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 Wir Schließen Uns Ein

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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Ter Jan 06, 2009 4:29 pm

 25 







Bea


O escape perfeito. Umas férias descansada, de regresso a casa. Sem precisar de cozinha, lavar roupa, ir ao supermercado, ou preocupar-se com o que quer que fosse. Era mesmo o refúgio de que estava a precisar.

Saiu do avião e dirigiu-se ao local onde ia esperar pela sua mala. A espera foi longa, mas não se importava. Que saudades que tinha de ouvir falar português. Estava finalmente em casa. A sua mala teimava em não aparecer, foi das últimas, mas assim que apareceu, pegou nela e foi para a zona das chegadas do aeroporto num passo apressado e impaciente. Queria poder abraçar a sua mãe novamente. Saiu das portas das chegadas e procurou os seus pais com o olhar. Lá estavam eles, iguais ao dia em que a tinham deixado naquele mesmo aeroporto à 3 meses atrás. Desceu a rampa para os ir abraçar com toda a força que conseguia. O seu pai pegou na mala que Bea trazia e arrastou-a até ao parque de estacionamento onde tinha o carro. No caminho Bea foi contando como lhe tinha custado acordar tão cedo, mas que a viagem tinha corrido bem. Uma vez no carro, dirigiram-se para casa. Bea abriu a janela do seu lado e sentiu o cheiro daquela terra. A sua terra, a sua Lisboa. Era bom estar de volta.


santa santa santa santa santa santa santa santa santa santa santa santa


Tinha passado uma semana desde a sua chegada a Lisboa. Era véspera de Natal, a sua casa estava impecavelmente decorada à época festiva (como aliás era hábito), a sua mãe e tias estavam na cozinha a fazer doces natalícios, e Bea estava no seu quarto a entreter os primos mais novos e a contar as suas aventuras em Berlin. Claro que não podia mencionar o facto de ter conhecido os Tokio Hotel, porque das duas, uma: ou não acreditavam, ou acreditavam e nunca mais a largavam. E para qualquer efeito, tinha conhecido 4 rapazes muito simpáticos, e não os Tokio Hotel, que para ela não se identificavam com a imagem das pessoas que conhecia agora tão bem.
Adorava o Natal, e este Natal tinha um sabor diferente visto estar a viver sozinha noutro país à já uns meses, afastada de tudo e todos. Era como se voltasse aos seus natais de infância, onde tudo tinha muito mais magia e cada momento era desfrutado na plenitude.
Para o Natal estar completo só precisava de ter o pequeno Bettler consigo… era o seu primeiro Natal, e Bea sofria em passá-lo longe dele, mas sabia que Bettler estava bem entregue, e que o Natal em casa da mãe dos Kaulitz devia ser uma festa e tanto. Trocava regularmente mensagens com Bill a perguntar pelo seu amiguinho de quatro patas, ao que parece Kasimir (o gato da mãe de Bill e Tom) tinha-se afeiçoado a Bettler, e tinha-o adoptado como filho e agora passeavam-se sempre juntos de um lado para o outro. Scotty é que não achava graça nenhuma em ser excluído e fazia questão de os seguir também.
Mas hoje era dia de festa, e Bettler tinha de ouvir a voz da sua dona…


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Bill & Tom



- Estou?
- Beaaaaa
– disse Bill efusivamente
- Olá Bill, então tudo bem? – perguntou Bea
- Sempre! E contigo? – retorquiu Bea
- Tudo bem! Como está o Bettler? – perguntou Bea
- Está bom, anda a brincar – disse Bill rindo ao ver Bettler saltitar de um lado para o outro atrás da sua própria cauda – Sabes que o Bettler tem uma prenda debaixo da árvore?
- A sério? – perguntou Bea espantada
- Sim! Nós costumamos dar sempre uma prenda ao Scotty e ao Kasimir, e este ano tínhamos de dar uma ao Bettler também, senão ele ia ficar com inveja! – disse Bill a rir
- Ohhhh Obrigada! Tenho a certeza que ele vai adorar – disse Bea – Olha… podias por o telemóvel ao ouvido dele? Para ver se ele reconhece a minha voz?
- Ok…espera um bocadinho
– disse Bill à medida que pegava em Bettler, sentava-se com ele ao colo e colocava o auscultador no seu pequeno ouvido.
- Bettlerrrrr…. Olá coisa fofa! A dona está cheia de saudades tuas! Não tarda muito estou aí de novo para te fazer muitas festinhas e dar muitos beijinhos. Brinca muito e diverte-te, sim? Bom Natal Bett – disse Bea carinhosamente como se falasse a uma pessoa.

- Já está? – perguntou Bill
- Sim. Mensagem enviada… – disse Bea feliz
- Ele estava a mexer as orelhas de um lado para o outro, devia estar a reconhecer a voz – disse Bill afagando a cabecinha pequenina de Bettler ao mesmo tempo
- Ohhhh estou cheia de saudades dele! – disse Bea
- Ele está bem, acredita – disse Bill
- Tenho a certeza que sim! – disse Bea – Olha tenho que desligar senão fico sem saldo…Obrigada por tudo Bill e Bom Natal. Manda beijinhos à tua família e agradece por mim.
- Não precisas de agradecer, o Bettler é sempre bem-vindo! Feliz Natal Bea
– disse Bill – Beijinhos.
- Tchau Bill. Beijinhos, e Obrigada.


Desligou o telemóvel e levantou-se levando consigo o pequeno Bettler ao colo até à sala onde estava a família toda reunida.

- A dona do Bettler ligou e mandou beijinhos a toda a gente e agradeceu o estarmos a tomar conta dele – disse Bill a todos

- Mandou beijinhos para mim? – perguntou Tom a rir
- Sim… acho que te englobas na parte da família – disse Bill
- Deve estar doente! – disse Tom a rir – Ou os ares de Portugal tornam-na mais mansa!
- É Natal Tom…
– disse Bill a rir
- Deve ser disso… – disse Tom a rir

O Natal em casa da mãe Simone era sempre um Natal divertido e interactivo. Os gémeos e o padrasto entretiam-se a tocar músicas e ideias sobre o panorama musical da altura, enquanto Simone estava na cozinha a preparar a ceia e os doces de Natal. De vez em quando era atacada por Tom e Bill que iam à cozinha roubar alguma coisa, mas eram imediatamente corridos da cozinha sobre pena de não comerem nada daquilo que depois ia para a mesa. E eles obedeciam… até voltarem a atacar sorrateiramente a cozinha novamente e saírem de lá a correr com a mãe atrás. Mas a verdade é que mesmo com as ameaças, a mãe nunca os tinha privado de comer nada… e esta ida clandestina à cozinha tinha-se já tornado um ritual naquela altura do ano.


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Dreia


Dia 24 de Dezembro – Coimbra

Há mais de um ano que Dreia não voltava à sua terra natal. No último Natal não tinha regressado a casa, porque os pais estavam a pensar mudar-se para a Alemanha e tinham de comprar passagens, e casa e o dinheiro não chegava para tudo.

Já não via a família à algum tempo. Os seus primos tinham crescido visivelmente. A família não era muito numerosa, mas era muito chegada, e a altura do Natal era vivida com todas as tradições de uma típica família portuguesa. Andreia adorava aquele ambiente e o cheiro característico do Natal. Era bom estar de volta, após tamanha ausência.

Pensava em como estaria Tom e Bill naquele momento, e esperava que estivessem bem. Pensou em Bea e na felicidade que ela devia estar a sentir por estar novamente em casa após tanto tempo, e decidiu mandar uma mensagem a amiga.

Para: Bea
Estou cheia de saudades tuas! Diverte-te muito e aproveita a comidinha da mamã porque os congelados do Lidl não devem ser tão bons de certeza =p FeLiz Natal amiga! *Beijinhos Grandes*
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Ter Jan 06, 2009 4:30 pm

 26 







Dreia


A noite da passagem de ano era sempre um momento especial para Andreia. Estivesse onde estivesse, acabava sempre por resumir mentalmente o ano que estava a acabar e fazer projectos para o ano que viria a seguir.
2008 tinha sido um ano cheio de emoções novas e fortes. A começar por ter deixado New Jersey com os seus pais e partido para a Alemanha. Deixou amigos e a sua escola para trás e mudou-se para Berlin, onde não conhecia ninguém. Entrou a meio do ano na Escola Inglesa Berlin High School e conheceu imensa gente vinda de todos os cantos do mundo. Mas só recentemente tinha descoberto uma grande amiga naquela cidade, e por sinal era também portuguesa e vivia no seu prédio. Bea era a melhor amiga que podia ter arranjado, sem duvida! Com ela já tinha passado por imensas coisas. E graças a ela tinha conhecido o homem dos seus sonhos, Tom Kaulitz, e nos seus braços tinha perdido a virgindade numa noite inesquecível. E para acabar o ano em grande tinha voltado a Portugal depois de 1 ano de ausência.

Estava sentada num parque ao pé de sua casa, com os primos e os amigos deles. O parque estava cheio de gente com chapeuzinhos, cornetas e champagne para celebrarem a entrada em 2009 em grande. Dreia fazia ainda mentalmente o balanço do ano que estava prestes a acabar e pensava naquele momento em que Tom tinha sido seu. Já lá ia um tempinho… mas mesmo com o tempo que tinha passado ainda não acreditava que tinha realmente vivido aquele momento, parecia que não tinha passado de um sonho de tão idílico que tinha sido. Conhecia Tom relativamente bem, e sabia que ele era mesmo assim: mulherengo. Mas no fundo esperava poder ser sua amiga. Percebia agora com o distanciamento de tempo que tinha tido uma noite maravilhosa e que não se importava de repeti-la para o resto da vida, mas não sendo possível, iria guardá-la na sua memória como um tesouro. Sabia agora também que Tom era o seu ponto fraco. Aquele que a deixava sem reacção, sem controlo, era a única pessoa à qual ela se rendia e era capaz de entregar tudo. Ele tinha um efeito sobre ela fora do normal, principalmente depois daquela noite. Agora que o tinha experimentado sabia que ia ser difícil encontrar alguém que a deixasse tão nas nuvens e tão fora de si. Paixão? Amor? Obsessão? Não sabia que nome dar ao que sentia, mas era tão forte, como se os ligasse invisivelmente. Não pedia que 2009 o trouxesse de volta aos seus braços, mas pedia com todas as forças do seu ser para que o mantivesse junto de si. Desejou poder estar com ele naquela passagem de ano e imaginou o que ele estaria a fazer e se estaria ou não acompanhado… (esperava que não)!
Abandonou os seus pensamentos com o toque do telemóvel…


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Bill & Tom



Ainda não era meia-noite, mas a noite já ia animada entre os Kaulitz. Estavam de volta à Veranstaltung rodeado dos seus amigos mais íntimos. Não precisavam de uma festa muito grande, só precisavam de estar com os seus amigos.
Em cima das mesas viam-se garrafas de champagne esvaziadas, e copos semi vazios. Tom estava já bastante animado a conversar com Georg, quando ouviu Bill do outro lado da sala a gritar que faltava 1 minuto para a meia-noite. Automaticamente ambos os gémeos andaram na direcção um do outro, encontrando-se no centro da sala. Tinham de estar juntos. O laço que os ligava era inquebrável, sentiam o que o outro sentia, e em momentos como este tinham de estar juntos e passar o ano unidos. A sua relação era para a vida. Ninguém no mundo poderia alguma vez substituir aquilo que Bill e Tom significavam um para o outro. Era amor fraternal do mais puro e humano. No centro da sala passaram o braço sobre o ombro do outro e com um grande sorriso na cara (e um copo de champagne na mão) fizeram a contagem decrescente para o início do ano 2009. Quando chegaram ao 0, olharam um para o outro e deram um abraço sentido. Mais um ano que passava, mais um ano de conquistas e vitórias que ainda pareciam um sonho.

Bill tinha passado por momentos difíceis. O quisto nas cordas vocais, e a operação seguida de 10 dias sem falar, sem cantar e sem sorrir, tinham sido momentos muito violentos na sua vida. A tenção de não saber se alguma vez poderia cantar novamente ou se a sua voz sofreria uma mudança drástica após a operação. O cancelamento dos concertos. Tudo isto tinham sido momentos de muita tensão e stress, que nunca poderia esquecer facilmente. Mas esses momentos tinham-lhe dado uma força enorme para escrever e compor novas músicas, inspirado naquilo pelo qual estava a passar. Não podia esquecer a força que as milhares de fãs no mundo inteiro lhe tinham dado, a quantidade imensa de cartões de melhoras e prendas que tinha recebido, e claro… o apoio incondicional de Tom, que tinha estado sempre do seu lado, cozinhava para ele, falava com ele para o entreter, levava-lhe dvds para que o tempo passasse mais rápido. Mas nem tudo em 2008 tinha sido mau, tinham a grande vitória nos Comets… incrível! O sucesso da tour na Europa, a entrada em grande no mercado Americano, quando nunca nenhuma outra banda tinha conseguido entrar à primeira e com o sucesso estrondoso que eles o tinham feito, o VMA… o VMA…. Era difícil acreditar que eram a primeira banda Alemã na história a ganhar um VMA, e tudo isto com apenas 19 anos, um único cd lançado em inglês e a vida pela frente para mostrar mais do seu valor e ganhar um cantinho no panorama musical. E agora o novo cd… que a ser lançado em 2009, tinha a certeza que ia causar sensação, era um espelho daquilo que ele era naquele momento e da mensagem que queria transmitir. Estava muito bom, e ele sabia-o!

Também para Tom o ano de 2008 tinha-se revelado inconstante. O cancelamento da tour pela Europa e a doença do irmão tinha-o deixado de rastos. A ligação com Bill era forte, era capaz de sentir sempre que o irmão estava triste ou mal, mesmo que não tivesse do seu lado, e Tom tinha sofrido e passado pela operação de Bill com uma dor que mesmo não sendo física o tinha deixava debilitado, mas tinha arranjado a força necessária para animar Bill e ajudar a passar aquela fase mais complicada. E depois dela… ninguém os parou, e o ano que acabava agora de passar tinha sido um sonho tornado realidade na vida de qualquer músico. 2009 iria com certeza ser assim também se dependesse dele e da sua guitarra.

Separaram-se e cumprimentaram os amigos com um abraço sentido também. Mas no final voltaram a ir ter um com o outro e abraçarem-se outra vez.

- Feliz ano novo maninho – disse Tom
- Feliz ano novo Tommi – disse Bill
- Grande ano – disse Tom sorrindo
- Podes crer… - disse Bill retribuindo o sorriso e estendendo o copo a Tom para juntos brindarem.

A noite continuou animada. Bill e Tom regressaram a casa por volta das 5 da manhã. Chegados a casa dirigiram-se cada um para o seu quarto. Já estavam tocados pelo álcool e só uma noite de descanso é que poderia devolver-lhes o seu estado normal.
Pouco tempo depois de Tom se deitar, Bill apareceu-lhe no quarto, já de pijama e sentou-se na cama de Tom sem sequer pedir autorização.

- Então! – disse Tom que só queria dormir
- Quero falar… - disse Bill
- Agora? – perguntou Tom
- Sim... – disse Bill
- Tu estás bêbado! Vai mas é dormir – disse Tom rindo
- Vá lá Tommi – disse Bill deitando-se ao seu lado
-Ok…diz! – disse Tom sentando-se na cama encostado à cabeceira

- Nunca te interessas-te por ninguém? – perguntou Bill
- Estás mesmo bêbado! – disse Tom rindo e apontando para Bill
- É a sério Tom. Tu vais para a cama com tantas raparigas. Nunca te interessaste por ninguém? – perguntou
- Eu interesso-me sempre por todas maninho… – disse Tom rindo
- Sim, mas interessar, interessar, tipo, querer mais alguma coisa com essa pessoa – disse Bill
- Não! Porquê? – perguntou Tom
- Por nada… – disse Bill pensando em Dreia.
- Foste para a cama com uma miúda e agora estás a começar a gostar dela? – perguntou Tom pondo-se à frente de Bill e olhando-o nos olhos para perceber se a resposta que ele lhe ia dar era verdade ou mentira.
- Não sejas estúpido! – disse Bill
- A Bea? A Dreia? Foi a Bea não foi? – perguntou Tom
- Não foi nada… não aconteceu nada – disse Bill
- Tu e a Bea….a Bea e tu… – disse Tom
- Somos amigos estúpido – disse Bill levantando a sobrancelha esquerda
- Os Bs … Bill e Bea….Bea e Bill…que romântico – disse Tom gozando com o irmão
- Tu é que estás bêbado! Assim não dá para falar contigo…continuamos a conversa amanhã quando o meu irmão estiver de volta… – disse Bill levantando-se da cama de Tom e dirigindo-se à porta do quarto.

- Espera aí…agora quem quer falar sou eu… – disse Tom

Bill olhou para trás e voltou a dirigir-se para a cama de Tom. Sentou-se e pôs-se a olhar para Tom de braços cruzados.

- Diz
- Tu e a Bea não têm mesmo nada?
– perguntou Tom
- Claro que não totó! – disse Bill levantando a sobrancelha novamente e colocando a cara de enjoado mais cómica possível e imaginária devido ao nível de álcool que tinha no sangue.
- Então não te importas que eu tente alguma coisa… – perguntou Tom com um sorriso de caso
- Tu foste para a cama com a Dreia – disse Bill – Achas que ela vai querer alguma coisa contigo?
- Há amor e Tommizinho para todas…
– disse Tom rindo
- Mas a Bea não é assim. Podes esquecer! – disse Bill
- Hmm… com o tempo eu chego lá – disse Tom sabendo que nunca falhava uma

- Tu não sabes o que estás a dizer! És um bêbado – disse Bill a rir
- Olha quem fala – disse Tom rindo também – Eu já tentei…
- O quê?
– perguntou Bill sem perceber
- A Bea…naquele dia lá em casa dela, quando estávamos à espera que vocês acabassem o jogo lá nas escadas, eu tentei… – disse Tom
- Ohhhh Tom!!! Tu não aprendes – disse Bill colocando as mãos na cabeça – Tu tinhas acabado de dormir com a melhor amiga dela e achavas o quê? Que ela ia-te arrastar para a cama? Devias começar a pensar com a cabeça e não com o Tommizinho.
- O que é que queres…apeteceu-me na altura – disse Tom
- Por isso é que ela não te pode nem ver pintado à frente – disse Bill
- Nós podíamos ser tão felizes se ela quisesse… – disse Tom a rir
- Esquece Tom… esquece mesmo. Ouve o que o teu irmão te diz, que mesmo bêbado, eu sei o que digo! – disse Bill a rir à medida que se levantava e dirigia-se finalmente para a porta.
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dikas



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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qua Jan 07, 2009 7:05 pm

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Tinha acabado de telefonar a Bill para lhe desejar um Feliz Ano Novo e preparava-se agora para telefonar a Dreia. O telefone já tocava.

- Beaaaaa – gritou Dreia
- Dreiaaaaaaa – respondeu Bea rindo-se da euforia infantil das duas
- Feliz Ano Novoooo amiga – disse Dreia contente por ouvir a voz de Bea
- Feliz Ano Novo querida! – disse Bea – Como está a ser a tua noite?
- Óptima! Estou com os meus primos e os amigos deles. São muito fixes!
– disse Dreia – E tu? O que andas a fazer?
- Estou com o Gonçalo e os amigos dele…viemos para o Parque das Nações à festa do Pavilhão Atlântico
– disse Bea – É brutal!
- Acredito!
– disse Dreia – …Sabes alguma coisa dos gémeos?
- Sim, acabei de falar com o Bill ao telefone, eles foram para a Veranstaltung diz que o som está brutal e está lá toda a gente…
- disse Bea
- Que fixe! – disse Dreia imaginando-se lá com eles – Ahhhh é quase meia-noite Bea, tenho de ir, os meus primos já me estão a chamar para se abrir o champagne. Bom 2009 amiga! Adoro-te!
- Feliz Ano Novo! Também te adoro! Beijinhoooossss
– disse Bea desligando de seguido o telemóvel.

Olhou para o relógio do telemóvel e virou-se para Gonçalo anunciando:

- Faltam 3 minutos para a meia-noite!

Aproximou-se do grupo e esperaram para começar a fazer a contagem decrescente.
A entrada no ano 2009 foi feita em grande, confettis voavam pelo céu do Pavilhão Atlântico, a mítica “I Will Survive” de Gloria Gaynor ecoava por todo o lado, fazendo com que as pessoas que ali se juntavam cantassem em plenos pulmões aquele hino. Bea cumprimentava os amigos de Gonçalo (embora a vontade não fosse muita) e desejava um feliz 2009 quando sentiu uma mão puxá-la pelo braço, olhou para trás e era Gonçalo, arrastava-a passando pelas pessoas que se punham no seu caminho. Bea não estava a perceber o que ele queria, mas deixou-se levar, até por fim parar numa das pontas do Pavilhão Atlântico, e ser encostada contra a parede por Gonçalo.

- Feliz 2009 Bi – disse Gonçalo dando-lhe um abraço sentido e levantando-a levemente do chão.
- Feliz Ano Novo! – disse Bea sorrindo por sentir aquele abraço forte que tanto lhe fazia falta.
- Bi, sabes que gosto muito de ti, não sabes? – perguntou Gonçalo mantendo os seus braços à volta da cintura de Bea e olhando-a nos olhos.
- Sei… - disse Bea bebendo cada palavra que saía da boca de Gonçalo
- Nunca pensei que me fosse custar tanto estar afastado de ti! O fim de 2008 foi uma tortura para mim – disse Gonçalo – Não quero começar 2009 assim…
- Mas tu é que escolheste afastar-te de mim Gonçalo
– disse Bea
- Eu sei! Mas acho que precisava disso para me aperceber o quanto ainda gosto realmente de ti – disse Gonçalo – E gosto mesmo muito, tanto ou mais do que gostava de ti à 3 meses atrás. Penso em ti noite e dia. Sempre que me dizes que estás mal por causa da faculdade partes-me o coração, e tudo o que eu queria era poder estar lá contigo, abraçar-te e pegar-te na mão e dizer que vai correr tudo bem – disse Gonçalo – Amo-te como nunca amei ninguém e é contigo que quero estar! Não vale a pena tentar enganar-me a mim mesmo e ver-nos sofrer por causa disso! Queres voltar a namorar comigo?

Bea estava de boca aberta. Sonhava com o dia em que ouviria aquelas palavras da boca de Gonçalo novamente, e lá estavam elas… Soavam melhor do que imaginara.

- Mas eu estou em Berlin, e tu estás aqui! – disse Bea
- O que eu sinto por ti ultrapassa qualquer distância que haja entre nós – disse Gonçalo passando uma mão pela face de Bea e encostando o seu corpo ao dela contra a parede.
- Tens a certeza que é mesmo isso que queres? – perguntou Bea para ter a certeza que não era só um sonho.
- Se tenho a certeza? Oh Bi… - e dito isto Gonçalo abraçou o corpo que estava entre as suas mãos e colou os seus lábios nos lábios de Bea, beijando-a de forma doce, carregando todo o sentimento que ele dizia sentir por ela.

Que saudades daquele beijo que ela tão bem conhecia. Sentia as mãos fortes dele abraçarem o seu corpo à medida que sentia a língua de Gonçalo percorrer o interior da sua boca. Era um sonho… Sabia que eles estavam destinados um ao outro e que mais dia, menos dia ele ia-se render ao sentimento que existia entre eles. Bea só queria senti-lo de novo e estar com ele. Precisava daquele corpo, como do seu amor. Descolou os lábios dos de Gonçalo e abraçou-o com força, dizendo ao seu ouvido:

- Amo-te!
- E eu amo-te a ti Beatriz Martins
– disse Gonçalo beijando-a novamente
- Quero estar contigo… – disse Bea
- Hmm… não precisas de dizer isso duas vezes! – disse Gonçalo beijando-a de novo
- Os meus pais foram passar a passagem de ano à casa de Azeitão com uns amigos… podíamos ir lá para casa – propôs Bea

E dito isto Gonçalo puxou-a novamente pelo braço e levou-a até ao sítio onde estavam os seus amigos. Abraçou-a pela cintura e anunciou a sua retirada estratégica por entre gritinhos e palmas de contentamento dos amigos de Gonçalo que ficavam felizes por ver o amigo de novo com Bea e a retirar-se tão cedo…era porque a noite ainda ia ser longa para aqueles dois.

Chegada a casa, meteu a chave à porta com Gonçalo abraçado à sua cintura e a beijar o seu pescoço, abriu a porta e fechou-a com Gonçalo sempre preso a si. Deixou cair a mala e as chaves que tinha na mão e deixou-se comandar por Gonçalo que por entre beijos a levou até ao seu quarto. Tirou-lhe o vestido que envergava e despiu a sua própria t-shirt abraçando o corpo de Bea e beijando-o, desde o peito, aos ombros e ao pescoço desnudado. Bea alcançou as calças de Gonçalo e desapertou-as deixando-as cair no chão e passando as suas mãos no peito definido de Gonçalo. Virou-lhe costas e andou até à sua cama, onde tantas vezes tinha sido feliz com Gonçalo, e deitou-se sendo seguida por ele que se deitou do seu lado acarinhando com a mão o seu cabelo e face à medida que a beijava. Bea libertou-se do seu soutien e pôs-se por cima de Gonçalo, debruçando-se sobre o seu tronco e desfrutando do sabor daqueles lábios que ela tão bem conhecia. Gonçalo segurou-a pelas ancas e alcançou o seu rabo puxando-a até si. Pouco depois as cuecas dela e os boxers dele, estavam no chão junto das outras peças de roupa que ambos vestiam naquela noite, e só as paredes daquele quarto testemunharam o reavivar daquela paixão que durava à 7 anos.

Na manhã seguinte Bea acordou abrigada no corpo de Gonçalo, e matou as saudades de sentir aquele corpo forte entre os seus braços ao acordar. Levantou a cabeça e viu que Gonçalo olhava para si com um ar ternurento.

- Bom dia – disse Gonçalo beijando-lhe a testa e abraçando-a contra si
- Bom dia – disse Bea fazendo um esforço para alcançar os lábios de Gonçalo com os seus.
- Dormiste bem? – perguntou ele
- Muito bem! Quem é que não dorme bem nos teus braços? – perguntou ela abraçando-o com força
- Ainda bem, porque agora toca a levantar! Amanhã vais embora e temos de aproveitar todo o tempo possível para estarmos juntos. Não quero perder um segundo que seja! – disse Gonçalo
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qua Jan 07, 2009 7:06 pm

 28 






De volta ao aeroporto de Lisboa com destino a Berlin, mas desta vez com Gonçalo pela mão. Entrou para fazer o check-in e voltou a sair para se despedir de Gonçalo. Abraçou-o com toda a força que sentia disponível no seu corpo, e deixou cair uma lágrima. Não era uma lágrima de tristeza, era de felicidade de o ter ali nos seus braços novamente. Adorava que ele fosse consigo, mas sabia que ele tinha a faculdade em Lisboa e não podia partir. Abraçou-o vezes e vezes sem conta e beijou-o até faltarem 30 minutos para o seu avião partir e ter de ir para a porta de embarque.

Sentou-se no avião e reviveu os últimos dias em Lisboa. Estava feliz. Parte de si queria ficar, mas outra parte queria voltar para Berlin e estar com os seus amigos. Era um sentimento estranho, ela já não era a Bea que tinha chegado à 3 meses aquela cidade estrangeira. Tinha aprendido a viver consigo e tinha feito amizades para a vida, e sabia que ali também era feliz, era quem queria ser sem se importar com aqueles que não lhe interessavam, no entanto, o reavivar da sua relação com Gonçalo deixava-a entusiasmada, e o regresso tornava-se um pouco mais amargo, mas tinha de ser… Sentiu os olhos humedecerem ao levantar voo, mas logo tentou apagar a tristeza da sua mente e olhar para o que o futuro se lhe reservava.


@ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @


Estava de volta a casa. O seu cantinho. Sabia tão bem. Entrou em casa, fechou a porta e foi directa ao quarto esticar-se na sua cama. A viagem não era muito longa, mas tinha feito directa para poder passar o máximo de tempo possível com Gonçalo, e o seu corpo começava a pedir descanso. Mas não se podia deixar adormecer… assim que tinha saído do aeroporto tinha telefonado a Bill a avisar que já estava de volta e cheia de saudades de Bettler, e Bill tinha ficado de ir lá ter a seguir ao jantar para levar o seu amigo. Levantou-se com muita preguiça e pôs a sua mala de viagem num canto do quarto, não ia tratar dela naquele dia de certeza. Assim que se visse com Bettler nos braços ia hibernar. A mala podia ficar para o dia a seguir...

Passava pouco das 10h da noite quando Bill chegou trazendo o pequeno Bettler ao colo. Bea abriu a porta e esticou os braços ao seu amigo de quatro patas.

- Bettttttt – disse Bea em português – Coisa fofa! Que saudadessss, estás tão crescido! – E olhando para Bill que sorria dirigiu-se a ele, desta vez em alemão e dando-lhe dois beijinhos – Olá Bill, tudo bem?
- Tudo! Deixa-me só pousar o saco…
- disse Bill que ainda estava carregado com os pertences de Bettler
- Ohhh…entra, entra! – disse Bea abrindo mais a porta para que ele passasse.

- Então como é que correu a viagem? – perguntou Bill pousando o saco na cozinha
- Muito bem! E por aqui, correu tudo bem? O Bettler portou-se bem? – perguntou Bea
- Claro que sim. Ahhh olha… – disse Bill tirando do saco que tinha acabado de pousar um pequeno ratinho – o novo brinquedo do Bettler
- Ohhhh que giro!
– disse Bea sorrindo e pegando no ratinho para brincar com Bettler que ficava maluco com o seu novo brinquedo – Ele gosta!
- Acredita, ele não pára de um lado para o outro com o rato
– disse Bill

- Mas senta-te um bocadinho… vou fazer um chá para nós – disse Bea passando Bettler para o colo de Bill e dirigindo-se à kitchnet para pôr água ao lume.

- Estiveste com a Dreia lá em Portugal? – perguntou Bill que se sentava no sofá com Bettler ao colo
- Não! Ela é de Coimbra, ainda é longe de Lisboa. Mas ela amanhã está de volta, temos de fazer qualquer coisa para comemorar a entrada do novo ano! – disse Bea
- Claro. Podíamos ir à Berghain! Não vamos lá há imenso tempo, e lá dá para estar à vontade – disse Bill
- Por mim, pode ser! Mas só para o próximo fim-de-semana porque segunda-feira começam as aulas e os pais dela não a vão deixar ir amanhã, nem durante a semana… – disse Bea colocando o saquinho de chá na água

- Por mim! – disse Bill - Mas e então…conta-me lá como é que correu a viagem. Matas-te as saudades todas?
- Sim… mesmo todas
– disse Bea rindo e colocando o chá em 2 canecas oferecendo uma a Bill e sentando-se do seu lado
- Hmmm…. Isso quer dizer o quê? – perguntou Bill sorrindo
- Quer dizer que eu e o Gonçalo voltámos a namorar… – disse Bea com os olhos a brilhar

- A sério? – perguntou Bill abrindo os olhos – Bem…então estou a ver que a viagem foi muito produtiva – disse Bill sorrindo e levantando uma sobrancelha
- Mesmo! – disse Bea sorrindo
- Tu bem dizias que vocês haveriam de voltar – disse Bill
- Era inevitável! Nós gostamos mesmo um do outro – disse Bea feliz

- Agora vai ser difícil com a distância… – perguntou Bill
- Sim… mas são só 3 horas de avião, assim que der ele vem-me visitar! – disse Bea – E depois vais conhecer o Gonçalo…
- Gostava de o conhecer, para gostares tanto dele deve ser muito fixe…
– disse Bill
- É! – disse Bea sorrindo
- Fico mesmo feliz por ti! – disse Bill sorrindo

Ambos prosseguiam bebendo o seu chá calmamente e olhando para Bettler que saltitava no chão atrás do seu brinquedo novo. Bill, tinha um assunto entalado na garganta desde a passagem de ano. Não sabia se era a melhor altura para falar com Bea, já que ela devia estar cansada e tinha acabado de chegar de viagem, mas também não queria adiar a conversa por muito tempo. Decidiu arriscar.

