreas sem saber como se explicar.
- Eu senti o mesmo… - disse Dreia sorrindo por ambos estarem em sintonia – Parecia um filme…
- É isso! -
disse Andreas a rir.

- Então está tudo bem entre nós? – perguntou Dreia com um sorriso na cara ao sentir-se aliviada.
- Sim - disse Andreas sorrindo ao sentir-se aliviado também.

Dreia sorriu e levantou-se da cama aproximando-se de Andreas que permanecia sentado no chão ao lado das suas malas. Ajoelhou-se à frente dele e abraçou-o, sentindo novamente os braços dele rodearem o seu corpo como na noite anterior. Sentia-se tão melhor quando tinha um abraço forte. Afastou-se dele e ficou a observá-lo por segundos. Andreas era talvez o seu melhor amigo. Porque é que nunca tinha falado com ele sobre Tom? Nunca se tinha sentido à vontade para tal. Talvez por ele ser também o melhor amigo de Tom. Sentiu-se compelida para o fazer, gostava de ouvir a sua opinião. Ele, melhor que ninguém, conhecia Tom e seria capaz de a aconselhar. Poderia recorrer a Bill, mas no dia em que Bea ia embora, talvez fosse melhor não o fazer, duvidava que Bill estivesse com espírito para ouvir os problemas dos outros, e mesmo que estivesse, Dreia não se sentia capaz de o fazer, seria demasiado egoísta da sua parte.

- Ontem… - começou Dreia por dizer - Não era só na Bea que eu estava a pensar… Tu sabes que eu e o Tom… estamos envolvidos, ou algo do género, que nem eu sei bem o que é…
- …Sim -
disse Andreas sem saber onde aquela conversa ia dar.
- Ontem o Tom convidou-me para passar a noite com ele… - disse Dreia respirando fundo para compensar o peso que começava a sentir abater-se novamente no seu coração.

- Porque é que não foste? – perguntou Andreas de forma suave ao ver que estava a ser difícil para Dreia falar naquele assunto.
- Não quis dar parte fraca. Não quis que ele pensasse que podia dispor de mim quando quisesse… - disse Dreia.

- … Mas querias ter ido? – perguntou Andreas.
- Sim! – disse Dreia olhando directamente para os olhos de Andreas.

- Por isso é que estavas tão triste… - deduziu Andreas.
- Não só… - disse Dreia – Ele disse-me que queria sexo, e que ia dormir com outra… E acho que me voltei a aperceber do quão insignificante eu sou na vida dele, e isso custou-me muito! Mesmo que no fundo eu saiba que nunca passei de uma queca para ele…
- Isso não é verdade… -
disse Andreas imediatamente – O Tom sempre gostou de ti! Mas sabes que ele gosta particularmente de sexo…
- Se sei… -
disse Dreia revirando os olhos.

- Pode ser que nem tenha acontecido nada… - disse Andreas.
- Com o Tom? – perguntou Dreia.
- Nunca se sabe… - disse Andreas – Não penses mais nisso….


Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes Rolling Eyes


Olhava para ele a tentar perceber todos e quaisquer sinais que lhe pudessem indicar o que se tinha passado na noite anterior, mas Tom parecia estar animado como em maior parte das manhãs. Dreia estava no quarto de Bill e Bea a ajudar Bea a fazer as malas. A amiga estava visivelmente triste e em baixo com a partida, só lhe restava estar ao seu lado e esquecer os seus problemas por um bocadinho para aproveitar aquele momento ao máximo. Não sabia quando ia rever Bea e isso pesava-lhe no coração.

- Isso é tudo tristeza por eu me ir embora? – perguntou Bea em português para que os gémeos não percebessem.
- Também… - disse Dreia – Não quero mesmo nada que vás…
- E achas que eu quero ir? –
perguntou Bea com um olhar triste – Ao menos vocês vão estar todos juntos! Eu vou voltar para Portugal sozinha...
- Eu sei. Não deve ser nada fácil! Mas prometo que sempre que puder te vou visitar… -
disse Dreia.
- Acho que não vais precisar de te preocupar, porque eu vou passar o máximo de tempo possível em Berlin. Sempre que puder dou lá um saltinho para estar convosco! – disse Bea.

Dreia abraçou Bea. Um abraço forte e sentido. Ia sentir imensas saudades dela, mesmo que tivesse amigas na escola e tivesse ganho um amigo muito especial naquela tour. Nada seria igual sem Bea. Só ela era capaz de lhe dizer a verdade sem lhe esconder os prós e contras de todas as suas acções. Só com ela sentia-se totalmente à vontade para desabafar e dizer aquilo que lhe ia na mente. Ia ter de se habituar a falar mais ao telefone, a escrever mais e-mails. Tudo ia ser diferente, mas recusava-se a viver sem Bea do seu lado. Ia ser difícil encarar os novos inquilinos do sótão. Nem queria pensar nisso.

- Vá…eu não estou a morrer, nem vou desaparecer de vista… - disse Bea fazendo-se de forte e afastando-se de Dreia para não dar parte fraca.
- Estou para ver quem é que vai aturar o Bill agora… – disse Dreia a rir.
- Desde que não seja a Nathalie… - disse Bea torcendo o nariz – Dreia… Promete-me que vais estar atenta à Nathalie… Não gosto nada dela, e a ideia de a deixar sozinha com o Bill não me agrada nada…
- Não te preocupes, eu vou estar de olho nela... –
disse Dreia sorrindo.

Bill aproximou-se de Bea e abraçou-a pelas costas depositando no seu pescoço um beijo delicado. Já sentia saudades dela, de tudo: do seu sorriso, dos seus abraços, do seu corpo, dos seus cabelos, da expressão do seu olhar, dos seus lábios, do seu cheiro, de tudo. Bea virou-se de costas e abraçou o corpo de Bill beijando-o nos lábios de forma carinhosa e sentida. Dreia sentiu-se momentaneamente a mais. Olhou para Bea e Bill e viu que a manifestação de amor entre eles ia ser prolongada (e tinham todas as razões para que fosse) afastou-se dos dois e sentou-se sobre a mesa do quarto, visto que o quarto estava totalmente virado do avesso e não havia outro espaço para se sentar. Observou o modo como Tom se aproximava de si e lembrou-se daquela noite em que Tom a tinha possuído sobre a mesa de um quarto de hotel. Tinha sido absolutamente bom. Olhou para ele fazendo frente ao seu olhar provocador, e quando o viu estancar a um passo de si, resolveu perguntar:

- A noite correu bem?
- Muito bem… -
disse Tom sorrindo de forma atrevida – E a tua?
- Surpreendentemente bem também… -
disse Dreia fingindo um sorriso para tentar espicaçá-lo um pouco.
- A sério? - perguntou Tom levantando ambas as sobrancelhas – Então parece que estamos os dois satisfeitos… cada um teve o que queria…

- Tu tiveste o que querias? –
perguntou Dreia timidamente com medo da resposta de Tom.
- Em grande estilo… - disse Tom mordendo o lábio inferior ao mesmo tempo que franzia a testa.
- Vês, não precisas de mim para nada… - disse Dreia sorrindo como se nada a afectasse.

- Onde é que está a femme fatale ou a rapariga que me ama e não consegue viver sem mim? – perguntou Tom na esperança de a provocar.
- Não está… - disse Dreia sentindo um aperto no coração – Hoje sou somente a rapariga que vê a sua melhor amiga partir…
- E essa rapariga precisa de apoio e de alguém que a faça feliz? –
perguntou Tom fazendo olhinhos a Dreia.

- Sim… mas não deves ser tu, ou a tua conversa fiada que me vai deixar feliz… - disse Dreia.
- Estás muito agressiva hoje… - disse Tom estranhando o comportamento de Dreia.
- Estou como estou… - disse Dreia saltando da mesa e afastando-se de Tom.
- Não me digas que vais começar novamente com rodeios… – disse Tom farto das mudanças de humor de Dreia.

- Não… - disse Dreia – Mas queria-te pedir um favor… hoje não me chateies, não estou com paciência para joguinhos, nem futilidades…

- Não gosto desta Dreia… –
disse Tom.
- Nem de nenhuma outra Tom… nem de nenhuma outra! – disse Dreia admitindo aquilo que lhe custava tanto admitir.

Dreia foi ter com Bea interrompendo o momento ternurento com Bill e despediu-se da amiga, avisando que estaria no quarto de Andreas para a levar para o aeroporto quando ela estivesse preparada para partir. Tom ficou uma vez mais espantado com a reacção de Dreia, de um dia para o outro tinha mudado totalmente. Talvez fosse pela partida de Bea. Não gostava nada daquelas mudanças de humor dela.
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:46 am

 123 







- Acho que estou a mais… - disse Tom olhando para o beijo que unia Bill e Bea apaixonadamente.
- Achas? – perguntou Bea libertando-se dos lábios de Bill – É na boa…
- Só um bocadinho… -
disse Bill a rir à medida que abraçava o corpo de Bea com firmeza.

- Oh…deixa o teu irmão! Também vou sentir saudades dele… – disse Bea a rir, batendo no peito de Bill com uma mão.
- Claro que vais… é impossível não ter saudades minhas! - disse Tom sorrindo.
- Ok… mudei de ideias! Não vou sentir saudades dele… - disse Bea falando para Bill ignorando a presença de Tom no quarto.

- Tommi… - disse Bill chamando a atenção de Tom e fazendo-lhe um gesto com a mão direita que pedia claramente que ele saísse do quarto e os deixasse a sós – Depois passamos lá no teu quarto para te despedires da Bea…
- Já percebi… -
disse Tom sorrindo e dirigindo-se para a porta do quarto. Abriu a porta e quando a ia fechar, meteu a cabeça no interior e gritou – Dá-lhe maninhooooooo!

Bea e Bill riram-se de Tom, ele não mudava (mas nenhum deles queria que mudasse). Bill apertou Bea nos seus braços e passando a mão direita sobre os seus cabelos loiros procurou os lábios dela com uma suavidade e ligeireza de quem os conhecia bem e queria aproveitar tudo aquilo que eles tinham para lhe dar. Bea abraçava o corpo de Bill com força, não queria acreditar que em breve estaria novamente afastada dele. Sentia-se consumida por uma dor tão forte que parecia querer rasgar-lhe as paredes do coração com tal violência, que a impedia de viver aqueles últimos momentos tranquila. Abraçou o corpo de Bill, encostando a cabeça ao peito dele. Fechou os olhos e deixou-se ficar assim, perdida nos seus braços, como gostava de se sentir.

- Queria tanto levar-te ao aeroporto… - disse Bill beijando o topo da cabeça de Bea.
- Eu preferia que não me tivesses de levar… - disse Bea passando uma mão sobre o peito de Bill.
- Eu também… - disse Bill segurando no queixo de Bea e erguendo-o para que ela olhasse para si nos olhos – Mas não há avião que leve o meu amor embora… Amo-te schatzi, pelo que és, pelo que não és, e pelo que serás…

Bea alcançou os lábios de Bill procurando neles o piercing que constituía deste sempre parte do imaginário de Bill, o complemento dos seus lábios macios e suaves que a deixava em êxtase.

- Tu sabes que eu tenho de ir, mas que queria ficar, não sabes? – perguntou Bea.
- Eu sei! Mas eu gosto de ti por seres como és, e por não desistires de ti mesma. Por não viveres à sombra dos outros, e por seres simplesmente linda sendo somente tu mesma! – disse Bill beijando-lhe a testa – Além disso, estamos a três horas de distância… o que são três horas?
- Três horas… -
repetiu Bea ganhando força através do pensamento de Bill – Vão ser a minha razão de viver…
- Vou escrever-te todos os dias. Telefonar-te todos os dias. Pensar em ti todas os dias… e noites… –
disse Bill com um sorriso maroto e um sorriso tentador nos lábios.

- E vais cantar para mim? – perguntou Bea mordendo o lábio inferior.
- … Sempre – disse Bill beijando os lábios dela - ... Wenn Du die Welt nicht mehr verstehst, und jeder Tag im Nichts vergeht. Wenn sich der Sturm nicht mehr legt, und Du die Nacht nicht mehr erträgst. Ich bin da wenn Du willst, ganz egal wo Du bist. An deiner Seite, nur eine Weile…. Du bist nicht alleine.

(If the world makes you confused, and your senses you seem to lose. If the storm doesn't want to diffuse, and you just don't know what to do. Look around, I am here, doesn't count far or near. I am by your side, just for a little while… We’ll make it if we try)

Bea abraçou Bill com força, como se não quisesse que ele lhe fugisse dos braços. Adorava ouvi-lo cantar só para si. Adorava sentir cada palavra que ele entoava bater-lhe fundo no coração e ver o modo como ele sentia e transmitia emoção quando lhe cantava. Segurou na cabeça de Bill com ambas as mãos e beijou os seus lábios uma última vez, sentindo o seu corpo estremecer.

- Estás a tremer… - disse Bill de forma carinhosa olhando-a nos seus grandes olhos castanhos.

- … Tenho de ir – disse Bea com pena.
- Eu vou contigo até ao aeroporto! – disse Bill num acesso de energia, afastando-se de Bea e pegando na sua mala.
- Mas é perigoso… - disse Bea espantada com aquela decisão de Bill.
- Não vou conseguir ficar aqui… eu levo-te até onde der… - disse Bill estendendo a mão a Bea para que ela lhe desse a mão.

Bea sorriu, e estendeu a sua mão de encontro à mão de Bill. Era perigoso mas queria tanto estar com ele o máximo de tempo possível, que nem que fosse para ele ficar na carrinha ia valer a pena. Dirigiram-se até à porta do quarto de Dreia e Andreas de mão dada, e bateram à porta. Dreia atendeu a porta com um ar pesaroso, olhou para Bea e percebeu que tinha chegado a hora dela partir. Sentia um peso sobre si e uma tristeza. Ia ficar sozinha, era isso que sentia ao ver a sua melhor amiga ir embora. Precisava de falar com ela, precisava de aproveitar aqueles últimos minutos para desabafar, já que não teria ninguém com quem partilhar aquilo que lhe ia na alma nos próximos tempos. Sentiu-se egoísta, mas estava a precisar da sua amiga e não podia negá-lo. Pediu desculpas a Bill por falar em português e à frente dele contou a Bea tudo o que se tinha passado no dia anterior entre ela, Tom e Andreas. Bea estava absolutamente abismada com aquilo que Dreia lhe contou, ao ponto de no fim apenas ser capaz de lhe perguntar:

- Acreditas no destino?
- Sim! –
disse Dreia confusa com aquela pergunta.
- Então acreditas que nada acontece por acaso? Que cada pessoa já tem o seu caminho traçado? – perguntou Bea.
- Sim, porquê? – perguntou Dreia intrigada.

- Já imaginaste que apaixonares-te pelo Tom pode ser só obra do destino para conheceres o Andi? – disse Bea muito séria.
- Achas? – perguntou Dreia surpresa com aquela afirmação.
- Pode ser… - disse Bea – Mas também pode não ter nada a ver…
- Mas eu não gosto do Andreas… -
disse Dreia.
- Quem sabe talvez possas vir a gostar… - disse Bea.
- Não… as coisas não funcionam assim. Eu amo o Tom, e o Andreas é só meu amigo. Ele também não gosta de mim… - disse Dreia abanando a cabeça de forma negativa.
- Olha não ligues… sou eu que estou a disparatar, mas era sem duvida melhor se gostasses do Andreas… - disse Bea.
- A quem o dizes… - disse Dreia com um ar infeliz.

- Vamos? Já está a ficar tarde… - disse Bill que se mantinha um pouco à distância para deixar Bea e Dreia falarem à vontade.
- Sim… deixa-me só despedir-me do Tom! – disse Bea correndo até à porta do quarto de Tom.

Dreia aproximou-se de Bill para lhe dar força naquele momento que também era tão difícil para ele, enquanto Bea batia à porta do quarto de Tom, e era recebida com um sorriso na cara.

- Chegou a minha hora… - disse Bea sorrindo.
- É uma pena que tenhas de ir cunhadinha… - disse Tom abraçando Bea.
- É uma pena maior para mim, acredita… - disse Bea abraçando com força o corpo de Tom – Toma bem conta de ti. Não faças muitos disparates, sim?
- Tudo sobre controle… -
disse Tom afastando-se do corpo de Bea e sorrindo-lhe com um ar de criança marota.

- E toma conta do teu irmão… - disse Bea com um olhar triste – Ajuda-o, porque algo me diz que ele não vai andar muito bem nos próximos dias.
- Não te preocupes, eu vou estar sempre do lado dele –
disse Tom colocando uma mão sobre o ombro de Bea para que ela se sentisse descansada.
- Eu sei que vais… - disse Bea abraçando novamente o corpo de Tom – Vou ter saudades tuas…
- E eu tuas! –
disse Tom – É incrível como consegues ir novamente embora sem experimentar os Kaulitzs todos…
- Totó! –
disse Bea rindo-se e afastando-se do corpo de Tom.

- Mais algum aviso ou pedido especial? – perguntou Tom sorrindo.
- Sim… – disse Bea olhando para o corredor para garantir que ninguém a ouvia e ver Dreia a falar com Bill alheada do que se estava a passar à porta do quarto de Tom – Eu sei que não gostas que se fale nestas coisas, mas, só te queria dizer que estás a perder a única rapariga decente que alguma vez te passou pelas mãos, e que na noite passada mudou muita coisa…

- Porque é que me estás a dizer isso? –
perguntou Tom a estranhar aquele aviso.
- Porque gosto de ti, e gostava que endireitasses a tua vida… - disse Bea sorrindo.
- Mas eu não quero endireitar a minha vida, gosto dela como é! Agradeço os conselhos mas…- disse Tom
- Mas só te estou a avisar! – disse Bea cortando a palavra a Tom – Se tiveres algum interesse em marcar pontos positivos com a Dreia, tens de o fazer hoje. Se eu fosse a ti falava com ela…

- Porquê? –
perguntou Tom – O que é que se passou ontem à noite?
- Mais do que possas pensar… -
disse Bea sabendo que o deixaria curioso – Mas não me cabe a mim contar-te. Pensa nisso Tom, se não a quiseres perder, nem que seja como queca oficial, fala com ela hoje, antes que seja tarde demais…
- Ok… -
disse Tom confuso com aquele aviso.

- Agora tenho mesmo que ir… - disse Bea voltando a abraçar Tom – Até Berlin….
- Até Berlin cunhadinha –
disse Tom apertando-a com força – Faz boa viagem…
- Obrigada… -
disse Bea sorrindo para Tom.


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Estavam de mãos dadas. Tinham estado assim o caminho todo até ao aeroporto de Frankfurt, não queriam estar de outra forma, precisavam de se sentir. O ambiente na carrinha estava de cortar à faca, ninguém falava, ninguém tinha nada para dizer. A dor de ver Bea partir estava a consumir todos. Ouviram Tobi recapitular o plano para levar Bea em segurança até ao interior do aeroporto e Bea sentiu a sua mão ser apertada com mais força por Bill. Sentia-se tão próxima dele. Abraçou o corpo de Bill sentindo um vazio apoderar-se do seu interior, era assim que viveria afastada dele, com aquele vazio e aquele peso que só seria capaz de sarar uma vez que voltasse aos seus braços. Sentiu os braços de Bill apertarem-na contra si com a força com que anteriormente tinha sentido a sua mão.

- É melhor não ires Bill… - disse Tobi reparando que Bill não queria soltar Bea e que provavelmente tencionava levá-la lá dentro – Não temos homens para fazer uma retirada em segurança caso aconteça alguma coisa.
- Não vai acontecer nada… -
disse Bill – Eu vou…
- Não vamos conseguir proteger-te… -
começou Tobi por dizer.
- Eu percebi! – disse Bill levantando a voz. Queria ficar com Bea o máximo de tempo possível, mesmo que isso custasse a sua segurança – Mas eu vou na mesma…

- Bill… -
disse Dreia tentando chamá-lo à razão.
- Eu sei Dreia… - disse Bill assentindo afirmativamente com a cabeça – Mas eu quero ir…

- … É melhor não ires… –
disse Bea a muito custo, olhando para os olhos intensos de Bill vendo neles uma expressão triste.
- Schatzi… - começou Bill por dizer, colocando ao mesmo tempo uma mão sobre a face dela, acariciando-a.
- Se o Tobi diz que é perigoso é melhor não ires… Eu fico bem… A Dreia e o Tobi vão comigo… - disse Bea beijando o pescoço de Bill de forma ternurenta ao mesmo tempo que passava uma mão sobre o seu peito – E eu levo-te comigo, no meu coração, na minha cabeça e no meu pulso… - disse Bea mostrando a Bill a pulseira que simbolizava o seu amor.

- Dava tudo para ir contigo… - disse Bill pegando na mão de Bea que tinha a pulseira e beijando-a.
- Mas não podes, não deves e eu não ia querer que tu deixasses de cantar por mim… - disse Bea.
- Não ia deixar de cantar. Ia continuar sempre a cantar, mas só para ti… - disse Bill sorrindo de forma carinhosa.
- … E as tuas fãs já gostam tanto de mim, o que não seria! - disse Bea sorrindo de forma nervosa. Sentia o seu corpo começar a ficar doente e fraco com a ideia de se afastar dele.

- Amute schatzi mesmo mesmo mesmo mesmo mesmo mesmo muito! – disse Bill beijando os lábios de Bea.
- E eu a ti tanto ou mais que tu… - disse Bea beijando-o empenhada em saciar a dor que sentia no seu interior.

Dreia assistia àquela cena com o coração nas mãos. Porque é que Tom não podia ser mais como Bill? A amiga tinha tido a sorte grande, Bill era o rapaz perfeito. Sentia o seu coração destroçar ainda mais ao ver a separação dos Bs.

Tobi abriu a porta da carrinha e tirou a mala de Bea do porta-bagagem. Bea saiu, não sem antes beijar Bill uma última vez e sorrir-lhe. Bill deixou-se ficar sozinho, apenas com o motorista da carrinha, observando Bea a desaparecer da sua vista. Sentia uma dor no peito, como se vê-la afastar-se de si o estivesse a fragmentar lentamente. Viu-a virar-se para trás por duas vezes, com uma expressão triste nos seus olhos, nos olhos que amava e que nada lhe conseguiam esconder. Colocou ambas as mãos sobre os olhos quando a viu desaparecer de vista e respirou fundo. Ia começar uma nova fase da sua vida.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:46 am

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Regressaram ao hotel mudos e calados, como na viagem até ao aeroporto de Frankfurt. Dreia olhava para Bill sem saber o que lhe dizer, nada do que dissesse ia substituir a dor que ele sentia naquele momento. Nada iria aliviar o seu pensamento, por isso, compreendeu que ao regressarem ao hotel, Bill tivesse apenas sorrido de forma débil a Dreia e lhe tivesse agradecido o que tinha feito por Bea e por ele. Dreia observou o modo como Bill se afastava e não conseguiu evitar de sentir-se ainda mais triste do que já estava. Tinha perdido a esperança no amor naquela noite, e ao ver Bill e Bea serem separados tão cruelmente pela força do destino, a réstia de esperança que pudesse ter, estava totalmente morta e enterrada. E se como Bea lhe tinha dito, tudo estava destinado? Acreditava que sim, e se fosse esse o caso, o destino não podia ser tão cruel para aqueles que se amavam tanto, como era o caso dos Bs, tinha de haver algo que os unisse, algo que não demorasse um ou dois anos e os corroesse de forma tão vil. Sabia que não podia fazer muito pelo que Bill e Bea sentiram, mas achou por bem baixar a guarda e diminuir o seu orgulho para ir falar com Tom, se alguém podia estar do lado de Bill num momento tão íntimo e difícil, era ele. Foi até à porta do quarto dele e bateu com força. Não esperou muito para ver Tom abrir a porta e olhá-la com estranheza. Viu um sorriso formar-se nos lábios de Tom e percebeu que ele devia pensar que ela estava ali para outras jornadas, mas não tardou para ter a certeza que era isso que Tom tinha em mente.

- Estou ocupado… - disse Tom mordendo o lábio inferior – Mas se me deres dez minutinhos, tenho o quarto livre só para nós…

- Não vim ter contigo por causa disso… -
disse Dreia franzindo a testa ao aperceber-se que Tom não se importava mesmo com nada que não fosse sexo – Não queria ter vindo incomodar, não fazia ideia que estavas acompanhado…
- Não tem problema, é só o Andi e a Nath… –
disse Tom olhando para ela com um ar mais sério – Mas o que é que foi? Porque é que estás com essa cara?
- Tu conheces o teu irmão melhor que ninguém… Talvez fosse melhor ele estar com alguém agora, e pensei que tu fosses a pessoa adequada… -
disse Dreia – Ele está mal Tom… está a sofrer…
- Onde é que ele está? –
perguntou Tom alarmado.
- Foi para o quarto… - disse Dreia.
- Obrigado… - disse Tom adoptando uma expressão preocupada e pesada nos olhos.

Dreia deixou-se ficar à porta enquanto Tom regressava ao interior do quarto e avisava Andreas e Nathalie que ia ter com Bill, ambos assentiram afirmativamente com a cabeça, sabiam que Tom tinha de ir ter com o irmão, eles eram assim, sempre que algum precisava podia cair o Carmo e a Trindade, mas estariam juntos. Dreia viu os três saírem do quarto de Tom.

- Gostava de estar com ele… - disse Nathalie.
- Talvez seja melhor não… - disse Dreia defendendo a privacidade de Bill e o coração de Bea que não iria querer Nathalie sozinha com ele.
- Porquê? – perguntou Nathalie imediatamente.
- Porque… - começou Dreia por dizer.
- Deixa-me falar primeiro com ele, depois podem entrar… - disse Tom travando um possível bate boca entre Nathalie e Dreia, e virando-se para Dreia acrescentou – Obrigado!
- Não precisas de agradecer, acho que ele precisa de ti… -
disse Dreia timidamente.
- Tenho a certeza que ele quer estar sozinho, mas precisa de sentir que estamos com ele… - disse Tom que conhecia Bill como ninguém – Depois gostava de falar contigo…
- Tom, não estou com paciência… -
disse Dreia evitando olhar para ele.
- Não é nada de mal… - disse Tom – Só quero falar contigo…
- Ok. Vou estar no quarto… -
disse Dreia.

Tom assentiu com a cabeça e afastou-se dos amigos para ir bater à porta de Bill. Teve de bater diversas vezes e anunciar que era ele para que Bill lhe fosse abrir a porta. O Bill que viu à sua frente era assustador. Era um ínfimo pedaço daquilo que o seu irmão gémeo era. Bastou olhar uma vez nos seus olhos para perceber aquilo que ele sentia, aquela dor que o sufocava e deitava por terra todas as suas esperanças e alegrias, toda a vontade que tinha de viver e ser feliz longe de Bea. Nada mais fazia significado, se não a tivesse ao seu lado para partilhar a vida. Seguiu o irmão até à zona da cama, e deitou-se ao seu lado em silêncio. Sabia que o importante não era falar (até porque não tinha o dom da palavra como Bill, até porque nunca tinha sentido aquela dor por ninguém e não desejava algum dia senti-la), o importante era estar ali do seu lado, servir de ombro para chorar, servir de amparo quando ele julgasse que não tinha forças para travar aquela luta. Juntos tinham superado e desbravados caminhos íngremes, nada impediria Tom de ajudar Bill naquela nova conquista. A conquista de um novo dia sem a luz do sol. Deixou-se ficar assim, calado, por tempo indeterminado. Deixou Bill soltar todos os demónios que tinha presos no seu pensamento e apenas falou, em resposta às palavras que Bill destemidamente proferiu.

- O que dói mais, é não saber quando a vou ver novamente. É não ter uma data pela qual esperar, não ver a luz no fim do túnel… - disse Bill quebrando o silêncio – Saber que um dia nos vamos reencontrar, sem saber quando…

- Porque é que não escreves? –
propôs Tom – Liberta isso tudo para o papel…
- O que sinto não tem palavras que o descrevam… -
disse Bill olhando para Tom com um pesar nos olhos.
- Tenta… - disse Tom – Pensa nela e deixa que o que te consome saia naturalmente.

- É demasiado intimo… -
disse Bill.
- Também a separação dos pais era, também o que sentes por mim é e também a operação foi, e tu transferiste isso para o papel como ninguém… tu tens o dom da palavra, aproveita-o. Eu sei que se escreveres vais sentir-te melhor… - disse Tom.
- Eu sei… mas é difícil escrever quando não tenho sequer forças para pegar numa caneta… - disse Bill dramatizando a dor que se apoderava de si.

- Tu??? Sem força??? – disse Tom a rir – Há-de vir o dia em que Bill Kaulitz não tenha força ou energia para alguma coisa…
- Tens-me em muita consideração… -
disse Bill – Vê-se mesmo que nunca sofreste verdadeiramente por amor…
- Ainda bem… -
disse Tom aliviado.

- Podias deixar-me sozinho? – pediu Bill.
- Tens a certeza? – perguntou Tom olhando para Bill com firmeza.
- Sim… – disse Bill de olhos vidrados na janela do seu quarto – Talvez escreva… Preciso de deitar cá para fora alguma coisa, senão rebento.
- Fazes bem… -
disse Tom levantando-se – Mas daqui a um bocado volto com jantar para dois. Hoje é a nossa noite…

- Não tenho fome… -
disse Bill.
- Espera até veres a comida que vou trazer e depois quero ver quem é que não tem fome… - disse Tom piscando o olho a Bill – Bill… Eu estou aqui, para o que precisares. Hoje, amanhã, daqui a um ano, daqui a dez anos…

- Fogo… que sina! Espero que até lá deixes de ser chato e irresponsável! –
disse Bill sorrindo pela primeira vez ao gozar com o irmão.
- Acho que vou precisar sempre de ti do meu lado para me abrires os olhos e me trazeres de volta à Terra… - disse Tom sorrindo – Como tu vais precisar sempre de mim para te animar quando o teu coração tiver um ataque de lamechice…

- Sempre sensível… -
disse Bill em tom de desabafo mas rindo-se do irmão.
- Elas não se queixam… - disse Tom sorrindo de forma sedutora enquanto se dirigia para a porta do quarto.
- Pudera… não estão contigo pela tua sensibilidade… - disse Bill com desdém – Algumas nem têm tempo para se queixar…
- Devo confessar que não tenho livro de reclamações… -
disse Tom vangloriando-se – Mas se tivesse ia estar vazio…

- Convencido… –
gritou Bill a rir-se ao ouvir o irmão abrir a porta do quarto.
- Realista! – gritou Tom de volta, momentos antes de fechar a porta e sentir que o irmão estava melhor. Agora sabia que ele ia precisar de pensar e escrever. Escrever ajudava-o sempre a aliviar a pressão que sentia no peito quando tinha um problema entre mãos.

Preparava-se para regressar ao seu quarto quando se lembrou das palavras de Bea “fala com ela hoje, antes que seja tarde demais…”, não percebia o que é que ela tinha querido dizer com aquilo, mas que o tinha intrigado, tinha. Rodou sobre os seus calcanhares e dirigiu-se para o quarto que Dreia partilhava com Andreas à sua procura. Bateu à porta e espantou-se ao ver que Dreia já estava vestida de pijama e aparentemente sem disposição para conversas, mesmo depois de Tom lhe ter avisado que queria conversar. Ao contrário das suas expectativas Dreia não o convidou para entrar, perguntando directamente qual era o tema da conversa de Tom.

- Não me vais convidar para entrar? – perguntou Tom estupefacto.
- Tom, eu já te disse que hoje estou sem paciência. Estou cansada, quero dormir, por isso se não te importares, e se for alguma coisa mais demorada podemos falar amanhã… - disse Dreia com cara de poucos amigos.
- Ok, eu prometo não demorar… - disse Tom percebendo que algo se passava com Dreia - Acho que fiquei preocupado contigo, pela maneira como me falaste hoje. Estás fria, agressiva. O que é que aconteceu?

- Estás a gozar comigo? –
perguntou Dreia franzindo a testa.
- Claro que não… - disse Tom espantado e tentando recordar-se do que tinha acontecido na noite anterior que pudesse ter revoltado Dreia – Que me recorde, fiz-te uma proposta, e tu recusaste…
- Sim… -
disse Dreia.
- Então qual é o drama de eu ter preenchido o teu lugar? Querias que ficasse à tua espera? – perguntou Tom com um sorriso irónico nos lábios que deu uma raiva miudinha a Dreia.
- Não! Fazes muito bem em divertir-te! – disse Dreia contrariando aquilo que sentia – Mas eu também já te disse que não gosto de te partilhar com outras…

- Tu obrigaste-me… -
começou Tom por dizer.
- Poupa-me! Só falta dizeres que te baixei as calcinhas e te levei pela mão até à menina, não? Tu já és crescidinho e sabes o que fazes, não sou eu nem ninguém que te obriga a fazer nada. Fazes porque queres! – disse Dreia
- Claro que faço porque quero… - disse Tom sorrindo – Mas queria contigo…

- Pois agora estás com azar, porque quem não quer nada contigo por tempo indeterminado sou eu… -
disse Dreia zangada.