- Estive a falar com o Tom… – começou Bill lentamente para se preparar a ele próprio para a conversa que ia desencadear – e ele disse-me que naquele dia do jantar em tua casa, ele… Se fez a ti!
- Sim…
- disse Bea parva sem saber o que dizer

- Desculpa! Ele já devia estar bêbado… – disse Bill
- Não tens nada de pedir desculpas por ele! Ele que seja homenzinho o suficiente para o fazer. Eu já calculava que o teu irmão me achasse igual às amiguinhas dele, mas está enganado… – disse Bea
- Eu sei. Eu já lhe disse que nem valia a pena ele dar-se ao trabalho de te chatear que ia estar a perder o tempo dele! – disse Bill
- Mesmo! E a Dreia também não é igual às outras, com quem ele vai para a cama… – acrescentou Bea.
- Na cabeça dele é – disse Bill – Ele foi para a cama com ela, como foi com todas as outras. Sem a conhecer. Algo lhe despertou interesse e o fez sentir-se atraído e isso bastou.
- Mas ela não merece comparação com as outras. Além disso, tu sabes que ela gosta mesmo dele. Se ela soubesse que ele se tinha feito a mim ficava arrasada
– disse Bea imaginando Dreia a descubrir tudo

- Não lhe contaste? – perguntou Bill levantando a sobrancelha
- Não tive coragem… - disse Bea – Ele já tem o que quer, provavelmente já não vai querer mais nada com ela. Escuso de a fazer sofrer mais do que ela já vai sofrer. E como comigo o teu irmão não se safa, é dispensável tocar sequer mais no assunto.
- Por acaso pensei que lhe tivesses contado… quando o Tom me contou tudo, fiquei a pensar na reacção dela. Mas talvez seja melhor ela não saber de nada…
– disse Bill

- Talvez… - disse Bea sem saber se no fundo tomava a decisão correcta. Nunca se tinha visto naquela situação. Só sabia que não queria ver Andreia nos braços de Tom nem a sofrer longe deles. Desejava ter uma poção mágica que pudesse fazer com que todos os sentimentos que Dreia sentia por Tom fossem substituídos por uma simples amizade.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Jan 08, 2009 6:54 pm

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O combinado era encontrarem-se lá dentro, mas Dreia e Bea só podiam entrar para o 5º e último piso da Berghain acompanhadas de alguém que os seguranças do piso privado conhecessem, e isso obrigava a que esperassem uma vez mais cá fora por alguém que as viesse buscar. Para seu espanto o mesmo rapaz que as tinha ido buscar da outra vez, era também o rapaz que as ia buscar agora. Não o conheciam, não fazia parte do círculo de amigos dos gémeos, mas desde que conseguissem entrar e passar à frente daquelas filas imensas, davam-se por satisfeitas.

Voltaram a subir no elevador até ao piso onde se encontrariam com os seus amigos. Os mesmos 2 seguranças que anteriormente estavam à porta do elevador, permaneciam lá imóveis como grandes estátuas gregas, com formas enormes e desproporcionais. Ao verem o rapaz, assentiram com a cabeça em gesto de cumprimento e deixaram-no passar, fazendo-se seguir das duas raparigas.

A sala comum encontrava-se bastante mais vazia que da última vez que lá tinham estado. Ao balcão do bar reconheceram um rapaz loiro de boné enfiado na cabeça. Era Gustav. Disseram ao rapaz que ficavam mesmo por ali e o rapaz assentiu com a cabeça e deixou-as na área comum do 5º piso, partindo em direcção ao bar.

Aproximaram-se por detrás de Gustav e fizeram-lhe cócegas uma de cada lado, causando um susto e um ar de espantado nele, que se virou para trás a ver quem se metia com ele (nos dias em que correm e com a fama que a banda tinha, todos os cuidados eram poucos). Ao reparar que era Dreia e Bea sorriu e cumprimentou cada uma delas com dois beijinhos.

- Por aqui? – perguntou ele
- Sim! Viemos ter com os gémeos – disse Dreia
- Eles ainda não chegaram – disse Gustav – Querem beber alguma coisa? Eu vou pedir para mim…
- Sim, pode ser. Um Vodka Redbull
– disse Dreia
- E para mim o mesmo que tu beberes – disse Bea
- Queres absinto com Gold Strike? – perguntou Gustav com um sorriso
- Nãooooooo! – disse Bea abrindo muito os olhos
- Estou a gozar! – disse Gustav a rir-se - Whisky cola, pode ser?
- Pode
– disse Bea a rir-se e batendo no braço de Gustav por lhe ter assustado

A conversa mantinha-se bem disposta. Gustav parecia estar mais animado do que o costume. Bea e Dreia nunca o tinham visto falar tanto e tão à vontade, mas achavam-lhe imensa piada, gostavam de o ver assim. Talvez pelos gémeos ainda não terem chegado tinham tido a oportunidade de privar um pouco mais com os restantes amigos deles e estavam a ter a possibilidade de os conhecer melhor.

Quando Bill e Tom chegaram, o ambiente estava descontraído e animado. Dreia e Bea estavam já alegres com as sucessivas bebidas que apareciam nas suas mãos sem elas se darem conta como. Vinham o mais discretos possível, para não dar nas vistas (embora o discreto deles fosse sempre relativo). Bill entrou primeiro, seguido de Tom. Ambos demoraram-se a cumprimentar os amigos, entre abraços e sorrisos. Quando chegou a vez de Bea e Dreia serem cumprimentadas algo despertou uma expressão de espanto em ambas as raparigas que deixou uma desconfiada e outra feliz. Tom cumprimentou Dreia com um abraço ligeiramente demorado e um beijo mais sentido que o normal nos seus cumprimentos. Bea olhava para Tom a imaginar o que ele não trazia na manga com aquela entrada em grande, não era normal ser tão simpático. Já Dreia deixava-se derreter nos braços de Tom.

Já não sentia aqueles braços fortes à sua volta à algum tempo, sentia falta do seu toque firme e tentador. Como era bom sentir o seu corpo preso junto ao dela novamente. Como era bom saber que aquele abraço tinha partido dos braços dele, e aquele beijo dos seus lábios perfeitos que ansiava beijar uma e outra vez até ao fim dos seus dias.

Bea olhava para Tom intrigada. Porquê aquela encenação toda? Queria-a provocar? Não queria voltar sozinho para casa naquela noite? Gostava de se sentir desejado? Sim, sim, sim. Sem duvida que sim a todas as 3 perguntas, e sabia que Dreia o olhava com admiração e agrado. De certa forma ele devia perceber que ele era o seu ponto fraco e que a podia ter sempre que quisesse. Não suportava aquela maneira de ser dele. Talvez devesse falar com Dreia sobre o que se tinha passado nas escadas do seu prédio, mas agora não tinha coragem… com que cara lhe contava algo que se tinha passado à quase um mês? Talvez fosse ela quem não estava preparada para aquela situação e não Dreia, talvez ela não quisesse contar com medo de perder a amizade de Dreia, com medo da reacção dela e do seu sofrimento… sim, estava a ser egoísta e a pensar nela própria e não necessariamente no bem da amiga, mas… não conseguia.

Tom manteve-se perto delas a noite toda, a ir-lhes buscar bebidas, a falar animadamente e a seduzir com o seu charme. Bea percebia que algo de estranho se passava ali, principalmente quando Tom olhava insistentemente para Dreia e brincava com o piercing que exibia nos seus lábios. Dreia olhava para os olhos amendoados de Tom sentindo-se corar e tremer levemente. Já não se sentia descontrolada ao pé dele, apenas nervosa e de raciocínio mais lento que o habitual, como se o tempo parasse por um momento e não existisse mais nada que aqueles lábios para observar, aquelas mãos de guitarrista, aqueles olhos amendoados, e aquelas rastas que um dia tinham percorrido o seu corpo provocando-lhe inúmeros arrepios.

Tom parecia entretido na sua dissertação quando o telemóvel tocou. Pediu desculpa às meninas e levantou-se para ir atender o telefone. Dreia assistia à figura de Tom desaparecer com uma expressão de satisfação, afinal era ele, o homem dos seus sonhos que estava ali com ela, e melhor que nunca. Parecia que os seus pedidos tinham sido escutados, ele estava ao pé dela como seu amigo, a falar e a conviver consigo… e talvez fosse sua impressão, mas parecia que ele estava a gostar da sua companhia.

- Não percebo o Tom – disse Dreia – Às vezes não me liga nenhuma, outras vezes é tão simpático…
- Não percebes? Não me vais dizer que ainda não percebeste o que ele quer?
– perguntou Bea incrédula.
- O quê? – perguntou Dreia inocentemente
- Quer ir para a cama contigo, só pode! Já viste a maneira como ele te olha e provoca com o piercing? – disse Bea
- Achas? – perguntou Dreia numa expressão de felicidade – Achas que ele gosta de mim?
- Oh querida… - começou Bea sem saber como dizer aquilo à amiga de forma simpática para não a magoar – Ele não gosta de ti… ele gosta daquilo que tens para lhe dar!
- Mas isso é bom… já é um começo…
– disse Dreia esperançosa

- Não leves a mal Dreia, mas vindo do Tom não é bom… – disse Bea
- Lá estás tu a dizer mal dele! Já sei que ele não é o ideal de rapaz para ti, mas para mim é! – disse Dreia
- Desculpa, mas eu não acho que ele seja a pessoa ideal para ti. Não gosto de te ver sofrer por ele, é só isso – disse Bea preocupando-se com a amiga
- Eu não sofro quando estou com ele, só quando estou longe dele. Ele tem a capacidade de me fazer sentir especial e única… – disse Dreia

- Não é ele que te faz sentir assim, é a ideia dele! – disse Bea
- Porque é que estás a dizer essas coisas? - perguntou Dreia.
- Porque me preocupo contigo e não te quero ver sofrer por causa daquele anormal – disse Bea a ficar irritada por Dreia estar tão cega
- Eu sei cuidar de mim. Não te preocupes. Eu estou bem, estou muito bem. O anormal faz-me feliz… - disse Dreia
- Ok! Faz o que quiseres, a vida é tua, a decisão é tua. Mas achei por bem dizer-te para teres cuidado… – disse Bea preocupando-se com a amiga.
- Eu sei que te preocupas comigo e por isso é que dizes essas coisas, mas talvez exageres um bocado por não gostares dele. Ele não é como tu pensas que é… quando o conheceres melhor vais perceber – disse Dreia

- Ou quando tu o conheceres melhor! – sussurrou entre dentes Bea

A conversa foi interrompida quando Tom regressou ao sofá onde estavam sentadas, e sentou-se ao lado de Dreia colocando a sua mão sobre a perna dela contando uma história que se tinha passado com ele quando era mais novo. Bea olhou para a mão de Tom que estava na perna de Dreia e viu que Dreia estava absolutamente derretida a ouvir Tom, percebeu de imediato que ele já tinha muita experiência naquele tipo de jogos de sedução, tudo era pensado ao mais pequeno pormenor, desde o charme, às piadas, à mãozinha na perna, tudo planeado para conquistar. E o pior é que por mais que ela detestasse aquele tipo de rapazes, eles tinham sempre saída, e havia sempre alguém que caía na conversa deles, e desta vez mesmo em frente aos seus olhos era a sua melhor amiga, mesmo depois de ter sido avisada, mesmo depois de ter sofrido por ele. Tom era o seu ponto fraco, a sua kriptonite, e ela era uma rapariga honesta que não percebia que estava a ser enganada de tão cega de amor que estava por ele.

Não conseguia ficar a assistir aquela cena. Se Dreia queria estar com Tom, ela não queria ter nada a ver com aquilo, nem sequer estar por perto. Anunciou que ia ao bar, perguntou se eles queriam alguma coisa e saiu de ao pé deles o mais rápido que conseguiu com uma encomenda de um Redbull por parte de Tom.

Não demorou mais que 5 minutos até receber as bebidas e respirar fundo para voltar para a sala e encontrar Tom e Dreia, no sofá onde outrora ela estava sentada com eles, a beijarem-se. Bea olhou para aquela cena colocando uma mão sobre os olhos e virando-se de costas, tentando ignorar aquilo que já há muito que previa que ia acontecer naquela sala.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Jan 08, 2009 6:55 pm

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Bea levantou-se da mesa para ir buscar bebidas. “Finalmente” pensou Tom, só assim se sentia à vontade para dar mais um passo em direcção de Andreia. Ela estava muito bonita naquela noite. Vestia um vestido verde curtinho, mesmo como ele gostava, os seus longos cabelos castanhos caiam-lhe pelas costas de um modo extremamente sensual, já para não falar dos olhos de gata que adquiriam uma tonalidade esverdeada e hipnotizante. Sentia-se atraído por ela naquela noite, e sabia que ela continuava enfeitiçada por ele, via-o nas suas faces rosadas, no modo como lhe sorria timidamente, nos seus olhos brilhantes e na maneira como não sabia o que fazer com as mãos. Sim, continuava a ter um poder sobre aquela rapariga, e gostava de saber que ela estava assim, presa aos seus encantos e na sua mão.
Aproximou-se do ouvido de Dreia e disse:

- Estás muito bonita esta noite! – afastando-se de seguida e olhando-a no olhos mordendo o lábio inferior na zona do piercing.
- Achas? – perguntou Dreia timidamente e desejosa de o ouvir elogiá-la novamente
- Tenho a certeza! – disse Tom encostando os seus lábios levemente ao pescoço de Dreia provocando-lhe uma onda de arrepios.

Tom foi subindo devagarinho pelo pescoço de Dreia a cima em leves beijos que absorviam a essência que Dreia carregava, era frutada, lembrava-se bem daquele cheiro. Chegou até à orelha de Dreia onde se demorou provocando-a com beijos e leves mordidas e quando percebeu que Dreia se contorcia de prazer de olhos fechados e concentrada naquilo que Tom fazia, procurou os seus lábios e beijou-os com vontade. Foi retribuído com beijos destemidos por parte de Dreia que matava as saudades daqueles lábios perfeitos e do piercing que a provocava vezes e vezes sem conta nos seus sonhos e desejos mais íntimos.


Não demorou mais que 5 minutos até receber as bebidas e respirar fundo para voltar para a sala e encontrar Tom e Dreia, no sofá onde outrora ela estava sentada com eles, a beijarem-se. Bea olhou para aquela cena colocando uma mão sobre os olhos e virando-se de costas, tentando ignorar aquilo que já há muito que previa que ia acontecer naquela sala.


Era neste momento que desejava ter contado tudo a Dreia, talvez preferisse vê-la sofrer do que ganhar esperanças nos braços de Tom. Respirou fundo e encheu-se de coragem para ir entregar o Redbull que Tom tinha pedido. Aproveitou uma pausa do casalinho e aproximou-se da mesa, colocando o Redbull sobre ela.

- Está aqui… – disse ela olhando para Tom com desejo de o matar
- Obrigado! – disse Tom abrindo a lata de Redbull e bebendo um gole
- Bem…vou ter com o Bill um bocadinho – disse Bea saindo de ao pé deles

Foi ter com Bill que falava entusiasmadamente com Andreas e tentou entrar na conversa, mas eles falavam tão rápido um com o outro que não percebia metade daquilo que eles estavam a dizer, e a sua cabeça continuava, onde os seus olhos acabavam por parar de vez em quando. Naquela mesa e sofá, onde Tom beijava Andreia e percorria o seu corpo com as mãos. Parecia saído de um filme de terror…

- Não achas? – perguntou Andreas a Bea
- Ãhhh? – disse ela meia alienada
- Não achas que devia ser assim? – perguntou ele de novo
- Sim! – disse ela sem saber do que se falava
- Não acredito que concordas! – disse Bill espantado por ninguém ser da sua opinião

Bea limitou-se a sorrir. Não sabia do que falavam e estava cada vez mais longe e preocupada ao ver o casalinho a levantar-se agarrados um ao outro e aos beijos e a dirigirem-se na sua direcção.

- Maninho, vou embora… – disse ele sem tirar a mão da cintura de Dreia que exibia um sorriso radioso.

- Tu vais com ele? – perguntou Bea indignada sem deixar sequer Bill pronunciar-se.
- Sim – disse Dreia.
- Então e os teus pais? Tens de estar em casa às 4h30 – disse Bea tentando demovê-la da ideia de ir embora com Tom.
- Não te preocupes que ela vai chegar inteira e a horas… – disse Tom sorrindo maliciosamente, ao mesmo tempo que Dreia olhava para ele encantada.

- Tens a certeza querida? – perguntou Bea em português para que Tom não percebesse e recebendo uma resposta imediata de Dreia que abanava a cabeça de cima para baixo dizendo que sim.

- Se quiseres podes juntar-te a nós. Três é sempre mais divertido que dois… – disse Tom passando a língua pelo piercing, enquanto Andreia continuava a olhar para ele com um ar embevecido embora um pouco descrente de que o que Tom dizia era realmente uma proposta a sério.

- Vê se cresces Thomas! – disse Bea sentindo-se ofendida por ele chegar tão baixo mesmo nas barbas da sua melhor amiga
- Vai-te lá embora, que tu já não dizes coisa com coisa… – disse Bill ao assistir aquela cena sem acreditar que o irmão tinha acabado de dizer aquilo.

Tom e Dreia despediram-se e foram embora agarrados um, ao outro como um casal apaixonado, mas Bea sabia que naquele casal só uma pessoa estava apaixonada, e não era Tom de certeza. Sentiu um calor subir sobre si, era a raiva que sentia de não ter conseguido evitar aquela saída repentina. Como é que Dreia saía assim com ele, deixando-a ali? E a responsabilidade que tinha em entregá-la sã e salva a casa, como ficava? E as mentiras que Andreia dizia não suportar contar aos pais? Estavam a ficar muito habituais. Eram as más companhias. Já enganava os pais por ele, sem pensar 2 vezes.

- Que raiva! – disse Bea em voz alta na sua língua mãe

- O quê? – perguntou Bill que não percebia uma palavra

- O teu irmão dá-me cabo da cabeça… - disse Bea
- Não fiques assim! Ela também quer estar com ele, ele não a está a obrigar a nada – disse Bill defendendo o seu irmão gémeo.
- Eu sei. Mas ouviste a proposta para uma noite divertida do teu irmão? – disse Bea enojada
- Ele diz essas coisas a gozar – disse Bill a sorrir
- O pior é que não diz…ele diz estas coisas a ver se pegam – disse Bea – Mas comigo está com azar!
-Oh, vá… não vale a pena pensares nisso
– disse Bill – Já não há nada a fazer!

- Há sim…
- disse Bea lembrando-se de algo
- O quê? – perguntou Bill levantando uma sobrancelha
- Já não se pode fazer nada quanto ao facto de eles terem saído juntos e irem fazer sabe-se lá o quê…
- Sabe-se lá o quê?
– disse Bill a rir – Tu sabes o que é que eles foram fazer…
- Não me faças sequer pensar nisso!
– disse Bea contorcendo a cara como se estivesse com nojo de imaginar um momento de intimidade de Tom
- Ok – disse Bill a rir - Mas…
- Mas tu podias ficar de olho no teu irmão. Vê se lhe pões juízo na cabeça e se ele não anda brincar com o coração da rapariga… a sério!
– disse Bea
- Sabes que não é costume ele ir para a cama com a mesma rapariga mais que uma vez – disse Bill – Ele deve estar a interessar-se por ela!
- Isso ainda me preocupa mais… Vá lá!
– insistiu Bea – Promete que tentas por o menos por juízo naquela cabeça e que não o deixas andar por aí a partir o coração da Andreia!
- Ok…eu vou ver o que posso fazer! Se surgir a oportunidade falo com ele, não te preocupes
– disse Bill
- Obrigada – disse Bea abraçando Bill com esperança que ele conseguisse meter alguma coisa na cabeça de Tom.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Sex Jan 09, 2009 4:31 pm

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- Estás chateada comigo? – perguntou Dreia
- Claro que não! – disse Bea à medida que cortava o bife suculento que se apresentava no seu parto e evitava olhar para Dreia nos olhos.

Bea e Dreia tinham combinado ir almoçar fora, para pôr a conversa em dia. A noite anterior tinha sido diferente das restantes em que já tinham saído juntas, tinha ficado um ar pesado entre elas por causa de Tom, e nenhuma delas se sentia à vontade com aquela situação, precisavam de esclarecer as coisas.

- Então porque é que não olhas para mim? – perguntou Dreia
- Eu olho para ti… – disse Bea levantando os olhos do prato e olhando Dreia nos olhos.

- Agora! – disse Dreia – É por causa da cena de ontem do Tom?
- Não. Mas já que falas na cena do Tom…
– disse Bea – Como é que correu tudo ontem?
- Bem!
– disse Dreia sorrindo e corando levemente – E bem melhor do que da última vez.
- Então?
– perguntou Bea
- Não sei… Acho que estava mais à vontade – disse Dreia – Ele é incrível… Era capaz de ficar nos braços dele para o resto da vida sem nunca me cansar.
- Então é porque não é assim tão bom…
– disse Bea a rir
- Oh! Não sejas má! – disse Andreia a rir – É bom é…acredita. Ele sabe exactamente o que fazer para te deixar sem chão!
- Ao menos isso
– disse Bea – E chegaste a casa a horas?
- Antes da hora prevista
– disse Dreia a sorrir – Os meus pais ficaram todos contentes!
- Isso é bom…
- disse Bea – E… como é que vocês estão?
- Não estamos
– disse Dreia
- Então? Falaram nisso? – perguntou Bea curiosa
- Não. Mas eu sei que o Tom é do tipo independente e não quero ser eu a falar-lhe no assunto nem a pressioná-lo. Vou deixar andar e logo se vê no que dá… – disse Dreia

- Deixar andar?! – repetiu Bea espantada
- Sim… nunca se sabe onde isto pode ir parar… – disse Dreia sorrindo
- Oh querida… não estejas com esperanças que vá parar a algum lado, ele não é o tipo de rapaz que vai a algum lado com uma rapariga – disse Bea

- Bea, posso-te ser sincera? – disse Dreia
- Claro! – disse Bea sem hesitar
- Depois daquele jantar em tua casa, eu pensei que ele nunca mais ia olhar para mim, e estava preparada para aceitar isso. A amizade dele já era mais do que suficiente. Mas, a noite de ontem provou que eu estava enganada. Que afinal eu sempre tinha significado alguma coisa para ele… – disse Andreia

- Dreia posso-te ser sincera? – perguntou Bea
- Claro! – disse Dreia prontamente
- Eu adoro-te! Mas acho que estás a sonhar acordada! – disse Bea
- Porquê? – perguntou Dreia um pouco ofendida
- Porque o Tom não é assim… - disse Bea
- Mas afinal como é que conheces tão bem o Tom para saber como é que ele é ou deixa de ser? – perguntou Dreia farta de ouvir a amiga a dizer mal do homem dos seus sonhos.
- Não conheço… mas conheço-te a ti e preocupo-me contigo… – disse Bea
- Não te preocupes, não tens razões para isso. Eu agradeço a preocupação, mas agora mais do que nunca não te tens de preocupar, eu estou mesmo muito bem! – disse Andreia
- Ok, eu prometo não te chatear mais por causa do Tom. Se és feliz é isso que importa. Não sou eu que tenho de gostar dele… - disse Bea

Não, não era Bea que tinha de gostar de Tom, e nada do que ela dissesse ia fazer com que Dreia deixasse de gostar ou olhar para ele como o homem dos seus sonhos. Estava a remar contra a maré, não havia nada que pudesse fazer, se continuasse a dizer mal de Tom, Andreia acabaria por afastar-se de si, e Bea não queria isso.


No No No No No No No No No


Tom acabava de despertar. A noite tinha sido cansativa, embora não mais que o habitual. Tinha-se deitado tarde e tudo o que lhe apetecia era dormir, mas o cheiro de comida não o deixava voltar a adormecer, afinal de contas tinha gasto muita energia na noite anterior e estava a precisar de reabastecer o seu corpo. Levantou-se e foi até à cozinha, onde encontrou Bill bem desperto, a cantarolar e a fazer o almoço. Massa para variar.

- Já estás a fazer o almoço? – disse Tom bocejando
- Ya. Temos de ir ter com o Jost, ele telefonou a dizer para estarmos às 4h no escritório para marcarmos a sessão fotográfica para o cd – disse Bill cortando pedacinhos de salsicha para colocar na massa.
- Porque é que não me acordas-te? – perguntou Tom sentando-se numa cadeira na cozinha
- Porque pensei que ias querer dormir o máximo possível. A noite ontem deve ter sido agitada… – disse Bill com um sorriso maroto e levantando a sobrancelha esquerda.
- Tens toda a razão! – disse Tom imitando o mesmo sorriso que via na cara de Bill
- Então, tu e a Dreia…a Dreia e tu… – disse Bill fazendo olhinhos a Tom

- Sexo Bill… podes dizer a palavra! – disse Tom rindo da figura do irmão.
- Qual sexo! – disse Bill – Estás a ficar interessado nela?
- Não… porque é que haveria de estar a ficar interessado nela?
– perguntou Tom
- Porque é a segunda vez que vais para a cama com ela, e não é normal… – disse Bill
- Apeteceu-me! – disse Tom como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Às vezes apetecem-te muitas coisas! – disse Bill
- Eu sou assim – um rapaz de muitos desejos… – disse Tom a rir
- Não haja duvida… – disse Bill a rir – Mas nada? Nem um fraquinho?
- Nada!
– disse Tom

- Então? – perguntou Bill
- Então apeteceu-me… nem tudo tem de ter uma explicação lógica – disse Tom
- Eu sei, mas se não queres nada com ela também não andes para aí a dar-lhe esperanças – disse Bill

- Wow. Até parece que tenho alguma coisa com ela – disse Tom abrindo os olhos, espantado com a observação do irmão.
- Tom, ela é nossa amiga, não é uma daquelas gajas que tu engatas na noite, por isso convém que penses um bocadinho antes de te apetecerem fazer coisas que podem criar mau ambiente no grupo – disse Bill
- Na boa, não te preocupes! – disse Tom - Porquê comer bife com batatas fritas todos os dias, quando podes comer hambúrguer, pizza, massa…?
- Perdi-me… o que é que isso tem a ver com a conversa?
– perguntou Bill
- Tem de se variar, senão a coisa fica monótona e sem graça… – disse Tom
- A Dreia não é um prato de comida! – disse Bill abrindo muito os olhos
- Pois não, mas porque não variar um pouco e dormir mais que uma vez com a mesma rapariga? – perguntou Tom – Ela é fixe!

- Ok… tu é que sabes
– disse Bill – Mas não faças porcaria com ela!
- Não te preocupes, estamos só a divertirmo-nos. Bem que podias fazer o mesmo…
– disse Tom
- Pois…já cá faltava os teus conselhos – disse Bill a rir – Eu estou bem como estou. Mais vale só, do que sem saber com quem estou acompanhado!


No No No No No No No No No


A reunião com Jost acabava. Os Tokio Hotel estavam prestes a completar mais um passo na produção do seu novo álbum. Tinha ficado marcada uma primeira sessão fotográfica para o cd na próxima quarta-feira. Jost tinha aconselhado os rapazes a convidarem quem quisessem para ir assistir, a intenção era criar um ambiente descontraído e familiar para os rapazes não se chatearem de estar o dia todo fechados num estúdio em mudas de roupa e poses. Bill e Tom não hesitaram em anunciar que iam convidar Andreas, Dreia e Bea para irem assistir à sessão, e ninguém se pareceu opor. Tom ficou encarregue de falar com Andreas enquanto Bill telefonava a Bea.

- Estou? – disse Bea
- Estou Bea, é o Bill – disse ele – Tudo bem?
- Tudo. E contigo?
– retorquiu Bea
- Também! Olha esta quarta nós vamos fazer uma sessão fotográfica para o novo cd. Tu e a Dreia não querem vir? – perguntou Bill
- É melhor não, senão ainda vos atrapalhamos – disse Bea
- Não! A ideia é mesmo atrapalharem para a gente se abstrair um bocadinho de passar o dia todos fechados no estúdio – disse Bill a rir
- Ahhhh….então é na boa! Acho que podes contar connosco – disse Bea – Espera só um bocadinho…

Bea afastou o telemóvel do ouvido e perguntou a Dreia se na quarta-feira estava disponível para ir assistir à sessão fotográfica dos Tokio Hotel, claro que nem um segundo lhe levou a dizer um sonoro “Simmm!” e provocar em Bea um sorriso rasgado.

- Podes contar connosco! Quando sairmos das aulas vamos lá ter… – disse Bea
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Sex Jan 09, 2009 4:32 pm

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Dreia tinha mentido uma vez mais aos pais para poder ir aquela sessão fotográfica, mas nada nem ninguém no mundo a iriam demover de ir assistir a uma sessão fotográfica dos Tokio Hotel, principalmente agora que a sua “relação” com Tom estava a tomar um rumo diferente. A mentira mais uma vez compensava. Estava a tornar-se profissional, o que a assustava mas ao mesmo tempo deixava contente por ter razões tão boas para mentir aos seus pais.

Entrou no estúdio para ver os seus ídolos em plena sessão… A sensação de os ver aos 4 juntos, arranjados, maquilhados e a pousar impunha respeito, como se aquelas pessoas que ali estivessem não fossem os seus amigos, mas a banda de Rock do momento. Era a presença de Bill que mudava tudo. O facto de ele estar com o cabelo em pé e totalmente maquilhado.

Deixou-se estar num cantinho da sala para não incomodar, e assistiu ao fotógrafo a tirar uma série de fotos à medida que o grupo pousava e mudava ligeiramente de posição. Olhou à sua volta e reparou que Bea ainda não tinha chegado.

Quando o fotógrafo acabou de tirar as fotografias, Bill, Tom, Gustav e Georg saíram do set e foram ter com Jost que estava sentado numa cadeira em frente a um computador portátil a ver as fotos tiradas naquela manhã. Foi Georg que reparou em Andreia.

- Dreia! – exclamou Georg
- Olá! – disse Dreia aproximando-se deles e sentindo as suas faces corarem. Ainda ficava nervosa quando via os 4 juntos, ainda mais sendo a primeira vez que via Bill com o cabelo em pé!

Tom chegou-se à frente (para espanto dos amigos) e foi ter com Andreia, cumprimentando-a com um toque nos lábios. Bill assistia aquela cena incrédulo. O que é que Tom tinha na cabeça? De onde é que vinha aquela manifestação de carinho?... Ali havia coisa!

Dreia cumprimentou os outros membros do grupo e Jost com dois beijinhos e foi convidada por Jost para ver e dar uma opinião sobre as fotos que já estavam digitalizadas. Dreia adorou, era uma melhor que a outra. Eram tantas. A sessão já devia estar a acabar, não imaginava o que eles fariam com tantas fotos!

- Já almoçaste? – perguntou Jost a Dreia
- Não! Vim directa para aqui – respondeu Dreia
- Então podes aproveitar para ir almoçar com os rapazes. Fazemos pausa para o almoço? – perguntou Jost
- Sim! – disseram os 4 em uníssono.
- Ok, então quero-vos de volta daqui a 30 minutos… – disse Jost
- 30 minutos? – perguntou Georg
- E vão com sorte! – disse Jost

- Mas ainda falta muito para a sessão terminar? – perguntou Dreia ao ver novas fotos serem descarregadas para o computador.
- Faltam 5 sets e 10 mudas de roupa. Vai dar para o dia todo! – disse Jost – Vá despachem-se!

Dreia ficou impressionada, não fazia noção de que desse tanto trabalho fazer uma sessão fotográfica. Gustav entreteu-se a explicar-lhe durante o almoço que eles tiravam em média 100 fotos por roupa, 2 roupas por set, e algumas fotos individuais de cada um, para poderem ter possibilidade de escolha sem necessitarem de voltar a fazer outra sessão.

- Então assim nem amanhã saíem de estúdio! – disse Dreia impressionada
- O mais normal é ir até às 2 ou 3 da manhã – disse Gustav
- Fogo! – disse Dreia em português com uma expressão de espanto que fez com que os quatro rapazes, mesmo sem perceberem o que ela dizia, desatassem a rir.

Depois do almoço, os rapazes foram até à sala de fumo, fumar um cigarro, e Dreia decidiu fazer-lhes companhia. Sentou-se num banquinho ao lado de uma janela para evitar levar com muito fumo, mas Tom puxou-a pelo braço, obrigando-a a levantar-se e sentou-se no sitio onde ela estava sentada, voltando a puxá-la para que ela se sentasse no seu colo. Com uma mão segurava o cigarro e com a outra ladeava a cintura de Dreia.

Dreia ficou agradavelmente surpreendida, não estava à espera que Tom fosse tão simpático e interactivo com ela. Da primeira vez que tinham dormido juntos ele quase tinha fingido que nada se tinha passado, agora que tinham dormidos juntos uma segunda vez, ele cumprimentava-a com um beijo na boca e puxava-a para o seu colo… Não percebia, mas também não precisava de perceber, sentia-se bem ao lado dele e só queria viver aquele momento. Aproveitou a iniciativa de Tom e colocou o braço esquerdo à volta dos ombros dele. Queria poder tocar-lhe livremente e quando lhe apetecesse.

- Uhhhh, acho que estamos a mais… – disse Georg sorrindo
- Eh lá hobbit… uma vez na vida percebes-te que estás a mais! Como é que te sentes? – perguntou Tom sobre a risada dos restantes

Georg limitou-se a sorrir.

- Vou sair – disse Georg – Eu digo ao Jost que te demoras mais um bocadinho!
- Nós podemos ir fotografando as individuais…
– disse Gustav
- É por isso que gosto de vocês! – disse Tom piscando-lhes o olho e vendo-os ir embora da sala de fumo.

Bill no entanto permaneceu um pouco mais a acabar o seu cigarro sobre o olhar atento e impaciente de Tom. Apagou a beata contra o cinzeiro e olhou para Tom e Dreia atentamente e apontando para eles disse:

- Juizinho!

Dreia limitou-se a sorrir, assistindo a Tom fazer adeus com a mão e Bill a retirar-se da sala.

- Agora nós! – disse Tom virando-se para Dreia


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- Ohhh…mas tens a certeza que não podes vir? – perguntou Bea
- Infelizmente. Marcaram-me uma apresentação para a semana que vem e não consegui mesmo alterá-la – disse Gonçalo
- Mas nós fazemos 8 anos… – disse Bea com pena de não ter Gonçalo ao pé de si
- Eu sei! – disse Gonçalo cheio de pena – Eu fiz tudo o que dava para adiar, mas o professor diz que tem de ser para a semana porque depois vêm aí os exames e não dá!

- Porque é que não vens cá tu?
– perguntou Gonçalo após um silêncio constrangedor
- Porque começo os exames daqui a 2 semanas, não dá para ir aí a uma semana dos exames! – disse Bea

- Estudas cá em casa… – disse Gonçalo com uma voz sedutora
- Havia de estudar muito – disse Bea a rir – Além disso continuo em aulas durante os exames. Eles aqui não param.

- Então acho que pela primeira vez vamos passar o nosso aniversário afastados
– disse Gonçalo.

- Parece que sim – disse Bea entristecida – O que é que vais fazer?
- Devo ir sair com eles…
– disse Gonçalo
- Vais sair sem mim? – perguntou Bea ciumenta
- Não…vou ficar em casa à espera que apareças! – disse Gonçalo ironicamente

- É preciso falar assim? – perguntou Bea espantada
- O que é que queres que faça? Que fique em casa fechado para o resto da vida porque tu decidiste ir para a Alemanha estudar? – perguntou Gonçalo rancoroso
- Não… mas também não queria que fosses sair com os teus amiguinhos – respondeu Bea
- Estás a gozar? Os meus amigos, são meus amigos desde a escola, e são teus amigos também caso não te lembres! – disse Gonçalo espantado coma reacção da Bea
- Eu não considero amigos, pessoas que te fazem a cabeça para acabares comigo! – disse Bea já a ficar alterada
- Ninguém me fez a cabeça! Eu acabei contigo porque quis acabar! – disse Gonçalo

- Olha…estou-me a cagar! Vai lá sair com os teus amiguinhos que eu saio com os meus! – disse Bea de forma agressiva
- Vês?! Estamos resolvidos…cada um vai à sua vida e pronto! – disse Gonçalo
- Estou a ver que sim…. – disse Bea sentindo-se a ficar fragilizada com aquelas palavras
- Então adeus! – disse Gonçalo
- Diverte-te! – disse Bea

Bea desligou o telefone e colocou as mãos na cara. Detestava brigar com Gonçalo, e quando brigavam, era sempre assim, por coisas estúpidas. O pior é que já se conhecia bem demais, sabia que era demasiado casmurra para dar o braço a torcer numa situação daquelas, desse por onde desse! Não queria que Gonçalo fosse sair com os amigos dele… não queria e não ia esconder isso de ninguém!

Respirou fundo e abriu a porta do estúdio. Não queria mais pensar nele, nem na conversa que tinham acabado de ter. Entrou no estúdio e fechou a porta com cuidado para não fazer barulho. No ar ouvia-se nitidamente a voz de Bill a cantar, mas não reconhecia aquela música, talvez fosse do novo cd. Aproximou-se do set e foi com espanto que viu a figura que estava à sua frente a tirar fotografias. Nunca tinha visto Bill na sua versão Tokio Hotel. Em 3 meses que o conhecia, sempre o tinha visto o mais discreto e natural possível, para tentar passar despercebido, mas de repente, ali estava ele, aquela imagem que tinha visto tantas vezes na televisão e em fotografias, com o cabelo espetado e quilos de maquilhagem. Era capaz de jurar que abriu a boca com o choque de o ver assim. Na realidade era mais que normal que ele estivesse como estava, mas nunca lhe tinha passado pela cabeça encontrá-lo com uma imagem diferente daquela a que estava habituada. Aquela pessoa que estava à sua frente era mais uma vez tudo o que a repelia num rapaz, parecia não reconhecer o Bill que tão bem conhecia e tinha aprendido a gostar. Os seus pensamentos foram interrompidos por Gustav, que ao vê-la chamou-a para ao pé de si, e junto a Georg e Jost assistiram à conclusão das fotos individuais de Bill.
Bea permanecia imóvel e sem palavras a olhar para Bill, para cada centímetro daquela personagem que estava à sua frente a tentar perceber onde estava o seu amigo.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Jan 11, 2009 7:57 am

• 33 •







Quando Bill acabou de fotografar as suas fotos individuais foi ter com Bea e cumprimentou-a com dois beijinhos, mas a cara dela estava ligeiramente estranha, como se não o reconhecesse. Bill sorriu e confrontou-a com uma pergunta:

- Lembras-te de mim?
- Sinceramente… não!
– disse Bea com um olhar tímido
- Bill Kaulitz – disse Bill estendendo a sua mão a Bea – … Raptor de gatos!
- Não será mais assustador de gatos?
– disse Bea a rir e entrando na brincadeira

Bill não conseguiu conter o riso.

- Porque é que me estás a olhar assim? – perguntou ainda entre risos
- Nunca te tinha visto assim… - disse Bea apontando para o cabelo de Bill – O que é que fizeste? Meteste os dedos na tomada?
- Não
– disse Bill a rir – A culpa é da Nathalie!
- Ainda bem que avisas, não me chego mais ao pé dela
– disse Bea a rir

- Nunca me tinhas visto assim? – perguntou Bill espantado
- Não! Quer dizer, já tinha visto em revistas e na televisão, mas ao vivo, nunca! – disse Bea
- E é assim tão assustador? – perguntou Bill interpretando a cara de Bea
- Não! Mas não estava nada à espera de te ver assim… – disse Bea apontando para a figura de Bill
- Com a cara que fizeste até eu fiquei assustado! – disse Bill
- Pois…mas não ligues à minha cara hoje – disse Bea
- Então? – perguntou Bill
- Discuti com o Gonçalo! Era suposto ele vir cá para a semana e não pode… – disse Bea
- Porque é que não lhe fazes uma surpresa e não vais tu ter com ele? – perguntou Bill
- Porque tenho exames daqui a duas semanas e não dá mesmo – disse Bea com um ar triste
- Então, assim que acabares os exames tens de ir lá fazer-lhe uma visita. Vai ficar todo contente… – disse Bill abraçando Bea

- Ahhhh estão-me a atacar! Bicho!!! Sai daqui! – disse Bea na brincadeira por causa do aspecto de Bill, batendo nele e soltando-se dos seus braços.

- Silêncio! – gritou um assistente de produção que preparava o set para Gustav começar a tirar as suas fotos individuais.

Bill e Bea riram da situação e mantiveram-se quietos e calados durante um tempinho até se começar a ouvir o novo cd de Metallica no estúdio, e Gustav ficar todo contente.

- A Dreia? – perguntou Bea
- Está com o Tom… - respondeu Bill fazendo-se acompanhar de um olhar comprometedor.


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- Agora nós! – disse Tom virando-se para Dreia

Tom puxou uma vez mais um bafo do seu cigarro e apagou-o no cinzeiro, expulsando ao mesmo tempo o fumo que mantinha dentro de si. Humedeceu os lábios e olhou para Dreia com um ar cobiçoso. Colocou uma mão à volta do pescoço de Dreia e puxou os lábios dela até aos seus. Beijou-os demoradamente sentindo as mãos de Dreia abraçarem o seu corpo.
Mantiveram-se assim, com ela sentada em cima do seu colo, abraçados e a beijarem-se durante um tempo, até Dreia deslocar os seus lábios para o pescoço de Tom e lambe-lo sensualmente, provocando em Tom um sorriso demorado e feliz.

- Sê meu! – disse Dreia subindo os seus lábios até ao ouvido de Tom provocando-lhe um arrepio.

Tom pegou nas mãos de Dreia e prendeu-as atrás das costas, beijando os lábios dela insaciavelmente. Dreia arqueou o seu corpo para trás dando espaço a que Tom enterrasse os seus lábios no peito de dela. Mas Tom queria mais, queria poder sentir a sua pele e o seu cheiro. Soltou as mãos de Dreia, colocando ambas as mãos por baixo da camisola dela e acariciando o seu peito. Dreia começava a ansiar por mais, mas não podia correr o risco de ser apanhada na sala de fumo com Tom. Não podia, ou não queria. No fundo queria ter tempo para saborear aquele corpo e desfrutar do prazer que ele lhe infligia sempre que estavam juntos.

- E se entrar alguém? – perguntou ela abraçando o corpo de Tom

Tom levantou-se, fazendo com que Dreia se visse obrigada a levantar também, e foi até à porta. Abriu-a e espreitou lá para fora. Voltou a por a cabeça para dentro e a fechar a porta e anunciou com os olhos sedentos de a possuir e a língua a rodear o piercing que habitava nos seus lábios:

- Não está aqui ninguém!

Dreia foi até ele, e encostou-o contra a porta, barrando o caminho.

- Agora, mesmo que queiram, não entram… – disse Dreia

Tom olhou para Dreia agradavelmente espantado! Não era a primeira vez que ela procurava dominá-lo, mas era a primeira vez que mostrava tanta confiança e sede de o ter ali e naquele momento. Rodeou a cintura de Dreia com os braços e deixou que ela lhe levantasse a t-shirt e beijasse o seu tronco, provocando-lhe um misto de arrepios e satisfação. Pegou nas faces rosadas de Dreia com ambas as mãos e levou-as até aos seus lábios beijando-os selvaticamente. Voltou-a ao contrário, deixando-a encostada à porta e beijou o seu pescoço depositando ambas as mãos no seu rabo redondo e empinado e puxou-a contra si, à medida que ela o segurava pelas rastas com uma mão e acariciava a sua nuca com outra.

Dreia estava já ofegante com o poder de Tom sobre si. Levantou uma perna e colocou-a à volta da cintura de Tom, permitindo a Tom um contacto mais próximo com aquela parte do seu corpo que sabia ser o ponto de desejo dele.

Tom começou a fazer pequenos movimentos com a pélvis que a subjugavam contra a porta, deixando Dreia ansiosa e desejosa por o possuir. Sem se conseguir conter colocou ambas as mãos sobre o cinto das calças de Tom e desapertou-as com uma rapidez e fúria destemida, enquanto Tom procurava já um preservativo. Dreia desapertou as suas calças, colocando-as para baixo e sentiu Tom segurar-lhe nas mãos quando se preparava para tirar as suas cuecas.

- Dá-me o prazer… – disse Tom num tom baixo e sensual.
- Todo! – disse Dreia sorrindo e atacando o piercing que espreitava na boca de Tom sugando-o com os seus lábios.

Tom colocou uma mão em cada anca de Dreia e fez as suas cuecas deslizarem, aproveitando para sentir as suas formas curvilíneas e acariciando a pele macia de Dreia. Pegou na perna esquerda de Dreia e colocou-a novamente à volta da sua cintura e iniciou novamente os movimentos com a sua pélvis, entrando no interior dela, provocando desta vez uma reacção muito diferente. Dreia estava agora ofegante, a sentir Tom dentro de si, abraçou o corpo dele e deixou que ele matasse a fome que tinha do seu corpo. Tom aumentava a velocidade a que se permitia entrar em Dreia, ouvindo os seus gemidos e sentindo o seu corpo contrair-se colado ao seu.

Quando estava prestes a sentir o seu corpo e ego saciados, um barulho vindo das suas calças deteve-o, fazendo com que ele parasse e se fizesse ouvir na sala a respiração descontrolada de ambos.

- Não pares… - disse Dreia ofegante – Não te atrevas a parar agora…
- É o meu telemóvel…
– disse Tom baixando-se e procurando nas calças o seu telemóvel.

- Estou? – disse Tom tentando controlar a sua respiração o máximo possível
- Eu tinha dito 30 minutos Tom! – disse Jost – Onde é que andas?
- Atrasei-me! Dá-me 5 minutos…
- disse Tom
- Tens 5 minutos para estar aqui… - repetiu Jost desligando de seguida o telefone

- Tom – disse Dreia ofegando e colocando uma mão de Tom sobre o seu peito para que ele sentisse o coração dela – Não me deixes assim!

- Temos 5 minutos…
- disse Tom atacando os lábios de Dreia e iniciando novamente o movimento que pouco depois os levava a saciar os seus desejos.


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Tom entrou no estúdio com um sorriso que exibia aquilo que tinha acabado de fazer. Para espanto de Bea vinha sozinho. Tom apresentou-se a Jost e anunciou o seu regresso pedindo desculpas pela demora. Georg estava agora acabar as suas fotos. Só faltavam as fotos individuais de Tom.
Tom aproximou-se de Bea e cumprimentou-a com dois beijinhos.

- Tudo bem? – perguntou ele com um sorriso provocador na cara
- Tudo! – disse Bea – Onde está a Dreia?
- No céu!
– disse Tom mordiscando o lábio inferior e levantando a sobrancelha
- Poupa-me Thomas! – disse Bea com um ar enjoado

- Agora deste para me chamar Thomas? – perguntou Tom
- Não é o teu nome? – retorquiu Bea
- Dizem que sim… - respondeu Tom
- Então! – disse Bea com um ar superior, e voltou a perguntar – Onde é que ela está?
- Foi à casa de banho!
– disse Tom


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Entrou na casa de banho e deu de caras com Dreia a passar um papel pelo pescoço a limpar o suor que tinha no corpo. A cara de Tom e a figura de Dreia não deixavam muito à imaginação. Tinham-se envolvido novamente. Bea já não sabia se havia de ficar contente ou triste com aquela situação, mas a sua cabeça estava tão longe dali com os seus próprios problemas que preferiu nem pensar naquilo. A amiga sabia o que estava a fazer.

- Já chegas-te! – disse Andreia sorrindo
- Sim… – disse Bea olhando para Dreia, e não conseguindo conter aquilo que estava entalado na sua garganta optou por dizer – Gosto de te ver assim feliz… Essa felicidade é toda por causa do Tom?
- Sim!
– disse Dreia sorrindo
- Que bom! – disse Bea automaticamente sem sentir as palavras que lhe saiam da boca

E sem que Dreia pudesse prosseguir, o telemóvel de Bea tocou. Bea tirou-o do bolso e tinha nele uma mensagem onde se podia ler:

De: Gonçalo
Desculpa… eu sei que fui estúpido! Dava tudo para estar aí contigo, mas não posso mesmo ir. Perdoas-me? Amo-te Bi! *Beijos*

Bea sorriu sobre o olhar atento de Dreia.

- É o Gonçalo? – perguntou Dreia ao ver os olhos de Bea ganharem um brilho diferente
- Sim… – disse Bea sorrindo – O meu Gonçalo!
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Jan 11, 2009 7:58 am

 34 







8 anos desde que Bea e Gonçalo tinham decidido dar-se um ao outro como mais do que amigos. 8 anos felizes e cheios de descobertas. Bea já tinha falado com Gonçalo duas vezes ao telefone, e passara o dia todo a trocar mensagens com ele. Não o tinha ao seu lado em corpo mas em mente ele não a abandonava 1 segundo.

Era um dia especial para Bea e ela não queria ficar em casa trancada (até porque sabia que Gonçalo ia sair com os seus supostos amigos). Tinha falado com os rapazes e tinha organizado uma saída para a Veranstaltung. Bea estava feliz, era um dia sem dúvida especial e merecia ser comemorado, e se não tinha Gonçalo consigo ao menos tinha os seus melhores amigos. Os seus primeiros e verdadeiros amigos.

Estavam na sala privada que lhes era destinada. A sala ficava no primeiro andar, e era rodeada de vidro, fazendo o efeito de um cubo. Numa parede podia-se ver uma tela onde iam passando vídeos das músicas que ecoavam no bar. A toda a volta sofás de camurça pretos forravam a sala e uma mesa transparente cobria metade da área dos sofás para que as pessoas pudessem pousar as suas bebidas.

Bea estava sentada ao pé das mesas a conversar animadamente com Andreas quando reparou que Tom e Dreia, estavam no centro da sala, a falar com Bill, Nathalie e Jost. Já conhecia bem aqueles dois para saber que estavam mortinhos por se verem livres dos outros. A troca de olhares e o jogo de sedução que faziam ao levar o copo à boca era tão explícito, que não sabia como é que os outros ainda estavam entretidos a falar e não tinham dado por nada. O cúmulo foi quando Tom foi até ao bar buscar uma bebida e ao voltar se pôs ao lado de Dreia e ia-lhe dando pequenos toques com os pés. Mas Bea estava feliz, e Dreia também, não havia razões para se chatear. A amiga tinha optado por apostar em Tom, e embora Bea achasse que a “relação” já ia longa demais eles continuavam a estar juntos e até agora parecia correr bem.

Quando Bill se aproximou dos sofás, Bea pediu licença e levantou-se. Agora que Andreas estava acompanhado podia telefonar novamente a Gonçalo, queria ouvir a sua voz, saber o que estava a fazer naquele momento. Saiu da sala, e foi à casa de banho telefonar-lhe, já que era o único sitio onde a música não se ouvia. Tirou o telemóvel da mala e procurou o número de Gonçalo. O telefone começou a tocar, à medida que Bea se olhava ao espelho e arranjava o cabelo com a mão que tinha livre.

- Estou? – disse Bea com um sorriso imenso na cara.
- Biiiiiiiiii meu amor – disse Gonçalo visivelmente alterado.

- Já estás bêbado? – perguntou ela a rir
- Eu não estou bêbado, estou alegre… – disse Gonçalo a rir.

- Então e o que é que andas a fazer? – perguntou Bea encostando-se ao lavatório e ficando de frente para a sua imagem que se reflectia num espelho que ia de parede a parede, e do chão ao tecto da casa de banho da Veranstaltung.
- Viemos para o Lux – disse Gonçalo – Está tão fixe! Devias estar aqui!
- Quem me dera…
– disse Bea
- E tu o que é que estás a fazer? – perguntou Gonçalo
- Vim sair… - disse Bea
- Com rapazes? – perguntou Gonçalo
- …E raparigas – disse Bea rindo – Porquê? Estás com ciúmes?
- Tenho razões para isso?
– perguntou Gonçalo
- Achas? Nunca terás razões para ter ciúmes de mim… – disse Bea sorrindo e mexendo no seu cabelo.
- Pois é… nunca hei-de ter razões para ter ciúmes, isso não tem graça nenhuma… – disse Gonçalo

- O que é que não tem graça nenhuma? – perguntou Bea
- Ter-te como garantida… não lutar por ti, não ter ciúmes teus, não nada… - disse Gonçalo bêbado
- Desculpa? – perguntou Bea sem acreditar naquilo que ouvia – Preferias o quê? Que eu andasse por aí a fazer-me aos alemães e te esfregasse isso na cara?
- Que fosse…
- disse Gonçalo – Vamos tornar a relação mais estimulante! Não tem graça ter-te como um dado adquirido, parece que somos amigos que estamos habituados a partilhar a cama…

- Estás a gozar comigo? – disse Bea – Não tem graça nenhuma!
- Eu sei… não tem graça nenhuma, sempre a mesma rotina e a mesma vida…
- disse ele
- Não quero que estejas a fazer sacrifícios por minha causa Gonçalo, há uma solução simples para o teu tédio! Acabamos já a relação e és livre de viver as aventuras que quiseres! – disse Bea ameaçando-o

- Tu estás a acabar comigo? – perguntou ele
- …. Olha sabes que mais? Estou! Estou farta das tuas incertezas, à duas semanas atrás era a mulher da tua vida e não conseguias viver sem mim, agora que me vês pelas costas já sou um fardo que te está a dificultar a vida! – disse Bea

- Tu estás a acabar comigo? – perguntou Gonçalo levantando a voz
- Sim, estou a acabar contigo! E desta vez é a sério… - disse Bea sentindo um aperto no coração e os olhos a encherem-se de lágrimas.
- Já nem te reconheço…. – disse Gonçalo
- Já somos dois! – disse Bea desligando o telefone na cara de Gonçalo.

Entrou numa cabine e sentou-se na tampa da sanita, enterrando a cara nas mãos, soltando as lágrimas que estavam contidas nos seus olhos. Como é que ele era capaz de lhe fazer aquilo? Estivesse bêbado ou não, nada justificava aquelas palavras que ele lhe tinha dito. Sempre tinha dedicado a sua vida a ele e pela segunda vez ele dizia querer viver uma aventura. Talvez fosse a distância que os estava a separar, se ela estivesse neste momento em Lisboa as coisas seriam diferentes. Nem queria acreditar que o seu escape tinha-se tornado o fim da sua relação com Gonçalo, aquela que pensava ter sido a decisão correcta tinha-se revelado um grande erro. Se tivesse ficado em Portugal tudo seria diferente… ou não? Para quê enganar-se. Talvez Gonçalo estivesse certo… talvez eles fossem apenas amigos que partilhavam a mesma cama, estavam habituados um ao outro. Tirou um pouco de papel higiénico e limpou as lágrimas que escorriam na sua cara. Saiu da cabine e retocou a maquilhagem, com sorte ninguém iria reparar…

Saiu da casa de banho e encaminhou-se para a sala privada ou estavam os seus amigos. No caminho deu de cara com Tom a olhar interessado para uma barmaid. Bea estava triste e irritada com a conversa que tinha acabado de ter com Gonçalo, ao ver Tom reagir de maneira tão primitiva não se conteve e foi directa até ele com uma raiva acumulada e prestes a explodir.

- O que é que estás a fazer? – perguntou ela com um tom inquisidor
- Ouvir música, pedir uma bebida… – disse Tom sorrindo
- Engatar uma empregada? – perguntou Bea
- Quem sabe? – disse Tom piscando-lhe o olho
- Tu não tens vergonha na cara pois não Thomas? – perguntou Bea enfurecida

- O que é que foi Bea? – perguntou Tom não achando piada aquela ofensa directa – O que é que tens contra mim?
- A partir do momento que andas com a Dreia e te fazes a outras ao mesmo tempo? …Tudo!
– disse Bea
- Eu não ando com a Dreia… – disse ele
- Ai, não? Então o que é que ela é? A queca oficial? Dás umas voltinhas com ela e vais tendo outras? – perguntou Bea
- Ela é minha amiga – disse Tom
- Amiga? É a isso que chamas ser amigo? – perguntou Bill espetando-lhe um dedo no peito.
- Eu não tenho de te dar satisfações de nada. Eu faço o que quiser e bem entender, se alguém se tiver de queixar é ela e não tu! Eu não tenho nada contigo… – disse Tom
- Pois não…podes ter a certeza que não! – disse Bea com raiva – Rapazes como tu dão-me volta ao estômago
- E à cabeça…
– disse Tom sorrindo
- Desculpa? – perguntou Bea franzindo a testa
- Só podes estar assim porque estás com inveja… – disse ele passando a língua demoradamente pelo piercing
- Tu não percebes mesmo nada de raparigas, pois não? – perguntou Bea ofendida
- Percebo que estás cheia com ciúmes da Dreia. Tu gostavas de estar nos meus braços como ela, e não suportas vê-la comigo por causa disso. Então quando olho para outras com desejo e não olho para ti, soltas essa fera… – disse Tom aproximando-se de Bea e encostando os lábios ao ouvido direito dela à medida a que falava
- Cala-te! – disse Bea afastando-o de si com violência – Eu não gosto nem nunca hei-de gostar de ti!
- Adoro quando ficas assim picada por minha causa …
- disse Tom mordendo o lábio inferior
- Por tua causa? – perguntou Bea – Julgas-te assim tão importante?
- Tu sabes que sim…
- disse Tom
- Para tua informação eu estou assim porque acabei a minha relação de 8 anos com o Gonçalo à uns minutos atrás… – disse Bea sentindo os olhos a ficarem aguados – Não tem nada a ver contigo. Tu és o tipo de rapaz que pelo qual eu nunca me interessaria Thomas. Mulherengo, egoísta, convencido…

- Desculpa... Não sabia que tinham acabado!
– disse Tom sentindo-se mal pelas coisas que lhe tinha dito.
- Para a próxima é melhor estares calado – disse Bea – E já agora vê se não partes o coração à Dreia, porque senão vais ter de te ver comigo.

- Bea!
– disse Tom a rir.
- Não estou a gozar Thomas… - disse Bea com um olhar desafiador

Virou costas e saiu de ao pé de Tom, aquela conversa já tinha dado tudo o que tinha a dar. Agora ainda se sentia mais raivosa e chateada. Malditos homens que tudo o que sabiam fazer era complicar as coisas.

Entrou na sala e viu Bill com uma cara muito sorridente a falar com um homem que não conhecia. Mas Bill estava a sorrir de uma maneira diferente da habitual, como se fosse uma estátua que tinha cristalizado naquela posição, parecia enfadonhamente divertido. Bill desviou o olhar para Bea e ela era capaz de jurar que ele lhe pedia socorro só com aquele olhar. Resolveu aproximar-se dele e ouviu o homem dizer.

- Gosto mesmo da tua t-shirt meu! Estás mesmo bem… tu sabes que por ti virava gay, não sabes? – perguntou o homem

- Olá! – disse Bea incrédula com o que tinha acabado de ouvir.

- Se algum dia resolveres dormir com um homem meu… - continuou ele entretido sem sequer reparar que Bea tinha chegado.

- Beaaaaa, olá! – disse Bill puxando-a pelo braço para o seu lado – Este é o Bushido. Bushido a minha amiga Bea.
- Bea. Gosto do nome. Encantado…
– disse ele pegando na mão de Bea e beijando-a fazendo uma pequena vénia.
- Prazer… - disse Bea um pouco incomodada com aquele gesto vindo de uma pessoa que não conhecia de lado nenhum e que tinha um aspecto de gangster.

- Meu! Até as tuas amigas são giras. Olha para ela, cabelos repletos de fios de ouro, olhar expressivo… és uma verdadeira deusa Bea… – disse Bushido olhando-a de cima a baixo e provocando um ligeiro mal-estar a Bea – Está tudo bem?
- … Tudo!
– disse Bea olhando para Bill pelo canto do olho e interrogando-se de que planeta vinha Bushido!
- Se algum dia precisares de alguma coisa é só dizeres. Se és amiga do Bill, és minha amiga. Ele tem o meu número de telefone, qualquer coisa é só pedires-lhe e eu vou a correr ter contigo… - disse Bushido olhando para Bea
- …Obrigada – disse ela com um sorriso igual ao que tinha visto à segundos atrás na cara de Bill
- És mesmo gira meu… Bill… vocês os dois são mesmo giros… vocês deviam procriar… – disse Bushido colocando uma mão sobre o ombro de cada um

- O quê? - disse Bill espantado com tal declaração
- É pena que eu não possa ter filhos! – disse Bea fazendo uma cara triste
- Não te preocupes Bea, assim divertes-te mais e não tens responsabilidades – disse Bushido – Bem…tenho que ir indo se não ainda vão pensar que me perdi ou fui raptado! Bill my man…toma conta da Bea, que ela é um tesouro, não se pode perder – disse Bushido dando um abraço a Bill e voltando a pegar na mão da Bea para dar um beijo.

- Quem é esta personagem? – perguntou Bea a rir quando Bushido se afastou
- É isso mesmo…. Uma personagem – disse Bill a rir – Ele gostou de ti!!!
- De mim? O homem que diz que vira gay se tu quiseres ir para a cama com ele? Acho que ele gosta mais de ti do que de mim…
– disse Bea a rir
- Já estou habituado, ele diz sempre a mesma coisa… - disse Bill a rir – …. Tu não podes ter filhos? – perguntou Bill
- Posso… mas antes que ele começasse a imaginar coisas achei por bem pará-lo… que personagem sinceramente… - disse Bea

- É ou não é pior que eu com o cabelo em pé? – perguntou Bill a rir
- Pior? Mil vezes o Bill de cabelo em pé, que o Bushido de cabeça rapada… - disse ela a rir
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Jan 11, 2009 6:32 pm

 35 








Exames e exames durante 1 mês… Já não conseguia ver à frente a faculdade. Ainda por cima sem lhe darem descanso das aulas. Tinha aulas todas as manhãs, como de costume, e à tarde, de vez em quando, lá tinha um exame. Bea passava o seu tempo trancada entre a faculdade e casa, a estudar. Já tinham passado três semanas desde o início dos exames e o pior já lá ia, só faltava mais um esforço. Já não saía com Bill nem Andreia à algum tempo, mas de vez em quando um ou outro aparecia lá em casa para falarem um bocadinho.

Estava sentada no sofá com livros por todo o lado, quando bateram à porta. Levantou-se do sofá, deixando os livros espalhados sobre ele e foi abrir a porta para se deparar com Bill.

- Bill! – disse Bea espantada
- A porta estava aberta lá em baixo – disse ele dando-lhe dois beijinhos – Desculpa não ter avisado, mas quis fazer uma surpresa.
- Fizeste bem. Entra!
– disse Bea fazendo um gesto amistoso para que Bill entrasse – Desculpa a confusão… – disse Bea correndo até ao sofá para tirar os livros que estavam espalhados nele e colocá-los na mesinha de café – Senta-te!