Tom olhou para Dreia impressionado. Sabia que ela dizia aquilo de cabeça quente, que não sentia verdadeiramente aquilo que dizia. Ela sempre tinha gostado dele, era incapaz de lhe resistir, e mesmo que tentasse acabava sempre por vir comer à sua mão. Sentia-se injustiçado, tinha sacrificado semanas da tour para estar ao lado dela sem nunca pedir nada em troca, no dia em que tinha pedido e lhe era negado tinha procurado companhia sobre o alvarás dela, e mesmo assim era julgado e condenado. Não percebia, nem queria perceber as leis do coração. Preparava-se para ir embora estupefacto, mas não conseguiu, não queria ir embora sem lhe dizer tudo o que tinha preso na garganta e expressar a sua injustiça.

- Tu tem noção o quão injusto é tu crucificares-me por algo que me incentivaste a fazer? Tu tens noção o quão injusto é quereres que eu esteja à tua espera todas as noites e nunca me deixares procurar-te, ou sequer tocar-te e fazeres-me todas as exigências que fazes? – perguntou Tom semicerrando os olhos.
- Eu nunca te enganei, eu deixei claro que as regras iam ser as do meu jogo, só entraste porque quiseste, ninguém te obrigou! – disse Dreia irritadiça.
- Eu nunca te prometi nada! Nunca te disse que andava só contigo, e mesmo assim não procurei mais ninguém por uma questão de… - disse Tom
- De quê Tom? – perguntou Dreia – Respeito? Ias dizer respeito?
- Sim! –
disse Tom.
- Mas tu pensas que enganas quem? Tu não tens respeito por ninguém. És um interesseiro e um manipulador… - disse Dreia sentindo as suas faces corarem e o seu coração diminuir significativamente de tamanho.

- Interesseiro e manipulador? – perguntou Tom espantado – É isso que tu pensas de mim?
- Cada vez mais é isso que me fazes pensar de ti… -
disse Dreia.

- Porque é que me disseste para ir para a cama com outra ontem à noite? – perguntou Tom segurando em Dreia pelos ombros exercendo força nas suas mãos.
- Larga-me! – disse Dreia soltando-se das mãos de Tom e afastando-se mais dele – És insensível, irracional e primitivo. Tudo o que tu fazes tem segundas intenções, não consegues ser honesto nem sincero sobre nada, estás sempre a tentar manipular e chegar até aos teus interesses a bem ou a mal...

- É isso que pensas de mim? –
disse Tom abanando a cabeça da esquerda para a direita em forma de desaprovação – É essa pessoa tão insensível que dizes amar? Eu não sou assim, e tenho muita pena que não me consigas ver como realmente sou…

- Então porque é que te escondes? –
perguntou Dreia com o coração nas mãos. Tudo o que desejava era poder ver Tom sem máscaras.
- Eu não me escondo! O que faço, não faço por maldade nem com intenção de magoar ninguém, faço porque quero fazer, se isso afecta os outros o que é que queres que faça? Que deixe de viver? – disse Tom
- Então és egoísta, só pensas em ti e no teu umbigo, e fechas os olhos ao mal que fazes para te sentires sempre bem no teu mundo… - disse Dreia.

- É incrível a quantidade de defeitos que tu me arranjas… – disse Tom incrédulo.

- Tu magoas-me muito… - disse Dreia relaxando o corpo e diminuindo a tom da sua voz, sentia-se farta de discutir e de gritar, sentia-se farta de amar e não ser correspondida, precisava de paz.
- Eu não te quero magoar… - disse Tom num tom também mais calmo – Mas eu não percebo porque é que tu haverias de me dizer para ir para a cama com outra se sabias que no fundo não querias que isso acontecesse!

Dreia manteve a cabeça baixa e os olhos no chão. Sabia que se olhasse para os olhos de Tom sentiria um aperto no coração e uma vontade imensa de lhe confessar o seu sentimento de pose.

- Como é que é suposto eu perceber se o que dizes é verdade ou não? – perguntou Tom intrigado.
- À coisas que se sentem… - disse Dreia timidamente não esperando que Tom percebesse, já que à muito que ele tinha desistido de sentir.

- Comigo não pode ser assim… - disse Tom sinceramente – Tens de ser honesta! Acredita que ela não te chegou sequer aos pés…
- Eu não quero saber isso… -
disse Dreia cortando a palavra a Tom.
- Mas eu quero que saibas… - insistiu Tom – Foi bom, mas não foi excepcional…
- E em que é que isso contribui para a minha felicidade? –
perguntou Dreia.
- É só para saberes. Nós não temos nada um com o outro, mas o teu jogo é bem mais interessante do que os que eu tenho jogado ultimamente e é isso que me faz ficar preso a ele…

- Não tenho vontade de jogar… -
disse Dreia desanimada.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:47 am

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A notícia do seu namoro com Bill parecia ter chegado a todo o lado, mesmo aos ouvidos dos seus colegas que estavam demasiado amáveis consigo, não que alguma vez tivessem sido desagradáveis, para dizer a verdade nunca tinha prestado muita atenção a nenhum deles uma vez que antigamente a sua cabeça só pensava em Gonçalo, agora que se via rodeada de tantas caras amistosas não sabia como diferenciar aquelas que se aproximavam por interesse, daquelas que nem sequer sabiam o que se passava e estava apenas verdadeiramente curiosas por saber como tinha corrido o Erasmus em Berlin. Pensou em Bill e em como a vida dele se devia ter tornado num inferno desde que era famoso. Pensou na sorte que tinha tido ao se ter aproximado dele e ele não ter mostrado resistência. Mas se de facto eram destinados um ao outro (como acreditava serem) ele não poderia ter-lhe fechado as portas.

A primeira semana de aulas mostrava-se monótona e inactiva. Alguns professores arrancavam em força com matéria, outros parecia que ainda estavam de férias. Mas depois de um ano a viver na Alemanha, sobre um regime escolar bastante mais exigente que o português, qualquer aula pareceria fácil, mesmo para quem, como Bea, estava apenas na sala fisicamente, enquanto a sua cabeça viajava pela Alemanha acompanhando a tour e cada passo do seu amante e amigos. E pensar que tinha passado dois meses a viajar, para agora estar fechada em Lisboa. Bea adorava Lisboa, era sem dúvida a sua cidade de eleição de todas as que já tinha visitado. Aliava o antigo ao novo, a história ao futuro. A segurança, a beleza, a harmonia, as pessoas, o clima, a acessibilidade, tudo nela tera perfeito. Mas agora Lisboa tornara-se sinónimo de prisão, de um muro que a impedia de viver a vida que sonhava, de estar ao lado daqueles que amava. Estava há uma semana em casa e já não sabia o que fazer. Gonçalo tinha proposto que ela se aproximasse de Íris e que fizessem algo as duas. Talvez fosse seguir o seu conselho, precisava de uma amiga. Agora que estava habituada a aproveitar a vida e a sentir-se rodeada de gente a solidão e o isolamento estavam a custar muito mais. Fechava-se diversas vezes na sua paixão: os livros, o seu refúgio da realidade, para quando esta parecia ser demasiado cruel para se suportar.

Mantinha contacto diário com Bill. A tour parecia continuar a correr bem, mas ele não se mostrava animado, e parecia cansado e exausto de tanto viajar. Há quatro meses que andava nisto e mesmo para quem, como era o caso dele, corria por gosto, mais dia, menos dias acabava por se cansar. Mantinha também contacto diário com Dreia via e-mail e algumas vezes por telefone (nenhuma das duas era rica para poder gastar quantidades exorbitantes de dinheiro em roaming). Estava a par dos últimos desenvolvimentos na relação com Tom e não conseguia deixar de pensar que o seu cunhado precisava de apanhar um susto valente para perceber de uma vez por todas que estava realmente a perder Dreia e que possivelmente seria de vez, mas por outro lado, talvez isso não fosse mau de todo, já era tempo de Dreia ser feliz, e tal só aconteceria por obra de um milagre (se esperássemos que Tom mudasse) ou por obra de um esquecimento. Qualquer que fosse o desfecho desta história, a ser um deste dois, seria bom, desde que no final Dreia se sentisse feliz e livre do peso que carregava nas costas, ou deveria dizer, do peso que carregava na cabeça?


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Hamburg era como a sua segunda casa. Conhecia aquela cidade como a palma da sua mão. Adorava ter a oportunidade de a mostrar a Bea, tinha a certeza que ela ia adorar. Gostava de a poder levar à Dom, para passearem de mãos dadas e dar uma volta na roda gigante, ou de ficarem simplesmente sentados no jardim de St. Pauli a olhar para o lago e para os patinhos, ou quem sabe mesmo passear ao largo de St Georg de mãos dadas percorrendo a beira-rio como um casal de namorados. Mas sabia que nada disso era possível, e não era só pelo facto de Bea estar longe. Um dia ia poder mostrar-lhe todos aqueles lugares maravilhosos.

Desde que Bea tinha partido que tinha sentido o peso da viagem abater-se sobre si. Estava mais cansado, não tinha tanta energia para continuar por muito mais tempo. Sentia-se com a adrenalina à flor da pele antes de entrar em palco, mas pouco depois ela desaparecia e sentia-se apenas a cumprir um trabalho que lhe dava imenso prazer (coisa que nunca lhe tinha acontecido – encarar um concerto como trabalho). A verdade é que nunca mais tinha tido a mesma vontade de cantar, fazia-o e arranjava as forças e artimanhas que já conhecia para que os concertos corressem na perfeição, mas no fundo estava apenas a ser um actor e a representar aquilo que sabia que as pessoas esperavam dele. Em breve não se precisaria de preocupar com as suas qualidades de representação, só lhe faltavam três concertos para poder finalmente descansar. Bill estava a precisar desse descanso, da pausa que o ajudasse a colocar a cabeça em ordem e a permitir que ele saísse da dormência e voltasse a ser ele mesmo. Precisava de voltar a sentir.

Bill estava deitado na sua cama com o computador sobre o colo. Preparava-se para ir ver o e-mail quando o telefone do quarto tocou.

- Estou? – disse ele atendendo o telefone.
- Olá! – disse uma voz animada.
- Olá Nath… - disse Bill reconhecendo de imediato aquela voz.
- Como é que estás? – perguntou Nathalie.
- Bem… - disse Bill não a convencendo.
- Vê-se… - disse Nathalie de forma irónica – Estava a pensar ir jantar fora, que me dizes?
- Não estou com vontade… -
disse Bill enfadado.
- Oh não sejas assim. Vamos todos! – disse Nathalie animada.
- Não me apetece… prefiro comer qualquer coisa por aqui mesmo, ver um filme e meter-me na cama… - disse Bill a despachar.

- E queres companhia? – perguntou Nathalie.
- Não leves a mal, mas apetece-me estar sozinho… - disse Bill.
- Estás barricado à uma semana, não fazes nada, não falas com ninguém, assim não pode ser… - disse Nathalie.
- A sério que estou bem… - disse Bill que não estava mesmo com paciência para grandes conversas.
- Como se eu não te conhecesse… - disse Nathalie – Até já!
- Nathalie! –
disse Bill em vão pois Nathalie já lhe tinha desligado o telefone e estava provavelmente a caminho do seu quarto.

Ouviu bater à porta e inspirou fundo à medida a que se levantava para a ir abrir, não lhe apetecia realmente estar com ninguém. Era Nathalie, como supunha, e vinha acompanhada de uma garrafa de vinho. Sorriu e convidou-a para entrar. Pensou em Bea e em como ela iria ficar triste se soubesse que estava a sós com Nathalie no quarto, não era capaz de lhe fazer aquilo, mesmo que provavelmente ela nunca viesse a saber de nada. Respeitava-a a ela e às suas ideias, por mais que achasse que de vez em quando exagerava. Não tinha qualquer problema em esvaziar a garrafa de vinho até ao fim com Nathalie e de passar a noite na conversa, tinha a certeza que sempre se ia divertir mais do que estando sozinho, mas não o faria. Dirigiu-se para o telefone sobre o olhar atento de Nathalie.

- O que é que estás a fazer? – perguntou ela.
- Vou convidar o resto do grupo a juntar-se à festa… - disse Bill sorrindo.
- Ah… - disse Nathalie de forma desapontada.

- Estou Tom. Ao que parece vai haver reunião aqui no quarto, fala com os Gs e com o Andreas e a Dreia e venham para cá… - disse Bill fazendo pausa para ouvir aquilo que o irmão lhe respondia - … Sim, é para vir já! Ahhhh… e é obrigatório trazer álcool! – disse Bill antes de desligar o telefone.

- Para quem queria estar sozinho… - disse Nathalie decepcionada pelos seus planos terem ido por água abaixo.
- Já que não vou ficar sozinho, então deixa-me aproveitar… - disse Bill.
- Sim… - disse Nathalie sorrindo debilmente.
- … Estou mesmo a precisar de álcool! – disse Bill em tom de desabafo.


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Estava ligeiramente tocada pelo álcool todo que passava à sua frente embora não tivesse bebido tanto quanto qualquer um dos rapazes, ou mesmo que Nathalie. Os alemães pareciam ter uma tolerância para o álcool fora do normal. Bill parecia bastante mais animado, aliás, seria impossível não estar animado depois de o ver beber mais que qualquer um dos presentes. Nathalie estava constantemente ao lado dele, e por essa mesma razão, Dreia fazia questão de ser a sua sombra.

- Estou para ver como é que amanhã vamos estar com cara para as entrevistas… - disse Tom que se encontrava deitado sobre a cama de Bill com uma cerveja na mão.
- A vossa cara vai estar perfeita como sempre… Se eu não estiver com uma ressaca daquelas em cima – disse Nathalie a rir.
- Pois, nós dependemos de ti… - disse Georg.

- E de vocês também – disse Dreia chamando-os à razão – Não vale de nada estarem lindos e depois bloquearem e não dizerem coisa com coisa…
- Aí basta gozar com o Georg e dizer umas piadas… -
disse Tom a rir.
- O Georg é que leva sempre por tabela… - disse Georg a rir.
- Sempre! – disse Tom.

- Abre espaço… - disse Bill passando por cima de Tom para se deitar na cama.

- Acho que devíamos ir embora, o Bill quer dormir… – disse Gustav levantando-se.
- Concordo… - disse Dreia prontamente, para que todos (incluindo Nathalie) fossem embora – Vamos lá…
- Dorme bem maninho… -
disse Tom batendo nas costas de Bill, levantando-se de seguida.
- Adeus Bill – disse Georg e Gustav.
- Bons sonhos… – disse Andreas pegando na mão de Nathalie arrastando-a do quarto.
- Hmm… - disse Bill já a caminho da terra dos sonhos.

Saíram do quarto de Bill com a mesma facilidade com que o tinham invadido.

- E agora? Quem é que quer continuar a festa? – perguntou Andreas animado.
- Fogo, ainda estás com energia para festejar? – perguntou Gustav.
- Sabes que o Andreas é um bêbado assumido… - disse Nathalie a rir-se.
- Assumidíssimo… - disse Andreas a rir fazendo uma ligeira vénia aos amigos.
- Eu vou dormir… - disse Gustav que não costumava beber tanto e precisava de descansar.
- Somos dois… - disse Georg.
- Três… - disse Nathalie.

- Vocês são uns fraquinhossss – disse Andreas a rir enquanto Georg, Gustav e Nathalie se despediam e encaminhavam para os quartos – E tu Tommi? Juntas-te à festa?
- O que é que vocês vão fazer? –
perguntou Tom.
- Nada, vamos dormir… - disse Dreia.
- Oh Dreia… - disse Andreas como se fosse uma criança prestes a fazer uma birra.
- O que é que queres fazer a esta hora? Ele amanhã tem entrevistas, tem de ir dormir… - disse Dreia.
- Não queres que vá convosco? – perguntou Tom directamente – Ou preferes vir tu comigo a sós?
- Então Tommi? Já me estás a roubar a companheira de quarto? –
perguntou Andreas a rir – Estás-me a excluir dos planos para o resto da noite?

- Ninguém foi excluído porque vamos todos dormir e não se fala mais no assunto… –
disse Dreia começando a empurrar Andreas para o seu quarto – Até amanhã Tom, dorme bem…
- Até amanhã… -
disse Tom dirigindo-se para o seu próprio quarto.

Entrou no quarto a pensar nas palavras de Tom “preferes vir tu comigo a sós?”. Não sabia como responder a essa pergunta. Já não sabia o que queria, ou se aquilo que ele tinha para lhe dar ia ser suficiente para compensar a dor lhe tinha causado. Era irreversivelmente apaixonada por Tom, mas será que isso chegava? Não teria já chegado à conclusão que a sua relação com ele estaria para sempre condenada? Valeria a pena lutar por alguém que não mostrava sinais de mudança ou de querer mudar?

Tomou um duche rápido para relaxar e enfiou-se na cama, com uma vontade imensa de adormecer. Talvez precisasse de ter uma conversa com Tom, mesmo que a ideia não lhe agradasse muito. Andreas já estava deitado. Naquele hotel tinham ficado num quarto com cama de casal, um pormenor que não incomodava em nada Dreia, não lhe fazia qualquer diferença partilhar uma cama com o seu amigo, em muitos hotéis já tinham ficado em camas individuais que se encontravam encostadas uma à outra, perfazendo uma cama de casal. Aninhou-se na sua almofada de costas para Andreas e fechou os olhos para ver a imagem de Tom na sua cabeça. Mesmo desiludida, ele insistia em atormentar a sua mente noite após noite. Rodou sobre a cama ficando de frente para Andreas e reparou que ele fitava o tecto de olhos abertos, parecia estar sem sono e a pensar em algo. Lembrou-se do beijo de Andreas e sorriu, seria tão mais fácil se gostasse dele em vez de gostar de Tom, seria tão mais fácil gostar de qualquer outra pessoa que não fosse Tom. Aproximou-se do corpo de Andreas como por impulso e deitou a sua cabeça sobre o peito dele, aconchegando-se ao calor do seu corpo ao mesmo tempo que lhe perguntava:

- Importaste?
- Não… -
disse Andreas uma voz praticamente inaudível.

Sentiu a mão direita de Andreas pousar suavemente sobre os seus cabelos e acarinhá-los. Sentia-se sem dúvida protegida nos braços dele. Não precisava de mais nada, ali encontrava a tranquilidade e paz para repousar.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:47 am

 126 






Outubro chegava ao fim, mas o sol insistia em brilhar e procurar animar os dias de Bea. Estava sentada sobre a sua toalha de praia, a brincar com a areia. Fazia deslizar a mão por entre os grãos de areia e sentia a sua textura fina passar-lhe entre dos dedos fazendo-lhe cócegas. Tinha aceite o convite de Gonçalo e Íris de ir até à praia a seguir às aulas para descontrair um bocadinho. Lembrava-se de ter passado muitas tardes naquela mesma praia do Guincho a observar Gonçalo surfar, parecia um passado tão distante, quase como se fosse uma história que lhe tivessem contado, e não algo que tinha vivido e presenciado. Íris e Gonçalo estavam na água, enquanto Bea apanhava sol e pensava em Bill, em como seria bom tê-lo ali. Há duas semanas que estava em Portugal, e já sentia falta do frio alemão, do cheiro de Berlin e do seu sótão. Precisava de regressar, de estar com os seus amigos, de abraçar Bill e ver o seu corpo estrelado. Começou a fazer contas mentalmente…


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Ouviu o telemóvel tocar e saiu de ao pé dos outros para atender longe do barulho que se gerava no backstage, sentiu uma força revitalizada ao ver que era ela que lhe telefonava. Desligou a chamada e telefonou-lhe de seguida, para que ela não gastasse dinheiro.

- Estou… - disse Bea.
- Schatzi… - disse Bill com uma voz apaixonada.
- Tudo bem leão? – perguntou Bea com saudades de ouvir a sua voz.
- Muito melhor agora. E tu, como estás? – perguntou Bill.
- Estou bem… – disse Bea sorrindo ao sentir-se acolhida na voz de Bill – Estou neste momento na praia…
- Que inveja! –
disse Bill mordendo o lábio inferior.

- Lembraste de Cancun? – perguntou Bea com um sorriso na cara lembrando-se dos dias paradisíacos que tinha passado ao lado de Bill.
- Como é que me podia esquecer? – retorquiu Bill levantando uma sobrancelha exibindo um sorriso que se Bea conseguisse ver saberia interpretá-lo sem qualquer dúvida daquilo que ele significava – Temos de voltar lá…
- Adorava… -
disse Bea pensativa à medida que passava os seus dedos pela fina areia da praia – O que é que estavas a fazer?
- Estou no backstage, vamos ter o Meet & Greet daqui a um bocadinho –
disse Bill.

- Estás quase de regresso a casa… - disse Bea saudosa.
- Sim, a seguir ao concerto de hoje partimos para Berlin… – disse Bill suspirando – Hoje já vou dormir a casa…
- A sério? –
disse Bea entusiasmada, sabia o quão importante o regresso a casa era para Bill – Fico tão contente por ti… O que me leva ao motivo pelo qual te telefonei…
- Hmmm… O meu regresso a casa ou o ficares feliz por mim? –
perguntou Bill.
- As duas coisas! – disse Bea deitando-se para trás sobre a sua toalha de praia – O que me dizias de ter companhia daqui a três fins de semana?
- Estás a gozar? –
perguntou Bill entusiasticamente.
- Noup… - disse Bea rindo – Mas se não quiseres….
- Se não quiser??? –
disse Bill com uma felicidade tamanha dentro de si como há muito não sentia – Claro que quero… É a melhor noticia que me podiam ter dado, nem acredito!

- Então, daqui a duas semanas e meia estaremos juntos novamente… -
disse Bea mordendo o lábio inferior.
- Não vejo a hora… - disse Bill entusiasmado a sentir uma onda de energia tomar conta de si novamente – Eu vou buscar o Scotty e vou aproveitar para passar uns dias em Magdeburg com a minha mãe para matar saudades e descansar em paz, longe de tudo e todos, mas depois… regresso um pouco mais cedo…

- Se não te der jeito podemos marcar para outra altura… -
disse Bea com pena.
- Achas? Para estar contigo era capaz de ir num dia e voltar no outro… - disse Bill feliz – Estou com tantas saudades tuas schatzi
- E eu tuas… mas em breve…. –
disse Bea suspirando.
- Sim… I’ll be with you soon… - disse Bill sorrindo.
- … Just me and you…. We’ll be there soon… - continuou Bea sentindo-se ridícula por estar a cantar no meio da praia.
- …. So soon! – cantou Bill de forma sentida – Amute schatzi
- E eu a ti leão! –
disse Bea.
- Tenho que ir, o Tobi está a chamar para irmos para o Meet & Greet disse Bill.

- Tenho saudades do Tobi… - disse Bea a rir.
- Do Tobi? – retorquiu Bill a rir.
- Sim, estou com saudades de toda a gente, até do Tobi… – disse Bea a rir.
- Não te prometo que num fim-de-semana te deixe matar saudades do Tobi… - disse Bill a rir.
- Talvez eu não queira matar saudades do Tobi quando estiver contigo… - disse Bea.
- Espero que não… - disse Bill a rir – Tenho mesmo que ir. Obrigado por me telefonares e dares-me uma notícia tão boa, vou começar a contar os dias… Ahhhhh… o concerto hoje vai correr muito bem…
- Espero que sim! –
disse Bea feliz por sentir que Bill estava realmente feliz com a noticia – Boa Sorte leão! Fico a torcer por vocês! Amo-te…
- E eu amo-te muito schatzi
disse Bill – Beijosssssss!


sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny


Dreia estava no sítio do costume no backstage a ver o concerto. Bill estava com uma energia e uma vitalidade incrível, a noticia do regresso de Bea a terras alemãs tinha sem duvida sortido efeito, Dreia observava o seu amigo e o modo como interagia com o público com um sorriso na cara, aquele sim era Bill Kaulitz, o vocalista dos Tokio Hotel, a sua banda preferida. Aquela sim era a energia que contagiava e dominava qualquer palco no mundo inteiro. Viu-o despedir-se da audiência de Schwerin e dirigir-se para as escadas que davam acesso à saída do palco, onde Dreia estava.

- Muito bom…. – disse Dreia passando uma toalha para as mãos de Bill.
- Sinto-me como novo… - disse Bill passando a toalha sobre o pescoço.
- O amor faz dessas coisas… - disse Dreia piscando-lhe o olho.
- Se faz… - disse Bill com um sorriso rasgado.

Bill anunciou que ia para dentro e Dreia ficou a observar o modo enérgico como Bill corria pelos corredores a caminho do camarim, era incrível ver a diferença na atitude dele. O que um simples telefonema podia fazer na vida de alguém. Dreia suspirou. Gostava de poder sentir-se assim, mas cada vez mais sentia o seu amor a desaparecer, algo que nunca tinha pensado poder acontecer, estava dia e noite ao lado de Tom e sentia-se cada vez mais desiludida e afastada dele. Porque é que ele não podia ser mais como o irmão? Estava perdida nos seus pensamentos quando viu Georg passar por si.

- Parabéns Geo! – disse Dreia batendo-lhe palmas – Foi muito bom…
- Obrigado –
disse Georg sorrindo – Não sei como é que ainda não te fartaste de nós…
- Isso é missão impossível… -
disse Dreia sorrindo.

Georg sorriu e abraçou Dreia dando-lhe um beijo na bochecha e encaminhando-se para o camarim. Dreia sorriu. Nem acreditava que aquela experiência estava prestes a chegar ao fim. Naquela noite estaria de volta a casa, longe das luzes e dos palcos, longe de Tom e dos hotéis que faziam já parte integrante da sua vida. Ia sentir falta de tudo aquilo, não se imaginava a voltar às aulas, ainda por cima com a faculdade à porta. A faculdade assustava-a. Desde que partira de viagem que não se tinha sequer preocupado em saber se tinha ou não entrado na faculdade, embora acreditasse que não teria problemas, sempre tinha sido uma boa aluna e o curso para o qual se tinha inscrito não era o mais procurado. Agora restava saber se o seu futuro iria mesmo passar por estudar uma das suas línguas maternas: o inglês, ou se teria de se candidatar a outro destino. Estava novamente perdida nos seus pensamentos quando viu Tom sair do palco, vinha com um sorriso na cara de quem estava satisfeito com o concerto daquela noite.

- Gostaste? – perguntou Tom antes sequer que Dreia tivesse tempo de dizer algo.
- Adorei! – disse Dreia sorrindo.
- Viste o Bill??? – disse Tom entusiasmado e orgulhoso da performance do irmão – Ele estava imparável…
- Sim, o teu irmão hoje estava em grande… -
disse Dreia.
- Incrível… - disse Tom humedecendo os lábios.

- Nem acredito que está quase a chegar ao fim… - disse Dreia em tom de desabafo.
- Pois é… - disse Tom olhando para o ar triste de Dreia – Mas foi muito bom. A tour foi um sucesso e a companhia não podia ter sido melhor!

Dreia olhou timidamente para Tom. O olhar dele era guloso, como de costume. Tom ficava sempre assim no final dos concertos, Dreia já estava habituada às suas bocas e investidas, só não estava à espera que as mãos de Tom viessem na direcção da sua cintura, que a agarrassem com força e a arrastassem para um canto deserto.

- Tom… - disse Dreia confusa – O que é que estás a fazer?
- Estou à demasiado tempo à tua espera… -
disse Tom olhando com intensidade para os olhos de Dreia.
- Não é suposto… - começou Dreia por dizer.

Tom não deixou Dreia terminar a frase que proferia e procurou os lábios dela com os seus sem sucesso, Dreia desviara a cara com um ar altivo e pegava agora nas mãos de Tom que estavam pousadas na sua cintura para as afastar de si.

- Estás a violar todas as regras do jogo… – disse Dreia.
- Qual jogo? – perguntou Tom colocando uma mão por baixo da t-shirt de Dreia, sentindo a sua barriga com a mão.
- O jogo… – disse Dreia pegando na mão de Tom que estava sobre a sua barriga afastando-a de si.
- Se bem me lembro disseste que não tinhas vontade de continuar a jogar… - disse Tom aproximando os seus lábios do pescoço de Dreia, beijando-o com vontade.
- Mas isso não te dá o direito de me procurares… - disse Dreia pegando na cabeça de Tom e afastando-a de si.
- Ninguém te está a prender, se quiseres ir embora, podes ir… - disse Tom esperando uma reacção de Dreia mas vendo apenas os seus olhos desviarem-se para o chão de forma tímida e confusa – … Game Over!

Tom encostou Dreia contra uma parede e colocando as mãos sobre as ancas dela beijou-a com vigor, sentindo as mãos dela ganharem vida e procurarem o seu corpo. Colocou a mão direita debaixo da t-shirt de Dreia e acariciou as suas costas nuas à medida que se empenhava em desfrutar do beijo que ela lhe dava. Sabia que ela não lhe conseguiria resistir. Não queria que ela lhe resistisse, queria sentir o seu corpo com as mãos, e os lábios dela com os seus. Deslizou a mão que mantinha nas costas de Dreia para baixo enfiando-a dentro das suas calças, ouvindo a respiração de Dreia acelerar. Dreia sentiu os lábios de Tom ocuparem-se do seu pescoço e abanou a cabeça de forma negativa, quem é que ela tentava enganar quando julgava estar a afastar-se de Tom? Amava-o, sempre o tinha amado, o toque dele era como a vida que sentia dentro de si, era o fogo que ateava a energia que necessitava para ser feliz. Sentir-se desejada por ele noite após noite era um sonho, ser dele era um sonho, mas ficar sem ele ia ser um pesadelo. Tinha de aproveitar.

- Aqui não… - disse Dreia pegando na mão e na cabeça de Tom afastando-as de si. Queria poder estar com ele à vontade.
- Então aonde? – perguntou Tom ofegante.

Dreia pegou na mão de Tom e puxou-o para o interior de uma casa de banho comum. Fechou a porta e sentiu de imediato o corpo de Tom colar-se ao seu como se, se tratasse de uma lapa, ele estava sedento de a ter. Dreia sentiu as mãos de Tom puxarem-lhe a t-shirt para cima e os seus lábios beijarem-lhe o peito, enquanto as mãos acariciavam a sua barriga e costas de forma empenhada. Dreia pegou no boné de Tom e tirou-o da sua cabeça, queria ver as suas rastas a descoberto. Sentiu as mãos dele segurarem-lhe na cara com firmeza, e os seus olhos observarem morosamente os seus lábios carnudos, e para sua surpresa, em vez de os beijar, Tom deteve-se um pouco mais, olhando os seus olhos de gata de forma intensa, dizendo:

- Diz-me que sou melhor que o 2…

Dreia abriu ligeiramente os lábios em forma de espanto. Nunca, em tempo algum, poderia pensar ouvir aquelas palavras vindas da boca de Tom, principalmente depois do assunto Tom 2 estar morto e enterrado há meses. Olhou para os olhos de Tom tentando perceber o que ia na sua cabeça naquele momento, mas não percebeu, não percebia o porquê daquela pergunta naquele momento, não percebia o porquê da falta de segurança, se ele era o único pelo qual o seu coração batia.

- Diz… - repetiu Tom beijando de seguida de forma agressiva os lábios carnudos de Dreia, fazendo valer o seu potencial de amante.

Dreia abraçou o corpo de Tom, e deixou-se ficar assim por breves instantes, queria apenas sentir o seu corpo e acreditar que aquelas palavras lhe tinham saído da boca de forma involuntária, por o perturbarem e deixarem incomodado, não por magoar o seu orgulho e ego, mas por poderem significar que ela preferia Tom 2 a ele. Gostava e acreditar que Tom estava sensível ao seu amor.

- Diz Dreia… - sussurrou Tom ao seu ouvido de forma sensual.

Dreia afastou-se e olhou Tom nos olhos, tinha uma expressão compenetrada.

- Em que é que estás a pensar? – perguntou Dreia passando as mãos pela face de Tom – Porque é que me perguntas isso agora?
- Eu preciso saber… -
disse Tom.
- Porquê? – perguntou Dreia sem perceber.
- Eu quero ser melhor que ele… - disse Tom seriamente.
- Mas tu sabes que és mais que isso… – disse Dreia beijando levemente os lábios de Tom – Tu és aquilo que o 2 nunca podia ter sido…

- Quando estavas com ele, pensavas em mim? –
perguntou Tom roçando os seus lábios no pescoço de Dreia.
- Sim… - disse Dreia suspirando.
- Desejavas que fosse eu que estava contigo? – perguntou Tom roçando os seus lábios pelo queixo e linha do maxilar de Dreia de forma a provocá-la.
- Sim… - disse Dreia fechando os olhos para o sentir apenas.