- Ohhh estavas a estudar… Se calhar vim em má hora! – disse ele
- Nada disso, estou mesmo a precisar de fazer uma pausa… – disse Bea.
- Óptimo! Porque eu trouxe gomas para nós! – disse Bill com um sorriso de orelha a orelha como se fosse uma criança
- Gomas? – disse Bea a rir-se
- Sim! Dizem que o açúcar faz bem quando se está a estudar, por isso trouxe… - disse Bill à medida que metia a mão dentro da sua mala e remexia tirando diferentes sacos de gomas Gummi bears, amoras, morangos e marshmallows
- Mais nada?
– disse Bea espantada
- Não! – disse Bill com um sorriso de criança na cara

Bea não conseguiu evitar de rir. Bill era completamente viciado em doces e comida de plástico. Não fazia ideia como é que ele continuava tão magro e em forma, só podia ser genético, porque qualquer pessoa normal que comesse toda a porcaria que ele comia já estava obesa. Sentaram-se ambos no sofá e abriram os pacotes de gomas para o que seria um fim de tarde para por a conversa em dia muito doce.

- Como é que estás? – perguntou ele decapitando a cabeça de um ursinho vermelho
- Estou bem… Farta de estudar e de estar sozinha, mas já falta pouco! – disse Bea colocando uma amora à boca
- Tens falado com o Gonçalo? – perguntou Bill colocando o resto do ursinho na boca.
- Sim… ele deve vir cá nas férias do Carnaval – disse Bea


[Flashback]

Já tinham passado duas semanas desde que tinham decidido terminar a relação de vez. Bea permanecia firme e orgulhosa na sua decisão (como sempre), não ia dar o braço a torcer. Já tinha ouvido mais do que devia ter ouvido e aturado comportamentos de miúdo de quem não sabe o que quer.
Tinha crescido muito nos últimos tempos. Viver sozinha tinha sido uma experiência enriquecedora a todos os níveis, principalmente no que tocava ao seu auto conhecimento. Sabia agora melhor do que nunca: quem era, o que queria, e com quem queria estar, e se Gonçalo continuasse com as atitudes dos últimos tempos, não era com ele de certeza.
Duas semanas a estudar e a sofrer pelas palavras que tinha ouvido da pessoa que mais amava no mundo, se não fosse Dreia e Bill era capaz de ter dado em maluca, o seu apoio naquele momento estava a ser fundamental para se manter equilibrada e procurar dar o seu melhor naquilo que estava ali a fazer – estudar.

Foi numa tarde como todas as outras, em que Bea estava na biblioteca da faculdade, que Gonçalo lhe telefonou. Bea deixou o telefone tocar, debatia-se entre a dúvida de atender ou deixá-lo sem resposta. Mas era incapaz de deixar o seu amigo e amor sem resposta, por mais que ele a tivesse magoado, ele era o homem da sua vida, e o facto de ele lhe telefonar deixava-a imensamente feliz. Deixou o telefone tocar bastante até sair da biblioteca e atendê-lo:

- Gonçalo? – disse ela numa voz bem colocada
- Bi… tudo bem? – disse ele
- Sim – disse ela mantendo uma pose autoritária que transparecia na voz
- Como estão a correr os exames? – perguntou ele como se nada se passasse
- Bem! Porque é que estás a ligar? – perguntou ela directamente. Não lhe ia facilitar a conversa, nem ceder à primeira se era isso que ele pensava.
- Queria saber como estão as coisas… – disse ele numa voz meiga que Bea tão bem conhecia
- Agora já sabes… - disse ela friamente

- Bi… eu sei que as coisas não correram da melhor forma, mas eu gostava muito de ser teu amigo – disse ele sinceramente – Talvez voltarmos a namorar não tenha sido a melhor decisão, mas eu gosto muito de ti, e a nossa amizade sempre foi a coisa mais importante na nossa relação, não a quero perder…

- Podias ter pensado nisso antes de te embebedares e dizeres as coisas que disseste – disse ela mantendo a postura
- Eu sei…. Fui estúpido! Desculpa…a sério! Acho que estou cada vez mais confuso em relação aquilo que quero – disse ele
- Na passagem de ano parecias-me muito decidido – disse Bea
- E estava… mas depois… - começou ele
- Depois nada! – disse Bea
- Ok... eu sei que estás zangada e tens razões para isso! Mas pensa em nós… Gonçalo e Beatriz… há quanto tempo nos conhecemos? Por mais que a nossa relação nunca mais volte a ser a mesma eu quero ser teu amigo. Tu és muito importante para mim – disse Gonçalo
- Então e queres o quê? Telefonar-me de vez em quando, mandar-me um e-mail e fingir que está tudo bem? – perguntou Bea directamente
- Não! Quero apagar as nossas discussões, e começar do zero como amigos – disse Gonçalo – Nós podemos ser só amigos, não podemos?

“Não!” pensou imediatamente Bea. Como é que poderia ser amiga de Gonçalo sem querer ou almejar mais? Ia ser muito complicado… pensou em Dreia e na sua relação com Tom. Talvez não fosse tão diferente daquilo que vivia com Gonçalo. Ele tinha sido um perfeito anormal, mas ela continuava apaixonada por aqueles olhos verdes e pele morena, pelos momentos que passava na praia a olhar para ele a fazer surf, para a maneira como ele lhe segurava na mão e acariciava com o polegar, para o modo como sorria timidamente sempre que alguém lhe fazia um elogio. Gostava de tudo nele, tudo era perfeito. Queria essa perfeição do seu lado, mesmo que o custo fosse uma simples amizade e um coração partido para sempre.

- Claro! – disse Bea como se fosse a coisa mais natural do mundo
- Então… Podia ir aí ter contigo no Carnaval e passávamos um tempo juntos para começar do zero – disse ele


[Flashback]


- Então? Já estão bem? – perguntou Bill tirando outro ursinho do pacote
- Sim – disse Bea atacando o pacote dos ursinhos também
- Voltaram a andar? – perguntou Bill
- Não…nem quero! Não vale a pena. Enquanto estivermos afastados é complicado. Além disso não me esqueci das coisas que ele me disse… e desta vez ele vai ter muito trabalho em fazer-me acreditar nele de novo! – disse Bea

- Mas o Carnaval é daqui a duas semanas… – disse Bill
- Sim! Mas nós continuamos amigos e ele vem cá para casa durante as férias. São só 4 dias, mas é melhor que nada… – disse Bea provando um marshmallow
- Fixe! Vou finalmente conhecê-lo! – disse Bill
- Pois é… acho que vais adorá-lo! – disse Bea
- Tenho a certeza que sim – disse Bill sorrindo e atacando o pacote de Gummi bears à procura de um ursinho amarelo

- Acabei por não te dizer – disse Bea após um pequeno silêncio – Mas na última vez que fomos sair todos juntos estive a falar com o teu irmão e ele está cada vez pior!
- O Tom contou-me…
– disse Bill
- Não te deve ter contado tudo… - disse Bea comendo um morango
- Tudo o quê? – perguntou Bill franzindo a testa
- Que estava a tentar engatar uma barmaid? Que se voltou a fazer a mim à descarada e a insinuar que eu gostava dele! – disse Bea
- Ele contou-me… - disse Bill a sorrir. Tom contava-lhe sempre tudo.
- Eu não acho normal, andar com a Dreia e fazer-se a tudo o que se mexe… – disse Bea
- Eles não andam… – disse Bill distraído a escolher a próxima vitima do pacote de ursinhos – Não estou a querer justificá-lo… mas é verdade!
- Eu sei, que não andam oficialmente, mas o que é que a Dreia é para ele? A queca oficial?
– perguntou ela
- Capaz! Ele nunca teve uma… pode ser que com ele aprenda a interessar-se por alguém! – disse Bill
- Às custas da Dreia? Nem pensar… - disse Bea chateada
- Nós avisámo-la… Mas sabes que o Tom consegue ser bem persuasivo… – disse Bill – E as coisas entre eles até parecem estar a correr bem!

- Estou a ver que sim!
– disse Bea entre dentes

- Embora… - continuou Bill
- Embora? – repetiu Bea
- Não sei porquê, acho que o Tom me anda a esconder alguma coisa. E quando ele faz isso, é porque não é coisa boa e sabe que lhe vou dar nas orelhas… – disse Bill olhando com um ar sério e preocupado para Bea.
- Tipo? – perguntou Bea
- Tipo… uma amiguinha nova! – disse Bill levantando uma sobrancelha
- Achas? – perguntou Bea preocupada com Dreia
- Acho que sim… - disse Bill


Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink Wink


Estava deitada na cama de Tom, uma vez mais. Estava-se a tornar habitual a troca de afectos e momentos apaixonados entre Dreia e Tom.

Ouviu o autoclismo descarregar e sorriu. Sabia que em breves instantes Tom iria sair da casa de banho apenas de boxers. Dreia sentou-se na cama, encostando-se à cabeceira de Tom e puxou os lençóis para cobrir o peito desnudado. Aguardou que Tom saísse da casa de banho, e quando o viu surgir na porta com as rastas soltas a penderem sobre o seu tronco definido mordeu o lábio inferior e olhou para ele com o desejo que sentia sempre que estava com ele ou pensava nele e na felicidade que ele a fazia sentir.

Tom aproximou-se da cama e deitou-se por cima dos lençóis de barriga para baixo, colocando os cotovelos na cama e apoiando o queixo nos punhos cerrados. Dreia olhou para Tom e esticou uma mão até alcançar a cabeça de Tom e tirar-lhe as rastas que pendiam sobre os seus olhos, aproveitando aquele contacto para fazer-lhe uma festa na sua cara macia de anjo. Tom desviou a cara e alcançou a mão de Dreia com os seus lábios dando-lhe um beijo na mão. Dreia sorriu timidamente, adorava aqueles momentos a dois com Tom, os carinhos que ele lhe dava. Sentia-se especial nos seus braços. Ele era tudo o que alguma vez tinha desejado, e agora que o conhecia cada vez melhor, apercebia-se que ele era tudo o que nunca sequer tinha imaginado algum dia poder ter.

Tom puxou-se um pouco mais para cima e alcançou os lábios carnudos de Andreia com os seus, beijando-a com vontade. Começou a descer os seus lábios pelo corpo de Dreia, puxando-o o lençol que a cobria para baixo e enterrando a sua cabeça no peito dela. Dreia sorria à medida que segurava a cabeça de Tom entre as suas mãos. Tom prosseguia caminho, demorando-se na barriga de Dreia, lambendo o seu umbigo e sugando a sua pele como se a quisesse consumir. Dreia mordia o lábio inferior e ria com as cócegas que a língua de Tom lhe provocava. Tom levantou ligeiramente o olhar para ver os olhos de gata de Dreia cerrados e o seu sorriso radiante. Sentiu-se ainda mais motivado para continuar, desceu um pouco mais com a sua língua a percorrer as pernas de Dreia até chegar aos seus pés. Sentou-se na cama e pegou no pé direito dela, ameaçou começar a beijá-lo, mas sobre o olhar atento de Dreia atacou-o fazendo-lhe cócegas e provocando em Dreia um ataque de riso imenso que desencadeou uma guerra entre os dois. Tom atacava os pés de Dreia à medida em que Dreia procurava chegar-lhe à cintura, mas não conseguia. Acabaram os dois por se rebolarem divertidos sobre a cama num ataque de risos que fez com que Andreia soltasse umas lágrimas. Pararam exaustos, com Andreia deitada em cima de Tom a gritar para ele parar. Tom ria intimidado pelas cócegas que Dreia lhe fazia e pela brincadeira que tinham desencadeado, tão simples e tão cúmplice. Não se lembrava de alguma vez ter tido um gesto daqueles com uma rapariga e de se sentir à vontade para tal. Também, nunca tinha dormido com a mesma rapariga várias vezes seguidas, a não ser com as suas namoradas da juventude, e começava agora a descobrir um novo mundo na intimidade entre homem e mulher.

Dreia tentou controlar o riso e quando finalmente conseguiu, limpou com a mão as lágrimas que tinha nos olhos de tanto rir e abraçou o corpo de Tom que permanecia em baixo do seu dando-lhe um beijo rápido e rechonchudo nos lábios, ao qual Tom respondeu com um morder dos seus lábios, provocando em Dreia um grito de surpresa e dor.

- Mauuuu! – disse Dreia batendo-lhe no peito com a mão e colocando-a de seguida no lábio.

Tom riu-se dela e pegou na sua mão, tirou-a dos lábios e substituiu-a com os seus próprios lábios, mas desta vez com suavidade para não a aleijar, e com a sua língua percorreu o interior da boca de Dreia, aproveitando para fazer força e virar o corpo dela para o lado esquerdo, ficando ele em cima.

- E agora, quem é que é mau? – perguntou Tom sedutoramente
- Tu! – disse Dreia para o picar
- Assim vou mesmo ter de ser mau… - disse ele rindo-se

Deslizou ambas as mãos pelas curvas de Dreia e quando ela pensava que ia ter um fim de tarde tão animado como a tarde que até ali tinha passado, Tom voltou a atacá-la com cócegas na zona da cintura, provocando em Dreia um novo ataque de riso e a contorção do seu corpo.

- Pára amor… – disse ela no meio de risos – Páraaaaa!

Tom parou de fazer cócegas a Dreia e olhou-a nos olhos de gata que adquiriam um tom esverdeado. Podia ter sido só impressão sua mas ela tinha acabado de lhe chamar amor… Nunca ninguém lhe tinha chamado amor… E ele não se sentia o amor dela, nem de ninguém. Aquela palavra assustava-o. A facilidade com que as pessoas usavam aquela palavra assustava-o. A forma espontânea e instintiva com que Andreia a tinha dito assustava-o. Mas podia ser só da sua cabeça… ela estava a lutar por se soltar das suas mãos, e Tom podia ter ouvido mal. Tom tinha de ter ouvido mal, ou Bill estava certo. Envolver-se e dormir mais do que uma vez com uma amiga ia criar definitivamente mau ambiente no grupo!
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Jan 11, 2009 6:33 pm

আ 36 আ







Livre. Finalmente. Os exames tinham acabado, Bea ia ter uma semana de descanso merecido, onde ia poder fazer o que lhe apetecesse, claro que nos seus planos estavam sair de casa o máximo possível, e aproveitar o facto de Gonçalo ir visitá-la para ver as cidades à volta de Berlin. Mas como não podia deixar de ser, queria estar o máximo de tempo possível com os seus amigos e compensar o mês de clausura que tinha vivido.

Primeira paragem: casa dos Kaulitz.
A ideia era fazer uma surpresa a Bill que tanto a tinha apoiado durante a altura dos exames. Levava consigo uma embalagem de gelado da Häagen-Dazs e um filme para verem naquela tarde.

Quando Bea entrou no prédio dos Kaulitz o porteiro telefonou para o 6º andar a avisar que ela ia a caminho, por isso quando Bea apareceu lá em cima com um sorriso de orelha a orelha, Bill já a esperava, mas não esperava a embalagem de Häagen-Dazs que Bea lhe esticou após cumprimentá-lo com dois beijinhos.

- Häagen-Dazsssss – disse Bill batendo palminhas de contente, fazendo lembrar uma criança – e é de Strawberry Cheesecake…Adorooooo!
- E…
– disse Bea colocando a mão na mala e tirando de lá de dentro um dvd - … “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain”!
- Nunca ouvi falar… - disse Bill pegando na caixa do dvd e lendo a sinopse da história – Mas entra… estamos à porta para nada!
- O Scotty?
– perguntou Bea sentindo falta da recepção acolhedora do cão dos gémeos.
- O Tom foi passeá-lo – disse Bill distraído com a capa do dvd

Bea entrou, e pousou as suas coisas numa cadeira da sala, enquanto Bill foi buscar duas taças para o gelado e uma colher para cada um, à cozinha. Bea foi directa à televisão e mudou para ao canal 39, onde podia ouvir um pouco da sua língua materna na Sic Internacional. Bill apareceu na sala e ao ver Bea novamente pregada à televisão desatou-se a rir.

- Tens de arranjar tv cabo! – disse Bill dando-lhe uma taça e uma colher para as mãos e sentando-se do seu lado
- Oh, desculpa! Era só para ver o que estava a dar… - disse Bea
- Não, é na boa! Mas ficas tão contente quando vês a Sic, tens de arranjar tv cabo. Se não quiseres ver o filme agora… - disse Bill servindo gelado aos dois
- Quero, estava mesmo só a cuscar – disse Bea sorrindo

Bill levantou-se e foi por o dvd no leitor, aproveitando para ir também ao quarto buscar o telemóvel que se tinha esquecido, mas não sem antes aconselhar Bea a pôr-se à vontade, descalçar-se e por os pés em cima do sofá. Bea não se fez de esquisita e descalçou os seus ténis, sentando-se no sofá com o formato em L. Assim que regressou Bill sentou-se do lado oposto do sofá e esticou os pés para o lado dela. Assim ficaram cerca de 10 minutos até Tom meter a chave à porta e Scotty vir lançado de caudinha a abanar ter com Bill lamber-lhe as mãos que procuravam fazer-lhe festinhas, pouco depois, Scotty foi ter com Bea, dando-lhe uma daquelas recepções que ela tanto gostava, entre lambidelas do Scotty e festinhas da Bea, Tom entrou na sala sem contar que Bill estivesse acompanhado.

- Bea! Já não te via à algum tempo! Tudo bem? – perguntou Tom
- Tudo, e contigo? – perguntou Bea tentando ser educada
- Também. Estão a ver um filme? – perguntou Tom
- Ya. Queres ver? É o… - disse Bill a tentar-se lembrar do nome do filme
- “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain” – disse Bea a ajudar
- Isso… – disse Bill a rir
- Parece ser muito giro… – disse Tom sendo irónico
- E é! – disse Bea com um tom superior
- Deixem estar…vou ao computador… - disse Tom virando costas e saindo da sala

Bea e Bill continuaram entretidos a ver o filme, com Scotty sentado entre eles e enroscado nas pernas de Bill.

Tom foi até ao computador ver os seus e-mails e navegar na internet. Os boatos de separação continuavam. “Incrível!” pensou Tom. Há três anos que sempre que eles paravam para descansar surgiam os rumores de separação, desta vez era Gustav que abandonava o grupo. Mas os boatos não ficavam por ali, aparentemente Bill tinha uma namorada e tinha sido visto a sair de uma discoteca de mão dada com ela, mas estranhamente não haviam fotografias para o comprovar, apenas a palavra de uma miúda de 15 anos que alegadamente tinha visto tudo. Bill iria adorar saber que tinha uma namorada, há tanto tempo que ele dizia que gostava de ter uma, e afinal sempre tinha, só que não sabia. Riu-se sozinho com a quantidade de disparates que se encontravam nos blogs da internet. Levantou-se e dirigiu-se até ao seu quarto, onde telefonou a Gustav.

- Tom – disse Gustav do outro lado da linha
- Gusti, eu não queria que fosse assim, tu sabes que eu gosto de ti não sabes… – disse Tom contendo o riso
- Ãh? – perguntou Gustav sem perceber nada do que Tom dizia
- Então vais sair da banda e não me dizias nada? – perguntou Tom tentando fazer a sua voz mais séria
- O quê? Eu não vou sair… - disse Gustav
- Não me mintas, já sei de tudo! Estava na net… – disse Tom partindo-se a rir
- Estás a gozar? – disse Gustav a rir-se – De novo? É para aí a terceira vez que deixo a banda!
- Pois, mas nunca resistes ao meu charme e voltas sempre…
- disse Tom a rir
- Há gente que não tem mesmo o que fazer… – disse Gustav


Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil


- Muito bom! – disse Bill – Adorei!

Bea espreguiçava-se com uma preguiça daquelas… O filme tinha acabado e não era capaz de garantir que não tinha adormecido nem que fosse por 5 minutos, andava tão cansada com os exames que tudo o que queria era poder descansar. Mas ao menos Bill tinha gostado do gelado e do filme, já Scotty tinha passado o tempo todo a dormir chegando mesmo a ressonar, provocando em Bill e Bea uma valente gargalhada a meio do filme.

Bill levantou-se e foi levar as taças e a embalagem do gelado para a cozinha e pediu que Bea guardasse o dvd. Bea procurou a caixa do dvd pela sala, mas não encontrou em lado nenhum e resolveu seguir Bill até à cozinha para lhe perguntar:

- Onde é que deixas-te a caixa do dvd?
- Ahhhh…acho que a deixei no quarto, quando fui lá buscar o telemóvel
– disse Bill pousando as coisas na bancada da cozinha – Eu já vou lá!
- Se quiseres posso lá ir buscá-la
– ofereceu-se Bea
- Se não te importares! Acho que ficou em cima de uma mesinha de cabeceira – disse Bill colocando a embalagem do gelado no lixo.
- Ok… - disse Bea saindo da cozinha e encaminhando-se para o hall dos quartos.

Chegada ao hall dos quartos debateu-se com uma dúvida. “Qual era o quarto de Bill?” só ali tinha estado uma vez, e não se lembrava por trás de qual porta estava o quarto dele, parecia um daqueles programas de televisão onde atrás de cada uma das portas está uma surpresa, e Bea sentia-se um bocadinho assim, sem saber qual porta escolher, só mesmo abrindo e vendo a parede por detrás da cama.
Optou por abrir a porta da esquerda. Entrou e andou um bocado, passando pela porta da casa de banho e o pequeno corredor que a entrada de todos os quartos tinham, ao chegar ao pé da cama, teve oportunidade de ver uma parede verde e uma guitarra branca pendurada na parede. “Oops Thomas!” pensou ela. Deu meia volta e preparava-se para sair do quarto quando a porta da casa de banho se abriu, e viu Tom sair dela, como tinha vindo ao mundo. Tom soltou uma exclamação de espanto à medida que Bea tapou os olhos e virou-se de costas para ele. Não podia ser! “Porquê?” perguntou-se Bea. Que situação mais constrangedora.

- Desculpa… estava à procura do quarto do Bill – disse Bea de costas para Tom
- É o do lado – disse Tom rindo-se da situação

- Que vergonha! – disse Bea abanando a cabeça da esquerda para a direita
- Não tem problema! – disse Tom rindo

- Já te tapas-te? – perguntou Bea
- Não… – disse Tom
- Então? – perguntou Bea incomodada com a situação
- Queres que me tape? – perguntou Tom fazendo uma voz mais sensual
- Claro que quero que te tapes! Já vi mais do que queria… – disse Bea

- Tu ainda não viste nada… – disse Tom
- Thomas tapa-te! – disse Bea irritada com aquela situação
- Já estou tapado totó, estava a gozar contigo… – disse Tom que já tinha colocado uma toalha à volta da cintura

Bea deu meia volta ainda com os olhos tapados e destapou-os um bocadinho, o suficiente para se aperceber que ele estava tapado. Tirou as mãos da frente dos olhos e viu o corpo definido de Tom, e ficou impressionada. Por mais que não gostasse de Tom, muito menos do seu feitio, tinha de admitir que ele era bem constituído (embora magrinho demais) e era um rapaz atraente. Procurou não pensar em demasia na imagem que via à sua frente e saiu disparada pela porta do quarto, passando por ele e dando-lhe um encontrão com o ombro dizendo:

- Du kranke sau!

Tom sorriu, gostava de ver Bea ficar assim embaraçada e picada por causa dele. Gostava de sentir o efeito que tinha sobre as raparigas, e sabia que o seu tronco nu era razão de espanto e surpresa para aquelas que o viam, e Bea só podia ter ficado impressionada.

Entrou na porta do lado e foi directa à mesinha de cabeceira, onde viu a capa do dvd, saiu do quarto e foi ter com Bill pedindo desculpas pela invasão e agradecendo a boa companhia. Estava nervosa, e sabia que isso se notava. Nunca lhe tinha acontecido uma situação daquelas. O único homem que Bea tinha visto nu era Gonçalo, não estava habituada, nem fazia questão de ver outro. E logo Tom! Antes de sair resolveu contar a Bill o que tinha acontecido, porque tinha a certeza que Tom lhe iria contar, e preferia ser ela a dar a versão original dos factos. Ao contrário do que pensou Bill reagiu com naturalidade e riu-se, fazendo com que Bea cora-se e se sentisse incrivelmente envergonhada.

Quando chegou ao seu prédio passou no 2º andar. Tinha de falar com Andreia, e contar-lhe tudo o que se tinha passado com Tom…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Jan 12, 2009 5:03 pm

‡ 37 ‡





Meteu a chave à porta e anunciou:

- Willkommen auf meiner Haus – disse Bea sorrindo e fazendo sinal para Gonçalo entrar

Entrou devagarinho carregando a sua pequena mala atrás. Foi directo à janela que tantas vezes tinha visto em fotografias que Bea enviava e não conseguiu evitar de esboçar um sorriso. A casa e a vista eram muito mais bonitas ao vivo. O local era fantástico.
Bea prontificou-se a mostrar a Gonçalo o resto da casa (não que faltasse muito, apenas a casa de banho e o seu quarto). Olhou para a expressão de Gonçalo e sorriu. Porque é que cada vez que o via ele era mais bonito? Qual era o seu segredo? Continuava irremediavelmente atraída por aquele rapaz moreno de olhos verdes. Tinha vontade de o beijar, de tocar no seu corpo definido e sentir aqueles braços firmes à sua volta. Mas não queria, nem iria ceder à tentação.
Bettler dormia enrolado sobre si mesmo na cama de Bea. Assim que Gonçalo o viu foi direito a ele e afagou a sua pequena cabecinha. Bettler fazia jus às fotos que Bea lhe enviava, além de bonito tinha uma expressão doce e pachorrenta que deixava qualquer um apaixonado por aquela bolinha de pelo branco.

- Podes deixar a tua mala aqui… – disse Bea observando Gonçalo e Bettler interagirem pela primeira vez.
- Não… eu durmo na sala! – disse Gonçalo
- Não dormes nada na sala! Quantas vezes já dormimos juntos? – disse Bea sorrindo
- Sim, mas agora é diferente… – disse Gonçalo
- Não foste tu que disseste que sempre tínhamos parecido amigos habituados a partilhar a cama… - disse Bea lembrando-se daquelas palavras que lhe tinham ficado marcadas no coração
- Ohhh Bi…desculpa! – disse ele dirigindo-se a ela e colocando ambas as mãos sobre os seus ombros – Eu não queria dizer isso…
- Então?
– disse Bea sorrindo – Agora é o que somos! Por isso não se discute mais o assunto. Trazes a mala para aqui e dormes comigo e com o Bettler.

Gonçalo acabou por concordar. Não havia mal nenhum em dois amigos dormirem juntos, e eles eram amigos de longa data, não era a primeira vez que partilhavam uma cama, não havia qualquer problema em fazê-lo novamente.

Dreia foi lá ter à hora do jantar. Ia finalmente conhecer Gonçalo. Quando se deparou com ele ficou realmente espantada. Gonçalo era muito bonito e conseguia perceber a razão pela qual Bea era tão agarrada ao seu passado com ele. Era atraente, educado, divertido, modesto, e parecia encher a sala com o seu sorriso extremamente branco que contrastava com a pele morena e olhos verdes claros. A impressão não podia ter sido melhor. A seguir ao jantar foram beber um café a um bar à beira rio. A cidade iluminada parecia adoptar uma vida diferente. Há muito tempo que as raparigas não podiam sair com amigos sem se preocuparem com quem as observava. Com Gonçalo eram apenas Beatriz e Andreia, não se precisavam de esconder de paparazzis nem olhares indiscretos. E aquela sensação, sabia bem.

Voltaram para casa relativamente cedo. Dreia ficou no segundo andar. Bea e Gonçalo continuaram até ao último andar, subindo depois os degraus para o sótão. Nenhum dos dois estava tocado por álcool, na verdade não tinham consumido nada alcoólico. Bea sentia uma tenção no ar. A situação em que estavam não era exactamente a mais fácil para nenhum dos dois, mas já eram adultos, e tinham obrigação de se saberem comportar. Bea anunciou que se ia trocar para a casa de banho, e assim o fez. Quando regressou ao quarto Gonçalo já estava na cama. Deitou-se, desejou boa noite a Gonçalo e virou-se para o lado oposto de onde Gonçalo estava deitado. Demorou a adormecer, afinal ele estava ali do seu lado e embora não quisesse que nada acontecesse, desejava-o.

Acordou na manhã seguinte com uma energia restabelecida, olhou para o lado e viu que Gonçalo não estava lá. Levantou-se e ouviu a água correr na casa de banho. Resolveu preparar um pequeno-almoço para os dois. Tinham de comer bem, o dia ia ser longo, tinha planeado uma visita por Berlin e à noite uma ida à Berghain onde ia haver uma festa de Carnaval e já tinha planeado levar Gonçalo para conhecer os seus amigos.

Quando Gonçalo saiu da casa de banho o pequeno-almoço estava preparado e com um aspecto delicioso. Bea pôs Gonçalo a par do que iria ser o seu dia, e avisou-o que teria de comprar um disfarce para a festa dessa noite. Gonçalo não gostou muito da ideia, mas também sabia que se sentiria ridículo se toda a gente estivesse mascarada e ele, que não conhecia ninguém não estivesse, ia parecer ainda mais excluído do grupo e sentir-se pior do que já contava. Bea tomou um banho rápido, arranjou-se e saíram de casa rumo à bela Berlin.

A visita a Berlin corria bem. Gonçalo tinha ficado admirado com a cidade, principalmente com o Museum für Naturkunde e o Deutsches Historisches Museum, dois museus emblemáticos da cidade que o tinham deixado tocado, não fosse ele ser um futuro biólogo que se interessava por tudo o que dissesse respeito à natureza.

No regresso a casa, Bea fez um desvio pelo Europa-Center, o centro comercial que ficava mais perto de sua casa, e obrigou Gonçalo a experimentar uns quantos factos carnavalescos, até conseguir encontrar o fato perfeito para ele… Perfeito! Não podia ter escolhido melhor.

Regressaram a casa, jantaram e iniciaram o processo de transformação de Bea para Evil Cheerleader e de Gonçalo para Zorro.

Chegada a hora de se preparem para sair, tocaram à campainha. Era Dreia. Bea foi a correr abrir a porta e deparou-se com uma gata incrivelmente sensual. Dreia tinha vestido um fato-macaco de corpo inteiro preto a imitar cabedal, com uma cauda a sair do seu rabo e uma máscara que tapava quase a sua cara na totalidade, ostentando umas pequenas orelhas pontiagudas no seu topo. Os seus olhos assumiam uma tonalidade amarelada, dando um ar ainda mais selvagem a Dreia.

- Uau! – disse Bea abrindo muito os olhos.
- Gostas? – pergunto Dreia dando uma voltinha
- Adoro! Estás linda – disse Bea realmente impressionada com a amiga
- Olha que tu também não estás nada mal… - disse Dreia sorrindo

Bea vestia uma mini saia preta com umas lista branca, um top mínimo também ele preto com listas a branco e a palavra Evil sobre o seu peito, por baixo do fato tinha uma rede preta que ia dos pés ao pescoço, conferindo-lhe um ar mais agressivo. Ao pescoço ostentava um lenço preto com uma caveira a branco e nos pés uns ténis pretos e brancos.

- Estão prontos? – perguntou Dreia
- Sim… - disse Bea com um sorriso na cara – Gonçalo, estás pronto? – perguntou Bea gritando na direcção do quarto.
- Sim – disse Gonçalo aparecendo ao pé delas vestido como um verdadeiro Don Juan Demarco.
- Uau! Mas estamos todos vestidos mesmo a rigor… - disse Dreia impressionada – Vamos? O meu pai diz que nos dá boleia se formos já!