- Gostavas dele como dizes gostar de mim? – perguntou Tom roçando os seus lábios na face de Dreia.
- Não… - disse Dreia procurando os lábios dele com os seus para o beijar.
- Então porque é que ele era melhor que eu? – perguntou Tom evitando os lábios de Dreia.
- … Ele nunca foi melhor que tu! – [/b]disse Dreia num tom baixo e contido – Ele nunca poderia ser melhor que tu, se tu és tudo aquilo que eu mais quero. Só tu me deixas assim…

Tom sorriu. Olhou para os lábios dela e colocando uma mão no seu pescoço assaltou os seus lábios beijando-os de forma segura e vitoriosa.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:48 am

 127 





A sensação de chegar a casa depois de quatro meses e meio é inacreditável, é como se se estivesse a entrar em casa pela primeira vez, embora reconheçamos cada recanto como nosso. É necessário proceder a uma nova habituação, a um novo reconhecimento do espaço. Bill e Tom arrastaram as malas para dentro de casa, e deixaram-nas ficar na entrada, não tinham vontade, nem paciência para estarem a desfazer as malas, só queriam poder dormir novamente uma noite descansada na respectiva cama.

Bill esticou-se sobre a sua cama e abraçou a sua almofada, estava cheio de saudades do seu cantinho, para ser perfeito só faltava ter Scotty do seu lado, só assim se sentiria realmente em casa. Lembrou-se do último dia em que ali tinha estado, tinha passado a noite com Bea antes de partir em viagem. O tempo parecia ter voado, já tinha sobrevoado metade do globo, vivido experiências e aventuras que maior parte das pessoas da sua idade não fazia sequer ideia que pudessem existir e que possivelmente nunca iriam experienciar, e no entanto, nada, nem local algum do mundo significava tanto como aquele quarto e aquela cama. Dentro de dois dias daria por finalizada a tour dos Tokio Hotel, e depois finalmente ia poder descansar à vontade, fechar-se em casa e não fazer nada por tempo indeterminado, e a melhor parte de poder ficar em casa seria um fim-de-semana em especifico no qual poderia contar com a presença da sua mais que tudo. Só de se imaginar novamente nos braços de Bea um sorriso aparecia nos seus lábios, e a cama que parecia ser macia, tornava-se um autêntico pedaço de céu no qual o seu corpo descansava de forma pacífica.


Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile


Já tinha chegado tarde a casa, mas os seus pais estavam acordados à espera de a ver chegar. Há três meses que tinha partido com destino a Coimbra, sem imaginar que o seu verão não seria passado na sua terra Natal. Recordava cada momento da viagem com uma melancolia e saudade no peito. Nunca tinha sido tão feliz. Viajar ao lado dos seus ídolos e amigos, poder assistir a todos os concertos deles, poder ver diferentes países e cidades praticamente todos os dias, aliado ao convívio, aos amigos novos que tinha feito, ao reatar com Tom… Tom… Não acreditava que tinha estado com Tom antes de regressar a casa, o homem dos seus sonhos, o seu coração ainda batia por ele como no dia em que o vira pela primeira vez, embora agora conseguisse controlar os tremores e o nervosismo, tinha obrigação de o fazer, já tinham passado por tanto. Sentia-se confusa com os seus sentimentos. Estava triste por se ver longe de Tom uma vez mais. Ia ser complicado continuar com a relação que tinha com ele. Tom era livre, e estava de volta a casa, podia fazer o que quisesse com quem quisesse e Dreia nunca saberia de nada. Voltar ao martírio de pensar a toda a hora se ele estava acompanhado iria consumir o seu espírito de forma corrosiva, não seria capaz de manter o mesmo tipo de relação com ele. Nem acreditava que Tom lhe escapava uma vez mais pelas mãos, e que uma vez mais não tinha conseguido conquistar o seu coração, mesmo depois de tudo aquilo que tinham vivido nos últimos meses. Lembrou-se das palavras de Tom quando este lhe tinha perguntado por Tom 2, tinha ficado sem perceber qual a verdadeira necessidade de Tom saber se era realmente melhor que Tom 2, ainda desejava que fosse um sinal de que algo nele estava mudado, de que se importava consigo e que gostava de a ver ao seu lado. De volta ao seu quarto, o Bill, Tom, Gustav e Georg que figuravam nos posters pendurados na sua parede, olhavam para si como há poucas horas atrás os verdadeiros o faziam. Sentiu os olhos ficarem repletos de lágrimas, um misto de felicidade e tristeza apoderava-se de si. Era verdadeiramente feliz, tinha vivido uma experiência única que milhões de raparigas no mundo inteiro dariam tudo para viver, mas ao mesmo tempo era triste, pois por mais que a amizade continuasse intacta e os laços que os uniam fossem mais fortes que nunca, estava afastada deles e da sua melhor amiga, tinha um futuro incerto e as paredes do seu quarto pareciam não ser suficientes para a ajudarem a superar a dor e falta que aquelas pessoas tão especiais iam fazer na sua vida.

Adormeceu exausta com o cansaço e com as lágrimas que escorriam no seu rosto. Acordou e levantou-se cedo para fazer companhia aos pais no seu primeiro pequeno-almoço de regresso a casa e contar algumas das aventuras que tinha vivido nas férias. Estava a um dia do fim da tour dos Tokio Hotel, a um dia de dizer um adeus definitivo àquela fase da sua vida. Ia sentir falta de tudo, até dos momentos em que desejara matar Tom de forma lenta e dolorosa.

- Vais ver da faculdade hoje? – perguntou o pai de Dreia levantando-se da mesa.
- Acho que sim… - disse Dreia sem grande vontade.
- Achas? Tens alguma coisa para fazer mais importante que ir ver se entraste na faculdade? – perguntou o seu pai.
- …Não! – disse Dreia.

- Devias ir lá filha… - disse a mãe de Dreia.
- Já está muita gente em aulas, às tantas estás a perder aulas e nem sabes… - disse o pai de Dreia dando-lhe um beijo na testa em forma de despedida – Estou a ver que te divertiste muito, e que a viagem foi muito boa, mas agora é tempo de regressares à realidade…
- Pois… -
disse Dreia triste por ter de regressar à realidade. Não se sentia com forças para o fazer.

Esperou que os pais saíssem de casa para o trabalho e tomou um banho sem grandes pressas, vestiu-se e dirigiu-se para o sótão. Ficou parada durante um bom tempo a olhar para a escadaria e a porta daquela que seria para sempre a casa da sua melhor amiga, um dos seus locais de refúgio. Viu a porta abrir e de lá de dentro sair um casal jovem de namorados, sorridentes e bem dispostos. Sentiu-se parva por estar ali especada a olhar e tentou disfarçar chamando o elevador. O casal deu-lhe os bons dias e Dreia retribuiu. Podiam ser muito simpáticos, mas não eram Bea. Tudo estava diferente. O seu regresso estava minado por uma estranheza. Não se sentia igual, tudo estava diferente aos seus olhos. Seria por se sentir realmente diferente e mudada após aquela viagem de sonho? Não sabia, mas não estava a gostar da sensação de regressar para o desconhecido. Pegou no telemóvel e telefonou a Andreas, precisava de ver alguém ou iria dar em louca. Combinou ir tomar um café a seguir ao almoço, assim teria tempo de ir à faculdade e ver se tinha entrado ou não. Tinha medo.

Humboldt University of Berlin. Tudo ali respirava Bea. A afluência de pessoas na faculdade era imensa, as aulas já deviam ter começado. Passeou-se um pouco pelo jardim da entrada da universidade, a ganhar tempo e coragem para enfrentar o seu futuro. Respirou fundo e foi até à secretaria onde estavam afixados os quadros com a lista de alunos que tinham entrado. Procurou por English e American Studies e viu que o seu nome figurava no início da lista. Sorriu de felicidade, tinha entrado, estava oficialmente na faculdade, e na mesma onde Bea tinha estado, cada recanto iria com certeza lembrar-lhe a amiga. Ali ia sentir-se acarinhada e protegida por ela, embora desejasse não ter de passar pela mesma descriminação de que Bea tinha sido alvo. As aulas tinham começado naquela semana, já tinha uma semana de aulas perdidas, mas não se importava. Saiu do histórico edifício da Humboldt e olhou para trás, agora aquele edifício ia fazer parte da sua vida. Telefonou imediatamente a Bea.

- Estou? – atendeu Bea.
- Beaaaaa! – gritou Dreia contente por ter ouvido a voz da amiga – Tudo bem?
- Tudo, e contigo querida? –
perguntou Bea feliz por ouvir a sua melhor amiga.
- Tudo… Sabes onde estou? – perguntou Dreia.
- Em Berlin… - disse Bea cheia de inveja.
- Mais especificamente… - disse Dreia
- Isso já é pedir muito… - disse Bea a rir.

- Humboldt University of Berlin… - disse Dreia com uma voz séria a imitar um anúncio de televisão.
- Estás na Humboldt? – perguntou Bea a estranhar – A fazer o quê?
- Advinha quem acabou de entrar em English and American Studies na Humboldt? –
disse Dreia sorrindo de felicidade.
- A sério?? – perguntou Bea feliz pela amiga – Ohhhhh não acredito que agora que vais para a Humboldt eu já não estou aí, agora é que valia mesmo a pena estar aí, íamos poder estar todos os dias juntas…
- Mais juntas ainda, queres tu dizer! –
disse Dreia a rir.

- Vida injusta…. – disse Bea triste.
- Não te preocupes, para o ano cá estarei à tua espera, e aconteça o que acontecer tu vais estar aqui comigo… - disse Dreia optimista.
- Espero que sim… - disse Bea suspirando.

- Hoje de manhã já me cruzei com os novos inquilinos do sótão… - disse Dreia – São um casal de namorados, parecem simpáticos, mas nada a ver contigo…
- Claro… -
disse Bea a rir com o ego em alta.
- Ainda vou tornar a vida deles num inferno, vou passar a vida a bater-lhes à porta… – disse Dreia a rir.
- Gostava de ver isso… - disse Bea a rir – Como é que está a ser o teu regresso a casa?
- Esquisito… parece que está tudo diferente, ou talvez seja eu que estou diferente… -
disse Dreia pensando em voz alta.
- Este Verão mudou muita coisa… - disse Bea suspirando.
- Mesmo… - concordou Dreia.

- Como é que ficaram as coisas com o Tom? – perguntou Bea.
- Não sei… ontem estivemos juntos, mas agora ele está finalmente livre de mim para fazer tudo o que quiser… - disse Dreia.
- Mas estás bem? – perguntou Bea sabendo como a amiga sofria por Tom.
- Sim… - disse Dreia – Não o posso obrigar a ficar comigo…
- Quem perde é ele… -
disse Bea para animar a amiga.
- Gostava de conseguir ver as coisas dessa maneira… - disse Dreia de forma triste.


Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile


Estava sentada com Andreas no Beach Bar onde antes costumava ir com Tom 2, o sol brilhava no céu de Berlin, e nada sabia melhor que poder estar numa esplanada a desfrutar de uma tarde tranquila em boa companhia. Contou a Andreas como tinha sido o seu regresso e decidiu abrir o seu coração com ele e contar-lhe o que se andava a passar consigo, com os seus sentimentos, e como tinha estado nos braços de Tom na noite passada e agora não sabia o que fazer.

- Tu ainda gostas muito dele, não é? – perguntou Andreas.
- Eu nunca deixei de gostar dele… - disse Dreia observando a corrente do rio.

- Não sei o que te diga… - disse Andreas olhando para a expressão triste do olhar de Dreia sentindo-se tocado por ela.
- Diz-me para o esquecer… É o que toda a gente diz! – disse Dreia desanimada.
- Não sei se é assim tão fácil esquecer alguém como o Tom… - disse Andreas que compreendia Dreia – E tu não me pareces o tipo de pessoa que se deixa levar apenas por uma cara bonita ou um piropo bem mandado. Quando gostas de alguém gostas mesmo, não é?

Dreia abanou a cabeça afirmativamente. Conhecia Andreas há pouco tempo, mas ele já a parecia conhecer tão bem, era incrível.

- Então luta por ele… - disse Andreas.
- É o que tenho andado a fazer, mas não sei se vale a pena. Tu conheces o Tom melhor que eu… achas que vale mesmo a pena andar atrás dele? – perguntou Dreia.
- De facto o Tom é diferente da maioria dos rapazes, a começar pelo estilo de vida que leva que lhe facilita em muito as conquistas de uma noite… - disse Andreas – Mas, eu acredito que ele não é tão insensível quanto quer dar a parecer, e que quando ele diz que gosta de ti, não pode estar a referir-se só a sexo. Fogo, olha para ti Dreia!!! Tu és uma rapariga linda, divertida, boa pessoa, interessante, inteligente… é preciso ser-se muito cego e estúpido para não sentir alguma coisa por ti, mesmo para alguém como o Tom…

Dreia sentiu-se a corar, não estava habituada a receber elogios assim tão directos e explícitos. Olhou para Andreas e a expressão do seu olhar era tão verdadeira que por momentos não duvidou das palavras dele e sentiu-se com a força necessária para conquistar Tom.

- Tudo isso era muito bonito se não estivéssemos a falar do Tom e da sua fobia de relacionamentos e compromissos que envolvam mais que uma noite… - disse Dreia regressando à realidade.
- Mas tu conseguiste mudá-lo nisso… - disse Andreas – Nunca vi o Tom tanto tempo ao lado de alguém, nem nos tempos de escola. Ele manteve-se fiel a ti durante parte da tour, acho que o esforço dele tem de querer dizer alguma coisa…
- Eu não quero que ele faça esforço nenhum por mim, quero que esteja ao meu lado por querer e por se sentir bem… -
disse Dreia.
- Esforço foi uma maneira de dizer… - disse Andreas – Devias falar com ele…
- Ele não sabe falar a sério… -
disse Dreia lamentando-se.
- Claro que sabe… - disse Andreas a rir – Não podes é vestir nada provocante senão o rapaz não se controla…

Dreia riu-se, numa situação normal não quereria que Tom se controlasse, mas quando se tratava do seu futuro não queria arriscar. Precisava de falar com ele, resolver de uma vez por todas as coisas, saber como ia ser a vida deles dali para a frente, se é que existia vida deles em conjunto para além da amizade. Qualquer que fosse o seu futuro estava decidida em aceitá-lo, nos braços de Tom, ou afastada deles de vez.

- Vês? Olha esse sorriso… é impossível resistir-te! – disse Andreas embevecido a olhar para Dreia.
- Tu não existes… - disse Dreia sentindo-se envergonhada.
- Não, tu é que não existes… - disse Andreas – Se o Tom abrir mão de ti vou propor ao Bill arranjar-lhe um psicólogo!
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:48 am

 128 





O concerto em Berlin tinha terminado. A banda e a crew estava reunida na Berghain para comemorar o final da tour. O ambiente estava ao rubro, estavam felizes por regressar a casa, e pelo sucesso a nível mundial que tinha sido a tour, em breve teriam a possibilidade de visitar o Japão e Austrália, e isso fazia com que as semanas de descanso a que teriam direito fossem ter um gosto diferente.

Bill empenhava o seu copo de champagne para brindar com os seus amigos, e percorrendo a sala de uma ponta à outra uniu o seu copo com o de todos aqueles que o tinha acompanhado nesta viagem, e que tinham ajudado a torná-la inesquecível. No final de um brinde individual com cada colaborador bebeu de um só trago todo o conteúdo do seu copo. Nathalie apareceu ao pé de si com a garrafa de champagne para voltar a encher o seu copo com um sorriso rasgado no rosto propôs um novo brinde, ao qual Bill não foi capaz de dizer que não.

- A muitas mais tours, a muito mais sucesso, à saúde, amizade e ao amor… - disse Nathalie mantendo o seu copo junto do de Bill e olhando-o directamente nos olhos.
- Ámen! – disse Bill sorrindo e bebendo de um só trago o conteúdo do seu copo, que foi imediatamente refeito por Nathalie.

- Esta noite é nossa… - disse Nathalie pousando a garrafa de champagne numa mesa e abraçando o corpo de Bill.
- Sem dúvida… - disse Bill abraçando Nathalie.