O pai de Dreia deu boleia aos três até à Berghain. Quando chegaram repararam que havia todos os tipos de disfarces na fila para entrar na discoteca, desde fantasmas, a princesas, a padres e school girls, entre outros. Bea passou à frente da fila e foi directa à porta falar com o porteiro que já conhecia. Cumprimentou-o e pouco depois estavam os três a entrar e a ficar no hall da discoteca à espera que os fossem buscar para poderem ir até ao 5º piso. Não demorou muito a aparecer o mesmo rapaz que as ia sempre buscar. Quando ele apareceu, Bea e Dreia começaram a rir sobre o olhar atento de Gonçalo que não percebia qual a razão de tanto riso pelo disfarce do rapaz ser umas calças e uma t-shirt largas, e uma peruca com rastas loiras enfiadas dentro de um boné. Dreia não conseguiu evitar meter conversa com ele.

- Tom…estás diferente hoje… – disse ela a rir
- Pois… – disse o rapaz a rir – Não sabia que vocês vinham hoje, senão não me tinha vestido assim…
- Achas? Não tem problema nenhum, vai ser giro ver a reacção do Thomas quando te vir assim vestido!
– disse Bea
- Ele já me viu. Espero que não leve a mal… – disse o rapaz
- De certeza que não – disse Dreia sorrindo – Como é que te chamas?
- …Thomas!
– disse o rapaz

Chegaram ao 5º piso em boa disposição. Afinal o rapaz simpático que as ia sempre buscar lá abaixo tinha o mesmo nome que Tom e vestia-se como ele no Carnaval, não conseguiam evitar de rir. Já Gonçalo continuava a olhar para elas sem perceber o porquê da risota e sem perceber uma palavra daquilo que eles conversavam com o rapaz em alemão.
Bea e Dreia despediram-se do rapaz e entraram na sala privada, deparando-se com uma quantidade de disfarces imensa. Tom estava mascarado à Pirata das Caraíbas, com as suas longas rastas soltas, Bill envergava uma fantasia de faraó egípcio, Georg era um Homem das Cavernas, Gustav encantava com um fato de Harry Potter, e os seus amigos vestiam-se de elfos, motoqueiros, James Bond, entre outros.
Cumprimentaram os amigos e Bea procedeu à apresentação de Gonçalo.

- Leute… este é o Gonçalo – disse Bea bem alto apontando para ele – e estes são o Bill, Thomas, Gustav, Georg, Andreas, Nathalie, Jost, Herman e Heinz…

- Olá… – disse Gonçalo levantando a mão e acenando a todos
- Ele não fala alemão por isso não vale a pena virem lançados falar com ele em alemão, porque ele não vai perceber nada… – disse Bea a rir

- Anda, quero que conheças o Bill… - disse Bea pegando em Gonçalo pela mão e levando-o até junto de Bill - o faraó.

Gonçalo já tinha ouvido falar de Bill inúmeras vezes, sabia que era um amigo muito especial para Bea, que a ajudava sempre que ela estava em baixo e que com ele costumava sair, e fazer tudo. No entanto, estava à espera de encontrar uma pessoa diferente, Bea tinha-o descrito quase como um travesti quando o conheceu, mas com o tempo tinha-lhe dito que Bill não era nada daquilo que parecia ser e no fundo era uma das melhores pessoas que já tinha conhecido, mas o que Gonçalo não estava à espera é que Bill se parecesse tanto com uma rapariga. Os seus traços finos e definidos fizeram-no ficar espantado com a perfeição da sua cara, era capaz de jurar que estava perante uma rapariga lindíssima, no entanto, Bea apresentava-o como sendo o seu grande amigo Bill.

- Billlll – disse Bea contente dando-lhe dois beijinhos – Este é o Gonçalo…..Gonçalo….Bill

- Olá – disse Bill em inglês – finalmente conheço o famoso Gonçalo, ouvi falar muito de ti!
- Bem, espero…
- disse Gonçalo
- Muito bem – disse Bill sorrindo – Então estás a gostar de Berlin?
- Sim… hoje já demos uma volta grande e a cidade é linda, dá vontade de ficar cá mais tempo
– disse Gonçalo
- Que bom! – disse Bill sorrindo – Querem beber alguma coisa?
- Simmm…champagne! Vamos comemorar o Carnaval…
– disse Bea contente por ver finalmente eles os dois juntos.

Bill dirigiu-se até ao bar onde pediu que fosse servido champagne para todas as pessoas que estavam presentes na sala. Este carnaval prometia…


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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Jan 12, 2009 5:03 pm

Dreia entrava na sala decidida a encantar o seu pirata preferido. Cumprimentou primeiro os amigos e deixou Tom para o final, assaltando-lhe os lábios e colocando uma mão debaixo da camisa de Tom arranhando-lhe as costas. Tom não estava à espera daquela recepção e soltou um leve gemer de dor que deixou Dreia satisfeita. Encostou os seus lábios carnudos à orelha de Tom e imitou um gato num miar sensual e cheio de desejo. Tom olhou para ela espantado. Gostava de ver Andreia assim, como uma verdadeira gata assanhada, ainda agora chegava e já tinha vontade de a levar dali para fora.

- Hmmm…. Estamos atrevidas hoje – disse Tom beijando-a de seguida
- Nem tu sabes quanto! – disse Andreia que entrava totalmente na personagem.
- Parece-me bem… – disse Tom agarrando a cintura de Dreia


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A noite já ia longa, Bea estava ligeiramente tocada pelo álcool e insistia dançar agarrada a Gonçalo que bêbado não se fazia de rogado e aproveitava para a agarrar e roçar-se nela fazendo com que as suas mãos passeassem no seu corpo. Dreia tinha conseguido convencer Tom a dançar com ela, invocando o sentimento de culpa da primeira vez que ali tinham estado e ele a tinha deixado pendurada na pista de dança a dançar sozinha, e Tom não teve outra alternativa a não ser aceitar o convite. Bill permanecia sentado no sofá na companhia de Andreas e Nathalie a falar. Não gostava muito de dançar, sempre tinha preferido ficar sentado a conversar e conviver. Bill e Andreas gozavam com as figuras de Tom a tentar acompanhar Dreia, Tom não tinha mesmo jeitinho nenhum para dançar. Merecia ser filmado.

- Já viste a Bea e o Gonçalo? – perguntou Nathalie – Aquilo hoje ainda acaba em namoro novamente!
- Não me parece!
– disse Bill observando as mãos de Gonçalo deslizarem sobre as ancas de Bea e agarrando-a pelo rabo – O que é aquilo?
- Não deve ser a primeira vez que ele lhe faz aquilo
– disse Andreas a rir-se da cara de espanto de Bill
- Deixa-os divertirem-se… – disse Nathalie bebendo um gole do seu champagne
- Ela já está a ficar bêbada e ele está-se a aproveitar dela… – disse Bill apontando para Gonçalo
- E o que é que vais fazer? – perguntou Andreas – Deixa-os estar!

Bill não gostava do modo como Gonçalo parecia desrespeitar a amizade e confiança que Bea tinha confinado nele. Ela tinha sofrido bastante por ele, e ele voltava a dar a entender que se queria aproveitar do sentimento que ela ainda nutria por ele. Mas o que é que Bill ia fazer? Deixou-se ficar sentado no sofá e procurou ignorar aquela cena.
Tom conseguiu livrar-se de cumprir a pena até ao fim e sentou-se ao pé de Bill, servindo uma taça de champagne a si mesmo e enchendo a do irmão que estava vazia.

- A Dreia hoje não pára… – disse Tom respirando fundo e bebendo de seguida um gole do seu champagne, enquanto Dreia ia ter com Bea e Gonçalo e continuava a dançar ao lado deles.
- Fazes cada figura a dançar… – disse Bill a rir-se – Denigres a nossa imagem!
- Cala-te! Detesto ter de dançar obrigado. Mas teve de ser…–
disse Tom chateado - Não gosto nada disto…

- Do quê? – perguntou Bill
- De ter de dançar porque a Dreia quer dançar… – disse Tom
- Tu danças-te porque quiseste, ninguém te obrigou – disse Bill levantando uma sobrancelha
- Sim e não…O que é que ia fazer? Se estou com ela tinha mesmo de dançar – disse Tom

- Estás com ela? – perguntou Bill espantado
- Estou e não estou….eh pá…não gosto nada desta situação… – disse Tom sentindo-se muito preso e bebendo de um só gole o resto do champagne que tinha no copo, enchendo mais a sua taça
- Ai ai ai… - disse Bill já conhecendo bem demais o irmão para saber que ele se estava a sentir muito preso e queria liberdade

- Apetece-me ir lá para fora, engatar a primeira gaja que me aparecer à frente e levá-la daqui… – disse Tom
- Estás-te a passar? – perguntou Bill franzindo a testa
- Não! Vês…agora tenho uma obrigação para com a Dreia de não estar com mais ninguém… mas eu nunca disse que queria nada com ela, nem que ela tinha exclusividade sobre mim… – disse Tom – Isto assim não dá…
- É melhor falares com ela. Não faças nada sem antes falar com ela…
– disse Bill

Tom demorou-se a olhar para Andreia, talvez fosse melhor falar com ela e acabar de uma vez por todas com aquela encenação. Sabia muito bem que a verdadeira razão pela qual se tinha aproximado mais de Dreia era por causa de Bea. Queria provocá-la, e Dreia era bonita e simpática, ideal para se divertir e chatear Bea ao mesmo tempo. Mas agora sentia-se demasiado preso e com falta de ar, queria poder fazer o que bem entendia sem ter de dar explicações a ninguém. Sem ter de dançar por se sentir obrigado! Olhou para Bea e viu-a trocar com Gonçalo um abraço cúmplice seguido de um beijo demorado.

- Viste aquilo? – perguntou Tom a Bill
- Vi… - disse Bill hipnotizado
- O gajo está-se a esticar um bocadinho, não? – disse Tom
- Não gosto nada dele… - disse Bill que continuava incrédulo com aquela cena
- Somos dois… - disse Tom

- Tom – disse Bill – Não gosto mesmo nada dele…
- Eu sei… eu também não fui com a cara do gajo
– disse Tom
- Porque é que me apetece ir lá e tirá-la dali? – perguntou Bill sentindo um aperto no coração que já não sentia à muito tempo.

Tom olhou para o irmão e viu na sua cara uma expressão que não reconheceu. Sentiu dentro de si um aperto e um peso no coração, e percebeu aquilo que Bill dizia, percebeu melhor do que talvez ele mesmo estivesse a perceber. Era uma dor, tristeza, inveja, melancolia, e impotência que o deixava aterrado no sofá e de olhos fixos em Bea. Bill estava a começar a aperceber-se que gostava dela. Tom tinha já a certeza disso, o seu irmão estava preso nela, e só agora que a via nos braços de outro é que se apercebia que podia mesmo estar a perdê-la para sempre sem nunca sequer a ter tido.

- Eu sei… - disse Tom lendo o pensamento de Bill e olhando-o nos olhos
- Porquê? – disse Bill olhando Tom nos olhos
- Era inevitável – disse Tom – Tu passas tanto tempo com ela e dão-se tão bem…
- Mas eu nunca senti nada…
– disse Bill
- Nunca a viste nos braços de outro… – disse Tom

- E agora? – perguntou Bill sentindo-se frágil naquela situação
- Luta… - disse Tom colocando uma mão no ombro de Bill – Mereces ser feliz maninho

- Já não sentia isto há tanto tempo…
– disse Bill emocionado
- Eu sei. O senhor romântico voltou a apaixonar-se… – disse Tom sorrindo


Bill olhou novamente para Bea, a sua melhor amiga, a rapariga que sem ele se aperceber lhe tinha roubado o coração. O cabelo loiro, os grandes olhos castanhos e lábios carnudos, as formas redondas e femininas, as mãos delicadas e perfeitas, a sua maneira de dançar, de rir, de abraçar. Tudo nela era perfeito, como é que não se tinha apercebido antes que a pessoa por quem ele procurou a vida toda estava ali do seu lado. Sempre se imaginou a olhar para uma rapariga e reconhecer imediatamente que era com ela que queria ficar, porque é que não a tinha reconhecido quando a conhecera no veterinário? Gostava dela, não conseguia negá-lo. Via-a nos braços de Gonçalo e tinha vontade de o matar e de a tomar nos seus braços num beijo apaixonado. A ideia de ele estar a morar na mesma casa que Bea e de se estarem a beijar deixava-o com um aperto no peito que parecia querer consumi-lo em dor e tristeza. Não queria que ela voltasse para Gonçalo, ele não a merecia.

- Vai lá… – encorajou Tom
- E digo o quê? – perguntou Bill que pela primeira vez não sabia como reagir perante a Bea
- Qualquer coisa, desde que ela saia de ao pé dele… - disse Tom
- Vou fazer figura de parvo – disse Bill
- Não é a primeira vez… – disse Tom a gozar com o irmão
- Não gozes… - disse Bill
- Fogo, ficas mesmo totó apaixonado! – disse Tom rindo-se – Eu vou lá…

Tom levantou-se e foi directo a Dreia que dançava ao pé de Bea e Gonçalo, agarrou-a pela cintura e fingindo-se desastrado deu um valente encontrão a Gonçalo, que não contando com o encontrão largou Bea e olhou para Tom à espera que ele lhe pedisse desculpas, mas em vão. Bill assistia aquela cena orgulhoso do seu irmão e a rir. Bea aproveitou para ir buscar mais uma bebida e deixou Gonçalo sozinho na pista. Andreia olhou para Tom com desejo. Tom gostava de falar com ela sobre aquilo que se estava a passar entre eles, mas as suas hormonas reagiam aquela gata de forma inesperada. Tudo em que pensava era em possui-la ali e naquele momento.

- Devíamos estar sozinhos… – disse Tom passando a língua pelo piercing
- Porquê? – perguntou Dreia
- Porque tenho de te ter… - disse Tom mordendo o lábio inferior de Dreia


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De noite as paredes do quarto pareciam torná-lo mais vazio do que já estava. Sentia o coração chamar por ela, mas ela não estava ali para o ouvir. Pensava em todos os momentos que tinha vivido do seu lado, e como parecia impossível só agora se aperceber que ela era perfeita para si, que o seu coração batia ao ritmo do dela. Não conseguia dormir. Levantou-se, foi até à janela do seu quarto e sentou-se no chão de frente para ela. A noite estava fria, a lua cheia como o sentimento novo que habitava no seu coração. Queria-a do seu lado, longe dele, queria saber que ela não estava nos seus braços e que o seu coração não se enchia de uma esperança renovada.
Doía tanto.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Seg Jan 12, 2009 5:04 pm

 38 







Acordou com uma ligeira impressão na cabeça. Uma dor irritante que insistia em fazê-la sentir uma veia pulsar na cabeça. Levantou-se devagar e foi directa à cozinha fazer um café forte. O dia ia ser longo. Tinha preparado uma visita à cidade de Frankfurt, e queria poder ver o máximo possível. A noite anterior tinha sido muito esquisita. Talvez por Gonçalo estar lá e se terem envolvido mais do que gostaria, tinha-se afastado dos seus amigos. Não sabia exactamente como tinha chegado a casa, nem o que tinha acontecido depois, mas com a bebedeira que tinha em cima, duvidava que tivesse acontecido alguma coisa.
Estava já sentada na ilha a beber o seu café quando Gonçalo apareceu, deu-lhe um beijo na testa desejando um bom dia e se sentou do seu lado servindo-se de café.

- Dói-me a cabeça… - disse Bea franzindo a testa
- Bebeste demais – disse Gonçalo passando a mão pela face de Bea
- Nós ontem…? – perguntou Bea timidamente
- Não – disse Gonçalo a rir-se
- Não me lembro de muito… - disse Bea suspirando e bebendo um gole do seu café
- O teu amigo Gustav veio-nos trazer a casa – disse Gonçalo
- Ohhh…o Gustav é tão fofo, se não fosse sempre ele a aturar os bêbados, não sei o que seria de nós! – disse Bea
- Ele disse para irmos a casa dele hoje à noite ver um filme – disse Gonçalo
- A casa do Gusti? Fixe! – disse Bea entusiasmada com o plano para a noite

Dreia tinha ficado de ir ter com Bea e Gonçalo pela manhã para irem a Frankfurt juntos, mas a noite tinha sido produtiva e cansativa para ela, e como tal, naquela manhã Bea tinha encontrado uma mensagem no telemóvel de Dreia a pedir desculpas por não ir com eles, mas que podiam contar com ela para o filme em casa de Gustav.

O passeio correu bem. Bea também não conhecia a cidade, mas estava oficialmente apaixonada, era linda, desde a Saint Bartholomeus' Cathedral, à Saint Paul's Church ou à Frankfurt Opera House, eram incrivelmente bonitas. Bea tinha ficado com vontade de passear naqueles espaços verdes espalhados pela cidade sem ter tempo ou horas para regressar a casa, mas já tinham planos para a noite e tinham de regressar a Berlin onde se avizinhava um serão divertido


@ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @


Eram já 11h da noite quando Bea, Dreia e Gonçalo chegaram a casa de Gustav. O apartamento de Gustav não era tão grande como o dos Kaulitz, mas a sua sala era tão grande ou maior que a deles. Dividia-se em 3 grandes áreas: a dos sofás e projector, a da mesa de jantar e a da mesa de snooker.

Dreia cumprimentou todos e não viu Tom em lado nenhum. Perguntou por ele a Gustav que lhe disse que Tom tinha ido fumar um cigarro à varanda do seu quarto. Dreia resolveu fazer-lhe uma surpresa. Foi até ao quarto de Gustav e viu Tom a fumar na varanda, com o cigarro na mão esquerda, que estava apoiada no corrimão e a direita a segurar o telemóvel junto ao ouvido. Dreia aproximou-se devagarinho e abraçou-o por trás pela cintura fazendo com que ele se assustasse e quase deixasse o telemóvel cair das mãos. Dreia afastou as rastas de Tom do seu pescoço com uma mão e beijou-o enquanto o ouvia despedir-se ao telefone. Quando Dreia ouviu a voz do outro lado despedir-se de Tom, largou-o. Era capaz de jurar que estava a ouvir a voz de uma mulher. Tom desligou o telefone, colocou-o no bolso das calças e virou-se para Dreia abraçando-a pela cintura e puxando-a para si, dando-lhe um beijo nos lábios.

- Estavas a falar com quem? – perguntou Dreia curiosa – Uma amiga?
- E se for uma amiga? – perguntou Tom afastando-se de Dreia
- Estou só a perguntar… - disse Dreia
- Sou livre de ter as amigas que bem entender. Não temos nada um com o outro… – disse Tom friamente

- E tens outras amigas? – perguntou Dreia sentindo o coração encolher
- Tenho, várias… – disse Tom

- Uau… - disse Dreia sem ter palavras para exprimir aquilo que sentia. Virou costas e saiu.

Tom não queria ter dito as coisas da maneira que tinha dito. Não queria magoar Andreia, gostava dela, tinham passado momentos muito bons juntos, mas ele não gostava de se sentir preso a ninguém, e cada vez mais estava a ficar preso a ela, no coração dela, e na cabeça dos amigos que os viam como ele nunca seria capaz de os ver: como um casal. Ele era Tom “Sex Gott” Kaulitz, queria fazer jus à sua fama, sair e divertir-se com quem lhe apetecesse, às vezes com Dreia, outras vezes com outra. Se Dreia aceitasse viver assim, por ele tudo bem, mas se quisesse reclamar propriedade, estava a falar com a pessoa errada.

Dreia saiu do quarto de Gustav num passo apressado. Já conhecia tão bem aquele Tom, sabia que mais dia, menos dia ele haveria de aparecer, mas as coisas estavam a correr tão bem que pensou que iria demorar bastante mais tempo até receber da parte dele algum indicativo de que as coisas iam piorar, mas não, tinha sido do nada, como uma facada nas costas. Entrou na sala e fez sinal a Bea com a mão a chamá-la. Bea veio ter consigo, deixando Gonçalo a falar com Gustav. Quando Bea se aproximou, puxou-a pelo braço até à casa de banho. No caminho cruzaram-se com Tom. Bea disse-lhe olá, mas Tom não respondeu, apenas olhou para Dreia, e Dreia afastou-se o máximo possível de Tom quase como se não quisesse que ele lhe tocasse. Bea percebeu que as coisas estavam a começar a dar para o torto.
Entraram na casa de banho e Dreia fechou a porta. Bea sentou-se no tampo da sanita, enquanto via Dreia olhar-se ao espelho com as mãos apoiadas no lavatório, e esperou que a amiga se sentisse à vontade para falar.

- O Tom anda com outras… - disse finalmente Dreia virando-se para trás e ficando frente a frente com Bea

- Tens a certeza? – perguntou Bea
- Eu apanhei-o ao telefone com uma das amiguinhas dele e ele confirmou… – disse Dreia controlando as lágrimas que queriam cair
- E agora? O que é que vais fazer? – perguntou Bea olhando para Dreia com o coração nas mãos por vê-la sofrer novamente por causa dele.
- Não sei… eu gosto demais dele para o deixar escapar agora que as coisas estavam tão bem entre nós – disse Dreia deixando uma lágrima cair
- Querida… tu tens de fazê-lo ver que mereces respeito, e que és merecedora daquilo que vocês têm – disse Bea

- O que é que fazias se fosse contigo? – perguntou Dreia
- Eu já fiz… Larguei o Gonçalo! – disse Bea
- Mas ontem andavas aos beijos com ele… – disse Dreia
- Sim, mas isso foi da bebedeira, não aconteceu nada, nem há-de acontecer até estarmos novamente a viver na mesma cidade e ele me provar que vale a pena lutar por nós – disse Bea levantando-se e limpando as lágrimas que caiam dos olhos de Dreia
- Não consigo… eu gosto tanto dele! – disse Dreia chorando – Se pudesse escolher, tinha-me apaixonado pelo Gustav ou pelo Bill, nunca escolheria o Tom, já sabia que o Tom só me ia magoar… E mesmo assim não consigo ter amor-próprio para me afastar dele…
- Consegues sim, eu estou aqui para te ajudar! – disse Bea dando as mãos a Dreia e apertando-as com força para que ela sentisse o seu apoio.
- … Não consigo – disse Dreia abraçando Bea

Bea não gostava de ver Dreia sofrer por Tom, não era a primeira e não haveria de ser a última vez que aquilo acontecia. Não sabia se devia ou não contar a Dreia o que se andava a passar com Tom e a sua perseguição, talvez não devesse contar nada, mas a verdade é que estava farta de o esconder de Dreia e de ver Tom safar-se com as suas faltas de respeito por ela e pela amiga. Decidiu contar… e estava preparada para aceitar qualquer que fosse o desencadear daquela revelação.

- Dreia… – disse Bea afastando-se da amiga e limpando-lhe as lágrimas que ainda escorriam no seu rosto – O Tom não te merece!
- Eu sei…
- disse Dreia
- Não…não sabes! Ele não te merece, porque ele fez-se a mim quando vocês estavam juntos e isso só denota a falta de respeito e de consideração que ele tem por ti – disse Bea finalmente
- Eu sei… mas ele estava a brincar – disse Dreia
- A brincar? – repetiu Bea, antes de se lembrar que Dreia tinha assistido ao convite de Tom para um menage à trois – Não foi só dessa vez…
- Ele fez-se a ti mais vezes?
– perguntou Dreia
- Sim… - confessou Bea

- E nunca me disseste nada? – perguntou Dreia um pouco alterada
- Não sabia como… tu estavas tão feliz do lado dele – disse Bea – Não tive coragem…
- Por isso é que me dizias para ter cuidado?
– perguntou Dreia
- … Sim! – disse Bea – Desculpa!

- Não tens de me pedir desculpa. Não tens culpa de o Tom ser como é…
- disse Dreia limpando as lágrimas e virando novamente para o espelho para ver se estava apresentável – Obrigada!

- Pelo quê?
– perguntou Bea
- Por me desenvolveres o meu amor-próprio… – disse Dreia abrindo a porta da casa de banho e saindo.

Saiu decidida a por um fim em qualquer tipo de relação que estivesse a ter com Tom. Foi até à sala e viu-o a conversar com Bill, fez-lhe o mesmo sinal que tinha feito a Bea para a chamar e foi até ao quarto de Gustav, para a varanda. Tom seguiu-a, olhando-a como se fosse uma criança que ia levar um sermão.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qua Jan 14, 2009 7:01 am

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Saiu decidida a por um fim em qualquer tipo de relação que estivesse a ter com Tom. Foi até à sala e viu-o a conversar com Bill, fez-lhe o mesmo sinal que tinha feito a Bea para a chamar e foi até ao quarto de Gustav, para a varanda. Tom seguiu-a, olhando-a como se fosse uma criança que ia levar um sermão.


- Andas a fazer-te à Bea à quanto tempo? – perguntou Dreia directamente
- Eu não me faço a ela, é tudo no gozo! – disse Tom
- Andas a fazer-te à Bea à quanto tempo? – perguntou Dreia novamente, cruzando os braços

- Desde que regressámos da gravação do cd – disse Tom baixando os olhos – Mas é no gozo…para provocar…

Dreia virou-lhe as costas, não podia acreditar naquilo que ouvia, já lá iam quase dois meses, e ela nunca se tinha apercebido de nada.

- Já foste para a cama com mais alguém desde que nós estamos juntos? – perguntou virando-se de novo de frente para ele

- …Sim – disse Tom tirando um cigarro e acendendo-o

Dreia sentiu o coração despedaçar. Só voltaria atrás na sua decisão se Tom se confessasse arrependido ou apaixonado, mas algo lhe dizia que isso não ia acontecer…

- Eu gosto de ti – disse Dreia
- Eu também gosto muito de ti – disse Tom prontamente
- Não percebeste… Eu gosto de ti! – disse Dreia novamente olhando-o nos olhos

Tom não disse uma palavra. Percebia o que ela queria dizer, tinha percebido quando sem querer ela o tinha chamado de amor numa tarde passada nos seus lençóis. Tom não tinha nada para lhe dizer, não lhe ia mentir e dizer que gostava dela da mesma maneira, porque era mentira. Limitou-se a fumar o seu cigarro baixando os olhos para o chão.

- Eu gosto muito de ti, mais do que devia. Mas por mais que goste de ti e te ame, não consigo viver assim, nem quero. Primeiro estou eu, os meus desejos, as minhas aspirações e só depois tu e esta relação, que não é uma relação, não é nada! – disse Dreia calmamente sentindo o seu coração partir ao meio – Eu sou tua, sempre fui, desde o dia em que te vi pela primeira vez. E tu? Alguma vez foste meu? Não, foste e continuas a ser do mundo. Por mais que goste de ti… primeiro estou eu, e o respeito que tenho por mim e por aquilo que sinto. Eu tenho direito a ser feliz ao lado de alguém Tom, e se tu não queres ser feliz do meu lado, alguém há-de querer. Eu tenho o direito de correr atrás da minha felicidade e não ficar presa a ti – disse Dreia largando uma lágrima – Quanto mais tempo estivermos nesta situação, mais tempo desperdiço, e mais longe a minha felicidade está de ser alcançada. Amo-te muito Tom, mas nunca mais quero nada a ver contigo…

- Desculpa… - disse Tom – Se te magoei foi sem intenção, não foi de propósito, nem a pensar nisso…

- Eu dei-te tudo… nunca te pedi nada em troca. Agora estou farta. Eu quero algo que tu não me podes dar, e tu queres uma liberdade com a qual eu não consigo viver
– disse Dreia

- Espero que encontres a felicidade e a pessoa por quem procuras… mas não sou eu Dreia. Desculpa… eu gostava de te dizer que sou, mas não posso. Eu não sou assim… – disse Tom


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Não estava à espera que o ambiente se tornasse tão pesado, mas já não era sem tempo. Andreia precisava mesmo de abrir os olhos e fazer-se respeitar. Tom já tinha brincado tempo demais com ela.
Saiu da casa de banho e esbarrou com Bill que saía da cozinha.

- Desculpa! – disse Bea sorrindo
- Magoaste-te? – perguntou Bill que via Bea colocar a mão na cabeça
- Não… - disse Bea – Já agora… posso falar contigo?
- Claro
– disse Bill sorrindo

Bea pegou na mão de Bill e puxou-o para a casa de banho de onde tinha acabado de sair. Fechou a porta à chave e encostou-se ao lavatório olhando com um ar sério para Bill.

- A Dreia descobriu que o Tom tem outras e que se fez a mim e deve estar neste momento a acabar tudo com ele…- disse Bea
- A sério? – perguntou Bill que não esperava aquela noticia vinda do nada
- Sim… - disse Bea – ela vai precisar muito de nós agora…
- Tu és uma boa amiga…
– disse Bill absorvendo todas as palavras e sentimentos que Bea expressava pela amiga. Como é que ela conseguia ser tão perfeita e ele não se tinha apercebido disso?
- A amizade é das coisas mais valiosas que se tem, uma vida sem amigos é uma vida a preto e branco, e acredita que eu sei o que digo… – disse Bea
- Eu sei… – disse Bill abraçando-a. Queria estar com ela, senti-la nos seus braços a toda a hora, aproveitar qualquer desculpa para estar do seu lado – Posso-te fazer uma pergunta?
- Claro
– disse Bea afastando-se de Bill

- Dormiste com o Gonçalo ontem? – perguntou Bill um pouco intimidado, sabia que a pergunta vinha do nada e que ele não tinha nada a ver com isso, mas a noite em branco que tinha passado e os demónios que lhe assaltavam a cabeça obrigavam-no a ser directo.
- Sim, ele está a dormir na minha cama… – disse Bea sem perceber exactamente de onde aquela pergunta vinha
- Não foi isso que perguntei. Dormiste com ele? – perguntou Bill sentindo o seu coração nas mãos da resposta que ela desse
- Não. Estávamos demasiado bêbados, não aconteceu nada! – disse Bea

- Mas querias? – perguntou Bill sem pudor
- Não sei… Sim e não – disse Bea – Porquê?
- Não leves a mal…mas não gosto nada do Gonçalo
– disse Bill
- Mas tu ontem disseste que tinhas gostado dele – disse Bea confusa
- Isso foi ao início da noite. Depois mudei de ideias – disse Bill
- O que é que te fez mudar de ideias? – perguntou Bea interessada em saber a razão da mudança de opinião
- Algumas atitudes dele… - disse Bill
- Tipo? – perguntou Bea
- Tipo fazer-se a ti quando tu estavas vulnerável – disse Bill

- Tu és mesmo um bom amigo… - disse Bea sorrindo por ver que Bill se preocupava com ela – Não te preocupes, não aconteceu nada, nem vai acontecer

Bill sorriu, gostava de ouvir aquelas palavras, davam-lhe confiança. E dentro de dois dias Gonçalo estaria a kilómetros de distância, e ele continuaria ali, ao lado de Bea por muito tempo.
Bea abriu a porta e saiu da casa de banho acompanhada de Bill, foram ambos até à sala ter com o resto das pessoas, Tom e Dreia ainda não estavam ali, a conversa ia longa. Bea foi ter com Gonçalo e este abraçou-a pela cintura e deu-lhe um beijo na cara, provocando em Bill uma vontade enorme de o esganar, se havia coisa que ele era, era ciumento, e ver Gonçalo constantemente abraçar e beijar Bea já o estava a tirar do sério, sem se dar conta gritou-lhe em alemão:

- Vai com calma!
- Bill!!!
– disse Bea muito espantada por perceber que aquelas palavras dirigiam-se a Gonçalo
- O que é que foi? – disse Gonçalo sem perceber o que Bill tinha dito em alemão

- Não foi nada… – disse Bea desculpando Bill
- Alguma coisa foi, para ele estar a olhar para mim feito estúpido com aquela cara – disse Gonçalo em português - O que é que foi? – disse Gonçalo em inglês percebendo que Bea não lhe iria contar o que Bill dissera.