Nathalie pegou numa mão de Bill e arrastou-o até um dos sofás da sala privada do 5º piso da Berghain e juntos sentaram-se a conversar sobre aquilo que tinham vivido nos últimos meses. Bill estava realmente divertido, sentia-se leve. A sensação de terminar mais uma etapa da sua vida e olhar para o futuro com uma vontade imensa de o viver faziam com que os motivos de comemoração não terminassem. Para ser perfeito, só se Bea estivesse ali com ele, mas já faltava pouco, dentro de duas semanas ela estaria novamente nos seus braços, e só esse pensamento dava ainda mais razões para comemorar o que vinha por aí. Mantinha-se entretido a falar com Nathalie, à medida que o seu copo ia sendo enchido, sem se dar conta ao certo da frequência com que tal acontecia, mas também não se importava, estava feliz e entre amigos, queria celebrar e tinha todos os motivos do mundo para o fazer. Não tinha nenhum concerto, nem entrevistas para dar no dia a seguir, podia beber até cair para o lado se bem lhe apetecesse.

- Quando é que vais para Magdeburg? – perguntou Nathalie curiosa.
- Amanhã… - disse Bill bebendo um gole.
- Então tens de aproveitar esta noite… - disse Nathalie colocando uma mão sobre a perna de Bill – Não podes ir para casa, tens de festejar em grande…
- Faço tenções disso… -
disse Bill sorrindo.
- Vamos beber até cair para o lado e ser livres… - disse Nathalie piscando o olho a Bill.
- Somos livres… - repetiu Bill.
- Livres de fazer o que quisermos, com quem quisermos… - disse Nathalie aproximando-se do corpo de Bill, eliminando a distância que havia entre eles.
- Livres… - repetiu Bill bebendo o resto do conteúdo do seu copo.

- Se pudesses fazer qualquer coisa neste momento, o que é que fazias? – perguntou Nathalie.
- Abraçava-a… - disse Bill referindo-se a Bea.
- Ohhh, isso é tão querido… - disse Nathalie abraçando o corpo de Bill contra o seu, sentindo os braços dele procurarem o seu corpo também.

Nathalie manteve-se abraçada a Bill durante um longo período de tempo. Bill estava definitivamente bêbado, a sua tarefa seria significativamente mais fácil do que aquilo que estava à espera. Juntou os seus lábios ao pescoço de Bill e beijou-os de forma sensual e empenhada, sentindo Bill arrepiar-se ligeiramente. Sorriu ao sentir a mão direita de Bill procurar o seu cabelo e acariciar-lhe a nuca, talvez o facto de ser loira como Bea ajudasse mais do que tinha pensado. Afastou-se do corpo dele e olhou-o nos olhos, estavam brilhantes e ligeiramente avermelhados. Passou uma mão sobre a face de Bill e sorriu-lhe dizendo:

- Estás mesmo bêbado…
- Tu também! –
disse Bill sorrindo.
- Não tanto quanto tu… - disse Nathalie passando uma mão sobre o peito de Bill – E se fossemos dar uma volta para apanhares ar?
- Eu estou a gostar da festa… -
disse Bill.

- Mas podíamos continuar a festa noutro sitio… - disse Nathalie sorrindo.
- Não… eu gosto de estar aqui… - disse Bill sorrindo em retorno.
- Ok… então ficamos aqui… - disse Nathalie chateada por não o ter conseguido demover da Berghain – Então deixa-me ir-te buscar alguma coisa mais forte, champagne é bebida para meninas…
- Agora sim estamos a falar… um Redbull vinha mesmo a calhar… -
disse Bill.

- Hmmm… precisas de asas, leão? – perguntou Nathalie provocando Bill.
- Sim… - disse Bill a rir-se lembrando-se de como a palavra leão quando proferida por Bea soava a algo tentadoramente sexy, e como se tivesse um par de asas naquele momento voava para junto dela.
- Duvido… - disse Nathalie passando uma mão sobre a face de Bill e deslizando-a sobre o seu peito – Com a energia que tu tens no corpo, as asas não te devem fazer falta… Mas hoje é uma noite especial e toda a energia extra que tiveres é bem-vinda. Não te vás embora sem mim, volto já! – disse Nathalie sussurrando ao ouvido de Bill estas últimas palavras.

Bill manteve-se sentado, estático sem se mover. A garrafa de champagne que tinha à sua frente sobre a mesa, estava vazia e a noite ainda era uma criança. Pensava em Bea e em como não precisaria de ingerir tanto álcool se a tivesse do seu lado. Apetecia-lhe dançar com ela presa nos seus braços. Nunca lhe apetecia dançar, não gostava de dançar em discotecas, mas naquela noite, naquela noite só precisava da oportunidade de a ter ali do seu lado para o fazer. Dançaria colado a ela como tinha feito em Cancun, cantar-lhe-ia ao ouvido e não a largaria nunca mais. Viu Nathalie sentar-se novamente ao seu lado com um copo e um RedBull na mão.

- Trouxe também um bocadinho de vodka. Não quero que te falte nada… - disse Nathalie piscando-lhe o olho.
- Ahhh… pensas sempre em tudo… - disse Bill contente.
- Em tudo querido… - disse Nathalie dando-lhe um beijo na bochecha – E se esta noite não te preocupasses com nada? Deixa-me ser eu a tratar de tudo para ti. Que me dizes?
- Parece-me muito bem… -
disse Bill sorrindo.

- A começar pelo teu coração… - disse Nathalie colocando a mão sobre o peito de Bill – Eu sei que deves estar com saudades dela…
- Sim… -
disse Bill colocando a mão sobre a mão de Nathalie que estava no seu peito – Tenho muitas saudades…

- Deixa-me sarar o teu coração… -
disse Nathalie com um ar maternal – Eu não quero ver-te sofrer…
- Eu não quero sofrer… -
disse Bill com um ar triste de quem se deixava abater pela dor de estar sozinho sem Bea.
- Então deixa-me afastar a dor… - disse Nathalie encostando a cabeça ao peito de Bill.
- Sim… - disse Bill bebendo um trago do seu vodka Redbull fechando os olhos de seguida.

- Não sabe bem? – perguntou Nathalie abraçando o corpo de Bill.
- Sabe… - disse Bill ainda de olhos fechados.

- Gosto muito de ti leão… - disse Nathalie olhando Bill nos olhos.
- E eu de ti schatzi… - disse Bill sorrindo.
- Eu sei… - disse Nathalie aproveitando o facto de Bill estar a pensar em Bea.

Nathalie aproximou os lábios da cara de Bill e vendo que ele não se movia depositou-lhe um beijo longo e demorado no canto da boca. Ao aperceber-se que Bill se mantinha imóvel e não contestava desviou a trajectória dos seus lábios ligeiramente e exercendo pressão sobre os lábios cerrados dele, entreabriu-os de forma a entrelaçar os seus lábios e sentir o gosto dos dele. Afastou-se de Bill e reparou que a expressão do olhar de Bill estava mudada, não parecia ser mais o rapaz bêbado e vulnerável que tinha à sua frente anteriormente, embora os seus olhos continuassem avermelhados e o brilho neles não deixasse margem para duvidas do efeito que o álcool estava a ter sobre si.

- Porque é que fizeste isto? – perguntou Bill franzindo a testa e colocando a mão direita sobre os lábios.
- Eu nunca te vou abandonar, vou estar sempre ao teu lado… - disse Nathalie passando uma mão sobre o cabelo de Bill.
- Tu beijaste-me… - disse Bill incrédulo mas com o pensamento lento e retardado pelo efeito do álcool que corria no seu sangue.
- Sim… - disse Nathalie sorrindo – Não tem nada de mal, nós somos amigos, os amigos beijam-se…

- Não se beijam assim… -
disse Bill afastando-se ligeiramente dela.
- Nós já nos conhecemos há tanto tempo, não tem mal nenhum… – disse Nathalie – Eu gosto muito de ti, e tu gostas de mim, era normal que mais dia, menos dia acontecesse…
- Mas eu não gosto de ti assim… -
disse Bill passando as mãos pelos olhos a ver se acordava de alguma forma para aquilo que se estava a passar.
- Ela não precisa de saber de nada… - disse Nathalie aproximando-se do corpo de Bill novamente – Fica entre nós… Esta noite é nossa, o que quer que aconteça não se precisa de saber. Vamos ser livres e viver… Fazer o que nos dita o coração.

- O meu coração já tem dona, e eu seria incapaz de fazer o que quer que fosse para o contrariar… -
disse Bill colocando uma mão sobre o peito de Nathalie para evitar que ela se chegasse mais a si.
- Mas ela está longe… - disse Nathalie – E o teu corpo precisa de matar saudades e sarar, eu posso ajudar-te a esquecê-la… ninguém precisa de saber…

- Não… -
disse Bill de forma agressiva.
- Não tenhas medo, eu nunca te vou trocar, vou estar sempre aqui do teu lado. Quando ela desaparecer eu vou estar aqui para te ajudar a superar dor e a ausência… - disse Nathalie de forma lânguida.
- Ela está sempre comigo, mesmo que não seja fisicamente… - disse Bill.
- Mas tu precisas de mais… - disse Nathalie pousando a sua mão sobre a perna de Bill.

- Nathalie! – disse Bill de forma agressiva afastando-se dela – Tu és minha amiga…
- Podemos ser amigos e amantes, uma coisa não invalida a outra… -
disse Nathalie sorrindo.
- Tu trabalhas connosco… - disse Bill espantado.
- Já viste como ia ser divertido… - disse Nathalie piscando-lhe o olho.

- Pára! – disse Bill levantando-se – Eu não gosto de ti… Não queiras estragar a nossa amizade. Vamos esquecer que isto aconteceu!
- E tu queres esquecer? –
perguntou Nathalie levantando-se e colando-se ao corpo de Bill.
- Quero! – disse Bill muito sério.

- Tu é que sabes… - disse Nathalie – Mas se mudares de ideias, eu faço tudo por ti…
- Então deixa-me em paz, não me estragues ainda mais a noite! –
disse Bill afastando-se de Nathalie.

- Parece que ela sempre tinha razão… - disse Nathalie em forma de desabafo mas num tom alto para que Bill ouvisse e ficasse intrigado.

- Tinha razão em quê? – perguntou Bill virando-se de frente para Nathalie.
- Quando apostámos que tu nunca conseguirias ser-lhe fiel… - disse Nathalie sorrindo de forma maliciosa.

- O quê? – perguntou Bill aproximando-se de Nathalie – Conta lá isso melhor…
- A tua namoradinha não confia assim tanto em ti… -
disse Nathalie – Eu disse-lhe que tu serias incapaz de a trair, mas ela parecia estar convencida que o facto de seres famoso e de partilhares o mesmo sangue do Tom tinha alguma influencia, e que mais dia, menos dia ia acabar por acontecer… Por isso é que ela fugiu a sete pés de Berlin, preferiu afastar-se de ti a sofrer…

- Ela não disse nada disso… -
disse Bill chocado e enraivecido.
- Também nunca pensei que ela o dissesse, se não tivesse ouvido da boca dela não acreditava… - disse Nathalie fingindo-se chocada – Mas pelos vistos ela é que tinha razão…

- Mas eu não a traí! –
disse Bill enraivecido.
- Tu estás bêbado… - disse Nathalie sorrindo – Pode ter acontecido qualquer coisa... e tu podes simplesmente não te lembrar…

Bill virou costas a Nathalie, e procurou Tom. Precisava dele. Passou o olhar sobre todo o 5º piso da Berghain que estava inteiramente ocupada pela banda e a crew e não o encontrou, optou por se refugiar perto de Andreas.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:49 am

 129 






Sabia que tinha de falar com ele. Esclarecer de uma vez por todas aquilo que se passava e seguir em frente com a sua vida. Tinha dedicado tempo demais aquele amor e aquela relação para ver os seus esforços serem novamente deitados por terra. Começava a ficar farta de se dar e não receber nada em troca. Por mais que Tom gostasse de estar consigo, tinha chegado a altura em que já não aguentava estar com ele só por prazer, queria uma relação normal, como qualquer pessoa tinha direito a ter, queria poder dar-lhe a mão, assistir a um filme com ele, passear, falar sobre assuntos banais, poder simplesmente estar do seu lado. Sabia que Tom era uma pessoa muito física, mas acreditava que como qualquer outra pessoa ele conseguiria ter momentos de pura normalidade, como tinha com qualquer um dos seus amigos. Gostava de poder sentir-se mais sua amiga do que aquilo que era, mas infelizmente só se conseguia ver do lado dele como um corpo e não a pessoa que era e que devia ser valorizada por tal.

Aproveitou o facto de Tom estar a falar com Andreas para se aproximar. Tom ria divertido com aquilo que Andreas lhe contava, Dreia esboçou um sorriso nervoso e aproveitando uma pausa na conversa pediu licença a Andreas para roubar Tom. Andreas percebeu de imediato o teor da conversa, já conhecia Dreia suficientemente bem para perceber que o nervosismo dela não era despropositado. Tom piscou o olho ao amigo e seguiu Dreia até um dos sofás da grande pista do 5º piso da Berghain. Detectou nela um nervosismo fora do normal. Evitava olhá-lo nos olhos com frequência e parecia concentrar-se demasiado nas suas próprias mãos, sem saber exactamente o que fazer com elas.

- Agora que estamos os dois sozinhos, vais-me dizer o que se passa? – perguntou Tom.
- Não se passa nada, mas gostava de falar contigo… - disse Dreia esfregando uma mão na outra de forma nervosa.
- Sou todo de ouvidos… - disse Tom sorrindo de forma sedutora na esperança de ajudar a descontrair Dreia.

Dreia deteve-se por uns segundos, não sabia exactamente onde aquela conversa a levaria, mas estava com medo do resultado, não queria encurralar Tom, mas também não o queria perder. A ideia de ficar sem ele era insuportável. Resolveu abrir o coração de forma sincera e esperar que a verdade fosse uma vez mais recompensada.

- Tinhas razão. Quando estávamos em Frankfurt eu queria estar contigo, queria ser eu no teu quarto naquela noite, e acho que no fundo não estava à espera que tu fosses à procura de outra pessoa… - disse Dreia evitando olhar para Tom nos olhos.

- Porque é que me estás a dizer isso agora? – perguntou Tom franzindo a testa sem perceber de onde aquela conversa vinha – Já falamos sobre isso. Para mim as coisas ficaram esclarecidas…
- Quão esclarecidas? –
perguntou Dreia olhando-o nos olhos.
- Tu disseste para eu ir para a cama com outra só da boca para fora, no fundo, querias que eu não tivesse ido… - disse Tom resumindo.

- Sim… Mas percebeste porquê? - perguntou Dreia.
- Porque como mulher que és, não foste capaz de me dizer sem rodeios aquilo em que estavas a pensar e esperaste que eu decifrasse por indirectas… - disse Tom – Mas pelos vistos eu sai-me mal…
- Pois, acho que podes pôr as coisas dessa forma… -
disse Dreia sentindo-se triste por não poder recuar no tempo e mudar aquilo que estava feito – Posso perguntar-te uma coisa?
- Claro… -
disse Tom com uma simplicidade que lhe era característica.

- Arrependeste de ter ido para a cama com a outra? – perguntou Dreia a medo.
- Não – disse Tom sem hesitar – Eu fiz o que queria fazer!

- E se eu te tivesse pedido para não dormires com ela? –
perguntou timidamente Dreia.
- Não sei… - disse Tom – Ias para a cama comigo nessa noite?
- Não sei… -
disse Dreia – Provavelmente naquele dia, não…
- Então provavelmente ficava tudo na mesma! –
disse Tom sendo sincero – Eu ando cansado Dreia, e naquele dia apetecia-me estar com alguém, coisa que já não me acontecia há muito tempo, e queria estar contigo, e mesmo sabendo que tu querias, porque era claro pela maneira como me estavas a olhar, tu disseste que não... Parti do princípio que se nós não temos nada um com o outro e tu não tinhas problemas que eu fosse para a cama com outras, não havia razões para conter os meus desejos…

- Eu sei… -
disse Dreia sentindo-se triste – Mas não levei a ameaça a sério, ou por o menos não tão a sério quanto devia ter levado. Já tinhas esperado tanto tempo…
- Se eu soubesse que te teria naquela noite não tinha ido à procura de mais ninguém… –
disse Tom cortando a palavra a Dreia e olhando-a com intensidade nos olhos prosseguiu – Por incrível que pareça, tu tens tudo aquilo que eu necessito. Seria incapaz de te trocar por outra…

Dreia olhou timidamente para Tom para ver nele uma expressão intensa no seu olhar, uma expressão que até então desconhecia, mas também as palavras que ele proferia eram novas, nunca o tinha ouvido falar de coração, mas talvez fosse somente impressão sua, conhecendo Tom como conhecia, provavelmente estava a referir-se única e exclusivamente a sexo.