- Vai com calma! – repetiu Bill olhando para ele com fúria
- E quem és tu para me dizer o que fazer? – perguntou Gonçalo – Que eu saiba tu não andas com a Bea, eu posso abraçá-la e beijá-la as vezes que quiser!
- Mas devias ter respeito pelo sofrimento que já lhe causaste…
– disse Bill chegando-se à frente
- Tu nem sabes do que estás a falar, é melhor estares caladinho! – disse Gonçalo chegando-se um pouco à frente também. Se era confronto que Bill queria, era confronto que iria ter, podia ser mais alto, mas era com certeza muitíssimo mais magro e não tinha chances nenhumas ao pé do seu corpo constituído.

- BILL! – gritou Bea indo ter com ele e colocando uma mão no peito dele para travar o avanço – Estás maluco?

Bea pegou em Bill pela mão e levou-o para a cozinha, fechando a porta atrás de si.

- O que é que foi aquilo? – perguntou Bea furiosa
- Não aguento vê-lo à frente… – disse Bill
- E desde quando é que te tornas-te irracional? – perguntou Bea não reconhecendo o seu amigo
- Desde que ele se mete contigo… – disse Bill olhando-a nos olhos
- Não te preocupes comigo. Ele só me abraçou e deu um beijo, não foi nada de outro mundo, nem nada que nunca tenha feito antes! – disse Bea – Não percebo a tua reacção… Gostava que vocês se dessem bem…

- Desculpa, mas não consigo…
- disse Bill
- Ok… então não cries confusões, está bem? – pediu Bea
- Ok… - concordou Bill reticente

Quando Bea e Bill saíram da cozinha, os outros já tinham acalmado Gonçalo. Tom e Dreia já estavam de volta à sala e a par do que se tinha passado. A tenção estava criada e Bea não queria estragar a noite de toda a gente. Concordou com Gonçalo em ir embora mais cedo, e Dreia que não estava no espírito de estar perto de Tom concordou em ir com eles. Despediram-se de todos, pediram desculpas pela confusão e foram embora. No caminho para casa pararam num bar para beber um copo e desabafar sobre os últimos acontecimentos.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qua Jan 14, 2009 7:02 am

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Sentia-se enraivecido pelo que tinha acontecido, por ter sido tão estúpido ao ponto de a fazer sentir-se obrigada a sair de casa de Gustav mas não aguentava ver Gonçalo tocar-lhe com um dedo que fosse, e a ideia de ela poder gostar ou retribuir fazia com que não tolerasse aquelas demonstrações de afecto.

Depois de Bea, Gonçalo e Dreia irem embora, Bill pediu desculpas a Gustav e anunciou que ia embora também. Não tinha cabeça para estar ali a fingir que estava a ver um filme para qual não tinha interesse, nem cabeça para ver. Tom estava também ele em baixo de forma. Por mais que não tivesse nada com Dreia e que não gostasse dela, as palavras dela tinham tocado no seu coração como flechas, tinha ficado a pensar em tudo o que ela lhe dissera e não tinha cabeça para estar ali. Resolveu ir embora com Bill.

A caminho de casa nenhum dos dois falou, estava cada um concentrado nos seus próprios problemas e naquilo que se tinha passado naquela noite. Quando chegaram a casa, os gémeos olharam um para o outro e sem ser necessário dizer nada foram ambos para a cozinha assaltar o frigorifico e sentarem-se na mesa da cozinha a desabafar. Foi Bill quem começou.

- Achas que exagerei? – perguntou
- Não… tu só o avisaste para ter calma – disse Tom
- Não aguento aquele Gonçalo. Vê-se mesmo que tem a mania que é bom e que pode com todos – disse Bill cerrando os dentes com fúria
- Também não sei o que é que a Bea viu nele… – disse Tom
- Eu também não… mas só pelo facto de ela ter visto alguma coisa nele, ainda me faz detestá-lo mais – disse Bill

- Estás mesmo apaixonado maninho… – disse Tom
- Não me digas nada! Só me apetece abraçar e beijá-la a toda a hora… – disse Bill
- Tens de fazer alguma coisa quanto a isso. Fala com ela… – disse Tom
- Talvez seja melhor esperar que o Gonçalo vá embora e depois quando as coisas estiverem mais calmas falo com ela. Não consigo olhar nem mais uma vez para a cara dele… – disse Bill

- Ok…agora estás a exagerar – disse Tom
- Mas acredita que é verdade… - disse Bill – Estive a falar com a Bea e ela disse que não dormiu com ele a noite passada.
- Vês? Já é uma boa notícia, quer dizer que não quer nada com ele
– disse Tom
- Sim… mas mesmo assim eles têm partilhado a cama – disse Bill com um ar triste – … Arschloch…
- Não te preocupes. Daqui a dois dias ele está em Lisboa e não te tens de preocupar mais com ele – disse Tom
- Espero que sim… - desejou Bill – E tu e a Dreia? Acabaram tudo?
- Como é que sabes?
– perguntou Tom espantado
- A Bea contou-me… - disse Bill
- Tinha de ser… - disse Tom – Sim…
- Então?
– perguntou Bill

- A Dreia confrontou-me com perguntas e eu respondi-lhe com a verdade, mas era uma verdade que ela não queria ouvir – disse Tom
- As tuas verdades não são propriamente fáceis de se ouvir … - disse Bill

- Pois… principalmente porque ela gosta de mim. Fez-me uma declaração e tudo… e eu fiquei parvo a olhar para ela… - disse Tom
- Ela teve coragem para se declarar? – perguntou Bill impressionado
- Já sabias? – perguntou Tom
- Há muito tempo… - disse Bill
- E não me dizias nada? Pensei que antes de tudo estivesse eu, o teu irmão – disse Tom
- E estás! Mas ela pediu-me para não te contar e não podia trair a confiança dela. Ela já sofreu muito com as tuas one night stands – disse Bill
- Pois… mas eu não sabia – disse Tom – Não a queria magoar, foi sem intenção!
- Tu ainda não percebeste que as pessoas têm sentimentos? Oh Tom… estava na cara que ela gostava de ti, nem nunca pensei que precisasses que alguém to dissesse
– disse Bill
- Eu sabia que ela estava interessada em mim… mas daí a gostar de mim… - disse Tom como se a diferença fosse muito grande

- Tu não sabes o que é gostar de alguém… - disse Bill que sentia o bater dos segundos passar sempre que estava afastado de Bea
- Não…e basta olhar para ti para ter a certeza de que não quero saber! Agora quero ser livre. Freiheit meu irmão. Fazer o que bem me apetecer… – disse Tom
- Dizes isso da boca para fora, porque por dentro ficaste tocado pelas palavras da Dreia de certeza. Eu conheço-te Tommi, e não és tão insensível como queres dar a parecer aos outros – disse Bill
- Nunca ninguém me tinha dito nada assim. Ouvimos da boca de milhares de fãs diariamente que nos amam, mas teres alguém que te olhe nos olhos e te diga que te ama mais que qualquer coisa no mundo, e tu sentires que é verdade, e que a fazes sofrer tanto que ela prefere estar afastada de ti…. Custa ouvir – disse Tom

- Acredito… - disse Bill pensando em Bea

- Não te preocupes. É impossível a Bea não gostar de ti – disse Tom lendo os pensamentos ao irmão – E por mais que não sinta o mesmo que tu, não se vai afastar de ti por causa disso.
- Espero que não…
- disse Bill suspirando


sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny sunny


Gonçalo esteve em casa de Bea mais dois dias. No primeiro foram visitar Potsdam que tinha um rio lindo, onde Bea e Gonçalo tinham aproveitado para fazer um picnic. No segundo e último dia de viagem tinham ficado por Berlin a visitar alguns pontos da cidade que ainda não tinham visto.

O voo de Gonçalo era às 9h da noite. Bea foi levá-lo. Pediu desculpas pela confusão com os amigos e jurou que eles não eram assim habitualmente, mas que gostavam muito dela e a protegiam com unhas e dentes. Gonçalo aceitou as desculpas mas criticou o tipo de amigos que ela tinha arranjado, como sendo infantis e arruaceiros. Abraçou Gonçalo com força e deu-lhe um beijo nos lábios. O amor que sentia por ele estava a ser substituído pela amizade que outrora tinha iniciado o seu relacionamento. Amava Gonçalo, ia amá-lo para o resto da vida, mas tinha de aprender a viver longe dele.

Durante o resto da estadia de Gonçalo por Berlin, Bea não tinha falado mais com Bill. Se por um lado tinha achado querida a atitude de Bill em protegê-la, por outro não achava piada nenhuma que ele tivesse sido violento sem uma razão que o justificasse. Mas ficava mais triste por ver que ele não tinha gostado de Gonçalo, no fundo sempre pensou que eles se fossem dar bem e nunca tinha posto a hipótese de tal não acontecer.

Regressou a casa e passou no 2º andar para falar com Andreia, que preferiu ir para o sótão, onde poderiam falar à vontade sem medo que os seus pais ouvissem a conversa. Subiram até ao sótão e sentaram-se no sofá para conversar… tinham muito a dizer uma à outra.

- Como estás? – perguntou Bea vendo umas olheiras enormes debaixo dos olhos de Andreia
- A sobreviver… – disse Dreia sorrindo timidamente
- Tens de ser forte querida… - disse Bea pegando-lhe nas mãos
- E acredita que estou a ser! Mas quero mesmo seguir em frente e esquecer o Tom. Demore o tempo que demorar… – disse ela
- Ahhhh…assim é que te gosto de ouvir falar – disse Bea sorrindo

- Ele não merece que eu goste nem que sofra por ele. E eu quero mesmo é ser feliz Bea, e do lado dele, nunca vou ser, porque nunca me vou sentir bem em saber que ele anda com outras. Não consigo fechar os olhos a isso…é impossível – disse Dreia
- Nem tens de fechar. Ele que ande com quem quiser, mas que não brinque com os sentimentos das pessoas – disse Bea
- Sim… mas custa-me muito saber que ele pode estar com outras raparigas. Todas as noites quando me deito, imagino se ele está sozinho e o que está a fazer, e não ter qualquer resposta é pior do que se me dissesses que ele estava acompanhado. Porque o não saber, faz com que tudo seja possível, e na minha cabeça surgem logo os piores cenários – disse Dreia

- Tenta não pensar nisso. Agora é seguir em frente. Toda a gente tem direito a ser feliz à sua maneira, e se ele é feliz assim, deixa-o ser! Tenho a certeza que logo, logo vais encontrar alguém que goste muito de ti e te valorize pelo que és! – disse Bea com um sorriso na cara

- Obrigada… não podia ter pedido uma amiga melhor que tu. E aquela cena do Bill e do Gonçalo? Que esquisita… - comentou Dreia espantada sem conseguir imaginar Bill a ter uma reacção agressiva
- Pois foi… se queres que te diga, não percebi nada do que se passou! Foi assim do nada… – disse Bea

- Se calhar ficou com ciúmes – disse Dreia
- Do quê? – perguntou Bea
- De estares a dedicar o teu tempo todo ao Gonçalo e não lhe ligares nenhuma… Sei lá! – disse Dreia

- Não faz sentido… - disse Bea
- Ninguém compreende os rapazes, às vezes são tão irracionais e primários. Basta ver pelo Tom – disse Dreia
- Acho que é um mal dos Kaulitz – disse Bea a rir – embora o Tom esteja num estádio muito mais avançado de irracionalidade do que o Bill
- Mesmo…
- disse Dreia a rir
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qua Jan 14, 2009 7:04 pm

 41 






Agora que Gonçalo estava longe da vida de Bea, tinha chegado a altura perfeita para Bill falar com ela, embora não fosse ser fácil. Não tinha ninguém há três anos, e não sabia o que fazer numa situação daquelas. Como deveria falar com ela? Declarava-se ou fazia como nos filmes e beijava-a a ver qual era a sua reacção? Gostava de poder contar com a ajuda de Tom que era especialista em mulheres, mas as mulheres com quem ele se envolvia não tinham nada a ver com Bea, e Tom não tinha a sensibilidade necessária para o aconselhar neste caso em concreto. Precisava de um toque feminino de alguém que a conhecesse bem. Precisava de falar com Dreia. Mas não podia encontrar-se com ela em sua casa, porque Dreia não haveria de se sentir à vontade com Tom por perto. Telefonou-lhe para marcar encontro e ficou combinado passar em sua casa para a apanhar e irem a algum sítio onde não pudessem ser reconhecidos.

À hora marcada estava à porta do prédio de Bea e Dreia, a rezar para que Bea não saísse ou chegasse a casa aquela hora. Mandou um toque a Dreia que desceu rapidamente. Entrou no carro cumprimentando Bill com dois beijinhos e fizeram-se à estrada saindo da cidade de Berlin em direcção a uma zona verde perto da cidade.

Dreia não fazia ideia do porquê do convite de Bill. Ele nunca lhe tinha telefonado para estarem somente os dois. Ao inicio achou aquele convite muito suspeito, até porque duvidava que Tom se tivesse queixado a Bill e quisesse que este falasse com ela para apalpar terreno, e Bill não era o tipo de rapaz que fazia uma coisa dessas, por isso, só podia tê-la convidado para desculpar as atitudes do irmão e apoiá-la na sua dor.

Saíram do carro, numa zona onde só se via um enorme e vasto campo verdejante e uma plantação de trigo dourada a contrastar. A paisagem era lindíssima, e não havia sequer uma pessoa à vista. Dreia não poderia ser vista com Bill, ou as revistas cor-de-rosa iam ficar deliciadas com a quantidade de histórias que podiam inventar. Optaram por passear um bocadinho pelo meio dos campos de trigo, lado a lado, para conversarem calmamente. O sol a batia-lhes nas costas.

- Eu estou bem, sabes? – começou Dreia
- Estás? – perguntou Bill não percebendo de onde vinha aquela conversa
- Sim. Se queres falar comigo por causa do teu irmão, não vale a pena preocupares-te… – disse ela arrancando uma espiga de trigo e brincando com ela nas mãos.
- Ahhh… quanto a isso, estou um bocado preocupado contigo Dreia. Eu sei que gostas muito dele! – disse Bill

- Gostava… – disse Dreia corrigindo-o
- Ninguém deixa de gostar de alguém assim tão depressa… – disse Bill olhando para ela
- Mas estou no processo… e prefiro pensar que já não gosto! Quanto mais cedo me mentalizar que ele já não significa nada para mim, mais rápido o esqueço… – disse Dreia

- Posso-te perguntar uma coisa? – perguntou Bill parando a caminhada
- Claro! – disse Dreia parando também e olhando para ele curiosa

- Arrependes-te do que aconteceu entre ti e o Tom? – perguntou ele
- Não. Não me arrependo de nada! Vivi com ele os melhores dias da minha vida. Ele tornou o meu sonho, realidade. Ele é o meu sonho… – disse Dreia – Não podia ter pedido mais. Acabou porque tinha de acabar, mas mesmo assim agradeço todos os dias o tempo que tive do lado dele.
- Tu gostas mesmo dele… o Tom tem muita sorte!
– disse Bill iniciando de novo a caminhada
- …Gostava! – corrigiu Dreia
- Ok…gostavas! – disse Bill a rir

- Só tenho pena que ele não goste de mim, como eu gosto dele… Mas não se pode obrigar ninguém a gostar de nós… – disse Dreia após um momento de silêncio – Ele era perfeito para mim. Sabes… por mais que agora esteja a sofrer, estar com ele foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Mas agora é tempo de passar à frente, sem arrependimentos…

- Fico feliz que por o menos vejas as coisas dessa maneira. Pensei que fosses ficar muito mais em baixo por causa do Tom – disse Bill
- Não… Ele queria-se divertir e já se divertiu. Eu queria-o a ele e já percebi que não o posso ter, ou por o menos não da maneira como eu o queria ao meu lado, por isso, em vez de chorar resolvi seguir em frente… - disse Dreia respirando fundo
- Que bom! – disse Bill sorrindo e pensando como abordar o tema Bea…

Continuaram a andar sobre o campo de trigo. Dreia estava presa aos seus pensamentos. A Tom. Não lhe saia da cabeça os momentos que tinha partilhado com ele e como tudo terminara. Mas tinha sido tão feliz nos braços dele, como é que se podia arrepender de alguma coisa? Ele nunca lhe tinha prometido nada para ela se sentir traída… sentia-se apenas magoada.

- Mas disseste, “quanto a isso”… – disse Dreia lembrando-se das palavras de Bill – Há mais alguma coisa que gostarias de falar comigo?
- Sim. Mas nem sei como te dizer isto…
– disse Bill

- Não te preocupes… nada do que possas vir a dizer sobre ele me vai surpreender… – disse Dreia olhando para Bill
- Não é sobre o Tom… – disse Bill parando novamente e olhando para Dreia – É sobre mim.
- Então? Passasse alguma coisa?
– perguntou Dreia parando e olhando a expressão tímida e baralhada de Bill
- Passa… mas nem sei como te explicar. Preciso da tua ajuda… - disse Bill
- Se puder ajudar… - disse Dreia que estava cada vez mais preocupada

- …Eu gosto da Bea – disse Bill franzindo a testa como se fosse uma criança à espera de uma repreensão
- Hmm…? - disse Dreia ficando sem palavras. Estava à espera de tudo menos aquilo.

Agora tudo fazia sentido. Não gostar de Gonçalo, reagir de forma violenta e ciumenta a um simples abraço e beijo… Bill estava realmente apaixonado pela sua melhor amiga. Não estava nada à espera daquela revelação, ele nunca tinha mostrado qualquer interesse nela como rapariga, estavam sempre juntos como amigos. Será que este amor era coisa nova, ou já durava há muito tempo? Dreia nem queria imaginar a dor que Bill devia sentir em ver Bea com Gonçalo beijarem-se e abraçarem-se na Berghain… Tom nunca lhe tinha feito isso na cara e já doía tanto…

- Oh Meu Deus! Deves estar de rastos com a vinda do Gonçalo… – disse Dreia colocando ambas as mãos sobre a boca
- Digamos que não foi muito bem vindo… – disse Bill
- Mas à quanto tempo gostas dela? – perguntou Dreia
- Não sei… só me apercebi agora… – disse Bill iniciando novamente a caminhada

- Ohhhh… deves ter sofrido tanto! – disse Dreia ficando estática no mesmo sitio a imaginar a dor de Bill
- Não conseguia sequer dormir! Só de o imaginar a partilhar a cama com ela… abraçá-la, beijá-la, e fazer sabe-se lá mais o quê… - disse Bill parando novamente e olhando para trás, para onde Dreia tinha ficado

- Oh Bill – disse Dreia abraçando-o – Percebo tão bem o que estás a sentir!
- O meu problema é que… eu devia falar com ela sobre isto, porque não sei se consigo estar muito mais tempo a sós com ela sem fazer alguma coisa estúpida. Mas não sei como lhe contar…
– disse Bill

- Pois… essa é a parte mais complicada sempre – disse Dreia – E ela ainda está muito ligada ao Gonçalo…
- Ainda? Fogo… o que é que ela vê naquele gajo? Que raiva… -
disse Bill dando um pontapé numa pedra que estava no seu caminho.
- Ele até é interessante… mas não chega aos teus pés! – disse Dreia sorrindo – Tu és perfeito! Quem me dera ter-me apaixonado por ti!

- Oh dizes isso por dizer…
- disse Bill com a auto estima em baixo
- Não digo, não. Tenho a certeza que ela vai gostar de ti. É impossível não gostar… – disse Dreia

- Então o que é que achas que deva fazer? – perguntou Bill
- Acho que devias falar mesmo com ela. Sê sincero… – disse Dreia – Abre o coração e serás recompensado!
- Mas como?
– perguntou Bill
- Não sei… a Bea faz-se de durona, mas no fundo não é nada assim. Convida-a para fazerem qualquer coisa só os dois e fala com ela sinceramente – disse Dreia
- E se ela me disser não? – perguntou Bill – Tu mesma disseste que ela ainda gosta do Gonçalo…
- Mesmo que ela diga que não, nunca te vai tratar mal ou afastar-se de ti. E vai com certeza ficar elogiada por tu gostares tanto dela… –
disse Dreia

- Então…vale a pena falar? – perguntou uma última vez Bill
- Vale mesmo a pena falar – disse Dreia sorrindo
- Ok… - disse Bill suspirando como se tivesse a ganhar coragem para o grande momento - …Voltamos para trás?
- Yup!
– disse Dreia

Estava tomada a decisão, ia falar com Bea. Agora restava saber o que ia inventar para que os dois pudessem estar sozinhos e a conversa pudesse fluir… mas sem mesmo começar a pensar no assunto a ideia surgiu-lhe, e não podia ser melhor. Pegou no telefone e telefonou de imediato a Jost.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qua Jan 14, 2009 7:05 pm

 42 






A ideia era simples, e Jost tinha conseguido tratar de tudo com uma discrição que já lhe era característica. O Zoo Aquarium Berlin ia ficar fechado durante duas horas (claro que a troco de um incentivo monetário generoso). Bill tinha duas horas para se passear livremente no aquário fazendo-se acompanhar de Bea. Ao contrário do que tinha pensado fazer inicialmente, não tinha inventado nenhuma desculpa para convidar Bea para o encontro, apenas lhe dissera que gostava de ir visitar o aquário e convidou-a para ir com ele, já que ela era nova na cidade e nunca o tinha visitado. O planeado era encontrarem-se lá às 6h da tarde.

Bill entrou no aquário pela porta dos fundos, por onde os funcionários entravam. Passou pelos balneários do pessoal que lá trabalhava, fazendo-se acompanhar de Tobi e do supervisor do aquário que os levou até à porta de entrada, onde iriam aguardar por Bea. Tobi ia fazendo uma vistoria pela segurança do edifício. Não podiam correr qualquer risco.

Quando Bea chegou, foi recebida pelo supervisor que lhe foi abrir a grande porta do edifício, fechando-a de seguida. Bea seguiu-o até ao local da entrada onde estava Bill sorridente e ansioso pela sua chegada.

Bill viu-a aproximar-se. Vinha tão simples, no entanto tão bonita. Vestia umas calças de ganga escuras justinhas e uma camisola vermelha por baixo de um casaco em tons de cinza e preto. Vinha meia encolhida, parecia ter frio. Bill aproximou-se dela sentindo o coração bater a um ritmo estranhamente acelerado. Era o efeito dela, e o peso daquilo que o trazia ali naquele dia. Sentia-se mais nervoso do que antes de subir a um palco com 50.000 pessoas à sua frente. Parecia um miúdo com medo de dizer ou fazer algo errado. Já tinha estado sozinho com ela inúmeras vezes, mas aquele encontro era diferente, era realmente especial, podia mudar a sua vida radicalmente e fazer dele o homem mais feliz do mundo.
Não conseguiu esperar que ela chegasse até si, começou a andar também na sua direcção com um sorriso rasgado e deu-lhe dois beijos na cara, agradecendo-lhe mais uma vez ter aceite o convite.

- Há muito que quero vir cá mas é difícil arranjar tempo… – disse Bill sem conseguir tirar o sorriso da cara
- Adoro o oceanário de Lisboa. Este deve ser lindo também! – disse Bea sorrindo e esfregando as mãos uma na outra cheia de vontade de ver as surpresas que o oceanário de Berlin lhe iria proporcionar.

- Então? Vamos? – disse Bill

- Não se vê ninguém… - disse Bea espantada à medida que iam andando para a primeira sala do aquário
- Nem vais ver – disse Bill rindo – Temos o aquário só para nós, por duas horas!
- Estás a gozar???
– perguntou Bea espantada
- Não! Não podia vir para aqui passear com isto aberto ao público…infelizmente… – disse Bill levantando as sobrancelhas
- Pois… nem tinha pensado nisso! – disse Bea – Mas assim também é fixe, podemos ver tudo com calma sem ninguém para nos chatear. Mais ninguém quis vir?
- Ninguém podia…
– disse Bill mentindo
- Eles é que perdem – disse Bea – Olha aquele peixe! É enormeeeeee…. – disse Bea espantada com o tubarão que se passeava no grande aquário à sua frente.
- Pois é… – disse Bill olhando para Bea com um sorriso na cara e olhos a brilhar.

O peixe era capaz de ser enorme e lindo. Podia ser o rei dos mares ou dos oceanos, mas para ele naquele momento nada mais existia a não ser ela. Os seus olhos brilhantes, o modo como o seu sorriso parecia o de uma criança, sincero e impressionado com os peixes que se passeavam à sua frente. A maneira como colocava a sua mão encostada ao vidro do aquário como se pudesse sentir ou absorver a essência daqueles peixes que navegavam ali. Tudo nela era perfeito, todos os seus gestos e atitudes, valores e acções. Era tudo o que sempre tinha sonhado para a sua vida. A companhia perfeita.

- Tobi, podes deixar-nos… - pediu Bill
- Com certeza. Fico na saída à sua espera! – disse Tobi virando costas e saindo da grande sala onde se encontravam Bill e Bea

Continuaram a andar, entrando numa sala que tinha pequenos aquários com incubadoras onde estavam a ser criadas alforrecas. Bea aproximou-se de um aquário e observava uma alforreca bebé a nadar ao longo do aquário. Bill era incapaz de tirar os olhos dela, tão natural, tão fascinada com aquilo que a rodeava. Era uma rapariga de paixões e isso agradava-lhe, mas também, o que é que não lhe agradava em Bea? Era incapaz de se lembrar de algum defeito dela.
A visita continuava passando por terráqueos com répteis, salas com fósseis, animais embalsamados e enguias eléctricas. A conversa ia leve e relativamente normal. Bill mantinha-se mais calado do que o costume, em parte pelo medo que tinha de abrir o seu coração e em parte por estar tão nervoso que sentia que tudo o que fosse dizer ia sair mal, por isso limitava-se a sorrir e abanar a cabeça afirmativamente sempre que Bea falava ou comentava alguma coisa.

Foi na sala dos corais, uma sala absolutamente linda, onde os aquários iam do chão até ao tecto, onde não havia uma única luz na sala, apenas a que iluminava os aquários que brilhavam com as centenas de corais de todas as cores do arco-íris, que Bill respirou fundo e pensou acabar com o seu sofrimento de uma vez por todas e abrir o seu coração a Bea.

- Estás a gostar? – perguntou Bill
- Sim… é incrível! Não fica atrás do de Lisboa! – disse Bea olhando para a imensidão de cores que se estendia à sua frente
- Um dia hei-de ir ao de Lisboa… - disse Bill repensando como lhe iria dizer aquilo que sentia – E espero que nesse dia estejas do meu lado…
- Espero que sim! Ai de ti que vás a Lisboa e não te encontres comigo…
– disse Bea apontando para ele e fazendo um olhar ameaçador.
- Nunca faria uma coisa dessas. Prometo! – disse Bill
- Acho bem… - disse Bea sorrindo e virando-se novamente para o grande aquário colorido

- Eu queria muito ver o aquário. Só tinha cá vindo uma vez com a minha mãe quando era pequeno. Mas a razão pela qual te convidei para vires aqui, foi outra… - disse Bill olhando para o chão e mexendo mais que o normal as mãos. Estava realmente nervoso.
- Então? – perguntou Bea olhando para Bill e reparando que ele estava esquisito começou a ficar preocupada e perguntou – Está tudo bem?
- Não… quer dizer, estar tudo bem, até está! Mas…lembraste quando perguntaste se vinha mais alguém?
– perguntou Bill timidamente
- Sim… - disse Bea franzindo a testa
- Eu não convidei mais ninguém…por isso é que mais ninguém veio! – disse Bill

- Ai…estás-me a deixar preocupada – disse Bea virando-se de frente para ele e olhando-o nos olhos – Aconteceu alguma coisa?
- Sim… aconteceu mesmo alguma coisa, e foi do nada. Foi como se um dia me deitasse numa vida a preto e branco e ao acordar de repente visse todas as cores e as suas diferentes tonalidade…
– disse Bill olhando para ela

- Não estou a perceber… - disse Bea confusa
- Como se a cor e vivacidade destes corais fizesse agora parte da minha vida… – disse Bill olhando para o aquário ao seu lado

- Juro que não estou a perceber… - disse Bea confusa – O que é que os corais têm a ver com o que quer que seja?
- Têm a ver com a força que iluminou os meus dias. Que me faz levantar de manhã e adormecer à noite com um sorriso na cara. Que me faz viver com uma alegria rejuvenescida, com um sorriso nos lábios e um peso no coração
– disse Bill

- Estou na mesma… - disse Bea sentando-se num banco que estava atrás deles, e ficando virada de frente para o grande aquário
- O que te estou a tentar dizer é que descobri uma pessoa muito importante na minha vida…que me faz ver tudo de maneira diferente… - disse Bill sentando-se ao lado de Bea e segurando-lhe nas mãos

- Estás apaixonado? – perguntou Bea olhando-o nos olhos e sorrindo
- Sim! – disse Bill olhando-a nos olhos
- Ohhhh Bill… que bom! – disse Bea dando um abraço sentido a Bill

Bill colocou os seus braços à volta do corpo de Bea, sentia-a presa a si. O seu cheiro, o seu toque, a sua respiração. Sentia-se cada vez mais nervoso, como se nos seus braços encontrasse uma força que o deixava destabilizado.

- Fico muito contente por ti – disse Bea – É alguém que eu conheça?

Bill só teve coragem de abanar a cabeça para cima e para baixo acenando afirmativamente.

- Quem? – perguntou Bea curiosa

Tinha chegado o momento da verdade, o momento que mais temia e que podia alterar a sua vida para sempre. Lembrou-se uma vez mais das palavras de Dreia quando o incentivava a falar com Bea, acontecesse o que acontecesse eles eram grandes amigos.

- Tu… - disse Bill olhando-a com medo da sua reacção

- Eu? – perguntou novamente Bea sem ter a certeza de ter ouvido bem

- Sim… – confirmou Bill

- Não pode ser… - disse Bea levantando-se e andando em direcção ao aquário, mantendo-se de costas para Bill

- Eu sei que pode parecer estranho. Mas desde que te vi com o Gonçalo que comecei a sentir inveja e ciúmes dele, e apercebi-me que não era por ser teu amigo, era porque o meu coração já batia pelo teu sem eu me ter dado conta antes… – disse Bill – Eu não sabia como te dizer isto. Eu sei que somos amigos, mas acredita que o que sinto por ti vai para além de uma amizade. Há muito tempo que não sinto nada assim tão forte por ninguém…

- Não pode ser…
- disse Bea andando de uma ponta à outra do aquário

- Bea… - disse Bill levantando-se e indo ter com ela – Eu gosto de ti, como nunca gostei de ninguém…

- Não digas isso…
- disse Bea continuando a andar de um lado para o outro e passando por ele como se ele nem ali estivesse – Estás a confundir tudo…

- Não, não estou. Eu gosto mesmo de ti…
– disse Bill vendo-a andar de um lado para o outro

- Não. Tu viste-me com o Gonçalo e confundiste as coisas, o teu ciúme era de eu não ter tanto tempo para ti como o normal… – disse Bea parando e olhando para Bill nos olhos como se à procura de uma luz que lhe confirmasse aquilo que acabava de dizer.

- E as noites que passei sem dormir por imaginá-lo contigo? Na tua cama, a beijar-te, a abraçar-te? São coisas em que os amigos pensam? – perguntou Bill

- Não digas isso… - disse Bea colocando uma mão na cabeça como se não quisesse ouvir nada daquilo que ele tinha para lhe dizer.

- E o aperto que eu senti no meu coração quando o vi ao teu lado? Quando pensava que ele te tinha magoado e que se preparava para fazer o mesmo novamente? Ou quando te via feliz ao lado dele? – perguntou Bill – Os amigos sentem isso?

- Porque é que estás a dizer essas coisas?
– perguntou Bea olhando para ele com vontade de sair dali a correr – Tu estás sozinho à muito tempo. Estás a confundir tudo!

- Já devias saber que eu sou sincero com os meus sentimentos
– disse Bill aproximando-se de Bea e colocando ambas as mãos em cima dos ombros dela – Eu gosto de ti…e tinha de te dizer, porque a cada dia que passa eu sinto que este sentimento cresce e que aquilo que sinto é forte e pode-se vir a tornar num grande amor…

- Larga-me…
- disse Bea sacudindo as mãos de Bill dos seus ombros, virando costas e seguindo as setas que indicavam o caminho da saída.

Bill ficou sozinho, na sala dos corais. Sentou-se no banco onde outrora estava sentado com Bea e apoiou os cotovelos nos joelhos, enterrando a cabeça nas mãos. Se aquela revelação tinha sido um choque para Bea, para ele tinha sido uma facada no coração. Nunca tinha pensado que Bea reagisse tão mal. Mesmo que nunca lhe tivesse dado qualquer sinal daquilo que sentia por ela, pensou que em nome da sua amizade ela respeitasse o seu sentimento e não o abandonasse em pleno Zoo Aquarium Berlin. E agora?
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Jan 15, 2009 10:11 pm

 43 







Como voltar atrás no tempo?
Como poder apagar um gesto? Uma palavra? Um olhar? Um toque?
Como viver sem aquela que nos preenche o coração e nos faz querer ser alguém, viver e morrer por amor, travar batalhas que só o coração dita e sente? Como dizer que se ama, sem nunca se ter? Como renascer e voltar a sentir, quando a dor que nos consome o peito não nos deixa sentir na totalidade?
Querer viver, sentir e sofrer do seu lado. Querer ser livre, preso nos seus braços.

Bill estava deitado na cama. O tecto permanecia igual ao de todas as outras noites. As paredes continuavam a guardar os seus segredos, alojando o segredo da sua dor. Há muito que não amava. Há muito que não sabia o que era sofrer por alguém. Pensar noite e dia nessa pessoa. Não conseguir comer, porque a fome era supérflua quando comparada àquele sentimento que o consumia noite e dia e o impedia de dormir. A manhã começava agora a surgir, Bill tinha passado mais uma noite em branco. Na sua cabeça revia momentos de intimidade que tinha passado com Bea e sorria, mas logo a seguir lembrava-se do encontro no Aquarium de Berlin e era incapaz de sorrir por mais tempo.
Sentiu a porta do seu quarto abrir-se devagarinho, e viu a figura de Tom aproximar-se da sua cama pé ante pé.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Bill sentando-se na cama e acendendo a luz da mesinha de cabeceira
- Sim… - disse Tom sentando-se na cama de Bill – Não consigo dormir contigo assim. Sinto um peso no coração. Estou a sofrer de uma paixão sem estar apaixonado…

- Desculpa…
- disse Bill
- Não tens de pedir desculpa. Não tens culpa que sinta aquilo que sentes… - disse Tom
- Neste momento, sermos gémeos não é a melhor coisa do mundo para ti… – disse Bill
- Então? Não digas isso… já passamos por bem pior juntos, havemos de sobreviver à Bea… – disse Tom sorrindo para animar o irmão
- Espero que sim… - disse Bill sorrindo

- Não conseguiste dormir nada? – perguntou Tom
- Nada… - disse Bill – Não me saí da cabeça a cena do Aquário…
- Vais ver que quando ela pensar naquilo que aconteceu vai reagir de maneira diferente
– disse Tom – vocês são tão amigos, não faz sentido ela ficar chateada contigo se no fundo confessas-te gostar mais dela do que já gostavas…
- Espero que sim
– disse Bill – Mesmo que ela não goste de mim, não quero afastá-la da minha vida… Scheisse não devia ter dito nada…
- Não. Fizeste bem! Não penses nisso… Agora, tu vais mas é dormir. Até porque eu também preciso de dormir, por isso faz esse favor aos dois…
– disse Tom levantando-se da cama

- Tommi? – chamou Bill
- Hmm… – murmurrou Tom
- Fica aqui um bocadinho… – disse Bill
- Mas quem é que te disse que eu me ia embora? Só vou buscar bolachas para comermos… – disse Tom – Não te vez livre de mim assim tão facilmente!

Bill sorriu. Tinha Tom, acontecesse o que acontecesse… teria sempre Tom.


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- Estás a gozar? – perguntou Dreia chocada

Já passava da hora do almoço. Bea e Dreia estavam sentadas na esplanada de um café ao pé do rio a aproveitar os raios de sol que surgiam timidamente no céu da fria Berlin. Bea contava aquilo que se tinha passado no dia anterior à amiga, que estava incrédula com a frieza de Bea perante uma situação como aquela. Afinal de contas, ela tinha incentivado Bill a falar com Bea e agora só conseguia imaginar o quão devastado ele devia estar com a maneira como a amiga o tinha tratado.

- Estás a gozar, não estás? – perguntou novamente Andreia
- Não. Ele declarou-se a mim assim do nada… - disse Bea ainda confusa com tudo o que se tinha passado

- Essa parte já sabia….mas tu viraste costas e foste embora? – perguntou Dreia
- Já sabias, como? – perguntou Bea a ver que só ela é que não sabia de nada
- Isso agora não interessa… tu viras-te costas e foste embora? – perguntou de novo Dreia à espera que Bea confirmasse
- …Sim – disse Bea timidamente – Eu não sei lidar bem com este tipo de sentimentos… Nunca nenhum rapaz se mostrou interessado por mim, só o Gonçalo!
- Eu não acredito que tu fizeste isso ao Bill…tu não sabes o medo que ele tinha em te contar tudo!
– disse Dreia – E eu que lhe disse que tu nunca irias reagir mal, mesmo que não gostasses dele…

- Mesmo que não gostasse dele?
– perguntou Bea – Mas tu disseste-lhe que eu gostava dele?
- Claro que não! Eu disse-lhe que ainda gostavas muito do Gonçalo, mas que NUNCA o irias tratar mal!
– disse Dreia
- Também não exageres… eu não o tratei mal – disse Bea
- Oh Bea… por amor de Deus…. Tu viraste costas ao rapaz quando ele te abriu o coração e foste embora. Se isso não é tratar mal é o quê? – perguntou Dreia

- Achas que ele está chateado comigo? – perguntou Bea - Eu gosto imenso dele, não quero destruir a nossa amizade
- Chateado não. Mas deve estar a sofrer imenso e com vontade de se enterrar com a vergonha…
- disse Dreia
- Oh pah…. Estrago sempre tudo! – disse Bea colocando os cotovelos sobre a mesa e enterrando a cabeça nas mãos – E agora, o que é que faço?
- Fala com ele! Esclarece tudo e fá-lo ver que a amizade dele é importante para ti
– disse Dreia como se fosse a coisa mais simples do mundo

- Telefono-lhe? – perguntou Bea levantando a cabeça das mãos
- Sim… do que é que estás à espera? – disse Dreia

- Mas espera aí…. Como é que tu já sabias de tudo? – perguntou Bea com o telefone nas mãos
- Porque tinha estado a falar com ele anteontem sobre isso, e digo-te…. Nunca o vi assim. Ele gosta mesmo de ti… – disse Dreia
- Não sei… eu reparei que ele estava diferente, mas eu acho que ele está a confundir tudo…. Mas não te sei explicar…acho que me assustei de ouvir aquilo, principalmente da boca dele. Não estava nada à espera! – disse Bea
- És muito totó às vezes… Vá lá…liga-lhe… – disse Dreia incentivando a amiga.


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Quando Bill chegou, Bea estava à porta com Bettler ao colo para o receber. Estava mais nervosa do que o habitual, em parte pela figura triste que tinha feito no dia anterior, mas também porque tinha ficado chateada com Bill por algo que não devia, mas felizmente Dreia tinha-lhe aberto os olhos.

Bill subia as escadas em direcção ao sótão com a cara para baixo a olhar para as escadas. Bea apercebeu-se que tinha sido mesmo agressiva e má com ele. Já o tinha visto subir aquelas escadas imensas vezes, mas nunca o tinha visto olhar fixamente para as escadas sem coragem de a encarar de frente.

Quando Bill chegou até si, viu nele uma expressão triste que lhe partiu o coração, e umas olheiras que não deixavam esconder as noites em branco. Cumprimentou-o com os dois beijinhos da praxe e pediu que entrasse. Sentaram-se ambos no sofá, sem trocarem uma palavra. O ambiente estava pesado. Bea pousou Bettler no chão e este brincava com o ratinho que tinha ganho de presente de Bill no Natal. Bill esboçou um sorriso ao vê-lo brincar, sorriso esse que abriu uma porta para que Bea começasse a conversa.

- Obrigada por teres vindo, eu sei que não deve ter sido fácil depois daquilo que te fiz ontem. Desculpa… - disse Bea olhando para ele com receio de algo que não sabia muito bem o quê.

Bill olhou para ela timidamente e acenou com a cabeça como se aceitasse aquele pedido de desculpas, mas não saiu nenhuma palavra da sua boca. De algum modo as palavras pareciam esquecidas dentro de si. Sentia-se mais nervoso que no dia anterior, no dia em que tinha ganho coragem para falar com Bea e tinha sido tão severamente punido pelo seu sentimento. Estava nervoso por estar ao lado dela, agora era assim, o seu coração batia a um ritmo descompassado, a sua respiração estava sempre descontrolada e o seu corpo parecia ter espasmos de energia que não conseguia controlar.

- Desculpa ter agido da maneira como agi… mas não estava nada à espera daquilo que me disseste, e não sei lidar bem com esse tipo de sentimentos… – disse Bea – …Desculpas-me?

- Esse tipo de sentimentos? – perguntou Bill pensando que ela diminuía aquilo que ele sentia

- Sim… Sempre estive com o Gonçalo, nunca nenhum rapaz andou atrás de mim nem me fez declarações de amor… - disse Bea – Não sei lidar com isso…
- Não tem problema. Eu também não estava preparado para reconhecer e lidar com aquilo que sinto por ti… -
disse Bill olhando para todo o lado menos para Bea. Tinha perdido toda a coragem.
- Aquilo que sentes? …Bill… o que tu sentes é uma amizade muito forte por mim… – disse Bea colocando uma mão sobre o ombro de Bill.
- Gostava de te dizer que tens razão, mas não posso… - disse Bill olhando timidamente para ela e vendo aqueles olhos grandes direccionados para si.

- Continuas a… - começou Bea
- Continuo e hei-de continuar Bea. O que sinto por ti existe e é forte e é bonito… - disse Bill olhando-o com uma força renascida do seu amor
- Não percebo porque é que dizes essas coisas se eu sou tua amiga… – disse Bea de forma meiga sem o querer magoar mais do que já tinha.
- Eu sei que és. E eu valorizo demais a tua amizade para a por em risco. Mas se não sentes nada por mim, também não me podes obrigar a deixar de sentir. Só eu sei aquilo que me vai cá dentro e aquilo que sinto realmente por ti! – disse Bill

- Mas eu gosto do Gonçalo, tu sabes disso! – disse Bea
- O Gonçalo… - disse Bill revirando os olhos e levantando-se do sofá para ir até uma das janelas do sótão espreitar a vista – Tu disseste que não querias mais nada com ele.
- E por enquanto não quero. Mas continuo a gostar dele, não se esquece uma pessoa assim de um momento para o outro…
– disse Bea olhando para a figura alta de Bill à janela – Eu e o Gonçalo ainda temos muita história pela frente…
- Depois de tudo o que ele te fez ainda estás disposta a dar-lhe mais uma oportunidade de ter partir o coração?
– perguntou Bill de forma agressiva virando-se para ela e olhando-a nos olhos
- Vale tudo por amor… Se ele me provar que está realmente mudado e que me ama… Sim – disse Bea

- Só o meu amor é que não vale nada…estou a ver… – disse Bill
- Não comeces com essas coisas Bill. Eu quero ser tua amiga, mas se me pressionares não vou conseguir… – disse Bea

- Dava tudo para saber o que esse Gonçalo tem de tão especial… - disse Bill
- Não te sei responder… não sei porque é que gosto dele, mas sei que gosto. Está em mim… – disse Bea encolhendo os ombros

- Se tu conseguisses olhar para mim como olhas para ele, nem que fosse por um segundo, eu seria feliz… – disse Bill

- Não me faças isso Bill… - disse Bea colocando as mãos na cabeça em desespero. Não queria voltar à mesma conversa – É melhor ficarmos por aqui nesta conversa. Não vamos chegar a lado nenhum.

- Ok. Eu vou embora…
- disse Bill encaminhando-se para a porta – Amanhã vamos dar um jantar lá em casa. Gostava muito que fosses.

- Nós somos amigos Bill. Podes contar comigo...
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Qui Jan 15, 2009 10:12 pm

 44 








Chamar de pesado o ambiente era tentar ser simpática. O ambiente estava de cortar à faca. Bill olhava timidamente para Bea. Bea evitava olhar para Bill. Dreia sorria por tudo e por nada para se tentar mostrar superior a Tom. Tom sentia-se constrangido com a presença de Dreia, tentando por tudo evitá-la. Os outros não sabiam da missa a metade e mesmo assim percebiam que as coisas não estavam iguais às da última vez que tinham estado todos juntos.

Bea fez sinal a Dreia que falava com Georg e Andreas, a chamá-la para falar consigo no seu sítio predilecto para as conversas: a casa de banho. Assim que Dreia se apercebeu do sinal da amiga, pediu licença aos rapazes e foi ter com ela à casa de banho. Ao entrar, fechou a porta e sentou-se na bordinha da banheira, já que o tampo da sanita estava ocupado com Bea.

- Estes saltos estão-me a matar! – disse Dreia tirando os sapatos e massajando os pés.
- Não precisavas de vir de saltos a um jantar… - disse Bea que estava confortável nas suas botas sem salto.
- Precisava sim… - disse Dreia
- Porquê? – perguntou Bea já sabendo a resposta
- Quero estar no meu melhor – disse Dreia – …E o Tom adora ver-me de saltos!
- O Tom?
– disse Bea pondo as mãos na cabeça – Tu não estás a pensar em fazer nada pois não?
- Achas? Não quero nada com ele. Só o quero provocar
– disse Dreia – É tipo… “olha o que perdeste” ou “podias ter isto esta noite mas és estúpido e não queres”… – disse Dreia apontando para o seu corpo com as mãos

Bea desatou-se a rir. Adorava ver Dreia contente. E mesmo que na mente dela continuasse o Tom, gostava de a ver assim, a dar-se ao valor e a mostrar-lhe quem manda.

- E se ele fosse ter contigo agora e te dissesse que queria? – perguntou Bea piscando-lhe o olho
- Garanto-te que não tinha nada… Nem por cima do meu cadáver… ia sofrer…. ia implorar…e depois de implorar…. eu não lhe dava nada na mesma! – disse Dreia
- Sempre queria ver isso… – disse Bea batendo no ombro da amiga a rir
- Hás-de ver! – disse Dreia – Mas porque é que me chamaste?
- Para nada… o ambiente está tão mau lá fora. Não me sinto bem a falar com o Bill. Tu estavas entretida com o Andreas e o Georg, só me restava comer ou raptar-te. Como já comi demais, optei pela segunda hipótese…
– disse Bea

- Se achavas que não te ias sentir bem aqui hoje, podias ter inventado uma desculpa e não vir! – disse Dreia
- Depois dos últimos acontecimentos com o Bill não podia fazer isso, tenho de estar do lado dele como sempre estive para ele perceber que sou amiga dele a sério… – disse Bea – E olha quem fala…até parece que estás muito à vontade hoje!
- Não estou à vontade, mas estou na missão de provocar o Tom, e se conseguir nem que seja um bocadinho já fico contente…
– disse Dreia sorrindo
- Ao menos tens uma missão… – disse Bea

Saíram da casa de banho como tinham entrado, uma de cada vez. Voltaram para a sala com um sorriso na cara, principalmente Dreia que continuava empenhada na sua missão de fazer Tom ver aquilo que andava a perder. Pouco tempo depois, Bea estava chateada de não fazer nada. Não se sentia bem a conviver com Bill ali tão perto. Devia mesmo ter inventado uma desculpa para ter ficado em casa. Pegou no seu copo, que tinha abandonado em cima da mesa da sala e foi para a cozinha, ali sempre podia estar um bocadinho sozinha e inventar qualquer coisa para fazer, nem que fosse lavar pratos. Valia tudo. Estava na cozinha a espreitar pela janela quando sentiu a porta da cozinha fechar-se. Olhou para trás e viu Bill, sentiu o coração acelerar, parecia que ia ter de o enfrentar naquela noite, de uma vez por todas. Olhou para ele, e algo dentro de si pedia que fugisse daquela situação, que a evitasse. Um sexto sentido que apurado lhe avisava para sair dali. Andou em direcção à porta que ligava a cozinha ao escritório/sala de música, mas Bill seguiu-a e passou à sua frente barrando a saída que dava acesso daquela sala ao corredor. Bea olhou novamente para ele, não estava a achar graça àquela brincadeira. Voltou-se de costas para Bill e ia sair daquela sala pela porta onde tinha entrado, aquela que dava acesso à cozinha, e Bill voltou a pôr-se à sua frente, deixando-a presa na sala de música, sozinha com ele.

- Deixa-me sair… – disse Bea irritada com aquele gesto infantil de Bill

- Não! – disse Bill decidido

- Não sejas estúpido… - disse Bea tentando afastá-lo da sua frente para chegar à maçaneta da porta (mas sem êxito) – Saí da frente…

- Não vou sair. Vais ter de me ouvir nem que seja pela última vez…
– disse Bill

- Então diz lá o que queres dizer… – disse Bea cruzando os braços e sentando-se na cadeira da secretária do escritório.

- Eu não me importo que não gostes de mim. Claro que preferia que gostasses. Mas a tua amizade é o que eu mais valorizo, e foi isso que me fez gostar tanto de ti. Tu cativaste-me pelo que és, e pela amizade que sempre tiveste por mim. Mas mesmo que nunca mais queiras nada a ver comigo, tens de perceber que o que sinto por ti evoluiu, e por mais que queiras pensar que eu estou a confundir o que sinto por ti…. Isso não é verdade! Eu sei perfeitamente o que sinto por ti, e é mais que uma amizade… - disse Bill olhando-a nos olhos

- Bill…deixa-me sair! – disse Bea

- Porquê? – perguntou Bill – Porque é que não me queres ouvir. Nós somos perfeitos um para o outro…
- Mas nós não temos nada. Tu és só meu amigo. Eu já percebi o que querias dizer… agora deixa-me ir
– disse Bea – Vamos fingir que isto nunca aconteceu e continuamos bons amigos!

Bea levantou-se irrequieta. Não conseguia mais estar sentada a ouvir aquelas afirmações impávida e serena. Já lhe tinha dito que não estava preparada, nem habituada aquelas declarações e ele continuava, dia após dia a fazer pior. Sentia-se incomodada para dizer o mínimo. Bill continuava em pé a barrar o caminho para a porta da cozinha.

- Queres falar? – disse Bea em português – Então vamos falar… Porque eu não percebo porque é que gostas de mim… o que é que eu tenho que te possa despertar interesse? Eu não sou ninguém ao pé de ti… eu não sou perfeita para ninguém… nem para o Gonçalo. Sou uma triste e um entrave na vida dele, uma mera amiga com a qual ele partilhava a cama, sem sentir desejo… Porque é que haverias de gostar de mim Bill, porquê? – disse Bea alterada e a sentir-se emocionar com os pensamentos que lhe assombravam a mente naquele momento.

Bill assistia-a falar em português visivelmente emocionada. Dava tudo para perceber aquelas palavras que lhe saíam da boca com tanta entoação e sentimento, mas não percebia…

- Eu não percebo português … - disse Bill num tom calmo para que ela não se chateasse com ele, tudo o que não queria era vê-la ficar triste.

- Porque é que gostas de mim Bill? Porquê? – disse Bea em alemão, deixando-se encostar a uma parede e deslizar até ao chão. Começava a desistir de tentar sair dali sem pôr tudo em pratos limpos.

- Por causa da maneira como tu me olhas. Por causa do teu sorriso sincero. Por causa do teu cabelo, das tuas mãos perfeitas. Por causa do teu andar determinado, dos teus olhos grandes que parecem espelhar sempre a verdade. Por seres casmurra, mas ao mesmo tempo a pessoa mais doce e com melhor coração que existe. Pela maneira como amas os que te rodeiam. Por te superares sempre com uma determinação que invejo. Pela maneira como às vezes parece que me lês a mente. Por me fazeres rir, sonhar. Por me fazeres feliz. Por sentir que perto de ti posso ser qualquer pessoa e saber que vais estar do meu lado a apoiar-me. Por este tremor que sinto nas mãos, e o bater acelerado do meu coração. Pela respiração descontrolada quando te vejo a entrar numa sala, ou por me fazeres sentir que tudo é possível, que sou uma criança novamente, sem responsabilidades nem pudores. Pela maneira como atendes o telefone e me dás sempre dois beijos quando me cumprimentas. Pelo teu abraço sentido…Oh…. O teu abraço que me faz sentir que não existe mais ninguém no mundo a não ser nós os dois. Pela maneira como me deixas sem comer, dormir, só porque ocupas todo o espaço dentro de mim. Por estares sempre do meu lado, sempre…em todas as ocasiões. Por me inspirares a escrever e compor. Por me fazeres amar novamente quando pensei que estava condenado a deixar de sentir, e principalmente porque sinto… que sem ti sou pior. Antes de te conhecer era metade da pessoa que sou hoje, porque tu me completas… – disse Bill pondo-se de cócoras em frente a Bea que começava a sentir os olhos encherem-se de lágrima pelas palavras que ouvia.

Bill via que ela começava a emocionar-se. De alguma maneira aquilo que ele dizia tocava-lhe. Só tinha sido sincero. Era capaz de dar mais umas mil razões pelas quais gostava dela, mas a verdade é que gostava, porque sim, porque ela o enchia com aquele sentimento do qual não tinha vergonha nenhuma e lhe apetecia gritar para que todos ouvissem. Aproximou-se dela e abraçou-a, Bea deixou cair uma lágrima, estava visivelmente tocada pelas palavras de Bill. Colocou os braços à volta dele num abraço. Bill puxou-a para cima, sem nunca a deixar de abraçar, e apertou-a com força entre os seus braços. Afastou-a de si e limpou as lágrimas que caíam no seu rosto. Os olhos dela mantinham-se fechados, o rímel que tinha colocado nos olhos começava a esborratar, deixando a sua cara manchada.

- Percebes porque é que é impossível não gostar de ti? – perguntou Bill

Bea não teve qualquer reacção. Deixou-se estar de olhos fechados. Levou ambas as mãos à cara e limpou as últimas gostas que escorriam na sua cara, quando sentiu uns lábios tocarem nos seus. Uns lábios quentes que invadiam aquele espaço que nunca antes tinhas pertencido a outra pessoa, a não ser a Gonçalo. Aqueles lábios que se manejavam nos seus com uma facilidade e ternura como à muito não sentia, à medida que uma mão de Bill lhe segurava no pescoço e a outra ladeava a sua cintura.

Apercebeu-se do que se estava a passar e afastou Bill de si. Como é que ele se aproveitava dela num momento em que estava tão vulnerável? Foi até à porta que outrora Bill guardava e abriu-a. Preparava-se para sair quando lhe disse:

- És igual ao teu irmão!

Saiu para a cozinha e abriu a porta da cozinha que dava acesso ao corredor. Foi até à sala, pegou na sua mala e casaco e sem se despedir de ninguém saiu pela porta, deixando toda a gente espantada, incomodada e curiosa com o que se passava. Dreia viu-a sair e não pensou duas vezes, pegou nas suas coisas e saiu porta fora a correr atrás da amiga. Algo lhe dizia que ela ia precisar de um ombro amigo. A sua missão podia esperar.

Bill deixou-se ficar no escritório. Estava a tremer. Sentia que não tinha forças para se aguentar em pé. Aquele beijo tinha sido demasiado intenso e meigo para si, deixara-o a desejar mais, muito mais, uma vida inteira de mais. Sentou-se no chão a pensar naquilo que tinha feito. Era capaz de jurar que ela tinha gostado e retribuído, mas o beijo não tinha durado mais que 5 segundos, e era difícil tirar conclusões quando o seu coração parecia querer sair pela boca.

Podia ter estragado tudo de vez… Lembrou-se das palavras do irmão.


[Flashback]

- O que é que faço? Já fiz tudo… abri-lhe o coração e fui escorraçado duas vezes. Não sei como vou olhar para ela logo à noite… – disse Bill enquanto almoçava sentado no sofá com o prato na mesinha de café da sala.
- É o que dá seguires os concelhos dos românticos… – disse Tom que estava sentado na mesa da sala a comer – se tivesses seguido os meus já estavas com a Bea nos braços…

- Ela não é como tu… - disse Bill
- Aí é que te enganas. Quando toca a sentimentos ela é exactamente como eu. Desconfiada, não se deixa aproximar… - disse Tom colocando uma garfada à boca.

- E o que é que tu farias? – perguntou Bill já disposto a qualquer coisa
- Abria o coração, e espetava-lhe um beijo na boca… - disse Tom
- Ohhh, aí é que ela nunca mais fala comigo… – disse Bill
- Tu já tentaste de tudo. Se lhe deres um bom beijo, vais ver que ela não resiste… – disse Tom – resulta sempre comigo!

- Não sei…
- disse Bill reticente
- Tu já tentaste a maneira soft. Agora fá-la sentir o que sentes. Mostra-lhe o que vales, e o que vale isso que dizes sentir por ela… - disse Tom


[Flashback]


Maldita hora em que tinha aceitado os concelhos de Tom…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Sex Jan 16, 2009 4:07 pm

 45 







Os seus pés estavam presos ao chão com uma força invulgar. Sentia-se estranha, indefesa, como se algo a perturbasse mais do que era suposto. A fila avançava. Bea sentia dificuldade em avançar com ela, dar aquele passo que era necessário. Tinha os pés assentes no chão com uma firmeza que não existia dentro da sua cabeça. Essa voava para longe. Não conseguia manter-se estável como de costume.

Não sabia ao certo o que estava ali a fazer. Bill tinha ido com o resto da banda para Hamburg gravar o vídeo do que seria o primeiro single do novo cd dos Tokio Hotel, mas naquele dia em que o sol até parecia querer brilhar por entre as nuvens, só o queria ver a ele. A fila continuava longa e sem avançar. Tirou o cachecol que trazia enrolado ao pescoço e colocou-o dentro da mala. Sentia-se a sufocar. Ou talvez fossem só os seus pensamentos que insistiam em sufocar a sua alma.

O que se tinha passado à duas noites atrás tinha deixado Bea perturbada. Não estava à espera de uma reacção daquelas por parte de Bill, nunca tinha pensado que ele a desrespeitasse ao ponto de lhe roubar um beijo. Nunca tinha pensado que esse mesmo beijo ia permanecer na sua cabeça a noite toda e inquietar os seus pensamentos. Que beijo tinha sido aquele, tão suave e perfeito? Porque é que aquele beijo parecia ser algo de bom, quando na realidade não podia ter existido? Porque é que o toque dos lábios dele pareciam veludo? Porque é que pareciam transportar neles algo que não sentia há muito tempo?

Não podia pensar em Bill dessa forma. Mas aquilo que ele lhe tinha dado, tinha significado muito para ela, mesmo que não quisesse admitir perante os outros, mesmo que se quisesse trancar no seu mundo. Bill tinha-se aproveitado de um momento em que ela se sentia frágil e vulnerável, e tinha investido sobre si de uma forma que nunca julgou ser possível ele o fazer. Nunca tinha visto Bill como homem, sempre tinha sido só e apenas o seu amigo Bill. Por isso quando a noticia de que ele gostava de si lhe caiu em cima, tinha sido como uma bomba. Na verdade não tinha nada que lhe apontar, sempre tinha sido exemplar com ela, tinha-a feito ver o mundo com outros olhos, acreditar na amizade e nos valores acima de tudo. Tinha estado sempre do seu lado quando ela precisou. E mesmo que o aspecto dele não fosse o de um homem pelo qual algum dia se interessasse fisicamente à primeira vista, a verdade é que se tinha habituado a vê-lo assim. A imagem dele era o espelho daquilo que ele era enquanto pessoa. Não é produto de managers nem consultores de imagem. Ele era assim e sempre tinha sido firme na sua posição de que, quer o aceitassem, quer não, ele não mudaria. E ela aceitava-o, e respeitava-o por aquilo que ele era: um ser individual, rico em personalidade e individualidade. Não seria capaz de alterar uma única coisa em Bill, ele era assim mesmo, e era assim mesmo que ela gostava dele.

Mas porque é que ele dizia que eram perfeitos um para o outro? Porque é que a amizade que nutriam não chegava? Porque é que os homens querem sempre mais? Bea estava bem como estava, era feliz do lado dele assim. Não precisava de mais nada. A perfeição não existia. Talvez o verdadeiro amor nem existisse. Bill estava cego e queria continuar nessa sua nova condição. Gonçalo era perfeito para ela, mas mesmo essa perfeição já tinha tido melhores dias. Já não conseguia olhar para ele da mesma forma como sempre tinha olhado. Por mais que quisesse, as palavras que ele lhe dissera eram cruéis. A amizade podia existir, mas talvez o amor que pregava aos sete ventos sentir, não fosse amor, mas um hábito de se sentir presa a alguém, para saber que não estava sozinha… Mas agora estava verdadeiramente sozinha em Berlin, sem família, sem Gonçalo, e tinha aprendido a viver por si mesma, não precisava de se submeter às palavras do Gonçalo, nem ao sentimento que a subjugava uma e outra vez a nada mais do que a uma simples “namorada”.

Lembrou-se das palavras de Bill, da maneira como ele enumerou tudo aquilo que gostava nela e olhou para si num acto reflexivo e de introspecção. Não era assim, não valia um terço daquilo que ele dizia, não era tão bonita, nem tão especial que merecesse ouvir aquelas palavras. Porque é que ele as dizia? Porque é que acreditava na palavra dele? Talvez quisesse acreditar que alguém podia gostar de si, que Gonçalo não era tudo na sua vida. Mas porquê Bill? O seu melhor amigo! Gonçalo também era o seu melhor amigo, e as coisas não tinham acabado bem! Talvez tivesse medo. Medo de amar, de se magoar, de sofrer novamente, de viver mais oito anos enganada com os seus próprios sentimentos, de olhar para trás e ver uma vida desperdiçada ao lado de quem não merecia esse gasto de energia. Mas o que é que isto queria dizer? Não sabia. A verdade é que Bill era uma pessoa muito especial na sua vida. Mesmo tendo intimidade e à vontade com Dreia, com Bill sempre tinha sido diferente. Sentia-se verdadeiramente ela quando estava do seu lado. Gostava de estar ao pé dele e de se sentir assim, como um livro em branco, no qual podia escrever qualquer coisa.

A fila avançava. Bea estava quase à frente. Já ali estava há cerca de meia hora. Não sabia explicar o que a tinha levado até lá. Mas precisava dele. Precisava de olhar para ele e perceber porque é que ele não lhe saia da cabeça, nem do coração…

Nunca ninguém lhe tinha dito nada de similar ou parecido. Gonçalo não era propriamente uma pessoa romântica. Não estava habituada a ouvir aquelas palavras, e nunca tinha pensado que alguma vez na vida sentiria falta de as ouvir. Julgava-se forte e pouco lamechas, mas no fundo, as palavras de Bill tinham-lhe destruído as muralhas que erguia sempre que alguém se aproximava de si. E o beijo… o beijo tinha-lhe deixado um sabor doce na boca, como há muito não sentia. Mesmo na passagem de ano, em que Gonçalo a beijara apaixonadamente, não tinha sentido algo assim, não tinha a força e o sentimento que aquele beijo parecia ter. Porque é que não se esquecia daquele sabor doce e do seu toque terno? Seria tão mais fácil esquecer aquela noite e aquele aperto que sentia no coração há dois dias. Seria tão mais fácil parar de imaginar como seria tocar na sua língua e sentir o seu piercing. Seria mais fácil não se crucificar por pensar nele e ter desejo de sentir novamente os seus lábios.