- Era contigo que eu queria estar… - disse ele.
- Então porque é que… - começou Dreia por perguntar. Queria perceber o porquê.
- Porque sim... Porque me apetecia! – disse Tom cortando-lhe novamente a palavra – Não tentes arranjar explicações mais complexas que esta. Foi única e simplesmente porque queria.

- …. E pensaste em mim? –
perguntou Dreia sentindo-se corar.
- Vou-te dizer uma coisa… - disse Tom aproximando-se de Dreia e sussurrando ao seu ouvido – Tu atingiste… um patamar (chamemos-lhe assim), em que toda a gente é comparada contigo…

- Porquê? –
perguntou Dreia sentindo a respiração dele sobre si arrepiá-la.
- Porque és perfeita… - disse Tom afastando-se dela e olhando os seus olhos de gata esverdeados.

Dreia ficou imóvel. O que é que ele queria dizer com perfeita? Só podia ser na cama, nunca tinha tido nada com ele que não fosse relacionado com cama, para poder ser noutro sentido. Sentiu pena de ser tão injustamente reduzida a tal, embora no fundo fosse bom saber que Tom lhe tinha em tão grande consideração, principalmente pela vasta experiência que sabia ele ter.

- Então pensaste em mim… - disse Dreia concluindo.
- Era inevitável… - disse Tom olhando fixamente os lábios carnudos dela.
- Porque eu sou… perfeita na cama…. – disse Dreia timidamente.
- Para mim és… - disse Tom.

- Então é isso que eu sou para ti? A queca perfeita? – perguntou Dreia.
- Não… - disse Tom sorrindo – És o que se chama de uma amiga colorida perfeita…

Dreia sorriu em retorno, ao menos já tinha subido de patente, ser considerada amiga para Tom era sem duvida um grande passo. Demorou-se a olhar para o modo como ele humedecia os lábios e bebia um gole da bebida que trazia nas mãos. Ainda não tinha conseguido abrir o seu coração, mas agora que sabia que ele a via por um prisma diferente, seria capaz de se afastar dele se fosse necessário? Também para si Tom era perfeito, não por ser o único rapaz com o qual tinha dormido, não por ter perdido a virgindade com ele, mas por se sentir ligada a ele como nunca antes se tinha sentido com ninguém, por sentir um amor puro no seu interior, por desejá-lo mesmo sabendo que as suas fraquezas a faziam sofrer mais do que as fraquezas de qualquer outra pessoa.

- Eu gosto de me imaginar como tua amiga… - disse Dreia.
- Mas tu és minha amiga… - disse Tom passando uma mão sobre o braço de Dreia à medida que sorria.
- Mas sabes que sou uma amiga diferente… - disse Dreia timidamente.
- Sim – disse Tom sorrindo de forma marota – És uma amiga deveras mais interessante…
- Não me estou a referir a isso… -
disse Dreia – … Sou uma amiga que gosta mesmo muito de ti… mais do que devia….

Tom percebeu aquilo que Dreia queria dizer. Sabia do amor que ela sentia por si, sabia que era esse amor que perdoava tudo aquilo que ele fazia, sabia que era por ele que ela ainda estava do seu lado, e que era dele que o seu coração vivia, sofria e sorria. Sabia-o através do seu olhar, pela maneira como ela falava consigo, pelo seu nervosismo, pela maneira como lhe tocava, como o beijava, e o queria agradar, mas principalmente pela maneira como o seu corpo e personalidade se transformavam quando estavam juntos, como assumia controlo com uma segurança e determinação que o surpreendia e prendia a ela de forma vinculativa.

- Eu sei… - disse Tom fixando-se no olhar de Dreia.
- Que te ama… - disse Dreia timidamente.
- Eu sei… - disse Tom desviando o olhar dela – … Não sei como…
- Nem eu… -
disse Dreia – Não faço ideia… Se soubesses a quantidade de vezes que já me perguntei o mesmo. Se eu soubesse o que tu tens de tão especial que me deixa assim, talvez pudesse contrariá-lo, talvez pudesse lutar contra isso e apaixonar-me por outra pessoa. Alguém que gostasse de mim…
- Acredites ou não, eu gosto muito de ti… -
disse Tom sentindo pena dela.
- Mas não o suficiente para me quereres por perto por mais que uma noite… - disse Dreia – … Se soubesses quantas vezes eu desejei ter-me apaixonado por outra pessoa…

- Desculpa… -
disse Tom sinceramente.
- Tu não tens culpa de nada… - disse Dreia sentida com aquele pedido de desculpa de Tom que parecia ser sincero – Eu não sei o porquê de gostar de ti, mas sei que gosto, e muito… e que por mais que me tente afastar há sempre qualquer coisa que me impede de o fazer… Porque és tu!

- Não sei o que te dizer… -
disse Tom atrapalhado.
- Eu nem sequer devia estar a falar sobre isto contigo…. – disse Dreia em forma de desabafo.
- Podes falar… - disse Tom – Eu não me importo… Só tenho pena de ver que te faço tanto mal…
- Mal? –
retorquiu Dreia – Tom… tu és a pessoa que mais felicidade já me deu. O mau é não me conseguir imaginar ao pé de mais ninguém, e pensar que por mais voltas que dê nunca me vou sentir assim com ninguém sem seres tu…

- Eu não quero que tenhas mais ninguém… -
disse Tom falando do coração e olhando para Dreia com um pesar na expressão do olhar.

- O que é que disseste? – perguntou Dreia pensando que tinha ouvido mal.
- Eu não quero que tenhas mais ninguém… - repetiu Tom.

- Porquê? – perguntou Dreia com dificuldade. Sentia o seu coração a bater a um ritmo tão acelerado quanto sabia ele ser capaz de bater.
- … Porque és minha - disse Tom olhando Dreia nos olhos.

- … Mas eu não serei tua para sempre… – disse Dreia sentindo-se fragilizada pelas palavras de Tom.
- És minha agora, e é isso que interessa… - disse Tom.
- Eu não sou um objecto Tom… - disse Dreia enfrentando os olhos dele.
- Eu não te quero como um objecto… - disse Tom.

- Não estou a perceber… - disse Dreia confusa.

- Este sitio traz-me más recordações… - disse Tom olhando à sua volta e lembrando-se da última vez que ali tinha estado, de ter saído nos braços dos amigos – Podemos continuar esta conversa noutro sitio?
- Sim… -
disse Dreia lembrando-se daquela mesma noite, e revivendo a preocupação e a tristeza que tinha sentido abaterem-se sobre si naquele dia.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 22, 2009 7:49 am

 130 






Andou pela cidade o suficiente para encontrar uma zona perto do rio onde não havia movimentação de pessoas nem carros. A noite já ia longa, e a cidade parecia estar deserta, exceptuando as zonas com maior concentração de vida nocturna. Tom estacionou o carro, soltou-se do cinto de segurança e virou-se de lado de modo a ficar de frente para Dreia. A viagem tinha sido tranquila e relativamente curta, nenhum dos dois tinha falado mais que o estritamente necessário, Dreia ainda pensava nas últimas palavras de Tom. Tirou o cinto de segurança e seguiu o exemplo de Tom sentando-se de lado para ficar frente a frente com ele. Sentia-se nervosa, o coração parecia apertar no seu peito mas ao mesmo tempo bater a uma velocidade incrível.

- Porque é que disseste que não querias que eu tivesse mais ninguém? - perguntou Dreia nervosa com o rumo que a conversa levava.

- Eu disse-te que gosto de ti… - disse Tom – À minha maneira, mas gosto! Não quero que tenhas mais ninguém, porque sei que no dia em que tiveres, vais deixar de estar comigo, e eu não quero que isso aconteça…. Tu és minha!

Era a segunda vez naquela noite que Tom lhe dizia aquelas palavras. Era a segunda vez naquela noite que as sentia ecoarem dentro de si e ganhar uma esperança de que elas significassem mais do que aquilo que possivelmente significavam. Olhava para os olhos dele, era capaz de se perder neles, na intensidade que eles tinham naquele momento, mas ao mesmo tempo na seriedade, e no frenesi que via neles. Tom era uma incógnita, quando julgava estar a afastar-se dele sentia-se mais presa que nunca. Quando não o julgava capaz de proferir palavras doces que enchessem o seu coração, ele provava-lhe que estava enganada. Como gostava de estar enganada, se tal significasse ouvir Tom dizer-lhe aquelas coisas para sempre.

- E se eu te dissesse que existe mais alguém… - disse Dreia para o provocar. Gostava de se fazer sentir amada e desejada aos olhos de Tom, queria que ele sentisse que não era o único que podia ter acesso a si.
- Quem? – perguntou Tom curioso.
- Isso interessa? – perguntou Dreia.
- Gosto sempre de saber quem é a minha concorrência… - disse Tom sorrindo.
- Não precisas de saber quem ele é… - disse Dreia sem resposta para lhe dar.

- Por acaso não seria alguém que apareceu em Frankfurt? – perguntou Tom desconfiado, ao lembrar-se das palavras de Bea antes de partir para Lisboa, quando o tinham avisado de que estava na altura de ele intervir porque a noite anterior tinha mudado muita coisa na vida de Dreia.

Dreia ficou estupefacta com a pergunta de Tom, porque é que ele tinha associado imediatamente a Frankfurt? Pensou nos dias em que tinha estado em Frankfurt e lembrou-se do beijo de Andreas. Teria transparecido assim tanto que algo se tinha passado? Nunca tinha voltado a falar do assunto com Andreas mas duvidava que ele tivesse contado alguma coisa a Tom, caso contrário já saberia. Optou por jogar com as desconfianças de Tom.

- Talvez… - disse Dreia misteriosamente.
- Então esse alguém ia ter de passar por cima de mim, porque ainda agora te redescobri, não estou preparado para abrir mão de ti tão cedo… - disse Tom humedecendo os lábios.
- E se eu quisesse ficar com ele? – perguntou Dreia.
- A escolha era tua… mas eu não a ia facilitar… - disse Tom sorrindo – Mas o que é que aconteceu entre vocês?
- Porque é que queres saber? –
perguntou Dreia sorrindo com a curiosidade de Tom. Estaria ele com ciúmes?
- Gosto de saber aquilo de que a minha concorrência é capaz… - disse Tom.
- Gostas de saber muita coisa… - disse Dreia – Coisas a mais!
- Já percebi que não me vais dizer nada… -
disse Tom olhando na direcção do rio.
- Nem mais… - disse Dreia sorrindo.

- Achas mesmo que eu sou interesseiro e manipulador? – perguntou Tom após um silêncio se ter instaurado no carro.
- De certa forma… - disse Dreia – Tu fazes de tudo para ter aquilo que queres… mas às vezes faze-lo sem pensar em como vais magoar e afectar os outros…
- Mas interesseiro e manipulador são palavras fortes… -
disse Tom.
- São… - disse Dreia – Talvez egoísta seja mais adequado… Não leves muito a sério aquilo que te disse quando te chamei interesseiro e manipulador, eu não estava propriamente de bem contigo, e talvez tenha exagerado e dito as coisas de uma maneira que não devia ter dito, com as palavras erradas…

- Sinto-me mais descansado… -
disse Tom olhando para ela com um sorriso tímido na cara – …Tenho saudades do teu jogo!
- Já? –
perguntou Dreia a rir – Estivemos juntos à dois dias…
- É difícil não sentir falta daquilo que me dás… -
disse Tom pousando uma mão sobre uma perna de Dreia.
- Mas tu acabaste o jogo… - disse Dreia tentando ignorar a mão de Tom.
- Tu é que acabaste o jogo… - disse Tom a rir.
- Eu só disse que não tinha vontade de jogar, tu é que o acabaste… - disse Dreia sorrindo.
- Então fiz mal… - disse Tom passando a língua sobre o piercing.

- E se eu te disser que também sinto saudades do jogo? – perguntou Dreia timidamente.
- Eu diria que é normal… - disse Tom sorrindo e acariciando a perna de Dreia com a mão.
- E se te dissesse que mesmo assim, não quero voltar a jogar o mesmo jogo? – disse Dreia abordando o tema que a levara a iniciar a conversa com Tom – … Que gostava de experimentar um jogo novo…
- Conta… -
disse Tom levantando uma sobrancelha interessado.

Dreia pegou na mão de Tom que estava pousada na sua perna, e sem tirar os olhos dela fez os seus dedos passarem gentilmente pela mão dele, acariciando-a de forma gentil e cuidada. Desviou o olhar para os olhos de Tom e ele observava-a atento e curioso por saber onde aquele gesto ternurento a ia levar. Dreia entrelaçou os seus dedos nos da mão de Tom, queria experimentar a sensação de lhe dar a mão, ver qual seria a sua reacção. Lembrava-se de Tom 2 fazer o mesmo com ela e de ter pensado que Tom Kaulitz seria incapaz de se manter de mão dada a ela por ser um gesto de carinho que o aterrorizaria com a intimidade e proximidade, mas para sua surpresa, Tom deixou a sua mão ficar contida na dela. Dreia sorriu, adorava estar enganada em relação a Tom, e naquele dia parecia estar enganada em relação a tantas coisas que mesmo que o seu coração não quisesse ter esperança, era impossível.

- Como é que é esse jogo novo? – perguntou Tom olhando e sentindo o polegar de Dreia começar a fazer festinhas na sua mão.
- Assim… - disse Dreia olhando para as mãos dos dois unidas – Um jogo feito de pequenos gestos. Só requer atenção e carinho… a regra é fazer aquilo que se quer realmente fazer, sem medo…

- O que me estás a pedir é um jogo demasiado difícil… eu não gosto desse tipo de jogos… -
disse Tom percebendo que ela pedia intimidade.
- Estás com medo de quê Tom? – perguntou Dreia largando a mão dele.
- Eu não tenho medo de nada… - disse Tom franzindo a testa e sorrindo de forma nervosa.

- É só um jogo… - disse Dreia olhando-o nos olhos e sentindo-se hipnotizar por eles.
- É? – perguntou Tom com um olhar inquisidor.
- É… - confirmou Dreia.
- E supõe que estávamos a jogar… - disse Tom – O que é que podia acontecer?
- Se estivéssemos a jogar, eu ia ser verdadeira com aquilo que me apetece fazer neste momento… -
disse Dreia.
- Que era? – perguntou Tom curioso.

Dreia sorriu, sentia-se corar, como se tocar em Tom fosse algo novo para si. Talvez o facto de ter Tom à sua frente, disposto a conhecer as novas regras do jogo a estivesse a deixar assim, ou talvez fosse o medo de que as regras não fossem apelativas o suficiente para o aliciar ao jogo, mesmo depois de tudo aquilo que ele já lhe tinha dito naquele dia. Olhou para os lábios de Tom e viu o brilho daquele piercing que a deixava arrebatada. O que lhe apetecia fazer naquele exacto momento era beijá-lo, sentir os lábios dele sobre os seus e a sua cara perfeita contida nas suas mãos. Por impulso, levou ambas as mãos à face de Tom e acariciou-a com os polegares, sentindo os olhos dele de alguma forma assustados sobre os seus. Aproximou-se devagarinho do seu corpo, não queria que ele se assustasse, não queria que a visse como uma ameaça, queria apenas senti-lo. Tocou levemente com os seus lábios nos dele, o suficiente para sentir a textura metálica e fria do seu piercing roçar os lábios. Viu os olhos dele fecharem-se e voltou a perfazer os lábios dele com os seus, beijando-o com o sentimento que vinha directamente do seu coração, sentindo cada centímetro dos seus lábios como se fosse a primeira vez que os tocava. Tom deixou-se beijar, sem procurar o corpo de Dreia com as suas mãos, como seria habitual fazer, deixou-se apenas levar pelo beijo que ela lhe dava. Sentiu Dreia afastar-se de si e olhá-lo nos olhos com uma expressão realizada, os seus olhos estavam agora acastanhados, um castanho cor de avelã.

- Eu não tenho jeito para jogar este jogo… - disse Tom sem saber o que dizer.
- Eu acho que tens mais jeito do que pensas… e aprendes rápido… - disse Dreia.