Que confusão de sentimentos. Bill tinha-a conseguido deixar assim. Já não sabia o que sentia por ninguém, já não sabia sequer aquilo que sentia dentro de si, mas tinha a certeza que aquele beijo tinha revolucionado a sua vida. Não iria conseguir continuar ao pé de Bill normalmente, ou se afastava de vez ou se aproximava. Mas qualquer opção que tomasse ia deixá-la amedrontada. Tinha medo de viver sem a amizade dele, e tinha medo de viver um novo amor. Medo de se dar e de sofrer.

Já só tinha uma pessoa à sua frente. O momento do confronto estava para breve. Sentiu o seu coração acelerar e a respiração a ficar mais pesada. Talvez fosse melhor sair da fila e voltar para casa. Mas precisava do confronto, precisava de o ver e de sentir algo. Queria sentir!

Quando ficou de caras com ela, sentiu os olhos encherem-se de lágrimas, e pouco a pouco sentiu uma lágrima silenciosa escorrer-lhe pela cara abaixo, sem soluços, nem nada, eram só lágrimas silenciosas que caiam à medida que o seu corpo se sentia nervoso e pesado. Para onde poderia ir a partir deste momento em que a confrontava? Não queria tirar fotografias, não queria tocar-lhe, só precisava de a ver. Era parte dele que estava à sua frente. A sua postura, roupa, expressão… era quase como se ele estivesse ali. Sentia algo esquisito dentro de si, algo que nem nunca se lembrava de ter sentido por Gonçalo, talvez por eles serem muito novos e terem decidido namorar por serem amigos de infância. Bea estava com medo de confessar aquilo que sentia. Mas sentia, agora sabia que sentia, não lhe saía da cabeça os momentos em que com ele tinha sido feliz, mas mais do que qualquer momento solto lembrava-se da ida ao Oceanário, das palavras de Bill, e da noite em sua casa, em que ele lhe mostrava aquilo que sentia por palavras e actos. Por mais medo e receio que sentisse do que iria ser o seu futuro, desejava que aquela estátua de cera fosse de carne e osso e que lhe pudesse tocar.

Tinha prometido a si mesma que não lhe tocaria e não faria figuras tristes como todas as outras raparigas faziam, mas não tinha mais nada a que se agarrar, e aquilo que sentia parecia estar a derreter o seu coração duro e a torná-lo moldável a um novo sentimento. Aproximou-se da estátua e olhou-a nos olhos. Nunca, num milhão de anos aquela estátua poderia espelhar os verdadeiros olhos dele, nunca teriam a luz e a vivacidade daqueles olhos castanhos que brilhavam e contagiavam todos à sua volta. Colocou a sua mão direita sobre o peito da estátua e sentiu uma nova onda de lágrimas caírem nos seus olhos e lembrou-se das palavras de Bill “Por me fazeres amar novamente quando pensei que estava condenado a deixar de sentir, e principalmente porque sinto… que sem ti sou pior”.

Agora fazia sentido…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Sex Jan 16, 2009 4:08 pm

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Já passavam três dias desde que a tinha visto pela última vez. Não tinha tido coragem de a abordar, nem telefonar depois do que tinha acontecido em sua casa. Sentia-se envergonhado e chateado por ter seguido o conselho de Tom. Tinha estragado todas as possibilidades que teria de ser feliz ao lado da Bea, se é que alguma vez tinha tido essa oportunidade. Mais três dias a dormir mal e sem fome. Às vezes passava-lhe pela cabeça desaparecer por uns tempos e não ter obrigações, mas não podia, nem queria.

Tinha passado os último dois dias a gravar o vídeo do novo single dos Tokio Hotel, não tinha tido tempo para descansar, mas também não queria. Era bom ter a cabeça ocupada com trabalho, para evitar pensar nela, pensar nos lábios dela e nas lágrimas que tinha visto caírem do seu rosto. Aquelas lágrimas tinham partido o seu coração, tinha sentido necessidade de a abraçar e confortar, não queria por nada deste mundo magoá-la. Mas também a atitude dela, o tinha deixado magoado. As palavras dela não lhe saiam da cabeça “És igual ao teu irmão!”. Bill sabia que Bea não suportava Tom, e isso deixava-o triste e pensativo.

A música que tinham gravado era puro rock. A letra falava de um sofrer sentido. Da dor pela qual Bill tinha passado quando tinha sido operado e se vira sem voz para falar ou cantar. A sua motivação estava um pouco em baixo de forma para gravar fosse o que fosse, mas tinha canalizado toda a raiva e frustração que sentia dentro de si, e o resultado tinha sido incrivelmente surpreendente. A tonalidade escura do vídeo contrastava com o peso do olhar de Bill e a força com que o seu corpo se moldava ao som.

- Faltam 10 minutos… – disse Jost batendo na porta da casa de banho
- Já vou! – disse Bill

Olhou-se ao espelho e não se reconheceu. Estava com um aspecto péssimo, nem a maquilhagem conseguia disfarçar a falta de ânimo que os seus olhos transmitiam.
Saiu da casa de banho e sentou-se ao lado de Tom. Nos últimos dias Tom tinha sido o seu grande apoio, sem ele do seu lado preferia ficar fechado em casa.

- Estás pronto? – perguntou Tom colocando a sua mão em cima da perna de Bill
- Hei-de estar… - disse Bill

Em pouco menos de 10 minutos, os Tokio Hotel preparavam-se para dar a primeira conferência de imprensa a anunciar o novo álbum, que estaria à venda dentro de um mês. O novo single começaria a tocar nas rádios já na semana que se iniciava, e o vídeo estaria na televisão em pouco mais que duas semanas, se tudo corresse bem. Tom estava preocupado com o irmão. A alegria característica de Bill tinha sido extinta por Bea. Tom tinha agora a certeza absoluta que nunca tinha amado ninguém, nunca tinha sentido nada tão forte ao ponto de se sentir assim, de não ter força para viver, e agradecia a Deus por isso. Não era pessoa de se apaixonar e esperava que no dia em que isso acontecesse fosse correspondido ou não teria a força de Bill para se apresentar em público como estava prestes a fazer.

- 5 minutos… – disse Jost

Tobi começou a delinear o plano de acção para entrada e possível evacuação da sala onde seria dada a conferência de imprensa. Bill olhava para ele, mas não ouvia uma única palavra que lhe saia da boca. Estava mais preocupado em tentar mentalizar-se que tinha de aparecer com boa cara e com disponibilidade para fotografias e perguntas vindas dos jornalistas. A sala estava cheia deles, e sabia que o mínimo deslize que cometesse seria capa de revista. Não se sentia nervoso, ao contrário daquilo que era habitual, não tinha razões para se preocupar. Quando as coisas na vida correm mal é que se percebe o verdadeiro valor do que nos rodeia. E para Bill a conferência de imprensa não tinha significado, perto da dor e peso que sentia dentro de si.
Abriu uma lata de RedBull e bebeu-a toda quase de um só gole. Precisava de energia.

- Olha para mim… – disse Tom

Bill virou a cara fitando Tom.

- Esquece-a um bocadinho… – disse Tom
- Um bocadinho não chega! Vou ter de a esquecer totalmente… – disse Bill

Tom olhou para o irmão sentindo uma dor no peito. Tinha razão. Com tudo aquilo que ambos tinham feito, podiam esquecer a amizade de Bea e Dreia. Podiam esquecer mesmo que elas existiam, mas ao menos Tom não se tinha apaixonado. A vida continuava.

- Vamos… - disse Tobi

Bill levantou-se e bateu com ambas as mãos na cara tentando animar-se. A caminho da porta Nathalie olhou para si e acenou-lhe com a cabeça como que dando um incentivo extra, Jost deu-lhe uma palmadinha das costas e Bill segiu atá à sala de conferência.


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Assim que saiu da sala de conferência e voltou a entrar nos corredores do edifício, desligou o sorriso que tinha na cara. Tom apareceu logo ao seu lado, colocando um braço por cima dos seus ombros.

- Estiveste bem! – disse Tom
- Foi que se arranjou... – disse Bill
- Foi óptimo! Grande maninho… – disse Tom abraçando o irmão com força até o aleijar e ver-se obrigado a soltá-lo porque Bill lutava contra os seus braços.

Bill sorriu. Tom era tudo o que nunca suportaria perder. Não se podia deixar abater por quem não o queria, a vida continuava e ele não era do género de se deixar vencer facilmente.

Abriu a porta do camarim e pensou estar a ver mal. Bea estava ali, à sua frente, e levantava-se do sofá lentamente olhando para ele com uma expressão que não lhe conhecia. Parou, fazendo com que Tom fosse contra ele e gritasse para ele andar para a frente. Bill entrou na sala e foi direito a Bea. Sentia o seu coração saltar a uma velocidade anormal. Pensou que a tinha perdido, mas ela estava ali, e tinha vindo à sua procura.

- Bea… - disse Bill baixinho
- Olá Bill… – disse Bea esfregando ambas as mãos com um nervosismo fora do normal.

Bea tinha ganho coragem. Precisava de ver o verdadeiro Bill, dar-se a oportunidade de ser feliz, ou de por o menos tentar. Não sabia o que fazer ou dizer, sentia-se perdida e extremamente nervosa com a situação, mas queria muito falar com ele e tentar alguma coisa… não sabia o quê... não tinha nada planeado, só queria estar ao seu lado e sentir novamente aquilo que a tinha deixado assim.

- Posso falar contigo a sós? – perguntou Bea timidamente
- Aqui não há grande privacidade… - disse Bill – Podemos falar mais logo?

- Não sejas estúpido… vai para a casa de banho…
– disse Tom que embora afastado dos dois, estava atento à conversa.

- Importas-te? – disse Bill olhando para Tom com vontade de que ele se cala-se

- Não… ele tem razão – disse Bea que nem se apercebia que pela primeira vez na vida concordava com alguma coisa que Tom dizia – Gostava de falar contigo agora… Queres ir até à casa de banho?

Bill abanou a cabeça afirmativamente e seguiu Bea até à casa de banho. Antes de fechar a porta olhou para Tom como se o ameaçando. Tom percebeu perfeitamente o que Bill lhe queria dizia. Mas não precisava de ir ouvir através da porta a conversa. O que quer que acontecesse lá dentro, Bill ia-lhe contar, e mesmo antes de saber o que quer que fosse ia sentir se o irmão estava bem ou não. Esperava que o facto de Bea estar ali quisesse dizer que ia ficar tudo bem. Foi até ao seu computador portátil, que levava para todo o lado o pôs música a um volume alto, queria que eles se sentissem à vontade e que não se preocupassem com o que outros podessem ouvir. Tom só queria ver Bill sorrir novamente.

- Como é que soubeste que estávamos aqui? – perguntou Bill
- Pela Dreia – disse Bea evitando olhar para Bill – tudo o que tenha a ver com os Tokio Hotel, ela sabe…

O ambiente estava pesado. Instaurou-se um silêncio constrangedor. Nem Bill nem Bea falavam.

- Eu… - começaram os dois ao mesmo tempo

- Fala tu... – disse Bea
- Não, fala tu… - disse Bill – Tu é que vieste até cá…

- Ahhh… tenho pensado muito nas coisas que me disseste…e… no que aconteceu em tua casa…
– disse Bea

- Sim? – disse Bill olhando para ela timidamente
- Sim… eu gosto muito de ti Bill, e não quero mesmo perder a tua amizade… – disse Bea sentindo o coração descontrolado dentro do seu peito – mas parece que à alguma coisa que não me deixa estar bem…

- Desculpa! Eu não volto a tocar no assunto se quiseres. E prometo não tentar mais nada…
- disse Bill

- Não! Não prometas isso… - disse Bea olhando para ele com dificuldade em fitar os seus olhos intensos – Não quero que prometas isso….

- Não percebo!
– disse Bill olhando para ela e reparando que Bea o olhava de maneira diferente.

- O que eu quero dizer, é que desde que me beijaste, à alguma coisa que não me deixa parar de pensar em ti. Eu não sei se estou preparada para assumir nada a sério contigo, eu nem sei o que sinto, mas… gostava de descobrir – disse Bea olhando os lábios carnudos de Bill – Não quero que me prometas que não tentas mais nada, só quero que me prometas que serás sempre sincero comigo, e que no dia em que deixares de gostar de mim, me dizes!

Bill abriu levemente a boca numa expressão de espanto, não estava à espera de uma reacção daquelas por parte de Bea. Pensou que ela estava ali pela sua amizade, mas afinal estava ali, à sua frente, mais bonita que nunca, pelo seu amor. Colocou uma mão na face de Bea, e olhou para os lábios que entreabertos pediam pelos seus. Deu um passo em frente e com a outra mão abraçou a sua cintura puxando-a carinhosamente para si. Fechou os olhos, sentindo o coração explodir dentro de si, e preencheu o vazio do seu coração e dos lábios de Bea com os seus. Bea sentiu um arrepio na nuca que a deixou em pele de galinha, abraçou a cintura de Bill e percorreu com as suas mãos as costas dele, com vontade de o agarrar e ficar assim para sempre. Aquilo que sentia dentro de si, era algo que desconhecia, mas era forte e intenso. Bill beijava bem, tinha sentimento e ternura naquilo que fazia, estava 100% ali, naquele beijo. Pouco a pouco Bill começou a introduzir a sua língua na boca de Bea, e foi aí que entrou em contacto pela primeira vez com o piercing de Bill. Aquela superfície dura e curvilínea que percorria o seu interior e a fazia almejar por mais e querer brincar com ela. Agora teriam muito tempo para isso…
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Jan 18, 2009 8:51 am

 47 







Mais um dia de aulas que acabava. As quintas-feiras de Dreia eram sempre complicadas, tinha aulas até às 6h da tarde. Quando saía não lhe apetecia fazer nada a não ser ir para casa e estender-se ao comprido no sofá o resto do dia. Mas esta quinta-feira, seria diferente.

Saiu da escola acompanhada pelos seus colegas e encaminhou-se para casa. Quando estava mesmo a chegar a casa, passou à porta de um café de onde saiu um rapaz a correr, que a interceptou tocando-lhe no ombro com um dedo. Dreia virou-se para trás e deu de caras com Tom. Não o seu Tom… mas o Tom da Berghain, o rapaz que trabalhava no 5º piso e que sempre que ela lá ia, a ia buscar à entrada da discoteca.

- Olá – disse Tom com um sorriso na cara – Tu és a amiga dos Tokio Hotel, não és?

Dreia nunca tinha ouvido ninguém perguntar-lhe aquilo… Uau… A amiga dos Tokio Hotel… até parecia ser um estatuto!

- Sim… – disse Dreia sorrindo e reconhecendo aquele rapaz – E tu és o Tom, não é?
- Ahhh, lembras-te de mim!
– exclamou ele contente por entre um sorriso - Queres tomar um café? Eu estou a fazer tempo, um amigo meu ficou de vir ter comigo aqui, mas está atrasado… – convidou Tom
- Pode ser. Por acaso até estou com sede…
- disse Dreia sorrindo e encaminhando-se para o café.

Entraram no café e sentaram-se na mesa onde Tom esperava pelo seu amigo.

- O que é queres beber? Um vodka RedBull? – perguntou Tom sorrindo
- É muito cedo para isso… – disse Dreia a rir – Como é que sabes que eu costumo beber vodka RedBull?
- Há coisas que não se esquecem, mesmo quando nos pedem 300 bebidas por noite!
– disse o rapaz olhando para ela timidamente

Dreia sentiu-se corar. Como é que ele sabia estas pequenas coisas sobre ela e ela nunca tinha sequer reparado nele, a não ser na festa de Carnaval, quando ele se vestira de Tom Kaulitz. A resposta não era difícil, nem de descobrir, nem de admitir. Como é que ela poderia reparar em mais alguém quando Tom era tudo o que ela via à frente? Felizmente agora estava já vacinada contra ele. Tinha a vida pela frente para ser feliz ao lado de alguém que a quisesse ver e fazer feliz.

- Pode ser um sumo de laranja natural… – disse Dreia sentindo-se a corar

Tom levantou-se e foi até ao balcão pedir as bebidas. Quando voltou trazia um sorriso na cara. Sentou-se ao lado de Dreia e começou a meter conversa.

- Tu não és alemã, pois não? – perguntou ele que notava que ela tinha uma certa dificuldade a falar.
- Não. Sou portuguesa – disse Dreia
- O teu sotaque é muito giro… - disse o rapaz
- Obrigada… - disse Dreia corando um pouco mais. Não estava habituada aqueles elogios, de Tom nunca os tinha tido.
- As portuguesas são todas bonitas como tu? – perguntou ele olhando os seus olhos de gata adoptarem uma cor castanha claro.

Dreia começou a sentir-se ficar nervosa e ligeiramente incomodada, não sabia o que dizer daqueles elogios, não estava nada à espera deles. Felizmente foi interrompida pelo empregado de mesa que foi levar as bebidas. Foram servidos dois sumos de laranja. O senhor colocou um sumo à frente de cada, e no fim, pegou numa rosa feita de papel de guardanapo e colocou em frente do sumo de Dreia, retirando-se de seguida.

Dreia pegou na rosa e admirou-a, era linda, não fazia ideia que alguém conseguisse transformar um simples guardanapo numa rosa tão perfeita. Olhou para Tom e ele sorria-lhe.

- Gostas? – perguntou Tom
- É linda. Foste tu que fizeste? – perguntou Dreia
- Sim! Queria que te lembrasses de mim e deste nosso café… – disse Tom sorrindo
- Não me hei-de esquecer… – disse Dreia sorrindo envergonhada – Também vais beber sumo de laranja?
- Se tu bebes, é porque é o melhor para se beber…
- disse Tom hipnotizado pelos lábios de Dreia

Dreia não sabia o que fazer. Tom estava nitidamente interessado em si e mandava-lhe todos os sinais possíveis para mostrar esse seu interesse. Tom era um rapaz interessante, o típico alemão: alto, loiro de olhos azuis muito claros. Tinha ar de quem gostava de se divertir e parecia sempre animado. Era um rapaz atraente, com o qual maior parte das raparigas (incluindo ela própria) não se importaria de ter alguma coisa, mas ainda tinha o Kaulitz na cabeça, por mais que gostasse de acreditar que já o estava a esquecer, era difícil. E Tom tinha o mesmo nome que o Kaulitz, e isso ainda a torturava mais, não se conseguia imaginar nos braços de outro, muito menos de outro Tom. Mas por outro lado tinha o direito de ser feliz e procurar a sua felicidade, e Tom era um rapaz atraente, que estava interessado nela, e quem sabe…talvez a conseguisse fazer feliz. Valia a pena tentar.

- Adoro sumo de laranja! – disse Dreia sorrindo
- E eu adoro o teu sorriso… - disse Tom – Desde que te vi a primeira vez na Berghain que me prendeu…

- Mas nunca falaste comigo…
- disse Dreia
- Pensei que andasses com um dos Tokio Hotel… – disse Tom
- Não… não ando com nenhum deles – disse Dreia sorrindo nervosamente – Somos só amigos…
- Ainda bem… -
disse Tom sorrindo e suspirando de alivio – Era impossível competir com um deles…
- Não digas isso…
– perguntou Dreia – Eles são pessoas normais.
- Sim… mas agora que sei que não andas com nenhum deles, posso convidar-te para fazer alguma coisa um dia destes?
– perguntou Tom
- Claro… - disse Dreia reticente com o que poderia vir dali

Nesse momento um rapaz aproximou-se deles. Era o amigo de Tom. Tom apresentou o amigo a Dreia e ela aproveitou a deixa para dizer que ia embora. Tom pegou num guardanapo e escreveu nele o seu número. Estendeu-o a Andreia e só então se apercebeu que ainda não sabia o nome dela.

- Não me chegaste a dizer o teu nome… – perguntou Tom
- Andreia – disse ela
- Prazer em conhecer-te Andreia – disse Tom dando-lhe dois beijinhos – fico à espera que me telefones para combinarmos alguma coisa.

Dreia saiu do café com um sorriso na cara. Há muito tempo que ninguém procurava conhecê-la e se mostrava interessado nela. O Kaulitz só se interessava por sexo, nunca tinham estado um dia assim, sentados algures a falar, tudo aquilo que ele procurava era única e exclusivamente prazer. Podia estar a encontrar finalmente um apoio e uma réstia de esperança de ser feliz? Esperava que sim.

Quando chegou a casa foi até ao sótão. Bateu à porta, mas ninguém atendeu. Lembrou-se que Bea tinha ido atrás de Bill para resolver os problemas do seu coração, e sorriu. Era um dia positivo para as duas amigas. Ou assim esperava.
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MensagemAssunto: Re: Wir Schließen Uns Ein   Dom Jan 18, 2009 8:52 am

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Voltou ao sótão a seguir ao jantar e bateu novamente à porta. Precisava mesmo de falar com Bea e pedir os seus concelhos sobre o que fazer com Tom 2. Não foi preciso bater mais de uma vez. Bea abriu a porta com um sorriso de orelha a orelha que só podia querer dizer uma coisa. Tinha feito as pazes com Bill e, ou eram amigos novamente, ou mais que isso.

Dreia cumprimentou a amiga com dois beijinhos e entrou porta dentro desejosa de poder falar com Bea, quando viu Bill sentado na ilha a comer. Também ele tinha um ar feliz e realizado, coisa que já não via nele à algum tempo.

- Oops…vim interromper o vosso jantar… – disse Dreia – ou devo dizer o vosso jantar romântico?

Bea acabava de fechar a porta e sentar-se novamente ao lado de Bill e ao ouvir o comentário de Dreia, olhou para Bill e começou-se a rir, fazendo com que Bill começasse a rir também.

- Acho que podes dizer jantar romântico – disse Bill pegando na mão de Bea e entrelaçando os seus dedos nos delas num gesto carinhoso.
- É a isto que chamas um jantar romântico? – perguntou Bea soltando a sua mão da mão de Bill e colocando um ar de gozo na cara.
- Sim, o nosso primeiro jantar sozinhos, só podia ser romântico, mesmo que estivéssemos debaixo da ponte… – disse Bill levantando-se e agarrando-a por detrás dando-lhe beijinhos na cara.

- Ok… acho que estou mesmo a mais… eu volto depois – disse Dreia virando-se de costas e preparando-se para sair

- Não sejas totó! Sabes que connosco estás à vontade. Queres comer alguma coisa? Senta-te aí…. – disse Bea apontando para uma cadeira
- Não, obrigada, acabei de jantar! – disse Dreia
- Então, o que é que se passa? Vinhas lançada, aconteceu alguma coisa? – perguntou Bea
- Aconteceu… - disse ela olhando para Bill sem saber se devia falar ou não com ele ali.

- Se quiseres que saia, é na boa… ou então podem falar em português que eu não percebo nada! – disse ele a rir

- Sabes que com o Bill é na boa… - disse Bea sorrindo e olhando para ele
- Ok… mas não contes nada ao Tom…por o menos por enquanto! – disse Dreia
- Ok! – disse Bill metendo uma garfada à boca.

- Hoje encontrei aquele rapaz da Berghain. E estivemos a tomar café juntos… - disse Dreia
- O Tom? – perguntou Bea
- Sim. E ele está interessado em mim, e deu-me o número de telefone dele para lhe telefonar para marcarmos um encontro… - disse Dreia corando

- Ele chama-se Tom? – perguntou Bill levantando uma sobrancelha
- Sim – disse Dreia

- Bem… tu tens qualquer coisa com os Toms! – disse Bill admirado
- Parece que sim… - disse Dreia – Mas agora não sei o que faça…porque por um lado ele parece ser fixe e gostar de mim. Mas por outro… - disse Dreia encolhendo os ombros num gesto que dizia tudo

- Desculpa estar-me a intrometer…. mas acho que fazes muito bem em seguir com a tua vida Dreia, o Tom não merece que fiques para o resto da vida a pensar nele, e acredita que ele não parou a vida dele… – disse Bill
- Que sensível Bill… - disse Bea olhando para ele e abanando a cabeça de um lado para o outro em sinal de desaprovação por aquilo que ele tinha acabado de dizer

- Não…deixa estar. Eu quero ouvir estas coisas, eu preciso de as ouvir para abrir os olhos e lembrar-me que eu preciso de ser feliz por mim mesma… - disse Dreia – E o que é que acham que deva fazer?

- Sinceramente?
– disse Bea - Se ele te desperta a atenção, e se achas que gosta de ti, marca um encontro com ele. Também é só um encontro, não te estás a casar com ele nem a comprometer a nada. Só acontece o que quiseres que aconteça…

- Hmm…tens razão. Vale a pena tentar. Se der deu, se não der ao menos tentei ser feliz e desprender-me de vez do Tom
– disse Dreia
- Concordo… - disse Bill olhando para Dreia e aprovando o concelho de Bea

- Então e vocês os dois? - perguntou Dreia piscando-lhes o olho
- Nas nuvens… – disse Bill olhando para Bea com um sorriso e um brilho nos olhos capaz de iluminar a noite de Berlin.
- Que bom! Nunca vos tinha imaginado juntos, mas no dia em que tu me contaste que gostavas da Bea, senti-me tão estúpida por nunca ter percebido que vocês eram perfeitos um para o outro. Adoro ver-vos assim… - disse Dreia com um sorriso terno nos lábios – Bem…vou deixar-vos no vosso jantar romântico. Desculpem ter vindo interromper mas precisava mesmo de ouvir um concelho. Obrigada
- Sempre que precisares já sabes…
- disse Bea
- Então vá….adeus e sejam muito felizes – disse Dreia indo embora com um sorriso na cara por ver os amigos tão felizes.

A porta batia. Agora era só Bill e Bea novamente. Os Bs. Bea olhou para Bill e viu nele um sorriso encantador. Levantou-se e foi ter com ele. Bill pousou os talheres e rodou o banco da direcção dela. Bea aproximou-se dele e colocou-se no espaço entre as suas pernas, abraçando-o pelos ombros e sentindo ele abraçá-la pela cintura. Deixou-se ficar assim a olhá-lo nos olhos. Bill sorria. Tirou uma das suas mãos da cintura de Bea e passou-a na cabeça dela num gesto carinhoso. Tinha sonhado tanto por momentos destes, em que fossem só eles os dois e o amor que os unia, e embora ainda fosse muito cedo para saber no que aquela relação ia dar, por ele ficava assim para sempre, nos braços dela a olhá-la. Bea sorriu, e abraçou-o com força sentindo os seus braços a rodearem o seu corpo e o cheiro dele e invadir-lhe os pensamentos. Afastou-se dele e beijou-o procurando novamente os seus lábios e o piercing que a deixava arrebatada.

- Que me dizes a um fim de noite romântico? Podíamos ver um filme enroscadinhos no sofá… – disse Bea levantando e baixando as sobrancelhas várias vezes seguidas.
- Perfeito… - disse Bill levantando-se e tomando os lábios de Bea num beijo apaixonado.

Abandonaram a ilha e Bea foi buscar o computador que tinha ficado no seu quarto, levou-o para a sala e colocou um filme a dar. Sentou-se no colo de Bill e deixou-se levar pelos beijos apaixonados dele, que a deitaram no sofá e a consumiram durante todo o tempo do filme. Bill beijava extremamente bem, era atencioso e empenhado em fazê-la desfrutar o máximo possível daqueles beijos. As suas mãos percorriam a cara e os braços de Bea, sem nunca procurarem desrespeitar ou abusar da confiança e intimidade que a relação deles começava agora a ter. Bea sentia-se feliz como à muito não se sentia, Bill era capaz de a fazer sentir uma explosão de emoções dentro do seu peito, sentia um misto de nervosismo com uma paixão avassaladora, e no entanto tudo o que tinha dele era os seus beijos e carícias. Se Bill fosse tão bom amante como a beijar, nunca mais quereria saber de Gonçalo ou de qualquer outro homem na sua vida.

Quando o filme acabou, Bill e Bea estavam deitados no sofá a desfrutarem de um momento íntimo a dois. Bea olhou para o computador e começou a rir. Bill olhou para a direcção do computador e percebeu o porquê de tanto riso. Sentou-se no sofá e ajeitou a roupa…

- Já viste o que me fazes? – perguntou Bill entre risos
- EU? – perguntou Bea rindo e sentando-se no sofá ajeitando também a sua roupa
- Sim. Fazes-me perder a noção do tempo… – disse Bill aproximando-se dela e beijando-a – Mas eu gosto! Quero estar contigo a toda a hora…
- E eu não me queixo…
- disse Bea sorrindo e atacando os lábios de Bill

- O que é que vais fazer estas férias da Páscoa? – perguntou Bill
- Não sei… ainda estou indecisa se vou a Portugal ou não… – disse Bea levantando-se do sofá – Porquê? Tens alguma ideia?

- Sim! Daqui a um mês vamos começar a fazer promoção do novo cd, e gostava de aproveitar o máximo de tempo possível para estar contigo. Se não fosses a Portugal, gostava que fosses comigo para algum lado, passar uma semana só nós os dois -
disse Bill levantando-se também
- Assim facilitas a minha decisão… – disse Bea abraçando Bill – Vou para Portugal! – disse Bea a rir

- Eu percebo… - disse Bill
- Estou a gozar bicho… Claro que vou contigo – disse Bea dando-lhe um beijo nos lábios
- Bicho? – repetiu Bill levantando uma sobrancelha

- Sim… és o meu bicho – disse Bea abraçando-o a rir
- Bicho? – repetiu Bill a rir
- Simmm… bicho! – disse Bea a rir, depositando-lhe um beijo nos lábios de seguida.

- Ok… sou o teu bicho! – disse Bill a rir – Espero que o Bettler não fique com ciúmes.
- Bem pode ter ciúmes… -
disse Bea beijando-o – E para onde vamos?
- Isso agoraaaaa…. É surpresa!
– disse Bill sorrindo
- Nãooooo… eu quero saber! – disse Bea
- Daqui a duas semanas saberás… – disse Bill levantando uma sobrancelha e beijando Bea

- Não, tenho de saber agora para pedir o dinheiro aos meus pais… -disse Bea fazendo olhinhos a Bill para que ele se descaísse.
- Nada disso. Não vais pedir dinheiro a ninguém, a viagem sou eu que quero oferecer-te… – disse Bill dando-lhe um beijo nos lábios

- Oh, não faças isso. Não me sinto nada bem que pagues tudo! – disse Bea afastando-se de Bill
- Mas tu és mesmo casmurra quando se toca em assuntos de dinheiro! – disse Bill puxando-a pelo braço e abraçando-a bem junto a si – Queres que te cobre a conta do hospital de novo?

- Não. Mas eu não tenho problemas com dinheiro Bill, os meus pais podem não ser ricos, mas vivem à vontade, ninguém morre à fome por eu lhes pedir dinheiro
– disse Bea
- E achas que eu morro à fome por te pagar uma viagem de avião? – perguntou Bill sorrindo – Não te preocupes com isso, eu trato de tudo. Quero que seja surpresa…

Bea limitou-se a suspirar, para casmurra tinha-lhe saído um belo bicho! Este sabia-lhe fazer frente e fazer-se valer pela sua opinião, mas também já o conhecia bem, e sabia que ele era mesmo assim, e gostava dele sem tirar nem pôr.


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Sentou-se na cama e tomou coragem. Pegou no telefone e ligou a Tom… Tom 2.

- Estou? – perguntou uma voz do outro lado
- Estou…Tom…é a Andreia! – disse Dreia
- Andreia…que bom que telefonas-te… – disse Tom contente
- Eu disse que telefonava… - disse Dreia sentindo-se nervosa por estar a dar um primeiro passo – Então…como queres combinar?
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