- E se neste preciso momento me apetecesse levar-te para o banco de trás do carro? – questionou Tom.
- Então suponho que era isso que devias fazer… - disse Dreia – Se estivéssemos a jogar…
- E se me apetecesse levar outra pessoa para o banco de trás do carro? –
perguntou Tom curioso por conhecer as regras do jogo com que era aliciado.
- Nesse caso estarias a infringir a regra número um… - disse Dreia.
- Que é? – perguntou Tom.
- Ser um jogo onde só entram dois jogadores… - disse Dreia timidamente.

Tom suspirou. Um turbilhão de ideias passavam-lhe pela cabeça. O que Dreia propunha era um passo à frente daquilo que ele estava habituado. Nem sequer estava habituado a estar apenas com uma pessoa, quanto mais a ser carinhoso e fiel. Aquilo que ela lhe pedia era um compromisso disfarçado por um jogo. Estaria disposto a isso, mesmo sabendo que aquele beijo que ela lhe tinha dado tinha um sabor diferente de todos os beijos que tinha recebido até então?

- Eu não gosto de ti da mesma maneira que tu gostas de mim… - disse Tom.
- É um jogo… - disse Dreia – Não te estou a pedir nada! Apenas te proponho que jogues, és livre de fazer aquilo que quiseres…
- Porque é que não continuamos com o outro jogo? –
perguntou Tom.
- Apetece-me tornar as coisas mais interessantes… - disse Dreia

- Devíamos voltar, desaparecemos sem dizer nada a ninguém… - disse Tom endireitando-se no banco, ligando o carro e colocando o cinto de segurança.
- É melhor… - disse Dreia suspirando e colocando o cinto de segurança.

Tom estava pensativo, não estava habituado a sentir-se pressionado, nem a ficar confuso sobre aquilo que queria para si. Sabia que não queria perder Dreia, não estava realmente preparado para ficar sem aquilo que ela lhe dava, mas também não estava preparado para perder a liberdade que tinha conquistado nos últimos anos. O seu pensamento foi interrompido pela voz de Dreia.

- Posso-te fazer mais uma pergunta difícil? – perguntou Dreia timidamente.
- Esta noite parece que estás inspirada… Força… - disse Tom suspirando com medo da pergunta que vinha por aí.

- Porque é que queres ser melhor que o 2? – perguntou Dreia.

- … Quero ser aquilo que tu és para mim… Que é aquilo que me disseste que ele era… - disse Tom.
- Não quererás apenas aumentar o teu ego? – perguntou Dreia sem vergonha.
- Não… - disse Tom a rir – Acho que sabes que não tenho razões para ter o ego em baixo… Mas tu fizeste-me ficar viciado em ti. Quero saber que sou realmente o melhor que já tiveste, que ele não te deu aquilo que eu te dou, e que não é por gostares de mim que desfrutas mais quando estamos juntos, é porque eu sou realmente o melhor…
- Isso parece-me mais uma forma de egoísmo… -
disse Dreia.
- Não, é o contrário, eu quero poder fazer-te sentir aquilo que tu me fazes sentir quando estamos juntos… - disse Tom olhando de soslaio para ela.

- Tu nunca conseguirás ter a mais pequena ideia daquilo que me fazes sentir… Porque se o imaginasses não podias esperar ser melhor do que já és… - disse Dreia sorrindo – Não te precisas de preocupar com ele…
- Porque sou muito melhor? -
perguntou Tom sorrindo.
- Sim… - disse Dreia – E não é só pelo que sinto por ti e que nunca fui capaz de sentir por ele…
- Por alguma razão eu sou o Sex Gott… -
disse Tom orgulhoso de si mesmo.
- É um facto… - disse Dreia a rir.

Estavam praticamente a chegar à Berghain. Dreia já conseguia ver a imensa bola gigante feita de vidros. Olhou para Tom e viu que ele estava concentrado naquilo que fazia, embora parecesse estar concentrado demais, como se fosse a pensar naquilo que tinham conversado naquela noite. Resolveu uma vez mais interromper o seu pensamento.

- E quanto ao jogo? – perguntou Dreia como quem não queria a coisa.
- Deixa-me pensar… - pediu Tom – Não te prometo nada, mas amanhã vou para Magdeburg e só volto daqui a duas semanas, vou pensar no assunto e depois falamos…
- Ok… -
disse Dreia que não podia pedir mais do que ter Tom a pensar na possibilidade de se aproximar de si.

Tom tinha-a surpreendido imensamente. Não julgava que ele conseguisse manter uma conversa civilizada consigo, nunca até então o tinha feito sem puxar sempre segundas intenções. Tom revelava-se um pocinho de surpresas, e todas elas agradáveis, aquilo que ele lhe tinha dito naquela noite, era inacreditável, só mesmo nos seus sonhos o ouvira referir-se a si como sendo perfeita, só mesmo nos seus sonhos ele equacionava ser mais próximo e intimo de alguém. Esperava poder sonhar acordada muito mais vezes.
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Mar 29, 2009 5:32 am

 131 







Magdeburg era uma cidade pacifica, que parecia distante de tudo o resto. Sempre que os gémeos regressavam a casa da mãe as preocupações ficavam à porta, e vivia-se um clima de paz e harmonia total, mas este regresso era diferente, os eventos da noite anterior tinham deixado uma marca clara no pensamento de Bill e Tom, e nenhum dos dois conseguia passar alheio ao que tinha acontecido. Reencontrar a mãe, o padrasto e Scotty tinha enchido os seus corações de alegria e de um sentimento que não deixava dúvidas para o facto de estarem de regresso a casa, mas nenhum dos dois por mais que se esforçasse conseguia deixar de se preocupar com aquilo que tinham pendente.

Tinham chegado mesmo a tempo do almoço. Como era bom a comida feita pela mãe Simone, nada a substituía. Os gémeos trocavam olhares cúmplices à mesa. Bill tinha a certeza que se passava algo com Tom, por sua vez, Tom sentia que o irmão precisava de si, e por mais que tentassem disfarçar à frente da mãe e do padrasto, no seu íntimo, eles sabiam que precisavam de um momento a sós. Assim que o almoço acabou, os gémeos levantaram-se da mesa e foram cada um para o seu quarto desfazer as malas. Bill não conseguia aguentar muito mais, precisava de Tom, desde a noite passada que o tinha procurado e sentia um vazio por ainda não ter conseguido falar com ele. Saiu do quarto para ir até ao quarto do lado e no corredor encontrou Tom a caminho do seu quarto. Trocaram um olhar e sem ser preciso dizer nada, entraram ambos para o quarto de Bill e fecharam a porta. Tom sentou-se na cama e Bill contou-lhe tudo aquilo que tinha acontecido na Berghain com Nathalie à medida que andava de um lado para o outro do quarto com as mãos a gesticularem desenfreadamente. Tom estava atónito, não acreditava naquilo que o irmão lhe contava. Como é que Nathalie tinha sido capaz de se aproveitar do seu irmão daquela forma?

- E tu não fizeste nada? – perguntou Tom espantado.
- Não fiz o suficiente… - disse Bill colocando as mãos na cabeça Scheisse, fiquei mesmo sem reacção…

- O que é que lhe passou pela cabeça? –
perguntou-se Tom em voz alta.
- Sei lá… - disse Bill em pânico – Não percebi nada…
- Eu percebi tudo! –
disse Tom – Ela estava à espera de te apanhar bêbado para se aproveitar de ti maninho… Nunca pensei…
- Mas ela nunca tinha dito nem feito nada… -
disse Bill espantado.
- Será? A Bea nunca gostou muito dela… - disse Tom – Talvez já andasse a perceber alguma coisa!

- Quem não percebe nada sou eu… - disse Bill andando de um lado para o outro – E agora? Ela trabalha connosco, é nossa amiga… Detesto isto!
- Acho que tens de pensar no assunto… não te invejo nada, estares entre a tua namorada e a tua melhor amiga… -
disse Tom
- Eu não estou entre ninguém… Não existe ninguém para além da Bea, estou-me bem a cagar para o que a Nath quer… - disse Bill – E se ela continuar a pressionar-me e a fazer-me cenas como a de ontem não vai dar para ser amigo dela por muito mais tempo, com muita pena minha!

- Fogo… que cena… não imagino nada a Nath a propor-te ser tua amante… -
disse Tom a rir.
- Não te rias… - disse Bill chateado.
- Ohh tem graça! – disse Tom.
- Não sei onde… - disse Bill – Tu tens noção que ela me beijou?!
- Fogo até parece que foi um homem que te beijou… -
disse Tom – Foi um beijo Bill, nada de mais…
- Dizes isso porque não foi contigo… -
disse Bill.

- Mas não foi isso que te deixou assim… - disse Tom que conhecia Bill como ninguém – Foi a cena da aposta não foi?
- Achas mesmo que a Bea foi embora para fugir de mim? –
perguntou Bill sentando-se na cama abatido.
- Duvido… - disse Tom – Se ela quisesse fugir de ti tinha acabado tudo antes de ir e não falava todos os dias contigo…
- Então porque é que a Nathalie disse aquilo? –
pergunto Bill.
- Sei lá… - disse Tom – Mas o melhor que tens a fazer é falar com a Bea e esclarecer as coisas com ela.

- E se for verdade? –
perguntou Bill.
- Acho que terás de aceitar as coisas como elas são… - disse Tom encolhendo os ombros.

- Achas que lhe conte o que aconteceu? – perguntou Bill com uma expressão triste.
- Não sei… - disse Tom pensando no assunto – Acho que ela vai perceber que tu não fizeste nada, mas vai querer matar a Nathalie da próxima vez que a vir à frente…
- Não sei se tenho coragem… Se ela não souber de nada é como se nada tivesse acontecido… –
disse Bill.
- Até a Nathalie abrir a boca um dia destes e estragar tudo… - disse Tom.

- Tens razão… - disse Bill apoiando os cotovelos nas pernas, enterrando a cabeça entre as mãos – Tenho de lhe contar… Scheisse… recuso-me a perder a Bea por causa de um beijo que não significou nada… Ela sabia que eu a ia trair… ela não confia em mim… e eu não mereço a confiança dela… eu traí-a!
- Tu não traíste ninguém! –
disse Tom – Estavas bêbado… Se eu estivesse lá…

- Onde é que tu andavas? –
perguntou Bill olhando para Tom.
- Fui dar uma volta com a Dreia… - disse Tom – Estivemos a noite toda a falar…
- A falar? –
perguntou Bill levantando a sobrancelha direita.
- Eu sei que parece esquisito… - disse Tom a sorrir.
- Mesmo… - disse Bill olhando para Tom de forma séria – E estiveram a falar sobre o quê? Pode-se saber?
- … Sobre nós -
disse Tom evitando olhar Bill nos olhos.

Bill olhou para o irmão e pela primeira vez viu nele um nervosismo e um olhar diferente do habitual. Só o facto de se referir a alguém como um nós que o englobava e agregava a uma rapariga era só por si de estranhar, mas aquele olhar que conhecia tão bem estava diferente.

- Sobre vocês? – perguntou Bill virando-se para Tom na esperança de que o irmão estivesse a ganhar finalmente algum juízo.
- Sim… - disse Tom com medo do olhar intenso que Bill lhe lançava – Mas não faças filmes… Só estivemos a falar… ao que parece ela tem alguém interessado nela.
- É normal! –
disse Bill – A Dreia é uma rapariga interessante, não me admira que tenha diversos pretendentes…
- Pois! –
disse Tom

– E como é que tu te sentes ao saber disso? – perguntou Bill curioso.
- É suposto sentir alguma coisa? – perguntou Tom fazendo-se insensível.
- Claro que é… - disse Bill – Não sentes ciúmes?
- Não! Eu sei que ela gosta de mim… -
disse Tom sorrindo.

- … E tu gostas dela? – perguntou Bill.
- Sabes bem que sim… - disse Tom.
- Gostar a sério? – perguntou Bill levantando uma sobrancelha.
- Sei lá… - disse Tom.

- Espera aí… há uma réstia de esperança? – perguntou Bill entusiasmado – Tu não disseste que não… isso deixa em aberto a possibilidade de estares a começar a gostar dela…
- Eu sabia que tu ias logo fazer filmes… -
disse Tom levantando-se – Não tem nada a ver com isso. Eu gosto de estar com ela, e como é óbvio não quero abdicar disso, que é o que vai acontecer se ela começar a andar com outro…

- Então tens de fazer com que ela fique mais interessada em ti do que no outro… -
disse Bill piscando o olho a Tom.
- Isso é fácil de dizer… - disse Tom – Mas eu não lhe quero dar esperanças! Continuo a gostar muito da minha vidinha como é, e não estou interessado em sair do mercado…

- Tu és tão parvo às vezes… -
disse Bill colocando as mãos sobre os olhos em forma de desespero – Estás-me a dizer que não queres que ela esteja com outro mas que também não queres abdicar de nada para isso?!
- Porque é que eu haveria de abdicar de alguma coisa? –
perguntou Tom.
- Porque ela vale a pena? – retorquiu Bill abrindo muito os olhos.
- Mas há tantas raparigas que valem a pena… - disse Tom sorrindo.
- Mas nenhuma delas gosta de ti como a Dreia. Nenhuma encaixa na tua personalidade e maneira de ser como ela! Eu digo-te uma coisa… não sei como é que a Dreia ainda tem paciência para te aturar depois de tudo o que já lhe fizeste, se fosse comigo eu já te tinha mandado a um certo sitio há muito tempo… - disse Bill.
- Tu não eras capaz de viver sem mim… - disse Tom sorrindo – Tal como a Dreia não é…
- Fia-te nessa… -
disse Bill – O teu problema é pensares que tens toda a gente aos teus pés como garantida, mas um dia quando menos esperares quero ver…

- Não. O meu problema é que ela propôs-me um novo jogo… um jogo de intimidade e fidelidade… -
disse Tom – E o pior, é que ontem eu até considerei a possibilidade de o aceitar…
- A sério? –
perguntou Bill espantado mas extremamente feliz – Tu e a Dreia…
- Pois… -
disse Tom revirando os olhos – Sou tão estúpido, acho que lhe dei demasiadas esperanças…
- O que é que lhe disseste? –
perguntou Bill.
- Que ia pensar e que quando regressasse a Berlin falávamos no assunto… - disse Tom.

- E….? –
perguntou Bill interessado.
- E ela beijou-me e deu-me a mão e eu fiquei paralisado… - disse Tom.
- Oh Gott… - disse Bill colocando as mãos sobre a boca – Tommi… tens de aceitar…
- Porquê? –
perguntou Tom espantado.
- O que é que perdes? Tom, não há nada melhor que teres do teu lado alguém que goste realmente de ti, e de quem tu gostes, acredita… - disse Bill – Tu sempre tiveste tanto medo de compromissos…
- Eu não tenho medo de compromissos! –
disse Tom imediatamente a seguir e de forma agressiva – Fogo, qual é o problema de eu não gostar de viver a vida preso a alguém?
- Tu tens medo de compromissos, e nem vale a pena fingires que não. Não me enganas, eu conheço-te melhor do me conheço a mim mesmo –
disse Bill – Acho que está na hora de arriscares maninho… Não perdes nada em experimentar, se vires que não consegues jogar, acabas o jogo…

- Eu não tenho jeito para estes jogos… eu não gosto da monotonia e de ter tudo planeado… -
disse Tom.
- Se bem me lembro à uns dias atrás andavas maluco porque a Dreia era imprevisível… Acho que não te podes queixar de monotonia… - disse Bill a rir.

- Não sei… tenho de pensar… - disse Tom confuso.
- Pensa bem nisso Tommi, não perdes nada! – disse Bill – Vocês sempre se deram tão bem a todos os níveis, ela é a melhor amiga e amante que podias desejar… é a tua Bea…

- Ela gosta demasiado de mim… -
disse Tom.
- Não existe gostar demasiado de alguém, existe gostar ou não gostar… - disse Bill – Sinceramente? Eu acho que já te faz falta este jogo, tenho a certeza que vais perceber que não tens porquê ter medo nem retrair-te…

- E se eu não for capaz? Se a magoar? Se a trair? –
perguntou Tom – Eu não sou fiel por natureza, tu sabes disso!
- Tu não és um animal! Tens cabeça, e está na altura de a usares para alguma coisa. Se não fores capaz, não és… Acabas tudo! Ninguém te está a pedir em casamento, nem sequer em namoro. Pelo que percebi, ela só te pediu para jogares um jogo um pouco mais a sério… -
disse Bill.

- Sabes bem qual é o jogo que ela quer jogar… - disse Tom olhando de lado para Bill.
- Mas também sei que ela não te vai obrigar a jogá-lo… - disse Bill – É uma experiência… arrisca…
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